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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ONDE O DINHEIRO ENTRA… DESAPARECEM OS VALORES!



Quando o Homem pensa demais no dinheiro deixa-se embriagar por ele e comete as maiores loucuras.
Hoje, e novamente, deu-me para pensar nas promoções nitidamente exageradas dos nossos mercados principalmente a nível dos géneros alimentícios, que são os de primeira necessidade em qualquer vida.
Claro que estou a referir-me às grandes e médias superfícies, pois do comércio tradicional os tempos áureos há muito se foram, e por mais que o queiram e necessitem, não é por aí que conseguem aumentar o seu número de clientes.
Quando começaram a entrar no País os Continentes e afins, tive a nítida sensação de que, face ao que se observava a olho nú, o comércio tradicional só conseguiria aguentar a pancada com a formação de cooperativas, mas diga-se com verdade que isso de cooperativismo nunca foi apanágio do povo português.
Mantive-me fiel ao abastecimento da despensa familiar no referido comércio tradicional enquanto pude, até que entrei num desses mercados onde havia de tudo sem ser necessário vaguear pelas ruas na busca de merceeiro, frutaria, salsicharia, talho ou peixaria… situação que facilita muito a vida de quem tem que ir às compras. Mas… temos que estar com os olhos bem abertos e a cabeça a pensar, para não nos afogarmos nas enxurradas.
Sempre fui muito atenta aos preços. Não por necessidade veemente de economia nitidamente familiar, pois temos tido largamente que baste, mas por estar consciente de que devemos viver com o necessário uma vez que o que sobra, moralmente falando, será pertença de quem tem menos do que nós. Quem puder entender… que entenda!
Analisando bem as situações, antes desses grandes espaços comerciais não tínhamos sequer acesso a muitas coisas que nos deliciam os sentidos, e isso foi muito bom!...
Mas… deixem-me que vos diga! Num passado bem recente… antes dessas promoções malucas que o Pingo Doce inventou, pagávamos o arroz carolino da marca da casa a cinquenta e seis cêntimos o quilo… e agora pelo quilo do mesmo arroz temos que pagar setenta e quatro cêntimos. E não vale a pena enumerar situações idênticas a esta, pois cada um tem olhos e cabeça para ver, pensar e olhar por si.
Perante tudo isto, acho pertinente repetir aos consumidores que abram os olhos… porque “quem dá leva sempre um saco”!
Pessoas altruístas, existem, mas normalmente não estão metidas nestes ambientes comerciais... onde ninguém dá nada a ninguém. Por isso, urge interiorizar que é hora de darmos oportunidade a quem possa travar estas e outras injustiças.
Não tenhamos ilusões de que, se essas grandes e médias superfícies que tanto palmilhamos acabam de vez com os pequenos comerciantes que ainda vão resistindo… ficamos como dantes, prisioneiros do que eles quiserem que paguemos!...
Antes de tomar a decisão de trazer de novo a lume este tema, tive o cuidado de percorrer várias superfícies de grande porte… e em todas encontrei a mesma técnica: preços acentuadamente baixos numa pequena exiguidade de produtos, e na sua grande maioria preços idênticos ou mesmo iguais.
Acho que é tempo de olharmos mais a sério pelos nossos interesses e tentar não nos embriagarmos com o dinheiro fácil, para não termos que sofrer com o “quem tudo quer… tudo perde!”
Muito Boas Férias… para quem as puder gozar!
Já agora, para quem a vida estiver mais dura… basta mudar um pouco de ocupação para se poder descansar, porque isto de férias em loucuras e correrias… não preparam ninguém para um novo ano de trabalho frutuoso. Por isso mesmo, resta-me desejar a todos, do mais fundo do coração, muito discernimento, sabedoria e bem-estar!   

 In "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mudanças de mentalidades


As dificuldades da população estão centradas na raiz e suporte da Sociedade, a Família! A Sociedade e a Família estão em crise! Não é novidade para ninguém! A interligação entre estas duas palavras é tão grande e profunda que falar de uma implica sempre uma análise intensa e profunda da outra.
A grande crise social provém e afeta radicalmente a crise familiar. Um ciclo vicioso fácil de compreender e difícil de resolver, assente na falta de valores humanos, éticos, de moral e bons costumes.
As regras de vida são necessárias e urgentes ao desenvolvimento global de todo o cidadão! Sabemos que  continuar com esta passagem do oito para os oitocentos está a ser perigoso… mas temos de convir que no meio está a virtude, temos de regressar um pouquinho ao passado!
Lembra-me muito bem as pessoas viverem sob um clima de obediência cega, com um medo exagerado de tudo e de todos, inclusive de Deus, que nos era apresentado pelos homens com a mesma forma grotesca com que se relacionavam entre si, onde os mais influentes levavam os demais a fazer tudo quanto fosse conveniente aos seus interesses, caprichos e vontades. As mulheres eram de todo submissas aos homens, pois os mais ricos tinham-nas como intocáveis objetos de adorno e os pobres deixavam recair sobre elas grande parte das tarefas campesinas acrescidas de todas as domésticas e educativas. Não se via um homem a cuidar da casa ou da roupa, e o simples pegar nos filhos pequenos era uma enorme ocasião de escárnio e maldizer.
Havia poucos homens a saber ler, e mulheres havia ainda menos! Com o passar do tempo o analfabetismo diminuiu. O ser “estudante universitário” tornou-se prática corrente, tanto para homens como para mulheres, e as pessoas predispostas a profissões do operariado têm acesso ao estudo técnico-profissionais que as tornam mais atentas e responsáveis.
Com o desenvolvimento tecnológico e científico generalizou-se a Imprensa, Rádio, Televisão e Informática ou computadores, o que colocou à disposição de toda a gente muitos saberes. A internet é um enormíssimo livro aberto onde se escreve e lê, mas muitas vezes sem capacidade de discernimento e sem qualquer pessoa que elucide verdadeiramente o que é bem ou mal para se poder efetuar uma escolha acertada. Isto acarreta muitos dos desencontros da sociedade muitos dos distúrbios com que nos defrontamos.
O relacionamento entre as pessoas dos diferentes estratos sociais foi-se tornando mais próximo, pois as diferenças acentuadas entre as pessoas com cursos superiores ou não foram-se desvanecendo. E a mulher, que era intelectual e tecnicamente desconsiderada, viu reconhecidas as suas capacidades que em nada são inferiores às do homem, muito simplesmente, são diferentes e complementares.
A rigidez com que as gerações mais idosas foram criadas levou-as a procurar que os seus descendentes tivessem menos dificuldades. Contudo, observando com um pouco de atenção  os ambientes que nos circundam podemos ver que as pessoas habituadas a maiores trabalhos e privações são as que conseguem melhores formas de resistir à crise… crise que, a meu ver, está ligadinha a muita preguiça e esbanjamento, egoísmo exagerado e  riqueza fácil… bem-estar desmedido e falta de caridade e amor! É só parar… para ver!

In Notícias de Cambra



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Partilhas de vida!



“Quem tudo quer… tudo perde!”… Ou talvez não, eu não sei! Nesta ´´época de “crise é natural que as pessoas se aventurem a correr atrás de tudo o que lhes seja mais confortável às carteiras… mas é preciso estar atentos! Por causa destas corridas desenfreadas acontecem coisas tão insólitas que nem dá para imaginar!...
Conforme o habitual, fui ao Pingo Doce fazer as minhas compras na manhã do dia 29 de Abril! E… no dia 1 de Maio fui surpreendida com a notícia de que nas supracitadas lojas havia 50% de desconto nas compras efetuadas nesse mesmo dia.
Fiquei quieta no meu canto, pois faz tempo que decidi não me apressar a essas benesses ocasionais que têm sempre imensas pessoas a precisar muito delas… e muitas mais a aproveitarem-se dessas ocasiões para se encherem de provisões até mais não poderem.
Passados alguns dias, como se compreende, tive que sair à procura de recompor a minha despensa. Quando me dirigi à carne, em vez das habituais metades ou quartos dei com cordeiros partidos em pedaços com preços diferentes para cada parte específica, sendo que a parte mais barata estava um ou dois cêntimos mais cara do que o todo de há poucos dias atrás. Não gostei mesmo nada do que vi, mas como ia para comprar, comprei!
Depois do pagamento efetuado àquele preço que me pareceu deveras exorbitante fiquei boquiaberta quando, na caixa, me apresentaram um cartaz de promoções do final de semana onde o cordeiro se encontrava a 50% do custo.
Indignada, saí dali, certa de que cada comerciante pode fazer muitas coisas para bem dos seus clientes… e não sei o que se passou nesse final de semana porque não precisei de mais compras.
Na semana seguinte, a televisão informou que nessa dita superfície haveria novas promoções de fim-de-semana, já a partir de 5ª feira. E porque não tinha provisões para o “Cozido à Portuguesa” que meu filho escolheu para festejar em família, no sábado, o seu aniversário, dirigi-me mais uma vez ao sítio habitual para comprar o necessário para a ementa. E lá estavam os citados 50% de desconto até dez quilos de carne a quem levasse um certo montante noutras compras! Mas… não encontrei a carne que desejava... e foi mais uma desolação!...
Por coerência, achei que devia comprar tudo o que precisava na mesma loja!... Então, perante o pasmo das funcionárias habituadas a ver o meu carro cheio… saí com ele vazio para ir abastecer-me na concorrência… e elas, a olhar-me, sem nada me poderem fazer!...
Mas, agora, acho que até foi muito bom?!... Preços melhores e piores, como noutro sítio qualquer… carnes cortadas de formas diferentes… pessoas amorosas que já não via há largo tempo!… E comprei o chouriço vermelho de que tanto gosto e o chocolate branco para satisfazer o gosto apurado de um dos meus netos!…
Confesso que nunca gostei de andar de lado para lado, aos saltinhos, na busca dos preços mais baixos e das minhas conveniências pessoais… mas vou fazê-lo agora!
Onde eu entrar… é onde eu pago! E para matar saudades das maravilhosas pessoas que sempre me têm acolhido por onde tenho passado… nada melhor do que uma mudança constante de ambiente… que… a meu ver… diga-se… até faz muito bem!...

 In "Notícias de Cambra"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

(Des)Governo


 Sinceramente, ando cansada… de ouvir falar de euros, de troikas, de Governos e Oposições, de (des)governos e desorientações, de crises desordenadas onde as contas bancárias e riquezas não foram destruídas nem queimadas… mas em vez de alimentarem, vestirem e darem vida condigna a quem delas necessita para sobreviver, andam a vaguear nas carteiras de quem devia olhar por toda a gente mas não pensa em nada mais além de conseguir juntar cada vez maiores proventos… aos enormíssimos rendimentos que já tem. É este o nosso mundo! É esta a nossa Europa! É este o nosso País! Isto… não cabe na cabeça de ninguém!...
De facto,  “razão cada qual tem a sua” e “ a razão tem razões que a razão desconhece”. Quem pensa e vive para as riquezas, por mais riquezas que consiga usufruir, nunca ficará saciado, e mesmo tendo todas as benesses, não as reconhece como tais e tenta conservá-las e arranjar umas tantas mais… sem se lembrar de quem já quase não tem tecto para se cobrir, roupa para vestir, remédios para curar as doenças ou algo para comer, e apenas pede que lhe deixem o mínimo para poder sobreviver.
É inexplicável esta situação, onde não existe ética moral nem coração!
Os seres humanos nasceram para ser felizes fazendo os outros felizes. Pessoas de bem, em casos normais, quando vêem ou ouvem quem quer que seja, devem acreditar que tudo está muito bem ou muito mal, conforme a interpretação do que se veja ou escute. Mas, vivemos numa confusão tal que não há por onde se lhe pegue. As pessoas dizem e desdizem-se, até a si mesmas, com uma facilidade que dá dó! Inventam leis e tentam fazê-las cumprir com uma arrogância pavorosa! Tentam levar o grande público pela força… esquecidos de que as boas razões apresentadas com uma explicação carinhosa e assente numa boa coerência de vida, resolveria muito melhor as situações difíceis que urge ultrapassar.
As pessoas não conseguem aceitar as restrições da cabeça fria, se as restrições não forem para todos, sem excepção! E o que serve, serve todos os outros, não tem o direito de se servir somente a si mesmo e aos seus amigos ou aos senhores do dinheiro. Temos plena consciência de que o dinheiro vence tudo… mas não deveria ser assim. O “ser humano” vale muito mais do que o dinheiro… que um dia ficará… irremediavelmente… não irá connosco!
Temos de continuar a viver agarrados a uma esperança… da qual não vemos sequer a mais ínfima luz no fundo do túnel. E… por favor… não me falem de crise! Não há crise nenhuma! Há, sim, riquezas desmesuradamente desordenadas e dinheiros muito mal repartidos… ao lado de pessoas que se habituaram a sobreviver de subsídios, sem trabalharem nada, e agora não querem trabalhar… e pessoas que se habituaram a ter tudo muito facilmente, e agora querem tudo, não se contentam com nada, e gritam… porque não sabem viver sem gastos desnecessários!…
Portugal está um pandemónio! O Governo e Oposição revezam-se de vez em quando, e quando estão fora do Governo, em vez de se darem as mãos para se ajudarem mutuamente e resolverem os problemas conjunturais, criticam-se, a maior parte das vezes de forma destrutiva. E o pior, é que uns ficam no Governo mais tempo, outros menos, mas todos saem de lá com a vida feita… e em muito bom estado de conservação, por isso, em vez de ficarem em casa a tratar dos netos ou dos amigos que deles necessitem, metem-se noutros postos chaves para receberem mais uns milhares de euros no fim do mês… enquanto há milhões de desempregados!
Se cada um de nós se agarrasse à sua verdadeira verdade e desse ao País o seu melhor… não estaríamos como estamos! Valha-nos... quem nos possa valer… neste terrível e geral… (des)governo!

In "Notícias de Cambra"

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

“Reflexão… para quê”!



Se qualquer final, seja do que for, é sempre tempo de reflexão, muito mais o deverá ser o final de um ano. Mais do que participar em comemorações festivas e escolher formas de acariciar os familiares e amigos evitando os habituais gastos que este ano se apresentam bem mais difíceis, o mês Dezembro deverá ser de um pensar sério em tudo quanto se tem feito e de um olhar mais convincente para o mais fundo de nós mesmos, pois é aí, bem dentro de si mesma, que cada pessoa conseguirá encontrar a sabedoria e força necessárias para fazer do mundo a imensa e próspera família que todos desejamos!...
Nesta noite de domingo dispus-me um pouco aos “gracejos” das “originais” conversas público/privadas da denominada “Casa dos Segredos”.
Aprende-se com o positivo e com o negativo, pelo que estas ruidosas conversas poderiam até vir a produzir uma aprendizagem muito considerável! Mas pela reacção do público, sinceramente, não me parece que o “saber ouvir e ver” seja uma qualidade da enorme maioria dos portugueses que se prendem por demais neste tipo de programas por mera distracção, e por não saberem nem quererem pensar na resolução das tormentas da vida e da crise!
O dinheiro e sucesso fácil são uma tentação e cada pessoa merece e tem o direito de ser respeitada tal como é… mas penso inúmeras vezes no tipo de pessoas em que nós, povo português, nos tornámos e continuamos a tornar!
Gostava de gastar algum do meu tempo numa análise mais minuciosa aos momentos público/privados destes eventos tão apreciados para por em relevo algo de mais útil sobre cada um eles… mas confesso que não sou capaz!
Admiro todos os intervenientes pelo aceitar dispor-se à mercê do que queiram pensar ou possam ver neles, o que é deveras complicado para qualquer pessoa. Mas, a vida dos outros só deverá interessar-nos para os ajudar ou para aprendermos com eles, e ali, além de não haver nada em que possamos ajudar também não é a analisar vaga e friamente as acções levadas a cabo sob tanta pressão que conseguimos aprender a avaliar minimamente as nossas próprias acções nem as de quem connosco convive, e muito menos de arranjar coragem para uma auto-crítica ou crítica positiva! Muito pelo contrário! Divertir-nos tanto a observar situações “sofríveis” pode levar-nos a encarar com a mesma naturalidade as parvoíces que os nossos filhos e netos possam vir a fazer e a continuar a brincar ao faz-de-conta com tudo quanto nos surgir na vida, esquecendo valores e responsabilidades!
Para termos a coragem de assumir os nossos erros e a correcção das nossas atitudes de modo a fazer, na realidade, algo de bom pela prosperidade e paz do mundo maravilhoso onde vivemos, é urgente aprender a escolher o que se ouve e o que se vê!

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
In: "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mudar… mas apenas o nome



Há dias, numa conversa com um grande e jovem amigo, foi-me sugerido um novo título para as minhas crónicas. Anotei a sugestão… e aceitei-a! Espero que as minhas “Orientações para a vida” continuem a ter algo que mereça a pena reflectir, pois mudei, sim… mas apenas o nome! O conteúdo partirá sempre do desejo de partilhar as minhas aprendizagens e experiências.
Hoje, não sei bem por onde começar, pois os acontecimentos que nos vão chegando, muitos deles pouco agradáveis, afogueiam-nos a inspiração.
Somos seres sociais, pelo que não podemos retirar o impacto da nossa vida na sociedade que, queiramos ou não, ficará indelevelmente marcada pelos nossos exemplos, para o bem ou para o mal. E as pessoas não esquecem com facilidade o que fazemos.
Ainda que a noite dos tempos pareça ter força capaz de apagar os nossos comportamentos, eles ficarão indelevelmente marcados, para sempre, no interior de cada pessoa com que nos relacionamos. E quando se diz que as pessoas têm memória curta, estamos a usar um disfarce esfarrapado, pois os tempos das memórias curtas, onde é que ele vai!… É só estar atento ao que se passa à nossa volta!
Cada ser humano é uma espécie de computador de tamanho inimaginável que, ao acumular dentro de si tudo quanto o envolve, deixa transparecer de si tudo quanto o envolveu! Somos o produto da sociedade em que vivemos!...
Fico muito magoada quando me apercebo de incoerências, das minhas, das dos meus familiares, amigos e amigas, e principalmente das dos nossos governantes; mas também fico muito abatida quando oiço dizer tanto mal… de tudo e de todos.
Será que não conseguimos interiorizar convenientemente que todas as pessoas têm coisas boas e más? Será que não conseguimos viver sem estar constantemente a dizer mal de alguém? Será que nunca mais nos apercebemos de que falar no mal é torná-lo cada vez mais presente e apetecível? Será que vamos continuar na busca da destruição em vez de extrair do fundo da nossa imaginação sonhos agradáveis e inovadores para nos comandar a vida? Será que não nos apercebemos que estamos a dar aos nossos filhos e netos uma educação de escárnio e maldizer?
Temos que ter presente que o “ser pessoa” se cultiva desde o primeiro instante da nossa existência. E neste contexto, urge reflectir um pouco sobre o que nos foi mostrado e dito quando éramos bebés, crianças e jovens, pois o que vimos, ouvimos e sentimos, nessas ocasiões, são as maiores razões de sermos hoje aquilo que somos.
Passámos a vida a falar da corrupção… da corrupção dos outros… e como está a nossa? Será que somos assim tão incorruptos? É muito fácil ver a corrupção quando ela é muito grande… mas temos de convir que, antes de ser grande… tudo é pequeno! Será que, no nosso dia a dia, nunca tentámos enganar ninguém? Como convivem, os nossos filhos e netos, com os colegas e professores, nos bancos das escolas?!... “É de pequenino que se torce o pepino!”
Se queremos uma sociedade mais justa e fraterna, comecemos por nós mesmos, praticando a justiça nos pequenos nadas da vida e procurando dar bom exemplo a quem nos rodeia, certos de que, “Quem é fiel no pouco, será fiel no muito!”
Um bom ano de trabalho, cheio de compreensão, justiça, perdão, amor e paz!

Hermínia Nadais
 A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lágrimas sentidas!

Eram os últimos minutos de mais um domingo… com suas vivências especiais… como tantos outros! O telefone tocou… e eu atendi! Do outro lado da linha… alguém… muito confusa e desajeitadamente, sem saber muito bem como dizer, me perguntava: Sabes se é verdade… que o “Rato” morreu? Minha irmã disse-me que a mãe dele o encontrou enforcado, algures, lá na casa!

Perplexa… boquiaberta… e não sei que mais… respondi: Não sei!... Não pode ser!... Ele amava a vida! E logo agora, que estava a tentar endireitar, que o via na Missa com a família, que saía da camioneta com as filhas, que já trabalhava por aí para os amigos... sempre limpo e arrumado… ele nem sequer tinha cara de drogado… não pode ser?!...

A conversa foi pouco prolongada e acabou com a dádiva de um número que serviu para nos confirmar o infausto acontecimento, poucos minutos depois.

Então recordei a Ambulância desesperada e precedida por um carro da Polícia que cruzou connosco no regresso de Santa Maria da Feira.

Tentei reprimir os sentimentos… pois o “Rato”… era o António… para mim uma espécie de “Filho Pródigo” que me procurava algumas vezes e a quem eu protegia como melhor entendia!

Agora… eu não terei mais o António a tocar-me a campainha, às vezes nas horas mais inconvenientes!... Não será mais preciso dizer-lhe palavras de incentivo e confiança… de admoestação e segurança… levá-lo algures… ouvir o marido desesperado porque foi ajudar o António que, afinal, dissera uma coisa e fizera outra!

O António, era assim! Nas boleias… falava dos tempos áureos da sua vida, em que o trabalho o levara ao sucesso e vivia atarefadamente feliz! E prometia, doce e humildemente, melhorar o comportamento.

Recordo os sonhos que levava na sua última ida à Suíça, de onde chegou, na época do frio em que o trabalho da Construção Civil escasseia… com prendas para as filhas e a pensar no regresso àquele País para lá continuar a governar a vida… o que nunca mais aconteceu… não o chamaram… não o aceitaram… nunca se soube porquê... tinham-lhe prometido apoio lá… eu confirmei-o, pessoalmente, em conversa telefónica, através de um número que o António me dispensou!...

É inacreditável a forma como o mundo trata as pessoas… na altura em que mais precisam de apoio! Uma drogada ou drogado… é sempre um “ser humano” que, ao contrário de críticas, merece todo o nosso carinho, respeito e atenção. Se soubéssemos ouvi-los sem criticar, quanto bem lhes poderíamos fazer!... A mãe do António, um dia, entre lágrimas, contou-me a causa da tremenda queda do filho!... As mágoas da vida, incontidas e mal aceites, lançam as pessoas no mais profundo desânimo, e o tentar afogá-las nas drogas, leva à maior das misérias!... Quando vejo essas “misérias humanas” a vaguear pelas ruas… penso logo no que lhes terá acontecido para ficarem assim… e lembro os meus filhos e netos… sobrinhos e sobrinhas… jovens que acalentei na Escola ou Catequese… a quem o mundo pode ferir do mesmo modo.

O coração sangra por todos os lados! Ninguém se afunda ou levanta sozinho!… Conscientes ou não… somos a causa do sucesso ou fracasso de quem connosco convive! Esta é uma realidade que não podemos esquecer!

O António… não mais pisará as ruas da nossa cidade… mas vão continuar a vaguear por ali muitos “Antónios” a quem não podemos ficar indiferentes! Estou certa de que, por eles, haverá sempre algo mais a fazer.

António! Ajudaste-me a crescer! Agora, que podes ver o mundo como ele realmente é, pede ao Senhor que se faça algo para que os teus companheiros de infortúnio encontrem o caminho do bem…e acolhe no teu regaço as orações e lágrimas sentidas que vertemos por ti! Descansa em Paz! Até sempre!



Hermínia Nadais
A Publicar no Notícias de Cambra

domingo, 21 de novembro de 2010

Cansaços… não!!!...


Há dias… dei comigo a pensar na enorme força da psicologia humana… para o bem ou para o mal… e concluí que, actualmente, a maior parte do povo português parece ter perdido a sua identidade. Onde está a nossa mentalidade de guerreiros, descobridores, exploradores, escritores, cientistas!!!...
Isto não pode estar a acontecer! Falar em dificuldades e crises… está a ser uma conversa tão persuasiva que acaba por arrastar toda a gente para o pessimismo. Eu própria… que me reconheço optimista até à utopia… acabei também por entrar no jogo derrotista da maior parte dos portugueses! Eu… que até há uns anos era desconfiada e derrotista, passei a ser, naturalmente, confiante e optimista, mas ainda deveras distraída... pelo que gostei muito de receber um sem número de emails que me deram oportunidade de poder inteirar-me de muitas situações desonestíssimas que há no nosso país... e acho mesmo que foi de suma importância esses emails terem corrido mundo no sentido de alertar para a possível correcção dos infractores!
Contudo… temos de convir que há tempo para tudo: para nascer e morrer; para rir e chorar; para ser rico e ficar pobre; para ser pobre e ficar rico; para ser compreensivo e entrar em depressão; para desacreditar e acreditar… para errar e corrigir os erros… por isso… penso que já é tempo de parar!… Parar e ajudar o País a sair da situação de impasse em que se encontra, formulando pensamentos positivos a favor de todos os portugueses, para que uns tenham a sabedoria de governar com aprumo e justiça, outros se esforcem por trabalhar empenhadamente, e ainda outros, possam arrepender-se dos milhões já recebidos e consigam abster-se dos que têm a receber no sentido de os restituir a quem de direito para o bem comum… “o dinheiro chega para todos viverem bem… a culpa é da fraca distribuição que dele se faz.”
Está mais que provado que “o sonho comanda a vida”! Assim, as críticas destrutivas não levam a lado nenhum!… Não é possível comandar bem os destinos do nosso País sem sonhos positivos para o seu futuro – que é o nosso futuro e o dos nossos filhos e netos!
Certos de que não há ninguém totalmente bom nem totalmente mau… vamos aprender a ver em primeiro lugar o lado bom das pessoas, vamos aprender a ser optimistas! Todas as situações têm sempre dois pontos de vista! Vamos aprender a ver primeiro o lado positivo dos acontecimentos, pois ainda que não sirva para mais nada, pode ensinar-nos novas formas de viver.
A aprendizagem adquirida nos livros ao lado da minha experiência pessoal dizem-me que, se pensarmos que uma pessoa tem de ser boa, tudo à sua volta se desenrola no sentido de que o seja. O nosso querer, quando bem forte, pode dominar todo o nosso ser. Então… nada de desânimos! Nada de cansaços! Há que tentar modificar a nossa forma de ver, sentir, ser e agir, para podermos encontrar o caminho mais certo para a realização pessoal e felicidade de todos nós.

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 9 de maio de 2010

As voltas que o mundo dá!


Que o mundo anda às voltas toda a gente sabe, e ainda bem que anda às voltas, pois se não fossem as voltas do mundo a noite seria sempre noite e o dia sempre dia, o calor sempre calor e o frio sempre frio. O mundo anda às voltas… claro que anda, anda às voltas giratórias… porque além destas voltas sempre iguais… quem dá as voltas não é o mundo, somos nós! Nós é que damos voltas… e voltinhas... na vida deste mundo onde nada é definitivo e a única certeza que temos depois do nascimento é a morte, morte que, nos últimos tempos, não se tem cansado de retirar da nossa companhia um sem número de amigos que continuarão para sempre indelevelmente marcados e carinhosamente guardados bem no fundo do nosso coração.
Dói muito ver as pessoas partir tão precocemente, claro que dói… mas dói ainda muito mais ver os nossos amigos e amigas a sentirem a dor amarguíssima da separação e a profunda aridez da saudade, saudade a que as voltas que damos no mundo acabam por nos habituar… a viver com o que temos. E neste viver, damos voltas à cabeça para descobrirmos a melhor forma de organizarmos a vida de modo a que se desenrole dentro da normalidade com fé, esperança, amor, calma e moderação. Precisamos também de dar voltas à memória para recordar o legado que esses entes queridos nos deixaram: as palavras, os gestos, as atitudes… e daí concluiremos que o mundo, se por um lado fica sempre mais pobre quando alguém parte porque o trabalho e presença desse alguém não mais o vai ajudar a crescer, mas mais rico porque, na ausência da pessoa, vemos mais claramente e interiorizamos mais capazmente as suas qualidades, que nos podem servir de exemplo e de normas de vida o que, consequentemente, nos pode servir de enriquecimento e crescimento global.
Cada pessoa é única e irrepetível, pelo que, depois de passar pelas voltinhas deste mundo, o mundo nunca mais será como dantes, porque toda a sua vida o tornará diferente, se para pior ou para melhor… a escolha é pessoal e intransmissível, urge saber e ter coragem de a fazer.
Assim sendo, neste tempo conturbado, olhemo-nos interior e exteriormente para nos conhecermos tal qual somos e perguntarmos a nós mesmos se estamos a ser, na verdade, pessoas coerentes, realizadas e capazes.
É preciso aprender a dar voltas ao coração para que o nosso amor total seja mais sincero e abrangente; a dar voltas à carteira para que o dinheiro nos chegue para as despesas do dia a dia e não nos desampare nos imprevistos do mês; a dar voltas ao meio ambiente para cuidarmos melhor das plantas e dos animais e tornarmos o mundo mais belo; a dar voltas à nossa solidariedade para partilharmos o que nos sobra com quem pouco ou nada tem; a dar voltas à nossa sensibilidade para nos alegrarmos com quem está alegre e nos entristecermos com quem está triste; a dar voltas à nossa pacatez para nos inquietarmos em tentar melhorar tudo o que nos rodeia e não dá ao mundo uma mútua aceitação, compreensão, tranquilidade, serenidade, paz e amor. Sejamos corajosos e decididos, pois só assim seremos os verdadeiros homens e mulheres de que o mundo necessita.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de cambra"

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

“ANO NOVO... VIDA NOVA!”


A época natalícia está em curso! Mas o Natal... para muitos... não passa da troca de muitos presentes e do saborear de muitas guloseimas. As luzes multicores que enfeitam as ruas das cidades, tentam cativar os olhares dos investidores à execução da compra, mas não chegam ao íntimo dos seus corações, que continuam, quase sempre, na mais densa escuridão. E o “Rei da Festa”, o Menino Jesus, não força a penetração nessa neblina espessa para encher da Sua Luz resplandecente esses ninhos desaconchegados onde o Verdadeiro Amor ainda não conseguiu entrar. Então... Os sinos tocam!... As Celebrações Litúrgicas sucedem-se... Nas Igrejas e Capelas o Terno Menino espera a visita de todos... E está ali, está aqui, está junto de todos e de cada um, batendo docemente à porta de cada coração, atento e inquieto... à espera que tudo se transforme, que tudo se modifique, que os “arco-íris” das ruas atravessem as artérias dos corações tornando-os coloridos de compreensão, amor, dedicação, carinho, atenção, ternura, doação total a tudo e a todos. E... não somente na época do Natal, mas no Natal da vida de todos os dias. Jesus espera que o romper da aurora, para cada homem, seja sempre uma nova etapa para abandonar os maus hábitos, aprender a praticar o bem, a pensar no mal que fez ou, mais ainda, no bem que deixou de fazer para, assim, o Natal ser permanente em cada um de nós, onde Jesus renascerá eternamente sempre que deixarmos actuar em nós a delícia do Seu Amor!...
Que neste ano que se inicia, cada homem entre nesta norma de vida, legado que a todos deixará a vivência deste Santo Ano Jubilar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A BELEZA, O ESFORÇO E O BEM-ESTAR


O rodar constante do tempo onde a inconstância alternada de nuvens cinzentas ou céu azul e mantos de alvura ou espessa geada que a chuva ou o sol vão desfazendo aos pouquinhos, tem-me levado a um sem número de questões que sempre considero pertinentes e muito mais na época que decorre.
Antes de todo este deslumbrante panorama houve uma grande e lenta preparação da Natureza: algumas árvores despiram suas folhas; a Terra, nos seus rodares habituais, foi-se afastando do Sol e tornou mais curtos os dias solares e mais longas e frias as noites; por entre o desmesurado vaivém das nuvens a luz da Lua continua a chegar à Terra.
Entretanto, para comemorar a vinda de UM Alguém tido como verdadeira luz, os Homens vão espalhando um pouco por toda a parte luzes brilhantes e multicores.
Perante tudo isto, as plantas e animais afirmam as suas resistências tentando sobreviver às intempéries do tempo; os Homens, tentam afirmar-se esforçando-se por tirar das intempéries sociais o bem-estar de cada um. Entretanto, vão-se regalando com toda a beleza que os circunda, na espera de novas folhas, flores, passarinhos... praias e campo.
É maravilhoso observar como a Natureza, periodicamente, entra de forma tão cuidada em todas estas mudanças para conseguir manter o seu próprio equilíbrio e atingir o máximo de toda a sua beleza, e como contra todas as asperezas causadas pela intervenção humana, na pureza contínua dos seus actos, consegue manter intacta a obediência exacta ao fim para que foi criada!
Cada Ser Humano, em si mesmo, vale muito mais que toda a restante Natureza não humana!
O que é que nós, “Homens”, que somos a obra mais perfeita da Natureza, dotados de inteligência, vontade, sensibilidade, livres e responsáveis pelo desenrolar de todos os nossos actos, vamos fazendo das nossas vidas?!... Senhores dos nossos próprios destinos... que caminhos percorremos?!... Tal como a restante Natureza, renovamo-nos periodicamente, aproveitando os melhores momentos para entrarmos dentro de nós mesmos (lazer, noites, fins de semana, férias...) no sentido de descobrirmos a melhor forma de darmos a nós e ao resto do Mundo o nosso melhor?!... Conscientes de que não há dois seres humanos iguais e da suma importância de cada um em si mesmo porque único e irrepetível, temos a coragem de escutar as ideias dos que connosco convivem com tanto respeito como escutamos as nossas para, depois de uma análise exaustiva e isenta, escolhermos a melhor, sem preconceitos?!... Esforçamo-nos por saber que os direitos e deveres, iguais para todos, têm de ser ajustados pelas condições congénitas, afectivas e sócio económicas de cada um, no respeito pela sua individualidade real e necessidades específicas?!... A cada um caberá responder.
Nunca poderíamos planificar um passeio aos locais de neve ou de praias aconchegantes se a Natureza fugisse à sua missão e baralhasse os seus ciclos... assim como nunca poderemos ter um mundo mais justo e fraterno se cada um de nós não se esforçar ao máximo por dar o melhor de si, o amor, à sociedade em que vive.
Não tenhamos ilusões! A beleza, o esforço e o bem-estar... sempre andarão de mãos dadas!
Boas Festas e um Feliz Ano Novo!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

sábado, 26 de julho de 2008

TANTA INSTABILIDADE FAMILIAR...


O desenvolvimento sócio-económico e cultural da humanidade foi ao longo dos tempos, e ainda hoje é, urgente e necessário, mas traz consigo situações inesperadas e de difícil resolução. Desde os primórdios o Homem evoluíu constantemente, e sem parar, vai desbravando os limites máximos da sua capacidade para fazer novas e importantes descobertas no sentido de tornar a vida cada vez mais agradável e acolhedora. No desenrolar de todos esses acontecimentos, tem lutado contra inúmeros problemas inerentes às mais variadas situações: religiosas, políticas, umas isoladas outras em simultâneo; no entanto, há sempre problemas que se sobrepõem a outros. Na actualidade, de entre tantos, um dos mais alarmantes parece ser, sem dúvida, a instabilidade familiar.
Em grande parte das famílias há um "casa" e "descasa" aflitivo.
Por troca de desmedido prazer e bem-estar material perdem-se valores. A aceitação mútua dos seres tal qual se apresentam está a ser cada vez mais difícil. A incerteza do dia de amanhã torna-se uma preocupação constante.
Ao tomar conhecimento de uma nova união de vidas, início de vida a dois, ouvindo o alegre repicar do sino ou vendo os risonhos nubentes saindo do Cartório do Registo Civil, instintivamente surge uma evocação que demonstra claramente a preocupação de cada um em face do bem-estar de todos: "Que sejam felizes!"
E, porquê tal pedido em ocasião tão especial que parece levar a vida a um verdadeiro mar de rosas?!... É que vemos tanto casal em crise, que não queremos de forma alguma que esse seja mais um.
E que dizer de quando há um nascimento?
À partida, é uma grande alegria!... A vida que se transmitiu, faz com que os pais se revejam nos filhos e os avôs nos netos. Mas... por quanto tempo durará essa felicidade?!... Para quantos pais ela será para sempre? Quantas crianças nascidas no meio de tanto amor e entusiasmo crescerão harmoniosa e normalmente no aconchego da sua família nuclear e rodeadas do apoio e carinho da família alargada, conforme o sonho doirado do dia do nascimento? Do nascimento, ou casamento, pois quantas crianças existem cujas concepções foram desejadas pelos pais e já nascem com eles separados... ou quase.
Vivemos o tempo presente da melhor forma, é um facto. E o depois!...
O depois dependerá de cada um dos intervenientes no filme que é cada vida.
Parecem descabidas estas observações, mas são pertinentes.
Somos seres sociais. Tudo o que cada um fizer, quer queira quer não, tem influência na vida do outro. O exemplo, mau ou bom, marca uma pessoa.
Pelo facto, temos que ver o lado bom e mau das coisas que vão acontecendo nas vidas que nos rodeiam para que nos sirvam de lição e chamem à atenção para muitas realidades. E, ao constituir família, ninguém deve ter o ânimo leve, mas parar para pensar em todas as consequências que daí possam aparecer.
O ser humano é muito completo. Ele não pode de forma alguma reagir instintivamente, pois quando o faz, surgem problemas incontroláveis.
O instinto é rápido e impreciso, não pensa. É próprio dos animais irracionais, mas muitas vezes ilude os seres humanos quando estes se deixam enganar pelos sentimentalismos do coração.
O ser humano é dotado de sentimento e razão, e só quando estas duas forças se conjugam com sabedoria e confiança, as suas acções têm possibilidade de serem profundas e doradoiras. Saber-se isto pode ser algo de fácil, mas o pôr-se esse saber em prática, é muito difícil, pois mexe com o íntimo de cada um e obriga a muitas privações e sacrifícios. É difícil, mas não impossível, basta querer e ter força de vontade. Com a experiência conseguida na vida e pela vida, porque a vida é uma escola e é com ela que mais se aprende, veremos como.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 14 de julho de 2008

FÉRIAS... COM DIGNIDADE!...

Os meses de Julho e Agosto são os que mais nos lembram as tão almejadas férias!
Para alguns... muito poucos... são realmente a ocasião de ir ao encontro das mais diversas paragens com o coração cheio da esperança de encontrar momentos férteis de encanto e lazer; para outros, são meses de trabalho ainda mais intenso na ânsia de aproveitar ao máximo proventos extraordinários para recompor ou prover o escasso orçamento familiar de modo a poderem viver mais desafogados o resto do ano; para outros, a maior parte, estes meses não passam de dias de rotina habitual acrescentada de um maior calor pelo menos diurno.
Perante uma panorâmica tão variada das pessoas que nos cercam, em que os ricos são cada vez em menor número mas com as carteiras bem mais recheadas... os pobres aumentam cada vez mais em número e em situações de extrema pobreza... em que já se fala escancaradamente em fome... em que se pode provar que há fome por doenças contraídas baseadas na miséria e pela ocorrência de pedidos de socorro às várias instituições que trabalham no campo sócio caritativo... em que cada vez mais as referidas instituições têm de estar despertas principalmente para a chamada “pobreza envergonhada”, a que esconde a todo o custo as dificuldades sentidas e sofre horrivelmente... é mais que urgente revermos a nossa forma de viver.
É inadmissível falar-se tanto na minimização de problemas sociais... e que estes se nos apresentem cada vez maiores. É preciso pelo menos arranjar pistas que nos levem a tentar acabar de vez com este drama que terá de passar, irremediavelmente, por uma mudança radical de mentalidades.
Para alguns analistas muito razoáveis, a agudização desta situação deve-se a vários factores: a ânsia desmedida do ter que leva as pessoas a quererem comprar tudo quanto vêem ou lhes apetece; a fuga ao sacrifício, necessário e urgente na aceitação do trabalho que se nos apresenta e na sábia contenção das despesas; a busca permanente... e a permanente aceitação de facilidades exageradas principalmente as apresentadas pelas instituições bancárias que já não sabem mais que fazer a tanto lucro e oferecem dinheiro em condições nada razoáveis... lançando na ruína as pessoas mais carentes e incautas; a luta acérrima e desleal pelo poder, que leva a não olhar a meios para atingir fins no sentido de conquistar um lugar de destaque na sociedade; em suma, quase tudo se resume a um “querer mostrar-se superior parecendo ser aquilo que se não é”.
Depois, critica-se o Governo, as Autarquias, a Escola, as Instituições, os Industriais, os Comerciantes, os Patrões, os Empregados, os Amigos e até se arranjam muito mais “Inimigos”... critica-se “tudo” e criticam-se “todos”... normalmente porque, desta forma, não precisamos entrar no verdadeiro campo da crítica... a crítica pessoal à nossa maneira de viver que, cegamente, achamos ser sempre a melhor... porque os culpados dos nossos deslizes, canseiras e preocupações... vistos assim... serão sempre os outros.
Há muitas famílias que se deveriam sentir carentes e que vivem razoavelmente; há outras que não lhes interessa trabalhar... ou então gastam todo o dinheiro nos primeiros dias do mês e passam o resto do tempo a reclamar; há ainda outras que por mais que se esforcem o poço já é tão fundo que não conseguirão sair dele sem alguém que lhes deite a mão.
É hora de começarmos a entrar bem dentro de nós mesmos para podermos avaliar qual é a nossa verdadeira situação... uma forma de podermos ir ao encontro dos outros para ajudá-los... quando mais não for... por um bom exemplo de vida... que é a melhor forma de ensinar a viver... pois de sermões está toda a gente farta!
Desejo a todos um bom período de férias gozado com sabedoria e dignidade!

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 9 de julho de 2008

OS PERIGOS DA SOCIEDADE

O tempo em que, genéricamente, a mulher andava, amargurada, atrás do marido, quase já faz parte do passado. Ainda há casos desses, mas os seus números vão diminuindo tão naturalmente que quase não se dá por isso.
O homem, mesmo sem perder os seus estatutos, reconhece o trabalho duplo da mulher e ajuda-a. O homem e a mulher, lado a lado, acabam por ter vida de trabalho dupla, pois ambos trabalham no emprego e em casa.
Analisando friamente estas novas situações, encontraremos, talvez, resposta para muitas perguntas que toda a gente pensa mas ninguém ousa fazer.
Depois de entregar os filhos a familiares, amas ou instituições, a mulher e o homem saem para os empregos. Sempre ou quase, estes, são em locais diferentes, e, por vezes, bem distanciados. Isto obriga a que, nas idas e regressos dos trabalhos, tenham de ser usados transportes diferentes: colectivos, boleias e veículos próprios que por vezes se multiplicam, há um para o homem e outro para a mulher.
O local de trabalho, conforme seja uma pequena ou grande empresa, é uma pequena ou maior sociedade, mas acaba por ser também uma família... uma segunda família, alargada, diferente, com regras de convivência diferentes, mas uma família. Criam-se muitas amizades: há interesses comuns que é preciso defender; situações em que há necessidade de ajuda e colaboração mútuas; tempos de entrada e saída... ida... e volta... em que se pode falar ou fazer muitas coisas, conviver... E por mais fortes e recatados que sejamos, há sempre um momento em que deixamos transparecer um pouquinho que seja do que nos anima ou aflige: gostos, desgostos, desejos, fraquezas, infelicidades ou alegrias... e começa de haver uma incontrolável partilha de vida que é necessária e útil, mas só quando orientada com sabedoria e precaução, o que na maior parte dos casos não acontece porque as pessoas não estão precavidas dos prejuízos irremediáveis que daí podem resultar.
Quer queiramos ou não, os nossos amigos e colegas de trabalho têm uma enorme influência em toda a nossa vida, para o bem ou para o mal. E ninguém foge a esta realidade. Mesmo nas pessoas que têm o apanágio de gozar de boa inteligência e primorosa educação a todos os níveis, aparecem com a maior facilidade inevitáves dramas. É que há muitas vivências comuns. As pessoas conhecem-se mutuamente... ou pensam que se conhecem, porque conhecer uma pessoa é muito difícil!... Depois, há a tentação de achar "os outros" e as "outras" melhores, mais atraentes e interessantes... E, quando menos pensam, e sem se darem conta, o erro acontece.
E que fazer? Ter vida sentimental dupla ou assumir a nova relação e deixar tudo para trás?
A meu ver, nestas circunstâncias, surgem duas maneiras distintas de agir e que estão directamente relacionadas com a psicologia genética de cada um, isto é, cada um age de forma diferente, porque é, defacto, diferente. O homem parece ter maior capacidade de se relacionar com mais de uma companheira, pelo menos durante algum tempo; a mulher, não, opta quase sempre só pela última relação por lhe parecer a melhor ou mais conveniente.
No final, para qualquer deles, a realidade da vida é bem outra... Na quase totalidade dos casos, as satisfações sentidas e o entendimento perfeito de quando se encontravam às fugidas, desaparece veloz como o vento quando se decidem a levar uma vida a dois, pois os problemas anteriores tendem a repetir-se... A desilusão é grande. Há quem volte atrás, há quem aguente. Mas, se o homem quiser recuar é quase sempre aceite pela mulher e recomeçam nova vida, o que raramente acontece quando o mau passo é dado pela mulher, pois nesse caso, costuma ser fatal.
Tudo se ajeita mais ou menos pelo melhor quando a descendência não existe, pois cada um assume os seus actos e o sofrimento de todos é menor; mas quando a há... paga por alto preço as desavenças e devaneios dos progenitores. Só quem não vive de perto com esses problemas pode passar indiferente.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra