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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PROFESSOR... SUPORTE DA ESCOLA

Uma escola de vida, de forma alguma pode prescindir da vida da escola, e vice-versa. Esta verdade já foi analisada o bastante para estar de todo compreendida e aceite. Mas, imaginar, investigar, perguntar o que será a vida da escola, é uma prática cada vez mais corrente. Por incrível que pareça, nestes casos, as respostas obtidas são omissas na quase totalidade das situações. E acontece assim porque os conceitos e as realidades da palavra "escola" confundem-se de tal forma que barram as respostas às mais múltiplas questões.
Vulgarmente chamamos "escola" a um edifício onde circulam todos os intervenientes num determinado processo educativo, ou seja, onde circula uma comunidade escolar. Pode ter boas ou más condições, albergar crianças, jovens ou adultos, facilitar ou dificultar a vida de quem ali trabalha, mas só. Porque, o edifício não é "escola"!... É, sim, um espaço escolar. A escola necessita desse espaço para ser implantada... mas não é esse espaço, é a vida que ali jorra com abundância, que ali respira com toda a força de seus pulmões. É uma vida muito activa e muito fugaz. Dentro dos espaços escolares vive-se com uma intensidade tão forte que nem dá para compreender.
Comecemos por interiorizar um pouco desta vida reflectindo nalguns modelos de professores, "suportes da escola", cujos comportamentos podem bem fazer parte do conhecimento imediato de muitos leitores.
Os professores, se o são por vocação e não pela troca de conhecimentos por dinheiro, são uns eternos estudantes, ávidos de aprender. Podem apresentar claramente expressões físicas do cansaço causado pelo rodar dos anos, mas continuam jovens de espírito, à procura de novas descobertas, de novos saberes, e prontos a partilhar tudo com todos, principalmente com os seus alunos com os quais se misturam e confundem com a mais relativa facilidade.
E confundem-se, porquê?
Porque o professor não ensina, o professor tem uma formação específica que o leva a descobrir formas cada vez mais práticas para ajudar a aprender. O professor que se preza, vive, no dia a dia da sua profissão, o seu tempo de estudante. Ele valoriza o trabalho e o esforço do aluno, porque vai sendo, indefinidamente, um aluno... entre alunos. E desce às suas cadeiras para, juntos, desfazerem as dificuldades que existirem e descobrirem novas aprendizagens. Admite que não é portentor de toda a sabedoria e deixa transparecer ao aluno a realidade de que a vida é uma aprendizagem constante que devemos aproveitar até ao fim da sua existência.
Será alguma vergonha um professor admitir que o seu processo de enriquecimento de saberes é constante e inesgotável, e que muitas vezes "cresce" com o próprio aluno? E quanto se aprende com esses jovens, com essas crianças?!...
Um professor que assim não for, que não conseguir ser esse "estudante permanente e atento", é um ser parado no tempo e que o tempo ultrapassará com rapidez. Deixa de ser professor para ser disco riscado, que de ano para ano, repete a mesma matéria sem alteração de métodos ou mudança de atitudes. E o pior é que nestes casos, normalmente, julga-se muito importante, não aceita sugestões. Sobe ao estrado para falar, e o insucesso escolar... é sempre culpa do aluno. A relação ensino/aprendizagem perde toda a sua beleza e interesse, e cria-se uma situação de cansaço para as duas partes: para o professor porque, desfasado e obsoleto, não consegue cativar e despertar a atenção do aluno para os objectivos propostos para o seu desenvolvimento; para o aluno, porque se torna incapaz de se interessar pela aprendizagem, de se integrar na vida escolar, de conseguir aprender.
Que há alunos muito difíceis e com culpa no fraco rendimento escolar... sempre os houve, e haverá!... Mas, sejamos sinceros... Na maioria dos insucessos normais, embora haja cada vez mais agentes a procurar sofregamente meios para os combater, ainda teremos que admitir, com muita mágoa, que há intervenientes no processo educativo muito mais culpados do que a grande maioria os alunos. Quem, e porquê, é caso para pensar, continuando a análise de muitas coisas curiosas... e pouco visíveis.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

domingo, 16 de março de 2008

ONDE COMEÇA A APRENDIZAGEM?...



A "Escola", Instituição, embora marque profundamente a vida de cada ser, é apenas uma pequenina etapa da sua aprendizagem, pois qualquer "Humano", para o ser, deve fazer da sua vida uma escola permanente.
Bem certo e mais do que nunca actual é o célebre ditado popular: "O Homem nasce a aprender e morre sem saber!..." E estamos todos convictos de que é assim! Mas, bem vistas as coisas, é ainda mais do que isso. Senão, vejamos:
Na época actual, ninguém pode negar a maravilha do eclodir da vida. Com poucas semanas de gestação, o minúsculo ser, qual peixinho inquieto num aquário quentinho que é o útero da mãe, pode já, ali mesmo, ser observado atentamente. Ele já possui todas as características de um corpo! De um corpo pequenino... com alguns centímetros apenas!... Mas... de um corpo perfeito e vivo. É que, já antes de nascer, ele vive e aprende. Se assim não fosse, como se compreenderia que um recém-nascido se sentisse tão bem junto da mãe... do pai... e até mesmo das pessoas mais próximas se nem sequer as vê ainda? É que, já na vida intra-uterina ele iniciou a sua aprendizagem descobrindo, pelo menos através da voz, o pequeno mundo familiar e íntimo que o rodeia. E esse mundo tem a sua génese na mãe e no pai. É por isso que os pais devem viver numa comunhão perfeita. O pequeno feto que se desenvolve vai sentindo tudo através da mãe. E se esta levar uma vida harmoniosa e estável, poder-lhe-á transmitir todo o seu bem-estar e ele crescerá muito mais saudável e feliz.
A esta parte, começa de haver um certo cuidado à volta das gestantes no sentido de lhes proporcionar o mais possível uma vida calma e tranquila. Mas ainda há muito a fazer, pois este comportamento está muito longe de ser generalizado. A grande maioria das pessoas ainda pensa que o "bebé", tão pequeno, não presta atenção a nada; e, pior ainda, se esse "bebé" se encontra escondido no ventre da mãe. No entanto, empírica e cientificamente falando, a verdade é bem diferente!...
Todos os animais conservam, instintivamente, os hábitos e comportamentos da espécie, adaptando-se ao seu habitat natural. Mas o "Homem", é mais do que isso!... Dotado de inteligência superior e racional, tem de ser tratado de uma forma muito cuidada e especial para que o seu desenvolvimento seja completo... (se é que, algum dia, o chegará a ser em plenitude). É no mais íntimo do seu ser que se operam todas as suas transformações. E, por mais esforços científicos que se façam, penso que nunca saberemos ao certo o valor das suas potencialidades genéticas, onde começam as suas reacções responsáveis nem o desabrochar do seu conhecimento. No entanto, a observação cuidada das aprendizagens conseguidas por bebés nos primeiros meses de vida, desde os movimentos instintivos do chuchar e satisfazer das necessidades físicas primárias ao limiar das acções cognitivas conscientes e desabrochar dos primeiros raciocínios, leva-nos a crer que, todo o processo de aprendizagem se concretiza, com maior ou menor esforço, com maior ou menor amplitude, com maior ou menor rapidez e eficiência, conforme as suas condições genéticas e afectivas, socio-económicas e culturais envolventes. E está provado que é assim, não podemos mudar as coisas. O "Homem" depende sempre das suas características hereditárias e do que o meio social lhe possa oferecer.
Quando ainda não podia ser detectada a possível razão de certos comportamentos na aprendizagem humano, até se compreende que muito erro tenha sido cometido. Actualmente, não. Não podemos dar-nos ao luxo de deixar passar certos comportamentos pessoais sem que nos sintamos um tanto responsávéis pelo seu acontecimento e pelo mal que eles causam na vida de cada um em particular e na de todos em geral. Como seres sociais que somos, as nossas acções estão interligadas e nada fica isolado. Assim sendo, ou nos esforçamos por melhorar a nossa vida proporcionando melhores condições aos vindouros e engrandecendo a sociedade, ou, perdemos as nossas oportunidades, retardamos o nosso sucesso e o dos outros. O "Homem", como ser social que é, quando pensa no bem do seu semelhante e na ajuda a prestar-lhe, ajuda-se a si próprio.
No dizer de um alguém muito importante,"Todo o homem que se eleva, eleva o mundo".
Educar é elevar। Como poderemos educar-nos, para podermos educar os que nos rodeiam?



Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

AS REACÇÕES SOCIAIS




Como a escola, por si só, não pode de forma alguma ser responsabilizada pela situação degradante dos tempos que correm e que parece agravar-se cada vez mais, devemos ser levados a reflectir calmamente sobre a pergunta que parece estar na génese da tão ansiada mudança de atitudes comportamentais:
«Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...
Por mais que se aprofunde esta questão, ela estará sempre envolta no maior mistério e descobrir o verdadeiro papel de cada um não é tarefa fácil.
O problema da “Educação" está na ordem do dia. Falam dela desde os mais altos governantes a nível mundial até aos mais rudes operários e agricultores escondidos nos barulhos infernais das oficinas ou nas aldeias perdidas, isoladas nas mais longínquas serranias. E então, arranjam-se as melhores e as mais absurdas propostas de solução. E como é óbvio em qualquer questão mais importante, entra-se num nunca mais acabar de críticas descabidas: criticam-se as leis dos governantes, os profissionais que as executam, os pais, as crianças, os jovens, os drogados, os bêbados, os delinquentes, os que têm saúde mental menos funcional e ainda todos aqueles que, sem pensarmos seriamente no "porquê" de suas atitudes, apelidamos de marginais. E é um "meio mundo a criticar o outro meio"... e as soluções acabam por ficar perdidas nesta imensidão de disparates!...
É que é muito fácil agredirmos os outros quando não vestimos o mesmo "casaco" e pensamos ter a nossa "pele" bem protegida. Quem critica emite juízos de valor em relação ao comportamento da pessoa criticada. Será que o criticador, se se colocasse por um momento só que fosse na situação vivida pela pessoa criticada, ainda a criticaria? Provavelmente que não, porque o que costuma acontecer na maior parte desses casos é que as criticas se fazem por falta de interiorização, reconhecimento e compreensão exacta das situações, suas causas, e seus efeitos que nem sempre são os inicialmente previstos. E temos de ter cuidado para não nos poder ser aplicado o dizer do velho provérbio popular: Quem critica, «vê o pequeno cisco no olho do outro e não repara na enorme trave que tem dentro do seu olho»; ou então, o que é pior ainda, finge não reparar...
Mas, não devemos culpar nada nem ninguém!... Reza a história que sempre assim foi... e, provavelmente, sempre continuará a ser... No entanto, é hora de nos debruçarmos um pouquinho sobre certas realidades, pondo de parte, de uma vez por todas, as críticas que não nos levam a lado nenhum. Não vamos destruir mas construir, porque as coisas são menos lineares do que o que parecem.
Ninguém é mau por querer, ninguém faz mal por querer e também ninguém está mal por querer!... Então, porque é que algumas pessoas se comportam de forma tão aberrante, cultivando em si próprias uma auto-destruição tão eminente?!... Todos os casos atrás descritos são de auto-destruição a diversos níveis: físico, mental, moral ou intelectual.
Reportando-nos à génese da pessoa humana, aparece-nos o chamado "Pecado de Eva" depois do qual toda a humanidade, por castigo, terá sido levada a travar uma luta constante entre o bem e o mal, a suportar o sofrimento e a própria morte.
Por mais que queiramos fugir desta realidade, a morte é um facto, o sofrimento existe, e olhando bem para o nosso interior todos sentimos bem forte o ressoar duma luta em que nem sempre a nossa parte boa consegue dominar o nosso mau instinto.
Por que não pensarmos um pouco caso a caso, para desvendarmos um pouco a causa de tanto procedimento errado que anda por aí?!...
Não sei a atenção que irão dar às pensadas e simples reflexões que tenciono fazer; não sei as críticas ou observações de que serei alvo; não sei o impacto que terão na vida particular de cada um; não sei se valerá a pena tanto esforço despendido... mas vou em frente com o meu desejo de há muito. Tenho levado uma vida profissional muito intensa, a prática e a experiência têm-me ensinado muitas verdades...
Se algo parecer errado, estou aberta ao diálogo com quem quer que seja e de qualquer forma possível, por bem e para bem da "Educação" consciente, livre e responsável.
Não tenciono fazer descrições tiradas de qualquer manual ou ideologia, mas somente basear-me nas observações e resoluções de acontecimentos vividos no meu dia a dia socio-profissional.
E são muitos, bem-hajam!


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

"OS TEMPOS DE HOJE"


Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?
Sinceramente, não sei!... E penso bem que, sem parar um pouco para reflectir sobre esta grande questão, ninguém poderá saber.
Ocorre-me de momento uma célebre frase que me repetiram inúmeras vezes na minha mocidade e que, religiosamente, guardo comigo: «A educação de cada um começa vinte anos antes de nascer!...» Assim sendo, como poderá decorrer na época actual a educação de uma criança, se há vinte anos atrás tudo era tão diferente? Se a educação dos filhos, como é lógico, é a sequência da educação dos pais, qual será a realidade dessa sequência se as condições de vida são tão díspares das do tempo em que os pais de hoje cresceram!... Mas, ao fim e ao cabo, como crescem as crianças de hoje?!... Muito se tem feito para que se sintam bem, gozem de boa saúde e sejam felizes. Mas, de uma maneira geral, o panorama não é nada animador. Senão, vejamos:
Nos dias que correm são poucas as crianças que crescem na convivência exclusiva dos pais. São casos muito raros na sociedade actual. Algumas delas, e consideradas as mais felizes embora muito mimadas na generalidade dos casos, são criadas com os avós, à idade, mais livres de responsabilidades sociais para se ocuparem dos netos, enquanto os pais levam uma vida de trabalho intensa para poderem sobreviver neste mundo avassalador. Mas, a maior parte das crianças são entregues pelos pais a instituições ou a amas com a mais tenra idade, pois os escassos direitos de protecção à criança no desabrochar de sua existência assim o permitem. É nessas amas ou instituições que a criança passa a maior parte de sua vida. Que identificação educacional poderá ter com a família donde provem? Se, apesar de tudo, ainda puder ser bem acolhida pelos progenitores no pouco tempo que lhes cabe, algo pode ser feito. E se nesse tempo os pais estão deveras ocupados com a lide doméstica ou orientação da vida e não se dedicam aos filhos?!... E se, pior ainda, gastam o tempo em todo o lado menos na companhia do filho?...E se, para colmatar todos estes desvios de atenção de que o filho é alvo, o acariciam com a satisfação de todos os seus caprichos comprando-lhe tudo quanto quer e deixando-o fazer tudo quanto deseja?!... E se, no seio da família, a criança sente e observa entre os pais insatisfações, divergências de ideias, coacções e agressões constantes?... E se, mais que isso, pai e mãe vivem separados e disputam entre si a posse do filho... Com tanta necessidade do aconchego dos dois, como poderá a criança ser feliz junto do pai a pensar na mãe e junto da mãe a pensar no pai... Isto para não falar dos filhos de pais alcoólicos, indolentes, drogados, que são deixados entregues a si mesmo e à sua sorte. E aquelas crianças que, detectada a sua vida de amargura no seio familiar, são arrancadas drasticamente aos braços paternos para serem entregues em instituições, adopção ou famílias de acolhimento? Não ponho em causa o carinho e afecto que assiste à integração dessas crianças nessa nova forma de vida. Os casos que conheço, a esta parte, são da mais elevada consideração e estima. Mas, os traumas que esses seres arrastam consigo são deveras evidentes e indeléveis. A sua vida terá sempre a marca de um passado inesquecível. Diz a sabedoria popular que «dar à luz é dor e criar é amor» e é verdade. Pai é o que dá pão, carinho, amor, é aquele que ajuda a crescer na vida, mas o reconhecer que se foi separado de alguém a quem se está ligado para sempre pelos mais estreitos laços de sangue é algo de muito doloroso.
Todos nós nos preocupámos demasiado com a existência de crianças deficientes físicas, e fazemos tudo para lhes minimizar o sofrimento. É mais que lógico que assim seja. Mas... E o sofrimento moral, que na maior parte dos casos passa despercebido?!... Vamos deixá-lo no esquecimento? Não!... Nunca!...Jamais!...
A escola reconhece todas as fragilidades da sociedade, pois nela está o seu reflexo। A vida da escola e a escola da vida confundem-se na formação integral de um ser. Em face disso, para todos deixo mais uma vez, para reflexão, a pergunta que todos os dias faço a mim mesma: «Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...



Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

"DO ONTEM ATÉ AO HOJE"

Por incrível que pareça, é, na quase totalidade, da vivência mais ou menos adequada e profunda destas duas realidades que cada ser humano poderá ser mais ou menos realizado e feliz ao longo da sua existência.
Nem sempre os tempos foram como os de hoje, mas sempre o homem se esforçou por descobrir formas de vida mais atraente e sedutora.
Fazendo uma retrospectiva num passado longínquo perdido no tempo e apenas recordado pelos achados arqueológicos dispersos aqui e além, vemos neles uma prova das vivências de muitos antepassados onde encontramos diferentes tipos de cultura sobremaneira desenvolvidos nos mais diversos aspectos. Desde a representação dos acontecimentos através do desenho ritmado de diferentes figuras ou objectos ao aparecimento da escrita é fácil podermos observar o esforço despendido na forma de comunicar os conhecimentos adquiridos e as descobertas realizadas. Grandes homens, e muitos deles desconhecidos, passaram a vida a imaginar e a pôr em prática sistemas que hoje nos parecem fáceis. Ao olharmos para as letras do alfabeto e ao aprofundarmos a forma como se agrupam para formarem as palavras pensamos apenas na dificuldade encontrada em memorizar e enquadrar esses pequenos símbolos no desenrolar da nossa aprendizagem e na dos nossos educandos. E, na realidade, não pensamos um momento sequer no longo esforço despendido por tantos através dos tempos para que tudo seja, agora, tão acessível para nós. Ao olharmos a Matemática não conseguimos de imediato imaginar a contagem primitiva de um a um que deu origem à tão maçadora numeração romana, nem ao trabalho que tiveram no invento da numeração árabe. Se nos debruçássemos um pouco sobre todas as áreas de estudo e nos cientistas e descobertas por eles realizadas e a sua utilidade na vida de nossos dias, era um nunca mais acabar.
Seria, talvez, interessante, descrever o desenrolar de muitas dessas epopeias. Mas, ao decidir desenvolver este tema durante algum tempo tive outras intenções que não quero de forma alguma contrariar. Evoco agora um passado bem recente. Recordo os meus tempos de infância. Nessa época, a família, a escola, a aldeia, vila ou cidade inseridas na pequena comunidade paroquial constituíam a base de toda a formação de um indivíduo. Mas, nestes curtos anos que passaram a vida alterou-se de tal forma que, actualmente, não reconheço em nada os princípios que orientaram a educação que recebi. A calma, a paciência, a resignação, a submissão, que eram transmitidas de pais para filhos e tão bem aceites, os contos e as conversas à luz fagueira das velas nos longos serões de Inverno depressa se transformaram numa agitação de tal ordem que parece que o mundo não pára. Não há tempo para nada, no entanto, tantas coisas existem e que os nossos antepassados desejariam ter.
Neste fugaz tempo de mudança, em que a novidade de hoje é a antiguidade de amanhã, urge levar a sério tudo quanto nos rodeie e possa ser aproveitado para o pleno desenvolvimento de cada ser humano em todas as suas potencialidades। Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...


Hermínia Nadais


Publicada no Notícias de Cambra