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sexta-feira, 30 de março de 2012

NECESSIDADE DE SER ÚTIL



Há dias, numa qualquer estação de TV, pareceu-me ouvir dizer que todo o ser humano, invariavelmente, tem necessidade de ser útil! E fiquei algum tempo a sós, com aquela ideia a baralhar-me profundamente a cabeça.
Depois de muito pensar acabei por concluir que, de facto, a necessidade de ser útil, assumida ou não, persegue sistematicamente todo o ser humano… mas de forma muito antagónica, pois enquanto há pessoas que sentem necessidade de ser úteis a si mesmas outras há que fazem de tudo para puderem colocar as suas qualidades e possibilidades ao serviço de quem as rodeia. Neste mundo maravilhoso em que vivemos, o egoísmo e o altruísmo rodam por aí, sem cessar, de mãos dadas e na grande maioria das vezes baralhadas, misturadas e até confundidas!
Quando deparamos com pessoas muito interessadas em “serem úteis a si mesmas” temos graves problemas, pois essas pessoas, sem se darem conta, egoística e interesseiramente, acabam por levar as demais a fazerem somente o que elas querem e lhes agrada…  e o pior de tudo é que, na sua constante insatisfação, se tornam sedutoras e se acham sempre umas coitadinhas porque ninguém lhes faz a vontade ou as serve como elas acham que devem ser servidas. Quem procede de modo contrário, ou seja, quem vive com altruísmo, por um lado, acaba por estar sempre bem porque a satisfação dos outros é a sua própria satisfação; mas, como não há regra sem senão… lá vem uma época em que, sem jeito para fazer valer as suas opiniões e gostos nem de procurar os seus interesses pessoais que sempre deixam para segundo plano, caem num desânimo arrasador porque se sentem terrivelmente abusadas e desprezadas e sem prestígio ou valor para ninguém. 
Como é fácil de deduzir… qualquer destas situações é terrivelmente caricata e precisa de auto e hétero correção constante.
Há uns anos bastante largos fui ao médico, “stressada”, com essa doença de que ao tempo ninguém falava e agora está na moda…   e o médico recomendou-me de que eu teria de olhar muito bem por mim… primeiro eu, segundo eu, terceiro eu… décimo eu… e depois os outros se eu não precisasse – dizia ele - e reafirmou que, se eu não olhasse muito bem por mim, nunca poderia ter forças capazes de olhar bem pelos outros.
Fiquei pasmada com o que ouvi… mas como confiava no médico, segui o conselho de perto… e muito embora ainda tenha os meus momentos de desânimo e abatimento, dei-me muito bem com a observação quase constante do supracitado conselho.
Nós, seres humanos, somos o que for o nosso interior, pois o que se vê, o nosso ser corporal ou bilhete de identidade que nos diferencia dos demais não passará nunca de uma espécie de veículo pessoal onde estamos constantemente metidos e com que nos mostramos e deslocamos neste mundo em que vivemos. E porque “o mais importante é invisível aos olhos”, daqui nos vem a suprema importância de aprendermos a valorizar a nossa espiritualidade, pois é a que moralmente nos define e nos tornará para sempre felizes ou infelizes, conforme consigamos viver no amor verdadeiro ou num egoísmo exagerado!
Que nesta época de renovação pascal, à Luz clara e convincente de Jesus Cristo, a consciência superior de que fomos dotados nos ajude a encontrar o nosso verdadeiro caminho – o da compreensão, aceitação, doação e amor, de que Ele foi o mais maravilhoso exemplo a seguir!
Santa Páscoa para todos!

In "Notícias de Cambra"

domingo, 8 de janeiro de 2012

“Renascer”!



Renascer é uma palavra que encerra tudo quanto deverá ser a nossa vida – um eterno renascer!
A Natureza, com toda a sua sabedoria, vai-nos exemplificando a necessidade de renascer! O dia renasce a cada manhã e a noite a cada entardecer; a folhagem e floração renascem a cada Primavera; a cada Inverno os dias solares renascem o seu processo de alongamento até voltarem à sua diminuição gradual no início do Verão; os frutos amadurecem a cada Outono…
A globalização e intensificação dos meios de transportes e comunicações escondem-nos algumas destas realidades, pois levam a que haja os mesmos frutos nos mercados durante todo o ano, o que faz com que só as pessoas muito ligadas à agricultura conheçam realmente os inumeráveis ciclos da vida dos animais e plantas.
A vida humana, do nascimento à morte, também obedece a ciclos. A criança nasce, é um/uma bebé! Pouco depois torna-se numa criança! E logo é um/uma adolescente! Logo encontra um par, e, os dois, unem as suas vidas que vão dar vida a outros seres! E, assim, a vida humana renasce todos os dias.
Com este renascimento palpável aos nossos sentidos corporais quero lembrar um outro renascimento que devemos fazer em nós – sermos melhores em cada momento de cada dia!
O nascimento físico de cada pessoa é um só; a infância, adolescência, juventude e idade madura, também são uma só. Por isso, cada momento da nossa existência deve ser passado da melhor forma possível, pois é único e irrepetível, e uma vez passado não mais existirá. É neste viver cada momento da vida que temos a possibilidade de renascer todos os dias para uma vida nova, mais verdadeira e coerente, mais altruísta, mais amiga, mais presente, mais consciente, e, consequentemente, o mais humana possível.
Se em todos os momentos de todos os dias não houver um renascer constante para as novas realidades da vida, algo está mal.
A vida de cada pessoa é uma só, pelo que, durante toda a vida, as experiências são únicas e irrepetíveis. Todos os segundos têm de ser bem aproveitados e vividos com muita intensidade, a comer ou a beber, a trabalhar ou a brincar. Até o nosso sono terá de ser regulado, pois se o dormir demais é tempo mal gasto e que não leva a nada, o dormir de menos pode fazer mal à saúde. Temos de ser moderados em tudo numa aprendizagem permanente como preparação contínua para a nossa última aprendizagem, a morte.
Neste início de um Novo Ano, que reconsideremos a sério no que temos vindo a fazer no tempo de vida que nos foi ofertado.
Fala-se por demais em dificuldades… porque ninguém as quer! Mas temos que nos convencer que é nas dificuldades que mais crescemos, pessoalmente e em grupo. Faz muitos anos que não se via tanta solidariedade como a que se viu nesta época natalícia nem como a que se continua a ver. O passar por dificuldades leva-nos a sentir mais profundamente as dificuldades do outro e a sermos solidários com ele.
Os tempos que correm, materialmente, podem ser muito maus, e são mesmo maus, não temos dúvidas, mas podem trazer ao de cima a moral e os bons costumes que há muito têm vindo a ser desprezados.
Amai-vos… como Eu vos amei – repetiu inúmeras vezes o aniversariante da festa de Natal que há pouco comemoramos! Amar é pensar no outro e querer para ele o melhor, é ajudá-lo quando necessita, é estar ao seu lado quando precisa de falar e não tem para quem o fazer… sei lá… tantas coisas podemos fazer todos os dias para nos tornarmos melhores, pessoas renascidas, realizadas e felizes!
Que este Ano Novo que iniciamos traga para todos tudo quanto de bom a vida possa ofertar!


In: Notícias de Cambra    

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A vida… será sempre um sonho!...


Novembro! Se os que nos precederam nesta caminhada terrena são sempre recordados com imensa saudade, neste mês são-no mais intensamente. Talvez… pela chegada do Outono do tempo nos seja mais presente o Outono e mesmo o Inverno da vida. Até porque não se pode falar de vida sem lembrar a morte, assim como não se pode falar de morte sem evocar a vida, pois, consciente ou inconscientemente, temos, no rodar de todos os nossos dias, a morte e a vida a caminhar connosco de mãos dadas.
Logo ao nascer, frágeis e inseguros, ficamos de imediato à mercê dos progenitores e família, e ainda da sociedade, que nos acolhem ou nos rejeitam – nos deixam viver ou nos roubam a vida.
No traçado genético que nos perfaz vimos dotados de mais ou menos capacidades de desenvolvimento, onde crescerão as práticas do bem ou do mal de acordo com o proceder das pessoas que nos rodeiam e educam, pois ainda que sem o pensarem, vão-nos transmitindo os seus próprios valores – nos ajudam a crescer para o bem ou nos matam quando não somos desviados convenientemente dos caminhos do mal.
E assim, um pouco sem sabermos como e sem nos apercebermos muito bem das intempéries das bruscas mudanças destas etapas, crescemos, corporal, moral e intelectualmente, e acabamos por ficar entregues a nós mesmos – à vida se praticarmos o bem ou à morte se praticarmos o mal – uma vez que “faz o bem e evita o mal” é a grande regra primordial de qualquer vida.
Chegar à adultez, normalmente, traz alegria e bem estar por ser a ocasião exacta de deixarmos de aturar as “vigilâncias impertinentes” dos pais, dos tios, dos avós, dos professores, dos responsáveis pelas instituições… de um sem número de quês e porquês que nos parecem embaraçar a existência – baralhada com a tendência natural e extremista de nos julgarmos muito importantes, os melhores do mundo… ou então uma espécie de lixo sem qualquer importância, os piores do mundo.
Ser bom, ser agradável, ser bem aceite, crescer e ser feliz são os maravilhosos sonhos do ser humano... homem ou mulher… que pensada, ou impensadamente - ou vive de sonhos ou não vive, morre.
Quando se diz que o sonho comanda a vida é porque se tem a certeza de que a vida sem sonhos se torna impossível: a criança sonha passar rapidamente a adolescente e numa adolescência fugaz desenvolver a descoberta da vocação, preparar-se para exercer uma profissão, chegar rapidinho à juventude, encontrar um emprego e situação social estável para puder vir a ser, no mais curto espaço de tempo, pessoa adulta capaz, considerada, realizada e feliz; o doente sonha curar-se; o desempregado sonha com um emprego; o cientista sonha concluir velozmente os trabalhos da descoberta; o escritor sonha que seus textos sejam lidos e apreciados; o industrial, sonha vender… Tantos sonhos!!!... Sonhos generalizados, pessoais, possíveis… impossíveis…
Sem sonhos não vivemos, mas também não nos podemos ficar pelos sonhos… urge agarrá-los com toda a força da nossa vontade e trabalhá-los a preceito para que se vão transformando, ainda que da forma mais lenta e custosa, em realidades autênticas, sempre geradoras das maiores felicidades e alegrias!
Não tenhamos ilusões! O maior sonho de todo o homem ou mulher, é ser feliz! Assim, é pertinente perguntarmo-nos com insistência o que andaremos a fazer com a “nossa felicidade”, porque, não há margem para dúvidas: a felicidade, ou está enraizada bem dentro de nós, ou nunca poderá existir!
Porquê? Será que perguntam porque? A resposta ficará para depois.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Presente


Presente! Que “presente”?!...
Depois de um convite para um aniversário, uma festa, uma reunião, um passeio… faz-se tudo para estar “presente”. Na angústia, deve estar-se “presente” para ajudar; na alegria urge estar “presente” para comemorar.
“Presente”é também uma oferta, dádiva, brinde, prenda, algo que se vislumbra muito agradável para quem o recebe e muito querido para quem o dá… algo que demonstra carinho, ternura, dedicação, afeição, amor… oferecer um “presente” é uma forma de manter a ligação com alguém para agradecer, pedir ou muito simplesmente acariciar, dizer que amamos. Deste modo, quando falamos num “presente”, normalmente, lembramos de algo oferecido ou recebido no dia de um aniversário, pelo Natal, pela Páscoa, num qualquer momento importante do ano ou da vida.
Todos gostamos de oferecer um “presente”! E todos gostamos de ser presenteados! E muitas vezes chegamos a ficar tremendamente tristes porque em determinada altura ninguém se lembrou de nos oferecer um “presente”.
A vida distrai-nos, assim, com relativa facilidade. Estar “presente”, falar num “presente”, pensar num “presente”… sentir-se magoado ou magoada pela falta de um “presente”… é uma postura muito corrente entre nós, humanos insaciáveis!...
Ficamos agoniados pela falta de um “presente”, esquecidos de tantos presentes maravilhosos que recebemos diariamente e aos quais não damos a devida importância: o Sol que clareia o dia e convida ao trabalho; a escuridão que lenta e calmamente nos leva a descansar; o brilho das Estrelas e a doçura da Lua que nos inebriam o olhar; a chuva que refresca e faz reviver plantas e animais; o vento que acaricia, fornece energia e ajuda a renovar o ar que respiramos; a água das fontes que nos mata a sede e a das levadas e rios que, correndo velozmente pelas turbinas enche o mundo de força e luz ou deslizando suavemente sobre a terra sacia plantas e animais; a água do mar que, branda ou ferozmente, bate na costa, ameniza a temperatura, refresca a areia da praia, serve de estrada aos mais variados navios; uma infinidade de peixes de toda a espécie, inúmeros animais e plantas, os frescos legumes e hortaliças e os frutos deliciosos que nos alimentam; os carinhos de tantas pessoas com quem convivemos que nos alegram o coração e enlevam a alma; as chatices de muitas outras que, ao obrigarem-nos a pensar um pouco mais profundamente nas nossas atitudes nos ajudam a crescer… são uma inumerável multidão de presentes que ininterruptamente nos mimam e acariciam a vida.
Há ainda um outro “presente”, o último momento da vida que vamos vivendo, aquele momento em que realmente estamos no aqui e agora… pois se o ultrapassamos logo se chama passado e se o buscamos é porque ainda faz parte de um futuro a que poderemos chegar ou não. Este “presente”, elo de ligação entre o passado e o futuro, o único momento que no rodar do tempo nos vai preenchendo a vida, é a melhor das dádivas para cada um de nós.
Aproveitemos o momento presente no amor, na alegria, na paz e fraternidade, pois o passado é história e o futuro não nos pertence.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sábado, 15 de novembro de 2008

ESTÁ MAU... NÃO! ESTÁ BOM!

As intempéries da vida actual levam-nos a dizer com a maior naturalidade: “Está mau”!... Sem sombra de dúvida que o que não faltam por aí são asneiras: algumas pessoas podres de ricas... e muitos milhões delas a morrer à fome; umas quantas já bem abastadas atarefadas em engendrar formas de enriquecer mais a qualquer custo... e muitos milhares desgastadas na procura de meios de sobrevivência condigna; umas sem vontade de trabalhar... outras sem ter o que fazer; meia dúzia empoleiradas nos seus gabinetes entretidas no fabrico de leis na maior parte das vezes alheias ao que verdadeiramente se passa no exterior... muitas outras a criticá-las... e quase toda a gente a cumpri-las porque não lhes é dada outra alternativa; os nossos filhos e amigos desterrados por esse mundo fora... e montes de desterrados que se metem por Portugal dentro muitos deles para andarem por aí desempregados e feitos pedintes; vândalos à solta... cidadãos e polícias amedrontados... tribunais a abarrotar; pessoas aposentadas e com um outro emprego... e aumento de desempregadas; as sortudas que conseguiram chegar a cargos de relevo a ganhar milhares de euros... ao lado de salários mínimos miseráveis e certas reformas que mais parecem esmolas!...
Ena!!!... E que estou eu para aqui a dizer?
Mas, a bem da verdade... se fossemos a enumerar tudo quanto nos aflige... cansaríamos as letras, não teríamos palavras, e gastaríamos todas as reservas de tinta! Basta olhar para o que se passa nas Escolas... na Segurança Social... na Saúde!...
Bem! Se olharmos o mundo pela negativa vamos constatar que está tudo numa verdadeira calamidade.
Mas... é melhor não ir por aí... negativismo, não! É melhor não entrar no jogo feio de quase toda a Comunicação Social que faz um alarido enorme à volta de um qualquer acontecimento menos bom... mas fala de raspão ou simplesmente ignora muitas das coisas boas que existem: inumeráveis Movimentos e Associações de Solidariedade Social com iniciativas mais que louváveis; pessoas que passam a maior parte da vida preocupadas em proteger todo o tipo de pobreza; encontros de formação e bem-fazer; festas feitas com muito amor para acariciar desprotegidos... sei lá quantas coisas mais!...
Ui!... Que horror! Afinal, ao recordar o mal eu vejo um montão de coisas erradas... mas quando tento descobrir coisas boas tenho dificuldade em encontrá-las!...
Há dias um amigo aconselhou-me a recordar e escrever todos os dias cinco coisas agradáveis. A princípio foi difícil, agora... já encontro mais de cinco coisas agradáveis por dia!... É que os pensamentos positivos procuram ver o lado bom dos acontecimentos e levam-nos a encontrar situações positivas em nós e nos outros, e, consequentemente, a dizer que “está tudo bom”!...
Preocupar-nos em sermos positivistas será um bom começo para ajudarmos a melhorar o nosso mundo... pois se o “homem sonha, a obra nasce”! Então, mãos à obra!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

COMBATE AO STRESS – “90 – 10”

Hoje, levantei à hora habitual... fiz os meus trabalhos habituais... e vim junto do computador para abrir o correio electrónico, o que, neste horário, não é habitual. Mas, nada acontece por acaso!... Há dois dias um amigo enviou-me uma mensagem com um anexo intitulado “90-10”, que me despertou a curiosidade, e como o tempo estava escasso, deixei-o para ocasião mais oportuna. Abri-o agora mesmo, e acho que o devo partilhar. É uma chamada de atenção para o auto-controle como forma de combate ao stress.
A necessidade urgente de treinar cada vez mais o auto-controle para evitar mal-entendidos, mágoas desnecessárias e confusões, já não é novidade para ninguém. Mas eu desconhecia... imaginem... que às coisas inevitáveis que nos acontecem normalmente, ou seja, a um café que um filho ou alguém entorna e nos obriga a ir a correr trocar de roupa na hora de sair ou a ficar sujo na rua, um semáforo que não sai do vermelho, uma fila de trânsito que não desenvolve, uma operação stop que nos obriga a parar, um pneu que fura, uma manobra perigosa que nos prega um susto, uma palavra gesto ou expressão inadequadas que se nos deparam a cada instante... enfim... a toda essa enormidade de situações que normalmente pensamos serem a causa de todos os nossos distúrbios do sistema nervoso... a elas todas juntas... todinhas mesmo... dão apenas somente o valor de “10 numa escala de 1 a 100”!... Assim sendo... ficam os restantes “90 por cento a serem culpa exclusiva da nossa falta de controle”!...
Contra factos, não há argumentos!...
Perante estas percentagens... onde ficam os nossos “egos”... sempre cheios de razões e prontos a despejar todas as culpas dos nossos nervosismos nos outros???...
Sim... nos outros... porque o dizermos aos outros e a nós mesmos que somos nós próprios os quase únicos culpados, não tem piadinha nenhuma... não tem!...
Pensei... e voltei a pensar... de olhos postos na explanação da mensagem recebida! Lembrei todas as minhas formas de actuar... que afinal são as únicas que eu posso reconhecer e ajuizar uma vez que não me é dado penetrar no interior das pessoas que me rodeiam e que são livres e responsáveis pelas suas próprias acções! Lembrei que já não recordo a data em que comecei a tentar a sério fazer um auto-controle das minhas indignações... e recordei ainda as diferenças de relacionamento que essa decisão que tomei implicou nas pessoas que comigo convivem... que me perecem cada vez mais tolerantes, mas na medida em que eu o for com elas... e concluí para mim aceitar as percentagens que, realmente, não devem estar muito erradas!...
Há coisas que acontecem porque acontecem... e muito embora haja sempre uma razão ou culpa para tudo quanto acontece... ao descarregarmos a culpa no presumível culpado ou culpada a única reacção que obteremos dele ou dela será sempre uma revolta desmedida... pois a asneira é sempre feita sem querer, por desconhecer a gravidade da situação ou uma outra coisa qualquer... (não há dúvida de que todos somos peritos em arranjar as mais variadas e convincentes desculpas).
Assim sendo, em vez de recriminarmos... talvez seja muito mais vantajoso para todos solicitarmos calmamente um maior cuidado... pois certamente obteremos resultados bem mais surpreendentes... e sem stress para ninguém!...
Mãos à obra... pelo nosso “90-10”... mas sem nunca desanimar dos avanços e recuos... pois é com eles que nos mantemos em constante aprendizagem nesta maravilhosa escola da vida onde a escalada é difícil! Que haja muito sucesso para todos nós!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A “Feira” de Santo António!


Gosto muito da minha cidade, mas detesto confusões. Então, quando há confusões na minha cidade... tento a todo o custo desviar-me dela para não me meter nas suas confusões. Porém... como para quase tudo é preciso ir à cidade... às vezes não há como fugir. Assim, acabei mesmo por visitá-la na sua época mais turbulenta, as Festas de Santo António.
Já na preparação do evento achei graça ao desenrolar apressado de todas as obras com o tempo do avesso a não dar jeito nenhum aos trabalhadores que tiveram de se atarefar por demais para terem tudo pronto na hora aprazada. A esta parte, e graças às minhas fugas, acabei por não sentir muito na pele o terrível sufoco da falta de estacionamento... já habitual... agora acrescido da falta de espaço que as super-citadas obras, sem dó nem piedade, retiraram à cidade.
Ainda durante a referida preparação, numa passagem pelo Santuário do “Rei” das festas, o Santo António, como é óbvio, tive que atravessar a avenida principal. Acreditem que senti saudade do tempo em que as feiras dos nove e vinte e três eram feitas ali... pois os numerosos comerciantes apinhados no centro da via pareciam-me muito mais estarem numa feira do que numa festa. Claro que pagam bem a estadia... e toda a gente precisa de ganhar a vida... mas bugigangas e mais bugigangas... num período de tantas dificuldades financeiras... enfim!
Não sei bem como isto tudo irá terminar. Durante estas noites a cidade tem-se enchido de gente, umas noites mais, outras menos! Amanhã é a noite das marchas, espero que cantem as maravilhas do Santo e a devoção que lhe tem o nosso povo, como é habitual. Mas a verdade verdadinha... com toda a certeza... é que na tarde do dia 13... celebrar-se-á uma Eucaristia e realizar-se-á uma Procissão em honra do Santo... e o resto... será feira... muita feira... com as representações de muitos artistas, comes e bebes, distracções e brincadeira! E chamamos a isto Festas de Santo António!
Não tenho nada contra as festas. E penso mesmo que o Santo Antoninho deverá ficar muito feliz por ver toda esta gente assim, satisfeita, mas que para ele pouco vai sobrar... é uma certeza!
Um acto solene como este, a Festa do Padroeiro, deveria mexer profundamente no nosso interior, no sentido de aprendermos a viver com mais aprumo no nosso comportamento moral, espiritual e humano. Será que é o que vai acontecer? Dependerá de todos nós!
Aproveitemos toda esta alegria contagiante para nos tornarmos pelo menos um pouco mais parecidos com Santo António!
Certos de que um Santo triste é um triste Santo, sejamos “santos alegres”! É a única forma de tornarmos Vale de Cambra bem maior e mais próspera e do Santo António ficar muito mais feliz com todos nós!
Que Ele esteja sempre presente na nossa vida para nos ajudar a sermos o que realmente devemos ser em toda e qualquer circunstância!

A publicar no Notícias de Cambra
Hermínia Nadais

quinta-feira, 27 de março de 2008

Máscaras... não!


Várias vezes... frente ao espelho do meu quarto, quase não me consegui reconhecer. Com tão estupefacta alteração, apostaria mesmo a dizer que o “meu rosto”... não era o meu. Pensei muitas vezes no porquê das bruscas variações, mas sem resposta. Na calmaria de um final de tarde depois de um dia tranquilo e aquando a preparação do descanso nocturno, maquinalmente, olhei o espelho. De novo, fiquei surpreendida!... Embora num sentido inverso, “aquele rosto”... também não me parecia o meu. Aproveitei a jovialidade da noite para perder-me da televisão e interiorizar as várias imagens tão reais... e tão diferentes... observadas no silêncio mudo daquele espelho que parecia querer dizer-me alguma coisa. Quedei-me por instantes... não a rever a incompatibilidade incompreensível da leitura feita às imagens observadas... mas a descortinar umas outras imagens, bem mais profundas e reais do que aquelas que ali me representavam, muito embora com expressões tão diferentes... naquele que era... de facto... o meu retrato.
Passados momentos, a resposta foi-me clara.
Afinal... era sempre ali que eu me encontrava... sem nada que me perturbasse... no escuro da noite! Frente ao espelho, eu... somente eu... sem qualquer “máscara”... sem nada a esconder a minha verdade!
Sem sombra de dúvida, as variações do “meu retrato” demonstraram-me a sensação exacta da grande realidade do provérbio popular: “O rosto, é o espelho do coração!”
O coração triste e amargurado esconde o brilho do olhar e ensombra o rosto; o coração feliz, põe o rosto a irradiar felicidade!... E, qualquer destas situações que parecem diferenciar o rosto alterando por completo a sua expressividade, são a representação infalível da realidade ocasional de cada um no mais profundo do seu ser.
A época que atravessamos, para muitos, é ocasião propícia para disfarçar o rosto com as tradicionais máscaras de Carnaval... Máscaras... que tantos de nós... para esconder as amarguras da vida... decidimos colocar sobre o rosto nos trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano!... Até quando!?...
Que bom seria que pudéssemos reconhecer, sempre e em qualquer situação, em todos os rostos... não os aparatosos disfarces... mas os verdadeiros espelhos dos corações!...
Mas não podemos iludir-nos! O retrato de qualquer rosto... só poderá ser realmente visível para o seu dono e seus verdadeiros amigos.
Que bom ter amigos!!!...
Fala-se muito em amizade!... Será que algum dia conseguiremos ser, de facto, amigos... de nós mesmos... e de todas as pessoas com quem convivemos?!...
Esta é a tarefa mais difícil de todas as criaturas?!... Que a consigamos levar a bom termo! Máscaras... não!


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra