quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

A loucura dos “HOMENS”!...


A loucura dos homens, mulheres, crianças, da humanidade inteira, é a busca da felicidade… facto que só é possível no conhecimento da verdadeira razão da nossa existência, do nosso verdadeiro eu, do que queremos, do que temos e do que somos, pelo que a busca da felicidade será sempre inglória se a não procurarmos bem dentro de nós, pois se não brotar do nosso interior nunca poderá existir!
Cada “Ser Humano”, único e irrepetível, um mistério tremendamente complexo para quem com ele convive, é, antes e acima de tudo, um pavoroso e enormíssimo mistério para ele mesmo. Toda a pessoa nasce sem querer… mas a partir do nascimento, impreterivelmente, tem que aprender a viver… ou a sobreviver. E tal como esponja em água, começa por sorver tudo quanto se passe à sua volta: o bom, o razoável, o menos bom, ou mesmo o mau… de modo que, ao entrar na denominada pré-escola, pelo que adquiriu na família ou instituição onde a família a deu a guardar enquanto trabalhava… ou mesmo na casa de acolhimento total – instituição ou família - já leva a sua personalidade praticamente determinada e pronta, sim, mas só para ser aperfeiçoada nas suas mais diversas facetas. Deste modo, a escola não deveria ter nada a ver com educação, mas apenas com instrução, uma vez que a criança já lá chega transportando consigo tudo quanto a sociedade lhe deu até então, o que, salvo raras excepções, vai determinar todo o decorrer da sua vida, independentemente do que a escola lhe possa vir a dar.
É evidente que a escola e a família devem interagir em comum para o bem total do indivíduo, mas sem descarregar uma em cima da outra a sua quota parte no desenvolvimento total e harmonioso desse mesmo indivíduo. Uma vez que escola e família devem ser complementares, não se pode responsabilizar a escola pela educação que a família não dá… nem responsabilizar a família pela parte da socialização e “saber” que competem realmente à escola.
Ao afirmar-se que a felicidade parte de dentro de nós baseamo-nos em todos os princípios orientadores de uma verdadeira preparação humana, no campo dos afectos e da educação/instrução, o que perfaz os bons princípios de vida no reconhecimento e interiorização das boas normas de vivências individuais/sociais e da forma como vão sendo postos em prática todos os conhecimentos interiorizados, pois a felicidade parte sempre do profundo sentimento do dever cumprido, e isso é obra de cada um.
Cada pessoa, ao olhar para si mesma, terá que admitir que a sua felicidade só pode existir quando estiver contente com todas as acções praticadas, pois ainda que o comportamento dos outros para com ela a faça sofrer e chorar, nunca poderá roubar-lhe a sua satisfação interior.
A felicidade é muito exigente com quem a procura, pois o outro ou a outra onde buscamos a felicidade nunca no-la poderão dar se nós mesmos não a tivermos adquirido pelo reconhecimento e aperfeiçoamento de todas as nossas potencialidades e pelo cada vez melhor cumprimento de todos os nossos deveres e luta por quereres que perfazem a nossa realização pessoal.
A procura da felicidade passa pela verdadeira busca de nós mesmos, que é a tarefa mais difícil que se possa imaginar. Falar de felicidade é falar de vida plena, que por mais que nos esforcemos, nunca poderemos conseguir durante a nossa permanência neste maravilhoso planeta. Aqui, teremos apenas alguns momentos dispersos de maior ou menor felicidade… uma força urgente e necessária para podermos continuar a escalar corajosa e positivamente a montanha da vida, com todas as nossas capacidades e limitações, na busca constante de uma felicidade que não tenha mais fim.

PS: Na crónica passada gostei imenso de interpelações a que fui sujeita, ao que, mesmo com todas as minhas limitações de tempo e não só, sempre responderei com todo o prazer. Para as facilitar, o meu endereço: Maria Hermínia Nadais, Santa Cruz – Macieira de Cambra, 3730-309 Vale de Cambra
Telefones: 256402286; 917798785; 96382679
Blogue: http://textosdaescoladavida.blogspot.com
Há coisas que contamos ao amigo(a), mas não expomos à multidão. Se comentarem no blogue de forma anónima estarão certos de que a resposta será realmente imparcial, uma vez que eu nunca saberei a quem estou a responder. Da discussão nasce a luz! Por tudo quanto fizerem, um muito obrigada!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

A vida… será sempre um sonho!...


Novembro! Se os que nos precederam nesta caminhada terrena são sempre recordados com imensa saudade, neste mês são-no mais intensamente. Talvez… pela chegada do Outono do tempo nos seja mais presente o Outono e mesmo o Inverno da vida. Até porque não se pode falar de vida sem lembrar a morte, assim como não se pode falar de morte sem evocar a vida, pois, consciente ou inconscientemente, temos, no rodar de todos os nossos dias, a morte e a vida a caminhar connosco de mãos dadas.
Logo ao nascer, frágeis e inseguros, ficamos de imediato à mercê dos progenitores e família, e ainda da sociedade, que nos acolhem ou nos rejeitam – nos deixam viver ou nos roubam a vida.
No traçado genético que nos perfaz vimos dotados de mais ou menos capacidades de desenvolvimento, onde crescerão as práticas do bem ou do mal de acordo com o proceder das pessoas que nos rodeiam e educam, pois ainda que sem o pensarem, vão-nos transmitindo os seus próprios valores – nos ajudam a crescer para o bem ou nos matam quando não somos desviados convenientemente dos caminhos do mal.
E assim, um pouco sem sabermos como e sem nos apercebermos muito bem das intempéries das bruscas mudanças destas etapas, crescemos, corporal, moral e intelectualmente, e acabamos por ficar entregues a nós mesmos – à vida se praticarmos o bem ou à morte se praticarmos o mal – uma vez que “faz o bem e evita o mal” é a grande regra primordial de qualquer vida.
Chegar à adultez, normalmente, traz alegria e bem estar por ser a ocasião exacta de deixarmos de aturar as “vigilâncias impertinentes” dos pais, dos tios, dos avós, dos professores, dos responsáveis pelas instituições… de um sem número de quês e porquês que nos parecem embaraçar a existência – baralhada com a tendência natural e extremista de nos julgarmos muito importantes, os melhores do mundo… ou então uma espécie de lixo sem qualquer importância, os piores do mundo.
Ser bom, ser agradável, ser bem aceite, crescer e ser feliz são os maravilhosos sonhos do ser humano... homem ou mulher… que pensada, ou impensadamente - ou vive de sonhos ou não vive, morre.
Quando se diz que o sonho comanda a vida é porque se tem a certeza de que a vida sem sonhos se torna impossível: a criança sonha passar rapidamente a adolescente e numa adolescência fugaz desenvolver a descoberta da vocação, preparar-se para exercer uma profissão, chegar rapidinho à juventude, encontrar um emprego e situação social estável para puder vir a ser, no mais curto espaço de tempo, pessoa adulta capaz, considerada, realizada e feliz; o doente sonha curar-se; o desempregado sonha com um emprego; o cientista sonha concluir velozmente os trabalhos da descoberta; o escritor sonha que seus textos sejam lidos e apreciados; o industrial, sonha vender… Tantos sonhos!!!... Sonhos generalizados, pessoais, possíveis… impossíveis…
Sem sonhos não vivemos, mas também não nos podemos ficar pelos sonhos… urge agarrá-los com toda a força da nossa vontade e trabalhá-los a preceito para que se vão transformando, ainda que da forma mais lenta e custosa, em realidades autênticas, sempre geradoras das maiores felicidades e alegrias!
Não tenhamos ilusões! O maior sonho de todo o homem ou mulher, é ser feliz! Assim, é pertinente perguntarmo-nos com insistência o que andaremos a fazer com a “nossa felicidade”, porque, não há margem para dúvidas: a felicidade, ou está enraizada bem dentro de nós, ou nunca poderá existir!
Porquê? Será que perguntam porque? A resposta ficará para depois.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Óculos cor-de-rosa!...


Quando afirmamos que o sonho comanda a vida estamos convictos de que encarar as situações de forma positiva é angariar razões para que do nosso meio ambiente se removam os obstáculos que nos impedem de atingirmos algo de bom, agradável, compensatório, frutuoso.
Contudo, por mais positivistas que formos, somos assaltados por momentos que nos parece que o mundo vai desabar sobre nós, sem termos por onde fugir. Nestas circunstâncias “(ir)regulares” o desenrolar do dia a dia, normalmente fácil de gerir e ultrapassar, apresenta-se-nos como um gigante avassalador e desalmado que nos afugenta, arrasa e domina.
Quando este estado de espírito é muito frequente, “regular”, quase que nem nos apercebemos… mas coitado de quem conviver connosco, pois se não nos leva ao psiquiatra vai lá parar com toda a certeza; quando é um acontecimento “irregular”, sentimo-nos completamente sós, desnorteados, perdidos, acabrunhados, inquietos e inseguros… sem capacidade de compreensão ou controle, mas apenas por algum tempo.
Em situações desta natureza apetece colocar uma espécie de óculos para que tudo nos pareça de novo cor-de-rosa… mas parando para pensar chega-se de imediato à conclusão de que nunca poderia ser assim.
Quando assaltados por estas irregularidades, urge verificarmos que nós… connosco… muito embora sejamos um único ser, uma única pessoa, somos muitas vezes como que várias figuras sobrepostas e contraditórias entre si, um todo em que o nosso querer, o saber, a vontade, a força, a sensibilidade… se cruzam e embaraçam de tal modo que nos afastam terminantemente da meta que nos propomos alcançar, fazem de nós tudo o que nunca pretendemos ser, levam-nos a realizar o que nunca pretendemos fazer e fazem-nos parecer o que intimamente não somos… factos que geram uma atitude de revolta interior muito difícil de aceitar e dolorosa de dominar.
Situações desta natureza, (mais frequentes do que possamos imaginar), são as ocasiões propícias para podermos afirmar com toda a certeza que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. Sentirmo-nos mal, desprezados e aniquilados, quando a razão do nosso mal estar se deve ao mau comportamento de alguém, é compreensível e aceitável; mas quando verificamos que a verdadeira causa dos nossos tumultos está nós, na dificuldade de aceitarmos e gerirmos as nossas emoções, quando descobrimos a certeza das nossas (in)culpabilidades que urge assumir, a situação torna-se muito mais penosa, difícil e constrangedora. E então temos que reunir todas as nossas forças para, numa batalha atroz, sangrenta e invisível, conseguirmos descobrir mais profundamente quem somos e como somos para podermos controlar, ainda que minimamente, os nossos distúrbios emocionais e podermos voltar à nossa normalidade.
Se nos olharmos assim, tal qual somos, tornaremos a vida mais fácil, para nós e para os outros… não com óculos cor-de-rosa, mas com o nosso “ser pessoas” com toda a verdadeira força que a expressão encerra.


Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 11 de Outubro de 2009

No rescaldo de uma luta!


Durante uma época ainda muito presente na nossa memória a luta pelo poder preencheu o coração de alguns portugueses, a atenção do meio envolvente esteve na mente de alguns mais e os desinteressados ainda foram muitos.
Nos dias aprazados, os portugueses, supostamente de forma livre e espontânea, tiveram de escolher, não “o óptimo de entre o bom”… mas de entre o que há o que lhe possa ter parecido melhor.
A luta, se honesta e construtivamente sadia, terminou! Interessa, agora, mudar as mentalidades dos políticos e de todos os portugueses e portuguesas, para aceitarmos as nossas realidades e enveredarmos pelo caminho do crescimento.
Todos sabemos que a perfeição, nos seres humanos, não existe. O ser humano sempre foi e será susceptível de cair no erro, tanto a nível individual como institucional. Por isso mesmo… cada força política, em si mesma, sempre apresentará aspectos positivos e menos positivos ou negativos, é compreensível. Há que ter a abertura capaz de saber escolher e aceitar, mutuamente, de cada uma delas, o que tiver de melhor.
Vivemos numa democracia! Os Órgãos do Poder não são formados, verticalmente, por um só partido unitário, mas são órgãos colegiais, com a representação legal dos diferentes partidos ou forças políticas, forças expressas pelo número de candidatos eleitos pelos votos que cada partido usufruiu e que perfazem a real vontade do povo.
Assim, depois de cada acto eleitoral, é urgente que se aprenda a ganhar com humildade ou a perder com dignidade, pois em democracia, todos, pelos votos com que foram eleitos, ficam ao serviço do povo, um serviço que não deve, de forma alguma, ser defraudado.
O País ou localidade só poderão crescer quando cada eleito, de mãos dadas com os restantes eleitos, defendendo honesta e regradamente os princípios da sua eleição, for capaz de aceitar a partilha mútua das melhores ideias e dedicar todo o seu empenho à causa do desenvolvimento nacional ou local.
Nenhum eleito pode aproveitar a sua situação de eleito para servir os seus próprios interesses ou os interesses dos seus amigos, mas para servir os reais interesses da sociedade que o elegeu. Os fundos públicos são sempre da Sociedade em geral e nunca por nunca podem ser dos políticos que os gerem.
Por sua vez, o povo em geral, quando livre de situações desesperadas, que prefira o trabalho justo ao “Fundo de Desemprego”, “Rendimento Mínimo ou de Inserção social”; que das grandes às pequenas empresas ou comércios, trabalhadores por conta própria ou mesmo assalariados, haja o exacto pagamento dos impostos legais; que quem está “realmente doente”… procure o médico e seja bem tratado como tal, que a verdadeira invalidez seja bem interpretada e remunerada, que a experiência da velhice seja bem paga e vista como uma mais valia… mas que o bom senso e a verdade de vida acabe de vez com tantas “doenças ou incapacidades graves” que se nos apresentam sãs depois de conseguidas as respectivas aposentações; que o povo fale menos de crise e viva mais regradamente com o mínimo necessário… pois os que menos têm aguentam e não gritam; por fim, que cada membro do povo aprenda, antes e acima de tudo… a criticar-se a si mesmo e a corrigir os seus próprios defeitos… pois se o fizer pode estar certo de que os políticos, que são filhos do povo, serão realmente honestos, verdadeiros, desprendidos, compreensivos, (des)interessados, imparciais, trabalhadores, dedicados… promotores do desenvolvimento, do amor, da justiça e da paz.
Sem dúvida alguma! É urgentíssimo que, aos pouquinhos, cada um de nós se esforce por recompor a sua forma de ser e de estar… para que a nossa sociedade possa ser, na verdade, mais próspera e fraterna.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

domingo, 27 de Setembro de 2009

Reconciliação, Tolerância e Paz!


Para que o mundo possa ser mais justo e fraterno não bastam palavras bonitas! É preciso deixar para trás o relacionamento deturpado em que vivemos para entrarmos realmente numa época de tranquilidade, harmonia e paz!
Trocar o ódio pela compreensão e amor é uma tarefa possível se nos dispusermos ao esforço contínuo de nos olharmos interiormente para nos reconhecermos cada vez melhor tal qual somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos reais… pois só na medida em que reconhecermos claramente as nossas capacidades atropeladas por inúmeras imperfeições e fraquezas estamos realmente preparados para compreender, contornar e remediar os comportamentos errados das pessoas que nos rodeiam, principalmente daquelas com quem convivemos mais de perto.
Se nos conhecermos verdadeira e profundamente, sabemos quanto nos é difícil corrigir um defeito… aceitar uma ofensa… obedecer a uma ordem… analisar um problema… ajudar alguém… tomar uma decisão acertada… e, acima de tudo, saberemos também quanto custa, muitas vezes, sermos mal interpretados nas atitudes que tomamos. Se assim procedermos, deixaremos de criticar quem quer que seja e iremos aceitando mais facilmente os erros dos outros, e mesmo os nossos próprios erros… que são sempre os mais difíceis de suportar.
Vivemos num mundo onde se fala muito de amor, mas onde temos que aprender a viver em amor, aprendendo a compreendermo-nos e a amarmo-nos a nós mesmos, tal qual somos, pois se não nos compreendermos e não gostarmos realmente de nós mesmos… não poderemos gostar de mais ninguém.
O amor leva à escuta atenta das nossas necessidades e das necessidades do outro… à compreensão e aceitação das nossas atitudes e das atitudes do outro… e muito concretamente, a uma cuidada, delicada e subtil auto-correcção… e correcção fraterna, assumida com frontalidade… pois falar mal na ausência da pessoa cria distância, não a ajuda a corrigir-se, e ainda lhe piora os comportamentos.
Se formos rígidos e sinceros connosco mesmos veremos quanto é urgente estarmos abertos a uma vida de mudança permanente, em que o hoje seja sempre melhor que o ontem para que o amanhã possa ser sempre melhor do que o hoje. E estaremos preparados para, quando necessário, corrigirmos com humildade, compreensão e carinho, pois só deste modo poderemos melhorar comportamentos.
Uma das mais maravilhosas regras de vida é o positivismo.
Todas as situações que se nos apresentam têm sempre o seu lado bom e o seu lado menos bom… ou mesmo mau, mas se aprendermos a ver sempre em primeiro lugar o lado positivo das pessoas ou dos acontecimentos, aprenderemos a pensar de forma positiva. E tal como o sonho comanda a vida, o pensar positivo leva a que à nossa volta os acontecimentos se tornem realmente benéficos e positivos.
O nosso “EU” e o “EU” dos outros estão muito atentos a tudo quanto nós pensamos! Se pensarmos no bem mais tarde ou mais cedo teremos o bem, mas se pensarmos no mal ele acabará por acontecer.
As nossas palavras, o vento leva-as com muita rapidez, e de qualquer de nós apenas restará o grito silencioso da linguagem da nossa vida! É imperioso cuidarmos bem a sério da nossa vida, dos nossos pensamentos e das nossas acções, pois só da reformulação cuidada dos nossos comportamentos dependerá o vivermos num mundo melhor, onde a tolerância gere a reconciliação e possamos gozar dias de mais paz.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Presente


Presente! Que “presente”?!...
Depois de um convite para um aniversário, uma festa, uma reunião, um passeio… faz-se tudo para estar “presente”. Na angústia, deve estar-se “presente” para ajudar; na alegria urge estar “presente” para comemorar.
“Presente”é também uma oferta, dádiva, brinde, prenda, algo que se vislumbra muito agradável para quem o recebe e muito querido para quem o dá… algo que demonstra carinho, ternura, dedicação, afeição, amor… oferecer um “presente” é uma forma de manter a ligação com alguém para agradecer, pedir ou muito simplesmente acariciar, dizer que amamos. Deste modo, quando falamos num “presente”, normalmente, lembramos de algo oferecido ou recebido no dia de um aniversário, pelo Natal, pela Páscoa, num qualquer momento importante do ano ou da vida.
Todos gostamos de oferecer um “presente”! E todos gostamos de ser presenteados! E muitas vezes chegamos a ficar tremendamente tristes porque em determinada altura ninguém se lembrou de nos oferecer um “presente”.
A vida distrai-nos, assim, com relativa facilidade. Estar “presente”, falar num “presente”, pensar num “presente”… sentir-se magoado ou magoada pela falta de um “presente”… é uma postura muito corrente entre nós, humanos insaciáveis!...
Ficamos agoniados pela falta de um “presente”, esquecidos de tantos presentes maravilhosos que recebemos diariamente e aos quais não damos a devida importância: o Sol que clareia o dia e convida ao trabalho; a escuridão que lenta e calmamente nos leva a descansar; o brilho das Estrelas e a doçura da Lua que nos inebriam o olhar; a chuva que refresca e faz reviver plantas e animais; o vento que acaricia, fornece energia e ajuda a renovar o ar que respiramos; a água das fontes que nos mata a sede e a das levadas e rios que, correndo velozmente pelas turbinas enche o mundo de força e luz ou deslizando suavemente sobre a terra sacia plantas e animais; a água do mar que, branda ou ferozmente, bate na costa, ameniza a temperatura, refresca a areia da praia, serve de estrada aos mais variados navios; uma infinidade de peixes de toda a espécie, inúmeros animais e plantas, os frescos legumes e hortaliças e os frutos deliciosos que nos alimentam; os carinhos de tantas pessoas com quem convivemos que nos alegram o coração e enlevam a alma; as chatices de muitas outras que, ao obrigarem-nos a pensar um pouco mais profundamente nas nossas atitudes nos ajudam a crescer… são uma inumerável multidão de presentes que ininterruptamente nos mimam e acariciam a vida.
Há ainda um outro “presente”, o último momento da vida que vamos vivendo, aquele momento em que realmente estamos no aqui e agora… pois se o ultrapassamos logo se chama passado e se o buscamos é porque ainda faz parte de um futuro a que poderemos chegar ou não. Este “presente”, elo de ligação entre o passado e o futuro, o único momento que no rodar do tempo nos vai preenchendo a vida, é a melhor das dádivas para cada um de nós.
Aproveitemos o momento presente no amor, na alegria, na paz e fraternidade, pois o passado é história e o futuro não nos pertence.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Tempo de ser fortes


Época de final de Verão! Praia, campo, digressões variadas, tempos bem vividos no sossego do lar… ou turbulentas aflições no desvairado dia pela busca do necessário para viver “sem vergonhas do mundo”!...
Nesta amálgama humana, há de tudo um pouco. E mesmo presumindo-se que cada qual tenha a sua rota bem definida, a experiência diz que as mais variadas razões nos desviam da rota e que razões há muitas, porque cada qual tem a sua razão. E o ter ou não ter razão é razão suficiente para nos embrenharmos em lutas descabidas e geradoras de muitas discórdias e contendas… o que não agrada nem convém a quem quer que seja.
A razão assenta na verdade, na lealdade, na solidariedade, na clareza e nobreza de atitudes, no colocar-se na situação do outro para o compreender, no doar-se ao outro para o ajudar, no dar as mãos ao outro para aproveitar o melhor dos dois de modo a poderem crescer juntos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna pela qual todos somos responsáveis quer queiramos quer não.
Mas ter razão é também confiar e ser fiável. A mentira e hipocrisia não levam a nada. Todavia, normalmente, são as pessoas mais mentirosas e hipócritas as que mais lutam pela defesa das suas razões usando palavras bonitas… muito embora despidas de atitudes dignas e responsáveis. Estejamos atentos! Palavras sem vida soam a oco, a vazio! Fujamos delas! A voz calorosa e meiga do silêncio fala sempre mais alto se a soubermos ouvir.
Muitas vezes dizemos que a vida é complicada, mas se pensarmos um pouco a vida não é complicada, nós é que passamos o escasso tempo que ainda temos para viver a complicar a nossa vida e a dos outros, apregoando as nossas razõezinhas e desprezando as razões dos outros, como crianças mimadas na época de crescimento.
Sejamos crescidos! Na vez de criticar, enalteçamos o melhor! De que vale lembrar uma asneira a quem faz tantas?... Não será mais importante, no meio de tanta asneira, dizer ao outro que ele fez uma boa acção… como incentivo a que muitas outras boas acções possam continuar a ser feitas?... A grandeza de uma pessoa não se mede pelas críticas que faz, mas pelas qualidades que consegue desenvolver em si e descobrir nos outros.
Isto não é utopia! Se estivermos habituados a perseguir o mal só teremos olhos para ver o mal… que paralisa e estagna! Se pelo contrário nos preocuparmos em descobrir e enveredar pelas boas obras e palavras, aprenderemos gradualmente a ver, antes de tudo, o que for bom em nós e nos outros, o que nos levará a uma energia positiva incalculável… a energia que o mundo precisa para sair do marasmo em que se encontra.
Se o positivismo atingisse os ricaços para os levar a descobrir que com menos dinheiro teriam menos preocupações e mais paz… já pensamos alguma vez no paraíso em que este pequeno mundo seria transformado???...
Nesta época que se avizinha, época de discursos, caras e cartazes… procuremos “ser” realmente “pessoas”… atentas, dignas, responsáveis… capazes de ver sem recriminar, ouvir sem replicar, compreender e aceitar sem criticar… de meditar profundamente para se conscientizar… e de aceitar a escolha unindo fortemente as mãos para que Portugal possa seguir em frente… com coesão e fortaleza.

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 25 de Julho de 2009

A verdadeira felicidade!


Na vida tudo se movimenta em todos os segundos que passam! Nós somos o que vemos em nós… mas somos também tudo o que ainda não conseguimos ver; somos o que sentimos…mas acima de tudo o que ainda não sabemos sequer que iremos sentir. Quando quisermos olhar-nos, é assim que teremos de nos ver. De contrário, não se justificaria o dizermos que a vida é uma caminhada. A vida só será realmente uma caminhada se tirarmos sempre a maior aprendizagem de todos os momentos do dia a dia, sejam eles como forem, bons ou menos bons… para podermos crescer com as nossas próprias experiências.
É habitual inquietarmo-nos quando algo de muito aborrecido nos acontece, e com certa frequência entramos em situações de desânimo ou mesmo de desespero, o que é um grande mal. A felicidade possível a cada um de nós nunca vem do exterior. Ainda que causada por acontecimentos exteriores, virá sempre bem de dentro de nós mesmos... que só seremos felizes se nos determinarmos a ser felizes… e se nos determinarmos a ser felizes, nada nem ninguém nos poderá causar infelicidade. Poderão, sim, abalar um pouco o nosso comportamento, fazendo-nos sofrer, sem sombra de dúvida, mas quando sofremos conscientes de termos dado à vida, a nós mesmos e aos irmãos, o nosso melhor, o sofrimento será sempre feliz porque advindo da paz profunda proveniente do dever cumprido.
Temos a graça de sermos todos diferentes com a enorme bênção de termos todos ambições e direitos iguais. Nas mesmas situações, agiremos todos de formas diferentes conforme o saber, pensar e sentir de cada um no momento presente, mas o direito e a meta de cada um será sempre a mesma: procurar ser feliz. Não tenhamos ilusões… cada um de nós procura, avidamente, ser feliz. Na nossa diferença, a meta comum é a felicidade. Muitas vezes esquecemos que a nossa maior ou menor felicidade depende sempre da maior ou menor realização pessoal… que a nossa realização pessoal estará sempre directamente relacionada com o nosso desenvolvimento… que o nosso desenvolvimento deriva do nosso crescimento constante a todos os níveis, níveis pessoais e colectivos, pois como seres sociais por excelência temos de estar sempre em relação com as pessoas com quem convivemos. E muito embora conscientes de que a suprema perfeição não existe no ser humano deste mundo, temos de estar convictos de que todo o ser humano deste mundo deve caminhar para a máxima perfeição de que for capaz. Neste contexto, quando alguém nos disser que está muito bem o que fazemos… não é para estacionarmos ali… mas para pisarmos o mesmo trilho no maior aperfeiçoamento das nossas actividades.
Para que o bom não seja inimigo do óptimo… é urgente que, mesmo depois de fazemos tudo mais ou menos perfeito continuemos a aperfeiçoar-nos para chegarmos a ser óptimos, de verdade. O maior inimigo da nossa perfeição e felicidade será sempre quem nos afasta de trabalharmos sempre mais e melhor… até ao último instante da nossa vida!...
Conscientes de que parar é morrer… conservemo-nos vivos… na busca da maior perfeição humana… o verdadeiro caminho da felicidade!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

terça-feira, 14 de Julho de 2009

A festa da minha aldeia!


Depois de umas semanas de correria, é chegada a hora. Para os responsáveis pelo evento, a azáfama torna-se maior. O dia de sexta-feira é dedicado aos últimos preparativos. As empresas e comércio locais, que patrocinam a festa, entre músicas bem populares são apresentados à população bem assim como os serviços disponibilizados por cada um à comunidade envolvente.
Como já se vai tornando habitual, o porco no espeto abre a animação da noite. O porco, não, os porcos, que se tornaram curtos para tantos esfomeados! Graças ao bom Deus, pois por aqui ainda vai havendo emprego - não são esfomeados de carne e pão, mas de confraternização, partilha, alegria, animação, encontro, convívio, lazer, súplica, acção de graças, louvor... festa! São esfomeados da festa!
Neste momento da minha caminhada na vida, é assim que vejo as festinhas da pequena mas maravilhosa aldeia que adoptei como minha já lá vão muitos anos!...
Hoje é sábado! A meio da tarde, um atraente grupo de gente jovem e mais idosa, homens e mulheres, correram todas as vielas batendo certeiramente nos bombos afinados. Ao declinar do dia, a Eucaristia Vespertina e Procissão de Velas deram louvor a Deus, honraram os Santos e alimentaram o espírito. A exuberante alegria que fez estoirar os belos foguetes lacrimosos e coloridos deu fim a essas celebrações Litúrgicas.
Agora, à volta do aconchegante e charmoso Santuário da Padroeira, Santa Helena, sob os seus olhares protectores e os amorosos e ternurentos carinhos do Habitante do Sacrário, um espectáculo de luz e cor ilumina a escuridão da longa noite com a música a atroar os ares!
Todos podem divertir-se à vontade! Não há necessidade de acordar cedo, pois as Celebrações Litúrgicas da festa voltam só depois do meio da tarde! A manhã pode ser bem dormida e a refeição bem preparada e melhor saboreada... para mais uma vez se honrar a Padroeira e louvar o Deus vivo... e voltar novamente ao convívio e diversão!
Estas são as belezas da vida! Coisas bem simples, mas são as coisas simples que têm mais valor! O nosso dia a dia é feito de pequenos nadas, e são esses pequenos nadas que nos fazem crescer e ser grandes. E é assim, crescendo, que fazemos crescer o mundo.
Então... cresçamos!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

No Bairro da Avó Leonor!


É a noite de S. João! Das povoações das redondezas todos os caminhos vão dar ao Porto! Mas ali, no Bairro da Avó Leonor, tal como ela, tudo é muito especial.
Todo o espaço está engalanado, enfeitado com rendilhados coloridos de papel de seda. Dispersas, junto das habitações, estão as tradicionais churrasqueiras, felizes por poderem sentir-se úteis mais uma vez!
Espalhadas pelo chão, aqui e além, as madeiras, recolhidas com carinho, esperam que as labaredas do fogo crepitante as transforme, lentamente, nas brasas prontas para preparar todas as iguarias do jantar, pois, como manda a tradição, não deve usar-se nessa preparação o carvão comercial.
As panelas do caldo verde que as donas de casa preparam com esmero e perfeição estão agora colocadas sobre o fogão, à espera dos últimos retoques de magia... ao lado da batata, a cozer normalmente ou a ser preparada para levar com um murro.
Cheira a pimento, a barriga, a sardinha assada! As mesas estão prontas, com saladas, boroa, vinho, sumos, azeitonas... e, recheado de frutas secas, o saborosíssimo Bolinho de S. João.
As famílias que optam por fazer a refeição em casa abrem as janelas de par em par para se unirem aos que jantam debaixo das varandas ou directamente sob o brilho das estrelas.
As crianças palram, brincam, chutam bolas, vagueiam por ali num saltitar constante... os bebés, esquecidos da hora do sono, regalam-se nos colinhos... os adultos trocam gracejos entre gargalhadas de descanso... os jovens namoram... os idosos, em minoria nestas circunstâncias, são representados pela Avó Leonor que não pára de rodar nem de falar com toda a sua imensa jovialidade, graça, alegria e boa disposição, que enche por si mesma todo aquele paraíso terrestre... de onde ressalta a doce harmonia e alegre confraternização.
Num dos cantinhos do Bairro, os residentes de etnia cigana, de forma mais estridente, dão largas ao seu contentamento com as suas músicas especiais que ecoam por todo o Bairro.
As fogueirinhas, espalhadas pelo espaço, em plena noite, parecem flores trémulas e brilhantes no meio de jardins.
Quando as pessoas se acercam mais umas das outras... preparam a largada de mais um balão... e outro... e mais outro balão... que sobem, sem parar, num bailado melodioso, até perder de vista!
De quando em vez estoira um foguete que deixa transparecer as suas lágrimas de solidão!
E por que não, intrometer-se, com um curto lance de vista, no aconchego vibrante dos ciganinhos? Todos cantam... todos dançam... todos riem! É realmente uma festa!
As horas desaparecem no avanço da noite! Os que podem ou querem deslocam-se um pouco para se deliciarem com o sumptuoso e maravilhoso fogo de artifício chorando desalmadamente as mágoas do presente sobre as águas mansas do Douro, para regressarem de imediato ao prazer incomparável do seu paraíso de sonho... até que, vencidos pela força do cansaço, se aconcheguem na espera do tranquilo amanhecer do dia de S. João!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Os mistérios da natureza


Quanto mais me preocupo com o rápido ou lento desenrolar da vida mais me surpreendo com tudo quanto dela vou colhendo.
Desde que me conheço foram tantas as modificações por que passou a sociedade que se não tivesse presente o esforço do homem pela permanente busca da plenitude humana me atreveria a dizer que a metamorfose humana estava completa e o fim do mundo iminente.
É voz corrente que tudo está muito mau. Claro que há coisas mais ou menos boas como em todos os tempos de que o tempo dá notícia.
O desenvolvimento cultural e tecnológico não se cansa de encurtar distâncias e dilatar segundos nos dias que parecem anos pelo amalgamado número de acontecimentos que nos chegam de todas as partes a bombardear-nos os sentidos e a apertar-nos o coração. Do passado, normalmente, tendemos a recordar só o melhor... ou seja... matamos os pesadelos lembrando apenas alguns sorrisos do céu nublado... como forma de negar do presente o calor dos raios ensolarados de um radioso Verão... que, só não existe para todos os homens... pela maldade de alguns... alguns que temos de chamar à realidade ou pelo menos temos obrigação de nos esforçarmos por o fazer.
Não vale a pena continuar a lembrar (valorizar) só o que está errado dizendo mal de tudo e de todos! Não vale a pena passar nos écrans da TV (valorizar) tantas atrocidades cometidas e deixar no esquecimento tantas coisas maravilhosas que se vão fazendo por aí! Não vale a pena nos nossos encontros normais entre amigos recordar (valorizar) acontecimentos ruins quando há tantos valores aos quais não sabemos dar atenção!
Não tenhamos ilusões! É através dos olhos e dos ouvidos e pela sensibilidade da pele que a educação se aloja no coração para transformar o ser humano. Há que esconder as barbaridades e mostrar exemplos dignificantes que falam muito mais alto do que todos os gritos das palavras.
Todos sabemos que sem meios, dinheiro e haveres, não podemos viver condignamente, mas também sabemos que o dinheiro e haveres não são tudo da vida, pois a vida é tudo o que somos... porque o que somos vale muito mais do que toda a riqueza material que possamos ter.
Há pessoas tão mergulhadas numa desenfreada busca de dinheiro e riquezas que avançam por cima de tudo e de todos para as conseguir... em tanta demasia... que uma pequena parte do que esses estagnam... ou estragam... posta ao serviço da comunidade, daria para acabar de vez com toda a miséria humana!...
A crise monetária que o mundo atravessa não é real, é fruto da mais vergonhosa mentira destes piratas da humanidade!
A riqueza mundial aumenta todos os dias! Não é justo que continue a concentrar-se nos cofres de meia dúzia... meia dúzia de tristes e desgraçados que vegetam num mundo de avareza que apenas lhes trará amargura e solidão, pois dessa forma nunca saberão o belo e verdadeiro sentido da vida... vida que nem sequer lhes pertence.
Da vida nenhum de nós é dono! Ainda que o queiramos negar, a Natureza continua a recordar-no-lo nos seus insondáveis mistérios – mistérios tão insondáveis que ultrapassam todo o potencial desmedido da ciência humana.
Tão bem formado cientificamente, porque é que o Homem não consegue responder de imediato a todas as questões da humanidade sobre o procedimento das obras provindas das suas próprias mãos?
A sabedoria e força da Natureza? Não há dúvida!

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

A mão em seara alheia


Estamos num ano de eleições... numa época dita de democracia... num país dito democrático!
Todos os políticos se dizem democratas; alguns cidadãos e cidadãs vociferam contra a crise de bolsos recheados sem saber que fazer à massa; muitíssimos contam tostões para comprar o mínimo indispensável sem aumentar as dívidas no final do mês (de boquinha bem fechada pela vergonha das suas verdadeiras necessidades); a maior parte da população brinca aos papagaios... reclama contra tudo e contra todos por tudo e por nada!... Situações normalíssimas numa sociedade normal. Contudo, podemos enumerar algumas atitudes adequadas e pertinentes.
Falar de democracia prevê políticos eleitos pela livre vontade do povo para defender os legítimos interesses dos eleitores - povo. Enquanto os cidadãos e cidadãs que querem ser eleitos se esfalfam a aprimorar a apresentação dos seus partidos e a mostrar as suas maiores virtudes nas suas mais maravilhosas qualidades de liderança, os eleitores não podem de forma alguma continuar a manter-se passivos à espera que os seus interesses apareçam resolvidos! Será muito mais lógico que todos se inteirem convenientemente das verdadeiras normas por que se regem os diversos partidos e prestem a maior atenção à idoneidade das pessoas que os representam como forma de averiguar a possibilidade de uma verdadeira eficácia no cumprimento dos princípios inerentes a cada um; que com perspicácia e dignidade cada cidadão ou cidadã pense no que mais interessa à prosperidade e conforto de toda a sua comunidade envolvente; que quando já consciente das suas convicções partilhe as suas opiniões com as pessoas ou grupos do seu relacionamento habitual no sentido de consolidar mais eficazmente a escolha a apresentar no “sagrado” momento de voto, pois não devemos votar de um modo qualquer, mas com consciência, liberdade e responsabilidade.
Os que procuram ser eleitos, com o desenvolvimento informático a minar cada vez de forma mais perfeita acelerada e eficaz tudo quanto se diz ou faz, se faz sem dizer ou se diz e fica por fazer, têm que ser pessoas realmente honestas e capazes, sem nada que lhes acuse a consciência, pois de contrário terão a sua missão cada vez mais complicada, e poderão até vir a ficar com as finanças remediadas mas com as caras tão envergonhadas que eu não lhes queria estar na pele!... Pessoalmente louvo a coragem de quem consegue sujeitar-se a assumir uma candidatura com todas as suas implicações, e no meio de tudo o que há por aí, menos bom e melhor, penso muito na grandeza de toda esta gente.
Há comportamentos capazes de afligir qualquer cidadão: o silêncio sepulcral e avassalador de uma boa tomada de posição e a crítica exagerada das situações erradas.
A opinião pública acaba por influenciar positiva ou negativamente. E se em vez de rebaixar e desmotivar pelo que está realmente mal descobríssemos formas possíveis de incentivar e apoiar o que consideramos certo?!... Criticar... é mais fácil! Mas para atenuar situações erradas nada melhor do que louvar boas atitude e lembrar soluções práticas propícias e viáveis, pois tratando-se do bem-estar social ninguém deve pensar em guardar “louros” para si próprio mas em proporcionar o bem comum.
Façamos o que devemos fazer... para mais tarde não nos virmos a arrepender!...

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Não sei! Talvez... ninguém.


Fala-se muito na vida, mas parece que cada vez se compreende menos o que seja esse imenso mistério. Debruçando-nos um pouco sobre o seu raiar, acabamos por concluir que a razão da sua existência é o amor. O Alguém que um dia a extraiu do nada... fê-la num acto de amor tão infinitamente grande que se tornou incomensurável a qualquer peso ou medida humana. E é assim que o reaparecimento de qualquer vida vai surgindo através dos tempos, numa interligação e cooperação constantes entre os seres criados e o seu Criador.
Os seres vivos não aparecem ao acaso, pois a cada ser, naturalmente, foi dada a potencialidade de cooperar na conservação da sua espécie, transmitindo a vida. Ao falarmos de fecundidade, podemos não ter intenção, mas evocamos um relacionamento íntimo entre dois seres, (ou então, entre duas componentes de um mesmo ser, no caso da maior parte das plantas e dos animais hermafroditas). Um relacionamento íntimo fecundo só acontece num acto “chamado” de amor, embora nem sempre o seja. Sabemos que há relacionamentos de mero prazer para os dois intervenientes, o que, seja qual for a razão apontada, é prostituição; também os há onde um dos parceiros é impelido pela força, o que apelidamos de violações. Em qualquer destes casos, que não são actos de amor verdadeiro mas de corrupção do verdadeiro amor, podem surgir vidas, e embora os casos desta natureza sejam acontecimentos aceites com normalidade, são sempre acontecimentos anormais.
Agora, uma salvaguarda de muitas situações... talvez de todas as situações consideradas anormais, quem sabe?!...
Ao falarmos de vida, esquecemos instintivamente todos os outros seres vivos e quedamo-nos no ser humano, e isto porque o homem foi designado como o centro de toda a criação e é o único ser que reconhece (ou pode reconhecer) a verdadeira razão da sua vida e da vida de todos os outros seres que nele convergem e para ele existem. Mas, cada homem é um enorme e desconhecido mundo dentro do mundo que conhecemos.
Dizer que cada homem é um mundo desconhecido poderá parecer uma afirmação muito forte e descabida, mas não. Vivemos rodeados de gente, de família, de amigos, de conhecidos... e por mais que nos esforcemos para mostrar ou esconder o que somos e manter um bom relacionamento mútuo... o bom relacionamento pode realmente existir, mas o perfeito conhecimento do outro... nunca. Ouvem-se muitas vezes frases como esta: “Tal” ou “tal” pessoa... eu, conheço-a muito bem. Quando escutamos esta afirmação feita com tanta certeza, a única conclusão a que poderemos chegar é que há ali muita amizade, carinho, compreensão, entendimento, cumplicidade... sei lá o que mais!... Mas, mesmo que haja tudo isto na maior transparência possível, ninguém é capaz de penetrar no interior de ninguém, por muito querido que seja. Por muito que saibamos de cada uma das pessoas mais chegadas a nós, não tenhamos ilusões, porque o seu melhor ou pior estará para sempre mergulhado no infinito oceano de si mesmo, local que só estará permanentemente aberto ao Criador dessa obra prima, única no mundo. Cada vida humana é como que um poço encantado, infinitamente belo e profundo, de onde deveriam eclodir vulcões com larvas de amor incandescente pronto a incendiar os outros mundos por que é rodeado. Mas, como poderemos ter a sensação de conhecer o íntimo dos outros, se passamos a vida a explorar como somos, quem somos e para que vivemos, e andamos tantas vezes baralhados? Até as pessoas que pensam conhecerem-se muito bem a si próprias, apanham cada desilusão...
Tentemos descobrir os nossos defeitos, para os corrigir; as nossas qualidades, para lhe dar novas dimensões; acolhamos os outros tal como são, sem críticas ou desprezos, pois se nós, falhando tantas vezes aos compromissos que assumimos, não conseguimos ser senhores e donos de nós mesmos... como poderemos ter coragem para criticar quem quer que seja tentando fazer juízos de valor aos seus comportamentos? Quanto mais conhecimento tivermos das nossas fraquezas melhor aceitaremos as fraquezas dos outros e mais preparados estaremos para fazer correcção fraterna.
Que mistério é a nossa vida! Quem será capaz de compreender, em absoluto, o mistério e a grandeza da vida do homem? Não sei! Talvez... ninguém.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Na “Pérola” do Oceano!


Quando se chega a uma terra olhámo-la rápida e sofregamente de modo a abarcar de imediato tudo quanto é permeável aos sentidos… deixando os pormenores para depois! Tenho que admitir que, de cada vez que venho à Ilha da Madeira… lhe descubro mais encantos.
Por entre o aglomerado das habitações emersas do florido maravilhoso dos jardins povoados de árvores gigantescas e frondosas alternadas com arbustos encantadores, quando no lento desbravar da ladeira deixo de ouvir o marulhar das ondas e de sentir o cheiro a maresia já me encontro perdida, algures, imersa na esplêndida verdura dos matagais e extasiada com o odor provindo das florestas floridas.
Por todo o lado a beleza é estonteante: as piscinas naturais de Porto Moniz; o tão falado cabo Girão; a Calheta; Câmara de Lobos; o Curral das Freiras; S. Vicente; Santana e as suas casinhas; o Pico do Areeiro, ponto mais alto da Ilha, uma janela para o mar;
as pequenas ou maiores povoações dispersas como encantadores canteiros de jardim; e os barcos, no cais, que dão a ideia de um enorme circo ladeado por um gigantesco anfiteatro – a belíssima cidade do Funchal.
Por toda a parte, conduzidas por mãos sábias, experientes e certeiras, as viaturas aparecem e desaparecem velozes, ora nas vias rápidas e túneis que minam toda a Ilha encurtando distâncias, ora nas inúmeras pequenas vielas altamente íngremes e tortuosas cheias de inúmeros e esplendorosos mirantes e quase todas ladeadas de um florido harmonioso e cativante.
Homens e mulheres vagueiam por todo o lado tratando calma e habilmente do conforto e beleza do espaço: uns nos planaltos e montes onde as plantas e animais crescem livremente ofertando beleza e riqueza; outros alindando carinhosamente as ruas e jardins públicos que primam pelo requintado colorido, bom gosto e simplicidade; e ainda outros tornando os pequenos cantinhos de cultura agrícola ou ajardinada que ladeiam as moradias mais dóceis às plantas que ali orgulhosamente reproduzem e crescem frente aos olhos sedentos da sua beleza e às bocas ávidas dos sabores dos seus frutos.
Bem do meio das encostas sobranceiras a Machico e Santa Cruz… bem amiúde… um enorme alarido atroa os ares e convida a olhar o enorme campo onde as gigantescas aves transportadoras aterram e levantam, lá bem no fundo, onde a terra roubou espaço ao mar interligando-se mutuamente numa atraente cumplicidade que se deseja eterna.
A cidade e a aldeia, o mar e o monte, a montanha e o vale, o planalto e a encosta, as fajãs e a zona costeira tão irregular mas firmemente definida, o calmo bater dos ondas e o burburinho da cidade, tudo se encontra tão intimamente unido e intrínseca e calorosamente fundido na extraordinária encantadora e inigualável beleza deste paraíso celestial que é impossível distinguir algo que demarque o que quer que seja dos seus verdadeiros contornos!…
Aqui é fácil perdermo-nos das realidades da vida e lançarmo-nos num mundo de sonho permanente a partilhar aqui e além com os naturais da ilha que, cada qual do seu jeito, vão dando forma a toda esta pitoresca e acolhedora harmonia.
Não há dúvida quanto aos extremosos cuidados do Criador no fabuloso esmero de toda a Ilha, mas muito especialmente da zona de “Santa Cruz”… para mim… a menina dos seus olhos!

A publicar no “Notícias de Cambra”
Hermínia Nadais

terça-feira, 28 de Abril de 2009

RECOMEÇAR... EM LIBERDADE!


Finalmente, chegou a hora de recomeçar! Parece que foi ontem, e já lá vão quatro longos meses sem o nosso jornal.
Como na maior parte das vezes em que manuseio as teclas sem nada manuscrito para registar, não sei por onde começar.
Dada a passagem do 25 de Abril, um dos Feriados Nacionais deste pequeno “Jardim à beira mar plantado”, apetece falar de liberdade, responsabilidade, lealdade, solidariedade, harmonia, compreensão, bondade, tranquilidade, partilha, amor, ternura, carinho, verdade, trabalho, pão, humanidade, paz... e prosperidade!...
Depois da Revolução dos Cravos, já muito tinta foi gasta e muita água dos rios se fez mar!... Tanta coisa mudou!... Os saudosistas, dizem que para pior; os amantes da verdade e da assertividade acham que entre espinhos ainda há rosas, o urgente é predispor-se a descobrir o lugar onde elas se escondem e como as utilizar na nossa vida.
O péssimo hábito de destacarmos nos acontecimentos os maus comportamentos, as misérias, as doenças, os acidentes e as crises... faz-nos esquecer que “o sonho comanda a vida” e que temos de sonhar com uma vida boa para conseguirmos ter a vida que sonhamos.
Uma verdade a não esquecer é que são as dificuldades que mais nos fazem crescer pela procura ousada de encontrar o caminho mais adequado para transformar as (des)graças em coisas engraçadas, pois é a melhor forma de sobreviver às intempéries.
A propósito, tenho uma amiga muito especial que tem um enormíssimo carinho por gatos. Trata e aconchega o melhor que pode toda a espécie de gatos abandonados, desde os velhinhos, estropiados e doentes aos recém-nascidos abandonados... mas ao encontrar um cãozinho pequenino... abandonado... também o tratou o melhor que pôde!
Questionada sobre este seu comportamento, respondeu-me com toda a naturalidade que quanto mais profundamente conhece os humanos mais gosta dos animais.
Não contestei, mas também não compreendi o bastante, e comecei a prestar mais atenção às várias mensagens que vagueiam por aí cujos protagonistas são animais... até que uma denominada de “Anjos de Quatro Patas” me elucidou por completo. Resumidamente, diz que “um cão é um anjo de quatro patas que vem ao mundo para ensinar a amar... pois ama incondicionalmente... acarinha, protege e é fiel... não se afasta vinte e quatro horas por dia... quando é repelido volta cabisbaixo a pedir desculpas (ainda que não tenha errado) lambendo as mãos a pedir perdão, aflito... e tudo isto sem pedir nada em troca a não ser o afago para as suas carências mais prementes”. E termina: “Que bom seria que todos os homens pudessem ver a humanidade perfeita de um cão!”
E esta?!...
Ainda bem que não há regras sem excepções... pois se assim não fosse, a bem da verdade, muito boa gente teria vergonha de ser um ser humano.

A publicar no “Notícias de Cambra”
Hermínia Nadais

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

NÃO RECUEM... NÃO DEIXEM CORRER... O PERIGO ESPREITA!

Estou sem jeito para o que quer que seja!... Não vou debruçar-me sobre nada que me faça pensar, apenas repartir convosco um pouco do que me vai no coração.
Durante a Quaresma, em que tentávamos tirar de nós tudo o que fosse escuridão e atropelos, os tempos estavam mais cinzentos. Agora, com menos chuvas e alguns raios de Sol brilhante a inundar a Terra de refulgente claridade, parecem indicar que as forças da Natureza estão sensibilizadas em acompanhar o nosso interior, de onde reflecte ainda a Luz resplendorosa que a Festa da Páscoa ofertou.
Isto pode parecer descabido para quem não entrou fundo nas vivências Quaresmais com todas as suas bençãos nem viveu plenamente as alegrias da Ressurreição. Foram momentos inesquecíveis. A quem os partilhou, tenho a certeza que marcaram indelevelmente. Sinto grande satisfação em os recordar. Nada sou! Nada critico! Somente vou lembrar uma chamada de atenção que me fizeram um dia... e resultou! ‘Cada um de nós é como é; vive o melhor que pode, sabe ou quer; é responsável pela sua própria vida. Falamos tanto em liberdade!... Parece absurdo, mas... temos a “desgraça” de nascermos livres e de podermos escolher o nosso caminho, quando temos opção de escolha, claro’.
Isto vem a propósito do comportamento de cada um de nós, nos tempos que correm. Na nossa terra, temos tudo ao nosso alcance! É só: procurar para participar... participar para querer... querer para sentir... sentir para crer... crer para ser feliz “vivendo a plenitude do Amor”!
Mas, há coisas que não se compreendem! Quase todos somos Católicos, porque Baptizados segundo o catolicismo; há a preocupação de fazer pomposos casamentos e baptizados; a grande maioria dos pais acompanha bem a educação religiosa dos filhos, pelo menos até à Profissão Solene de Fé; os funerais são acompanhadas pelos sacerdotes; pedem a celebração de missas pelos defuntos; há um sem número de movimentos orientados pela Igreja Católica, com alguns leigos a trabalhar neles... há leigos participantes nas celebrações litúrgicas... e, mesmo assim, muitas vezes as coisas não correm da melhor forma.
Se todos somos seres humanos sujeitos a errar, e nos foi ensinado pelo “Mestre” que devemos perdoar para sermos perdoados, é caso para perguntar: - Porque temos a língua tão afiada e os olhos tão abertos para estarmos sempre dispostos a ver, criticar, agredir tantos os “outros”? Outros... que são nossos irmãos em Cristo?!... Porque nos dizemos Católicos... se quase desconhecemos a Bíblia Sagrada e só procuramos a Mãe Igreja para os casamentos, comunhões, baptizados e funerais? É que, a viver assim, andamos para aí a brincar às escondidas sem saber o que queremos, como vivemos ou porque vivemos. Acabámos por ser uns mentirosos, afirmando uma coisa e fazendo outra, por não vivermos de acordo com a afirmação feita; não somos quentes nem frios, somos pessoas “mornas”, que só servimos para deitar fora. Se queremos ser Cristãos Católicos, sejamo-lo de alma e coração. O Baptismo não é uma brincadeira para dar nas vistas, é uma união a Jesus Cristo, união que se quer viva pelo Amor, pela Oração, pela prática dos Sacramentos, pela partilha, pelo doação e serviço aos que necessitarem. Que Deus nos ajude a encontrarmo-nos assim, uns com os outros e com Ele, o mais rápido possível. E, aos que já não se envergonham de se assumirem como Católicos no pleno sentido da palavra, com as qualidades e defeitos inerentes a qualquer ser humano, que lutam por uma mais perfeita identificação com o Senhor, que “não recuem”... por nada nem por ninguém! A Igreja Católica, mais do que nunca, para crescer, precisa de testemunhos vivos! Estamos numa época em que ou se é... ou se não é. “Não deixem correr” o tempo em vão, porque “o perigo espreita” a cada passo, podendo levar-nos à tentação de nos deixarmos seduzir mais facilmente pelo mal, como acontece a quaisquer outros. Que as nossas atitudes sejam sempre coerentes e capazes de mostrar claramente a nossa alegria e felicidade de vida, a fim de levar os que nos cercam ao desejo veemente de experimentar viver assim também.
Neste tempo de Páscoa que decorre, unidos no mais puro Amor a Deus e aos irmãos, vivamos de mãos bem apertadas nas mãos chagadas de Jesus, para ficarmos mais fortes e podermos quebrar, de uma vez por todas, as cadeias do amor próprio, da incompreenHermínia Nadais

Publicada no Notícias de Cambra
são e do egoísmo.

domingo, 12 de Abril de 2009

“AS MELHORES COISAS DA VIDA!”


A vida é cheia de surpresas! E, por vezes, é um pouco parecida com o tempo: tanto está com sol radiante e estrelas reluzentes, como, de repente, as nuvens lhe escurecem o dia e lhe escondem a beleza da noite. No entanto, com sol claro ou nuvens escuras, o dia, é sempre o dia. Nele, a neve e a geada matam insectos e vermes daninhos; as grandes nuvens formam trovoadas ou somente deixam cair as suas águas; o vento é bem-vindo quando se apresenta como brisa suave e é mal aceite quando causa distúrbios nas suas correrias mais fortes, mas vai ajudando à conservação e reprodução de várias espécies de plantas; o Sol, aquece e dá luz ao dia, e a Lua, é a candeia da noite... É assim, no ciclo da vida do tempo. E, bem vistas as coisas, são as intempéries do mau tempo que nos podem levar a apreciar a maravilha do tempo bom. É a água dos dias feios e cinzentos que dá ao Sol a ocasião de utilizar o seu brilho incandescente para dar vida e crescimento às plantas e animais, alegrando-lhes e amenizando-lhes a existência.
Como é bela a natureza! Como é harmoniosa a ordem natural das coisas, que, no silêncio das suas acções, em tudo obedece às leis do Criador e O glorifica. Mas... como reage o ser humano, no meio de tudo isto?
Analisando fria e minuciosamente a atitude de cada homem face aos seus iguais e a todos os outros seres, é fácil concluir que, sendo a mais perfeita de todas as criaturas e que deveria ser a mais livre e responsável, tornou-se, realmente, num escravo da sua liberdade, o mais rebelde e anarquista de todos os seres, o que mais foge à razão para que foi criado.
Para que esta afirmação não leve os que se sentem mais bem comportados a fazerem mau juízo, aprofundemos um pouco o desenvolvimento do homem desde a sua génese.
Dotado de inteligência racional, superior a todos os animais, instituído dominador e senhor de toda a criação, é o único ser que, logo após o nascimento, não pode prescindir dos cuidados maternos ou de um seu substituto por incapacidade absoluta de cuidar de si; enquanto entre animais da mesma espécie, que são instintivos, em locais diferentes, se encontram comportamentos muito idênticos, as capacidades inatas do ser humano de pouco lhe poderão servir se o seu meio envolvente não for favorável a um desabrochar sereno da aprendizagem, pois o desenvolvimento gradual do homem tem mais a ver com o meio ambiente onde está inserido do que com os seus dotes congénitos. Dois homens supostamente com as mesmas aptidões, um nascido na Selva Amazónica outro na cidade de Lisboa, forçosamente que cada um será bem diferente do outro. Se superior ou inferior, não nos cabe fazer qualquer juízo, pois nada temos que nos possa dizer a tal respeito o que quer que seja.
A superioridade do homem perante o mundo que o rodeia, é nitidamente visível. Mas, a tentação de cada homem se julgar superior a outro homem, é muito pessoal, e, por tal, de difícil observação concreta, nunca se podendo afirmar com segurança que haja supremacia de alguém sobre outrem em qualquer caso pontual. Para compreender tudo isto, teremos que questionar-nos sobre onde estará, de facto, a superioridade do homem.
Para responder cabalmente a esta questão, teremos que admitir que as duas facetas em que se cimenta a constituição do homem, a corporal e a espiritual, têm interesses antagónicos entre si e complicam toda a percepção do conceito de superioridade. Se por o lado exclusivamente humano perdura a lei do mais forte, se tivermos em atenção a espiritualidade humana o homem será superior na medida em que se colocar ao serviço de todos os seus irmãos principalmente os mais desfavorecidos. Desta forma, a superioridade do homem não estará na sua força, prepotência ou arrogância, mas na sua paciência, doação, carinho, simplicidade, humildade, compreensão, atenção, coerência... não se medirá pela grandiosidade dos actos praticados, mas pelo amor com que se praticarem, valorizando, acima de tudo, as coisas mais pequeninas; não estará na crítica destrutiva e malfazeja, nos argumentos esquivos ou na procura de galanteios, mas no reconhecimento da fragilidade humana, na capacidade de aceitar o outro tal como ele é, na ajuda a quem precisa, no assumir das fraquezas próprias ou alheias, na coragem e força de conseguir sofrer em silêncio, perdoar e amar.
Todos fomos criados para conseguir grandes feitos através das nossas pequenas acções. Dependendo do como encaramos os acontecimentos, na quase generalidade dos casos, o que parece grande e bom não passa de uma mera aparência. Se para muitos o ser bom e o ser grande é calcar para crescer, não olhando a meios para atingir fins, para outros, o crescer mais e mais acaba por ser fruto de muitas pisadas. Custa muito, claro que custa, mas é o que dá mais felicidade, e felicidade duradoira. Procuremos não pisar nem ser pisados. Não corramos atrás de aparências fáceis nem nos deixemos iludir. Correndo no tempo pela estrada da vida, sigamos em frente, deixando para trás a cegueira da nossa ignorância e o vazio da nossa existência, certos de que buscamos, assim, as melhores coisas da vida.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 7 de Abril de 2009

SERÁ TEMPO DE TRISTEZA! NÃO, DE FORMA NENHUMA.


Diz-se que o passado é a base do futuro, mas acho que nem sempre as recordações das vivências de outrora poderão fazer eco na preparação de um futuro com sucesso, a não ser que o presente, elo de ligação entre esses dois pólos, seja muito bem moldado.
Era muito criança, mas as marcas dos sentimentos vividos na época quaresmal ficaram-me indelevelmente gravadas na memória. Além da música que não se podia ouvir e das canções abafadas na garganta, aos domingos, as pessoas deslocavam-se massivamente às Igrejas para ouvir os “longos” sermões, que seriam tanto melhores quantas mais fossem as pessoas a suspirar de dor com derrame de abundantes lágrimas ao ouvir as palavras proferidas pelo orador que, com voz forte e retumbante, intencionalmente levantava sentimentos de pavorosa culpa nos ouvintes, face aos sofrimentos do Senhor. E o seguir os passos da Sua via-sacra, entre cânticos de uma tão grande tristeza, arrasava quem quer que fosse. As confissões quaresmais, vulgarmente chamadas de podadas, eram vistas como uma obrigação de, como obediência a Deus e com medo dos Seus castigos, “pespejar” o saco das culpas frente a um dos Seus padres, homem entre os homens e como os outros homens, arrepiando o coração de muitos.
Porque será que está tudo tão mudado? Será que a Quaresma perdeu o sentido?
Não! De forma alguma! Acho que as vivências de uma verdadeira Quaresma nunca tiveram tanto sentido como agora. Oxalá que a ligação entre o que ela foi, o que é,e o que virá a ser, seja bem construída.
O rodar dos anos mudou mentalidades e levou as pessoas a encontrar outras ocupações e a desertificar as Igrejas, mesmo na época da Quaresma, é um facto. Mas, a consideração e reconhecimento dos direitos da criança e de todo o cidadão, foi alterando, progressivamente, o modo de viver. O conduzir à obediência pelo tradicional medo do castigo foi sendo substituído pelo respeito, carinho e amor que deve haver entre o educador e o educando. A compreensão mútua entre os homens, tendo em conta as responsabilidades inerentes às condições sócio-económicas de cada um vão sendo promovidas em cada dia. Há um reconhecimento cada vez mais profundo de que o verdadeiro valor da pessoa humana se encontra no desenvolvimento global e harmonioso das potencialidades inatas e adquiridas de cada um, da forma como as aproveita para a sua realização pessoal e de como as coloca ao serviço da comunidade. Ora, estes valores tendem a ser evidenciados em todos os homens em geral, independentemente da sua proveniência ou religião.
As vivências quaresmais têm por finalidade desenvolver nos cristãos todos estes valores, numa caminhada de fé enraizada nos passos de Cristo, a verdadeira perfeição e a mais completa das doações, pois colocou-se tão inteiramente ao serviço da comunidade que se deixou morrer por ela. A Quaresma, para os cristãos, é um caminhar mais ao encontro de Deus vendo-O e procurando-O em cada pessoa que os rodeia, seja agradável ou desagradável, mas principalmente nos que mais sofrem a fome, o frio, a nudez, a tristeza, a doença, o abandono, a falta de afecto e ternura... É, à imitação do Mestre, um aceitar com amor, carinho, e sem reclamações, tudo quanto a vida trouxer.
É difícil?! É, Ele sabe. Mas, é possível. E a quem o desejar, Ele está presente para transformar “essa” a que chamamos “nossa cruz”, numa verdadeira “árvore de vida”.
Que bom que houvesse a benesse de todos os cristãos (homens) assim entenderem!...

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 1 de Abril de 2009

A PRIMAVERA DA VIDA... NA PRIMAVERA DO TEMPO!


Como é belo o ciclo da vida que, incansavelmente, renova o mundo em todas as suas vertentes!
Nada mais gratificante para uma pessoa que vai gastando a vida do que encontrar no seu caminho um bom bando de jovens, pois são os rostos que enfrentarão as belezas ou agruras do mundo de amanhã, como nós tivemos de enfrentar os dias que já passamos e vamos passando as horas em que vivemos.
Todos os anos, depois de algum tempo de adormecimento hibernal, o ressurgir da vida por entre as nuas varas das florestas e bosques, nas bermas das estradas e caminhos, nas longas planícies dos campos e nos pequenos canteiros dos jardins, adorna a Natureza com as mais exuberantes vestes multicores enchendo-a do mais inebriante perfume. O canto dos passarinhos, fundido com o zumbido dos insectos, fornecem aos transeuntes as mais inebriantes melodias.
Então diz-se que são estas características raras que fazem o adorno ímpar da paisagem que nos circunda, tornando este pequeno canto do planeta o mais apetecido e desejado jardim da Europa, plantado amorosamente à beira mar.
Pensando um pouco na Primavera do tempo, há várias razões para considerar muito importante esta época do ano. Primeiro, porque é por demais agradável aos sentidos e penetrante até às mais recônditas profundezas do “ser” do coração do homem, com possibilidades de o elevar até às alturas; depois, porque é determinante para a produção agrícola dos que vivem do trabalho campestre, pois dependerá, naturalmente, no seu “quase” todo, das condições favoráveis ou desfavoráveis da Primavera.
Se no tempo, a vida da natureza, que renasce na Primavera, precisa de condições favoráveis para se desfazer, nas ocasiões oportunas, em abundantes flores e frutos, a vida do homem, que toma a sua forma mais decisiva durante a juventude, precisa, nessa primavera da vida, de ser acariciada com todas as oportunidades de desenvolvimento a fim de poder enveredar por um caminho favorável à produção dos apetecidos frutos do amor, carinho, serenidade, dedicação, ternura, honestidade, trabalho, competência...
É sabido que, na Natureza, as sementes não produzem fruto fora da terra preparada. E, como não se podem colher frutos de sementes caídas nas pedras, também não se podem colher uvas em espinheiros.
Transpondo para a vida humana, quantos disparates encontramos!...
Sabemos muito bem o que queremos nós que sejam os homens, mas... Quem somos nós, entre os homens? Porque somos assim? Que nos mostraram, na primavera da nossa vida? Que exemplos nos deram? Que figuras nos apresentaram para possível ídolo ou modelo de imitação? Ao olharmos para nós mesmos, talvez tenhamos necessidade de pensar um pouco em tudo isto, para não nos sentirmos tão culpados das irreverências cometidas.
Agora, quanto ao que queremos do nosso futuro, que virá a expressar-se na vida dos que nos precedem no tempo, os nossos jovens, que alegres ou tristes, interessados ou distraídos, pacientes ou agastados, são o espelho do nosso amanhã. Que damos nós às primaveras dessas vidas que vemos crescer? Que compreensão? Que ajuda? Que exemplo? Que amor e doação?... Sim, que amor e doação, acima de tudo?!...
Críticas, não! Não levam a lado nenhum. E para os criticarmos, teremos que nos criticarmos a nós próprios, e quantos de nós, talvez um pouco, todos nós, fomos e somos vítimas de educações deficiente, de valores mal apresentados e explorados... porque os nossos progenitores também assim foram, e, ainda... os progenitores dos nossos progenitores.
O mundo é assim, uma constante mudança. Aceitemo-la com compreensão. Sejamos francos e abertos, compreensivos e construtores de um mundo novo, seja qual for a nossa idade ou condição.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 18 de Março de 2009

PORQUÊ... SÓ AGORA!


Há questões para as quais só o “tempo” poderá oferecer resposta convincente... mas... nem sempre o tempo tem o dom de trazer a resposta adequada para todas as questões?!...
Já tenho algumas boas primaveras de que muito me orgulho, mas esta está a ter, para mim, um sabor muito especial. Mesmo com o tempo invernoso, chuvoso e frio como não lembra, o Céu é muito mais azul e a Terra mais verde, as flores mais belas e o canto dos passarinhos mais suave e melodioso.
A Primavera é sempre o desabrochar de vida nova com o começo de novas vidas. Esse facto ressalta, claramente, a todos os olhares. Mas, na renovação do insondável mistério da vida, existem outros mistérios facilmente despercebidos, porque não palpáveis aos sentidos estritamente humanos.
Na Primavera decorre a maior parte do tempo da Quaresma; nela se renovam mais intensamente as Celebrações Pascais, com todas as suas doações. Estes acontecimentos, para muitos rotineiros e sem sentido, tornam-se, ininterruptamente, numa vivência única para todos e cada um. Prestando atenção às solicitações externas e internas que se nos vão proporcionando das formas mais diversas, poderemos constatar esta grande verdade.
Na estrada da vida, por onde caminhamos incessantemente, intercaladas com algumas pequenas rectas surgem as curvas mais sinuosas e inesperadas, cada uma com seu “quê” de especial. E é na passagem cuidada de todos os imprevistos dessa tortuosa via que a nossa vida se vai apresentando mais ou menos válida, mais ou menos segura de si perante tudo o que a rodeia, mais ou menos apta a conquistar outras paragens e transpor novos horizontes à procura de outros sabores da alegria de viver.
A Quaresma, sem dúvida, é o tempo ideal para nos abandonarmos loucamente nos braços carinhosos do “Pai” e aprendermos a manter-nos mais unidos a Ele, num diálogo permanente, forte e profundo; então, assim, já é um pouco mais fácil lançarmo-nos fortemente nesta aventura de vida, que nos traz o benefício de uma felicidade sem par. Não é preciso metermo-nos em façanhas de vulto, pois a vida será grande somente quando nos dedicarmos à perfeita execução das coisas mais pequeninas: é um amigo que necessita de consolo e a quem dirigimos uma boa palavra; é uma conversa que pede uma resposta brava e respondemos doce e carinhosamente; é a troca da comodidade e bem-estar pela alegria de um encontro; é a incompreensão que dá lugar à delicadeza de um carinho; é a indiferença substituída por uma mão aberta para dar; é o apagar da brusquidão por muito, muito amor... E nisto consistirá, realmente, a nossa “Páscoa”, a passagem de uma vida pouco útil à vivência da verdadeira utilidade de uma vida.
Trabalho difícil e moroso, mas não impossível! Para o conseguirmos, basta domar a nossa vontade à vontade do Pai seguindo as pisadas do Filho, o Verdadeiro Caminho, Verdade e Vida. Assumidos, sem receios ou preconceitos, comecemos a gozar a alegria deste modo de viver... já, neste momento... para que não venhamos a repetir os desabafos de muita gente: Porquê... só agora!

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 9 de Março de 2009

“As melhores coisas da vida!”

A vida é cheia de surpresas! E, por vezes, é um pouco parecida com o tempo: tanto está com sol radiante e estrelas reluzentes, como, de repente, as nuvens lhe escurecem o dia e lhe escondem a beleza da noite. No entanto, com sol claro ou nuvens escuras, o dia, é sempre o dia. Nele, a neve e a geada matam insectos e vermes daninhos; as grandes nuvens formam trovoadas ou somente deixam cair as suas águas; o vento é bem-vindo quando se apresenta como brisa suave e é mal aceite quando causa distúrbios nas suas correrias mais fortes, mas vai ajudando à conservação e reprodução de várias espécies de plantas; o Sol, aquece e dá luz ao dia, e a Lua, é a candeia da noite... É assim, no ciclo da vida do tempo. E, bem vistas as coisas, são as intempéries do mau tempo que nos podem levar a apreciar a maravilha do tempo bom. É a água dos dias feios e cinzentos que dá ao Sol a ocasião de utilizar o seu brilho incandescente para dar vida e crescimento às plantas e animais, alegrando-lhes e amenizando-lhes a existência.
Como é bela a natureza! Como é harmoniosa a ordem natural das coisas, que, no silêncio das suas acções, em tudo obedece às leis do Criador e O glorifica. Mas... como reage o ser humano, no meio de tudo isto?
Analisando fria e minuciosamente a atitude de cada homem face aos seus iguais e a todos os outros seres, é fácil concluir que, sendo a mais perfeita de todas as criaturas e que deveria ser a mais livre e responsável, tornou-se, realmente, num escravo da sua liberdade, o mais rebelde e anarquista de todos os seres, o que mais foge à razão para que foi criado.
Para que esta afirmação não leve os que se sentem mais bem comportados a fazerem mau juízo, aprofundemos um pouco o desenvolvimento do homem desde a sua génese.
Dotado de inteligência racional, superior a todos os animais, instituído dominador e senhor de toda a criação, é o único ser que, logo após o nascimento, não pode prescindir dos cuidados maternos ou de um seu substituto por incapacidade absoluta de cuidar de si; enquanto entre animais da mesma espécie, que são instintivos, em locais diferentes, se encontram comportamentos muito idênticos, as capacidades inatas do ser humano de pouco lhe poderão servir se o seu meio envolvente não for favorável a um desabrochar sereno da aprendizagem, pois o desenvolvimento gradual do homem tem mais a ver com o meio ambiente onde está inserido do que com os seus dotes congénitos. Dois homens supostamente com as mesmas aptidões, um nascido na Selva Amazónica outro na cidade de Lisboa, forçosamente que cada um será bem diferente do outro. Se superior ou inferior, não nos cabe fazer qualquer juízo, pois nada temos que nos possa dizer a tal respeito o que quer que seja.
A superioridade do homem perante o mundo que o rodeia, é nitidamente visível. Mas, a tentação de cada homem se julgar superior a outro homem, é muito pessoal, e, por tal, de difícil observação concreta, nunca se podendo afirmar com segurança que haja supremacia de alguém sobre outrem em qualquer caso pontual. Para compreender tudo isto, teremos que questionar-nos sobre onde estará, de facto, a superioridade do homem.
Para responder cabalmente a esta questão, teremos que admitir que as duas facetas em que se cimenta a constituição do homem, a corporal e a espiritual, têm interesses antagónicos entre si e complicam toda a percepção do conceito de superioridade. Se por o lado exclusivamente humano perdura a lei do mais forte, se tivermos em atenção a espiritualidade humana o homem será superior na medida em que se colocar ao serviço de todos os seus irmãos principalmente os mais desfavorecidos. Desta forma, a superioridade do homem não estará na sua força, prepotência ou arrogância, mas na sua paciência, doação, carinho, simplicidade, humildade, compreensão, atenção, coerência... não se medirá pela grandiosidade dos actos praticados, mas pelo amor com que se praticarem, valorizando, acima de tudo, as coisas mais pequeninas; não estará na crítica destrutiva e malfazeja, nos argumentos esquivos ou na procura de galanteios, mas no reconhecimento da fragilidade humana, na capacidade de aceitar o outro tal como ele é, na ajuda a quem precisa, no assumir das fraquezas próprias ou alheias, na coragem e força de conseguir sofrer em silêncio, perdoar e amar.
Todos fomos criados para conseguir grandes feitos através das nossas pequenas acções. Dependendo do como encaramos os acontecimentos, na quase generalidade dos casos, o que parece grande e bom não passa de uma mera aparência. Se para muitos o ser bom e o ser grande é calcar para crescer, não olhando a meios para atingir fins, para outros, o crescer mais e mais acaba por ser fruto de muitas pisadas. Custa muito, claro que custa, mas é o que dá mais felicidade, e felicidade duradoira. Procuremos não pisar nem ser pisados. Não corramos atrás de aparências fáceis nem nos deixemos iludir. Correndo no tempo pela estrada da vida, sigamos em frente, deixando para trás a cegueira da nossa ignorância e o vazio da nossa existência, certos de que buscamos, assim, as melhores coisas da vida.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

MOMENTOS INSUBSTITUÍVEIS


Se, à partida, é tão ambicionada e parece tão fácil a vida de aposentados, a realidade, às vezes, é um pouco diferente. Mesmo com as tarefas profissionais obrigatórias terminadas, ordenado no fim do mês, boa saúde e tempo livre, com tudo a andar, digamos, “sobre rodas”, há tantas surpresas!... Muito agradáveis, muito gratificantes, mas que exigem, por vezes, um pouco mais do que o que, de imediato, há para dar. Então, envidam-se esforços para que tudo seja possível. E consegue-se, não o que se quer, mas o que se pode depois de, como até ali, se tentar conciliar as coisas e escolher a tarefa mais urgente e precisa em determinada ocasião.
É muito bom sentir que somos úteis e necessários e que o tempo começa a escassear numa altura em que a todos parece que o temos de sobra. É que, ao chegar a esta fase da vida, o receio de uma inactividade passiva, da sensação de inutilidade e da pasmaceira de não se ter nada para fazer, leva à tentação de se partir à procura de novas aventuras, aliciantes e com oferta de enorme compensação. E encontram-se, é um facto. Trazem grande felicidade. Mas, bem cedo se fundem com tarefas que, sem que as procuremos, nos surgem, inerentes à nossa condição de filhos, pais e avós.
Situações novas, que nos propõem novas atitudes. Agora, que podemos, urge vivê-las, com toda a plenitude! São momentos insubstituíveis, tais como muitos outros que passaram... e dos quais, as urgentes actividades profissionais nos obrigaram a desviar a atenção que devíamos e queríamos e em que o contributo prestado, mesmo ficando muito aquém do desejo, foi superior a todas as forças possíveis naquela ocasião.
A vida tem várias fases, umas mais difíceis que outras, cada qual com sua característica própria. E quando chegamos a esta situação, ela já nos ensinou a aproveitar intensamente todos os seus momentos e a não perder nenhuma ocasião de realizar os nossos sonhos. É o que tentamos fazer.
Quando deparamos com amigos mais jovens, lá vem a frase habitual: “Agora é que estás bem! É passear e gozar! Quem me dera!”
É muito natural este modo de pensar. Mas, ainda bem que a vida é mais que gozo e passeio! Se fosse apenas isso, perderia o seu pleno sentido e cairíamos num vazio sem medida. A vida tem que ser algo mais, tem que ter outros objectivos, outras aspirações que nos mantenham vivos e activos. Se assim quisermos e pensarmos, por incrível que pareça, a vontade de levar a cabo todas as actividades de que gostamos e para que somos solicitados, é um facto; consegui-lo, grande parte das vezes, é uma enorme e complicada caminhada que, mesmo que não chegue sempre a bom termo, é um desejo que existe e nos conserva em plena juventude. Ainda que o peso dos anos nos entorpeça os músculos e faça fraquejar os ossos, a nossa mente sonha ininterruptamente e em cada dia aprendemos coisas novas. A vida é mais bela em todos os seus momentos.
Não percamos o Outono da nossa existência. Aproveitemos tudo o que tem de bom. Não joguemos tempo fora. Procuremos encontrar ou fazer amigos, nossos iguais, para quem a vida tenha um valor idêntico. Ajudemo-nos mutuamente. Tentemos ser mais abertos, francos, compreensivos, úteis, da melhor forma que pudermos. Dialoguemos com os mais jovens de modo a, com a nossa experiência, levá-los à descoberta do melhor aproveitamento de cada fase da vida, para melhor realização pessoal e felicidade de cada um. Demos à vida os horizontes deslumbrantes que ela tem, e que, à medida que o tempo avança, mais se abrem, diante dos nossos olhos.
Se a morte começa com o aparecimento da vida, a Vida começa com a morte. Vivamos esta realidade, e, ultrapassando as barreiras da alegria, que o Amor nos faça rejuvenescer e viver em Paz.
Sejamos felizes e espalhemos felicidade.

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

sábado, 14 de Fevereiro de 2009

“O SONHO... COMANDA A VIDA...”


Em qualquer etapa da vida deverá haver tempo para trabalhar, descansar, aprender, distrair-se, dedicar-se a alguma coisa de que se goste, muito embora esta última parte não passe, na grande maioria das vezes, de um simples sonho. No entanto, como “o sonho comanda a vida”, sonhar deveria ser tido, por cada pessoa, uma das mais importantes tarefas a realizar.
Sem pensarmos, de imediato, em nada que se relacione com “sonhar”, ao ouvirmos esta palavra lembramos logo as longas ou curtas noites de descanso que, com tantos sonhos à mistura, pelas recordações e sensações que nos trazem à memória, às vezes, mais nos parecem dias turbulentos. Mas, sonhar para comandar a vida pelo sonho, não fica por aqui. É que há dois modos distintos de sonhar: sonhar a dormir e sonhar acordado.
Diz-se que o sonhar a dormir é um escape do inconsciente. Há épocas em que nem sequer nos passa pela cabeça se sonhamos ou não; há outras em que, dependendo do que for lembrado do conteúdo dos sonhos, podem gerar-se situações de indiferença, momentos de felicidade, ou, até, de pavor. Os diversos sentimentos da pessoa em relação ao sonho nocturno parecem ter muito a ver com o seu estado de espírito ocasional e situações actuais da vida, com o autocontrole de cada um sobre as suas próprias emoções e sobre o exacto discernimento entre o sonho e a realidade que, não raras vezes, sem sequer disso nos apercebermos, mesmo sendo ideias de todo inconfundíveis, misturámo-las, quando adaptamos, de qualquer modo, o sonho à vida e a vida ao sonho. É um tremendo erro, porque, realmente, não são estes sonhos que comandam a vida.
O sonho que comanda a vida é aquele em que conseguimos sonhar acordados, enlevar-nos e enredar-nos nesse sonho de tal ordem que o sintamos parte integrante de nós, de modo a não conseguirmos viver sem ele. Enquanto sonho, é sempre uma situação muito agradável, pois, ainda que seja por breves momentos, sentimo-nos realizados e felizes, ou porque nos imaginamos como queremos, ou porque nos parece sentir ter o que pretendemos. Depois, o natural é adaptar o sonho à realidade, e neste caso, sim, devemos lutar acerrimamente por fazer do sonho uma realidade. Então, essa luta constante, passa a comandar e dirigir a vida, de forma positiva ou negativa, conforme o desejo da cada sonho.
Tenhamos muitos e bons sonhos destes que, de facto, comandam a vida: sonhos de felicidade, de alegria, de bem-estar, de prosperidade, de realização pessoal, de amor e de paz... Nesta época em que tanto se fala de falta de paz, que tenhamos muitos sonhos de paz, de paz e de amor, destas duas palavras que sempre andam juntas, destes dois sentimentos de todo inseparáveis, inconfundíveis, necessários e urgentes. Não há paz sem amor, não há amor sem paz. Não falemos de ausência de guerra, porque a paz vem depois da guerra, pressupõe a existência de guerra. Mas, uma guerra geradora de paz não se leva a cabo pela força das armas, move-se pela força do amor, da compreensão mútua, da doação de nós mesmos à causa do outro, do não fazer ao outro o que não queremos que nos façam a nós. Esta guerra não se vê a olho nú, sente-se no mais íntimo de cada ser e só o coração a sabe descobrir.
Até quando ficaremos à espera de que os sonhos comandem as vidas na procura da verdadeira paz?...
Não guardemos para amanhã o que pudermos fazer hoje. Amanhã poderá ser tarde.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Sinceramente...


A vida é bela! Sim, a vida é sempre bela! É, quando tudo corre bem; e é também, embora de maneira diferente, quando parece que tudo corre mal! A vida é beleza, mas a verdadeira beleza da vida não depende só da vida em si, mas da razão que se dá a qualquer acto que nela se realize. A beleza da vida depende da forma como encaramos as situações que nos apresenta; de como tentamos descobrir o que é bom; de como, no meio do mal, sabemos extrair o que é menos mau, ou até, quem sabe, o que é óptimo; da forma como conseguimos tirar proveito das horas boas ou difíceis, no sentido de obter as aprendizagens mais divergentes, precisas e invulgares, que serão, para nós, de uma riqueza sem par, quando formos surpreendidos por situações análogas.
É assim: Quando algo de mal acontece, o primeiro momento é de perplexidade, de aflição, de uma certa revolta e, por vezes, de desespero. Depois, entra-se na fase dos porquês. Porque aconteceu isto? Porque aconteceu aquilo?... E, passa-se ao momento dos como. Como vou conseguir ultrapassar esta doença, este desentendimento, esta incompreensão, este disparate? Que caminho devo seguir? Que resultados poderei alcançar?... De seguida, põem-se em prática as experiências mais díspares, todas as que consideramos eficazes para a resolução do nosso problema. E... finalmente, conseguimos acabar com ele, ou aprendemos a contorná-lo, e viver assim mesmo. Esta já é a fase de aceitação final.
Esta descrição parece caricata, pois para quem conhece um pouco de psicologia genética, poderá imaginar-se perante o desenrolar do desenvolvimento da aprendizagem do bebé. O esquema, é parecido. Mas, não! Estas são aprendizagens de pessoas bem adultas, bem maduras, bem capazes. Tenho pensado nisto muitas vezes. Tomando em consideração certas ocorrências que nos vão surgindo, em qualquer idade ou condição, acabamos por concluir que são elas que nos tornam adultos mais competentes, mas eternamente crianças, e eternos aprendizes... Cada caso é diferente do outro, e traz-nos vivências diferentes, adaptações diferentes, mudanças de vida diferentes, que nos fazem ficar diferentes, e nos tornam mais humanos, mais homens e mais mulheres.
Se a vida tem destas coisas, e se temos que viver a vida, temos que viver com elas. Porquê, arreliar-se? Porquê, vociferar? Porquê, não compreender? Porquê, ficar tristes ou acabrunhados? Porquê, não aceitar com muita alegria e resignação? No final da resolução de um grave problema, porque não olhamos bem dentro dos “seus olhos”, lá no “seu interior”, para ver o que tinha para nos ensinar? E, porque não, memorizarmos bem a lição?
Sinceramente... Tristezas não pagam dívidas! Revoltas, não levam a lado nenhum!... Vivamos na alegria e na confiança! Façamos do feio, o bonito! Demos beleza à vida! Ela merece!...

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

A VIDA É SEMPRE BELA!...


Os dias sem “sol” são apanágio de muitas ocasiões na vida. Se alguém afirma nunca ter experimentado estas dolorosas situações, mente; ou então, o que é pior ainda, com toda a certeza, está tão metido ou metida em confusões e tão desfasado ou desfasada da realidade que já não consegue ver nem sentir nada, em si ou nos outros. Verdade seja que o ser humano tem o apanágio de querer esconder tudo o que é menos bom, para mostrar a sua imponência. É por isso que, muitas vezes, estando a viver situações ásperas que quer camuflar, passa-as de ásperas a insuportáveis, facto que não deve, de forma alguma, acontecer. Pode também haver a pretensão de não querer encará-las de frente por fazerem “doer”... mas, não tenhamos ilusões: só assumindo conscientemente essas dificuldades podemos ultrapassá-las e “crescer” .
Temos de reconhecer que todos os acontecimentos, bons ou menos bons, têm uma mensagem positiva, e é dessa forma que terão de ser encarados. É de todo impossível descrever factos comprovativos desta afirmação sem entrar em descrição de situações privadas, o que penso não ser necessário para trazer a lume esta questão.
Como resolução dessas vivências difíceis que nos atormentam não raras vezes, porque não tentarmos assumir esses momentos tirando proveito da sua especificidade e descodificando as mensagens que nos transmitem? Não será uma maneira razoável de sublimar as coisas e de não entrarmos logo em desespero, perdendo a razão ao vociferar contra tudo e contra todos, julgando-nos os mais desamparados e desprotegidos da sorte? E porque não... olharmos para os irmãos que nos rodeiam, muitas vezes em pior situação que a nossa?!... Mas... olhar para os irmãos, como?!... Se nada conhecemos de nada nem de ninguém, torna-se de todo impossível! Então, assim, para muitos, a vida parece um drama infindável que tem que ser levado com o maior sacrifício. E... procuram-se os mais variados meios de resolver toda essa gama de torturas!... No final, já cansados de procurar em vão, acabam por verificar que a resolução está sempre bem no interior de cada um, na aceitação das realidades misturada com muita doação, compreensão e amor.
As coisas ficarão mais simples se sairmos de casa e formos ao encontro de grupos organizados, pois encontraremos pessoas com os mesmos problemas que nós. Haverá partilha de situações e opiniões. Então, juntos, encontraremos a melhor forma de encarar a vida ou, pelo menos, ficaremos com a sensação de não nos sentirmos tão sós. Nunca, em época alguma, a integração em grupos foi tão necessária.
Actualmente, a vida humana está a atravessar uma fase muito difícil. As pessoas sentem-se bem informadas e ligadas ao exterior, mas drasticamente isoladas.
Dos jornais, normalmente, apenas se lêem os grandes títulos... que não carecem de resposta. O pequeno écran fala... fala... e só ouvimos. E, se nos massacra com notícias menos agradáveis ou programas com problemas de fundo, nada melhor do que mudar de canal e voltarmo-nos para a bisbilhotice das “novelas da vida real “, bem mais lúdicas porque sem nada de responsabilidade. Assim sendo, a ligação e informação chegam-nos de fora para dentro, e muitas vezes adulteradas pelo exagero de apresentar a notícia da forma mais drástica... para criarem um certo impacto e subirem as audiências.
Afinal... que tem tudo isto a ver com os nossos inúmeros problemas pessoais? Pouco ou nada. Em que nos podemos identificar com o que ouvimos e vemos? Pouco ou nada. Que proveito podemos tirar para a sua resolução? Pouco ou nada. E continuamos a viver como únicos... num mundo cheio de problemas idênticos aos nossos, mas que desconhecemos porque não queremos falar deles. É bem mais fácil prendermo-nos à televisão, ao aconchego do lar ou ao conforto da caminha do que partirmos à procura de troca de experiências e saberes, mas não nos ajuda em nada. Não fiquemos sós, num mundo sem diálogo. Procuremos grupos devidamente organizados e prontos a dar-nos a resposta adequada a cada situação, se estivermos de coração aberto nessas pequenas comunidades, verdadeiras famílias alargadas, onde nos sentiremos muito bem.
Sejamos optimistas! A vida é sempre bela! Nós... é que somos difíceis... complicamos tudo... e fazemos da vida aquilo que somos!...

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O “HOMEM”, NASCE A APRENDER... E MORRE SEM NADA SABER!


Aprendi este provérbio popular bem cedo, era ainda muito criança. E foi do seu conteúdo que tirei toda a orientação da minha forma de estar na vida.
Primeiro, escutava atentamente todas os conselhos de meus pais, tios, avós e alguns vizinhos. Catequese Paroquial, nunca tive. Foram a minha mãe e minha avó materna que me ensinaram tudo o que sabiam nesta matéria, e os responsáveis pela Igreja deram-lhes crédito total. A entrada na escola, aos sete anos, alargou bastante o leque de colheita de aprendizagens. Tudo o que via e ouvia fixava facilmente. Como tinha algum raciocínio e boa memória, era uma menina bem conceituada, e o único problema do docente era manter-me sem fazer “as macaquices” que uma criança mimada faz. Sim, digo mimada porque, nos três anos que frequentei a escola, fui sempre menina mimada. Depois, o trabalho foi muito, mas nunca me queixei dele. A única maneira de aprender mais alguma coisa era devorar livros. Depressa dei cabo de todos os que havia para a minha idade na pequena Biblioteca Paroquial, a única a que tinha acesso. Comecei a fazer leituras adiantadas na idade, tinha de me manter activa. O aparecimento de programas radiofónicos levaram-me ao gosto pela música, programas de aprendizagem, havia poucos. A televisão apareceu já era bem crescida, e este aparelho, agora tão vulgarizado, era pertença de poucos, pois era necessário recursos económicos que não existiam em muitas famílias. E, diga-se de verdade, tinha uma programação muito diferente da de agora.
Podem achar descabida esta minha observação, mas parece-me pertinente, pois deve ser a cópia de vida de muitas pessoas da “minha” e de “mais” idade, e que pode servir de apoio pedagógico aos mais jovens, no sentido de aprenderem a saber procurar o melhor no meio de tanta “confusão”.
Actualmente, entra-nos tudo pela porta dentro, naquele aparelhozinho mágico, mas que acaba por muito pouco dizer a muitos. A passos bem largos, houve uma alteração desmedida nos processos de informação, e não temos sequer a ideia de onde isto irá parar. E para tirar proveito do que nos aparece pela frente, além de termos que ter olhos para ver e ouvidos para escutar, é preciso muito mais: o discernimento exacto do que mais nos interessa, e a força de vontade de o extrair de tudo o que está ao nosso alcance. Seleccionar a procura no meio de tanta oferta não é tarefa fácil, mas é possível, urgente e necessária. Pode parecer bem melhor do que quando cresci, e é, de verdade, pois nessa altura os meios eram únicos. Agora, não! Cada um pode escolher coisas diferentes, segundo os seus gostos e opiniões. Daí, tanta divergência de atitudes e comportamentos.
É frequente ouvir-se dizer que tudo está muito mau. Será que é tão verdade assim? Será que as pessoas, na sua maior parte, são assim tão más?... ou será que só são postos em evidência nos ecrãs das nossas televisões tudo o que é mau?
É um caso para pensar muito a sério, agudizar o interesse em prestar toda a atenção a quanto nos rodeia e de algum modo possa valorizar a aprendizagem global da vida. Então esforcemo-nos por prestar atenção a reportagens, debates, discursos de toda a ordem, descrição de comportamentos, observação dos mais variados programas informativos mas que nos levantem os olhos “para o alto” e nos levem a ver o lado bom das coisas que existem.
Da análise profunda do comportamento de muita gente que conheço, acabei por concluir que há, realmente, muitas... muitas pessoas boas no mundo!... E há muita coisa boa, mesmo nas pessoas consideradas más. Porque não procuramos evidenciar o lado bom dos indivíduos?
Pela experiência profissional e vivencial que tenho, é a melhor forma de os ajudar a recompor-se.
Desculpem! Talvez tenha sido chata por querer partilhar convosco as minhas preocupações, mas penso que isto poderá ajudar um pouco a reflectir sobre as coisas de que a vida é feita, e a tentar escolher comportamentos adequados para extrair, de qualquer vida, o evidenciar das qualidades que lhe darão o maior valor, pois só assim os poderemos ajudar convenientemente.
Ao lerem as minhas palavras, poderão chamar-me louca. Podem ter razão e actuações mais convincentes. Quanto a mim, assumo a minha loucura, e procurarei ver claramente se, realmente, tenho ou não razão, pois estou aberta a uma aprendizagem permanente e convicta no dizer de alguém que afirma: “O que eu sei... é uma gota de água! O que eu não sei... é um Oceano!”
É que “o Homem, nasce a aprender... e morre sem nada saber”!

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

“ANO NOVO... VIDA NOVA!”


A época natalícia está em curso! Mas o Natal... para muitos... não passa da troca de muitos presentes e do saborear de muitas guloseimas. As luzes multicores que enfeitam as ruas das cidades, tentam cativar os olhares dos investidores à execução da compra, mas não chegam ao íntimo dos seus corações, que continuam, quase sempre, na mais densa escuridão. E o “Rei da Festa”, o Menino Jesus, não força a penetração nessa neblina espessa para encher da Sua Luz resplandecente esses ninhos desaconchegados onde o Verdadeiro Amor ainda não conseguiu entrar. Então... Os sinos tocam!... As Celebrações Litúrgicas sucedem-se... Nas Igrejas e Capelas o Terno Menino espera a visita de todos... E está ali, está aqui, está junto de todos e de cada um, batendo docemente à porta de cada coração, atento e inquieto... à espera que tudo se transforme, que tudo se modifique, que os “arco-íris” das ruas atravessem as artérias dos corações tornando-os coloridos de compreensão, amor, dedicação, carinho, atenção, ternura, doação total a tudo e a todos. E... não somente na época do Natal, mas no Natal da vida de todos os dias. Jesus espera que o romper da aurora, para cada homem, seja sempre uma nova etapa para abandonar os maus hábitos, aprender a praticar o bem, a pensar no mal que fez ou, mais ainda, no bem que deixou de fazer para, assim, o Natal ser permanente em cada um de nós, onde Jesus renascerá eternamente sempre que deixarmos actuar em nós a delícia do Seu Amor!...
Que neste ano que se inicia, cada homem entre nesta norma de vida, legado que a todos deixará a vivência deste Santo Ano Jubilar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

A BELEZA, O ESFORÇO E O BEM-ESTAR


O rodar constante do tempo onde a inconstância alternada de nuvens cinzentas ou céu azul e mantos de alvura ou espessa geada que a chuva ou o sol vão desfazendo aos pouquinhos, tem-me levado a um sem número de questões que sempre considero pertinentes e muito mais na época que decorre.
Antes de todo este deslumbrante panorama houve uma grande e lenta preparação da Natureza: algumas árvores despiram suas folhas; a Terra, nos seus rodares habituais, foi-se afastando do Sol e tornou mais curtos os dias solares e mais longas e frias as noites; por entre o desmesurado vaivém das nuvens a luz da Lua continua a chegar à Terra.
Entretanto, para comemorar a vinda de UM Alguém tido como verdadeira luz, os Homens vão espalhando um pouco por toda a parte luzes brilhantes e multicores.
Perante tudo isto, as plantas e animais afirmam as suas resistências tentando sobreviver às intempéries do tempo; os Homens, tentam afirmar-se esforçando-se por tirar das intempéries sociais o bem-estar de cada um. Entretanto, vão-se regalando com toda a beleza que os circunda, na espera de novas folhas, flores, passarinhos... praias e campo.
É maravilhoso observar como a Natureza, periodicamente, entra de forma tão cuidada em todas estas mudanças para conseguir manter o seu próprio equilíbrio e atingir o máximo de toda a sua beleza, e como contra todas as asperezas causadas pela intervenção humana, na pureza contínua dos seus actos, consegue manter intacta a obediência exacta ao fim para que foi criada!
Cada Ser Humano, em si mesmo, vale muito mais que toda a restante Natureza não humana!
O que é que nós, “Homens”, que somos a obra mais perfeita da Natureza, dotados de inteligência, vontade, sensibilidade, livres e responsáveis pelo desenrolar de todos os nossos actos, vamos fazendo das nossas vidas?!... Senhores dos nossos próprios destinos... que caminhos percorremos?!... Tal como a restante Natureza, renovamo-nos periodicamente, aproveitando os melhores momentos para entrarmos dentro de nós mesmos (lazer, noites, fins de semana, férias...) no sentido de descobrirmos a melhor forma de darmos a nós e ao resto do Mundo o nosso melhor?!... Conscientes de que não há dois seres humanos iguais e da suma importância de cada um em si mesmo porque único e irrepetível, temos a coragem de escutar as ideias dos que connosco convivem com tanto respeito como escutamos as nossas para, depois de uma análise exaustiva e isenta, escolhermos a melhor, sem preconceitos?!... Esforçamo-nos por saber que os direitos e deveres, iguais para todos, têm de ser ajustados pelas condições congénitas, afectivas e sócio económicas de cada um, no respeito pela sua individualidade real e necessidades específicas?!... A cada um caberá responder.
Nunca poderíamos planificar um passeio aos locais de neve ou de praias aconchegantes se a Natureza fugisse à sua missão e baralhasse os seus ciclos... assim como nunca poderemos ter um mundo mais justo e fraterno se cada um de nós não se esforçar ao máximo por dar o melhor de si, o amor, à sociedade em que vive.
Não tenhamos ilusões! A beleza, o esforço e o bem-estar... sempre andarão de mãos dadas!
Boas Festas e um Feliz Ano Novo!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

UTOPIAS… OU TALVEZ NÃO!


“O homem sonha, a obra nasce!”
Se a Humanidade sonhasse também a obra nasceria. O grande problema é que a Humanidade é composta por milhares de milhares de homens e mulheres que quase na totalidade sonham apenas com a satisfação dos seus desejos pessoais!… E vamos lá nós imaginá-los!
Riqueza, bom nome, beleza, vestuário exuberante, moradias palacianas, carros luxuosos e de alta cilindrada, correr mundo em apetecíveis cruzeiros ou cruzar os ares nos maiores e mais modernos aviões, ocupar lugares de destaque na vida social, lautos banquetes, poder, mordomias diversas, sexo, ser sempre o primeiro, adulação… sei lá mais o quê!!!...
No meio de todo este emaranhado de sonhos pessoais e individualistas a Natureza fica baralhada e o caos instalado no planeta.
Contudo, no meio de todos estes seres humanos perdidos na confusão desmesurada do egoísmo mais exacerbado na ânsia de encontrar toda a ilusória satisfação dos seus desejos encontramos um pequeno grupo de pessoas que, esquecidas de si, se esfalfam pelo bem-estar alheio. Por incrível que pareça, é um grupo de pessoas a quem muito cresce e nada falta. Não falta nada porque para si mesmos não desejam nada mais que o mínimo necessário para viver; cresce-lhes muito porque do muito ou pouco que têm repartem quanto podem pelos que possuem menos do que eles e por isso precisam mais… e quanto mais repartem parece que as provisões aumentam!
Não há sombras para dúvidas! A Natureza é pródiga em satisfazer os verdadeiros interesses humanos, mas não tem formas de suportar tantas e tão grandes faltas de bom senso comum.
Se cada pessoa tivesse a coragem de não desejar mais que o necessário para satisfazer as suas necessidades… e os que nada têm se convencessem que têm direito a uma vida digna… os que já nascem “podres” de ricos deixariam de querer amontoar mais riquezas e distribuiriam pelo menos alguns bens pelos pobres. O supérfluo de muitos daria para todos (os que têm uma existência mais sofrida que muitos animais) viverem realmente como seres humanos.
Mas… por onde ando eu???!!!... embarcada em tantas utopias? E será que são utopias? Sonhar com fraternidade só é utopia porque nós queremos que seja. Não foi para vivermos em fraternidade que fomos criados? Claro que foi!
Todos temos a nossa quota parte de culpa em todo o mal que existe no nosso planeta. É urgente que nos assumamos e não deitemos as culpas só aos outros. Se cada um de nós pensasse a sério no que é viver e praticar a solidariedade fraterna… quão diferente seria o mundo!
A época é propícia! Está a chegar o Natal! Bom trabalho!

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

AMOR E JUSTIÇA... SÃO INSEPARÁVEIS

Fala-se muito em Justiça, mas vive-se muito pouco aquilo de que se fala. Ao falar em Justiça temos presente a Lei. É um facto que, humanamente falando, a Justiça depende da Lei; no entanto, e novamente, “humanamente” falando, só poderia entender-se deste modo, se o homem fosse simplesmente humano, sem ter no seu íntimo algo que transcendesse essa humanidade. Ora, acontece que o homem, na plenitude do seu ser, criado à semelhança do seu “Criador”, a exemplo “d’Este” expresso na vida de Seu Filho, terá forçosamente de ter obras de Justiça baseadas na bondade e misericórdia, obras estas que de forma alguma podem depender somente da Lei, mas do Coração, que muitas vezes é obrigado a contrariar a própria Lei. Se “a Justiça sem Amor é uma utopia, o Amor sem Justiça é uma mentira!”
Assim sendo, como poderá o “Homem” viver com Justiça?
Como é óbvio, não poderá crescer, realizar-se de modo algum, à custa da miséria e do mal dos outros; por isso, terá de optar por um projecto de vida que, sem desrespeitar a lei dos homens, procure o bem de todos e não só o de alguns, mesmo que nesses “alguns” esteja inserido ele próprio.
Viver com Justiça é comprometer-se com melhorar as vivências de todos os injustiçados, sejam de que natureza forem.
As situações de injustiça que mais nos impressionam são: a fome, enquanto se estraga comida; a guerra, enquanto se fala tanto de paz, mas de paz exterior, que não sai do coração; a falta de emprego, enquanto há tanta gente com empregos duplos; os salários muito baixos, enquanto há salários altíssimos; a falta de apoio a doentes e idosos, com consultas e medicamentos muito caros e reformas sociais muito baixas, enquanto há reformas enormes onde quem delas usufrui pode estragar dinheiro à vontade; as críticas aos drogados e outros marginais, que na quase generalidade dos casos tiveram berços muito maus, não só por falta de dinheiro mas também de carinho, afecto, compreensão, aceitação dos seus defeitos ou qualidades... e em grande parte, são provindos mesmo de famílias abastadas e bem conceituadas...
Fazer Justiça é impedir todas as situações que não deixem o homem ser “Homem” realizado e feliz.
Porque foram proclamados e aceites os DIREITOS DO HOMEM, com leis que não podem ser violadas e o são a toda a hora, muitas vezes, mesmo inconscientemente?
Denunciar desigualdades sociais e materiais que levam à escravidão, o máximo da injustiça, que além de retirar aos outros os bens, também os priva de liberdade e dignidade, é ser justo e lutar contra a injustiça no mundo.
Ao lutar pela Justiça Social devemos considerar que os bens materiais ou espirituais devem ser dados a quem deles necessitar para que todos possam sobreviver dignamente. E mais ainda: tudo o que cada homem possui, na realidade, não é pertença sua. Ninguém tem culpa de nascer onde nasceu, portanto, deve ter presente que tudo recebeu de Deus; e, assim sendo, tal como Jesus se entregou para defender toda a comunidade das mais diversas formas, deve entregar os dons de que foi dotado também a favor da comunidade, tomando um compromisso capaz na construção da felicidade de todos.
Para chegar à vivência da justiça, cada homem deve “amar os outros como a si próprio”, procurando incansavelmente o que é melhor para o bem comum, pensando nos que não têm dinheiro e bens materiais, ou nos que, de qualquer outro modo, sofrem às mãos dos outros homens.
O homem é um ser social, terá de procurar a Justiça e elevar-se, dando-se aos outros; ou, então, não terá Amor e para nada lhe servirá a vida. “Amor e Justiça... são inseparáveis”.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

"AMOR... É LIBERDADE "

Na luta constante da vida, sem tempo para parar, nem sequer nos apercebemos da grande importância dessa mesma vida, para nós mesmos, e para o nosso semelhante. É por isso que chateamos tanto os outros e nos auto-destruímos constantemente com arrelias e nervosismos inconcebíveis a quem dá à vida o seu verdadeiro valor.
Para chegar a esta conclusão, como qualquer ser humano normal "do meu tempo", tive que percorrer um longo caminho e de me debruçar seriamente sobre o tempo passado e o tempo presente; este, que se pode considerar uma fase de transição, pois nota-se que a sociedade está a operar uma mudança de comportamento constante. Espero bem que a escola da vida, com a grande sabedoria que nos traz, sacuda duma forma especial o coração de cada um para que tudo possa ficar diferente com a maior rapidez. Então acontecerá que, o que dantes nos era muito difícil, fará parte de nós mesmos, e será tão natural como dormir e acordar. Esta linguagem pode ser descabida, mas com uma breve exemplificação, veremos que não é.
Na época em que fui criada, pregavam-se muitos valores humanos, mas, pelo que a vida me ensinou... havia muito poucos. Os ricaços, normalmente, possuíam muitas terras que, salvo raras e boas excepções, eram cultivadas por pobres mal pagos para quem a luta pela sobrevivência era deveras penosa. O rico e o pobre, na generalidade, não se consideravam "irmãos", mas um tinha supremacia sobre o outro: nuns criavam-se hábitos de mandar e ser arrogante para conseguir dominar os trabalhadores e ser respeitado; noutros, a obediência e submissão sem limites eram necessárias para angariar os meios de subsistência, eram mesmo a única forma de salvação pessoal e da família. E os que não tinham idade ou saúde para trabalhar, a viver da caridade alheia, sem instituição alguma nem nada que os protegesse... não é dificil imaginar o quanto sofrimento e dor. Socialmente, valia quem tinha... terras ou dinheiro. Os restantes, podiam ser "grandes cabeças" e "grandes homens", mas a falta de berço não os deixava chegar a lado nenhum, pois era difícil alguém reconhecer-lhe o valor. É de recordar que o regime de ditadura em que se vivia favorecia toda esta estratégia de vida.
A palavra liberdade estava banida do vocabulário e, mais ainda, da maneira de viver. Os "senhores", na sua maioria, eram escravos dos seus comportamentos desumanos; os trabalhadores, obedecendo por necessidade e quase sempre com muita revolta contra a sua precária situação, que poderiam pensar?!... Que triste forma de vida!... Onde estaria a liberdade deste povo?!...
Actualmente, não se pode dizer que tudo mudou, mas que tudo vai mudando, devagarinho. Continua a haver diferenças sociais, sempre as houve e sempre as haverá... mas, pelo menos, tenta-se que a verdadeira educação assente na compreensão e aceitação mútua de cada qual como é, com os seus defeitos e qualidades, com a sua abundância ou necessidade... e, muito embora precariamente, vão-se dando oportunidades de serem reconhecidos os dotes morais e intelectuais de cada um, venham de que estrato social vierem, promovendo entre todos um "amor sincero e duradoiro", base de toda a "Liberdade" humana.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sábado, 15 de Novembro de 2008

ESTÁ MAU... NÃO! ESTÁ BOM!

As intempéries da vida actual levam-nos a dizer com a maior naturalidade: “Está mau”!... Sem sombra de dúvida que o que não faltam por aí são asneiras: algumas pessoas podres de ricas... e muitos milhões delas a morrer à fome; umas quantas já bem abastadas atarefadas em engendrar formas de enriquecer mais a qualquer custo... e muitos milhares desgastadas na procura de meios de sobrevivência condigna; umas sem vontade de trabalhar... outras sem ter o que fazer; meia dúzia empoleiradas nos seus gabinetes entretidas no fabrico de leis na maior parte das vezes alheias ao que verdadeiramente se passa no exterior... muitas outras a criticá-las... e quase toda a gente a cumpri-las porque não lhes é dada outra alternativa; os nossos filhos e amigos desterrados por esse mundo fora... e montes de desterrados que se metem por Portugal dentro muitos deles para andarem por aí desempregados e feitos pedintes; vândalos à solta... cidadãos e polícias amedrontados... tribunais a abarrotar; pessoas aposentadas e com um outro emprego... e aumento de desempregadas; as sortudas que conseguiram chegar a cargos de relevo a ganhar milhares de euros... ao lado de salários mínimos miseráveis e certas reformas que mais parecem esmolas!...
Ena!!!... E que estou eu para aqui a dizer?
Mas, a bem da verdade... se fossemos a enumerar tudo quanto nos aflige... cansaríamos as letras, não teríamos palavras, e gastaríamos todas as reservas de tinta! Basta olhar para o que se passa nas Escolas... na Segurança Social... na Saúde!...
Bem! Se olharmos o mundo pela negativa vamos constatar que está tudo numa verdadeira calamidade.
Mas... é melhor não ir por aí... negativismo, não! É melhor não entrar no jogo feio de quase toda a Comunicação Social que faz um alarido enorme à volta de um qualquer acontecimento menos bom... mas fala de raspão ou simplesmente ignora muitas das coisas boas que existem: inumeráveis Movimentos e Associações de Solidariedade Social com iniciativas mais que louváveis; pessoas que passam a maior parte da vida preocupadas em proteger todo o tipo de pobreza; encontros de formação e bem-fazer; festas feitas com muito amor para acariciar desprotegidos... sei lá quantas coisas mais!...
Ui!... Que horror! Afinal, ao recordar o mal eu vejo um montão de coisas erradas... mas quando tento descobrir coisas boas tenho dificuldade em encontrá-las!...
Há dias um amigo aconselhou-me a recordar e escrever todos os dias cinco coisas agradáveis. A princípio foi difícil, agora... já encontro mais de cinco coisas agradáveis por dia!... É que os pensamentos positivos procuram ver o lado bom dos acontecimentos e levam-nos a encontrar situações positivas em nós e nos outros, e, consequentemente, a dizer que “está tudo bom”!...
Preocupar-nos em sermos positivistas será um bom começo para ajudarmos a melhorar o nosso mundo... pois se o “homem sonha, a obra nasce”! Então, mãos à obra!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

domingo, 9 de Novembro de 2008

TESOUROS NA NOSSA EXISTÊNCIA

"Um bom amigo é um tesouro!" Já tivemos oportunidade de aprofundar esta realidade e de ver como temos necessidade de, pelo menos, tentarmos possuir as qualidades de bons amigos, para a harmonia e felicidade de todos. Hoje vou tentar desvendar um pouco do que penso acerca dos tesouros que deve possuir a vida de cada um.
Dotada de corpo e espírito, cada pessoa humana é como que um duplo ser: um, o que se vê claramente e que constitui o seu retrato físico; outro, é o que cada um sente mas que está escondido aos olhos de quem observa, é o que se chama de retrato moral. Então, enquanto uns dão todo o valor ao seu aspecto físico, exterior, tratando-o com todas as implicações que isso acarreta, outros, ao contrário, valorizam mais o cultivo das qualidades interiores que só o sentimento de um coração atento pode desvendar e sentir. Assim sendo, cada um de nós, conforme seus gostos pessoais e as qualidades de que foi dotado pode enriquecer a sua existência com tesouros muito diferentes: uns, temporais, que o tempo desgasta e corrói; outros, morais, que o decorrer da vida torna cada vez mais eficientes e perduram para além da morte. Nos primeiros, podemos incluir a satisfação pessoal através dos bens terrenos que geram a opulência que, normalmente, trata muito bem do aspecto exterior, mas quase sempre leva ao desespero e à insatisfação; nos segundos, incluiremos os que valorizam mais as suas boas acções que, embora muitas vezes sejam ignorados e incompreendidos, fazem gozar de alegria perfeita porque esses valores da vida nada nem ninguém pode roubar, e, quando cultivados a preceito, tendem a ser cada vez maiores.
Agora, pergunto: Onde me situo eu? Onde se situa cada um... nesta vida dupla que, quer queiramos quer não, faz parte de todos nós?... Quais serão os tesouros que valorizamos nesta nossa curta existência sobre a terra? Os tesouros na vida de cada um, existem, embora possam ser tomados em conta de forma igual ou oposta, uma vez que todos os seres são diferentes uns dos outros.
Falando mais uma vez da verdadeira amizade nesta época tão propícia ao seu desabrochar, perante o atrás descrito, não podemos ter ilusões!... A verdadeira amizade, pode ter algum suporte nas nossas riquezas temporais, é um facto, necessitamos de bens para viver, ninguém pode viver sem eles. Mas, se o repartir dessas riquezas não partir da riqueza do coração, o verdadeiro amor que levará à união e paz do mundo nunca chegará a existir.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

COMBATE AO STRESS – “90 – 10”

Hoje, levantei à hora habitual... fiz os meus trabalhos habituais... e vim junto do computador para abrir o correio electrónico, o que, neste horário, não é habitual. Mas, nada acontece por acaso!... Há dois dias um amigo enviou-me uma mensagem com um anexo intitulado “90-10”, que me despertou a curiosidade, e como o tempo estava escasso, deixei-o para ocasião mais oportuna. Abri-o agora mesmo, e acho que o devo partilhar. É uma chamada de atenção para o auto-controle como forma de combate ao stress.
A necessidade urgente de treinar cada vez mais o auto-controle para evitar mal-entendidos, mágoas desnecessárias e confusões, já não é novidade para ninguém. Mas eu desconhecia... imaginem... que às coisas inevitáveis que nos acontecem normalmente, ou seja, a um café que um filho ou alguém entorna e nos obriga a ir a correr trocar de roupa na hora de sair ou a ficar sujo na rua, um semáforo que não sai do vermelho, uma fila de trânsito que não desenvolve, uma operação stop que nos obriga a parar, um pneu que fura, uma manobra perigosa que nos prega um susto, uma palavra gesto ou expressão inadequadas que se nos deparam a cada instante... enfim... a toda essa enormidade de situações que normalmente pensamos serem a causa de todos os nossos distúrbios do sistema nervoso... a elas todas juntas... todinhas mesmo... dão apenas somente o valor de “10 numa escala de 1 a 100”!... Assim sendo... ficam os restantes “90 por cento a serem culpa exclusiva da nossa falta de controle”!...
Contra factos, não há argumentos!...
Perante estas percentagens... onde ficam os nossos “egos”... sempre cheios de razões e prontos a despejar todas as culpas dos nossos nervosismos nos outros???...
Sim... nos outros... porque o dizermos aos outros e a nós mesmos que somos nós próprios os quase únicos culpados, não tem piadinha nenhuma... não tem!...
Pensei... e voltei a pensar... de olhos postos na explanação da mensagem recebida! Lembrei todas as minhas formas de actuar... que afinal são as únicas que eu posso reconhecer e ajuizar uma vez que não me é dado penetrar no interior das pessoas que me rodeiam e que são livres e responsáveis pelas suas próprias acções! Lembrei que já não recordo a data em que comecei a tentar a sério fazer um auto-controle das minhas indignações... e recordei ainda as diferenças de relacionamento que essa decisão que tomei implicou nas pessoas que comigo convivem... que me perecem cada vez mais tolerantes, mas na medida em que eu o for com elas... e concluí para mim aceitar as percentagens que, realmente, não devem estar muito erradas!...
Há coisas que acontecem porque acontecem... e muito embora haja sempre uma razão ou culpa para tudo quanto acontece... ao descarregarmos a culpa no presumível culpado ou culpada a única reacção que obteremos dele ou dela será sempre uma revolta desmedida... pois a asneira é sempre feita sem querer, por desconhecer a gravidade da situação ou uma outra coisa qualquer... (não há dúvida de que todos somos peritos em arranjar as mais variadas e convincentes desculpas).
Assim sendo, em vez de recriminarmos... talvez seja muito mais vantajoso para todos solicitarmos calmamente um maior cuidado... pois certamente obteremos resultados bem mais surpreendentes... e sem stress para ninguém!...
Mãos à obra... pelo nosso “90-10”... mas sem nunca desanimar dos avanços e recuos... pois é com eles que nos mantemos em constante aprendizagem nesta maravilhosa escola da vida onde a escalada é difícil! Que haja muito sucesso para todos nós!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

UM BOM AMIGO É UM TESOURO

"Um bom amigo é um tesouro!" Esta afirmação de alguém, é uma das mais belas frases que devemos ter presente para encontrar uma boa norma de vida. Uma amizade profunda e verdadeira é imprescindível para que cada ser tenha uma vida plenamente feliz e, consequentemente, plenamente realizada.
E, se "um bom amigo é um tesouro", quem não quererá ser, realmente, esse tesouro?!... Com certeza que todos nós.
Quando se fala de "tesouro" fala-se de um símbolo de riqueza; todavia, temos de lembrar que há diferentes maneiras de viver na riqueza.
A riqueza exterior pode ser muito grande, mas é exterior. Pertence a quem a tem e por vezes extravasa; mas, além de poder estar muito distante da felicidade, acaba com o tempo... e muitas vezes mais depressa do que o que se pensa!... A riqueza da amizade, não! Essa é muito especial, perdura para todo o sempre, eleva-nos até às alturas!... Se o bom amigo é o que está presente nas horas boas e más, o que aplaude quando se faz algo bem feito, o que censura humanamente quando se erra, o que ajuda a evitar esse erro, que quereremos de melhor na vida do que ter um amigo assim?!... No entanto... que direito temos a exigir amigos com todas estas qualidades, coerentes e verdadeiros, se não sabemos ou não queremos ser amigos assim?!... É caso para se pensar séria e friamente antes de tomar qualquer decisão, face aos que consideramos "maus amigos" encontrados na vida. Em vez de nos queixarmos de que temos "maus amigos", não seria mais lógico questionarmo-nos de "que tipo de amigos somos nós?" É muito fácil vermos os defeitos dos outros quando eles nos tocam, fraca ou fortemente; mas é difícil ver, admitir e corrigir os nossos próprios defeitos. Então, falamos em ter "maus amigos" ou "bons amigos", mas não falamos de nós.
Vamos pensar um pouco nestas realidades... e olhar, bem no fundo, dentro de nós próprios.
A época é propícia à reflexão! Saibamos aproveitá-la e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para termos, de facto, os atributos que desejamos encontrar nas pessoas que nos rodeiam, sejam elas mais ou menos amigas, não importa। "Nunca faças aos outros o que não queres que os outros te façam!" Esta frase tão conhecida, é uma afirmação muito correcta, maravilhosa, que implica muita compreensão, muito amor, muito carinho, muita dedicação. Vamos tentar pô-la em prática, ainda que seja em coisas pequeninas. E não esqueçamos que é na perfeição das mais pequenas acções que se pode observar a grandeza de cada ser humano. Aproveitando capazmente a aprendizagem constante da escola da vida, esforcemo-nos sempre por sermos cada vez melhores, para que toda a Humanidade o seja também.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

AMIGOS... SEMPRE, E CADA VEZ MAIS!

Penso ser pertinente continuar a falar deste tema inesgotável. Nesta época, mais do que nunca, a palavra "amigos" deve estar presente no nosso quotidiano, em toda a nossa vida e, mais do que tudo, bem no fundo do nosso coração.
Acabaram-se as folias das Férias. Entramos em mais uma caminhada para a verdadeira vida de trabalho e canseiras. É um ano muito especial, Ano Santo de graças e bênção, pois faz 2000 anos que S. Paulo nasceu, facto importantíssimo que este "Ano Jubilar" que se vive nos vai recordando dia após dia.
Se na nossa condição "Humana e Cristã" devemos ter presente, ininterruptamente, "O Grande Amigo" que S. Paulo pregou e vem pregando... agora, mais do que nunca!... Ele é um Amigo, que nunca falha!... Mesmo quando nos dá a sensação de ausência nos momentos difíceis, na hora exacta, quem estiver atento, sente profundamente a carícia da sua bondosa e afável ajuda. E porque não, seguindo o Seu exemplo, continuarmos a aprender a sermos amigos de verdade?
A escola da vida ensina-nos que o tempo passa veloz. E só o hoje, o agora, nos pertence!... Para qualquer coisa, como já referi anteriormente, "amanhã poderá ser tarde"! É caso para pensarmos em lançar mão, de imediato, às ocasiões que se nos apresentem e experimentar a alegria de uma mudança radical de vida, se tal for necessário.
Para quê tantas incompreensões, tantas chatices, tantos ódios... tantas divergências? Não podemos continuar a sentir mágoa para com quem não pensa como nós! Teremos, sim, de averiguar a razão das diferenças, tentar colocar-nos no lado oposto para analisar e interiorizar a situação friamente, e assim podermos ver qual será o lado certo... e se será, de facto, o nosso lado. A falta de conhecimento de causa e de humildade para aceitarmos as opiniões recebidas, leva-nos a que fiquemos sentidos e criemos um mau ambiente familiar, de trabalho, ou mesmo de âmbito mais social.
A vida é, toda ela, feita de pequenos nadas; e são todos esses pequenos nadas, bem aproveitados, que dão grande valor à vida. Saibamos viver plenamente os bons ou maus momentos, e tirar deles as ilações necessárias para nos tornamos cada vez melhores, mais dignos, mais humanos e, consequentemente, mais amigos!...

Hermínia Nadais
Extraído de uma crónica publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

AMANHÃ PODERÁ SER TARDE!

Voltando ao assunto do tema anterior em que falávamos de "amigos", foi com esta frase que o terminamos.
"Amanhã poderá ser tarde"! Sim, poderá ser tarde para muita coisa. Há um ditado popular que diz: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". A Escola da vida diz-nos isto mesmo. Tantas vezes fazemos planos maravilhosos, e acabamos por não ter tempo para eles... É porque em alguns casos deixámo-nos levar pelo ditado oposto: "O que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se ao outro dia"!... Mas, este, nem sempre resulta.
Em matéria de amigos, de amizades, não há mesmo tempo a perder.
Todos nós, sem excepção, temos muito para fazer. Uns mais que outros, entenda-se, e pelas razões mais variadas.
Como seres sociais que somos, é um absurdo pensarmos algum dia viver isolados. Necessitamos de alguém que nos rodeie. Precisamos de sentir por perto alguma compreensão, algum carinho, algum calor humano... Eu digo "algum", para não dizer "muito", pois quanto mais rodeados estivermos destes bens essenciais a qualquer ser vivo, melhor. "Qualquer ser vivo..." sim, porque até os animais, pelos comportamentos apresentados por grande parte deles, gostam, sentem necessidade de outros animais para lhes fazer companhia. E mesmo as plantas... conheço muitas sementes que não nascem nem produzem fruto algum se estiverem sós. Se começasse a dar exemplos, era um nunca mais acabar.
Assim sendo, como é possível ouvir-se dizer: "Sozinho, ou sozinha... é que estou bem"!... É uma verdade, que temos necessidade de estar sós inúmeras vezes, mas um pouco, um pouco só... para pormos os pensamentos em ordem, para pensarmos no que deveremos fazer na própria vida, para nos concentrarmos melhor em algo que queiramos fazer. Mas, por incrível que pareça, mesmo nos momentos em que estamos sós, por nosso gosto e prazer, estamos sós só corporalmente. Reflectindo um pouco sobre esses pouquinhos de vida, verificamos que, mesmo neles, temos presentes os exemplos, os gestos, a voz, as palavras das pessoas queridas. Elas servem-nos de alento e são, muitas vezes, a base das nossas reflexões e da nossa mudança de vida.
Ao falar de "pessoas queridas" dá a impressão que estou a excluir aquelas que não vão muito com as nossas ideias e até nos magoam e contrariam, mas não. As pessoas são sempre queridas, podem crer. Ao pararmos para pensar, todas as atitudes que nos rodeiam servem para tema de reflexão. É natural e humano que se sinta um prazer muito maior ao lembrar aqueles que nos são muito queridos, que comungam das nossas ideias e nos servem sempre de alento e conforto. Mas, as pessoas que nos contrariam, temos de reconhecer que nem sempre estão erradas! Temos de tentar compreender as suas razões e não ver só mal no seu comportamento. Lembremo-nos de que o nosso amigo nem sempre é o que está só do nosso lado, mas sim aquele que nos leva a ver as coisas como são, mesmo que isso custe a aceitar. E se for o caso da pessoa que nos magoa ser mesmo maldosa, porque não tentar recuperá-la, desculpá-la, e arranjar maneiras de lhe mostrar que não tem razão?... Se somos seres sociais, porque não tentamos dialogar, aceitar, respeitar, mostrar as nossas convicções e arranjar formas de inverter as opiniões dos outros quando estamos certos do seu erro?
Se assim fizéssemos, como tudo seria diferente!...
Falar de amizade... de amigos, é bom, mas é tema difícil de esgotar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

sábado, 11 de Outubro de 2008

SEJAMOS FELIZES!...

Quando somos jovens deixamo-nos embarcar no querer do coração e depois o remédio é ir encontrando no dia a dia as melhores formas de convivência.
Meu cara metade satisfaz-se a correr mundo... eu prefiro a pacatez da vida quotidiana junto da família e amigos. Não há remédio senão contornar a situação: ele fica e ficamos os dois... eu vou e vamos os dois... ou ele vai sozinho passear e eu fico em casa.
Assim, tem feito algumas viagens turísticas combinadas entre nós... e outras que inventa sozinho com os amigos e depois me dá a saber, a última das quais três semanas a Moçambique e África do Sul com um amigo.
Perante esta... não consegui conter-me e mostrei o meu desagrado.
Como era de prever... disse que não queria deixar o amigo sozinho, razão porque não desistia da viagem. No entanto, para mim, o renunciar à viagem estava fora de hipótese. Se quer ir, vai... e o melhor é fazermos poucos telefonemas porque temos tempo de falar depois.
Não há dúvida que a única forma de se conseguir alguma felicidade é procurar ser feliz sozinha... e foi assim que eu fiquei feliz sozinha porque para mim ele também ia feliz sozinho.
Os dias foram rodando com uma mensagem de vez em quando. Entretanto... estará bem... não estará... fazia isto... dizia aquilo... tenho que ir aqui... ali... acolá...
Nesta amálgama de pensamentos saem uns poemas que lhe são dedicados.
Ele chegou! Eu estava à espera!
A princípio olhamo-nos sem dizer palavra! E o inesperado aconteceu.
Afinal, na ausência, descobrimos mais pormenorizadamente as qualidades um do outro, e de tal modo que a partilha não se fez esperar.
Nunca pensei, nesta altura da minha vida, dizer o que disse nem ouvir o que ouvi!!!... Parecíamos dois jovens! E concluímos os dois que todos os casais deviam ter um tempo, assim, longe um do outro, para terem possibilidade de se encontrarem, depois, muito mais realmente!...
Não tenhamos ilusões! Quando estamos bem próximos, normalmente, temos aptidão para ver mais os defeitos; mas na ausência as qualidades ressaltam mais vivas ao nosso pensamento e nós conseguimos ver o que doutra forma nunca enxergaríamos.
Quantas críticas ele já recebeu por andar sozinho... e quantos e quantas me recriminaram por não o acompanhar. Não critico ninguém, pois cada um tem a sua razão.
Quero que estas minhas letras soem bem pertinho dos vossos ouvidos de modo que ninguém mais oiça... assim como um... segredinho mágico!
O verdadeiro amor não pode prender ninguém... pois nunca ninguém é feliz à custa dos sacrifícios de outra pessoa. Quando dizemos que amamos alguém... só amamos a sério se procuramos com todas as nossas forças dar à pessoa amada toda a felicidade possível, nos pequenos ou grandes gestos da vida.
Sejamos felizes... hoje... amanhã pode ser tarde!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

SERÁ QUE TEMOS AMIGOS?!...

Quando chegará a hora em que as pessoas, ao contrário de se magoarem umas às outras, começarão a ser, de todo, compreensivas e tolerantes?!...
Não sei, e penso que nunca poderei saber. Melhor: Será que algum dia isso irá acontecer? Temo bem que não.
Neste mundo de incertezas, o relacionamento inter-pessoal é cada vez mais complexo. O desenvolvimento económico não foi acompanhado pelo desenvolvimento socio-cultural e há muita falta de verdade na vida que levamos.
Por mais que se fale em que cada um deve ser quem é, e como é, em grande parte dos casos, a realidade é bem outra. Cada um procura mostrar uma boa imagem exterior de si mesmo. E, o seu cunho pessoal... ninguém o sabe. E só no decorrer de uma longa amizade poderá ser descoberto, se o chegar a ser.
E o que será possuir uma boa amizade? Será ter uma pessoa que louva e está ao nosso lado em tudo o que fazemos? Claro que não! Mas também não é uma pessoa que nos contraria constantemente, a toda a hora. É sim, aquele ou aquela que se esforça por conhecer-nos tal qual somos, que nos aceita e entende, que sabe a opinião a emitir em qualquer dos nossos actos e tem coragem de nos dizer o que pensa a nosso respeito.
"Um bom amigo é um tesouro!" - disse alguém!... Afirmação mais correcta, não conheço.
Mas... como quereremos ter amigos se talvez, quem sabe, não o saberemos ser?
Neste tempo que deverá ser de mudança para melhores atitudes a todos os níveis, questionemo-nos: - Será que temos amigos? Será que somos amigos?
Se os não temos e se os não somos, algo está errado। Há que remediar... aprendamos, enquanto é tempo. Não esqueçamos que "amanhã" poderá ser tarde.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

ETERNAMENTE INSEPARÁVEIS

"Se a sociedade vive em constante mutação, é lógico que a escola, parte integrante da mesma, não possa permanecer sempre igual. Ela tem que evoluir, tem que acompanhar o progresso". Estas são afirmações constantes e realistas que se escutam no dia a dia, principalmente entre as pessoas mais cultas.
Agora, vejamos: A que se deve tanta evolução social? A que se deve o progresso? Donde saem tantos cientistas que, com as suas descobertas, nos tornam a vida cada vez mais cómoda e interessante?
Cada dia que passa se torna mais evidente que "cada um de nós" é um "eterno estudante" e um "eterno professor". Ser "professor" de profissão, não tem nada a ver com este ser "eterno professor"; ser "estudante" que estuda, não tem nada a ver com este ser "eterno estudante". É que o desenvolvimento integral de cada ser depende da sua aprendizagem durante a vida escolar fundida com a aprendizagem pessoal realizada através de toda a sua existência.
Nada melhor para realçar esta realidade como lembrar aqui o velho ditado popular: "O homem nasce a aprender e morre sem saber". Esta é a mais pura verdade.
A referida citação diz: "nasce a aprender"; eu, com tudo o que a vida me ensinou, diria: "aparece a aprender". E isto, porque, interligando a luz da ciência com a nossa experiência, verificamos que o bebé, quando nasce, já traz conhecimentos consigo.
Não vou repetir o que disse anteriormente. Quero fazer, sim, a distinção entre as duas formas de ser professor e as duas formas de ser aluno que, ao fim e ao cabo, estão directamente relacionadas.
Vejamos: O professor profissional, conforme o grau de ensino onde exerce funções ou a especialidade da sua formatura e grau académico, ajuda os cidadãos na concretização das suas aprendizagens específicas, cada um dentro do ramo de ensino onde se prepara para a vida; o estudante é o que, ali, aprende.
O eterno professor é todo aquele que, ao longo da vida, e de qualquer jeito, ajuda a aprender. Por incrível que pareça, um bêbado a cair na rua, leva-nos a aprender que não devemos abusar das bebidas alcoólicas; um amigo que nos falou mal humorado, leva-nos a aprender a ser carinhosos com todos; um bebé que tem uma determinada reacção menos boa, leva a aprender a evitar que tal aconteça; e por aí adiante, era um nunca mais acabar...
O eterno aluno é o que, antes e depois dos bancos da Escola, aproveita todas as ocasiões para interiorizar cada vez mais e melhores aprendizagens.
Neste campo integram-se todas as pessoas possíveis: o bebé que inicia a vida; o lavrador que desenvolve as técnicas agrícolas; o professor que aperfeiçoa os processos de ensino/aprendizagem; qualquer cientista, que vai até aos pormenores de qualquer estudo e experiência que deseje fazer; e, mais... não será necessário mencionar.
Posto isto, que resposta poderemos dar às questões iniciais?
A evolução e o progresso da ciência devem-se, na realidade à Escola. É nela que se faz uma aprendizagem sistemática e orientada, desde a entrada para a pré; faz-se a iniciação e aprendizagem das técnicas de leitura, escrita e cálculo; iniciam-se os estudos mais especializados para a vida, conforme os gostos, apetências e possibilidades de cada um. Mas, esses estudos têm que continuar em constante actualização depois de conseguidos os cursos, é um facto evidente.
Assim o homem é "eterno estudante" e "eterno professor", na medida em que fornece e aproveita, constantemente, as situações de ensino/aprendizagem que são proporcionadas pela vida da escola e pela escola da vida, eternamente inseparáveis।

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Multidões... MULTIDÕES!...

Não sei porquê... mas sinto vontade de partilhar!...
Como já se vem tornando habitual saímos com a auto-caravana para a “Romaria Centenária” do final das Festas da Torreira, à meia-noite do dia seis para sete de Setembro.
Noite do fogo de artifício no mar, era suposto que o trânsito estivesse compacto na saída, mas muito pelo contrário, chegamos por entre uma amálgama de carros e peões cerca das três da madrugada, com duas lindas horas passadas desde a chegada à ponte da Varela até ao estacionamento desfrutando o maravilhoso panorama daquela sociedade agitada onde as noites foram os dias para milhares de jovens que se espalhavam por ali e se apinhavam ao longo da praia entre o palmilhar nocturno das areias bem junto às ondas e as petiscadas nos bares bem despertos da zona, ao som das suas músicas favoritas atroando os ares a distâncias consideráveis até cerca das nove da manhã, hora em que tudo para eles adormecia.
Nada de desacatos... nada de confusões. Animação perfeita.
A “feira”, nas ruas principais, bem agradável à vista e à bolsa.
A noite seguinte trouxe o fogo de artifício na ria, espectáculo ímpar observado por centenas de milhar de pessoas de todas as idades, credos, cores e condições.
No final, tranquilamente, os veículos esperavam o brando movimento da multidão compacta desde bebés dormindo placidamente nos carrinhos aos mais idosos agarrados à pouca força da vida. Com o maior respeito mútuo que se possa imaginar, como corrente de água tranquila deslizando em terreno plano, encaminhavam-se para aplaudir a artista que os esperava e com quem foi estabelecida uma calorosa intercomunicação. A igreja, meigamente aberta, convidou alguns a entrar.
Espectáculo lindo de se ver... e melhor de se sentir!
No termo das festas foi chegada a hora de agraciar os patronos da localidade: a Natividade de Nossa Senhora ali invocada como Senhora do Bom Sucesso, e o jovem Mártir S. Paio. Foi junto à sua minúscula capela que D. António, Bispo de Aveiro, ladeado por nove Presbíteros e um Diácono, todos da região limítrofe da Torreira e conterrâneos do Pároco daquela comunidade, Padre Abílio Araújo, presidiu à Eucaristia. O Padre Abílio foi incansável na vigilância apertada de todos os momentos e intervenientes na celebração, deslocando-se rapidamente em todas as direcções tal como criança atenta e curiosa repleta de sorrisos amáveis e gestos encantadores.
Antes do início da procissão orientou as pessoas no cumprimento de promessas a se colocarem entre os onze andores que os restantes fiéis deviam ladear, pois atrás da música não deveria ir ninguém.
Um facto curioso é que duas senhoras de tronco bem descapado alternavam entre si a posse de um bebé vestido de anjo... que o Padre Abílio olhou inúmeras vezes... mas carinhosa e meigamente!...
D. António agradeceu o maravilhoso trabalho do Pároco e de todos os que com ele colaboravam; acarinhou o clero presente, as autoridades, o povo residente e os visitantes, lembrou os emigrantes, os falecidos, as comunidades vizinhas; chamou todos os padres presentes pelos seus nomes próprios; enumerou factos concretos da vida social da forma mais simples e elucidativa, sem restrições a nada nem a ninguém.
Na participação na Eucaristia aglomerou-se uma numerosa multidão... e uma multidão ainda maior fez cordão nas bermas das ruas na direcção da igreja.
Durante o trajecto da procissão, os comentários que inevitavelmente ouvi são de um povo que vagueia sedento de algo que não sabe como encontrar. Talvez... quando houver mais coerência nos que se dizem católicos e todos os nossos Bispos e Padres tiverem a linguagem e comportamento do D. António e do Padre Abílio, as pequenas “multidões” se possam tornar em grandes “MULTIDÕES”!...
Não podemos iludir-nos! As palavras só convencerão... quando provindas do coração da vida!...

Prof. Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

O PROFESSOR... SUPORTE DA ESCOLA

Uma escola de vida, de forma alguma pode prescindir da vida da escola, e vice-versa. Esta verdade já foi analisada o bastante para estar de todo compreendida e aceite. Mas, imaginar, investigar, perguntar o que será a vida da escola, é uma prática cada vez mais corrente. Por incrível que pareça, nestes casos, as respostas obtidas são omissas na quase totalidade das situações. E acontece assim porque os conceitos e as realidades da palavra "escola" confundem-se de tal forma que barram as respostas às mais múltiplas questões.
Vulgarmente chamamos "escola" a um edifício onde circulam todos os intervenientes num determinado processo educativo, ou seja, onde circula uma comunidade escolar. Pode ter boas ou más condições, albergar crianças, jovens ou adultos, facilitar ou dificultar a vida de quem ali trabalha, mas só. Porque, o edifício não é "escola"!... É, sim, um espaço escolar. A escola necessita desse espaço para ser implantada... mas não é esse espaço, é a vida que ali jorra com abundância, que ali respira com toda a força de seus pulmões. É uma vida muito activa e muito fugaz. Dentro dos espaços escolares vive-se com uma intensidade tão forte que nem dá para compreender.
Comecemos por interiorizar um pouco desta vida reflectindo nalguns modelos de professores, "suportes da escola", cujos comportamentos podem bem fazer parte do conhecimento imediato de muitos leitores.
Os professores, se o são por vocação e não pela troca de conhecimentos por dinheiro, são uns eternos estudantes, ávidos de aprender. Podem apresentar claramente expressões físicas do cansaço causado pelo rodar dos anos, mas continuam jovens de espírito, à procura de novas descobertas, de novos saberes, e prontos a partilhar tudo com todos, principalmente com os seus alunos com os quais se misturam e confundem com a mais relativa facilidade.
E confundem-se, porquê?
Porque o professor não ensina, o professor tem uma formação específica que o leva a descobrir formas cada vez mais práticas para ajudar a aprender. O professor que se preza, vive, no dia a dia da sua profissão, o seu tempo de estudante. Ele valoriza o trabalho e o esforço do aluno, porque vai sendo, indefinidamente, um aluno... entre alunos. E desce às suas cadeiras para, juntos, desfazerem as dificuldades que existirem e descobrirem novas aprendizagens. Admite que não é portentor de toda a sabedoria e deixa transparecer ao aluno a realidade de que a vida é uma aprendizagem constante que devemos aproveitar até ao fim da sua existência.
Será alguma vergonha um professor admitir que o seu processo de enriquecimento de saberes é constante e inesgotável, e que muitas vezes "cresce" com o próprio aluno? E quanto se aprende com esses jovens, com essas crianças?!...
Um professor que assim não for, que não conseguir ser esse "estudante permanente e atento", é um ser parado no tempo e que o tempo ultrapassará com rapidez. Deixa de ser professor para ser disco riscado, que de ano para ano, repete a mesma matéria sem alteração de métodos ou mudança de atitudes. E o pior é que nestes casos, normalmente, julga-se muito importante, não aceita sugestões. Sobe ao estrado para falar, e o insucesso escolar... é sempre culpa do aluno. A relação ensino/aprendizagem perde toda a sua beleza e interesse, e cria-se uma situação de cansaço para as duas partes: para o professor porque, desfasado e obsoleto, não consegue cativar e despertar a atenção do aluno para os objectivos propostos para o seu desenvolvimento; para o aluno, porque se torna incapaz de se interessar pela aprendizagem, de se integrar na vida escolar, de conseguir aprender.
Que há alunos muito difíceis e com culpa no fraco rendimento escolar... sempre os houve, e haverá!... Mas, sejamos sinceros... Na maioria dos insucessos normais, embora haja cada vez mais agentes a procurar sofregamente meios para os combater, ainda teremos que admitir, com muita mágoa, que há intervenientes no processo educativo muito mais culpados do que a grande maioria os alunos. Quem, e porquê, é caso para pensar, continuando a análise de muitas coisas curiosas... e pouco visíveis.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

A ESCOLA... PILAR DA SOCIEDADE

Uma sociedade, é o que forem os seus cidadãos!
Uma escola, é o que forem as leis que a regem, os seus docentes, os seus auxiliares de acção educativa, os seus discentes, os seus encarregados de educação, o seu meio envolvente em geral!... Inserida numa sociedade, é uma parte integrante dessa mesma sociedade!... E não só é uma parte integrante, como é mais do que isso. A "Escola", mais do que nunca, é o alicerce, é o pilar da sociedade dos nossos dias. Em tempo algum esta verdade foi tão evidente, pois nunca como hoje a "Escola" se projectou tanto na vida das pessoas.
O tempo em que na escola se aprendia a ler, escrever e contar, está cada vez mais distante. Pode parecer descabida esta afirmação, mas se nos debruçarmos um pouco sobre a vida das nossas crianças e jovens estudantes, depressa nos apercebemos desta realidade. Essas actividades são apenas o mínimo que se pode aprender numa escola.
Pelas reflexões que temos vindo a fazer sobre o desenvolvimento económico e sociocultural das populações com todos os problemas sociais daí inerentes, e olhando um pouquinho à nossa volta, vemos claramente que grande parte das nossas crianças é tirada aos laços familiares com poucos meses de vida para ser entregue a amas ou instituições, e que a maior parte das crianças é lançada na "Escola" aos três anos de idade. Nas amas e na escola, passam muito do seu dia. A nossa vida é uma aprendizagem constante. Como não são excepção à regra, essas crianças, durante essa parte do dia, aprendem... e aprendem muito, pois é nessas idades que mais se aprende. Os lugares que frequentarem são uma parte integrante de suas vidas, e essas crianças serão, para sempre, muito do que essas amas ou escolas fizerem por elas. E não podemos esquecer os amigos que as rodeiam, pois esses também têm uma capital importância na sua aprendizagem, boa ou má.
É linguagem corrente que a família é a grande culpada dos problemas que afligem a nossa juventude. É verdade. Não podemos esquecer, de forma alguma, que a família é a grande responsável por toda a educação. Se os pais, deliberadamente, fazem vir ao mundo esses seres tão valiosos que são os seus filhos, devem fazer tudo para que sejam homens competentes e realizados. Mas se a família, só, não pode, e faz delegação dos seus deveres noutra pessoa ou instituição, a partir daí, tem que passar a haver uma cooperação constante entre as partes, pois há uma responsabilidade repartida mas que se conjuga no mesmo fim, o desenvolvimento integral das crianças ou jovens.
O Estado, que dá maior ou menor protecção às famílias e que orienta todos os estabelecimentos de ensino através do Ministério da Educação, tem parte integrante nesta tarefa. Assim sendo, poderemos dizer que o desenvolvimento harmonioso de qualquer ser humano, dependerá da sua família e meio envolvente, e da preocupação que o Estado tiver com esse problema.
As famílias, são o que são, e como são. O meio ambiente é o que forem as famílias.
E as escolas, o que são?
As escolas, nos diversos graus de ensino, serão sempre o que forem as leis que as regem, os seus professores, o seu pessoal.
E onde está o porquê de tanta educação precária, de tanta criança e jovem irrealizado e insatisfeito?
Se as tarefas estão repartidas, ao fim e ao cabo, as responsabilidades terão de estar repartidas também.
Perante isto, quem serão os responsáveis?
A Família? O Estado? A "Escola"? O meio? Ou serão todos juntos, cada qual com a sua quota parte de culpa? E que culpa poderá ter cada um?
Neste início de ano escolar, este tema, pode bem ser objecto de futuras reflexões।

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

PALAVRAS, LEVA-AS O VENTO!...

"Palavras, leva-as o vento"!... Elas só têm valor quando ligadas a actos conscientes e responsáveis que ponham em evidência, nas realidades da vida, as afirmações e convicções de quem as pronuncia.
"Trabalhar para a construção de um mundo melhor" é frase corrente na linguagem de todos os cidadãos.
Falar é fácil!... Fazer da própria vida um meio de construir esse "mundo melhor" é difícil, delicado e controverso. Mas é o mais importante, urgente e necessário, não só para a integração social e realização pessoal de cada um, mas também, e mais ainda, para o desenvolvimento comunitário, para a paz e unidade entre os povos, as nações, o próprio Mundo. Discernindo o mais conveniente, caso a caso, entre o apelo à emoção ou à razão, cada um, em espírito e verdade, deve tentar descobrir a forma de conjugar estas duas forças em todas as situações ao longo da sua existência, de forma a obter cada vez maior respeito por si e pelo seu semelhante.
Ninguém pode dar o que não tem; ninguém pode desejar o que não conhece; ninguém pode usufruir do que para ele não existe...
Estas frases, assim soltas, parecem desprovidas de sentido; no entanto, estão directamente relacionadas com muitas realidades.
Os comportamentos sociais de qualquer comunidade são transmitidos de pais para filhos, de avôs para netos; assim sendo, passam a fazer parte integrante dos costumes e tradições dessa comunidade e de cada um dos seus membros.
Nos nossos dias, existem as comunidades mais díspares, algumas delas com costumes bem bizarros. É só prestar atenção a tantos documentários televisivos... E quanto mais primárias, mais difíceis de compreender e mais tenazes na defesa ou ataque. E todas lutam por valores que pensam ser os melhores.
Isto verifica-se desde os membros dos clãs às inúmeras religiões ou crenças, partidos políticos ou associações...
O reconhecimento do valor do ser humano em toda a sua plenitude e com todos os seus dons: carinho, amor, tolerância, compreensão... é apanágio dos seres mais cultos. Poderemos dizer que "cada povo tem a sua cultura", e é uma verdade; mas os valores atrás referidos não são pertença de uma cultura, são universais, devem caber "todos" em "todas" as culturas.
Mas, como podem ser transmitidos se não existem totalmente numa comunidade? Ninguém pode dar o que não tem.
E como pode uma comunidade querer melhorar os seus hábitos, se não sabe como é melhor, se não conhece outra forma de vida além da sua? Ninguém pode desejar o que não conhece.
Se as pessoas vivem em comunidade, e se essa comunidade é limitada nos seus costumes e tradições, como podem ter algo de melhor? Ninguém pode usufruir do que não está ao seu alcance, quando muito, apenas pode lutar por consegui-lo.
Podem parecer absurdas estas afirmações. Mas, se pudermos imaginar-nos nascidos, por exemplo, no meio da amazónia, como seriam as nossas atitudes? De índios, com certeza...
E aqui, dentro da comunidade portuguesa, com toda a riqueza da sua cultura... como seria o comportamento de um professor, o meu caso por exemplo se, ao invés de ter nascido dos pais que tive, viesse ao mundo numa comunidade cigana com todos os problemas que isso implica?
Quanto mais condições sócio-económicas, conhecimentos e capacidades tiverem as pessoas, mais responsabilidades têm na construção de um mundo melhor. Os bens usufruídos devem fazê-las mais compreensivas, carinhosas, pacientes e caritativas para com todos os outros a quem a sorte não concedeu tantas benesses. Usando as palavras, sim, mas não só... pois é preciso lutar contra as nossas más tendências e praticar boas acções.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

A VIDA E OS SEUS MISTÉRIOS


Se tudo na vida é mistério até ser compreendido e integrado nos nossos saberes vivenciais, nós, HUMANIDADE, tendemos para o “Infinito” e seremos sempre um mistério até sermos definitivamente integrados “Nesse Infinito” a que vulgarmente chamamos de eternidade ou vida para além da morte física.
As descobertas científicas antes de serem experimentadas e vivenciadas pelos homens também eram um mistério que aos poucos se foi e vai desfazendo. Todavia, o “Ser Humano”, desvendando tantos mistérios, continuará sempre infinitamente misterioso, porque único ser criado semelhante ao seu misterioso Criador.
Assim sendo, as relações humanas, se não constantemente firmadas num íntimo relacionamento de cada homem ou mulher consigo mesmo no sentido melhorar constantemente as suas atitudes em colaboração constante e directa com o Supremo, seja essa colaboração feita como for e chamada à DIVINDADE o nome que chamar, essas relações não terão a mínima possibilidade de serem adequadas ao bem da própria pessoa ou da sociedade onde estiver inserida. O Homem é um ser social por excelência, mas o seu “SER” verdadeiramente “HOMEM” é muito complexo. Cada PESSOA terá de extrair, da sua própria essência, ou seja, dos genes recebidos dos seus progenitores que lhe conferem uma identidade própria única e irrepetível que a distingue de todos os outros seres, e ao mesmo tempo também da sociedade a partir sempre do seu meio ambiente natural (família e amigos), a aprendizagem que lhe convém para o seu melhor desenvolvimento integral que engloba tudo o referente ao seu corpo (visível) e mais ainda a tudo quanto os nossos sentidos não conseguem alcançar e que é sempre o mais importante... o mistério... (invisível e impalpável).
Ainda que gastemos a vida numa constante busca de nós mesmos e na maior ampliação possível de todas as nossas capacidades a todos os níveis ao ponto de chegarmos a pensar ter conseguido o máximo de paciência, compreensão, entendimento, fortaleza, espírito crítico, interioridade, aceitação... sei lá qual o número de qualidades que podemos enumerar... isso apenas poderá dar-nos a ideia, certa ou errada, de nos encontrarmos num maior ou menor nível de auto conhecimento e perfeição, mas não nos levará nunca a deixarmos de ser um mistério... para nós e para os outros. Quem nos rodeia nunca poderá ter acesso ao íntimo do nosso ser, pois por mais que lhes abramos todas as portas do coração e nos esforcemos por lhes mostrar claramente todas as razões das nossas atitudes de modo a poderem sorver o que realmente somos, nunca conseguirão descobrir devidamente a nossa realidade pessoal. A esta parte, teremos que lembrar que nós próprios somos um mais que gigante mistério para nós mesmos, pois mesmo com uma vida dignificada por um bom relacionamento social impregnado de boas acções ou imbuída de atitudes de oração, meditação, interiorização, autocrítica, doação e amor numa visão muito clara das nossas potencialidades e das realidades que nos circundam no desejo sincero de minorar o sofrimento alheio... num qualquer momento, inesperadamente, num abrir e fechar de olhos, sem saber como nem porquê, podemos voltar a cair em erros passados ou cometer outros ainda piores... situações que acabam por nos provocar humilhações e pedidos de desculpas diante dos homens e ao mesmo tempo necessidade premente de dobrar mais os joelhos perante a misericórdia de Deus, seja Ele chamado com o nome que for ou mesmo sob a afirmação categórica de que Ele não existe.
Nunca conseguiremos resistir à dor da queda nas nossas fraquezas e desvarios se não nos sentirmos acalentados por alguém que nos compreenda de onde sobressairá sempre, e acima de tudo, “ESSE SER ÍNTIMO E SUPERIOR”, tenha para nós que nome tiver.
Um bom ano de trabalho e possibilidades de emprego para quem ainda o não tem.

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

"Nem só de pão vive o Homem"

Dotado de sentimento e razão, o ser humano pode tomar decisões fortes, firmes e duradoiras, conjugando harmoniosamente e com sabedoria estas duas forças ao longo de toda a sua vida que tem acontecimentos marcantes, uns mais que outros.
Depois de uma integração sociocultural, há a considerar, sem dúvida, a escolha acertada de uma profissão para um emprego que satisfaça as necessidades vitais, que dê independência económica. Para isso fazem-se os maiores esforços: fazem-se consultas a especialistas e testes psicotécnicos para facilitar a escolha de entre os mais variados cursos, pagam-se estudos, pedem-se empregos... É lógico e necessário que assim seja, pois o contrário é que seria inaceitável e incompreensível.
Mas "Nem só de pão vive o Homem!" Não estaremos nós, pais e educadores, a preocupar-nos apenas com uma das partes da vida de uma pessoa? Vejamos:
Antes de ir para o emprego, o jovem sai de casa: primeiro, da dos pais; depois, da dele. E a sua vida, tal como a nossa, rodará entre a casa e o trabalho, com alguns momentos de lazer. E as maiores dificuldades que irá sentir serão, sabemo-lo por experiência própria, a adaptação ao trabalho, patrão e colegas, e a partilha de vida com alguém. Para ser feliz e se sentir realizado, o jovem terá de manter sob controle todas estas situações, ininterruptamente. Para que tal aconteça terá de se conhecer muito bem, interiormente, com os seus defeitos e as suas qualidades... terá de saber analisar capazmente o comportamento das pessoas que o rodeiam para poder compreendê-las e viver em paz com elas e consigo mesmo... terá de saber distinguir uma paixão sufocante e passageira baseada num momento de prazer ou conhecimento superficial, de um amor verdadeiro, profundo, reflectido, que aceita o outro como ele é, com defeitos e qualidades, e está disposto a seguir em frente, contra tudo e contra todos, num projecto de vida em comum.
Enfim: terá que conciliar a estabilidade económica, que é imprescindível, com a estabilidade familiar e emocional, que também o é. No entanto, de uma maneira geral, esquecemos esta realidade.
Que fazemos nós, pais e educadores, pela estabilidade emocional dos nossos educandos? Que conceito lhes damos da vida em sociedade? Que conceito lhes damos da vida em família? Como os olhamos no tempo de namoro? Que lhes dizemos acerca dessa fase tão importante no decorrer das suas vidas?
Meter-se na vida deles, escolher por eles, empurrá-los para onde se quer... não!...
Orientá-los, aconselhá-los, falar-lhes numa vida de respeito mútuo, na dignidade dos valores humanos, no respeito pela vida... dar-lhes liberdade consciente e responsável... sim!...
Temos tendência a preocupar-nos muito com os meios de sobrevivência e estamos certos, mas esquecermo-nos duma coisa muito importante: o trabalho e a família conjugam-se na vida dos seres inseridos na sociedade; o mau ambiente de trabalho ou o fazer o que se não gosta, causa problemas, mas a pessoa acaba por se adaptar e arranjar outras compensações sem prejudicar ninguém, enquanto que no mau ambiente familiar todas as compensações que se possam encontrar vão sempre prejudicar, de qualquer forma, aos dois, e mais ainda aos filhos que não tiveram culpa de nascer.
Educadores e educandos, empenhados em ajudar a construir um mundo melhor, tenhamos presente o quanto é importante, com sentimento e razão, cada um saber o que fazer da própria vida, em espírito e verdade, demonstrando o maior respeito por si e pelo seu semelhante.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 29 de Julho de 2008

RECORDAR... PARA VIVER!...

Eu sei que quando um sentimento abrasa o coração, por mais que o queiramos encobrir, ele fura todos os poros do nosso ser! Mas... há momentos em que se torna urgente ir mais além, ainda que para isso tenhamos de pedir perdão a todos quantos não comungam das nossas ideias... é o que eu estou a fazer, antecipadamente.
Há meses atrás, ao receber a revista bimensal “Mensagem” que faz tempo assino, deparei com o anúncio das “Jornadas de Verão para Catequistas e outros Educadores”, um tipo de formação específica da Diocese do Porto, precisa e abrangente, que costumo frequentar a todo o custo. Escolhi o tema que mais me agradou e apressei-me a entregar a inscrição, não fosse, de algum modo, acabar por não poder ir para o tipo de formação que pretendia.
Chegou o momento aprazado. Contra o habitual... nem uma só pessoa da minha terra!... Não me senti isolada! Havia pessoas dos mais variados recantos da Diocese (e não só) a exercer as mais díspares profissões e com diferentes responsabilidades dentro das suas Paróquias, todas irmanadas de um mesmo desejo: espalhar, de algum modo, a Boa Nova de uma Vida de Amor.
O desejo avassalador de querer beber levou-me a tentar conseguir sofregamente abarcar todo o potencial de vivências que me rodearam naqueles três inesquecíveis dias.
Foram já as (minhas) IV Jornadas! Pela novidade pareceram-me as primeiras! Pela qualidade... afiguraram-se-me as melhores. A perfeição exige treino empenho e saber... um bem-haja a todos.
Não vou de modo algum referir-me à maravilhosa formação conseguida, mas à visão harmoniosa do conjunto de tudo quanto pude ver e sentir dentro das minhas limitações.
Para começar, de entre os formandos da sala 205... a única pessoa que cometeu erros fui eu... uma vez que não consegui ver nada de errado em mais ninguém... e éramos um grupo grande.
No final, Domingo, os olhos de todos estavam voltados para a Conferência de D. Manuel Clemente e Eucaristia por ele presidida.
A Conferência foi simplicíssima e eloquente, mas as palavras que mais me tocaram não foram pronunciadas!...
Estava lado a lado com a Drª Isabel (Presidente do Secretariado Diocesano de Catequese), falavam, gesticulavam e sorriam tão naturalmente como dois bons amigos; ele retirou graciosa e amavelmente das mãos de Isabel as cadeiras excedentes da mesa onde se encontravam e dispô-las no auditório para serem usadas pelos presentes, convidando-os a acomodarem-se de qualquer modo; a Drª precisou usar da palavra e ele retirou-se mansamente do ambão e encostou-se calmamente à parede; durante a Conferência falou de coisas muito importantes ilustradas com a partilha das experiências das coisas mais significativas e simples de sua própria vida.
Começaram os preparativos imediatos para a Eucaristia. Foi brilhante e enternecedora a forma como tudo se passou: a encenação do início, durante e no final da Eucaristia; a interacção entre o Sr Bispo e a Equipa do Secretariado (e os demais), alegre, confiante, coordenada, precisa, coesa, coerente, abrangente, presente, activa, organizada e simples. Todos os participantes... tão activos... tão presentes... Muito honestamente repeti para mim mesmo vezes sem conta aquela conhecida frase que se aplicava ao relacionamento de intimidade que havia entre os primeiros cristãos: “ Vede como eles se amam!”
Se me perguntarem se há “Céu”... (mesmo que mais não seja...) só por isto... terei que dizer que sim, pois principalmente nesta Eucaristia vivida na Casa de Vilar... senti-me num “Céu”... limitado... que deveria passar a não ter limites.
Mais uma vez, as minhas desculpas aos desinteressados! Que quem tem ouvidos... me entenda।

Hermínia Nadais

A publicar no “ Notícias de Cambra”

sábado, 26 de Julho de 2008

TANTA INSTABILIDADE FAMILIAR...


O desenvolvimento sócio-económico e cultural da humanidade foi ao longo dos tempos, e ainda hoje é, urgente e necessário, mas traz consigo situações inesperadas e de difícil resolução. Desde os primórdios o Homem evoluíu constantemente, e sem parar, vai desbravando os limites máximos da sua capacidade para fazer novas e importantes descobertas no sentido de tornar a vida cada vez mais agradável e acolhedora. No desenrolar de todos esses acontecimentos, tem lutado contra inúmeros problemas inerentes às mais variadas situações: religiosas, políticas, umas isoladas outras em simultâneo; no entanto, há sempre problemas que se sobrepõem a outros. Na actualidade, de entre tantos, um dos mais alarmantes parece ser, sem dúvida, a instabilidade familiar.
Em grande parte das famílias há um "casa" e "descasa" aflitivo.
Por troca de desmedido prazer e bem-estar material perdem-se valores. A aceitação mútua dos seres tal qual se apresentam está a ser cada vez mais difícil. A incerteza do dia de amanhã torna-se uma preocupação constante.
Ao tomar conhecimento de uma nova união de vidas, início de vida a dois, ouvindo o alegre repicar do sino ou vendo os risonhos nubentes saindo do Cartório do Registo Civil, instintivamente surge uma evocação que demonstra claramente a preocupação de cada um em face do bem-estar de todos: "Que sejam felizes!"
E, porquê tal pedido em ocasião tão especial que parece levar a vida a um verdadeiro mar de rosas?!... É que vemos tanto casal em crise, que não queremos de forma alguma que esse seja mais um.
E que dizer de quando há um nascimento?
À partida, é uma grande alegria!... A vida que se transmitiu, faz com que os pais se revejam nos filhos e os avôs nos netos. Mas... por quanto tempo durará essa felicidade?!... Para quantos pais ela será para sempre? Quantas crianças nascidas no meio de tanto amor e entusiasmo crescerão harmoniosa e normalmente no aconchego da sua família nuclear e rodeadas do apoio e carinho da família alargada, conforme o sonho doirado do dia do nascimento? Do nascimento, ou casamento, pois quantas crianças existem cujas concepções foram desejadas pelos pais e já nascem com eles separados... ou quase.
Vivemos o tempo presente da melhor forma, é um facto. E o depois!...
O depois dependerá de cada um dos intervenientes no filme que é cada vida.
Parecem descabidas estas observações, mas são pertinentes.
Somos seres sociais. Tudo o que cada um fizer, quer queira quer não, tem influência na vida do outro. O exemplo, mau ou bom, marca uma pessoa.
Pelo facto, temos que ver o lado bom e mau das coisas que vão acontecendo nas vidas que nos rodeiam para que nos sirvam de lição e chamem à atenção para muitas realidades. E, ao constituir família, ninguém deve ter o ânimo leve, mas parar para pensar em todas as consequências que daí possam aparecer.
O ser humano é muito completo. Ele não pode de forma alguma reagir instintivamente, pois quando o faz, surgem problemas incontroláveis.
O instinto é rápido e impreciso, não pensa. É próprio dos animais irracionais, mas muitas vezes ilude os seres humanos quando estes se deixam enganar pelos sentimentalismos do coração.
O ser humano é dotado de sentimento e razão, e só quando estas duas forças se conjugam com sabedoria e confiança, as suas acções têm possibilidade de serem profundas e doradoiras. Saber-se isto pode ser algo de fácil, mas o pôr-se esse saber em prática, é muito difícil, pois mexe com o íntimo de cada um e obriga a muitas privações e sacrifícios. É difícil, mas não impossível, basta querer e ter força de vontade. Com a experiência conseguida na vida e pela vida, porque a vida é uma escola e é com ela que mais se aprende, veremos como.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 14 de Julho de 2008

FÉRIAS... COM DIGNIDADE!...

Os meses de Julho e Agosto são os que mais nos lembram as tão almejadas férias!
Para alguns... muito poucos... são realmente a ocasião de ir ao encontro das mais diversas paragens com o coração cheio da esperança de encontrar momentos férteis de encanto e lazer; para outros, são meses de trabalho ainda mais intenso na ânsia de aproveitar ao máximo proventos extraordinários para recompor ou prover o escasso orçamento familiar de modo a poderem viver mais desafogados o resto do ano; para outros, a maior parte, estes meses não passam de dias de rotina habitual acrescentada de um maior calor pelo menos diurno.
Perante uma panorâmica tão variada das pessoas que nos cercam, em que os ricos são cada vez em menor número mas com as carteiras bem mais recheadas... os pobres aumentam cada vez mais em número e em situações de extrema pobreza... em que já se fala escancaradamente em fome... em que se pode provar que há fome por doenças contraídas baseadas na miséria e pela ocorrência de pedidos de socorro às várias instituições que trabalham no campo sócio caritativo... em que cada vez mais as referidas instituições têm de estar despertas principalmente para a chamada “pobreza envergonhada”, a que esconde a todo o custo as dificuldades sentidas e sofre horrivelmente... é mais que urgente revermos a nossa forma de viver.
É inadmissível falar-se tanto na minimização de problemas sociais... e que estes se nos apresentem cada vez maiores. É preciso pelo menos arranjar pistas que nos levem a tentar acabar de vez com este drama que terá de passar, irremediavelmente, por uma mudança radical de mentalidades.
Para alguns analistas muito razoáveis, a agudização desta situação deve-se a vários factores: a ânsia desmedida do ter que leva as pessoas a quererem comprar tudo quanto vêem ou lhes apetece; a fuga ao sacrifício, necessário e urgente na aceitação do trabalho que se nos apresenta e na sábia contenção das despesas; a busca permanente... e a permanente aceitação de facilidades exageradas principalmente as apresentadas pelas instituições bancárias que já não sabem mais que fazer a tanto lucro e oferecem dinheiro em condições nada razoáveis... lançando na ruína as pessoas mais carentes e incautas; a luta acérrima e desleal pelo poder, que leva a não olhar a meios para atingir fins no sentido de conquistar um lugar de destaque na sociedade; em suma, quase tudo se resume a um “querer mostrar-se superior parecendo ser aquilo que se não é”.
Depois, critica-se o Governo, as Autarquias, a Escola, as Instituições, os Industriais, os Comerciantes, os Patrões, os Empregados, os Amigos e até se arranjam muito mais “Inimigos”... critica-se “tudo” e criticam-se “todos”... normalmente porque, desta forma, não precisamos entrar no verdadeiro campo da crítica... a crítica pessoal à nossa maneira de viver que, cegamente, achamos ser sempre a melhor... porque os culpados dos nossos deslizes, canseiras e preocupações... vistos assim... serão sempre os outros.
Há muitas famílias que se deveriam sentir carentes e que vivem razoavelmente; há outras que não lhes interessa trabalhar... ou então gastam todo o dinheiro nos primeiros dias do mês e passam o resto do tempo a reclamar; há ainda outras que por mais que se esforcem o poço já é tão fundo que não conseguirão sair dele sem alguém que lhes deite a mão.
É hora de começarmos a entrar bem dentro de nós mesmos para podermos avaliar qual é a nossa verdadeira situação... uma forma de podermos ir ao encontro dos outros para ajudá-los... quando mais não for... por um bom exemplo de vida... que é a melhor forma de ensinar a viver... pois de sermões está toda a gente farta!
Desejo a todos um bom período de férias gozado com sabedoria e dignidade!

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 9 de Julho de 2008

OS PERIGOS DA SOCIEDADE

O tempo em que, genéricamente, a mulher andava, amargurada, atrás do marido, quase já faz parte do passado. Ainda há casos desses, mas os seus números vão diminuindo tão naturalmente que quase não se dá por isso.
O homem, mesmo sem perder os seus estatutos, reconhece o trabalho duplo da mulher e ajuda-a. O homem e a mulher, lado a lado, acabam por ter vida de trabalho dupla, pois ambos trabalham no emprego e em casa.
Analisando friamente estas novas situações, encontraremos, talvez, resposta para muitas perguntas que toda a gente pensa mas ninguém ousa fazer.
Depois de entregar os filhos a familiares, amas ou instituições, a mulher e o homem saem para os empregos. Sempre ou quase, estes, são em locais diferentes, e, por vezes, bem distanciados. Isto obriga a que, nas idas e regressos dos trabalhos, tenham de ser usados transportes diferentes: colectivos, boleias e veículos próprios que por vezes se multiplicam, há um para o homem e outro para a mulher.
O local de trabalho, conforme seja uma pequena ou grande empresa, é uma pequena ou maior sociedade, mas acaba por ser também uma família... uma segunda família, alargada, diferente, com regras de convivência diferentes, mas uma família. Criam-se muitas amizades: há interesses comuns que é preciso defender; situações em que há necessidade de ajuda e colaboração mútuas; tempos de entrada e saída... ida... e volta... em que se pode falar ou fazer muitas coisas, conviver... E por mais fortes e recatados que sejamos, há sempre um momento em que deixamos transparecer um pouquinho que seja do que nos anima ou aflige: gostos, desgostos, desejos, fraquezas, infelicidades ou alegrias... e começa de haver uma incontrolável partilha de vida que é necessária e útil, mas só quando orientada com sabedoria e precaução, o que na maior parte dos casos não acontece porque as pessoas não estão precavidas dos prejuízos irremediáveis que daí podem resultar.
Quer queiramos ou não, os nossos amigos e colegas de trabalho têm uma enorme influência em toda a nossa vida, para o bem ou para o mal. E ninguém foge a esta realidade. Mesmo nas pessoas que têm o apanágio de gozar de boa inteligência e primorosa educação a todos os níveis, aparecem com a maior facilidade inevitáves dramas. É que há muitas vivências comuns. As pessoas conhecem-se mutuamente... ou pensam que se conhecem, porque conhecer uma pessoa é muito difícil!... Depois, há a tentação de achar "os outros" e as "outras" melhores, mais atraentes e interessantes... E, quando menos pensam, e sem se darem conta, o erro acontece.
E que fazer? Ter vida sentimental dupla ou assumir a nova relação e deixar tudo para trás?
A meu ver, nestas circunstâncias, surgem duas maneiras distintas de agir e que estão directamente relacionadas com a psicologia genética de cada um, isto é, cada um age de forma diferente, porque é, defacto, diferente. O homem parece ter maior capacidade de se relacionar com mais de uma companheira, pelo menos durante algum tempo; a mulher, não, opta quase sempre só pela última relação por lhe parecer a melhor ou mais conveniente.
No final, para qualquer deles, a realidade da vida é bem outra... Na quase totalidade dos casos, as satisfações sentidas e o entendimento perfeito de quando se encontravam às fugidas, desaparece veloz como o vento quando se decidem a levar uma vida a dois, pois os problemas anteriores tendem a repetir-se... A desilusão é grande. Há quem volte atrás, há quem aguente. Mas, se o homem quiser recuar é quase sempre aceite pela mulher e recomeçam nova vida, o que raramente acontece quando o mau passo é dado pela mulher, pois nesse caso, costuma ser fatal.
Tudo se ajeita mais ou menos pelo melhor quando a descendência não existe, pois cada um assume os seus actos e o sofrimento de todos é menor; mas quando a há... paga por alto preço as desavenças e devaneios dos progenitores. Só quem não vive de perto com esses problemas pode passar indiferente.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 4 de Julho de 2008

A MULHER NA SOCIEDADE




A entrada da mulher no mercado do trabalho incutiu-lhe a auto-confiança, desenvolveu-lhe a auto-estima e todas as capacidades, enriqueceu-lhe os conhecimentos, conferiu-lhe um estatuto social aceitável, ao lado do homem, com igualdade de direitos e de deveres. Ora isto era tudo o que se pedia na luta pela libertação da mulher; portanto, tudo estava, agora, no caminho certo, poderíamos pensar, e com razão.
Mas, as coisas não são assim tão lineares. Em tudo o que se faz tem prós e contras, e este caso, de forma alguma podia ter sido uma excepção à regra. É que, quando se luta por alterar seja o que for, costuma ver-se antecipadamente ou de imediato todas as benesses que daí possam advir, mas as coisas menos boas ou difíceis de contornar para serem razoáveis ou melhores, ficam sempre para quando se está já no terreno... e com muitas asneiras feitas... pois só com o detectar dessas asneiras podemos tentar arranjar solução para elas, uma vez que, antes... é de todo impossível... por serem de todo desconhecidas e inimagináveis.
Esta maneira de falar parece descabida; no entanto, analisando bem, podemos averiguar as verdade que há nestas afirmações:
A mulher sai para trabalhar ao lado do homem; este, aceita, pois necessita de proventos para o seu lar. Com o aumento do custo de vida e decadência da agricultura de sobrevivência este é um mal necessário. Mas... chega a casa e fica descontrolado com os acontecimentos.
A educação que recebeu não foi adequada à época. A culpa não foi de ninguém, pois, ao tempo, não se previa que tal mudança fosse acontecer. O homem, não estava preparado para ajudar nas tarefas de casa. E o que é pior ainda é que, em grande parte dos casos não o queria fazer, porque os amigos, os próprios pais ou familiares, se se apercebessem de tal, chamavam-nos de maricas, o que magoava muito a quem se considerava superior para trabalhar numa actividade outrora específica da mulher. E, então, havia que sair até ao café, ler o jornal, jogar umas cartitas e beber uns copos... copos reforçados, pois, diga-se de verdade, só de pensar que a mulher estava ainda a trabalhar e ele a descansar... por não saber executar a tarefa, por má vontade, incapacidade ou fosse o que fosse... ela trabalhava... e ele descansava. Éra uma desumanidade masculina a toda a prova.
E depois?
A princípio, tudo foi bem, mas com o tempo, saturou. A mulher queixava-se, ralhava, barafustava, entrava em stress, ia ao médico... Ele, não aguentava a pressão; e, também, não queria dar o braço a torcer. Mas, acabava por ter de ir ao médico também.
A mulher, cansada e amargurada, não lhe dava as atenções a que ele estava habituado... e também não as recebia... Sentia-se mal, e começava a ter pensamentos esquisitos acerca do marido. E o pior é que, na maior parte dos casos, tinha razão. Ele começava a achá-la distante... e chata... E como ainda tinha tempo para as suas saídas e distracções... não conseguia dar valor ao seu cansaço e indisposição. E acabava por ir, então, procurar outra que o atendesse... mais livre... ajeitadinha, despreocupada, pois... quem sabe? Talvez fosse essa a sua única profissão. Mas ele não se ralava, ou fingia não ralar, o dinheiro chegava, a casa que esperasse. E não lhe fazia diferença nenhuma, era mais mulher... menos mulher. E despistava, ou tentava despistar a situação. E, enquanto que em casa a mulher aguentasse todas as torturas, tudo bem; de contrário, trocava-se pela outra... e pronto. Depois, se a outra não servisse... voltava-se para casa e estava feito.
A mulher, ao ver-se trocada, desfazia-se em lágrimas, e até ia atrás dele para não ficar sozinha... pensava nos filhos, na sua reputação...
Ia!... Esta minha descrição já está realmente ultrapassada. Apresentei-a, apenas, para contar todo o desenrolar da história. Isto acontecia no princípio da mudança, quando a mulher estava a iniciar o trabalho extra-lar. Agora, tudo é um tanto diferente, mas ainda muito mais perigoso e muito mais baralhado. Veremos porquê!...

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

domingo, 29 de Junho de 2008

FÉRIAS REPOUSANTES!

Os dias continuam instáveis e motivadores de insegurança, mas a época é de férias! De uma ou outra forma devem ser bem aproveitadas! O ano é longo! O modo de viver cada vez mais difícil! É urgente recuperar forças! Forças físicas, morais, espirituais, todas as forças que nos comandam a vida no todo indivisível que cada um de nós é.
É imperativo que nos disponhamos a aprender a fazer férias repousantes.
As dificuldades sentidas nas bolsas das pessoas é grande! Enquanto se assiste a um aumento desmedido das fortunas já avultadas de meia dúzia de indivíduos em detrimento dos demais que estão cada vez mais pobres e com menos poder de compra, e muito menos do desejado encontro de alguns momentos aprazíveis de lazer, afigurasse-nos que esta época trará muito desencanto e desilusão. Temos que ser engenhosos para sairmos da crise o menos magoados possível.
Somos seres sociais por excelência, mas para aprimorar essa nossa faculdade não precisamos de procurar o ruído ensurdecedor de uma cidade engalanada! Bastar-nos-á o silêncio tranquilo de uma praia semi-deserta onde a frescura das ondas nos delicie o corpo e o canto do mar e das gaivotas nos enleve o espírito! Ou... por que não o desbravar dos montes maravilhosos que nos circundam, onde a brisa suave que balança as folhas enamoradas da doçura do sol nos acaricia o rosto, os passarinhos nos mimam com os seus chilreios e a mãe terra nos presenteia com tantas flores silvestres que nos deliciam o olfacto e preenchem o olhar?
Tanta beleza perdida... na busca de felicidades momentâneas que cansam em vez de dar repouso; nos atraem para fora de nós quando é urgentíssimo que olhemos bem dentro de nós mesmos onde geraremos ou não a felicidade; nos esvaziam bem as carteiras... e deixam ainda mais vazios os corações!...
Na ânsia desmedida de viver, acabámos por perder os melhores momentos da vida, porque não procuramos os lugares de silêncio acolhedor que promoverão o sossego, o descanso, a descoberta, a simplicidade, o sentido de estética, a imaginação, o amor à vida, a solidariedade, a partilha, a recuperação de energias, o verdadeiro encontro (connosco próprios, com o Infinito, com a família, com os amigos, com a natureza), a serenidade e a paz!
Não tenhamos ilusões! Os barulhos desnecessários baralham-nos! Temos que aprender a viver com o que temos, mas se tivermos possibilidade de escolher... que tenhamos a coragem de enveredar por algo que nos proteja e dignifique.
Santas férias!
A publicar no Notícias de Cambra
Hermínia Nadais

terça-feira, 24 de Junho de 2008

A MULHER E O TRABALHO



Estávamos na época da decadência da agricultura de produção extensiva, único meio de subsistência da quase totalidade da população.
As actividades agrícolas começavam muitas vezes antes do romper da aurora e terminavam muito depois do pôr do sol. Árduas e pouco lucrativas, levadas a cabo num ambiente socializante, cheio de calma e alegria, perdidas na grandeza incomensurável das nossas aldeias, já não eram modo de satisfação para as necessidades da vida de ninguém.
A emigração, sempre presente na vida das gentes das nossas terras, e que as levava para "além do mar", começou agora a fazer-se, massivamente, mas para a Europa.
Para os que não enveredassem por esta louca aventura, estava chegada a hora da grande acorrência ao trabalho fabril, o outro recurso imediato a ser aproveitado pelos agricultores.
E então, os homens e mulheres que outrora trabalhavam lado a lado sob um brilhante Sol doirado e escutando os cantos suaves das avezinhas na estonteante beleza campestre, eram agora drasticamente separados pela distância assustadora de centenas e milhares de quilómetros, ou, então, pelo ruído ensurdecedor da maquinaria industrial, entre as paredes frias das fábricas que lhes garantiam os recursos de vida.
A mulher deixou de ser a "florzinha de estufa"; o "objecto de adorno ou prazer"; a "procriadora"; a "dona de casa"; a "protegida"... para não ser tocada por ninguém; ou... a "escarnecida" e "humilhada", que para nada mais servia do que para servir o homem e ser sua escrava e da família. Foi-lhe concedido o direito à instrução que até ali lhe havia sido negado, por ser julgado desnecessário. Agora, ela precisava de aprender como o homem, pois, tal como ele, tinha de enfrentar as rivalidades sociais e o mercado de trabalho.
Por força da tradicional distribuição de tarefas entre homem e mulher, esta, passou a ter uma vida profissional dupla, fazendo em casa toda a lide doméstica e exercendo ainda uma outra profissão. Ora, esta nova situação social alterou radicalmente a maneira de pensar e estar na vida tanto do homem como da mulher.
A meu ver, está aqui a génese de quase toda esta problemática sem limites com que a sociedade actual se defronta.
Até ali, o homem sempre teve mais ou menos possibilidades de ter grupos de amigos e ir além da localidade onde vivia, mas a socialização da mulher limitava-se à pequena comunidade do lugar, aldeia ou freguesia. A religião dava opiniões favoráveis para protecção à família e incitava à compreensão e aceitação das dificuldades que fossem criadas, principalmente à mulher. Na escola, o menino e a menina eram separados, por salas ou por carteiras, e nem nos recreios podiam brincar juntos. Os meios de Comunicação Social eram escassos e inseguros. As pessoas conheciam-se bem e tentavam respeitar-se mutuamente. Tudo era favorável a um ambiente de resignação no sofrimento, de aceitação de sacrifícios, de respeito... mas, neste caso, mais da mulher pelo homem... procedimento este que ainda hoje nos tenta perseguir e que com muita realidade podemos apelidar de aberração.
Ora, esta vidinha da mulher transformou-se por demais. Ela iniciou a sua actividade fora da comunidade de origem, familiares e vizinhos... Pode conhecer novos amigos, ouvir opiniões diferentes do habitual, alargar os seus conhecimentos... ver!... e ser vista!... observar!... e ser observada!...
Na escola ou na fábrica, em casa ou na sociedade, ao lado do homem, a mulher mostrou inúmeras capacidades de trabalho e resistência nas tribulações. Estas vivências foram favoráveis ao seu desenvolvimento pessoal e realização profissional em que lhe é concedido reconhecido mérito.
Agora, deixemos para a próxima uma análise mais profunda de todas estas situações, para ver o que poderemos aprender com elas... porque... a vida é uma escola!

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 16 de Junho de 2008

A “Feira” de Santo António!


Gosto muito da minha cidade, mas detesto confusões. Então, quando há confusões na minha cidade... tento a todo o custo desviar-me dela para não me meter nas suas confusões. Porém... como para quase tudo é preciso ir à cidade... às vezes não há como fugir. Assim, acabei mesmo por visitá-la na sua época mais turbulenta, as Festas de Santo António.
Já na preparação do evento achei graça ao desenrolar apressado de todas as obras com o tempo do avesso a não dar jeito nenhum aos trabalhadores que tiveram de se atarefar por demais para terem tudo pronto na hora aprazada. A esta parte, e graças às minhas fugas, acabei por não sentir muito na pele o terrível sufoco da falta de estacionamento... já habitual... agora acrescido da falta de espaço que as super-citadas obras, sem dó nem piedade, retiraram à cidade.
Ainda durante a referida preparação, numa passagem pelo Santuário do “Rei” das festas, o Santo António, como é óbvio, tive que atravessar a avenida principal. Acreditem que senti saudade do tempo em que as feiras dos nove e vinte e três eram feitas ali... pois os numerosos comerciantes apinhados no centro da via pareciam-me muito mais estarem numa feira do que numa festa. Claro que pagam bem a estadia... e toda a gente precisa de ganhar a vida... mas bugigangas e mais bugigangas... num período de tantas dificuldades financeiras... enfim!
Não sei bem como isto tudo irá terminar. Durante estas noites a cidade tem-se enchido de gente, umas noites mais, outras menos! Amanhã é a noite das marchas, espero que cantem as maravilhas do Santo e a devoção que lhe tem o nosso povo, como é habitual. Mas a verdade verdadinha... com toda a certeza... é que na tarde do dia 13... celebrar-se-á uma Eucaristia e realizar-se-á uma Procissão em honra do Santo... e o resto... será feira... muita feira... com as representações de muitos artistas, comes e bebes, distracções e brincadeira! E chamamos a isto Festas de Santo António!
Não tenho nada contra as festas. E penso mesmo que o Santo Antoninho deverá ficar muito feliz por ver toda esta gente assim, satisfeita, mas que para ele pouco vai sobrar... é uma certeza!
Um acto solene como este, a Festa do Padroeiro, deveria mexer profundamente no nosso interior, no sentido de aprendermos a viver com mais aprumo no nosso comportamento moral, espiritual e humano. Será que é o que vai acontecer? Dependerá de todos nós!
Aproveitemos toda esta alegria contagiante para nos tornarmos pelo menos um pouco mais parecidos com Santo António!
Certos de que um Santo triste é um triste Santo, sejamos “santos alegres”! É a única forma de tornarmos Vale de Cambra bem maior e mais próspera e do Santo António ficar muito mais feliz com todos nós!
Que Ele esteja sempre presente na nossa vida para nos ajudar a sermos o que realmente devemos ser em toda e qualquer circunstância!

A publicar no Notícias de Cambra
Hermínia Nadais

terça-feira, 10 de Junho de 2008

Armas da luz!...


Os distúrbios ambientais que a natureza nos vai proporcionando com todas as suas forças incontornáveis não retiram dos nossos olhares as belezas do mundo em que vivemos, cada vez mais fascinantes.
É bem fácil perdermo-nos na real vastidão dos continentes e na imensidão dos oceanos, mas o aperfeiçoamento dos meios de transportes e comunicações sociais aliados à implementação da informática aproximam e mostram de tal forma todos os recantos do planeta que cada vez se nos apresentam mais familiares e num mundo cada vez mais pequeno.
Nenhuma criatura normal imaginaria, há uma centena de anos, que veículos tão sofisticados pudessem rodar sobre a terra e cruzar os mares e os céus tão rapidamente encurtando tantas distâncias e unindo tantos povos!... Também era difícil, até há bem pouco tempo, prever que seria possível falarmos a olharmo-nos mutuamente em tempo útil a tantos milhares de quilómetros de distância... o que é uma realidade actual.
Parados no nosso espaço circundante e de olhos no pequeno écran descortinamos o mundo... o mundo em que os homens se movem através das imagens e o mundo dos homens em si mesmos na observação atenta e cuidada das palavras e gestos que denunciam claramente os seus comportamentos interiores e exteriores! E se nos colocarmos frente ao monitor e de mãos no teclado... quantas aprendizagens, quantas imagens, quantos pensamentos, quantas mensagens, quanto carinho, quanta ternura, quanto bem-querer, quanta satisfação, quanto crescimento social, moral e humano!...
Queixamo-nos muitas vezes das maledicências humanas, e temos a certeza que elas existem, pois os seres humanos são homens e mulheres livres que têm tentações difíceis de superar, não são anjos e não podem viver como tal.
Conscientes destas realidades, porque nos prendemos tanto na procura e crítica das maldades e desperdiçamos tão estupidamente as inúmeras ocasiões de enaltecer as maravilhosas qualidades e as aventurosas descobertas que saem do pensamento e das mãos humanas... para nos tornarem a vida tão mais fácil, atraente e acolhedora?
Não tenhamos ilusões! Temos que sonhar que seremos bons... e acreditar que os outros também o serão!... O sonho comanda a vida!
Com os nossos amigos e pessoas que connosco convivem, falemos da aceitação alegre e compreensiva das intempéries da vida, aprendamos a descobrir e mostrar o lado bom de um mau acontecimento, elogiemos as qualidades ao invés de apontar os defeitos.
Cultivemos a alegria e o gosto de crescer na bondade, compreensão e amor, pois essas serão, sem sombra de dúvida, as verdadeiras armas da luz que conduzirão a humanidade no caminho da harmonia, do desenvolvimento, da paz e da prosperidade.

Hermínia Nadais
In “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 5 de Junho de 2008

O TEMPO DE MUDANÇA


O processo da integração da mulher na vida de trabalho fora do lar trouxe à família um sem número de problemas de difícil e remota solução.
Foi um acontecimento inadiável face às exigências das dificuldades económicas familiares sempre crescentes e que a mulher, desta forma, ajuda a superar; e também urgente para o reconhecimento das suas faculdades que são diferentes, como é óbvio, mas em nada inferiores às do homem.
Ao serem criados homens e mulheres, para poderem viver juntos harmoniosamente, foi-lhes dado o dom da complementaridade. Se são complementares, de forma alguma podem ser iguais. E é neste facto que residem as grandes diferenças. E nenhum pode, com razão, julgar-se mais que o outro. Agora, já podemos proclamar categoricamente esta verdade. Mas ainda há pouco, por meras convenções sociais e por razões alheias à vontade de cada um, era inadmissível fazer tal afirmação. Não porque alguém fosse culpado, mas porque a vida social estava talhada assim e ninguém se atrevia a modificar as coisas.
Mas, como tudo tem o momento certo, chegou a hora da mudança.
A passos lentos, a vida da sociedade foi ficando diferente, e não se sabe onde e como tudo irá parar.
Com as enormes disparidades no comportamento social de cada um, homem ou mulher, em relação a esse passado tão próximo e que nos deixou traços indeléveis e marcas muito profundas, sem um acompanhamento capaz que não podia de forma alguma existir por ser de todo impensável pelo desconhecido do desenrolar das situações, estamos a atravessar uma das piores fases de integração sócio-familiar de todos os tempos.
E, porquê?
Este tem sido tema para inúmeras reflexões, mas nunca será demais pensar de novo:
Ao longo dos tempos, através de gerações a perder de conta, a mulher foi a fiel depositária das canseiras da educação e criação dos filhos e da lide doméstica com todas as suas implicações e cuidados...
O homem, considerado o sexo forte, tratava da orientação da família e seus haveres e da angariação do seu sustento. A mulher devia-lhe obediência e respeito... e tinha de aceitar e compreender todas as suas ordens, pedidos, e mesmo as infidelidades que até eram consideradas normais... pois o homem não podia viver de um outro modo... dizia-se.
O homem andava mais nos negócios e campo, e a mulher, além do trabalho da casa, ajudava-o nessas tarefas... e ali criavam os filhos que desde cedo se habituavam àquelas canseiras. Mesmo nas famílias mais abastadas, nas grandes herdades, a cena não era muito diferente. Os grandes senhores, estavam rodeados de trabalhadores, mas viviam também dos frutos que as terras davam.
Nestas famílias, havia as mulheres serviçais a quem na maior parte dos casos era negada a constituição de família ao lado das senhoras patroas que, pouco ou nada mais eram do que objectos de adorno e procriação dos grandes senhores que as dominavam, a elas, e a todos os que viviam dentro das suas propriedades. A diferença entre estas duas condições de mulher é que, enquanto uma vivia servindo os seus patrões, a outra era servida pelos seus criados e tinha que obedecer e servir ao seu marido, senhor absoluto de toda aquela complicada sociedade doméstica.
Em qualquer dos casos descritos, era negada à mulher qualquer tomada de posição face ao que quer que fosse. A servilidade da mulher, em geral, era cega e escravizante.
Mas, os campos e as pequenas comunidades artesanais começaram a não assegurar a sobrevivência dos que deles viviam e foram cedendo lugar ao aparecimento de novas indústrias onde os homens arranjavam emprego deixando as mulheres nas tarefas de casa e amanho da terra. Juntavam os seus proventos, mas não eram o suficiente.
A hora de mudança de atitudes comportamentais do homem e da mulher estava iminente, não havia outro remédio.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 27 de Maio de 2008

Escuridão!...



Todos gostamos de ter dias felizes... mas grande parte das vezes... não obstante querermos mostrar a vida clara e transparente... ela acaba por parecer-nos uma tortuosa escuridão.
Estamos em pleno mês de Maio. Cá para os nossos lados há campos verdes ou com plantinhas a crescer por entre a escuridão da terra lavrada! Montes floridos de onde sobressai o amarelo das giestas, do tojo e da carqueja e o cor-de-rosa da urze! Algumas flores brotam nos jardins! Chilreiam passarinhos! Entretanto, as nuvens vão-se adensando no espaço teimando em esconder o Sol, em arrefecer os já longos dias, em deixar cair chuvas bastante continuadas. É a Natureza a fazer escuridão!
Noutros recantos do planeta a terra treme desmedidamente e os ventos e temporais devastam e arrasam as populações sem dó nem piedade. É a Natureza que continua a fazer a escuridão!
Um pouco por toda a parte furtam-se bens e vidas. O medo cada vez se torna mais numa constante e desoladora ameaça à tranquilidade e paz. As maravilhas da informática, em vez de serem aproveitadas como canais de aprendizagem de bons costumes e desenvolvimento e concretização de saberes muitas vezes acabam por servir a difusão de ideais perversos e subversivos. A “plebe” atropela-se na busca dos meios de sobrevivência, os senhores do mundo alargam os seus proventos vertiginosamente, os políticos são homens e mulheres com todas as qualidades e defeitos que daí advêm acrescidos daqueles que são apanágio das pessoas que se habituam a ocupar cargos de poder e chefia. Os bons costumes são muitas vezes estupidamente vistos como coisa do passado e os valores humanos e cristãos são cada vez menos frequentes. Agora, é o próprio “homem” a fazer a escuridão!
Aqui e além erguem-se e vão-se multiplicando algumas luzes a mostrar o caminho do bem... mas o nevoeiro da ilusão, que não quer deixar propagar essa luz... vai cegando os olhos de quem tem pouca força para caminhar e não encontra quem o puxe pela mão. É a falta de solidariedade a fazer a escuridão.
No meio das amarguras da vida a desilusão e o cansaço vão-nos fazendo perder as energias positivas... e quando isso acontece... é o ser que faz a sua própria escuridão e muitas vezes acaba por não conseguir sair dela sozinho!
Como tenho saudades dos Maios solarengos no corpo e no espírito... das corridas na busca das flores silvestres... dos sorrisos francos de tantos amigos leais... e do encontro comigo mesma na doce tranquilidade do trabalho simples e pouco remunerado... mas onde se sentia o aconchego carinhoso de um pai e de uma mãe unidos em corpo e alma... o amor sincero e desinteressado de um vizinho... a escuta solidária de um companheiro ou companheira!...´
Se existem amigos agora... existem... é uma verdade... mas mais do que nunca só muito bem escolhidos.
Não consigo entender como numa época de tantas luzes pode haver tanta escuridão!... Satisfaz-me o saber que cada um de nós pode ser luz... e resta-me incentivar a que cada um procure sê-lo de verdade, pois é um trabalho individual para o bem de todos!
Coragem e determinação! O mundo precisa que deitemos mãos à obra!


Hermínia Nadais


Publicada no Notícias Cambra

sábado, 17 de Maio de 2008

FAMÍLIA E SOCIEDADE


Para muitos de nós é sobejamente reconhecido que uma pessoa, para o ser em plenitude, com força de vontade e auto domínio, necessita de uma boa integração familiar e social.
"Família" e "sociedade", são dois conceitos distintos e complementares, mas de certo modo iguais e mutuamente dependentes.
Quando falamos de família queremos referir-nos expressamente à chamada família nuclear, isto é, o casal e seus descendentes. De facto, é essa a primeira comunidade social de um recém-nascido, de uma pessoa. Segue-se-lhe a família alargada, ou seja, a comunidade formada pelo conjunto das várias famílias nucleares incluídas na árvore genealógica de que essa família nuclear faz parte. Muitas famílias formam uma aldeia, vila cidade... e há freguesias, concelhos, nação, nações... sociedades cada vez mais alargadas e dos mais divergentes hábitos, costumes, tradições... E, dentro dessas comunidades gerais, surgem muitas outras para a realização de cada um segundo as necessidades ou gosto pessoal: escolas, associações culturais, desportivas, religiosas, de caridade e assistência... E é um nunca mais acabar de instituições e associações da carácter social, colectividades que têm por fim a protecção, o desenvolvimento e a realização pessoal do indivíduo. À semelhança da família, cuja representação e gerência é efectuada pelo casal que a constituiu, as instituições também têm órgãos representativos e de gestão: numas esses órgãos, tal como nas famílias, são as próprias pessoas que as imaginaram e puseram a funcionar; noutras, é feita a escolha obedecendo a leis previamente estabelecidas.
Todas as instituições têm estatutos, regras de convivência social, são geridas e representadas por alguém. A família, a primeira de todas as instituições na nossa vida, tem leis de orientação e protecção bem definidas. Diferente de qualquer outra onde o elo de ligação dos associados pode apresentar múltiplos interesses, o conceito de família está assente no amor mútuo e ligado aos laços de sangue, à continuação da vida. Nenhuma outra instituição tem fim tão sublime, mas também nenhuma tem tanta responsabilidade na sociedade onde está inserida. Em qualquer outra instituição, entra quem quer ou necessita; na família, não é assim. A constituição de família, o viver em família, partilhar com alguém os desejos e ambições, faz parte de cada um de nós, é inato. É por esta necessidade de convívio e partilha de vida que há tantas famílias resultantes de ligações pouco aceites e menos habituais. Somos seres sociais, não fomos criados para viver sós. No entanto, numa família normal que é constituída livremente por duas pessoas complementares entre si, ligadas por amor, de cujo fruto nascem os filhos!... Filhos que não pedem para nascer... não têm culpa de nascer... mas, uma vez aparecidos, têm direito à vida, a uma vida digna, com amparo, protecção e orientação adequada.
Fala-se muito da protecção à família, mas quanto mais se fala em protecção, mais problemas familiares atingem a sociedade em geral. E o processo educativo das nossas crianças e jovens sofre as graves consequências dos problemas angustiantes dos pais. O caso é muito grave, gravíssimo mesmo. É caso para muita reflexão. Estou certa de que, se houvesse tempo e predisposição para pensar... muito ficaria diferente.
Queridos pais, aflitos com tantos problemas: Vamos parar um pouco para olhar profundamente as drásticas alterações da participação do homem e da mulher na vida familiar e social com as implicações que daí resultam; ver o que há de bom e mau; e, finalmente, tentar interiorizar e viver o que acharmos melhor para a felicidade de cada um de nós que será, sem dúvida, a felicidade de nós todos.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

LIBERDADE... até quando!...


Vivemos recentemente a passagem de mais um “25 da Abril” a que os portugueses se habituaram a chamar “dia dos cravos” ou “dia da liberdade”.
Qualquer destas expressões está correcta. Mas... não basta falar de liberdade, é urgente que na vida pessoal e social não se viva em anarquia.
O nosso País tem os seus filhos desterrados espalhados por todo o mundo... enquanto cá dentro abundam pessoas estrangeiras ligadas aos mais altos negócios ou mesmo vivendo de mendigagem; aumentam desmedidamente os roubos e os actos de vandalismo contra pessoas inocentes; desde os políticos e ricaços aos mais carenciados temos que ter sempre a maior atenção a toda a forma de proceder porque na maior parte dos casos não há coerência entre o que dizem e o que fazem; os valores humanos e espirituais são relegados, e assiste-se a um sem número de famílias desagregadas e a filhos cada vez mais abandonados à sua sorte ou então sumamente mimados por ambos os progenitores e seus familiares que não querem perdê-los e os compram da forma que entendem melhor; o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e a população cada vez mais envelhecida, pois perderam-se os verdadeiros valores da vida e não há incentivos à natalidade; as igrejas estão cada vez mais desertas, porque cada vez mais se retira Deus da vida e se criam deuses à maneira humana (dinheiro, sexo, grandezas, poder); na procura de resposta para o mal estar geral os curandeiros, psicólogos e psiquiatras vêm os seus consultórios a abarrotar, quando as verdadeiras respostas deveriam procurar-se acima de tudo bem dentro de cada um na forma como encarar a verdadeira dimensão da vida e a verdadeira forma de bem viver!...
Francamente!... Chamem-lhe o que quiserem... mas isto... realmente... não é liberdade nenhuma! Quando muito... será um começo... e muito mal começado!...
Sou acerrimamente contra toda e qualquer opressão. Mas... é hora de me questionar:
- Por onde anda a verdadeira educação para a liberdade? Que tipo de vida é dada aos agentes de ensino? Como andam os currículos escolares?
E... mudando de assunto:
- Como andam as fugas ao fisco? Qual é o montante dos salários dos grandalhões... das suas pensões de reforma... e quais os míseros tostões que recebem os pobres desamparados e velhinhos? E a assistência médica às pessoas idosas acamadas ou incapacitadas de se movimentar... começa a ir o médico a casa visitá-las regularmente... ou para não morrerem à míngua terão de continuar a ter de pagar caro essa visita com os poucos proventos que têm...e caladinhas para não serem punidas? Qual o incentivo ao trabalho... e a desmotivação para a procura desregrada do fundo de reinserção social ou rendimento mínimo garantido? Qual o cuidado com a saúde laboral de tantos que são obrigados a trabalhar sem poder... contra tantos outros que já não trabalham e deveriam fazê-lo? Como vamos melhorar o processo dos empregos por “cunhas” e não por capacidades? Valha-nos a santa liberdade!!!...
Tantas coisas erradas... vão-nos retirando de ver e sentir o quanto é bom viver em liberdade... porque, viver em liberdade, é realmente muito bom! Mas... ser livre, não é, de forma alguma, ter-se tudo o que se quer e apetece... é cada um fazer tudo quanto possa para o bem comum obedecendo a regras ainda que, caridosamente, tenha de as contestar.
Até quando?!... Tanto tempo passado... e ainda estamos tão longe de sabermos viver em liberdade!... É muito bom questionarmo-nos para podermos encontrar o melhor caminho a seguir, uma vez que a liberdade é uma tão grande utopia que só existirá na medida em que partir bem de dentro de nós... do exacto cumprimento de todo o nosso dever de cidadãos portugueses e do mundo!...
Mãos à obra! Não há tempo a perder!

Prof. Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 1 de Maio de 2008

CULTURA GERAL


Falar de cultura e sabedoria é parte integrante da linguagem do nosso tempo. O alargamento da escolaridade obrigatória implicou o desabrochar substancial da necessidade premente do aumento de instrução. A televisão, pelas mais diversas formas, traz aos nossos ambientes familiares e sociais os costumes, vivências e tradições das mais variadas civilizações. Os livros, revistas e jornais proliferam por toda a parte. Carros itinerantes com Bibliotecas Móveis vagueiam pelas aldeias mais recônditas. As acções de formação a todos os níveis são inúmeras. Em muitas localidades já são poucas as famílias que não possuem computador e Internet. Sem sombra de dúvida o nosso meio ambiente oferece-nos uma infinidade de meios que nos podem levar a um enriquecimento cultural constante, a situações que, se bem aproveitadas, podem levar a um permanente estado de aprendizagem.
Ser culto, ter muitos conhecimentos, é um desejo inato de toda a gente, pelo que apelidar de inculto pode tornar-se mesmo num dos maiores insultos.
Esta maneira de ver a humanidade pode parecer-nos descabida, pois temos por hábito pensarmos inculta ou atrasada uma pessoa que não tem cursos académicos... não tem profissão daquelas que exige indumentárias bem alinhadinhas e aspecto pessoal muito bem cuidado... não ocupa cargos de relevo nas associações comunitárias... ou não faz nada de relevante, e o nosso péssimo hábito de julgar pelas aparências... leva-nos a esquecer estupidamente que uma pessoa não vale pelo que faz ou mostra mas sim pelo que realmente é. Contudo, só conhecerá verdadeiramente a pessoa quem conseguir entrar no seu interior, e isso é apanágio de Alguém que nos transcende, que está acima de nós... o único que pode ajuizar com eficiência. Nós, seres humanos, nunca estaremos aptos a julgarmos convenientemente nem a nós mesmos... como poderemos querer fazê-lo com os outros?!...
Haja honestidade!
Todas as pessoas são importantes, cada qual da sua maneira! E quanto a saberes, cada pessoa, conforme o meio socioeconómico e ambiente familiar onde nasceu, adquiriu um certo tipo de saber, uma certa maneira de agir, uma certa forma de estar e de ser... um certo tipo de cultura.
Se analisarmos mais profundamente, chegaremos à conclusão de que há um sem número de culturas específicas de cada Continente, de cada País, de cada Província, de cada ambiente profissional... de cada tipo de lazer... de cada religião... de cada pessoa em particular! Se assim não fosse... nunca poderíamos afirmar que “Cada um de nós é único e irrepetível!”
Neste contexto, ter cultura geral é apresentar um conhecimento mais ou menos alargado dos diversos tipos de saberes existentes em cada cultura específica, é possuir uma forma de saber mais abrangente, o que leva a uma forma de estar mais segura em toda e qualquer circunstância.
Procurar ser cada vez mais culto, ter sabedoria, é partir à procura do que é transcendente para si mesmo em determinada ocasião, e que só deixará de ser transcendente, quando for bem assimilado e integrado na vida – aprendido de verdade.
Cultura e transcendência caminham de mãos dadas com todo o ser humano que, quanto mais procura o enriquecimento dos seus saberes, mais cresce de uma forma global, ou seja, no seu todo que abrange o científico, o intelectual, o humano, o espiritual. O transcendente é algo sublime, excelente, superior, importante, que está acima do ser.
Há realmente conhecimentos que nunca conseguiremos nesta estrada da vida e serão sempre transcendentes para todos nós. Mas, está provado cientificamente que o desenvolvimento do ser humano está muito abaixo das suas potencialidades normais. Assim sendo, para o homem, todo o esforço dispendido por obter a aprendizagem que ainda não conseguiu assimilar para com ela poder preencher minimamente o vazio insaciável do seu coração, será sempre a busca do transcendente.
Toda a espera é prejuízo. Mãos à obra!...

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

sábado, 26 de Abril de 2008

Trevas e luz



Nesta enorme “aldeia” onde vivemos, ao lado de inúmeros acontecimentos bons e comportamentos exemplares que a maior parte das vezes são ignorados, desprezados, ultrajados, ultrapassados e esquecidos... ainda há inúmeras situações inaceitáveis.
Fala-se muito em tempo de mudança... eu diria, de controvérsia!
O desenvolvimento humano sempre teve e sempre terá fases positivas e negativas. É certo que tudo nos ajuda a aprender. Mas é horroroso, quem nasceu para a felicidade e crescimento constante nos caminhos da vida... ter de aprender com tanto sofrimento desnecessário.
Há quem fale muito em dinheiro... e quem omita conversar sobre ele. Diz-se que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. É apenas uma meia verdade pois refere-se simplesmente ao problema financeiro, e não há dúvidas de que isso é uma realidade. No entanto, se tentarmos ver as coisas dum outro modo, afirmaremos, sem qualquer receio que, de uma maneira quase geral, estamos cada vez mais pobres... pobres daquela riqueza que nem se palpa nem se vê... a verdadeira riqueza que nos faz crescer interiormente como nos convém.
Este tipo de riqueza não se compra com dinheiro, adquire-se num aturado estudo interior que nos leva a fazer das trevas da nossa ignorância luz verdadeira e fecunda.
A falta de conhecimento gera as maiores confusões e leva a que nunca se aceite a verdade tal como ela é por falta de compreensão. A visão que os nossos olhos alcançam engana-nos vezes sem conta.
Quando vejo a degradação em que se encontra o sistema educativo, não obstante o trabalho e bravura de grande parte dos professores, pergunto a mim mesma que caminho estamos a seguir. A ignorância destrói o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, e muito mais, nesta época em que a aprendizagem nos entra todos os dias pelas portas dentro.
Mais do que nunca, saibamos escolher o que vemos. Não desprezemos os bons filmes, os documentários, as boas leituras, as meditações, a procura constante de saber quem somos, o que pretendemos, qual será o verdadeiro caminho do sucesso na nossa vida sem interferir no sucesso da vida de quem nos rodeia.
O homem é insatisfeito por natureza. Quando se diz que foi criado para o infinito ou transcendente, parece-nos que para isso tem de sair fora de si... mas não.
Muito pelo contrário! O querer ir mais além é algo que habita constantemente o mais profundo do nosso coração, que está bem dentro de nós. Só na medida em que o homem se reconheça tal como é, com defeitos e qualidades, com fraquezas e forças... estará pronto para procurar algo mais do que ele... que o transcenda! Mas é trabalho a efectuar bem dentro de si... quando confia na capacidade de mudança para uma vida melhor, mais digna e dignificante.
Se aprendermos a olhar-nos interiormente a cada momento da vida, teremos oportunidade de nos sentirmos amparados pela presença constante de algo maior do que nós a guia-nos os passos e a levar-nos à prática das boas obras que nos lançam cada vez mais no caminho da transcendência.
Deixemos as trevas da ignorância para buscarmos constantemente a luz do saber... é a única forma de podermos, realmente, “ser” verdadeiramente homens e mulheres.

Prof. Hermínia Nadais


Publicado in "Notícias Cambra"


terça-feira, 15 de Abril de 2008

A FAMÍLIA NA SOCIEDADE

Começo por recordar o triplo enquadramento educacional que qualquer Homem terá de fazer para uma plena realização pessoal: a sua hereditariedade, valores familiares e do meio ambiente circundante.
Depois de abordado o tema da genética e de ser referenciado o enquadramento da família na base dos costumes e tradições de qualquer sociedade, é o momento de pensar nos problemas actuais e angustiantes que a afligem no decorrer dos nossos dias em que atravessa uma das maiores crises de todos os tempos.
A implementação das novas tecnologias e a drástica mudança de condições socio-económicas e culturais levou a uma grande modificação de mentalidades que, lentamente, se tem vindo a efectuar; e as necessidades prementes da vida actual alteraram radicalmente a família tradicional onde o homem e a mulher tinham tarefas específicas e bem definidas. Já vai ficando para trás o tempo em que as mulheres eram apenas esposas submissas e trabalhadoras, boas donas de casa e boas mães enquanto os homens angariavam o sustento da família. A mulher cada vez mais é chamada a trabalhar, ao lado do homem, não só para uma realização pessoal mas também porque, os proventos do seu trabalho além do de "doméstica" são necessários para o equilíbrio orçamental do agregado familiar. No entanto, ainda são muito poucos os homens que compreendem a extenuante e dupla actividade da mulher actual e a ajudam nas lides caseiras e na educação dos filhos de igual para igual. Fazem-no por desleixo, por mero egoísmo ou pelo receio de serem chamados de "maricas", preconceito que ainda persiste e estraga o bom ambiente familiar e social. E é absurdo pensar numa mudança muito rápida e fácil, pois ela está a fazer-se, sim, mas muito lentamente e com sérios problemas de adaptação tanto masculina como feminina. Daí tantos divórcios, uniões de facto, vidas a sós...
E nenhuma pessoa ou família com instabilidade económica, emocional, social, erradicada de prestígio, pode proporcionar aos descendentes os valores imprescindíveis ao desenvolvimento global e harmonioso da cada ser e, consequentemente, à construção de uma sociedade mais compreensiva e justa.
Um casal onde falte o dinheiro para cobrir as despesas essenciais à subsistência passa a fazer da resolução dessa questão o fim primordial da sua vida; se há instabilidade afectiva, a luta pela compreensão, carinho e atenção a que cada um tem direito absorve toda a sua razão de viver e todas as forças e estratégias possíveis são postas em prática para que seja recuperado o sossego, o amor e a paz familiar; e o que não é bem aceite pela sociedade acaba por fazer todos os esforços a fim de apresentar uma mudança significativa do seu comportamento ou estrato social no sentido de modificar a opinião pública a seu respeito.
É humano que isto aconteça. Mas, como podem dedicar-se ao aperfeiçoamento moral e observação de valores éticos, membros de famílias que tentam sobreviver com tantas carências económicas, afectivas e sociais?!...
Ninguém pode dar o que não tem. Como podem tantos pais dar uma vida agradável aos filhos se vivem envoltos num mar de amargura e incompreensão? Como podemos pedir valores morais a estômagos vazios, a braços cansados e a cabeças prestes a estoirar pela procura da resolução de tantos problemas?
Para uma pessoa se reconhecer tal qual é, assumir os seus defeitos e lutar contra eles, reconhecer e desenvolver as suas qualidades, necessita, antes de mais, ter condições razoáveis de vida. Então, sim, poderá tentar ter uma vida interior intensa e activa: muita coragem, força de vontade e auto domínio. Isto só poderá conseguir-se com um sólido ambiente familiar onde reine a harmonia, a compreensão e aceitação mútua, e se faça uma auto e hétero-reflexão frequente evidenciando as características inatas ou adquiridas de cada um para que cada qual possa crescer em amor, solidariedade, espírito crítico e verdade.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 8 de Abril de 2008

A Globalização


Ao pensar um pouco mais profundamente nas necessidades vitais do Homem, surge-nos a cultura e a transcendência. Se há anos me emparelhassem estas duas palavras, consideraria aberração. Hoje, sinto-o uma necessidade. Elas têm de ser assumidas, impreterivelmente, como parte integrante da vida humana.
Quando começaram a aumentar os anos de escolaridade, surgiram reacções diferentes: uns diziam que as crianças e jovens, agarrados aos livros, perdiam a infância e juventude... outros, gritavam com desespero porque, deste modo, deixariam de ser ajudados no sustento da família... tarefa que os pais aceitam nos tempos que correm, mas que era por eles incomportável num passado ainda recente.
O rodar do tempo foi mudando a forma de viver e encarar a vida. A bem de um bom crescimento harmonioso do Homem, já se vai reconhecendo que aprender é uma necessidade imperiosa... (necessidade que o sistema educativo vigente não satisfaz por não se adequar a todas os requisitos de realização pessoal e profissional das “pessoas concretas” a que chamamos população).
Todavia, a implementação dos Meios de Transporte e Comunicações, ao lado do aparecimento e projecção da Informática, desenvolveu, de forma irreversível e inigualável, a Comunicação Social, e fez com que, aos poucos, fosse eclodindo uma enormíssima interacção entre os povos, a “Globalização”.
Este fenómeno incomparável alterou definitivamente a situação socio-económica e cultural das populações, pois transformou cada povoação numa ínfima parte da enorme aldeia global onde habitamos - o planeta Terra – que vai sobrevivendo tremendamente devastado por uma onda gigante de egoísmo e superioridade, onde as pessoas cada vez se entre ajudam e conhecem menos e onde a privacidade é cada vez mais posta à prova, das formas mais divergentes, tantas vezes horrorosamente repletas de negatividade.
Actualmente... quase não precisamos de sair à busca do mundo, porque ele nos penetra as habitações pelos microscópicos orifícios das paredes e telhados, das portas e janelas... para viver connosco, discreta ou descaradamente... nos écrans e monitores.
Isso é um bem que nos leva a ter outras perspectivas de vida... a saber inúmeras coisas que outrora nunca havíamos sonhado existir... a usufruir de formas de ensino/aprendizagem nunca pensadas ou descritas. Podemos conhecer os modos de vida de povos sem fim... os seus hábitos mais rudimentares ou avançados... os seus sonhos e ambições... a maravilha do seu meio ambiente natural.
Todavia, precisamos ser muito diligentes e cuidadosos com tudo quanto nos envolve para não sermos arrastados para comportamentos indesejados. O facto do ser humano ter uma grande capacidade de adaptação é muito salutar; mas a tendência natural de ser um “imitador” nato, tipo papagaio, pode levá-lo a sair dos hábitos, costumes e tradições da terra onde nasceu, cresceu e viveu ou vive, o que, se não for bem orientado, pode ser-lhe muito prejudicial.
Temos consciência de que a vida humana não pode depender somente de tradições... mas não podemos negar o facto de que elas existem, protegem, projectam... ou mesmo condicionam as vidas.
O fenómeno abrangente da globalização tem que ser profundamente estudado e reconhecido para se poder tirar dele tudo quanto de bom trouxer de outras paragens, mas sem por em causa os bons costumes enraizados na vida de cada povo, tribo ou nação.
A Globalização é uma realidade que tem de ser dignificada através do aprofundamento estruturado de uma cultura específica e geral cada vez mais abrangente e cuidada, como fundamento de uma vida mais aberta ao bom acolhimento, compreensão e aceitação da comunidade restrita ou alargada em que estivermos inseridos, para que, em nós e nos outros, possamos distinguir cada vez com mais eficiência o bom do mau, o útil do inútil, o razoável do cauteloso, o certo do errado... possibilidade de maior certeza do que devemos ou não devemos fazer.
O desenvolvimento humano está muito longe das verdadeiras capacidades de cada homem e de cada mulher! Não tenhamos medo de aprender... pois só com um conhecimento mais exacto de tudo quanto é capaz, a Humanidade pode desejar algo disposto a superar as suas impossibilidades... que a transcenda... que esteja acima de si mesma!
Eu... continuarei à procura! Deixo à disposição o desafio do encontro.
Feliz tempo Pascal!

Prof. Hermínia Nadais
Publicado no Jornal Notícias de Cambra

sexta-feira, 4 de Abril de 2008

FAMÍLIA E SOCIEDADE


Para muitos de nós é sobejamente reconhecido que uma pessoa, para o ser em plenitude, com força de vontade e auto domínio, necessita de uma boa integração familiar e social.
"Família" e "sociedade", são dois conceitos distintos e complementares, mas de certo modo iguais e mutuamente dependentes.
Quando falamos de família queremos referir-nos expressamente à chamada família nuclear, isto é, o casal e seus descendentes. De facto, é essa a primeira comunidade social de um recém nascido, de uma pessoa. Segue-se-lhe a família alargada, ou seja, a comunidade formada pelo conjunto das várias famílias nucleares incluídas na árvore genealógica de que essa família nuclear faz parte. Muitas famílias formam uma aldeia, vila cidade... e há freguesias, concelhos, nação, nações... sociedades cada vez mais alargadas e dos mais divergentes hábitos, costumes, tradições... E, dentro dessas comunidades gerais, surgem muitas outras para a realização de cada um segundo as necessidades ou gosto pessoal: escolas, associações culturais, desportivas, religiosas, de caridade e assistência... E é um nunca mais acabar de instituições e associações da carácter social, colectividades que têm por fim a protecção, o desenvolvimento e a realização pessoal do indivíduo. À semelhança da família, cuja representação e gerência é efectuada pelo casal que a constituiu, as instituições também têm órgãos representativos e de gestão: numas esses órgãos, tal como nas famílias, são as próprias pessoas que as imaginaram e puseram a funcionar; noutras, é feita a escolha obedecendo a leis previamente estabelecidas.
Todas as instituições têm estatutos, regras de convivência social, são geridas e representadas por alguém. A família, a primeira de todas as instituições na nossa vida, tem leis de orientação e protecção bem definidas. Diferente de qualquer outra onde o elo de ligação dos associados pode apresentar múltiplos interesses, o conceito de família está assente no amor mútuo e ligado aos laços de sangue, à continuação da vida. Nenhuma outra instituição tem fim tão sublime, mas também nenhuma tem tanta responsabilidade na sociedade onde está inserida. Em qualquer outra instituição, entra quem quer ou necessita; na família, não é assim. A constituição de família, o viver em família, partilhar com alguém os desejos e ambições, faz parte de cada um de nós, é inato. È por esta necessidade de convívio e partilha de vida que há tantas famílias resultantes de ligações pouco aceites e menos habituais. Somos seres sociais, não fomos criados para viver sós. No entanto, numa família normal que é constituída livremente por duas pessoas complementares entre si, ligadas por amor, de cujo fruto nascem os filhos!... Filhos que não pedem para nascer... não têm culpa de nascer... mas, uma vez aparecidos, têm direito à vida, a uma vida digna, com amparo, protecção e orientação adequada.
Fala-se muito da protecção à família, mas quanto mais se fala em protecção, mais problemas familiares atingem a sociedade em geral. E o processo educativo das nossas crianças e jovens sofre as graves consequências dos problemas angustiantes dos pais. O caso é muito grave, gravíssimo mesmo. É caso para muita reflexão. Estou certa de que, se houvesse tempo e predisposição para pensar... muito ficaria diferente.
Queridos pais, aflitos com tantos problemas: Vamos parar um pouco para olhar profundamente as drásticas alterações da participação do homem e da mulher na vida familiar e social com as implicações que daí resultam; ver o que há de bom e mau; e, finalmente, tentar interiorizar e viver o que acharmos melhor para a felicidade de cada um de nós que será, sem dúvida, a felicidade de nós todos.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 1 de Abril de 2008

Deslumbramento!



Para mim a vida foi sempre uma escola magnífica. E ainda hoje continuo a pensar que é no palco da vida que reside a maior e melhor de todas as escolas, porque liberta de teorias ocas e impregnada das práticas mais abrangentes. Aprende-se a fazer, fazendo... e aprende-se a viver, vivendo. Por mais que alguém se esforce por nos ensinar a viver, os resultados serão sempre pouco vantajosos. Não é possível acreditarmos plenamente na informação obtida, nos conselhos escutados, nos exemplos que nos entrarem por todos os poros do corpo e do espírito. Acabámos por desencadear em nós um sem número de experiências que nos levam a aprender, acima de tudo, com as nossas tentativas e os nossos erros. Consciente ou inconscientemente, aproveitando ou não as lições diárias da vida, cada um de nós será um autodidacta permanente.
Ao longo da vida, na maior ou menor inquietude, vaguearemos por um qualquer espaço sentindo que o rodar do tempo nos projectará cada vez mais para um incomensurável desconhecido. Nada nem ninguém conseguirá fugir desta realidade que, por ser tão profunda, acabará por ser inatingível a uma grande parte da humanidade. Quer acreditemos ou não, somos os principais agentes da nossa própria educação e do enraizamento da nossa estrutura socioeconómica e espiritual.
A vida poderá ser considerada assim como uma bicicleta, um automóvel, um autocarro, um barco ou um avião que, conforme a dificuldade inerente ao tipo de veículo que formos, teremos de saber conduzir... mas que tantas vezes não conseguimos aprender!...
A estrada por onde enveredamos no decorrer da nossa vida quase sempre se nos apresenta como caminhos sinuosos e cheios de lacunas. Na vida temos apenas duas certezas absolutas: que um dia nascemos... e que um dia morreremos.
Nascemos sem qualquer pedido ou escolha da nossa parte; irremediavelmente começamos a crescer; lentamente, vamos descobrindo o porquê... e continuaremos à descoberta de todo o para quê da nossa vida.
Quanta fé e trabalhos, lágrimas e torturas, esperanças e sonhos desfeitos, desilusões e aflições, amarguras e cansaços, atropelos e desembaraços... quantas vezes com o coração despedaçado e a cabeça desfeita da busca constante de um caminho que teima em se esconder!...
Olhando-nos na suavidade atenta do nosso nada, verificamos que somos corpo e espírito únicos e irrepetíveis, mas antagónicos nas necessidades, nos gostos, nas escolhas, nos desejos, nas maneiras de ser e formas de estar. O corpo, cartão de visitas pessoal, é tentado a exibir toda a beleza, esmero, aparato e presunção; o espírito, suporte de todas as acções individuais e colectivas, na obscuridade da sua essência, tenderá a ficar quase sempre sujeito às maiores carências afectivas e efectivas... sem os cuidados necessários para poder ter sempre a coragem de levar à prática de palavras meigas, de compreensão e entrega mútua, da solidariedade e do amor fraterno, da descoberta do transcendente para que todos fomos criados.
Só com muita dádiva e empenhamento as acções do espírito poderão dominar verdadeiramente o corpo tornando o todo que o Homem é igual a si mesmo... porque imbuído do sonhado deslumbramento que de outra forma nunca poderá alcançar... fascinação difícil de atingir, pois sendo apanágio do SER HUMANO, transcende o homem.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

O bailado das nuvens!




O tempo da Quaresma é especial para remodelarmos a nossa caminhada e ensinar-nos que na melodia do tempo se dançam as realidades da vida na mais densa escuridão ou na mais brilhante claridade.
Na valsa das trevas magoamos o peito, o coração baralha o seu ritmo, os pés não sabem por onde seguir e as mãos flutuam no espaço tentando encontrar onde prender os dedos. Quando tudo parece perdido surge uma luz ténue na estrada a percorrer... e, então, sentimo-nos mais libertos, seguros, despertos e atentos a quanto nos rodeia e mais flexíveis no baloiçar dos gestos e no balbuciar das palavras. Descobrimos que é nessa valsa da noite que desvendamos o fascínio dos bailes da vida, diurnos ou nocturnos, mas que sempre farão de nós estrelas... maiores ou menores, mais ou menos fascinantes.
Claro que, se vamos comparar-nos a estrelas... é natural que queiramos brilhar!
Mas, é urgente e necessário analisarmo-nos profunda e friamente e tentar ver dos outros tudo quanto nos for dado observar... para podermos verificar que a nossa importância não provém do tipo de estrela que somos mas sim do conseguir entrar na dança das estrelas com o nosso verdadeiro tamanho e condição... porque é sempre belo o brilho de qualquer estrela.
Uma destas noites, no meu quarto, depois de ter apagado a luz, abri os olhos. E ao contrário do escuro cerrado habitual eu vi, com as formas e tamanhos mais divergentes, um maravilhoso bailado de nuvens brancas, graciosas e leves que se deslocavam suavemente no espaço com tal delicadeza e brandura que fiquei estupefacta e a pensar se não estaria a passar para uma outra dimensão da vida... pois a visão transcendia o meu pensamento e levava-me ao inimaginável e irreconhecível a mentes humanas. E quanto mais fixava o meu olhar naquele panorama de sonho... mais rápidos, velozes e felizes se movimentavam aqueles seres tanto belos como estranhos! A dada altura, de entre eles, reconheci, numa nuvem bem maior, um “ROSTO” maravilhoso que logo desapareceu entre toda aquela esplendorosa movimentação alada... sem asas.
Diante daquele panorama que me confundia a verdade dos factos com a ilusão dos sentidos, cansada da aspereza do dia e do adiantado da noite, a sós comigo mesma, sentei-me nos muros da minha imaginação!... Olhei o preto e o verde dos meus campos e montes, as variadíssimas nuvens que sulcam o azul do meu céu, as ásperas ou escorregadias pedras da calçada onde me movo!...
Na análise exaustiva destes momentos tão fascinantes acho que tudo se foi clarificando! Bonitos ou não, sábios ou menos inteligentes, grandes ou pequenos... fazemos parte do enormíssimo conjunto dos filhos da LUZ... criados para a felicidade que ali ressaltava de igual forma em todas aquelas nuvens dançantes.
Que nunca queiramos parecer maiores do que aquilo que somos... e que esta Quaresma nos proporcione a graça de descobrirmos qual o nosso lugar na calçada da vida... para que possamos vir a ser bem integrados no bailado das nuvens brancas!

Hermínia Nadais
Publicada no Jornal “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 27 de Março de 2008

Máscaras... não!


Várias vezes... frente ao espelho do meu quarto, quase não me consegui reconhecer. Com tão estupefacta alteração, apostaria mesmo a dizer que o “meu rosto”... não era o meu. Pensei muitas vezes no porquê das bruscas variações, mas sem resposta. Na calmaria de um final de tarde depois de um dia tranquilo e aquando a preparação do descanso nocturno, maquinalmente, olhei o espelho. De novo, fiquei surpreendida!... Embora num sentido inverso, “aquele rosto”... também não me parecia o meu. Aproveitei a jovialidade da noite para perder-me da televisão e interiorizar as várias imagens tão reais... e tão diferentes... observadas no silêncio mudo daquele espelho que parecia querer dizer-me alguma coisa. Quedei-me por instantes... não a rever a incompatibilidade incompreensível da leitura feita às imagens observadas... mas a descortinar umas outras imagens, bem mais profundas e reais do que aquelas que ali me representavam, muito embora com expressões tão diferentes... naquele que era... de facto... o meu retrato.
Passados momentos, a resposta foi-me clara.
Afinal... era sempre ali que eu me encontrava... sem nada que me perturbasse... no escuro da noite! Frente ao espelho, eu... somente eu... sem qualquer “máscara”... sem nada a esconder a minha verdade!
Sem sombra de dúvida, as variações do “meu retrato” demonstraram-me a sensação exacta da grande realidade do provérbio popular: “O rosto, é o espelho do coração!”
O coração triste e amargurado esconde o brilho do olhar e ensombra o rosto; o coração feliz, põe o rosto a irradiar felicidade!... E, qualquer destas situações que parecem diferenciar o rosto alterando por completo a sua expressividade, são a representação infalível da realidade ocasional de cada um no mais profundo do seu ser.
A época que atravessamos, para muitos, é ocasião propícia para disfarçar o rosto com as tradicionais máscaras de Carnaval... Máscaras... que tantos de nós... para esconder as amarguras da vida... decidimos colocar sobre o rosto nos trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano!... Até quando!?...
Que bom seria que pudéssemos reconhecer, sempre e em qualquer situação, em todos os rostos... não os aparatosos disfarces... mas os verdadeiros espelhos dos corações!...
Mas não podemos iludir-nos! O retrato de qualquer rosto... só poderá ser realmente visível para o seu dono e seus verdadeiros amigos.
Que bom ter amigos!!!...
Fala-se muito em amizade!... Será que algum dia conseguiremos ser, de facto, amigos... de nós mesmos... e de todas as pessoas com quem convivemos?!...
Esta é a tarefa mais difícil de todas as criaturas?!... Que a consigamos levar a bom termo! Máscaras... não!


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

domingo, 23 de Março de 2008

A sociedade e a família





No desenvolvimento sociocultural do indívíduo é imperativo a existência da Escola, pois a Escola, "fruto das nossas vivências diárias", e a Escola, "Instituição", numa intercomunicação activa, completam as aprendizagens efectuadas por cada ser ao longo da sua existência.
O limiar da aprendizagem a efectuar é uma incógnita. O primeiro professor de uma criança, melhor, de um recém-nascido, ou de um ser que ainda nem sequer nasceu são os seus progenitores; depois, os restantes familiares e pessoas próximas. Se assim não fosse, como se justificaria a existência de tantos "sábios" analfabetos num passado ainda não muito remoto?
Na sociedade, quer queiramos ou não, todos, sem excepção, somos eternamente professores... e eternamente alunos... Naturalmente vamos construindo e solidificando a nossa aprendizagem com as atitudes dos outros e levando os outros a uma alteração comportamental assente na maior ou menor visualização e interiorização do exemplo a tirar das acções que vamos praticando.
Em face do exposto, surge a questão que, em uníssono, devemos proclamar:
-Como poderemos educar-nos, para podermos educar os que nos rodeiam?
De uma maneira geral, os problemas da Educação são colocados à Escola, onde trabalham os "professores profissionais" com a missão exclusiva de "Educar". A culpa das irreverências cometidas pelas crianças e jovens recai, acima de tudo, sobre o Sistema Educativo; depois, sobre a família, uma vez que grande parte dos nossos educandos provém de famílias com graves sequelas; o Meio Social também é lembrado, mas no final, e com muitas reticências. É que a "Sociedade", somos todos nós, e é difícil admitirmo-nos como culpados das infracções cometidas por essa "Sociedade" de que somos parte integrante.
Qualquer Homem é fruto da sua genética, ambiente familiar e meio socio-económico e cultural circundante; e para ser "Homem" em "plenitude", terá que viver de acordo com este triplo enquadramento extraindo dele todo o potencial necessário à sua realização pessoal e inserção social.
Não é tarefa fácil. Vamos desenvolver um pouco o primeiro ponto invocado.
A hereditariedade do ser, marca-o, para o bem, ou para o mal... Por mais que queiramos fugir desta realidade, ela persegue-nos indefinidamente.
A nível de Instituições Escolares ou outras Instituições Sociais, muito se tem feito para minorar o efeito nocivo da criação de semelhanças comportamentais entre pessoas oriundas das mesmas famílias; mas, mesmo assim, o filho de pais considerados "marginais" nem sempre é tido em parceria com o filho dos considerados "pessoas de bem". E, quando não, aparece "o certo" ou "o descalabro" de alguns provérbios populares:
-"Quem sai aos seus não degenera"; "a acha sai ao madeiro"; "filho de burro sai cavalo"; "filho de peixe sabe nadar"... que se aplicam muitas vezes para justificar a observação do bom ou mau procedimento das acções praticadas.
Quaisquer destas expressões são muito fáceis de admitir pelos sujeitos observados quando trazem consigo as boas qualidades que os seus progenitores possuíam; mas se se trata de algo de mau, normalmente, não são aceites pela pessoa a quem o provérbio se refere. E o mais grave é que, pedagogicamente falando, pode marcar o indivíduo pelo lado oposto, uma vez que o comportamento dos filhos nem sempre é como o dos pais, pois a sua educação não dependeu exclusivamente deles mas do triplo enquadramento supracitado que pode, de certo modo, mudar radicalmente as coisas.
Baseados nestes factos há outros provérbios que dizem:
-"Num bom pano cai uma nódoa"; "de uma boa geração sai uma (má) mulher ou um ladrão"...
Pela prática, sabemos que todos os provérbios apresentados descrevem puras e autenticas verdades em situações pontuais. A voz do povo é forte! A sabedoria popular é muito perspicaz e oportuna, tem sempre resposta para todas as situações.
E onde está a sabedoria popular? Quem é o povo?
O povo são as pessoas dispersas pelas mais díspares povoações. A sabedoria popular está nos seus conhecimentos empíricos, nos seus costumes cheios de sentido prático e ricos de experiência.
Onde está a génese desse povo? Onde é praticada e cultivada a sua sabedoria?
A génese de um povo está na sua constituição familiar que, sem dar por isso, transmite cabalmente a sua cultura e tradição até ao mais pequeno pormenor. Ao falar-se de um povo fala-se, indubitavelmente, das famílias por que esse povo é constituído, sejam essas famílias constituídas da forma que forem. As alterações de comportamentos sociais partem sempre da mudança de atitudes no seio familiar. E quando as famílias não têm as condições necessárias às mudanças desejadas, os atropelos surgem... o inesperado acontece!... E a sociedade, família alargada, passa a viver debaixo do jugo do provérbio popular que diz: "Casa onde não há pão todos ralham... e ninguém tem razão!"
Mas nada pode ser feito de um dia para o outro। A interiorização das novas atitudes a pôr em prática é lenta e tem de ser muito bem apresentada por alguns e muito bem compreendida e acatada por todos. Por todos, digo, porque os que apresentam soluções ou metas a seguir com segurança são os que mais têm que compreender as controvérsias que as suas palavras criam e de saber esperar, pacientemente, pelo fruto do seu árduo trabalho cujos resultados virão, sim, mas muito mais tarde...

Hermínia Nadais

Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 20 de Março de 2008

No coração ninguém manda



No coração... ninguém man­da! Talvez sim... ou talvez não! Acredito muito sinceramente que esta afirmação seja verda­deira, num jovem adolescente à procura da sua “cara me­ta­de”.
Realmente, com estes...às vezes... geram-se tremendas confusões: parece que querem uma pessoa e acabam por vol­tar-se para outra; depois, há os que se ficam por ali, e os que voltam de novo para trás; e, ainda, os que se vão man­tendo indefinidamente à pro­cura de alguém que acabam por nunca encontrar. Mas... se­rá que realmente no coração ninguém manda? Esta frase cos­tuma aplicar-se quando os casais de namorados se zan­gam ou quando o homem ou a mulher casados se ignoram... ou se relacionam profunda­men­te com terceiras pessoas. Muito sinceramente... nestas circunstâncias... o dizer que no coração ninguém manda... salvo, “talvez” algumas raras excepções, é uma desculpa mui­to esfarrapada para quem quer fugir da sua missão no lar ou fazer da vida um antro de desacertos. Se o homem é Ho­mem e a mulher é Mulher, nun­­ca descuram o seu auto-co­mando, ou, pelo menos, vão tentando colocar ao seu ser­viço todas as suas capacidades numa luta constante e resoluta contra as intempéries de mo­mento, tudo fazendo para não se desviarem do caminho cer­to, confiantes de que Deus, que nunca desampara, lhes fará o resto.
Se tivermos um pouco de bom senso e compreensão, aca­bamos por verificar que a vida é muito simples, nós é que a vamos complicando con­tinuamente: umas vezes, des­con­fiamos ou confiamos de­ma­siado nas atitudes das pes­soas que nos cercam; outras, imaginamos que as vidas po­dem ter todas o mesmo fim; mas, não. Isto de se dizer que “fomos criados aos pares”... não é de todo verdade. De fac­to, se há os que foram cria­dos para viver aos pares, há também os que nasceram para viver sozinhos... e não creio, de forma alguma, que estes se­jam os mais infelizes, muito pelo contrário. O homem ou mulher, que vivem sós estão isentos de quaisquer submis­sões primárias, o que lhes dará maior oportunidade de se de­di­carem mais ao seu próprio cres­cimento interior e às cau­sas sociais, o que poderão fazer de “corpo inteiro”.
Estúpida - dirão। Pois posso ser estúpida... retrógrada... ou o mais que me quiserem cha­mar! Mas... como a maior parte das pessoas pensa que a feli­ci­dade se vai buscar ao casamen­­­to, que respondam os casados: Será que a tão sonhada feli­ci­dade se vai buscar ao casa­mento?!... Muito sinceramen­te!... De forma alguma. A feli­cidade... não se vai buscar a la­do nenhum!... Ou se conquis­ta e se tem, ou não se conquista e não se tem. A felicidade surge e é vivida e trabalhada bem no interior de cada um. O resto... é fachada. Quantas pessoas “muito bem casadas”, vestidas com belos fatos, cabelos e unhas bem alinhadas, com bo­­­nitos sorrisos nos lábios, en­feitadas com boas e requinta­das jóias e com as carteiras cheias a abarrotar... e que vi­vem com o seu interior (cora­ção) mais vazio que o nada e mais triste que a tristeza!... É que a verdadeira felicidade pro­cura-se e constrói-se no de­­correr da vida, ao som de su­cessos e fracassos, e sonhan­do apenas com o bom desem­penho da missão que temos de cumprir na terra. Assim sen­do, não procuremos a feli­cidade onde ela não está, pois, por nunca a conseguirmos al­­cançar, corremos o risco de não acreditar mais que ela al­guma vez possa existir. A fe­licidade humana, pode parecer uma utopia; no entanto, ela exis­­te, sim, mas apenas se a sou­bermos encontrar, ir des­cobrindo aos poucos e viver com ela e para ela, conjugando, com a maior força e perfeição possíveis, o uso da razão e o do­mínio do coração, para as­sim podermos dizer, com ver­dade, não que “no coração nin­guém manda”, mas que con­seguimos, realmente, do­mi­nar os “desastrosos” e “des­regrados” ímpetos do coração.


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 17 de Março de 2008

O boneco do Edgar




No interior das beiras, onde o tempo de uma criança vagueia entre a escola e o lugar mais aprazível à pastagem dos caprinos e ovinos, vivia um casal com os seus filhos.
Decorria o gélido mês de Janeiro. Edgar, o mais novo dos três, saltitava de contente esfregando fortemente as pequeninas mãos. É que, por fim... depois de uma longa época de interrogações abafadas pela razão da persistente chuva outonal, a serra acabara por lhe matar a saudade cobrindo-se com um enorme e denso manto de alva neve, o fulgor da sua vida e o encanto para o seu olhar. Os rebanhos obrigados a permanecer nos estábulos pelo rigor da temperatura e a impossibilidade de ir às aulas pela intransitabilidade dos caminhos... forneciam-lhe o tempo necessário para calcorrear ligeira e livremente pela neve, rebolar-se nela com força ou nela deslizar suavemente... vindo a quedar-se, algures, em local propício. Na ânsia de conseguir surpreender os familiares com as suas habilidades, lançou-se com toda a criatividade e empenho na construção da tão querida e sonhada obra. Sem ponta de frio, as adestradas mãos depressa conseguiram levantar um forte e alto cone. Do bolso do kispo tirou a cenoura para o narizito e valeu-se do seu próprio boné e cachecol para realçar a forma da suposta cabeça, ajeitando de seguida muito habilmente o seu cajado de pastor conseguindo dar ao boneco um aparente e gracioso movimento. E... parou por momentos frente ao seu “ídolo”... a fim de lhe averiguar a perfeição, ou a necessidade de lhe dar mais alguns retoques. Entretanto, o Sol, que subira na espaço, espraiava pela ladeira os seus flamejantes raios que aumentavam ainda mais o fulgurante brilho daquele paraíso de fadas. Ao olhar atentamente em redor, verificou que não havia por ali alma viva que pudesse alterar a deslumbrante e encantadora obra de arte executada pelas suas frágeis mãozinhas. E num repente... correu alegre e veloz em direcção a casa.
Abafadamente aflita pelo inesperado e súbito desaparecimento do seu pequenino, a mãe, ao vê-lo, correu para ele transbordante de contentamento, abraçando-o com a maior ternura. Exultante de entusiasmo, o petiz, desembaraçando-se dos mimos da mãe e sem permitir que esta conseguisse pronunciar qualquer palavra, chama apressadamente todos os familiares para que o acompanhem. Perante tal comportamento, acorreram ligeiros e sem hesitações pensando nalgum acidente a socorrer, mas logo após, pararam, ofegantes e estupefactos! Na sua frente... um maravilhoso boneco de neve.
- Já?!... Boa descoberta, meu rapaz!... grita o pai entre o admirado e o satisfeito... pois a chamada urgente do miúdo não tivera nada de mal.
- Descoberta, não! É o meu trabalho, pai!... – replica Edgar muito senhor de si.
Seguiu-se entre a família uma minuciosa interrogação na troca dos olhares entrecortados pela cuidada observação do boneco, que, para espanto de todos... estava adereçado com o boné, o cachecol e o cajado de Edgar... do Edgar... que apresentava as mais fortes reprimendas a quem apenas tocasse em qualquer dos seus pertences!... É que, Edgar amava o seu boneco, e ao “Verdadeiro Amor” da vida, toda a gente se entrega sem contestações.
Tal como o Edgar, seja qual for a nossa idade ou condição, todos ambicionamos levar a cabo a realização de um qualquer sonho encantado.
Qual será o nosso sonho? Que ídolo estaremos a construir? Que material necessitaremos para levantar o boneco que ansiamos? Será que está bem configurado com o verdadeiro interesse do ser humano que todos somos?!...
Neste início de mais um ano, não sejamos apenas meros veraneantes pela estrada da vida... mas corajosos caminhantes na verdadeira estrada do amor que nos conduzirá ao Senhor Absoluto de tudo e de todos?!...
Que os nossos verdadeiros sonhos não se fiquem por lindos bonecos de neve... pois o sol logo os desfaz।


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

domingo, 16 de Março de 2008

ONDE COMEÇA A APRENDIZAGEM?...



A "Escola", Instituição, embora marque profundamente a vida de cada ser, é apenas uma pequenina etapa da sua aprendizagem, pois qualquer "Humano", para o ser, deve fazer da sua vida uma escola permanente.
Bem certo e mais do que nunca actual é o célebre ditado popular: "O Homem nasce a aprender e morre sem saber!..." E estamos todos convictos de que é assim! Mas, bem vistas as coisas, é ainda mais do que isso. Senão, vejamos:
Na época actual, ninguém pode negar a maravilha do eclodir da vida. Com poucas semanas de gestação, o minúsculo ser, qual peixinho inquieto num aquário quentinho que é o útero da mãe, pode já, ali mesmo, ser observado atentamente. Ele já possui todas as características de um corpo! De um corpo pequenino... com alguns centímetros apenas!... Mas... de um corpo perfeito e vivo. É que, já antes de nascer, ele vive e aprende. Se assim não fosse, como se compreenderia que um recém-nascido se sentisse tão bem junto da mãe... do pai... e até mesmo das pessoas mais próximas se nem sequer as vê ainda? É que, já na vida intra-uterina ele iniciou a sua aprendizagem descobrindo, pelo menos através da voz, o pequeno mundo familiar e íntimo que o rodeia. E esse mundo tem a sua génese na mãe e no pai. É por isso que os pais devem viver numa comunhão perfeita. O pequeno feto que se desenvolve vai sentindo tudo através da mãe. E se esta levar uma vida harmoniosa e estável, poder-lhe-á transmitir todo o seu bem-estar e ele crescerá muito mais saudável e feliz.
A esta parte, começa de haver um certo cuidado à volta das gestantes no sentido de lhes proporcionar o mais possível uma vida calma e tranquila. Mas ainda há muito a fazer, pois este comportamento está muito longe de ser generalizado. A grande maioria das pessoas ainda pensa que o "bebé", tão pequeno, não presta atenção a nada; e, pior ainda, se esse "bebé" se encontra escondido no ventre da mãe. No entanto, empírica e cientificamente falando, a verdade é bem diferente!...
Todos os animais conservam, instintivamente, os hábitos e comportamentos da espécie, adaptando-se ao seu habitat natural. Mas o "Homem", é mais do que isso!... Dotado de inteligência superior e racional, tem de ser tratado de uma forma muito cuidada e especial para que o seu desenvolvimento seja completo... (se é que, algum dia, o chegará a ser em plenitude). É no mais íntimo do seu ser que se operam todas as suas transformações. E, por mais esforços científicos que se façam, penso que nunca saberemos ao certo o valor das suas potencialidades genéticas, onde começam as suas reacções responsáveis nem o desabrochar do seu conhecimento. No entanto, a observação cuidada das aprendizagens conseguidas por bebés nos primeiros meses de vida, desde os movimentos instintivos do chuchar e satisfazer das necessidades físicas primárias ao limiar das acções cognitivas conscientes e desabrochar dos primeiros raciocínios, leva-nos a crer que, todo o processo de aprendizagem se concretiza, com maior ou menor esforço, com maior ou menor amplitude, com maior ou menor rapidez e eficiência, conforme as suas condições genéticas e afectivas, socio-económicas e culturais envolventes. E está provado que é assim, não podemos mudar as coisas. O "Homem" depende sempre das suas características hereditárias e do que o meio social lhe possa oferecer.
Quando ainda não podia ser detectada a possível razão de certos comportamentos na aprendizagem humano, até se compreende que muito erro tenha sido cometido. Actualmente, não. Não podemos dar-nos ao luxo de deixar passar certos comportamentos pessoais sem que nos sintamos um tanto responsávéis pelo seu acontecimento e pelo mal que eles causam na vida de cada um em particular e na de todos em geral. Como seres sociais que somos, as nossas acções estão interligadas e nada fica isolado. Assim sendo, ou nos esforçamos por melhorar a nossa vida proporcionando melhores condições aos vindouros e engrandecendo a sociedade, ou, perdemos as nossas oportunidades, retardamos o nosso sucesso e o dos outros. O "Homem", como ser social que é, quando pensa no bem do seu semelhante e na ajuda a prestar-lhe, ajuda-se a si próprio.
No dizer de um alguém muito importante,"Todo o homem que se eleva, eleva o mundo".
Educar é elevar। Como poderemos educar-nos, para podermos educar os que nos rodeiam?



Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

AS REACÇÕES SOCIAIS




Como a escola, por si só, não pode de forma alguma ser responsabilizada pela situação degradante dos tempos que correm e que parece agravar-se cada vez mais, devemos ser levados a reflectir calmamente sobre a pergunta que parece estar na génese da tão ansiada mudança de atitudes comportamentais:
«Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...
Por mais que se aprofunde esta questão, ela estará sempre envolta no maior mistério e descobrir o verdadeiro papel de cada um não é tarefa fácil.
O problema da “Educação" está na ordem do dia. Falam dela desde os mais altos governantes a nível mundial até aos mais rudes operários e agricultores escondidos nos barulhos infernais das oficinas ou nas aldeias perdidas, isoladas nas mais longínquas serranias. E então, arranjam-se as melhores e as mais absurdas propostas de solução. E como é óbvio em qualquer questão mais importante, entra-se num nunca mais acabar de críticas descabidas: criticam-se as leis dos governantes, os profissionais que as executam, os pais, as crianças, os jovens, os drogados, os bêbados, os delinquentes, os que têm saúde mental menos funcional e ainda todos aqueles que, sem pensarmos seriamente no "porquê" de suas atitudes, apelidamos de marginais. E é um "meio mundo a criticar o outro meio"... e as soluções acabam por ficar perdidas nesta imensidão de disparates!...
É que é muito fácil agredirmos os outros quando não vestimos o mesmo "casaco" e pensamos ter a nossa "pele" bem protegida. Quem critica emite juízos de valor em relação ao comportamento da pessoa criticada. Será que o criticador, se se colocasse por um momento só que fosse na situação vivida pela pessoa criticada, ainda a criticaria? Provavelmente que não, porque o que costuma acontecer na maior parte desses casos é que as criticas se fazem por falta de interiorização, reconhecimento e compreensão exacta das situações, suas causas, e seus efeitos que nem sempre são os inicialmente previstos. E temos de ter cuidado para não nos poder ser aplicado o dizer do velho provérbio popular: Quem critica, «vê o pequeno cisco no olho do outro e não repara na enorme trave que tem dentro do seu olho»; ou então, o que é pior ainda, finge não reparar...
Mas, não devemos culpar nada nem ninguém!... Reza a história que sempre assim foi... e, provavelmente, sempre continuará a ser... No entanto, é hora de nos debruçarmos um pouquinho sobre certas realidades, pondo de parte, de uma vez por todas, as críticas que não nos levam a lado nenhum. Não vamos destruir mas construir, porque as coisas são menos lineares do que o que parecem.
Ninguém é mau por querer, ninguém faz mal por querer e também ninguém está mal por querer!... Então, porque é que algumas pessoas se comportam de forma tão aberrante, cultivando em si próprias uma auto-destruição tão eminente?!... Todos os casos atrás descritos são de auto-destruição a diversos níveis: físico, mental, moral ou intelectual.
Reportando-nos à génese da pessoa humana, aparece-nos o chamado "Pecado de Eva" depois do qual toda a humanidade, por castigo, terá sido levada a travar uma luta constante entre o bem e o mal, a suportar o sofrimento e a própria morte.
Por mais que queiramos fugir desta realidade, a morte é um facto, o sofrimento existe, e olhando bem para o nosso interior todos sentimos bem forte o ressoar duma luta em que nem sempre a nossa parte boa consegue dominar o nosso mau instinto.
Por que não pensarmos um pouco caso a caso, para desvendarmos um pouco a causa de tanto procedimento errado que anda por aí?!...
Não sei a atenção que irão dar às pensadas e simples reflexões que tenciono fazer; não sei as críticas ou observações de que serei alvo; não sei o impacto que terão na vida particular de cada um; não sei se valerá a pena tanto esforço despendido... mas vou em frente com o meu desejo de há muito. Tenho levado uma vida profissional muito intensa, a prática e a experiência têm-me ensinado muitas verdades...
Se algo parecer errado, estou aberta ao diálogo com quem quer que seja e de qualquer forma possível, por bem e para bem da "Educação" consciente, livre e responsável.
Não tenciono fazer descrições tiradas de qualquer manual ou ideologia, mas somente basear-me nas observações e resoluções de acontecimentos vividos no meu dia a dia socio-profissional.
E são muitos, bem-hajam!


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

"OS TEMPOS DE HOJE"


Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?
Sinceramente, não sei!... E penso bem que, sem parar um pouco para reflectir sobre esta grande questão, ninguém poderá saber.
Ocorre-me de momento uma célebre frase que me repetiram inúmeras vezes na minha mocidade e que, religiosamente, guardo comigo: «A educação de cada um começa vinte anos antes de nascer!...» Assim sendo, como poderá decorrer na época actual a educação de uma criança, se há vinte anos atrás tudo era tão diferente? Se a educação dos filhos, como é lógico, é a sequência da educação dos pais, qual será a realidade dessa sequência se as condições de vida são tão díspares das do tempo em que os pais de hoje cresceram!... Mas, ao fim e ao cabo, como crescem as crianças de hoje?!... Muito se tem feito para que se sintam bem, gozem de boa saúde e sejam felizes. Mas, de uma maneira geral, o panorama não é nada animador. Senão, vejamos:
Nos dias que correm são poucas as crianças que crescem na convivência exclusiva dos pais. São casos muito raros na sociedade actual. Algumas delas, e consideradas as mais felizes embora muito mimadas na generalidade dos casos, são criadas com os avós, à idade, mais livres de responsabilidades sociais para se ocuparem dos netos, enquanto os pais levam uma vida de trabalho intensa para poderem sobreviver neste mundo avassalador. Mas, a maior parte das crianças são entregues pelos pais a instituições ou a amas com a mais tenra idade, pois os escassos direitos de protecção à criança no desabrochar de sua existência assim o permitem. É nessas amas ou instituições que a criança passa a maior parte de sua vida. Que identificação educacional poderá ter com a família donde provem? Se, apesar de tudo, ainda puder ser bem acolhida pelos progenitores no pouco tempo que lhes cabe, algo pode ser feito. E se nesse tempo os pais estão deveras ocupados com a lide doméstica ou orientação da vida e não se dedicam aos filhos?!... E se, pior ainda, gastam o tempo em todo o lado menos na companhia do filho?...E se, para colmatar todos estes desvios de atenção de que o filho é alvo, o acariciam com a satisfação de todos os seus caprichos comprando-lhe tudo quanto quer e deixando-o fazer tudo quanto deseja?!... E se, no seio da família, a criança sente e observa entre os pais insatisfações, divergências de ideias, coacções e agressões constantes?... E se, mais que isso, pai e mãe vivem separados e disputam entre si a posse do filho... Com tanta necessidade do aconchego dos dois, como poderá a criança ser feliz junto do pai a pensar na mãe e junto da mãe a pensar no pai... Isto para não falar dos filhos de pais alcoólicos, indolentes, drogados, que são deixados entregues a si mesmo e à sua sorte. E aquelas crianças que, detectada a sua vida de amargura no seio familiar, são arrancadas drasticamente aos braços paternos para serem entregues em instituições, adopção ou famílias de acolhimento? Não ponho em causa o carinho e afecto que assiste à integração dessas crianças nessa nova forma de vida. Os casos que conheço, a esta parte, são da mais elevada consideração e estima. Mas, os traumas que esses seres arrastam consigo são deveras evidentes e indeléveis. A sua vida terá sempre a marca de um passado inesquecível. Diz a sabedoria popular que «dar à luz é dor e criar é amor» e é verdade. Pai é o que dá pão, carinho, amor, é aquele que ajuda a crescer na vida, mas o reconhecer que se foi separado de alguém a quem se está ligado para sempre pelos mais estreitos laços de sangue é algo de muito doloroso.
Todos nós nos preocupámos demasiado com a existência de crianças deficientes físicas, e fazemos tudo para lhes minimizar o sofrimento. É mais que lógico que assim seja. Mas... E o sofrimento moral, que na maior parte dos casos passa despercebido?!... Vamos deixá-lo no esquecimento? Não!... Nunca!...Jamais!...
A escola reconhece todas as fragilidades da sociedade, pois nela está o seu reflexo। A vida da escola e a escola da vida confundem-se na formação integral de um ser. Em face disso, para todos deixo mais uma vez, para reflexão, a pergunta que todos os dias faço a mim mesma: «Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...



Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

"DO ONTEM ATÉ AO HOJE"

Por incrível que pareça, é, na quase totalidade, da vivência mais ou menos adequada e profunda destas duas realidades que cada ser humano poderá ser mais ou menos realizado e feliz ao longo da sua existência.
Nem sempre os tempos foram como os de hoje, mas sempre o homem se esforçou por descobrir formas de vida mais atraente e sedutora.
Fazendo uma retrospectiva num passado longínquo perdido no tempo e apenas recordado pelos achados arqueológicos dispersos aqui e além, vemos neles uma prova das vivências de muitos antepassados onde encontramos diferentes tipos de cultura sobremaneira desenvolvidos nos mais diversos aspectos. Desde a representação dos acontecimentos através do desenho ritmado de diferentes figuras ou objectos ao aparecimento da escrita é fácil podermos observar o esforço despendido na forma de comunicar os conhecimentos adquiridos e as descobertas realizadas. Grandes homens, e muitos deles desconhecidos, passaram a vida a imaginar e a pôr em prática sistemas que hoje nos parecem fáceis. Ao olharmos para as letras do alfabeto e ao aprofundarmos a forma como se agrupam para formarem as palavras pensamos apenas na dificuldade encontrada em memorizar e enquadrar esses pequenos símbolos no desenrolar da nossa aprendizagem e na dos nossos educandos. E, na realidade, não pensamos um momento sequer no longo esforço despendido por tantos através dos tempos para que tudo seja, agora, tão acessível para nós. Ao olharmos a Matemática não conseguimos de imediato imaginar a contagem primitiva de um a um que deu origem à tão maçadora numeração romana, nem ao trabalho que tiveram no invento da numeração árabe. Se nos debruçássemos um pouco sobre todas as áreas de estudo e nos cientistas e descobertas por eles realizadas e a sua utilidade na vida de nossos dias, era um nunca mais acabar.
Seria, talvez, interessante, descrever o desenrolar de muitas dessas epopeias. Mas, ao decidir desenvolver este tema durante algum tempo tive outras intenções que não quero de forma alguma contrariar. Evoco agora um passado bem recente. Recordo os meus tempos de infância. Nessa época, a família, a escola, a aldeia, vila ou cidade inseridas na pequena comunidade paroquial constituíam a base de toda a formação de um indivíduo. Mas, nestes curtos anos que passaram a vida alterou-se de tal forma que, actualmente, não reconheço em nada os princípios que orientaram a educação que recebi. A calma, a paciência, a resignação, a submissão, que eram transmitidas de pais para filhos e tão bem aceites, os contos e as conversas à luz fagueira das velas nos longos serões de Inverno depressa se transformaram numa agitação de tal ordem que parece que o mundo não pára. Não há tempo para nada, no entanto, tantas coisas existem e que os nossos antepassados desejariam ter.
Neste fugaz tempo de mudança, em que a novidade de hoje é a antiguidade de amanhã, urge levar a sério tudo quanto nos rodeie e possa ser aproveitado para o pleno desenvolvimento de cada ser humano em todas as suas potencialidades। Qual será o papel de cada um de nós na educação dos nossos dias?!...


Hermínia Nadais


Publicada no Notícias de Cambra