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domingo, 25 de novembro de 2012

Quando o Sol se põe…anoitece!


Não sei muito bem como começar! Estou cansada de ver as carícias da Lua, o cintilar das Estrelas e os sorrisos do Sol desmaiados pelas desventuras de uma Humanidade que poderia ter tudo para viver desafogadamente e, por culpa própria, se encontra, quase por completo, na maior das amarguras!
Ao ouvir falar tantas vezes de crise resolvi retirar dos meus olhos as vendas cor-de-rosa com que gosto de os cobrir, e, muito tristemente, acabei por verificar que o panorama mundial, de facto, é mais que aterrador!
A maior parte dos HOMENS e MULHERES do nosso tempo transformaram uma época que pretendíamos fosse de luzes numa quase total escuridão, pois no egoísmo exagerado do ter… esqueceram-se que são seres sociais por excelência, e que o mal de uns afeta os outros e cria enormes problemas para todos.
Se Deus fosse pessoa como nós, amando-nos infinitamente como nos ama, choraria dia e noite com pena desta humanidade desatinada! O enorme desenvolvimento que o mundo tem conseguido a todos os níveis, deve-o a quem? Quando os homens pensam viver sem Deus… as coisas começam a correr muito mal!
As descobertas científicas e o avançado da alta tecnologia poderiam servir para mimar vidas e alegrar corações, mas fizeram com que a enorme maioria dos HOMENS, em vez de VIVEREM NO AMOR FRATERNO PARA QUE FORAM CRIADOS, enveredem por caminhos errados! Livres para fazer o que muito bem entendem… Deus não pode fazer nada contra a vontade deles!...
Neste contexto, e tendo em conta a atual vida de muitos países inclusive o nosso querido Portugal, o fabrico de leis de índole duvidosa deixa que pessoas depravadas ou eticamente pouco esclarecidas possam roubar com legalidade, das mais variadas formas: em desvios de dinheiro… que o Estado tem de pagar para que os seus membros não percam os proventos metidos nos bancos defraudados; em obras portentosas que gastam sempre um sem número de milhares ou milhões de euros a mais do que o orçamento inicial; em salários francamente desproporcionados em relação ao trabalho feito e à miséria dos que efetivamente suportam com seus braços a economia do País; em mordomias descabidas e desrespeitosas para quem tanto trabalha e tantos impostos tem de pagar para que possam usufruir dessas mordomias; em reformas precoces, de montantes elevadíssimos, e vitalícias… acrescidas do facto de os ditos reformados poderem ter ainda outros novos empregos de salários chorudos… a lançar para o desemprego quem precisa do ordenado para poder sobreviver; em veículos de preços exorbitantes… quando qualquer carro tem quatro rodas que para andar servem muito bem; e… quantas mais atitudes erradas andarão por aí… umas que já vão rolando entre amigos em surdina… outras que nunca mais irão saber-se!
Valha-nos… quem nos possa valer! Depois querem calar a boca do povo dizendo que gastamos mais do que o que devíamos!
É natural! O exemplo vem sempre de cima! Cada Governo queria ter e dar mais benesses que o outro… para se ajeitar melhor a si mesmo e conseguir mais votos para as novas eleições!...
Pela parte que me cabe, trabalhei duro até mais não! Nunca pedi aumento de ordenados! Quando fui para a aposentação, porque não me tinham feito atempadamente as necessárias atualizações de descontos, tive que pagar, ao tempo, três mil e tal contos (15000€) e não me queixei! Depois de aposentada, decidi fazer algo de bom para a comunidade para merecer o dinheiro que me pagam no fim do mês. E ninguém imagina o quanto trabalho!
Vou acompanhando o melhor e pior no decorrer dos dias, sem convicções Políticas! Mas confesso que faz falta no Governo um homem de pulso que consiga levar a cabo uma das boas afirmações do Salazar, que era mais ou menos assim: é preciso que a máquina do Estado crie leis de tal forma justas e isentas que os senhores deputados não possam, legalmente, favorecer familiares e amigos!
Quando o Sol se põe, anoitece! A minha paciência, chegou ao fim! É noite! Desculpem-me… mas isto é apenas uma mostrazinha do quanto me dói o coração!

 In "Notícias de Cambra"

terça-feira, 22 de maio de 2012

PERPLEXIDADE!



Vagueando por aí numa viagem de recreio encontrei um grupo de homens que me sacaram dois dedos de conversa e me deixaram apreensiva!...
A implicância começou pelo facto de, aposentada, estar a tirar dinheiro ao Governo; agravou-se quando confidenciei ter pertencido à Função Pública como Professora; e tornou-se ainda maior quando minha irmã se atreveu a dizer que também tinha prestado serviço numa Câmara Municipal.
Bastante desconfortáveis… lembrámos os possíveis distúrbios das exageradas reformas auferidas pelos encarregados das Funções Governativas e outras, algumas muito dubiamente antecipadas!
Cheios de razões… culparam afincadamente a infinidade inumerável das pequenas aposentações que, elas sim, todas juntas, davam cabo dos cofres do País.
Uma despedida cordial pôs fim às discrepâncias sem solução à vista, e cada qual seguiu o seu caminho! Mas a perplexidade foi tanta que, já fez bastante tempo… e ainda não consegui digerir muito bem a ignominiosa passagem.
Os sujeitos eram auto caravanistas nortenhos. Ao deixarem escapar nas entrelinhas a sua portentosa posição de “sabidos” Funcionários Públicos, satisfeitos, talvez, por sonharem também com alguma choruda receita, fizeram-me ver que os seus excelentes “egos” se sobrepunham aos demais! Para eles, e outros que tais, deve haver funcionários de 1ª, de 2ª, de 3ª e não sei mais de quantas… e os melhores serão sempre os que tiverem “jeito de se ajeitarem”, sem pensarem nos demais, e todos os que se lhes opuserem serão sempre uma porcaria. E o Zé Povinho, que manteve o País a funcionar com ordenados de miséria e pesados impostos, agora, no final da vida, talvez, quem sabe, se o destruí-los todos de uma vez não seria o melhor para não levarem tudo à falência!...
E são homens como estes a quem o Povo Português tem de entregar os destinos de Portugal!... Claro que, com toda a certeza, andarão por lá muitos assim! Depois, que queremos que nos aconteça?
Mas… que porcaria de educação recebemos nós e demos aos nossos filhos para vivermos no meio de comportamentos destes? Por onde andarão os nossos valores humanos, o nosso amor ao trabalho, a nossa sinceridade e bons costumes?
Sinceramente, não sei! Precisamos de governantes equilibrados, conscientes e responsáveis, mas o povo também tem de colaborar! E colabora… mas… só parte do povo, ou seja, colaboram os grandes que forem “maluquinhos” e o zé povinho a quem a miséria vai batendo à porta e que, aos poucos vai “morrendo” à mingua com vergonha de se queixar, enquanto uns outros quantos, habilidosos e desavergonhados, vão enchendo os bolsos e gritando aos quatro ventos que o País está em crise!...
A crise não está no País, está na cabeça de algumas pessoas que não se contentam com o que devem, e fazem tudo para angariar só para si o que faz falta aos demais. Se todos olhassem para o lado e cuidassem de minimizar a miséria alheia… não haveria crise nenhuma! Ao cafés, os restaurantes e os grandes centros comerciais estão sempre cheios; os tempos de férias ou fins de semana prolongados dão viagens aos aviões e recheiam os hotéis; os campos de futebol continuam apinhados de gente; inúmeros e desnecessários carros continuam a rodar pelas estradas; mais do que nunca jovens, adultos e idosos se juntam para viver e conviver… isto é um nunca mais acabar!...
Devo ser muito pateta, pois há coisas que, por mais que me esforce, nunca consigo compreender. Valha-nos… o bom senso, a decência e moralidade!

In "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Precisamos de “espelhos”


O sossego de não haver noticiários e emails a criticar governos e governantes, pessoas honestas ou desonestas, desprovidas ou importantes… foi “sol de pouca dura”. Viver de aparências ou julgar pelo que se ouve e vê leva a estes descalabros que nos entretêm a olhar as misérias dos outros e a esquecer das nossas… o que é muito pernicioso.
Quando vejo uma pessoa criticar outra(s) com autoridade e prepotência.. a primeira coisa que me vem à cabeça é que há muita falta de espelhos… daqueles espelhos que, em vez de nos mostrarem as silhuetas com que nos apresentamos em público nos apresentam a nossa ignorância e mesquinhez.
Olhar-se a esses espelhos invisíveis é sempre difícil, mas ajuda-nos a descobrir inúmeras coisas que, de outra forma, nunca conseguiríamos. Há várias formas de nos vermos nesses espelhos, cada qual com um resultado diferente: quando olhamos só as nossas qualidades ficamos com a sensação de que somos pessoas perfeitas, melhores do que todas as outras, o que, indubitavelmente, nos levará ao horrível defeito de, orgulhosamente, criticar e desprezar quem nos rodeia; se nos olharmos de forma depreciativa vendo só os nossos defeitos, também é deveras perigoso, pois cria em nós um tremendo complexo de inferioridade que nos fará sentir muito mal, piores que todos os outros; mas se no olharmos tal qual somos, com defeitos e qualidades… aos poucos, aprenderemos a tolerar melhor as imperfeições, tanto as dos outros como as nossas, e a realçar e desenvolver as qualidades, tanto as nossas como as dos outros. Ora esta é, sem dúvida, a única forma correcta de nos olharmos profundamente nesse espelho deveras especial, que não mostra nada ao olhar dos nossos olhos, mas nos faz viver mais intensamente o profundo sentir do nosso coração para nos saciar a sede de compreensão, amor, paz e realização pessoal e social.
Mas… cuidado com esses espelhos… pois a única imagem que podemos apreciar neles é a nossa. Nunca podemos avaliar as outras pessoas pela imagem que o nosso espelho nos der delas, porque as outras pessoas não têm os mesmos defeitos nem as mesmas qualidades que nós. Na verdade, nunca poderemos entrar no interior de outra pessoa para sabermos ao certo como ela é, além de que temos de ter a certeza de que não há duas pessoas iguais, pois cada pessoa é única e irrepetível, igual a si mesma e diferente de todas as outras.
Perante tudo isto podemos concluir que só uma pessoa interiormente equilibrada poderá ver nas pessoas com quem convive defeitos e qualidades, pois se vir só defeitos ou só qualidades, irremediavelmente, está psicologicamente abalada e necessita urgentemente que alguém a ajude a descobrir a verdadeira razão dos seus distúrbios emocionais.
Sabemos que há muita falta de valores, mas o bem e o mal vivem lado a lado com todas as pessoas, o que faz com que todas as pessoas tenham comportamentos certos e comportamentos errados, e é assim que temos de as ver… para não lhes lançar em cima as culpas de todo o mal que acontece. Mais do que nunca, na época que atravessamos, é preciso que todos sejamos “PESSOAS” coerentes e assumidas.
Que estes momentos de dificuldade por que todos nós, uns mais outros menos, estamos a passar, nos responsabilizem do bem que deveremos fazer para que no mundo, e principalmente no nosso Portugal, haja mais bem-estar, fraternidade e paz.
Não podemos esperar que a mudança das outras pessoas nos favoreça a vida, mas temos de mudar o suficiente para que aprendamos a ver os acontecimentos pelo seu lado positivo, de modo a que tudo possa correr melhor para toda a gente. 
Boas férias!  

Hermínia Nadais 
Publicado no "Notícias de Cambra"

domingo, 12 de junho de 2011

A vida é uma festa!

O mês de Junho é pródigo em folias! Evocando as festas, será melhor pensar na vida… que terá de transformar-se na melhor das festas… para não ser tida como imensamente fastidiosa.

Para que a vida possa ser uma festa, tal como acontece com todas as festas que conhecemos, para correr bem, tem de ser bem preparada e acompanhada.

Somos seres sociais por excelência! Toda a nossa vida se desenrola numa comunidade! Conforme as pessoas que formam essa comunidade, pode haver um ambiente mais ou menos comunitário, onde cada pessoa tem uma função específica a realizar. Somos todos diferentes. As diferenças são a base de toda a nossa riqueza, por isso, temos de as por ao serviço de quem nos rodeia. A vida, impreterivelmente, tem de ser comunitária. Ou é comunitária, ou nunca poderá ser vida plena.

Lembrando o viver de uma comunidade… podemos comparar a vida a uma equipa de futebol. Se as pessoas aprendessem a actuar na vida como bons jogadores, colocando-se cada um no local onde conseguisse melhores resultados numa actuação plena e interacção constante entre todos os companheiros e companheiras de jornada … haveria maior fraternidade, união, amor e paz… e o mundo seria muito diferente daquilo que é!

Mas… a maior parte de nós não tem a coragem de ser equipa de futebol… porque isso exige muito desprendimento, atenção, esforço e dedicação!

Para uma boa exibição em campo, quantas aprendizagens bem treinadas efectuam os jogadores… sem olhar a tempo, situação ou sacrifícios!

Tal como eles, para sabermos colocar-nos bem no jogo da vida, teremos de ser fortes e perder o medo, de ser alegres e unidos, de nos sentirmos humildemente úteis e complementares, de perdermos os respeitos humanos no sentido de nos revelarmos tais quais somos, com os defeitos e qualidades que são inerentes a qualquer ser humano como nós.

A glória só será possível quando nos sentirmos parte de um todo onde podemos e devemos dar o nosso melhor… porque a sociedade será tanto melhor… quanto melhores nos tornarmos a nós mesmos.

Não podemos esquecer que a grandeza e impetuosidade do mar provem da infinidade de gotas por que ele é formado. Sejamos gotas desprendidas e atentas… no mar da vida!

Depois de uma tempestade, vem a bonança… mas na bonança devemos preparar-nos para enfrentar as tempestades.

Que a nossa força interior, cheia de novidade e originalidade apoiada na força da união acabe com os nossas fraquezas e extravios e faça de nós pessoas fortes e coesas, majestosas como o mar, para uma vida realizada e plena na alegria de uma permanente festa!


Hermínia Nadais
A Editar no "Notícias de Cambra!"

domingo, 29 de maio de 2011

Ah!... meu Portugal!...

O que te irá acontecer... eu não sei! E por mais que me proponha escutar os políticos, os críticos e os que se julgam entendidos… menos certezas tenho do que irá, de facto, acontecer-te.
Tenho pensado muito na sabedoria popular tantas vezes desprezada e que, a brincar, nos vai dizendo um sem número de verdades que, se atempadamente interiorizadas, certamente que tudo estaria bem melhor para o povo português.
A esta parte, vou partilhar a minha interacção com os provérbios, a começar por um que me parece deveras elucidativo: “Cada um tem o que merece!”
Partindo do princípio que isto é verdade… pelo que está a acontecer connosco… é muito urgente começarmos a pensar e agir de forma diferente daquilo a que estamos habituados… para merecemos, realmente, uma vida familiar, pessoal e social que nos dê um pouco mais de compreensão, harmonia, paz e bem-estar.
Há outro provérbio que também julgo de suprema importância: “ Cada um dá do que tem!”
Perante esta certeza… além de muitas outras situações em que me tenho visto embaraçada, quando me ponho a pensar onde vou deitar a cruzinha no dia 5 de Junho… depois de analisar profundamente muitas das maravilhosas qualidades que todos os nossos políticos têm, irremediavelmente, surgem-me também os defeitos… e no final da reflexão pergunto-me que raio de portugueses somos nós para darmos ao nosso País uns políticos tão radicais, desleixados, imprecisos, incoerentes, sonhadores, indecisos, faladores, críticos, cínicos, pessimistas, optimistas, preguiçosos… terrivelmente difíceis de aceitar… de compreender… e de escolher?!...
Sinceramente, ‘se cada um dá do que tem’, parece-me que temos muito pouco para dar.
Vou recordar ainda mais um provérbio: “O que fazemos é o espelho daquilo que somos!”
Para conseguir interiorizar a mensagem desta pequena frase… faz tempo… muito a custo… comecei a aprender a pôr-me muitas vezes frente ao espelho… aquele espelho em que muito claramente nos olhamos sem espelho nenhum!...
Custou-me muito…e ainda hoje me custa muito! Isto de termos que admitir que somos culpados quando somos culpados… e que ainda temos poucos conhecimentos, pouca experiência e maus feitios… dói demais! Mas é a única forma de nos modificarmos. Nunca iniciaremos sequer a luta contra os nossos defeitos e o aperfeiçoamento das nossas qualidades se não tivermos a coragem de nos olharmos tal qual somos, com qualidades e defeitos.
Se todos os portugueses conseguissem ver a sua própria actuação na situação do País à sombra deste provérbio… como tudo seria diferente!... Os cidadãos e cidadãs assumiriam os seus erros e deixariam de criticar os políticos, e cada político olharia mais para si mesmo no sentido de saber assumir as suas próprias culpas e deixaria de falar tanto dos defeitos e erros dos outros; e quando sentisse felicidade por ver as suas capacidades reconhecidas, ganharia coragem para enaltecer as qualidades dos outros.
Somos seres sociais por excelência, e no bem ou no mal da sociedade, acreditemos ou não, todos somos culpados, como políticos ou como simples cidadãos comuns. Ninguém pode ficar de fora! Por isso, mudemos, sem demora, a nossa forma de ver e de viver, para que possamos ter melhores perspectivas de vida.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 8 de maio de 2011

HOMEM... admite-te tal como és!...

É voz corrente que o mundo está muito mau ou muito mal. As catástrofes naturais são cada vez mais uma constante, facto que muitas vezes se atribui ao comportamento humano no seu enorme desenvolvimento, mas o mundo não pode ser visto só pela instabilidade do clima. A instabilidade das razões e dos corações é muito mais forte.
Eu, muito sinceramente, diria que o Homem não está tão mal nem tão mau como é apresentado diante dos nossos olhos!
Todos temos qualidades que urge implementar e defeitos que urge erradicar. Mas, de uma maneira quase geral, temos a tendência natural de minorar as pessoas que nos rodeiam… uma forma camuflada de tentarmos evidenciar algumas das qualidades de que fomos dotados.
Este nosso comportamento é totalmente errado. Quem tem de reconhecer publicamente a existência das nossas qualidades são as pessoas com quem convivemos, e nunca nós. A nós cabe-nos somente pôr tudo o que somos e temos ao serviço dos outros, tendo como auto-reconhecimento das nossas boas acções apenas os profundos sentimentos do dever cumprido que nos encherão a consciência de paz e tranquilidade. São os acontecimentos com que nos deparamos na vida que nos dão esta certeza.
Hoje é o dia 1 de Maio, Dia Mundial do Trabalhador, que coincidiu com o segundo Domingo de Páscoa ou Domingo da Divina Misericórdia, assim proclamado pelo saudoso Papa João Paulo II na celebração do Ano Jubilar de 2000. Providencialmente, este Papa partiu para o Pai na tarde do dia 2 de Abril de 2005, vésperas de Domingo da Misericórdia. E mais uma vez, para lhe conceder a honra de Beato, foi escolhido o Domingo da Divina Misericórdia.
Quem teve a dita de poder estar atento à televisão pode ver inúmeras imagens do Vaticano, a abarrotar de gente provinda dos mais diversos cantos do Mundo… gente com os mais divergentes gostos e interesses… à volta daquele que passou a vida gritando aos corações que abrissem as portas, que escancarassem as portas a Cristo.
Não quero, de forma alguma, fazer sequer uma pequena apologia de tudo quanto esse GRANDE HOMEM fez, mas evidenciar a sua tão assumida Humanidade, Humildade, Fortaleza, Temperança, Determinação e AMOR, muito AMOR, AMOR a transbordar.
Diante do Beato João Paulo II podemos aplicar aquela célebre frase que identifica todos os grandes homens e mulheres do nosso mundo: “Dai-me HOMENS que vos darei cristãos”.
A caminhada de santidade de João Paulo II foi reconhecida por crentes e não crentes, que vêem nele um HOMEM excepcional, com um imenso amor à vontade de Deus e ao bem-estar dos homens, a quem se entrega sem peso nem medida. As suas acções, exercidas com o mais intenso sentido de bom humor e responsabilidade, marcarão para sempre a história da Igreja e do Mundo.
Que, de olhos postos nos pequenos e grandes gestos de sua vida, cada um de nós tenha a coragem de se assumir tal qual é de modo a lutar contra os defeitos e a desenvolver ao máximo as qualidades, para que o mundo possa ser, na realidade, mais humano e fraterno.
Beato João Paulo II, que tanto te esforçaste pela união e desenvolvimento de todos os povos, religiões e culturas, ora por nós!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 30 de março de 2011

Haja dignidade...



Estamos em pleno tempo de Quaresma. Num País que se diz católico, deveria ser um tempo de reflexão e de mudança, que talvez seja para alguns… mas pelo que me ocorre… talvez para muito poucos.
Pela parte que me cabe… em face de tudo quanto a Comunicação Social nos vem fazendo chegar a casa todos os dias… e pelos problemas que me consomem de tempos a tempos e para os quais não vejo grande solução… depois de muito pensar… cheguei à conclusão de que o dinheiro e as riquezas são o maior motivo de quase todas as desavenças sociais e até mesmo familiares.
Tanta ganância… para quê… se tudo deixamos ficar por aqui quando partirmos!... Eu não compreendo… eu não posso compreender… eu não consigo compreender!!!...
Passámos a vida na busca constante de felicidade… e acabámos, a maior parte de nós… a procurá-la nos bens materiais, que é onde ela não existe.
Que adianta ter muitas coisas… muito dinheiro e riqueza… se passámos a vida agarrados ao trabalho e às preocupações de manter e aumentar os proventos… esquecidos de nós mesmos e de quem nos rodeia… ou… o que é pior ainda… a complicar a nossa própria vida e a vida de quem nos rodeia? Não adianta nada… porque os bens materiais só nos são úteis na medida em que nos ajudam a ser felizes e a fazer os outros felizes… tudo o que vai além disto só cria complicação.
O que se está a viver não faz sentido! Por que havemos de ver sempre uma pequena parte da nossa sociedade a tentar enriquecer e esbanjar no gozo permanente de todos os prazeres da mesa, passeios, mordomias… enquanto a esmagadora maioria mal tem para sobreviver… e aos que têm pouco ainda lhes querem tirar o resto?!... Eu não compreendo, nem nunca irei compreender!
E não adianta falar mal dos governos… porque os governos portugueses, tal como os governos de todas as outras nações, são o fruto da mentalidade do povo que os elege. E assim sendo, falar mal dos governos é falar mal do povo, ou seja, de nós mesmos… mas cada um sabe como procede… talvez… quem sabe… a grande maioria de nós tenha mesmo razão para se criticar a si mesmo, só que ainda não encontrou sabedoria e coragem para o fazer.
Se nas pequenas coisas da vida diária, algumas pessoas lutam tanto para conseguirem enganar os outros e ficarem com um pouco mais… se essas mesmas pessoas chegassem ao poder aumentariam os salários e reformas chorudas sem se preocuparem com os demais… tenho a certeza!
É este o triste cenário do povo português que temos. Urge mudar mentalidades!
Se queremos que o País cresça… temos que crescer nós mesmos, não só em riqueza material que também é necessária para todos, mas em humanidade e moralidade, justiça e verdade, vontade de trabalhar e de repartir, ou seja, temos de aprender a viver em pleno a fraternidade humana, onde o trabalho e honradez sejam uma constante e o supérfluo de uns seja aproveitado para o bem dos outros de modo a que todos tenham uma vida mais digna e dignificante.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Família e o Amor

A família, escola de amor, é o lugar onde as coisas melhores e piores podem acontecer. A família é a célula da sociedade. se queremos ter uma boa sociedade , teremos que lutar muito para que o coração da família, unido pelo amor, seja liberto dos egoísmos e egocentrismos que destroem as relações humanas.
O amor, quando é amor, não acaba, porque o amor não é sentimento, é decisão! Por isso, temos que amparar muito bem os casamentos… e ter um imenso cuidado com as separações, pois se há muitos casamentos que nunca o foram… também há muitas separações que não existem… porque as pessoas podem viver distanciadas umas das outras e ter os corações bem próximos.
O amor familiar, se existiu, pode estar bem escondido debaixo das cinzas das amarguras e desentendimentos, mas está lá, porque um relacionamento profundo deixa sempre marcas indeléveis!
É urgente que os esposos se habituem a sair da rotina das relações familiares para descobrirem inúmeras formas de lhes dar novidades e atenções permanentes… para que o amor que ainda existe não acabe por ficar sepultado nas marcas também indeléveis dos inúmeros períodos de esmorecimento e desencanto… que acontecem… acreditemos ou não… em todas as vidas!
“É preciso fazer ressurgir a esperança, para que o coração da família volte a bater”.
Amar não é dizer “eu amo-te”, é viver em amor. E amor é quando a mulher continua a amar o marido mesmo depois dele a ter traído; é quando o marido continua a amar a mulher mesmo depois de incompreendido e desprezado; é quando o homem, a mulher ou os dois, continuam a amar os filhos…mesmo que eles não os compreendam nem correspondam às suas expectativas de pais!... Amor é quando se vai ajudar, o bêbado que se embebedou porque quis; é quando se vai ajudar a pessoa que não pode; é quando se está num mar de tristeza mas se sorri abertamente para a pessoa que passa, para que ela se sinta feliz; é quando se escuta alguém com a maior atenção, nos momentos em que precisávamos, nós, de ser escutados…
É urgente pensarmos seriamente e cada vez mais na defesa do casamento, da saúde, da vida, das crianças, dos idosos… pois todos são parte integrante da sociedade.
Falamos muito na educação das crianças, mas somos nós, adultos, que temos de nos reeducar e renascer para uma vida nova, aprendendo uma nova mentalidade, liberta de culpabilidades e egoísmos torpes, e voltada, sim, para o verdadeiro amor.
A criança, tal como o adulto, é um ser social que não pode educar-se só na família, mas que aprende com a sociedade. entre Família/Sociedade há uma interligação constante. O lugar da família é o coração da sociedade, e a sociedade será o que forem as suas famílias. por isso, é preciso que as famílias que nos circundam, do vale ou da serra, da aldeia ou da cidade, sejam, convenientemente, reeducadas.
A pessoa humana, no seu ser, é comporta de desejos de verdade, justiça, beleza e bem-estar, que se esperam alicerçados no amor a si mesmo, a Deus e ao próximo. A relação com o divino, que é propriedade intrínseca do ser humano, é urgente que seja recolocada na vida. Precisamos olhar o mundo e os homens, não só com os olhos físicos do corpo, mas com os olhos da alma, do coração, da inteligência, vontade, sensibilidade e razão, mantendo retidas na memória as palavras que o Santo Padre nos veio dizer, que não nos trazem nada de novo, mas nos lembram, clara e convictamente, o que queremos ignorar e é urgente viver!

Hermínia Nadais
Publicado no " Notícias de Cambra"

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

OS DOIS SENHORES

Cada “Ser Humano”, na sua essência real, é formado por corpo e espírito, os dois senhores que o integram e que, por natureza, são antagónicos entre si. Por este facto, o “Homem” será sempre confrontado com múltiplas escolhas e decisões, pois as preocupações com o “ter” tudo para o corpo e o “ser” tudo no espírito serão uma constante que acabará por comandar todas as acções da sua vida.
É muito bom estarmos convencidos de que, humanamente falando, somos muito limitados, pelo que ninguém poderá servir cabalmente a dois senhores. Por isso, perante estas verdades irrefutáveis, o senhor “ter”… ou o senhor “ser”, urge, em todos os momentos da vida, interiorizarmos qual a escolha a fazer para encontrarmos a verdadeira felicidade com que todos sonhamos!
Se o ser humano pensa no senhor “ter” como o mais importantes para a sua felicidade, na busca permanente de quanto vê e deseja atropelará tudo e todos pela conquista de todas as riquezas para com elas brilhar aos olhos de toda a gente e assemelhar-se à mais alta sociedade que o rodeia. Se pensarmos seriamente em todas as pessoas da alta estirpe que conhecemos… quanto esforço… quantos sacrifícios… e quantas pessoas tiveram de sacrificar para conseguirem os seus sonhos!...
Se o ser humano pensa que o senhor “ser” é o mais importante da sua vida… o esforço para conseguir “ser” também é enorme… é desmedido… talvez maior que o primeiro… pois pode passar por inúmeras críticas e decepções… avanços e recuos… caídas e recaídas… começos e recomeços… e nada dá nas vistas e muito pouca gente nos valoriza… mas não há atropelos a ninguém… há espaço livre para que todos cresçam… são apresentados caminhos aos caídos e dadas as mãos aos cansados para que consigam levantar-se das suas quedas… o que concede uma tamanha paz e serenidade de espírito… que não são pagas por dinheiro nenhum!...
Estamos numa época em que muito se critica… mas muito pouco se constrói… porque na busca desenfreada do ter esquecemos quem está ao nosso lado a precisar de uma palavra amiga, de um gesto carinhoso, de um naco de pão ou de umas meias quentinhas para aquecer os pés.
A vida não é fácil! Mas a vida nunca será fácil, em situação nenhuma! Então, sejamos altruístas, pensemos nos outros mais do que em nós, lancemos fora o desejo de “ter” muitas coisas e procuremos, a todo o custo, ser sinceros, trabalhadores, verdadeiros, confiantes, caridosos, prestativos, amigos…
O ódio, a inveja, a maledicência… andam terrivelmente ligadas ao ter… e nunca nos farão felizes!
Vamos pegar na célebre frase de Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres!”
Se com este slogan organizarmos toda a nossa vida, seremos, realmente, muito mais felizes e o mundo será bem mais acolhedor!

Hermínia Nadais









A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

É PRECISO RENASCER

É impossível passar ao lado dos acontecimentos que a caixinha mágica e companheira de muita gente solitária vai trazendo a casa todos os dias; é difícil conviver com tantas revistas e jornais a falar de problemas e crises; e até se torna enfadonha, nos nossos correios electrónicos, a entrada de tantas chamadas de atenção para o que vai mal neste maravilhoso planeta em que fomos colocados para habitar e tornar cada vez mais apetecível aos sentidos.
A cada dia que passa nos vamos esquecendo cada vez mais que somos parte integrante da HUMANIDADE, e que por isso, falar mal dos homens e mulheres, é falar mal de nós mesmos, pois como seres sociais que somos, queiramos ou não, dependemos… e sempre dependeremos uns dos outros. E assim sendo, o mundo só será melhor se nos tornarmos melhores… pois se continuarmos preguiçosos na aprendizagem de bem viver e críticos negativos como somos, continuará tudo sempre na mesma ou ainda pior.
Se lançarmos um ténue olhar sobre a história que conhecemos até aos nossos dias, verificaremos que, numa constante procura de melhores formas de vida, com avanços e recuos, sempre houve permanentes mudanças de atitudes com vencedores e vencidos, e com a aprendizagem conseguida no rodar do tempo, aos pouquinhos, as pessoas começaram a deixar de olhar só para os seus próprios interesses e a pensar mais nas pessoas que lhes são próximas. Se formos bem ao fundo de tudo quanto nos rodeia, veremos claramente que o mundo não está tão mal como poderemos pensar. Com todos os problemas que existem, que são muitos, têm sido dados passos muito consideráveis na dignificação do Homem e da Mulher.
O ditado popular: “criticar é fácil, o difícil é construir,” muito real em tempos idos, na época que atravessamos parece-me que se encontra descabido. Para uma pessoa que quer dignificar a Humanidade é tão difícil criticar como construir, pois a construção ou não construção, na grande maioria dos casos, depende da forma como a crítica for apresentada. É preciso, com a máxima urgência, aprender a ver, compreender e aceitar as boas atitudes das pessoas que nos rodeiam, sejam elas quais forem, e se for preciso criticar, que seja como convém, de forma positiva. No meio de um mar de maldades poderemos encontrar, na mais ínfima boa acção, o modo de podermos dar um merecido elogio que incentive à prática de mais atitudes semelhantes.
Sejamos positivos! Uma pessoa positiva vê sempre em primeiro lugar o lado bom das coisas, e é isso que devemos fazer. Eu acho muito sinceramente que o egoísmo estúpido é cada vez menos frequente, pois a maioria das pessoas que fazem o mal não estão convenientemente inteiradas do que seja praticar o bem. O maior mal do mundo não está nas pessoas más… mas acima de tudo nas pessoas “boas” que se acovardam e não são o exemplo vivo de virtudes que deviam ser. Se o fossem… como o mundo seria diferente!
Mais do que nunca… é urgentíssimo… é preciso renascer para uma forma de estar que conduza o mundo à justiça e paz tão necessária nos nossos dias.

Hermínia Nadais
Publicado no "Notícias de Cambra"

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Eu… enganei-me!...

Persistir no erro não é próprio de gente que se preza… e se eu não reconhecesse os meus erros, sentir-me-ia, realmente, muito mal.
Ler notícias de corrida e partilhar a televisão com lides domésticas, não é muito próprio de quem se quer inteirar um pouco mais a sério do que se vai passando por cá, pois aumenta por demais as probabilidades de nos enganarmos, foi o que me aconteceu. Eu enganei-me mesmo… e ainda bem!...
Penso que não haveria dúvidas para ninguém de que estas eleições iriam dar no que deram, ou seja, ficar tudo na mesma, como vem acontecendo em situações idênticas. O povo português acomoda-se e só muda quando é obrigado, ele lá sabe porquê, estamos em democracia!... Mas eu, sou eu, não sou os outros, e o ter colocado em todos os candidatos o mesmo rótulo foi um dos maiores erros da minha vida! A enormidade de dissimulação, hipocrisia e asneira que se vê na Política pode baralhar qualquer um ou uma…mas há diferenças abismais entre as pessoas… agora… não restam dúvidas!
Por tudo o que foi visto, ouvido, feito e dito, Portugal tem muitos portugueses importantes, que nunca se enganam, auto-suficientes, perfeitos e feridos pelas demais pessoas que vão atropelando as suas indesmentíveis razões… ao lado de muitos outros que, nas linhas e entrelinhas, já sabem descobrir homens que se nos mostram capazes de defender, na realidade, o bem-estar comunitário de Portugal, ou de estar ao lado de quem o defenda!
O dia 23 de Janeiro de 2011, não mais se me varrerá da memória, pelos gestos observados e palavras escutadas que nunca imaginei poderem ser pronunciadas por políticos portugueses frente aos écrans da televisão! Um bem-haja a todos! Sinto-me muito feliz com isso! Portugal é grande!
Eu também defendo que, até ao acto eleitoral, cada um deve, honradamente, apresentar as suas razões, defender as suas causas e mostrar as suas pretensões… mas uma vez conhecida a vontade do povo… há que dar as mãos, um por todos e todos por um, para bem do desenvolvimento socioeconómico e bem-estar das populações.
Há palavras ouvidas que foram algo de sensacional… uma chama de esperança aos portugueses que, ao que parece, começaram a desvendar o caminho que é provável que seja o mais certo… o tempo o dirá.
Espero que as palavras não tenham sido ocas e postas ao vento, mas se transformem na força necessária para o aparecimento de acções concretas, exemplares e sublimes, que dêem razão a tudo o que se viu e ouviu. Para o bem comum, temos, todos, de mudar mentalidades! As pessoas não valem pelos seus patrimónios ou dinheiro, mas pelo cuidar dos interesses alheios tal como dos próprios, pois as que só tratam de si e dos seus amigos, podem viver na grandeza material, mas não têm valor nenhum!
Ordenados e reformas enormes… “tachos” sobrepostos... para quê? Morrem como os outros… e deixam tudo… como os outros… quando, um só “tacho” daria para matar a fome a muitos dos já desprovidos do estritamente necessário e a recorrer às instituições de caridade para matarem a fome. A lei pode estar ao lado de quem ganha dinheiro a mais, mas a moral não está, com toda a certeza!
Na maioria das vezes as pessoas agem sem pensar… mas é tempo de tomarmos consciência das nossas atitudes! O povo português, grande pioneiro em muitas aventuras, continua a ter portugueses que são verdadeiros génios! Se os senhores e senhoras do poder e dos postos chave das instituições tivessem a coragem de abdicar de uma partezinha do dinheiro que recebem por mês, Portugal acabaria com a crise e voltaria a dar ao mundo o melhor dos exemplos! Que acham da ideia?

Hermínia Nadais

Publicada no "Notícias de Cambra!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sinais dos tempos!…

A constante mudança do mundo é reconhecida desde os tempos mais remotos. É a ordem natural da vida que nos faz estarmos atentos aos sinais dos tempos, corrigindo o hoje com o ontem… se não… alguma coisa vai mal!
O desenrolar da vida humana é um encadeamento de atitudes que nos vão fornecendo a aprendizagem necessária a um verdadeiro e constante crescimento… pelo regozijo, satisfação, interiorização e prática do positivismo… ou tentando extrair da extensa e fastidiosa crítica demolidora e negativista o exacto conhecimento de tudo quanto se não deve fazer, o que se torna mais difícil!
Fico deveras apreensiva sempre que entramos em época de eleições… mas estas Presidenciais estão a transformar-se no maior de todos os desatinos.
A liberdade de expressão é um direito fundamental a respeitar, e ao usá-la sem constrangimentos aliado ao aperfeiçoamento dos sistemas informáticos com todas as práticas que lhe são inerentes são postas a descoberto muitas das atitudes de corrupção que devem ser reconhecidas por todos os portugueses.
Por tudo quanto me tem chegado… pela primeira vez na vida vejo que o povo português mostra, realmente, estar na maior das calamidades, pois em vez de descobrir caminhos e aproveitar as capacidades de mudança para encontrar uma melhor forma de estar e crescer como país independente que é, gasta todas as energias a desvendar as atitudes erradas com que possa denegrir imagens… o que é inadmissível!
Perante o que vemos e ouvimos todos os dias, insistentemente, é horripilante verificar o tipo de candidatos presidenciais em que somos convidados a votar… mas torna-se
mais horripilante ainda quando nos dispomos a pensar que esses candidatos são cidadãos portugueses… filhos e netos de cidadãos portugueses… pais e avós de cidadãos portugueses, retirados, um pouco arbitrariamente, do meio da sociedade portuguesa, situação em que a maioria da população não pensa.
Dizer mal dos candidatos portugueses… é dizer mal do povo português… de onde saem os candidatos. Se eles são maus… é porque o povo português os educou mal com maus exemplos tais que os levaram a ser como são. E se pensamos que é com críticas destrutivas e avassaladoras feitas ao Governo/cúpulas, avalizados por nós para nos orientar que vamos compor o nosso País, estamos terrivelmente enganados. Não é a evidenciar o mal que acabamos com ele!
Embora com formas de servir diferentes, o Chefe de Estado não pode confundir-se com o Varredor de Ruas… mas todos devemos ser, da mesma forma, servidores… tanto os que orientam (governantes) como os que são orientados (governados … que se devem ouvir, aceitar e respeitar mutuamente pensando sempre no melhor para os outros. Era o que deviam fazer, por exemplo, os que têm ordenados e reformas sobrepostas e enormes. Se as baixassem para o que bastasse seria o suficiente para melhorar o estado do País sem entrar nos bolsos dos que recebem tão pouco que não dá para viver condignamente. Mas também… os que recebem subsídios e afins… não deveriam, nunca por nunca, limitar-se a viver na dependência e preguiça.
É urgente fazermos tudo quanto pudermos para que seja mudada a mentalidade do povo português! Já conhecemos asneiras que bastem! Vamos empenhar-nos, sim, em confiar na capacidade de adaptação e mudança dos portugueses, enaltecendo as suas qualidades, para que Portugal venha a ser ainda melhor do que já foi!

Hermínia Nadais
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se o homem quiser… sempre será NATAL!

Se desde sempre a época do Natal foi muito marcante para mim, agora mais do que nunca! O rodar dos anos ainda não me mostrou muito bem o que é o Natal do Menino Jesus, por isso sempre me apresso na busca da compreensão para partilhar melhor o encanto.
A época do Natal é importantíssima, pois sem Natal (nascimento) nunca poderia haver paixão (morte) nem Páscoa (passagem), acontecimentos que determinam a nossa própria vida, pois tal como Jesus, nascemos, vivemos e partimos. O Natal do Menino Jesus veio dar sentido à nossa existência, mostrar-nos o caminho a seguir e levantar uma pontinha do véu que sempre nos encobrirá a verdadeira meta a alcançar.
O Natal é um grande mistério. Antes de mais, é a celebração do aniversário do nascimento real de um HOMEM que fascinou o mundo e continua a fasciná-lo através da História como único caminho de realização pessoal e felicidade que uns seguem imitando os Seus passos, e outros seguem também na medida em que, ingloriamente, buscam a felicidade fora DELE, onde nunca a poderão encontrar.
Entre todos os povos há unanimidade de pensamento em relação ao Homem incomparável que Jesus realmente foi, o que faz DELE o centro da Humanidade. Os próprios muçulmanos, cuja crença avança no mundo a olhos vistos, reconhecem o Seu valor incomensurável. Mais do que nunca, a humanidade vive num permanente “Advento”, numa busca constante de ALGUÉM que a venha tirar das dificuldades em que se encontra, e ESSE ALGUÉM é JESUS CRISTO, caminho, verdade, e vida que se expressa através de um amor sem limites a todas as criaturas.
Viver Jesus Cristo mão é apanágio de cristãos católicos, é uma realidade de todos os homens que amam, porque Jesus é Amor, somente Amor.
O Homem/Humanidade, é um todo, formado por todas as criaturas humanas, indefinidamente. E assim sendo, os inimigos de qualquer homem nunca poderão ser os outros homens. Se qualquer homem é parte integrante da humanidade, não pode, de forma alguma, ser inimigo da humanidade, porque se o for, é inimigo de si mesmo.
Os inimigos do homem não são os homens, mas as más tendências, os defeitos e desamores dos homens. Esses, sim, são os verdadeiros inimigos do homem.
Quando todos os homens, mulheres e crianças, conseguirem compreender esta noção de inimizade, então, sim, todo o mundo renascerá de novo porque todos conseguirão amar-se mútua e incondicionalmente, e no mundo haverá a desejada harmonia e paz.
Eu não sei o que é o céu, nem sequer se existe algum local exacto a que Jesus Cristo tenha chamado realmente de céu… mas tenho a certeza que, se os homens conseguirem olhar-se íntima e profundamente à luz de Jesus Cristo e lutarem arduamente contra os seus defeitos interiores (o mais importante é invisível aos olhos) o mundo será “um céu”.
A mudança de mentalidade que o mundo necessita para viver na Paz de Jesus Cristo não acontece de uma só vez, terá de ir acontecendo aos pouquinhos. E enquanto houver pessoas que não vivam o amor autêntico que Jesus Cristo preconiza, sempre será Natal, porque Jesus Cristo irá nascendo sempre, das mais diversas formas, no coração de cada homem que ainda O não conheça.
Eu não sei o quê… mas cada um de nós, cristãos, teremos de fazer alguma coisa para que o verdadeiro Natal vá acontecendo todos os dias!
Para todos, um Feliz 2011, num constante e permanente Natal!

Hermínia Nadais

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A união faz a força!... Mãos à obra!



Um dos maiores desafios do “ser humano” é aproveitar o passado para corrigir o presente e preparar o futuro… mas a correcção precisa de muita atenção aos sinais que estão na origem das mudanças. Estamos a viver os coloridos dias outonais. Quem como eu ainda se encontra ligada à colheita dos frutos, verifica que alguns deles – os mais sujeitos à corrupção imediata - dão origem ao aparecimento de inúmeros mosquitos e moscas que além de dar cabo do corpo desafiam também a paciência.
Recordo que, há bem pouco tempo, com argumentos convincentes, afirmei: “Com pauladas não se apanham moscas!” Hoje… já não posso dizer o mesmo. E não foram os tempos que mudaram… fui eu que mudei a minha forma de ser, ver e agir.
Os pratinhos açucarados e as fitas penduradas para atrair esses insectos perniciosos foram substituídos por uma espécie de varinhas plásticas com uma ponta de rede. E quando os insectos se movimentam na maior liberdade… acertamos-lhe a matar, na ocasião mais oportuna… não com força… mas com muita rapidez e perspicácia.
Há dias… enquanto levava a cabo uma destas minhas minuciosas operações… absorta em pensamentos… pareceu-me descobrir uma certa afinidade entre a destruição das moscas e a autodestruição social.
A verdadeira liberdade só existe dentro de cada um… na medida em que cumpre literalmente todas as suas obrigações no respeito pela integridade e liberdade dos outros. A democracia em que vivemos diz muito claramente que somos todos livres e iguais em direitos e em deveres… uma realidade muito aliciante para o combate às injustiças. Mas… há que admitir o facto de muitos de nós vivermos como as moscas... alheios aos perigos e tentações e aproveitando a liberdade para fazermos o que não podemos e nos metermos onde não devemos! E depois... queixamo-nos de que as coisas correm mal!...
Obrigam-nos a tantas restrições que o pensamento foge-nos inúmeras vezes para o sistema de finanças… das finanças públicas que tanto mexem connosco… e da forma como vamos gerindo as nossas. A esta parte… a democracia tem funcionado muito mal, pois as desigualdades sociais são cada vez mais fantasmagóricas. E grande maioria… ou talvez mesmo a totalidade das pessoas espertas que nos mandam apertar o cinto… estão tão cansadas de se lambuzarem no açúcar farto dos pratos que só mesmo com umas boas e certeiras palmadas os farão cair do cavalo das suas razões egoístas para deixar que o povo trabalhe com gosto e cresça na vida em harmonia e paz.
Ainda não percebi porque é que a maior parte das pessoas que estão nos comandos… seja em que comandos forem… esquecem tão depressa os cuidados que merecem as bases de onde saíram… e que de um ou outro modo as ajudaram a subir aos poleiros!!!…
Que a paciência e desapego alimentem a sensatez… porque ganância, prepotência e incoerência, temos de sobra. Quando a inteligência se ligar ao amor na humildade, bom senso, compreensão, dedicação e espírito de serviço… haverá harmonia, entendimento, justiça social, pão e paz.
Sem ovelhas não há pastores e sem governados não há governantes… mas todos somos precisos! A união faz a força! Mãos à obra!

Hermínia Nadais
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domingo, 27 de junho de 2010

Loucuras da vida


O mês dos Santos Populares, que traz saudades para os mais velhos e aventuras para os mais novos, para mim trouxe o desejo de partilhar uma das minhas loucuras… que pode parecer estupidez… mas é uma tentativa de evitar que outros façam o que eu fiz.
Impressionam-me por demais as pessoas queixinhas, sempre muito doentinhas e a caminhar para os médicos… e decidi para mim mesma que eu nunca seria assim.
Gosto imenso e tenho um carinho muito especial pelo meu médico e guardo bem no fundo do coração o quanto me tem ajudado e os cuidados que tem tido comigo, do que lhe estou imensamente grata, mas não gosto nada de andar atrás dele!
Faz tempo que vinha sentindo as minhas pernas muito esquisitas… algumas vezes inchadas… e cada vez mais escuras e endurecidas.
Os meus familiares e alguns amigos sugeriam-me que fosse ao médico, mas eu resistia dizendo que estava bem… e para mim estava, pois o mal estar que eu sentia ia-o atribuindo à idade que já vai sendo alguma… e ia-me deixando andar, de calças e saias compridas para ninguém me chatear por causa das pernas.
Num dia em que vesti saia mais curta, uma minha sobrinha não gostou nada das pernas e desinquietou a mãe e a tia que me encheram a cabeça tanto que eu acabei por mostrá-las a uma amiga enfermeira a quem prometi ir logo ao médico… e muito contrariada, mas lá fui.
Com a maior das calmas, o médico disse-me que eu estava muito mal… e foi-me alertando para o risco que corria. Receitou-me uns medicamentos… e senti de imediato melhoras consideráveis, que tive de lhe transmitir.
Depois de fazer os exames requeridos voltei lá a mostrá-los e a dizer-lhe muito firmemente: - Senhor Doutor, não há mortes repentinas, pois não? Eu andava a morrer e não sabia? Mediante as melhoras é que eu vejo como andava, Senhor Doutor!
Ao que ele, muito sério, respondeu: - Claro que há mortes repentinas, minha senhora… mas só nos acidentes, sabe… porque fora de acidentes… há pessoas que se deixam andar… assim… e são colhidas repentinamente pela morte.
Mediante o que observou atentamente, receitou ainda mais dois tipos de medicamentos… e eu continuo a sentir-me cada vez melhor!
Ora, com tudo isto… ser queixinhas, não devemos ser… mas descuidados ou descuidadas… também não!
Só dá valor à saúde quem a perde… e tem a ventura de a recuperar. É muito bom ser saudável! Cuidar da saúde, é um dos nossos maiores deveres, deveres que os médicos nos ajudarão a cumprir! O sistema de saúde, isso é uma outra coisa. Há quem diga que está muito bom… mas não sei se estará tanto assim! Que temos muito bons médicos, enfermeiros, especialistas, farmacêuticos… lá isso temos, bem-haja!
Que eles nos protejam, e que Deus os ajude, e a nós também!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Diz-me… com quem andas…


“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és!”
Esta frase era repetida inúmeras vezes pelos meus pais, tios e avós, de boa memória, principalmente na minha mocidade, quando eu mostrava vontade de acompanhar com alguém que não fosse de sua inteira confiança.
Fui interiorizando o que ouvia e fugindo, com as mais astuciosas desculpas, das pessoas que eles desaprovavam, atitudes que me marcaram de tal forma que ainda hoje, quando me surge uma nova amizade, esta frase, como por encanto, me aflora de imediato à mente e acaba por me desviar de muitas confusões.
A frase continua tão verdadeira no hoje como o foi no ontem. Na idade do crescimento e seguimento de ídolos em que é natural as pessoas deixarem-se arrastar facilmente, urge atender aos valores reais do grupo em que estivermos inseridos, pois na idade madura, uma vez adquirido um conhecimento capaz, um querer constante e uma vontade firme, torna-se mais difícil desviarem-nos da meta que tivermos definido.
Cada pessoa é senhora de si e deve ter a liberdade de escolher e enveredar pelo caminho que julgue mais conveniente… mas sem se isolar das demais, pois o isolamento não faz bem a ninguém.
A vida em grupo faz parte do nosso “ser” humanos que são “seres sociais” por excelência.
Somos parte integrante dos agrupamentos naturais em que nos movimentamos: família, lugar, freguesia, concelho, país; e formamos grupos de pessoas no ambiente de trabalho, de amizades, de aprendizagens, de distracções, de interesses socioculturais; somos grupo de… grupo com… grupo para…
Juntamo-nos a um qualquer grupo de pessoas pelos valores, interesses e objectivos que nos apresenta, e desse modo, o comportamento do grupo continuará a definir-nos. Numa comunhão recíproca, devemos fazer tudo para que o grupo seja bom e as pessoas responsáveis, amigas, fortes e coesas.
É no pequeno grupo que teremos a coragem e o à vontade para partilhar vida, haveres e opiniões, e para trocar a crítica pela correcção fraterna, condição indispensável para que todos os membros do grupo possam crescer, mediante as qualidades inerentes a cada pessoa e cada pessoa dentro das suas próprias possibilidades.
Os adultos maduros e responsáveis só poderão deixar-se orientar pelo grupo se o grupo onde se quiserem inserir, livremente, na corresponsabilidade e verdade, lhe oferecer maior possibilidade de crescimento.
Viver em grupo tem regras que têm de ser escrupulosamente cumpridas. Não adianta falar mal de nada nem de ninguém! É urgente, sim, olharmo-nos tal qual somos de modo a averiguar se estamos ou não a proceder da melhor forma dentro dos nossos grupos, porque os actos isolados serão sempre provenientes de vivências de grupo… e por sua vez, as vivências de grupo expressar-se-ão sempre nos pequenos actos isolados de cada um dos seus membros.
Então, sejamos muito cautelosos tanto dentro dos nossos grupos naturais como na escolha acertada dos grupos onde nos vamos inserir, pois o “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, muito embora não tenha o mesmo peso na adolescência ou idade adulta, pesará sempre muito no nosso comportamento, pois o exemplo arrasta.

Hermínia Nadais
publicada no "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Como vai o mundo!


Com o nosso jeitinho de chorões confessos, a maior parte de nós passa a vida a dizer que tudo está muito mal… mas, na realidade, como vai o mundo… não sei! Tudo dependerá do olhar com que o virmos. Se o olharmos com os olhos da maldade, vê-lo-emos tremendamente mau; se usarmos o olhar de quem procura ver só o bem, encontraremos muitas coisas boas; se, contudo, preferirmos encarar a realidade, veremos comportamentos e acontecimentos bons e menos bons e atitudes das mais variadas índoles.
A experiência pessoal e colectiva vai-nos alertando, em cada dia, de que nada poderá ser considerado totalmente mau quando o Homem quer crescer, pois os problemas no ontem resolvidos, no hoje deixarão de ser “problemas” para se virem a denominar de maravilhosas “conquistas”.
Todos desejamos sucessos tranquilos, e está muito certo, pois não podemos ser masoquistas. Mas se observarmos um pouco a nossa maneira de ser e estar, num curto espaço de tempo concluiremos que o bem-estar prolongado, que à partida é muito bom, nos instala no nosso cantinho e nos fecha de tal forma os horizontes que começamos a pensar apenas no prazer imediato com a inevitável sensação de vazio e cansaço interior, pois a felicidade provinda dessa forma será sempre efémera e passageira.
Temos de ter consciência de que os problemas em demasia nos arrasam, mas temos de convir que uma vida sem problemas também não ajuda em nada a nossa realização pessoal. A sabedoria popular diz que uma pessoa sem problemas tem o enorme problema de não ter problema nenhum – porque assim estagna, não cresce.
Os problemas a enfrentar serão tanto maiores quanto menor for a nossa preparação para a vida. Aliás, é a resolução de problemas que nos prepara para a vida, ou melhor dizendo, o desenrolar da vida é uma constante resolução de problemas, pelo que não podemos pedir a não existência de problemas, mas a capacidade para os resolvermos com sucesso.
O mundo é um jardim florido onde o espaço, comida e tecto para todos falha para muitos apenas pela intolerância, avareza e desamor de uns tantos.
É preciso dizer aos ricos que pensem nos pobres, mas urge dizer aos que se dizem pobres que têm de lutar pela vida, que não podem cruzar os braços para continuar a esperar por subsídios… que já são demais. A vida vale pelo que sofrermos por ela. É muito fácil aos que se dizem pobres criticar os ricos, mas a verdade é que o mundo nunca crescerá com parasitas da sociedade… que é o que são muitos dos que se dizem pobres… aliados aos “ricos vadios” que nada produzem e só gastam.
A sociedade tem o dever de olhar muito bem pelos doentes e velhinhos, mas tem de fazer tudo para levantar a moral dos mais desprotegidos, sejam eles ricos ou pobres, aqueles para quem a vida é sempre um drama… a maior parte das vezes… simplesmente… porque nunca tiveram quem os ajudasse a aprender a viver. Que quem de direito… seja generoso na ajuda!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 28 de março de 2010

Páscoa, felicidade e amor!


Estamos nos últimos dias que nos separam da vivência de mais uma Páscoa, festa universal que nos levará a todos, como o termo indica, a alguma passagem, que se de mais não for, será de alguns dias um tanto diferentes dos demais.
A festa da Páscoa, que data dos tempos mais remotos, é universal, muito embora vivida por cada povo bem à sua maneira.
Neste cantinho do mundo, nós, portugueses, que nos orgulhamos de ser um País de índole cristã acentuadamente católica, o como vivemos a Páscoa é um ponto a considerar. Longe vai o tempo dos longos sermões e sentimentais vias-sacras a preencher os domingos da Quaresma, e da Semana Santa cheia de representações com pessoas magoadas até ao choro, seguidas de domingos de Páscoa acordados pelo alegre repicar dos sinos com a Cruz levada em júbilo pelas ruas de visitas às habitações onde a miudagem se alegrava até ao fundo do coração com uma pequena fatia de pão-de-ló e algumas amêndoas que o Padre docemente lhe deitava nas mãos… e coma visita dos padrinhos que esperava ansiosa lhes adoçasse um pouco mais a boca com a oferta de mais algumas amêndoas.
O saudosismo abala muita gente que se amofina porque agora tudo está diferente, mas temos que convir que muitas dessas vivências eram puramente ritualistas, e quanto a lágrimas, não eram só de pena do sofrimento de Jesus mas também de pavor pelo castigo que iriam receber de Deus pelos desvarios cometidos. E foi neste tipo de educação cristã que a maior parte dos mais que cinquentões viventes cresceram.
Não quero que isto possa ser visto como crítica, que não é, pois pretendo apenas recordar o que foi a nossa realidade… realidade que teremos de ver como berço dos nossos filhos e netos para não nos revoltarmos tanto com a realidade dos nossos dias.
A maior parte dos nossos pais e avós não sabiam ler nem tinham quaisquer estudos, não tinham jornais, rádio, televisão nem internet e os transportes eram escassos, situações desfavoráveis ao conhecimento de outras culturas e desbravamento de outros horizontes, pelo que se mantiveram sempre debruçados sobre si mesmos.
A maior abertura ao estudo aliada à implementação da comunicação social e meios de transportes parece-nos ter colocado o mundo do avesso, mas não. O mundo é belo e bom, e a massa humana não está tão mal como parece, nós é que temos o péssimo hábito de ver primeiro o que está mal e acabamos por ver só o mal.
Se nesta Páscoa que atravessamos passarmos a ver primeiro o bem, descobriremos em nós e nas pessoas que nos rodeiam coisas muito boas e o mundo parecer-nos-á muito melhor.
Vivemos na busca constante da felicidade, uma utopia nesta etapa da vida que de felicidade nunca nos dará mais do que alguns momentos, que serão tanto maiores e melhores quanto mais, esquecidos de nós mesmos, nos dedicarmos a compreender, aceitar e conviver com quem nos rodeia com muito amor, carinho e dedicação.
Para todos, montanhas de felicidade numa Páscoa de amor!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Há muita falta de espelhos!...


Nas últimas décadas temos assistido e um enorme desenvolvimento a todos os níveis, principalmente na tecnologia da comunicação e meios de transporte que vão acentuando a passos largos, no dia a dia do mundo, a ideia de uma aldeia cada vez mais global e globalizante.
Vivemos num pequeno país da imensa Europa que muitos dizem de valores perdidos, mas em que muitos outros põem toda a confiança de um futuro mais risonho e promissor para todos, pois todos têm o direito ao bem-estar e felicidade.
Como quando há uma tempestade se espera pela bonança… talvez os nossos inúmeros problemas estejam prestes a extinguir-se! Mas não podemos ficar à espera que sejam os outros a resolvê-los. Temos de por e render todas as nossas capacidades, físicas, intelectuais, culturais, morais… colocando-as ao serviço do bem comum… na atenção a dar a nós mesmos e a quem nos rodeia, no trabalho feito com amor, no descanso por necessidade, na solidariedade e partilha a quem precisa de uma palavra, um gesto, um carinho, um sorriso… mas conscientes de que nada disto veste corpos nem enche estômagos famintos… é preciso muito mais… muito mais do que o dinheiro ou bens que os remediados e pobres partilham com muito boa vontade, mas que não chega!
Admiro-me muito quando ouço criticar e prender certo tipo de ladrões… os que se aventuram a actuar nas ruas, nas casas, nos cafés ou até mesmo nas instituições bancárias, e pagam na cadeia e muitas vezes com a vida a malvadez dos seus actos… enquanto os desviadores de tantos milhões que deveriam ser utilizados para o bem-estar de todo o povo português… e chegavam bem para isso… continuam bem vivos e à solta… sem ninguém que os castigue ou lhes diga “basta”!
Conscientes de que o bem e o mal caminham connosco lado a lado, se não lutarmos por praticar o bem o mal toma logo conta das nossas acções e acaba por fazer de nós os maiores egoístas e malfeitores… e a maior parte das vezes cheios de sorrisos, de boas maneiras e falinhas mansas… numa hipocrisia inconcebível!...
É urgente termos o conhecimento exacto da honestidade que devemos ter nos cargos que ocupamos, sejam eles quais forem, onde deverá haver o mesmo peso e a mesma medida para todos os cidadãos, indiferentemente da sua condição social, ideologia, raça, credo ou cor! Todos somos gente, e toda a gente tem responsabilidades no lugar que ocupa na sociedade – pois somos seres sociais que dependemos uns dos outros!
Em vez de evidenciarmos o que vão fazendo de bem falamos mal de tudo: do Governo, das Autarquias, da Segurança Social, dos Tribunais, dos Advogados, dos Médicos, dos Enfermeiros, dos Professores, dos Alunos, dos Funcionários Públicos, dos Bancários, dos Comerciantes, dos Industriais, dos Patrões, dos Empregados… dos bêbados, dos drogados, dos malandros e dos “tarados”… que somos todos nós que passamos a vida a criticar os outros e sem um “espelho” que nos ajude a ver claramente o nosso comportamento real.
O aumento da compreensão, solidariedade e fraternidade humana devia acompanhar o desenvolvimento cultural e tecnológico. No mundo há bens materiais mais que suficientes para que todos vivam sem necessidades, mas enquanto houver, ricos ou pobres, orgulhosos… avarentos… presunçosos… preguiçosos… o mal-estar e a miséria continuarão a existir. E para quê tanta ganância… se nada no mundo é totalmente nosso! Se tivéssemos a coragem de olhar profundamente e “com olhos de ver” o que aconteceu na nossa Ilha da Madeira, no Haiti, e em tantos outros locais arrasados pelos distúrbios da Natureza… saberíamos muito bem como fazer o mundo feliz!

Hermínia Nadais
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A barca da perdição!


Hoje, numa situação muito especial, alguém afirmou que é preciso sair da barca da perdição. Esta frase serviu-me de tema para mais uma reflexão sobre algumas das particularidades do ser humano, perito em importâncias, daí ceder muitas vezes à tentação de olhar os seus congéneres de cima para baixo, comportamento que lhe concede a maior de toda a mesquinhez.
Estou careca de ouvir dizer que o mundo está muito mal, que as pessoas são muito más e que é preciso que encontrem o verdadeiro caminho… mas sinto que muito pouca gente mostra o caminho verdadeiro com obras em vez de palavras… e se com palavras… com palavras que sejam o reflexo de uma vida austera, íntegra, caridosa, cheia de compreensão, doação e amor, que seja um exemplo a seguir calma, segura e confiadamente.
Mais do que nunca é imperioso acabarmos com muitas das nossas ilusões. Não vale a pena passarmos a maior parte da vida a dizer aos outros que é preciso alterarem os seus comportamentos … mas é urgente fazermos uma análise profunda aos nossos… que são os únicos que podemos alterar.
Palavras leva-as o vento – é um ditado muito velho e que cada vez se torna mais evidente – pois as lições de moral, se não são dadas com a vida, nunca serão lições, antes, transformar-se-ão em perdições.
Se tivermos em conta o que acontece connosco quando somos criticados… se analisarmos a revolta sentida e o desencadear de sentimentos negativos e negativistas… e muitas vezes mesmo o enorme desânimo e agressividade… ficaremos certos de que as críticas pelas críticas, ainda que sejam feitas com muito boa vontade, não levam a lado nenhum. Se pelo contrário, enveredarmos pelo lado do elogio, o sucesso será evidente, pois toda a gente tem necessidade de ser reconhecido como capaz.
A mudança de comportamento das pessoas não está nas chamadas de atenção para os seus erros, mas para as suas boas acções.
Sabemos que umas mais que outras, mas todas as pessoas têm comportamentos mais ou menos salutares. Importa descobri-los, valorizá-los, mostrá-los, pois ainda que sejam coisas insignificantes, se as valorizarmos, podem ser melhoradas e multiplicadas no mais curto espaço de tempo! Uma pessoa valorizada faz tudo por transformar a sua vida, pois se por mais não for, será para continuar a ser elogiada e reconhecida no aperfeiçoamento das suas capacidades. O ser humano cria hábitos, e se a pessoa se habituar a sentir-se feliz ao praticar o bem, vai continuar a praticá-lo, não tenhamos dúvidas.
Como não pretendo iludir ninguém, quando faço afirmações… é porque já as tenho experimentadas!
Se formos sinceros e sinceras na análise cuidada de todos os nossos actos… verificaremos que a pior das barcas da perdição é a que se encontra bem dentro de cada um de nós… sejamos nós quem formos.
Se cada um de nós tivesse a sabedoria e a coragem de lutar contra os seus próprios defeitos e de amar todas as outras pessoas aceitando misericordiosamente todos os defeitos que elas possam ter… o mundo seria muito melhor. Então, não esperemos mais, sejamos valentes para podermos mudar as nossas atitudes de vida… e tornar o mundo mais realizado, humano e feliz!

Hermínia Nadais
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