terça-feira, 10 de julho de 2012

FAMÍLIA E SOCIEDADE!

 
A Sociedade é um conjunto de Famílias, que são a sua mais pequena parcela! Família e Sociedade estão intrinsecamente unidas. As dificuldades ou sucessos de uma provém sempre da outra.
Ainda é muito recente a luta contra a supremacia exagerada do rico sobre o pobre e da humilhação da mulher perante o homem, mas desde sempre houve homens e mulheres que se distinguiram pelos seus dotes especiais de amor ao trabalho, desprendimento, dedicação, caridade e amor ao próximo.
As pessoas mais cultas, naturalmente, têm mais possibilidades de se debruçar sobre si mesmas e de se autodescobrirem e evoluírem no seu modo de pensar, de ser e estar, ou seja, para viverem melhor a espiritualidade. O aparecimento e generalização dos cursos superiores trouxe mais cultura à sociedade, mas o anseio do crescer mais no nível de vida levou os homens e as mulheres a colocar de parte a sua espiritualidade que, essa sim, os faria mais livres, responsáveis e melhores pessoas.
A nível de espiritualidade temos muito caminho a percorrer. E em vez de nos queixarmos do mal-estar sofrido, se cada um de nós olhar e verificar bem dentro de si o que poderá fazer de melhor, as crises serão diluídas ou mesmo acabadas. Mas, só de um pouco antes do Concílio Vaticano II está a chegar seriamente aos leigos a necessidade e forma de poder ter uma vida de espiritualidade profunda, vivida por tantas pessoas há tantos milhares de anos, e que Jesus Cristo nos veio exemplificar e propor.
Até a esse Concílio, nem sequer o estado civil de casado era visto como propício a uma vida de espiritualidade e consequente santidade. Só os padres, monges ou freiras poderiam ser pessoas no caminho da santidade através de uma vida de estudo da Palavra de Deus, de oração, caridade, doação e amor. Mas o Concílio Vaticano II, valorizando a ação dos leigos na Igreja e no mundo, veio dizer-nos: que a santidade é para todos, consagrados e leigos; que as vocações consagradas são urgentes e necessárias para formar a Hierarquia da Igreja e organizar o seu apostolado, pois tem de ter pastores e pessoas dedicadas ao seu serviço para uma melhor intensificação, orientação e realização de atividades; mas que é urgente também que se compreenda e valorize a vocação matrimonial, porque é dela que saem todas as pessoas, tanto os celibatários como os pais de família, pois é da Família que saem todos os membros da sociedade.
As crises sociais não podem ser resolvidas pela Escola, Governo, Igreja, Professores, Padres, Freiras, Catequistas, ou seja quem for… isoladamente, mas pelo esforço de todos unidos a Jesus Cristo, cabeça e tronco de todos os homens de boa vontade.
O homem é um ser em relação. A família, "comunidade natural fundada no matrimónio, que a Igreja sempre apresentou como lugar de encontro relacional, de enriquecimento mútuo e de pacto entre gerações", onde as crianças crescem, são educadas, adquirem os valores fundamentais da solidariedade, da responsabilidade e compromisso mútuos, tem que ser mais do que trabalho. O trabalho, feito com amor, faz parte do crescimento e realização da pessoa humana, pois é com ele que ganha o necessário à vida, e onde não há dinheiro (pão) suficiente não pode haver sossego, mas crises, conflitos e falta de equilíbrio familiar. Todavia, tem que haver tempos reservados ao descanso que geram comunhão e coesão familiar. Cada membro da Família tem de ter compreensão de si mesmo e do seu próprio bem-estar, e conhecimento e aceitação do cônjuge, filhos, família alargada, e das pessoas com quem convive no seu meio ambiente natural.
Urge realçar a vivência do verdadeiro amor, a raiz e base fundamental de qualquer família, e ajudar os homens e mulheres a reestruturar as famílias, pois é a maneira mais eficiente de garantir uma sociedade estável e solidária.
Sem famílias conscientes e responsáveis, a sociedade nunca encontrará um futuro promissor.
  http://textosdaescoladavida.blogspot.com

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mudanças de mentalidades


As dificuldades da população estão centradas na raiz e suporte da Sociedade, a Família! A Sociedade e a Família estão em crise! Não é novidade para ninguém! A interligação entre estas duas palavras é tão grande e profunda que falar de uma implica sempre uma análise intensa e profunda da outra.
A grande crise social provém e afeta radicalmente a crise familiar. Um ciclo vicioso fácil de compreender e difícil de resolver, assente na falta de valores humanos, éticos, de moral e bons costumes.
As regras de vida são necessárias e urgentes ao desenvolvimento global de todo o cidadão! Sabemos que  continuar com esta passagem do oito para os oitocentos está a ser perigoso… mas temos de convir que no meio está a virtude, temos de regressar um pouquinho ao passado!
Lembra-me muito bem as pessoas viverem sob um clima de obediência cega, com um medo exagerado de tudo e de todos, inclusive de Deus, que nos era apresentado pelos homens com a mesma forma grotesca com que se relacionavam entre si, onde os mais influentes levavam os demais a fazer tudo quanto fosse conveniente aos seus interesses, caprichos e vontades. As mulheres eram de todo submissas aos homens, pois os mais ricos tinham-nas como intocáveis objetos de adorno e os pobres deixavam recair sobre elas grande parte das tarefas campesinas acrescidas de todas as domésticas e educativas. Não se via um homem a cuidar da casa ou da roupa, e o simples pegar nos filhos pequenos era uma enorme ocasião de escárnio e maldizer.
Havia poucos homens a saber ler, e mulheres havia ainda menos! Com o passar do tempo o analfabetismo diminuiu. O ser “estudante universitário” tornou-se prática corrente, tanto para homens como para mulheres, e as pessoas predispostas a profissões do operariado têm acesso ao estudo técnico-profissionais que as tornam mais atentas e responsáveis.
Com o desenvolvimento tecnológico e científico generalizou-se a Imprensa, Rádio, Televisão e Informática ou computadores, o que colocou à disposição de toda a gente muitos saberes. A internet é um enormíssimo livro aberto onde se escreve e lê, mas muitas vezes sem capacidade de discernimento e sem qualquer pessoa que elucide verdadeiramente o que é bem ou mal para se poder efetuar uma escolha acertada. Isto acarreta muitos dos desencontros da sociedade muitos dos distúrbios com que nos defrontamos.
O relacionamento entre as pessoas dos diferentes estratos sociais foi-se tornando mais próximo, pois as diferenças acentuadas entre as pessoas com cursos superiores ou não foram-se desvanecendo. E a mulher, que era intelectual e tecnicamente desconsiderada, viu reconhecidas as suas capacidades que em nada são inferiores às do homem, muito simplesmente, são diferentes e complementares.
A rigidez com que as gerações mais idosas foram criadas levou-as a procurar que os seus descendentes tivessem menos dificuldades. Contudo, observando com um pouco de atenção  os ambientes que nos circundam podemos ver que as pessoas habituadas a maiores trabalhos e privações são as que conseguem melhores formas de resistir à crise… crise que, a meu ver, está ligadinha a muita preguiça e esbanjamento, egoísmo exagerado e  riqueza fácil… bem-estar desmedido e falta de caridade e amor! É só parar… para ver!

In Notícias de Cambra



quarta-feira, 13 de junho de 2012

ABRIR O CORAÇÃO


O coração vibra a todo o momento num trabalho incansável e moroso! Quando o coração deixar de trabalhar, a vida deixará de existir!
Mas… o que é a vida? Eu não sei o que é a vida!
Humanamente falando, a vida é um amontoado ordenado de células que, cuidadas e alimentadas, se multiplicam constantemente no desenvolvimento harmonioso do ser até fazer dele um homem ou uma mulher, cuja passagem por este mundo é um livro escrito nas páginas do tempo, aos poucos, até se finar no declinar do último suspiro, situação que a pessoa nunca poderá registar pois não é possível descrever, em vida, a própria morte!
A vida é um labor incessante, uma busca constante de crescer, de descobrir o mundo, de ser alguém, de se auto-descobrir, de descobrir outras vidas com quem se cruze na busca permanente e inquietante de ALGO interior que dê valor à própria vida – Deus – visto pelas pessoas dos mais diversos modos sem deixar de ser quem é!
Mergulhando um pouco mais profundamente em tudo isto… perdida por dentro da vida… ainda não sei o que é a vida!
A vida é como que uma árvore sem raízes presas à terra mas que guarda em si o centro da vida por possuir uma infinidade de raízes escondidas no mais fundo do coração! Sem coração não há vida! È o coração que movimenta o sangue que alimenta a vida! É através da força do seu bater que o oxigénio vai dando vida à vida, batendo, sem parar, para poder conservar viva a vida! Quando o coração está doente, a vida perde a qualidade e desaparece da nossa vista.
Mas… será que vemos a vida? Não! A verdadeira vida não poderá nunca ser vista neste maravilhoso planeta onde habitamos! O que chamamos vida é como que um embrulho  (corpo) mais ou menos elaborado da verdadeira vida que está bem dentro de nós!  E a esse “dentro de nós” chamamos coração, em analogia com o coração de carne que todos possuímos dentro do corpo - o embrulho que nos mostra a pequenez da vida e ao mesmo tempo nos esconde a grandeza da vida!
E ainda assim, eu não consigo compreender o que é a vida! Quando o coração de carne está doente, os médicos já conseguem abrir esse coração para o reparar. Operação difícil, mas possível! Quando o coração da verdadeira vida que se expressa na nossa espiritualidade está doente, não há mão humana que o possa reparar além do próprio dono, ou seja, além de Deus e da pessoa que o possui.
A intimidade (coração) de cada Ser Humano é pertença dele mesmo e de Deus! È urgente que cada homem e cada mulher consigam abrir o seu coração a Deus, Pai misericordioso e bom, presente em todos os nossos momentos, pronto a ajudar, a perdoar, a esquecer, a abraçar, a fazer felizes todos os seres que criou.
Só com uma espiritualidade muito profunda conseguiremos descobrir verdadeiramente o Amor desmedido desse Deus! Que ELE nos ajude a consegui-lo, para darmos mais VIDA á nossa existência terrena, caminhada permanente para a VIDA VERDADEIRA junto de Deus preparada com um grande amor e doação a todos os irmãos!

 In "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Partilhas de vida!



“Quem tudo quer… tudo perde!”… Ou talvez não, eu não sei! Nesta ´´época de “crise é natural que as pessoas se aventurem a correr atrás de tudo o que lhes seja mais confortável às carteiras… mas é preciso estar atentos! Por causa destas corridas desenfreadas acontecem coisas tão insólitas que nem dá para imaginar!...
Conforme o habitual, fui ao Pingo Doce fazer as minhas compras na manhã do dia 29 de Abril! E… no dia 1 de Maio fui surpreendida com a notícia de que nas supracitadas lojas havia 50% de desconto nas compras efetuadas nesse mesmo dia.
Fiquei quieta no meu canto, pois faz tempo que decidi não me apressar a essas benesses ocasionais que têm sempre imensas pessoas a precisar muito delas… e muitas mais a aproveitarem-se dessas ocasiões para se encherem de provisões até mais não poderem.
Passados alguns dias, como se compreende, tive que sair à procura de recompor a minha despensa. Quando me dirigi à carne, em vez das habituais metades ou quartos dei com cordeiros partidos em pedaços com preços diferentes para cada parte específica, sendo que a parte mais barata estava um ou dois cêntimos mais cara do que o todo de há poucos dias atrás. Não gostei mesmo nada do que vi, mas como ia para comprar, comprei!
Depois do pagamento efetuado àquele preço que me pareceu deveras exorbitante fiquei boquiaberta quando, na caixa, me apresentaram um cartaz de promoções do final de semana onde o cordeiro se encontrava a 50% do custo.
Indignada, saí dali, certa de que cada comerciante pode fazer muitas coisas para bem dos seus clientes… e não sei o que se passou nesse final de semana porque não precisei de mais compras.
Na semana seguinte, a televisão informou que nessa dita superfície haveria novas promoções de fim-de-semana, já a partir de 5ª feira. E porque não tinha provisões para o “Cozido à Portuguesa” que meu filho escolheu para festejar em família, no sábado, o seu aniversário, dirigi-me mais uma vez ao sítio habitual para comprar o necessário para a ementa. E lá estavam os citados 50% de desconto até dez quilos de carne a quem levasse um certo montante noutras compras! Mas… não encontrei a carne que desejava... e foi mais uma desolação!...
Por coerência, achei que devia comprar tudo o que precisava na mesma loja!... Então, perante o pasmo das funcionárias habituadas a ver o meu carro cheio… saí com ele vazio para ir abastecer-me na concorrência… e elas, a olhar-me, sem nada me poderem fazer!...
Mas, agora, acho que até foi muito bom?!... Preços melhores e piores, como noutro sítio qualquer… carnes cortadas de formas diferentes… pessoas amorosas que já não via há largo tempo!… E comprei o chouriço vermelho de que tanto gosto e o chocolate branco para satisfazer o gosto apurado de um dos meus netos!…
Confesso que nunca gostei de andar de lado para lado, aos saltinhos, na busca dos preços mais baixos e das minhas conveniências pessoais… mas vou fazê-lo agora!
Onde eu entrar… é onde eu pago! E para matar saudades das maravilhosas pessoas que sempre me têm acolhido por onde tenho passado… nada melhor do que uma mudança constante de ambiente… que… a meu ver… diga-se… até faz muito bem!...

 In "Notícias de Cambra"

terça-feira, 22 de maio de 2012

PERPLEXIDADE!



Vagueando por aí numa viagem de recreio encontrei um grupo de homens que me sacaram dois dedos de conversa e me deixaram apreensiva!...
A implicância começou pelo facto de, aposentada, estar a tirar dinheiro ao Governo; agravou-se quando confidenciei ter pertencido à Função Pública como Professora; e tornou-se ainda maior quando minha irmã se atreveu a dizer que também tinha prestado serviço numa Câmara Municipal.
Bastante desconfortáveis… lembrámos os possíveis distúrbios das exageradas reformas auferidas pelos encarregados das Funções Governativas e outras, algumas muito dubiamente antecipadas!
Cheios de razões… culparam afincadamente a infinidade inumerável das pequenas aposentações que, elas sim, todas juntas, davam cabo dos cofres do País.
Uma despedida cordial pôs fim às discrepâncias sem solução à vista, e cada qual seguiu o seu caminho! Mas a perplexidade foi tanta que, já fez bastante tempo… e ainda não consegui digerir muito bem a ignominiosa passagem.
Os sujeitos eram auto caravanistas nortenhos. Ao deixarem escapar nas entrelinhas a sua portentosa posição de “sabidos” Funcionários Públicos, satisfeitos, talvez, por sonharem também com alguma choruda receita, fizeram-me ver que os seus excelentes “egos” se sobrepunham aos demais! Para eles, e outros que tais, deve haver funcionários de 1ª, de 2ª, de 3ª e não sei mais de quantas… e os melhores serão sempre os que tiverem “jeito de se ajeitarem”, sem pensarem nos demais, e todos os que se lhes opuserem serão sempre uma porcaria. E o Zé Povinho, que manteve o País a funcionar com ordenados de miséria e pesados impostos, agora, no final da vida, talvez, quem sabe, se o destruí-los todos de uma vez não seria o melhor para não levarem tudo à falência!...
E são homens como estes a quem o Povo Português tem de entregar os destinos de Portugal!... Claro que, com toda a certeza, andarão por lá muitos assim! Depois, que queremos que nos aconteça?
Mas… que porcaria de educação recebemos nós e demos aos nossos filhos para vivermos no meio de comportamentos destes? Por onde andarão os nossos valores humanos, o nosso amor ao trabalho, a nossa sinceridade e bons costumes?
Sinceramente, não sei! Precisamos de governantes equilibrados, conscientes e responsáveis, mas o povo também tem de colaborar! E colabora… mas… só parte do povo, ou seja, colaboram os grandes que forem “maluquinhos” e o zé povinho a quem a miséria vai batendo à porta e que, aos poucos vai “morrendo” à mingua com vergonha de se queixar, enquanto uns outros quantos, habilidosos e desavergonhados, vão enchendo os bolsos e gritando aos quatro ventos que o País está em crise!...
A crise não está no País, está na cabeça de algumas pessoas que não se contentam com o que devem, e fazem tudo para angariar só para si o que faz falta aos demais. Se todos olhassem para o lado e cuidassem de minimizar a miséria alheia… não haveria crise nenhuma! Ao cafés, os restaurantes e os grandes centros comerciais estão sempre cheios; os tempos de férias ou fins de semana prolongados dão viagens aos aviões e recheiam os hotéis; os campos de futebol continuam apinhados de gente; inúmeros e desnecessários carros continuam a rodar pelas estradas; mais do que nunca jovens, adultos e idosos se juntam para viver e conviver… isto é um nunca mais acabar!...
Devo ser muito pateta, pois há coisas que, por mais que me esforce, nunca consigo compreender. Valha-nos… o bom senso, a decência e moralidade!

In "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O RESSUSCITADO!




Todos os homens, indefinidamente, têm uma vida interior que pode ser mais ou menos profunda, e essa espiritualidade torna-se visível nas atitudes que vão tomando. Tal como os frutos identificam a seiva que corre na árvore que os produz, são as ações humanas que identificam o interior de quem as pratica.
Jesus Cristo diz-se o Ressuscitado porque, depois de morrer nos provou que continua eternamente vivo. Se todos pensarmos que a vida não acaba aqui e que no outro mundo seremos sempre a continuação do que formos neste, começaremos a ter atitudes mais humanas e coerentes. Jesus Cristo une-nos misticamente a todos, em qualquer dimensão da vida. Por isso podemos pensar nos que já partiram e sabê-los presentes junto de nós, o que é muito bom pois pode alterar a nossa espiritualidade.
Há duas épocas distintas durante o ano para revermos e rejuvenescermos a nossa espiritualidade. Vivemos atualmente uma dessas épocas, iniciada com o Tempo Quaresmal em que nos foi dado olhar mais a sério para tudo quanto fomos, somos e temos, seguida do Tempo Pascal em que, depois de meditarmos na Paixão e Morte de Jesus e celebrarmos a Sua Ressurreição, nos é recomendada uma permanente mudança de vida, uma ressurreição permanente.
Mas, não há ressurreição sem morte! O tipo de morte que nos é proposto muito simplesmente é tentar acabar com tudo quanto seja entrave a sermos o que devemos neste mundo onde fomos colocados para seguirmos em frente rumo à eternidade, e onde cada pessoa tem o seu espaço próprio para realizar livremente a sua caminhada! E mediante a liberdade que lhe é dada, a fraqueza humana de que é dotada e as tentações a que está sujeita, a maior das aventuras que lhe é apresentada, sem sombra de dúvida, é a de descobrir os verdadeiros caminhos a percorrer.  
O individualismo e o egoísmo impregnaram a sociedade onde cada um pensa mais em si do que no outro. Sabemos que é muito natural e até salutar termos amor próprio, pois quem se não ama a si mesmo não consegue amar a mais ninguém! Contudo, urge definir quando esse tipo de amor ultrapassa os limites do aceitável, pois o gostarmos de nós mesmos não pode, de forma alguma, ferir os interesses das pessoas que nos circundam. Temos de ter consciência de que todos temos defeitos e qualidades. Os cristãos têm de ter muito cuidado, pois quanto a individualismos e egoísmos, muitos deles não são o melhor exemplo! Agarrados a conceitos e pré-conceitos de que a “salvação” lhes está assegurada, julgam-se os melhores, o que nem sempre acontece. Há muitas pessoas que não são cristãs nem assumem qualquer religião e têm comportamentos exemplares. Nós, que nos dizemos cristãos, temos que fazer tudo para seguir bem de perto o nosso Mestre Jesus Cristo, pois se O não seguirmos como convém nunca poderemos dizer-nos cristãos a sério. E para podermos ser bons cristãos temos que, pelo menos, tentar ser pessoas autênticas e capazes.
A “salvação” não está reservada a ninguém em especial, mas a todos os homens em geral. E os cristãos, católicos ou outros, deviam, mas normalmente são pouco ou nada melhores do que as outras pessoas, esquecidos de que têm uma responsabilidade acrescida perante toda a Sociedade indefinidamente: a de serem testemunhas visíveis de Jesus Cristo, porque não é o que diz ser cristão que o é na realidade, mas o que dá testemunho de Cristo vivendo segundo as Suas atitudes e tornando-se cada vez mais transparência DESSE Ressuscitado que veio ao mundo para nos ensinar a viver numa constante ressurreição. Que ELE nos ajude!

In "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 30 de março de 2012

NECESSIDADE DE SER ÚTIL



Há dias, numa qualquer estação de TV, pareceu-me ouvir dizer que todo o ser humano, invariavelmente, tem necessidade de ser útil! E fiquei algum tempo a sós, com aquela ideia a baralhar-me profundamente a cabeça.
Depois de muito pensar acabei por concluir que, de facto, a necessidade de ser útil, assumida ou não, persegue sistematicamente todo o ser humano… mas de forma muito antagónica, pois enquanto há pessoas que sentem necessidade de ser úteis a si mesmas outras há que fazem de tudo para puderem colocar as suas qualidades e possibilidades ao serviço de quem as rodeia. Neste mundo maravilhoso em que vivemos, o egoísmo e o altruísmo rodam por aí, sem cessar, de mãos dadas e na grande maioria das vezes baralhadas, misturadas e até confundidas!
Quando deparamos com pessoas muito interessadas em “serem úteis a si mesmas” temos graves problemas, pois essas pessoas, sem se darem conta, egoística e interesseiramente, acabam por levar as demais a fazerem somente o que elas querem e lhes agrada…  e o pior de tudo é que, na sua constante insatisfação, se tornam sedutoras e se acham sempre umas coitadinhas porque ninguém lhes faz a vontade ou as serve como elas acham que devem ser servidas. Quem procede de modo contrário, ou seja, quem vive com altruísmo, por um lado, acaba por estar sempre bem porque a satisfação dos outros é a sua própria satisfação; mas, como não há regra sem senão… lá vem uma época em que, sem jeito para fazer valer as suas opiniões e gostos nem de procurar os seus interesses pessoais que sempre deixam para segundo plano, caem num desânimo arrasador porque se sentem terrivelmente abusadas e desprezadas e sem prestígio ou valor para ninguém. 
Como é fácil de deduzir… qualquer destas situações é terrivelmente caricata e precisa de auto e hétero correção constante.
Há uns anos bastante largos fui ao médico, “stressada”, com essa doença de que ao tempo ninguém falava e agora está na moda…   e o médico recomendou-me de que eu teria de olhar muito bem por mim… primeiro eu, segundo eu, terceiro eu… décimo eu… e depois os outros se eu não precisasse – dizia ele - e reafirmou que, se eu não olhasse muito bem por mim, nunca poderia ter forças capazes de olhar bem pelos outros.
Fiquei pasmada com o que ouvi… mas como confiava no médico, segui o conselho de perto… e muito embora ainda tenha os meus momentos de desânimo e abatimento, dei-me muito bem com a observação quase constante do supracitado conselho.
Nós, seres humanos, somos o que for o nosso interior, pois o que se vê, o nosso ser corporal ou bilhete de identidade que nos diferencia dos demais não passará nunca de uma espécie de veículo pessoal onde estamos constantemente metidos e com que nos mostramos e deslocamos neste mundo em que vivemos. E porque “o mais importante é invisível aos olhos”, daqui nos vem a suprema importância de aprendermos a valorizar a nossa espiritualidade, pois é a que moralmente nos define e nos tornará para sempre felizes ou infelizes, conforme consigamos viver no amor verdadeiro ou num egoísmo exagerado!
Que nesta época de renovação pascal, à Luz clara e convincente de Jesus Cristo, a consciência superior de que fomos dotados nos ajude a encontrar o nosso verdadeiro caminho – o da compreensão, aceitação, doação e amor, de que Ele foi o mais maravilhoso exemplo a seguir!
Santa Páscoa para todos!

In "Notícias de Cambra"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UM POUQUINHO DE NÓS!



Falar de espiritualidade pode não ser compreensível para a maior parte das pessoas, uma vez que a maior parte das pessoas não vêem a espiritualidade como parte integrante de si mesmas, e por isso, de imediato, ligam o termo a algo de sobrenatural que, ou é favorável e ajuda, ou é desfavorável e estraga tudo, coloca a vida do avesso, de pernas para o ar.
Tendo em atenção estas e outras atitudes que estão muito vulgarizadas, vamos preparar-nos para podermos falar  compreensivelmente sobre espiritualidade com uma pequena e muito rudimentar introdução em que vamos tentar analisar-nos a nós mesmos, assim, tal qual nos vemos, tendo em atenção a nossa realidade intrinsecamente temporal. Poderá até parecer uma brincadeira, mas com o tempo veremos que não é.
Então, quem somos nós? Somos… a Maria, o Manel, o Tono, o Quim… que nos apresentamos com um corpo… um corpo alto, baixo, magro, gordo, claro, escuro, com uns contornos muito bem alinhados ou trabalhados um pouco à pressa… com olhos castanhos, azuis, pretos… cabelos fortes, fracos, lisos, encaracolados, eriçados, encarapinhados e castanhos, louros, grisalhos… com pernas altas, baixas, gordas, esguias, mal chambradas ou esbeltas… dedos grossos, finos, compridos, curtos, com unhas muito bem ajeitadinhas ou mal cavacadas… queixo com covinha ou sem ela, orelhas pequeninas ou orelhudas, nariz bicudo ou achatado… pés de quarenta e quatro ou trinta e cinco… e é assim que nos vemos quando nos olhamos ao espelho e que as pessoas com quem convivemos nos vêem e nos conhecem, porque, de facto, somos assim. E cada um de nós é como é, e se não se assume, assim, tal como é, é porque em si algo não está bem.
 Quer queiramos ou não, não podemos fugir desta realidade. O nosso corpo, com tudo quanto o compõe, quer gostemos e apreciemos, quer não, é o nosso bilhete de identidade social, é por ele que nos conhecemos e somos conhecidos e conhecidas.
E não dizemos vai ali o espírito da Maria… do Manel… do Tono… do Quim… mas vai ali a Maria, o Manel, o Tono ou o Quim, pois é o corpo que identifica a cada um de nós porque é com ele que marcamos a nossa estadia neste mundo.
E antes de começarmos a falar no algo mais que pertence intimamente a esse corpo, podemos ainda continuar a ver as inumeráveis formas como ele se poderá apresentar publicamente, ou melhor dizendo, como é que nós nos poderemos mostrar publicamente através desse corpo, pois ele, o nosso corpo, pode apresentar-se de muitas maneiras, esta é mais uma realidade que temos que aceitar.
Somos cidadãos do mundo, nascidos num qualquer país de um dos seus continentes… num determinado lugar, cidade ou aldeia… numa família pequena ou grande… rica ou pobre, bem ou mal formada… que é sempre uma ínfima parcela de uma sociedade!
E… por hoje… acho que é melhor ficarmos por aqui… a pensar na maravilha da nossa querida família e também da sociedade que a acolhe! E para que o nosso meio envolvente comece a ser bem  melhor, vamos ser muito positivos olhando mais atenta e profundamente as coisas boas que dele podemos tirar.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

(Des)Governo


 Sinceramente, ando cansada… de ouvir falar de euros, de troikas, de Governos e Oposições, de (des)governos e desorientações, de crises desordenadas onde as contas bancárias e riquezas não foram destruídas nem queimadas… mas em vez de alimentarem, vestirem e darem vida condigna a quem delas necessita para sobreviver, andam a vaguear nas carteiras de quem devia olhar por toda a gente mas não pensa em nada mais além de conseguir juntar cada vez maiores proventos… aos enormíssimos rendimentos que já tem. É este o nosso mundo! É esta a nossa Europa! É este o nosso País! Isto… não cabe na cabeça de ninguém!...
De facto,  “razão cada qual tem a sua” e “ a razão tem razões que a razão desconhece”. Quem pensa e vive para as riquezas, por mais riquezas que consiga usufruir, nunca ficará saciado, e mesmo tendo todas as benesses, não as reconhece como tais e tenta conservá-las e arranjar umas tantas mais… sem se lembrar de quem já quase não tem tecto para se cobrir, roupa para vestir, remédios para curar as doenças ou algo para comer, e apenas pede que lhe deixem o mínimo para poder sobreviver.
É inexplicável esta situação, onde não existe ética moral nem coração!
Os seres humanos nasceram para ser felizes fazendo os outros felizes. Pessoas de bem, em casos normais, quando vêem ou ouvem quem quer que seja, devem acreditar que tudo está muito bem ou muito mal, conforme a interpretação do que se veja ou escute. Mas, vivemos numa confusão tal que não há por onde se lhe pegue. As pessoas dizem e desdizem-se, até a si mesmas, com uma facilidade que dá dó! Inventam leis e tentam fazê-las cumprir com uma arrogância pavorosa! Tentam levar o grande público pela força… esquecidos de que as boas razões apresentadas com uma explicação carinhosa e assente numa boa coerência de vida, resolveria muito melhor as situações difíceis que urge ultrapassar.
As pessoas não conseguem aceitar as restrições da cabeça fria, se as restrições não forem para todos, sem excepção! E o que serve, serve todos os outros, não tem o direito de se servir somente a si mesmo e aos seus amigos ou aos senhores do dinheiro. Temos plena consciência de que o dinheiro vence tudo… mas não deveria ser assim. O “ser humano” vale muito mais do que o dinheiro… que um dia ficará… irremediavelmente… não irá connosco!
Temos de continuar a viver agarrados a uma esperança… da qual não vemos sequer a mais ínfima luz no fundo do túnel. E… por favor… não me falem de crise! Não há crise nenhuma! Há, sim, riquezas desmesuradamente desordenadas e dinheiros muito mal repartidos… ao lado de pessoas que se habituaram a sobreviver de subsídios, sem trabalharem nada, e agora não querem trabalhar… e pessoas que se habituaram a ter tudo muito facilmente, e agora querem tudo, não se contentam com nada, e gritam… porque não sabem viver sem gastos desnecessários!…
Portugal está um pandemónio! O Governo e Oposição revezam-se de vez em quando, e quando estão fora do Governo, em vez de se darem as mãos para se ajudarem mutuamente e resolverem os problemas conjunturais, criticam-se, a maior parte das vezes de forma destrutiva. E o pior, é que uns ficam no Governo mais tempo, outros menos, mas todos saem de lá com a vida feita… e em muito bom estado de conservação, por isso, em vez de ficarem em casa a tratar dos netos ou dos amigos que deles necessitem, metem-se noutros postos chaves para receberem mais uns milhares de euros no fim do mês… enquanto há milhões de desempregados!
Se cada um de nós se agarrasse à sua verdadeira verdade e desse ao País o seu melhor… não estaríamos como estamos! Valha-nos... quem nos possa valer… neste terrível e geral… (des)governo!

In "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O VERDADEIRO VALOR DA VIDA – O AMOR!...


A expressão “Quem não vive para amar… não serve para viver” - é um maravilhoso legado de alguém que possivelmente já estará na outra dimensão da vida e quer que caminhemos para ela com determinação e segurança, onde quer que estejamos e sejamos quem formos.
Nascemos por Deus e para Deus que é AMOR! Por isso, ninguém nasce para si mesmo, mas para se colocar ao serviço dos outros conforme o exemplo de Jesus Cristo, amando.
Antes de começar a vida púbica de serviço aos irmãos mostrando-lhes como viver segundo as Suas Palavras e o exemplo da Sua própria vida, Jesus gastou trinta anos da Sua curta existência na pequena cidade de Nazaré, nas mais seguras orientações do Pai, entre o povo humilde e mais humilde que o próprio povo.
Ali foi sorvendo todo o contexto da sociedade do Seu tempo, desde a pastorícia e vegetação à pesca e aos diferentes estados de vida civil e religiosa, organização política e cargos públicos.
De bebé a adulto, como qualquer outro ser, foi descobrindo aos poucos quem ELE próprio era, vivendo em plenitude todas as vertentes da dimensão humana para poder preenchê-las da mais completa dimensão divina  - o AMOR  misericordioso, incondicional e gratuito.
O Advento, tempo de espera que precede a Celebração Festiva do Natal de Jesus, não pode ser vivido somente como  nos habituamos na lembrança do Menino rechonchudinho e maravilhoso, mas no esforço de tudo fazer para que nasça em nós o desejo sincero de vivermos de acordo com as orientações DESSE Menino que, por amar a todos como irmãos, acabou morto numa cruz como o maior dos malfeitores.
Falamos demais em amor, mas volvidos mais de dois mil anos, o “AMAR” ao jeito de Jesus continua a ser um “Mundo Novo” a desbravar bem dentro de cada homem e de cada mulher.
Ninguém conseguirá amar se não se sentir amado nem conseguirá amar os irmãos se não se amar a si mesmo, não com um amor egoísta e pretensioso, mas sendo capaz de descobrir os defeitos a evitar e as qualidades a desenvolver, de modo a poder ofertar aos irmãos o melhor de si – tal como Jesus Cristo nos veio ensinar.
Um dia, quando formos chamados para a Casa do Pai”, não seremos questionados sobre em que local ou religião vivemos, mas sobre o valor dado e o tempo gasto na busca do verdadeiro AMOR a Deus e aos irmãos e a força e coragem necessárias para vivermos segundo ESSE AMOR.
Eu, nasci de pais católicos e fui baptizada na Igreja católica onde vou procurar o conhecimento e força do Amor de Deus, porque é ali que encontro a melhor forma de viver NESSE AMOR… mas convicta de que o verdadeiro Amor de Deus está no mais íntimo de cada ser - o coração - e é aí que o Homem tem de O encontrar, seja de que forma for, em que religião for, ou mesmo afirmando que não tem qualquer religião!
Que a lembrança das vivências profundas do tempo de Natal que ainda nos preenchem o coração seja o suporte das dificuldades que nos forem surgindo, para que, reconhecendo claramente a verdadeira finalidade da nossa vida, tenhamos a coragem de repetir ao mundo e a nós mesmos, a alta voz, as sábias palavras de Santo Agostinho: “Ama, e faz o que quiseres!” Que o Ano Novo que já iniciamos seja cheio das maiores venturas.
In Notícias de Cambra