domingo, 30 de dezembro de 2012
“A ‘Fé’... na vida do homem!”
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A loucura dos “HOMENS”!...

A loucura dos homens, mulheres, crianças, da humanidade inteira, é a busca da felicidade… facto que só é possível no conhecimento da verdadeira razão da nossa existência, do nosso verdadeiro eu, do que queremos, do que temos e do que somos, pelo que a busca da felicidade será sempre inglória se a não procurarmos bem dentro de nós, pois se não brotar do nosso interior nunca poderá existir!
Cada “Ser Humano”, único e irrepetível, um mistério tremendamente complexo para quem com ele convive, é, antes e acima de tudo, um pavoroso e enormíssimo mistério para ele mesmo. Toda a pessoa nasce sem querer… mas a partir do nascimento, impreterivelmente, tem que aprender a viver… ou a sobreviver. E tal como esponja em água, começa por sorver tudo quanto se passe à sua volta: o bom, o razoável, o menos bom, ou mesmo o mau… de modo que, ao entrar na denominada pré-escola, pelo que adquiriu na família ou instituição onde a família a deu a guardar enquanto trabalhava… ou mesmo na casa de acolhimento total – instituição ou família - já leva a sua personalidade praticamente determinada e pronta, sim, mas só para ser aperfeiçoada nas suas mais diversas facetas. Deste modo, a escola não deveria ter nada a ver com educação, mas apenas com instrução, uma vez que a criança já lá chega transportando consigo tudo quanto a sociedade lhe deu até então, o que, salvo raras excepções, vai determinar todo o decorrer da sua vida, independentemente do que a escola lhe possa vir a dar.
É evidente que a escola e a família devem interagir em comum para o bem total do indivíduo, mas sem descarregar uma em cima da outra a sua quota parte no desenvolvimento total e harmonioso desse mesmo indivíduo. Uma vez que escola e família devem ser complementares, não se pode responsabilizar a escola pela educação que a família não dá… nem responsabilizar a família pela parte da socialização e “saber” que competem realmente à escola.
Ao afirmar-se que a felicidade parte de dentro de nós baseamo-nos em todos os princípios orientadores de uma verdadeira preparação humana, no campo dos afectos e da educação/instrução, o que perfaz os bons princípios de vida no reconhecimento e interiorização das boas normas de vivências individuais/sociais e da forma como vão sendo postos em prática todos os conhecimentos interiorizados, pois a felicidade parte sempre do profundo sentimento do dever cumprido, e isso é obra de cada um.
Cada pessoa, ao olhar para si mesma, terá que admitir que a sua felicidade só pode existir quando estiver contente com todas as acções praticadas, pois ainda que o comportamento dos outros para com ela a faça sofrer e chorar, nunca poderá roubar-lhe a sua satisfação interior.
A felicidade é muito exigente com quem a procura, pois o outro ou a outra onde buscamos a felicidade nunca no-la poderão dar se nós mesmos não a tivermos adquirido pelo reconhecimento e aperfeiçoamento de todas as nossas potencialidades e pelo cada vez melhor cumprimento de todos os nossos deveres e luta por quereres que perfazem a nossa realização pessoal.
A procura da felicidade passa pela verdadeira busca de nós mesmos, que é a tarefa mais difícil que se possa imaginar. Falar de felicidade é falar de vida plena, que por mais que nos esforcemos, nunca poderemos conseguir durante a nossa permanência neste maravilhoso planeta. Aqui, teremos apenas alguns momentos dispersos de maior ou menor felicidade… uma força urgente e necessária para podermos continuar a escalar corajosa e positivamente a montanha da vida, com todas as nossas capacidades e limitações, na busca constante de uma felicidade que não tenha mais fim.
PS: Na crónica passada gostei imenso de interpelações a que fui sujeita, ao que, mesmo com todas as minhas limitações de tempo e não só, sempre responderei com todo o prazer. Para as facilitar, o meu endereço: Maria Hermínia Nadais, Santa Cruz – Macieira de Cambra, 3730-309 Vale de Cambra
Telefones: 256402286; 917798785; 96382679
Blogue: http://textosdaescoladavida.blogspot.com
Há coisas que contamos ao amigo(a), mas não expomos à multidão. Se comentarem no blogue de forma anónima estarão certos de que a resposta será realmente imparcial, uma vez que eu nunca saberei a quem estou a responder. Da discussão nasce a luz! Por tudo quanto fizerem, um muito obrigada!
Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"
terça-feira, 7 de abril de 2009
SERÁ TEMPO DE TRISTEZA! NÃO, DE FORMA NENHUMA.

Diz-se que o passado é a base do futuro, mas acho que nem sempre as recordações das vivências de outrora poderão fazer eco na preparação de um futuro com sucesso, a não ser que o presente, elo de ligação entre esses dois pólos, seja muito bem moldado.
Era muito criança, mas as marcas dos sentimentos vividos na época quaresmal ficaram-me indelevelmente gravadas na memória. Além da música que não se podia ouvir e das canções abafadas na garganta, aos domingos, as pessoas deslocavam-se massivamente às Igrejas para ouvir os “longos” sermões, que seriam tanto melhores quantas mais fossem as pessoas a suspirar de dor com derrame de abundantes lágrimas ao ouvir as palavras proferidas pelo orador que, com voz forte e retumbante, intencionalmente levantava sentimentos de pavorosa culpa nos ouvintes, face aos sofrimentos do Senhor. E o seguir os passos da Sua via-sacra, entre cânticos de uma tão grande tristeza, arrasava quem quer que fosse. As confissões quaresmais, vulgarmente chamadas de podadas, eram vistas como uma obrigação de, como obediência a Deus e com medo dos Seus castigos, “pespejar” o saco das culpas frente a um dos Seus padres, homem entre os homens e como os outros homens, arrepiando o coração de muitos.
Porque será que está tudo tão mudado? Será que a Quaresma perdeu o sentido?
Não! De forma alguma! Acho que as vivências de uma verdadeira Quaresma nunca tiveram tanto sentido como agora. Oxalá que a ligação entre o que ela foi, o que é,e o que virá a ser, seja bem construída.
O rodar dos anos mudou mentalidades e levou as pessoas a encontrar outras ocupações e a desertificar as Igrejas, mesmo na época da Quaresma, é um facto. Mas, a consideração e reconhecimento dos direitos da criança e de todo o cidadão, foi alterando, progressivamente, o modo de viver. O conduzir à obediência pelo tradicional medo do castigo foi sendo substituído pelo respeito, carinho e amor que deve haver entre o educador e o educando. A compreensão mútua entre os homens, tendo em conta as responsabilidades inerentes às condições sócio-económicas de cada um vão sendo promovidas em cada dia. Há um reconhecimento cada vez mais profundo de que o verdadeiro valor da pessoa humana se encontra no desenvolvimento global e harmonioso das potencialidades inatas e adquiridas de cada um, da forma como as aproveita para a sua realização pessoal e de como as coloca ao serviço da comunidade. Ora, estes valores tendem a ser evidenciados em todos os homens em geral, independentemente da sua proveniência ou religião.
As vivências quaresmais têm por finalidade desenvolver nos cristãos todos estes valores, numa caminhada de fé enraizada nos passos de Cristo, a verdadeira perfeição e a mais completa das doações, pois colocou-se tão inteiramente ao serviço da comunidade que se deixou morrer por ela. A Quaresma, para os cristãos, é um caminhar mais ao encontro de Deus vendo-O e procurando-O em cada pessoa que os rodeia, seja agradável ou desagradável, mas principalmente nos que mais sofrem a fome, o frio, a nudez, a tristeza, a doença, o abandono, a falta de afecto e ternura... É, à imitação do Mestre, um aceitar com amor, carinho, e sem reclamações, tudo quanto a vida trouxer.
É difícil?! É, Ele sabe. Mas, é possível. E a quem o desejar, Ele está presente para transformar “essa” a que chamamos “nossa cruz”, numa verdadeira “árvore de vida”.
Que bom que houvesse a benesse de todos os cristãos (homens) assim entenderem!...
Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”
quarta-feira, 18 de março de 2009
PORQUÊ... SÓ AGORA!

Há questões para as quais só o “tempo” poderá oferecer resposta convincente... mas... nem sempre o tempo tem o dom de trazer a resposta adequada para todas as questões?!...
Já tenho algumas boas primaveras de que muito me orgulho, mas esta está a ter, para mim, um sabor muito especial. Mesmo com o tempo invernoso, chuvoso e frio como não lembra, o Céu é muito mais azul e a Terra mais verde, as flores mais belas e o canto dos passarinhos mais suave e melodioso.
A Primavera é sempre o desabrochar de vida nova com o começo de novas vidas. Esse facto ressalta, claramente, a todos os olhares. Mas, na renovação do insondável mistério da vida, existem outros mistérios facilmente despercebidos, porque não palpáveis aos sentidos estritamente humanos.
Na Primavera decorre a maior parte do tempo da Quaresma; nela se renovam mais intensamente as Celebrações Pascais, com todas as suas doações. Estes acontecimentos, para muitos rotineiros e sem sentido, tornam-se, ininterruptamente, numa vivência única para todos e cada um. Prestando atenção às solicitações externas e internas que se nos vão proporcionando das formas mais diversas, poderemos constatar esta grande verdade.
Na estrada da vida, por onde caminhamos incessantemente, intercaladas com algumas pequenas rectas surgem as curvas mais sinuosas e inesperadas, cada uma com seu “quê” de especial. E é na passagem cuidada de todos os imprevistos dessa tortuosa via que a nossa vida se vai apresentando mais ou menos válida, mais ou menos segura de si perante tudo o que a rodeia, mais ou menos apta a conquistar outras paragens e transpor novos horizontes à procura de outros sabores da alegria de viver.
A Quaresma, sem dúvida, é o tempo ideal para nos abandonarmos loucamente nos braços carinhosos do “Pai” e aprendermos a manter-nos mais unidos a Ele, num diálogo permanente, forte e profundo; então, assim, já é um pouco mais fácil lançarmo-nos fortemente nesta aventura de vida, que nos traz o benefício de uma felicidade sem par. Não é preciso metermo-nos em façanhas de vulto, pois a vida será grande somente quando nos dedicarmos à perfeita execução das coisas mais pequeninas: é um amigo que necessita de consolo e a quem dirigimos uma boa palavra; é uma conversa que pede uma resposta brava e respondemos doce e carinhosamente; é a troca da comodidade e bem-estar pela alegria de um encontro; é a incompreensão que dá lugar à delicadeza de um carinho; é a indiferença substituída por uma mão aberta para dar; é o apagar da brusquidão por muito, muito amor... E nisto consistirá, realmente, a nossa “Páscoa”, a passagem de uma vida pouco útil à vivência da verdadeira utilidade de uma vida.
Trabalho difícil e moroso, mas não impossível! Para o conseguirmos, basta domar a nossa vontade à vontade do Pai seguindo as pisadas do Filho, o Verdadeiro Caminho, Verdade e Vida. Assumidos, sem receios ou preconceitos, comecemos a gozar a alegria deste modo de viver... já, neste momento... para que não venhamos a repetir os desabafos de muita gente: Porquê... só agora!
Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Multidões... MULTIDÕES!...
Não sei porquê... mas sinto vontade de partilhar!...Como já se vem tornando habitual saímos com a auto-caravana para a “Romaria Centenária” do final das Festas da Torreira, à meia-noite do dia seis para sete de Setembro.
Noite do fogo de artifício no mar, era suposto que o trânsito estivesse compacto na saída, mas muito pelo contrário, chegamos por entre uma amálgama de carros e peões cerca das três da madrugada, com duas lindas horas passadas desde a chegada à ponte da Varela até ao estacionamento desfrutando o maravilhoso panorama daquela sociedade agitada onde as noites foram os dias para milhares de jovens que se espalhavam por ali e se apinhavam ao longo da praia entre o palmilhar nocturno das areias bem junto às ondas e as petiscadas nos bares bem despertos da zona, ao som das suas músicas favoritas atroando os ares a distâncias consideráveis até cerca das nove da manhã, hora em que tudo para eles adormecia.
Nada de desacatos... nada de confusões. Animação perfeita.
A “feira”, nas ruas principais, bem agradável à vista e à bolsa.
A noite seguinte trouxe o fogo de artifício na ria, espectáculo ímpar observado por centenas de milhar de pessoas de todas as idades, credos, cores e condições.
No final, tranquilamente, os veículos esperavam o brando movimento da multidão compacta desde bebés dormindo placidamente nos carrinhos aos mais idosos agarrados à pouca força da vida. Com o maior respeito mútuo que se possa imaginar, como corrente de água tranquila deslizando em terreno plano, encaminhavam-se para aplaudir a artista que os esperava e com quem foi estabelecida uma calorosa intercomunicação. A igreja, meigamente aberta, convidou alguns a entrar.
Espectáculo lindo de se ver... e melhor de se sentir!
No termo das festas foi chegada a hora de agraciar os patronos da localidade: a Natividade de Nossa Senhora ali invocada como Senhora do Bom Sucesso, e o jovem Mártir S. Paio. Foi junto à sua minúscula capela que D. António, Bispo de Aveiro, ladeado por nove Presbíteros e um Diácono, todos da região limítrofe da Torreira e conterrâneos do Pároco daquela comunidade, Padre Abílio Araújo, presidiu à Eucaristia. O Padre Abílio foi incansável na vigilância apertada de todos os momentos e intervenientes na celebração, deslocando-se rapidamente em todas as direcções tal como criança atenta e curiosa repleta de sorrisos amáveis e gestos encantadores.
Antes do início da procissão orientou as pessoas no cumprimento de promessas a se colocarem entre os onze andores que os restantes fiéis deviam ladear, pois atrás da música não deveria ir ninguém.
Um facto curioso é que duas senhoras de tronco bem descapado alternavam entre si a posse de um bebé vestido de anjo... que o Padre Abílio olhou inúmeras vezes... mas carinhosa e meigamente!...
D. António agradeceu o maravilhoso trabalho do Pároco e de todos os que com ele colaboravam; acarinhou o clero presente, as autoridades, o povo residente e os visitantes, lembrou os emigrantes, os falecidos, as comunidades vizinhas; chamou todos os padres presentes pelos seus nomes próprios; enumerou factos concretos da vida social da forma mais simples e elucidativa, sem restrições a nada nem a ninguém.
Na participação na Eucaristia aglomerou-se uma numerosa multidão... e uma multidão ainda maior fez cordão nas bermas das ruas na direcção da igreja.
Durante o trajecto da procissão, os comentários que inevitavelmente ouvi são de um povo que vagueia sedento de algo que não sabe como encontrar. Talvez... quando houver mais coerência nos que se dizem católicos e todos os nossos Bispos e Padres tiverem a linguagem e comportamento do D. António e do Padre Abílio, as pequenas “multidões” se possam tornar em grandes “MULTIDÕES”!...
Não podemos iludir-nos! As palavras só convencerão... quando provindas do coração da vida!...
Prof. Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
A VIDA E OS SEUS MISTÉRIOS
Se tudo na vida é mistério até ser compreendido e integrado nos nossos saberes vivenciais, nós, HUMANIDADE, tendemos para o “Infinito” e seremos sempre um mistério até sermos definitivamente integrados “Nesse Infinito” a que vulgarmente chamamos de eternidade ou vida para além da morte física.
As descobertas científicas antes de serem experimentadas e vivenciadas pelos homens também eram um mistério que aos poucos se foi e vai desfazendo. Todavia, o “Ser Humano”, desvendando tantos mistérios, continuará sempre infinitamente misterioso, porque único ser criado semelhante ao seu misterioso Criador.
Assim sendo, as relações humanas, se não constantemente firmadas num íntimo relacionamento de cada homem ou mulher consigo mesmo no sentido melhorar constantemente as suas atitudes em colaboração constante e directa com o Supremo, seja essa colaboração feita como for e chamada à DIVINDADE o nome que chamar, essas relações não terão a mínima possibilidade de serem adequadas ao bem da própria pessoa ou da sociedade onde estiver inserida. O Homem é um ser social por excelência, mas o seu “SER” verdadeiramente “HOMEM” é muito complexo. Cada PESSOA terá de extrair, da sua própria essência, ou seja, dos genes recebidos dos seus progenitores que lhe conferem uma identidade própria única e irrepetível que a distingue de todos os outros seres, e ao mesmo tempo também da sociedade a partir sempre do seu meio ambiente natural (família e amigos), a aprendizagem que lhe convém para o seu melhor desenvolvimento integral que engloba tudo o referente ao seu corpo (visível) e mais ainda a tudo quanto os nossos sentidos não conseguem alcançar e que é sempre o mais importante... o mistério... (invisível e impalpável).
Ainda que gastemos a vida numa constante busca de nós mesmos e na maior ampliação possível de todas as nossas capacidades a todos os níveis ao ponto de chegarmos a pensar ter conseguido o máximo de paciência, compreensão, entendimento, fortaleza, espírito crítico, interioridade, aceitação... sei lá qual o número de qualidades que podemos enumerar... isso apenas poderá dar-nos a ideia, certa ou errada, de nos encontrarmos num maior ou menor nível de auto conhecimento e perfeição, mas não nos levará nunca a deixarmos de ser um mistério... para nós e para os outros. Quem nos rodeia nunca poderá ter acesso ao íntimo do nosso ser, pois por mais que lhes abramos todas as portas do coração e nos esforcemos por lhes mostrar claramente todas as razões das nossas atitudes de modo a poderem sorver o que realmente somos, nunca conseguirão descobrir devidamente a nossa realidade pessoal. A esta parte, teremos que lembrar que nós próprios somos um mais que gigante mistério para nós mesmos, pois mesmo com uma vida dignificada por um bom relacionamento social impregnado de boas acções ou imbuída de atitudes de oração, meditação, interiorização, autocrítica, doação e amor numa visão muito clara das nossas potencialidades e das realidades que nos circundam no desejo sincero de minorar o sofrimento alheio... num qualquer momento, inesperadamente, num abrir e fechar de olhos, sem saber como nem porquê, podemos voltar a cair em erros passados ou cometer outros ainda piores... situações que acabam por nos provocar humilhações e pedidos de desculpas diante dos homens e ao mesmo tempo necessidade premente de dobrar mais os joelhos perante a misericórdia de Deus, seja Ele chamado com o nome que for ou mesmo sob a afirmação categórica de que Ele não existe.
Nunca conseguiremos resistir à dor da queda nas nossas fraquezas e desvarios se não nos sentirmos acalentados por alguém que nos compreenda de onde sobressairá sempre, e acima de tudo, “ESSE SER ÍNTIMO E SUPERIOR”, tenha para nós que nome tiver.
Um bom ano de trabalho e possibilidades de emprego para quem ainda o não tem.
Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra
terça-feira, 29 de julho de 2008
RECORDAR... PARA VIVER!...
Há meses atrás, ao receber a revista bimensal “Mensagem” que faz tempo assino, deparei com o anúncio das “Jornadas de Verão para Catequistas e outros Educadores”, um tipo de formação específica da Diocese do Porto, precisa e abrangente, que costumo frequentar a todo o custo. Escolhi o tema que mais me agradou e apressei-me a entregar a inscrição, não fosse, de algum modo, acabar por não poder ir para o tipo de formação que pretendia.
Chegou o momento aprazado. Contra o habitual... nem uma só pessoa da minha terra!... Não me senti isolada! Havia pessoas dos mais variados recantos da Diocese (e não só) a exercer as mais díspares profissões e com diferentes responsabilidades dentro das suas Paróquias, todas irmanadas de um mesmo desejo: espalhar, de algum modo, a Boa Nova de uma Vida de Amor.
O desejo avassalador de querer beber levou-me a tentar conseguir sofregamente abarcar todo o potencial de vivências que me rodearam naqueles três inesquecíveis dias.
Foram já as (minhas) IV Jornadas! Pela novidade pareceram-me as primeiras! Pela qualidade... afiguraram-se-me as melhores. A perfeição exige treino empenho e saber... um bem-haja a todos.
Não vou de modo algum referir-me à maravilhosa formação conseguida, mas à visão harmoniosa do conjunto de tudo quanto pude ver e sentir dentro das minhas limitações.
Para começar, de entre os formandos da sala 205... a única pessoa que cometeu erros fui eu... uma vez que não consegui ver nada de errado em mais ninguém... e éramos um grupo grande.
No final, Domingo, os olhos de todos estavam voltados para a Conferência de D. Manuel Clemente e Eucaristia por ele presidida.
A Conferência foi simplicíssima e eloquente, mas as palavras que mais me tocaram não foram pronunciadas!...
Estava lado a lado com a Drª Isabel (Presidente do Secretariado Diocesano de Catequese), falavam, gesticulavam e sorriam tão naturalmente como dois bons amigos; ele retirou graciosa e amavelmente das mãos de Isabel as cadeiras excedentes da mesa onde se encontravam e dispô-las no auditório para serem usadas pelos presentes, convidando-os a acomodarem-se de qualquer modo; a Drª precisou usar da palavra e ele retirou-se mansamente do ambão e encostou-se calmamente à parede; durante a Conferência falou de coisas muito importantes ilustradas com a partilha das experiências das coisas mais significativas e simples de sua própria vida.
Começaram os preparativos imediatos para a Eucaristia. Foi brilhante e enternecedora a forma como tudo se passou: a encenação do início, durante e no final da Eucaristia; a interacção entre o Sr Bispo e a Equipa do Secretariado (e os demais), alegre, confiante, coordenada, precisa, coesa, coerente, abrangente, presente, activa, organizada e simples. Todos os participantes... tão activos... tão presentes... Muito honestamente repeti para mim mesmo vezes sem conta aquela conhecida frase que se aplicava ao relacionamento de intimidade que havia entre os primeiros cristãos: “ Vede como eles se amam!”
Se me perguntarem se há “Céu”... (mesmo que mais não seja...) só por isto... terei que dizer que sim, pois principalmente nesta Eucaristia vivida na Casa de Vilar... senti-me num “Céu”... limitado... que deveria passar a não ter limites.
Mais uma vez, as minhas desculpas aos desinteressados! Que quem tem ouvidos... me entenda।
Hermínia Nadais
A publicar no “ Notícias de Cambra”
quinta-feira, 1 de maio de 2008
CULTURA GERAL

Falar de cultura e sabedoria é parte integrante da linguagem do nosso tempo. O alargamento da escolaridade obrigatória implicou o desabrochar substancial da necessidade premente do aumento de instrução. A televisão, pelas mais diversas formas, traz aos nossos ambientes familiares e sociais os costumes, vivências e tradições das mais variadas civilizações. Os livros, revistas e jornais proliferam por toda a parte. Carros itinerantes com Bibliotecas Móveis vagueiam pelas aldeias mais recônditas. As acções de formação a todos os níveis são inúmeras. Em muitas localidades já são poucas as famílias que não possuem computador e Internet. Sem sombra de dúvida o nosso meio ambiente oferece-nos uma infinidade de meios que nos podem levar a um enriquecimento cultural constante, a situações que, se bem aproveitadas, podem levar a um permanente estado de aprendizagem.
Ser culto, ter muitos conhecimentos, é um desejo inato de toda a gente, pelo que apelidar de inculto pode tornar-se mesmo num dos maiores insultos.
Esta maneira de ver a humanidade pode parecer-nos descabida, pois temos por hábito pensarmos inculta ou atrasada uma pessoa que não tem cursos académicos... não tem profissão daquelas que exige indumentárias bem alinhadinhas e aspecto pessoal muito bem cuidado... não ocupa cargos de relevo nas associações comunitárias... ou não faz nada de relevante, e o nosso péssimo hábito de julgar pelas aparências... leva-nos a esquecer estupidamente que uma pessoa não vale pelo que faz ou mostra mas sim pelo que realmente é. Contudo, só conhecerá verdadeiramente a pessoa quem conseguir entrar no seu interior, e isso é apanágio de Alguém que nos transcende, que está acima de nós... o único que pode ajuizar com eficiência. Nós, seres humanos, nunca estaremos aptos a julgarmos convenientemente nem a nós mesmos... como poderemos querer fazê-lo com os outros?!...
Haja honestidade!
Todas as pessoas são importantes, cada qual da sua maneira! E quanto a saberes, cada pessoa, conforme o meio socioeconómico e ambiente familiar onde nasceu, adquiriu um certo tipo de saber, uma certa maneira de agir, uma certa forma de estar e de ser... um certo tipo de cultura.
Se analisarmos mais profundamente, chegaremos à conclusão de que há um sem número de culturas específicas de cada Continente, de cada País, de cada Província, de cada ambiente profissional... de cada tipo de lazer... de cada religião... de cada pessoa em particular! Se assim não fosse... nunca poderíamos afirmar que “Cada um de nós é único e irrepetível!”
Neste contexto, ter cultura geral é apresentar um conhecimento mais ou menos alargado dos diversos tipos de saberes existentes em cada cultura específica, é possuir uma forma de saber mais abrangente, o que leva a uma forma de estar mais segura em toda e qualquer circunstância.
Procurar ser cada vez mais culto, ter sabedoria, é partir à procura do que é transcendente para si mesmo em determinada ocasião, e que só deixará de ser transcendente, quando for bem assimilado e integrado na vida – aprendido de verdade.
Cultura e transcendência caminham de mãos dadas com todo o ser humano que, quanto mais procura o enriquecimento dos seus saberes, mais cresce de uma forma global, ou seja, no seu todo que abrange o científico, o intelectual, o humano, o espiritual. O transcendente é algo sublime, excelente, superior, importante, que está acima do ser.
Há realmente conhecimentos que nunca conseguiremos nesta estrada da vida e serão sempre transcendentes para todos nós. Mas, está provado cientificamente que o desenvolvimento do ser humano está muito abaixo das suas potencialidades normais. Assim sendo, para o homem, todo o esforço dispendido por obter a aprendizagem que ainda não conseguiu assimilar para com ela poder preencher minimamente o vazio insaciável do seu coração, será sempre a busca do transcendente.
Toda a espera é prejuízo. Mãos à obra!...
Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”
sábado, 26 de abril de 2008
Trevas e luz

Nesta enorme “aldeia” onde vivemos, ao lado de inúmeros acontecimentos bons e comportamentos exemplares que a maior parte das vezes são ignorados, desprezados, ultrajados, ultrapassados e esquecidos... ainda há inúmeras situações inaceitáveis.
Fala-se muito em tempo de mudança... eu diria, de controvérsia!
O desenvolvimento humano sempre teve e sempre terá fases positivas e negativas. É certo que tudo nos ajuda a aprender. Mas é horroroso, quem nasceu para a felicidade e crescimento constante nos caminhos da vida... ter de aprender com tanto sofrimento desnecessário.
Há quem fale muito em dinheiro... e quem omita conversar sobre ele. Diz-se que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. É apenas uma meia verdade pois refere-se simplesmente ao problema financeiro, e não há dúvidas de que isso é uma realidade. No entanto, se tentarmos ver as coisas dum outro modo, afirmaremos, sem qualquer receio que, de uma maneira quase geral, estamos cada vez mais pobres... pobres daquela riqueza que nem se palpa nem se vê... a verdadeira riqueza que nos faz crescer interiormente como nos convém.
Este tipo de riqueza não se compra com dinheiro, adquire-se num aturado estudo interior que nos leva a fazer das trevas da nossa ignorância luz verdadeira e fecunda.
A falta de conhecimento gera as maiores confusões e leva a que nunca se aceite a verdade tal como ela é por falta de compreensão. A visão que os nossos olhos alcançam engana-nos vezes sem conta.
Quando vejo a degradação em que se encontra o sistema educativo, não obstante o trabalho e bravura de grande parte dos professores, pergunto a mim mesma que caminho estamos a seguir. A ignorância destrói o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, e muito mais, nesta época em que a aprendizagem nos entra todos os dias pelas portas dentro.
Mais do que nunca, saibamos escolher o que vemos. Não desprezemos os bons filmes, os documentários, as boas leituras, as meditações, a procura constante de saber quem somos, o que pretendemos, qual será o verdadeiro caminho do sucesso na nossa vida sem interferir no sucesso da vida de quem nos rodeia.
O homem é insatisfeito por natureza. Quando se diz que foi criado para o infinito ou transcendente, parece-nos que para isso tem de sair fora de si... mas não.
Muito pelo contrário! O querer ir mais além é algo que habita constantemente o mais profundo do nosso coração, que está bem dentro de nós. Só na medida em que o homem se reconheça tal como é, com defeitos e qualidades, com fraquezas e forças... estará pronto para procurar algo mais do que ele... que o transcenda! Mas é trabalho a efectuar bem dentro de si... quando confia na capacidade de mudança para uma vida melhor, mais digna e dignificante.
Se aprendermos a olhar-nos interiormente a cada momento da vida, teremos oportunidade de nos sentirmos amparados pela presença constante de algo maior do que nós a guia-nos os passos e a levar-nos à prática das boas obras que nos lançam cada vez mais no caminho da transcendência.
Deixemos as trevas da ignorância para buscarmos constantemente a luz do saber... é a única forma de podermos, realmente, “ser” verdadeiramente homens e mulheres.
Prof. Hermínia Nadais
Publicado in "Notícias Cambra"
terça-feira, 8 de abril de 2008
A Globalização

Ao pensar um pouco mais profundamente nas necessidades vitais do Homem, surge-nos a cultura e a transcendência. Se há anos me emparelhassem estas duas palavras, consideraria aberração. Hoje, sinto-o uma necessidade. Elas têm de ser assumidas, impreterivelmente, como parte integrante da vida humana.
Quando começaram a aumentar os anos de escolaridade, surgiram reacções diferentes: uns diziam que as crianças e jovens, agarrados aos livros, perdiam a infância e juventude... outros, gritavam com desespero porque, deste modo, deixariam de ser ajudados no sustento da família... tarefa que os pais aceitam nos tempos que correm, mas que era por eles incomportável num passado ainda recente.
O rodar do tempo foi mudando a forma de viver e encarar a vida. A bem de um bom crescimento harmonioso do Homem, já se vai reconhecendo que aprender é uma necessidade imperiosa... (necessidade que o sistema educativo vigente não satisfaz por não se adequar a todas os requisitos de realização pessoal e profissional das “pessoas concretas” a que chamamos população).
Todavia, a implementação dos Meios de Transporte e Comunicações, ao lado do aparecimento e projecção da Informática, desenvolveu, de forma irreversível e inigualável, a Comunicação Social, e fez com que, aos poucos, fosse eclodindo uma enormíssima interacção entre os povos, a “Globalização”.
Este fenómeno incomparável alterou definitivamente a situação socio-económica e cultural das populações, pois transformou cada povoação numa ínfima parte da enorme aldeia global onde habitamos - o planeta Terra – que vai sobrevivendo tremendamente devastado por uma onda gigante de egoísmo e superioridade, onde as pessoas cada vez se entre ajudam e conhecem menos e onde a privacidade é cada vez mais posta à prova, das formas mais divergentes, tantas vezes horrorosamente repletas de negatividade.
Actualmente... quase não precisamos de sair à busca do mundo, porque ele nos penetra as habitações pelos microscópicos orifícios das paredes e telhados, das portas e janelas... para viver connosco, discreta ou descaradamente... nos écrans e monitores.
Isso é um bem que nos leva a ter outras perspectivas de vida... a saber inúmeras coisas que outrora nunca havíamos sonhado existir... a usufruir de formas de ensino/aprendizagem nunca pensadas ou descritas. Podemos conhecer os modos de vida de povos sem fim... os seus hábitos mais rudimentares ou avançados... os seus sonhos e ambições... a maravilha do seu meio ambiente natural.
Todavia, precisamos ser muito diligentes e cuidadosos com tudo quanto nos envolve para não sermos arrastados para comportamentos indesejados. O facto do ser humano ter uma grande capacidade de adaptação é muito salutar; mas a tendência natural de ser um “imitador” nato, tipo papagaio, pode levá-lo a sair dos hábitos, costumes e tradições da terra onde nasceu, cresceu e viveu ou vive, o que, se não for bem orientado, pode ser-lhe muito prejudicial.
Temos consciência de que a vida humana não pode depender somente de tradições... mas não podemos negar o facto de que elas existem, protegem, projectam... ou mesmo condicionam as vidas.
O fenómeno abrangente da globalização tem que ser profundamente estudado e reconhecido para se poder tirar dele tudo quanto de bom trouxer de outras paragens, mas sem por em causa os bons costumes enraizados na vida de cada povo, tribo ou nação.
A Globalização é uma realidade que tem de ser dignificada através do aprofundamento estruturado de uma cultura específica e geral cada vez mais abrangente e cuidada, como fundamento de uma vida mais aberta ao bom acolhimento, compreensão e aceitação da comunidade restrita ou alargada em que estivermos inseridos, para que, em nós e nos outros, possamos distinguir cada vez com mais eficiência o bom do mau, o útil do inútil, o razoável do cauteloso, o certo do errado... possibilidade de maior certeza do que devemos ou não devemos fazer.
O desenvolvimento humano está muito longe das verdadeiras capacidades de cada homem e de cada mulher! Não tenhamos medo de aprender... pois só com um conhecimento mais exacto de tudo quanto é capaz, a Humanidade pode desejar algo disposto a superar as suas impossibilidades... que a transcenda... que esteja acima de si mesma!
Eu... continuarei à procura! Deixo à disposição o desafio do encontro.
Feliz tempo Pascal!
Prof. Hermínia Nadais
Publicado no Jornal Notícias de Cambra


