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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ANO DA FÉ




Falar em espiritualidade é falar do interior da pessoa humana que tem necessidade de acreditar em algo para poder sobreviver. Algumas pessoas acreditam que o dinheiro dá felicidade e fazem tudo por o conseguir; outras acreditam que a felicidade se encontra no correr montes e vales atrás de tudo o que lhes cause prazer imediato e satisfação; há as que pensam que a felicidade é apresentar-se muito bem e serem admiradas por toda a gente; há ainda as que gostam de mandar e ter poder, no desejo de encontrar aí a sua felicidade.
Puro engano! Tudo isto pode dar um pouco de felicidade, mas efémera e passageira! A felicidade duradoira que preenche por completo o corpo, coração e alma, neste mundo, não existe, porque a felicidade não se encontra em nada que o vento e o tempo levem, mas na descoberta e vivência do AMOR que nos habita no mais íntimo do nosso ser, pois só esse AMOR é verdadeiro e nos pode fazer minimamente felizes levando-nos a esforçar-nos o quanto pudermos para darmos felicidade a quem nos rodeia!
Mas não tenhamos ilusões, pois ainda assim, neste mundo, só conseguiremos alguns momentos de felicidade, mais ou menos intensos e longos, interpolados com muitas aflições, dissabores e desenganos.
A felicidade plena neste mundo é uma utopia! A felicidade está intrinsecamente ligada ao amor, e não há amor nem felicidade sem conhecimento do ser amado e doação gratuita!
O amor, quando verdadeiro, gera vontade e coragem de conhecer, compreender, aceitar, partilhar e ajudar, pois são estas e outras atitudes similares que fazem o Amor florescer e crescer cada vez mais no coração das pessoas e, deste modo, tornar o mundo mais solidário e caritativo como todos nós desejamos.
Tal como os olhos são as janelas do corpo, a Felicidade/AMOR emanados do coração são o suporte do espírito e as janelas da alma, que existem dentro da própria pessoa, e é aí que têm de ser procurados e encontrados.
O Ser Humano nasceu para amar! Só poderá encontrar a FELICIDADE no AMOR! E só quando se sentir amado e for capaz de amar tem possibilidade de ser realmente feliz.
Queiramos ou não, somos quadros esculpidos e pintados muito cuidadosamente por ALGUÉM que nos criou cada qual diferente do outro, com defeitos e qualidades específicos, únicos e irrepetíveis, que o Pintor/Escultor, Deus, o Amor por excelência, ama infinitamente, assim como todos são e cada um é! Ainda que não sejamos amados por mais ninguém, Deus sempre nos amará, independentemente de O querermos ou não e de aceitarmos ou não o Seu Amor! O amor de Deus por nós não tem nada a ver com as nossas ações, mas com a essência de Deus que é amor, e muito simplesmente, ama, Ele não poderá nunca fazer outra coisa além de amar e ajudar a amar!
Ter Fé é acreditar em Deus Amor! O Ano da Fé tem por fim levar-nos a compreender este Amor louco e apaixonado de Deus pela Humanidade, que nos foi apresentado na vida e obra de Jesus Cristo, HOMEM incomparável que foi e sempre será o maior personagem de toda a história.
Oxalá o consigamos! Pois desde o nosso nascimento até à nossa morte, pacientemente, Jesus espera que aceitemos o Seu AMOR e tentemos viver do Seu jeito, amando amigos e inimigos, as pessoas de quem gostamos mais e aquelas de quem gostamos menos, tal como Ele ensinou quando viveu como nós neste mundo e os Seus seguidores, obedecendo à Sua vontade, nos deixaram registado para sabermos como bem viver – AMANDO!
Felicidades, queridos leitores!  E que Jesus Cristo vos proteja, qualquer que seja a forma como O amardes e seguirdes, ou mesmo se O renegardes, pois Ele estará sempre convosco, queirais ou não, porque ELE é parte integrante de todos nós!

In "Notícias de Cambra"

domingo, 7 de outubro de 2012

SER OU PARECER!




Desculpem-me a ousadia, mas hoje apetece-me fazer uma pequena (in)confidência, que me perdoem os evocados!
Faz tempo convidaram-me a ir a uma sessão de fados por artistas amadores a realizar num determinado local cá do sítio.
O tempo era escasso! Mas a possibilidade de poder ouvir fados cantados por pessoas da terra, algumas delas amigas muito queridas, levou-me a aceitar o convite.
O evento englobava um jantar convívio, onde se inseriram várias pessoas, algumas que nunca tinha visto entre outras minhas amigas ou conhecidas.
O ambiente era acolhedor e harmonioso.
Excluindo um pouco alguns e algumas “gralhas” a necessitar de dar nas vistas, o salão ficou cheio de gente interessada no acontecimento e feliz por, numa sã camaradagem, evocar memórias, fazer novos amigos, ou, muito simplesmente, partilhar um pouco de vida, alegria e boa disposição.
É curioso que, mesmo no meio de pessoas com gostos, ideias e interesses diferentes dos nossos, há sempre quereres parecidos ou iguais. Numa mesa em frente, estava um casal para mim indefinível: a amizade connosco era pouco intensa, a ideologia discrepante, a espiritualidade diferentemente vivida, um certo antagonismo na maneira de ser e de querer… mas uma enorme e digna realidade nos unia e une: o interesse pela verdade no valor incomensurável do verdadeiro amor e no gosto pela partilha das mais divergentes descobertas, num sábio e permanente gerir de conflitos para melhorar o bem-estar geral e o crescimento global e globalizante de quem connosco convive.
Depois de um breve e brilhante encontro de boas-vindas com um cumprimento muito cordial e dois dedos de conversa desconcertada arranjada um tanto à pressa sem sabermos muito bem o que dizer, ocupamos os espaços que nos estavam reservados.
De quando em vez, verificávamos que os nossos olhares se iam cruzando por entre as conversas animadas e os aplausos empolgados aos artistas no aconchego agradável e melodioso daquela noite embevecida onde se respirava uma inefável e deleitosa paz.    
O adiantado da hora fez com que o casal se retirasse antes do fim… com um sorriso aberto, franco e acolhedor, acompanhado de um leve acenar de mão e um olhar muito terno e carinhoso.
Permanecemos ali durante mais um tempinho, mas sem aquela sensação inebriante dos maravilhosos momentos de ventura, serenidade e paz que o António e a sua linda e delicada esposa me fizeram sentir, me inundaram de todo o coração, me marcaram a vida e ma marcarão indelevelmente até ao resto dos meus dias.
Por estas e outras semelhantes, posso afirmar com toda a certeza que, “quem tu pareces, não interessa, mas quem tu és na realidade, sem sombra de dúvida, faz toda a diferença!” Ser… ou parecer… é uma questão a ter em conta e que urge saber escolher e ter a coragem necessária para levar a cabo a decisão tomada, pois seja qual for, pela coerência a ter, nunca será fácil!
Neste contexto… qualquer que seja a nossa crença religiosa ou mesmo que queiramos afirmar não ter crença alguma, no desenrolar da nossa vida, que não queiramos parecer… mas muito simples e delicadamente que sejamos, realmente, algo que irradie todo o amor e dedicação que o mundo precisa para ser minimamente feliz!
In "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

INTERIORIDADE!




Cada “Ser Humano” é um todo, corpo e espírito, que tem de se preocupar por desenvolver capazmente todas as aprendizagens que possam enriquecer estas duas vertentes que o perfazem.
Temos a tentação de pensar por demais no corpo! Mas, “o mais importante é invisível aos olhos!” O corpo, qualquer que seja a sua realidade física, cor dos olhos, dos cabelos ou da pele, será sempre e apenas o cartão de visita da pessoa neste mundo físico onde todos vivemos e onde cada um, da concepção à morte, tem o seu lugar específico e o maior valor que se possa imaginar.
 A concepção e a morte são os dois maiores acontecimentos físicos do “Ser Humano”, pois quem foi concebido, morrerá, irremediavelmente. Daí, a enorme gravidade da provocação do aborto, que tira à pessoa a possibilidade da sua realização pessoal, e ao mundo o poder usufruir de todo o bem ou mal que essa pessoa poderia vir a fazer. Ainda que haja pessoas que nos pareçam menos boas ou mesmo más, são “Seres Humanos” com defeitos e qualidades que nos podem ajudar a crescer como quaisquer outros. Crescemos com o bem que nos encoraja e com o mal que nos leva a aceitar, rezar, compreender e perdoar.
Se… em vez de passarmos a vida a tentar encontrar o maior bem-estar e a arranjar soluções para a fome, frio, nudez e tudo o que nos afecta o corpo, déssemos prioridade ao cuidar seriamente da nossa espiritualidade, seria muito mais fácil resolver e ultrapassar todos esses problemas.
Em tempos idos, perante pessoas psicologicamente afectadas, já se reconhecia a dualidade corpo/espírito utilizando a expressão “mente sã em corpo são” ou “corpo são em mente sã”. Evidenciava-se ainda o “filho de burro sai cavalo” ou o “tal mãe tal filha”, para culpar o factor hereditário e a educação. Hoje, a essas situações comportamentais em que “os olhos falam do que o coração sente” e que por mais que nos esforcemos nunca conseguiremos reconhecer perfeitamente, chamamos distúrbios emocionais, stress, depressão. Mente, coração, alma, psiquismo, é tudo quanto só pode ser sentido no mais profundo das pessoas, no seu interior ou espírito! Mas, é delas que nasce a alegria ou tristeza, sucesso ou frustração, sabedoria ou ignorância, força de vontade ou indolência… tudo quanto ajuda a justificar a sua verdadeira educação  e a formar a verdadeira personalidade, o que a pessoa realmente é.
Cada pessoa é sempre o resultado da sua luta interior entre o bem e o mal, essas duas forças antagónicas e persistentes que determinam tudo quanto expressa nas suas atitudes corporais. Aprender a dominar os maus instintos, a fazer boas escolhas e a ter força para praticar o bem é trabalhar a interioridade.

Se não somos bebés, crianças, adolescentes ou jovens para termos ao nosso lado algum adulto que, melhor ou pior, nos vá apontando escolhas e aplanando caminhos, temos que aprender a trabalhar cada vez melhor a nossa interioridade, até a última das aprendizagens, a morte!. Que Deus nos ajude!

 In "Notícias de Cambra"

terça-feira, 10 de julho de 2012

FAMÍLIA E SOCIEDADE!

 
A Sociedade é um conjunto de Famílias, que são a sua mais pequena parcela! Família e Sociedade estão intrinsecamente unidas. As dificuldades ou sucessos de uma provém sempre da outra.
Ainda é muito recente a luta contra a supremacia exagerada do rico sobre o pobre e da humilhação da mulher perante o homem, mas desde sempre houve homens e mulheres que se distinguiram pelos seus dotes especiais de amor ao trabalho, desprendimento, dedicação, caridade e amor ao próximo.
As pessoas mais cultas, naturalmente, têm mais possibilidades de se debruçar sobre si mesmas e de se autodescobrirem e evoluírem no seu modo de pensar, de ser e estar, ou seja, para viverem melhor a espiritualidade. O aparecimento e generalização dos cursos superiores trouxe mais cultura à sociedade, mas o anseio do crescer mais no nível de vida levou os homens e as mulheres a colocar de parte a sua espiritualidade que, essa sim, os faria mais livres, responsáveis e melhores pessoas.
A nível de espiritualidade temos muito caminho a percorrer. E em vez de nos queixarmos do mal-estar sofrido, se cada um de nós olhar e verificar bem dentro de si o que poderá fazer de melhor, as crises serão diluídas ou mesmo acabadas. Mas, só de um pouco antes do Concílio Vaticano II está a chegar seriamente aos leigos a necessidade e forma de poder ter uma vida de espiritualidade profunda, vivida por tantas pessoas há tantos milhares de anos, e que Jesus Cristo nos veio exemplificar e propor.
Até a esse Concílio, nem sequer o estado civil de casado era visto como propício a uma vida de espiritualidade e consequente santidade. Só os padres, monges ou freiras poderiam ser pessoas no caminho da santidade através de uma vida de estudo da Palavra de Deus, de oração, caridade, doação e amor. Mas o Concílio Vaticano II, valorizando a ação dos leigos na Igreja e no mundo, veio dizer-nos: que a santidade é para todos, consagrados e leigos; que as vocações consagradas são urgentes e necessárias para formar a Hierarquia da Igreja e organizar o seu apostolado, pois tem de ter pastores e pessoas dedicadas ao seu serviço para uma melhor intensificação, orientação e realização de atividades; mas que é urgente também que se compreenda e valorize a vocação matrimonial, porque é dela que saem todas as pessoas, tanto os celibatários como os pais de família, pois é da Família que saem todos os membros da sociedade.
As crises sociais não podem ser resolvidas pela Escola, Governo, Igreja, Professores, Padres, Freiras, Catequistas, ou seja quem for… isoladamente, mas pelo esforço de todos unidos a Jesus Cristo, cabeça e tronco de todos os homens de boa vontade.
O homem é um ser em relação. A família, "comunidade natural fundada no matrimónio, que a Igreja sempre apresentou como lugar de encontro relacional, de enriquecimento mútuo e de pacto entre gerações", onde as crianças crescem, são educadas, adquirem os valores fundamentais da solidariedade, da responsabilidade e compromisso mútuos, tem que ser mais do que trabalho. O trabalho, feito com amor, faz parte do crescimento e realização da pessoa humana, pois é com ele que ganha o necessário à vida, e onde não há dinheiro (pão) suficiente não pode haver sossego, mas crises, conflitos e falta de equilíbrio familiar. Todavia, tem que haver tempos reservados ao descanso que geram comunhão e coesão familiar. Cada membro da Família tem de ter compreensão de si mesmo e do seu próprio bem-estar, e conhecimento e aceitação do cônjuge, filhos, família alargada, e das pessoas com quem convive no seu meio ambiente natural.
Urge realçar a vivência do verdadeiro amor, a raiz e base fundamental de qualquer família, e ajudar os homens e mulheres a reestruturar as famílias, pois é a maneira mais eficiente de garantir uma sociedade estável e solidária.
Sem famílias conscientes e responsáveis, a sociedade nunca encontrará um futuro promissor.
  http://textosdaescoladavida.blogspot.com

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ABRIR O CORAÇÃO


O coração vibra a todo o momento num trabalho incansável e moroso! Quando o coração deixar de trabalhar, a vida deixará de existir!
Mas… o que é a vida? Eu não sei o que é a vida!
Humanamente falando, a vida é um amontoado ordenado de células que, cuidadas e alimentadas, se multiplicam constantemente no desenvolvimento harmonioso do ser até fazer dele um homem ou uma mulher, cuja passagem por este mundo é um livro escrito nas páginas do tempo, aos poucos, até se finar no declinar do último suspiro, situação que a pessoa nunca poderá registar pois não é possível descrever, em vida, a própria morte!
A vida é um labor incessante, uma busca constante de crescer, de descobrir o mundo, de ser alguém, de se auto-descobrir, de descobrir outras vidas com quem se cruze na busca permanente e inquietante de ALGO interior que dê valor à própria vida – Deus – visto pelas pessoas dos mais diversos modos sem deixar de ser quem é!
Mergulhando um pouco mais profundamente em tudo isto… perdida por dentro da vida… ainda não sei o que é a vida!
A vida é como que uma árvore sem raízes presas à terra mas que guarda em si o centro da vida por possuir uma infinidade de raízes escondidas no mais fundo do coração! Sem coração não há vida! È o coração que movimenta o sangue que alimenta a vida! É através da força do seu bater que o oxigénio vai dando vida à vida, batendo, sem parar, para poder conservar viva a vida! Quando o coração está doente, a vida perde a qualidade e desaparece da nossa vista.
Mas… será que vemos a vida? Não! A verdadeira vida não poderá nunca ser vista neste maravilhoso planeta onde habitamos! O que chamamos vida é como que um embrulho  (corpo) mais ou menos elaborado da verdadeira vida que está bem dentro de nós!  E a esse “dentro de nós” chamamos coração, em analogia com o coração de carne que todos possuímos dentro do corpo - o embrulho que nos mostra a pequenez da vida e ao mesmo tempo nos esconde a grandeza da vida!
E ainda assim, eu não consigo compreender o que é a vida! Quando o coração de carne está doente, os médicos já conseguem abrir esse coração para o reparar. Operação difícil, mas possível! Quando o coração da verdadeira vida que se expressa na nossa espiritualidade está doente, não há mão humana que o possa reparar além do próprio dono, ou seja, além de Deus e da pessoa que o possui.
A intimidade (coração) de cada Ser Humano é pertença dele mesmo e de Deus! È urgente que cada homem e cada mulher consigam abrir o seu coração a Deus, Pai misericordioso e bom, presente em todos os nossos momentos, pronto a ajudar, a perdoar, a esquecer, a abraçar, a fazer felizes todos os seres que criou.
Só com uma espiritualidade muito profunda conseguiremos descobrir verdadeiramente o Amor desmedido desse Deus! Que ELE nos ajude a consegui-lo, para darmos mais VIDA á nossa existência terrena, caminhada permanente para a VIDA VERDADEIRA junto de Deus preparada com um grande amor e doação a todos os irmãos!

 In "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O RESSUSCITADO!




Todos os homens, indefinidamente, têm uma vida interior que pode ser mais ou menos profunda, e essa espiritualidade torna-se visível nas atitudes que vão tomando. Tal como os frutos identificam a seiva que corre na árvore que os produz, são as ações humanas que identificam o interior de quem as pratica.
Jesus Cristo diz-se o Ressuscitado porque, depois de morrer nos provou que continua eternamente vivo. Se todos pensarmos que a vida não acaba aqui e que no outro mundo seremos sempre a continuação do que formos neste, começaremos a ter atitudes mais humanas e coerentes. Jesus Cristo une-nos misticamente a todos, em qualquer dimensão da vida. Por isso podemos pensar nos que já partiram e sabê-los presentes junto de nós, o que é muito bom pois pode alterar a nossa espiritualidade.
Há duas épocas distintas durante o ano para revermos e rejuvenescermos a nossa espiritualidade. Vivemos atualmente uma dessas épocas, iniciada com o Tempo Quaresmal em que nos foi dado olhar mais a sério para tudo quanto fomos, somos e temos, seguida do Tempo Pascal em que, depois de meditarmos na Paixão e Morte de Jesus e celebrarmos a Sua Ressurreição, nos é recomendada uma permanente mudança de vida, uma ressurreição permanente.
Mas, não há ressurreição sem morte! O tipo de morte que nos é proposto muito simplesmente é tentar acabar com tudo quanto seja entrave a sermos o que devemos neste mundo onde fomos colocados para seguirmos em frente rumo à eternidade, e onde cada pessoa tem o seu espaço próprio para realizar livremente a sua caminhada! E mediante a liberdade que lhe é dada, a fraqueza humana de que é dotada e as tentações a que está sujeita, a maior das aventuras que lhe é apresentada, sem sombra de dúvida, é a de descobrir os verdadeiros caminhos a percorrer.  
O individualismo e o egoísmo impregnaram a sociedade onde cada um pensa mais em si do que no outro. Sabemos que é muito natural e até salutar termos amor próprio, pois quem se não ama a si mesmo não consegue amar a mais ninguém! Contudo, urge definir quando esse tipo de amor ultrapassa os limites do aceitável, pois o gostarmos de nós mesmos não pode, de forma alguma, ferir os interesses das pessoas que nos circundam. Temos de ter consciência de que todos temos defeitos e qualidades. Os cristãos têm de ter muito cuidado, pois quanto a individualismos e egoísmos, muitos deles não são o melhor exemplo! Agarrados a conceitos e pré-conceitos de que a “salvação” lhes está assegurada, julgam-se os melhores, o que nem sempre acontece. Há muitas pessoas que não são cristãs nem assumem qualquer religião e têm comportamentos exemplares. Nós, que nos dizemos cristãos, temos que fazer tudo para seguir bem de perto o nosso Mestre Jesus Cristo, pois se O não seguirmos como convém nunca poderemos dizer-nos cristãos a sério. E para podermos ser bons cristãos temos que, pelo menos, tentar ser pessoas autênticas e capazes.
A “salvação” não está reservada a ninguém em especial, mas a todos os homens em geral. E os cristãos, católicos ou outros, deviam, mas normalmente são pouco ou nada melhores do que as outras pessoas, esquecidos de que têm uma responsabilidade acrescida perante toda a Sociedade indefinidamente: a de serem testemunhas visíveis de Jesus Cristo, porque não é o que diz ser cristão que o é na realidade, mas o que dá testemunho de Cristo vivendo segundo as Suas atitudes e tornando-se cada vez mais transparência DESSE Ressuscitado que veio ao mundo para nos ensinar a viver numa constante ressurreição. Que ELE nos ajude!

In "Notícias de Cambra"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UM POUQUINHO DE NÓS!



Falar de espiritualidade pode não ser compreensível para a maior parte das pessoas, uma vez que a maior parte das pessoas não vêem a espiritualidade como parte integrante de si mesmas, e por isso, de imediato, ligam o termo a algo de sobrenatural que, ou é favorável e ajuda, ou é desfavorável e estraga tudo, coloca a vida do avesso, de pernas para o ar.
Tendo em atenção estas e outras atitudes que estão muito vulgarizadas, vamos preparar-nos para podermos falar  compreensivelmente sobre espiritualidade com uma pequena e muito rudimentar introdução em que vamos tentar analisar-nos a nós mesmos, assim, tal qual nos vemos, tendo em atenção a nossa realidade intrinsecamente temporal. Poderá até parecer uma brincadeira, mas com o tempo veremos que não é.
Então, quem somos nós? Somos… a Maria, o Manel, o Tono, o Quim… que nos apresentamos com um corpo… um corpo alto, baixo, magro, gordo, claro, escuro, com uns contornos muito bem alinhados ou trabalhados um pouco à pressa… com olhos castanhos, azuis, pretos… cabelos fortes, fracos, lisos, encaracolados, eriçados, encarapinhados e castanhos, louros, grisalhos… com pernas altas, baixas, gordas, esguias, mal chambradas ou esbeltas… dedos grossos, finos, compridos, curtos, com unhas muito bem ajeitadinhas ou mal cavacadas… queixo com covinha ou sem ela, orelhas pequeninas ou orelhudas, nariz bicudo ou achatado… pés de quarenta e quatro ou trinta e cinco… e é assim que nos vemos quando nos olhamos ao espelho e que as pessoas com quem convivemos nos vêem e nos conhecem, porque, de facto, somos assim. E cada um de nós é como é, e se não se assume, assim, tal como é, é porque em si algo não está bem.
 Quer queiramos ou não, não podemos fugir desta realidade. O nosso corpo, com tudo quanto o compõe, quer gostemos e apreciemos, quer não, é o nosso bilhete de identidade social, é por ele que nos conhecemos e somos conhecidos e conhecidas.
E não dizemos vai ali o espírito da Maria… do Manel… do Tono… do Quim… mas vai ali a Maria, o Manel, o Tono ou o Quim, pois é o corpo que identifica a cada um de nós porque é com ele que marcamos a nossa estadia neste mundo.
E antes de começarmos a falar no algo mais que pertence intimamente a esse corpo, podemos ainda continuar a ver as inumeráveis formas como ele se poderá apresentar publicamente, ou melhor dizendo, como é que nós nos poderemos mostrar publicamente através desse corpo, pois ele, o nosso corpo, pode apresentar-se de muitas maneiras, esta é mais uma realidade que temos que aceitar.
Somos cidadãos do mundo, nascidos num qualquer país de um dos seus continentes… num determinado lugar, cidade ou aldeia… numa família pequena ou grande… rica ou pobre, bem ou mal formada… que é sempre uma ínfima parcela de uma sociedade!
E… por hoje… acho que é melhor ficarmos por aqui… a pensar na maravilha da nossa querida família e também da sociedade que a acolhe! E para que o nosso meio envolvente comece a ser bem  melhor, vamos ser muito positivos olhando mais atenta e profundamente as coisas boas que dele podemos tirar.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O VERDADEIRO VALOR DA VIDA – O AMOR!...


A expressão “Quem não vive para amar… não serve para viver” - é um maravilhoso legado de alguém que possivelmente já estará na outra dimensão da vida e quer que caminhemos para ela com determinação e segurança, onde quer que estejamos e sejamos quem formos.
Nascemos por Deus e para Deus que é AMOR! Por isso, ninguém nasce para si mesmo, mas para se colocar ao serviço dos outros conforme o exemplo de Jesus Cristo, amando.
Antes de começar a vida púbica de serviço aos irmãos mostrando-lhes como viver segundo as Suas Palavras e o exemplo da Sua própria vida, Jesus gastou trinta anos da Sua curta existência na pequena cidade de Nazaré, nas mais seguras orientações do Pai, entre o povo humilde e mais humilde que o próprio povo.
Ali foi sorvendo todo o contexto da sociedade do Seu tempo, desde a pastorícia e vegetação à pesca e aos diferentes estados de vida civil e religiosa, organização política e cargos públicos.
De bebé a adulto, como qualquer outro ser, foi descobrindo aos poucos quem ELE próprio era, vivendo em plenitude todas as vertentes da dimensão humana para poder preenchê-las da mais completa dimensão divina  - o AMOR  misericordioso, incondicional e gratuito.
O Advento, tempo de espera que precede a Celebração Festiva do Natal de Jesus, não pode ser vivido somente como  nos habituamos na lembrança do Menino rechonchudinho e maravilhoso, mas no esforço de tudo fazer para que nasça em nós o desejo sincero de vivermos de acordo com as orientações DESSE Menino que, por amar a todos como irmãos, acabou morto numa cruz como o maior dos malfeitores.
Falamos demais em amor, mas volvidos mais de dois mil anos, o “AMAR” ao jeito de Jesus continua a ser um “Mundo Novo” a desbravar bem dentro de cada homem e de cada mulher.
Ninguém conseguirá amar se não se sentir amado nem conseguirá amar os irmãos se não se amar a si mesmo, não com um amor egoísta e pretensioso, mas sendo capaz de descobrir os defeitos a evitar e as qualidades a desenvolver, de modo a poder ofertar aos irmãos o melhor de si – tal como Jesus Cristo nos veio ensinar.
Um dia, quando formos chamados para a Casa do Pai”, não seremos questionados sobre em que local ou religião vivemos, mas sobre o valor dado e o tempo gasto na busca do verdadeiro AMOR a Deus e aos irmãos e a força e coragem necessárias para vivermos segundo ESSE AMOR.
Eu, nasci de pais católicos e fui baptizada na Igreja católica onde vou procurar o conhecimento e força do Amor de Deus, porque é ali que encontro a melhor forma de viver NESSE AMOR… mas convicta de que o verdadeiro Amor de Deus está no mais íntimo de cada ser - o coração - e é aí que o Homem tem de O encontrar, seja de que forma for, em que religião for, ou mesmo afirmando que não tem qualquer religião!
Que a lembrança das vivências profundas do tempo de Natal que ainda nos preenchem o coração seja o suporte das dificuldades que nos forem surgindo, para que, reconhecendo claramente a verdadeira finalidade da nossa vida, tenhamos a coragem de repetir ao mundo e a nós mesmos, a alta voz, as sábias palavras de Santo Agostinho: “Ama, e faz o que quiseres!” Que o Ano Novo que já iniciamos seja cheio das maiores venturas.
In Notícias de Cambra

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

IMPRESSIONANTE!...


Consciente de que a “Eucaristia”, pelas mais variadas razões, é a maior e a mais excelente das orações, gosto muito de encontrar as igrejas cheias, principalmente nas vespertinas de Sábado ou no próprio Domingo!
A escassez de Sacerdotes e a falta de tempo útil dos fiéis leva a que as “Missas de 7º Dia” sejam muitas vezes incluídas nessas Eucaristias Dominicais. E nos dias em que isso acontece aparecem inúmeras pessoas que, na sua esmagadora maioria, não costumam sequer frequentar a igreja! Este seu comportamento deixa-nos perplexos, repletos de porquês e a pensar no que fazer ou dizer a essas pessoas que ainda guardam no coração, pelo menos, alguns reflexos de Fé! Por que irão à igreja nessas ocasiões? Será por saudade da pessoa que partiu… para que os familiares do defunto ou defunta sintam o calor da amizade… para convencer a sociedade da sua conduta cristã… ou para se convencerem a si mesmos de que são cristãos e cristãs a sério? Uma das razões pode ser o pensar que, na eminente partida da qual ninguém pode fugir, tenham também o devido acompanhamento! Pode ser ainda o receio da morte… ou o desejo de que, realmente, seja concedida por Deus a paz e felicidade à alma do amigo ou amiga que se foi!
Talvez um pouco de tudo… ou talvez nada! Não sei! Mas, de qualquer forma, a morte sempre foi e continua a ser a grande promotora dos encontros de vidas! Famílias quase totalmente desligadas encontram-se na hora da despedida dos seus entes queridos! Amigos que mal se cruzam, fazem-se presentes nessas horas!
Tenho um grande amigo e companheiro de trabalho e inquietações que partiu santamente faz quase dois anos! Pouco depois de se ver fatalmente acorrentado pelos cancros que o vitimaram num curtíssimo espaço de tempo, escrevia-me: “Sabe… tenho pensado muito e sinto uma imensa paz! E até queria falar da morte… mas como deve compreender, eu nunca morri!”
Talvez… quem sabe, todos nós, e muito especialmente as muitas pessoas das Missas de 7º dia, sentirão também necessidade de falar da morte… que é tão natural como o nascimento! Mas, falar da morte nos momentos de morte física não é a melhor altura, uma vez que a sensação irremediável de perda não nos deixará pensar correctamente. A morte, não obstante a imensa tortura da saudade, para quem tem Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, não é o fim, é o começo, o momento da grande libertação, uma passagem para a vida eterna, o princípio de uma nova vida! Mas para que a morte, o momento mais importante da nossa vida, não cause medo e seja, como todos desejamos, um encontro jubiloso com Deus, temos de nos preparar para ela, muito para além da participação nos funerais e Missas de defuntos! Temos de falar na morte, acima de tudo, noutras situações mais convenientes que nos ensinem a viver em fraternidade de modo a nunca fazer aos outros o que não queremos que os outros nos façam, e a viver com toda a garra no mundo onde nascemos, mas, seguindo os passos der Jesus Cristo, com o pensamento na eternidade! Sabemos que a igreja é uma casa onde os filhos de Deus se juntam para fazer comunidade, meditar e rezar e aprender a viver segundo Jesus. Mas a verdadeira Igreja somos todos nós, os baptizados unidos a Jesus Cristo, mas que de pouco valerá sermos baptizados se não vivermos segundo a Fé do nosso Baptismo!
A Igreja é santa porque Deus é Santo, mas encontramos inúmeros defeitos nos homens e nas mulheres que são Igreja e vão à igreja… certos de que fariam muito mais asneiras se lá não fossem. Deus conhece todas as fragilidades e ama cada pessoa como ela é, o importante é que a pessoa queira amar a Deus e se deixe amar por Ele. Aproveitemos a oportunidade da morte de familiares e amigos para começarmos a ir à igreja muito mais vezes! Só frequentando a igreja podemos saber o que lá se passa e sentir o quanto as idas a essas casas de Deus nos ajudam no decorrer da vida.
A Fé é um dom de Deus que temos de agarrar com toda a força de que formos capazes. Que o Espírito Santo nos ajude!
(A publicar no Notícias de Cambra - Rubrica "Espiritualidade")

domingo, 30 de outubro de 2011

Existência(s)


A vivência da espiritualidade é uma busca quase infinita do transcendental. Dentro da espiritualidade consideramos ser de significativa importância a questão concernente à diferença entre a teoria da vida única e a teoria das vidas múltiplas, nas implicações que isso tem.
Importa antes de mais corrigir os termos, para bom entendimento: em vez de “vida única” e “vidas múltiplas”, deverá dizer-se “existência única” e “existências múltiplas”, porque em realidade há para cada indivíduo uma única vida, resuma-se ela a uma só existência corpórea, seja ela constituída por múltiplas existência corpóreas, pois que neste segundo caso a personalidade integral subjetiva e consciente é sempre a mesma, apesar de revestir-se de aspetos objetivos diferentes.
A importância prática resultante da diferença entre estas duas teorias está em que a existência única não explica satisfatoriamente as desigualdades de inteligência, de moralidade, de saúde, de oportunidades, (o que leva a pôr em causa a justiça, a sabedoria e a bondade divinas) ao passo que a teoria das existências múltiplas dá essa explicação com a lei de causa e efeito, lei que tem suporte evangélico e científico.
Sabermos o que significa “o espírito é como o vento: sopra onde quer, ninguém sabe de onde vem nem para onde vai” e “temos de nascer de novo” , não impede o livre-arbítrio, porque nada o impede, mas faz-nos pensar duas vezes antes de agir, na certeza de que o que fizermos nesta existência terá repercussão em nós próprios em existência futura. A sabedoria popular afirma-o com o ditado: “como fizeres, acharás”.
Sendo, portanto, quase infinita a busca do transcendental, que sendo ele próprio o infinito – Deus - não podemos chegar à sua posse, (por isso o “quase”) temos de convir que cem anos que sejam dão para muito pouco, carecendo de lógica o senso de que a beatitude, que é decorrente da aquisição do amor e do total conhecimento das coisas, se obtém  com mínimo, ou nulo, esforço. 


A.   Pinho da Silva


Se lermos com muita atenção, verificaremos que a teoria das “existências múltiplas”, base do Espiritismo, leva a agir com precaução e amor para não ser magoado em existências futuras; a existência única leva a agir com amor em busca da comunhão fraterna e eternidade feliz. O aperfeiçoamento espiritual e humano com uma vida de doação e amor está subjacente a ambas as teorias.
Sejamos sinceros connosco mesmo e com quem connosco convive, dando constante glória a Deus com as nossas vidas agraciadas pelo verdadeiro AMOR, qualquer que seja a nossa teoria! A seu tempo, quem sabe, poderemos entrar em mais pormenores sobre a suma importância destas questões!

H. N

Texto de António Augusto, publicado no Notícias de Cambra

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Foi tão maravilhoso e profundo!...


Encanta-me a ideia de estar em casa, mas tenho que admitir que fora da terra se encontram, muitas vezes, comportamentos a que devemos prestar toda a nossa atenção.
Sempre que a vida permite gostamos de estar na Torreira durante as festas do São Paio, onde tudo nos encanta. Mas este ano encantou muito mais, foram momentos inesquecíveis.
Tanta gente como naquela Eucaristia, concelebrada por oito sacerdotes e dois diáconos, no pequeno palco frente à Capelinha do Padroeiro, só mesmo no recinto de Fátima! Representantes das Autarquias e outras Instituições de relevo marcaram presença logo na primeira fila. O enorme grupo formado por elementos de todos os grupos corais da Paróquia entoava os Cantos Litúrgicos com a maior perfeição, entusiasmo, harmonia e beleza!
Na Homilia, o jovem Pároco e presidente da concelebração, enalteceu, ao lado da vida de amor e fortaleza do São Paio, a presença das multidões, ali na Eucaristia, no tão afamado fogo-de-artifício, nas rusgas e regatas, nos conjuntos musicais, nas mais diversas compras feitas naquelas barracas que mais lembram as feiras… pois, dizia ele – “tudo faz parte do programa das festas e com tudo se louva a Deus!”
Chegada a hora de repartir a Comunhão, os Sacerdotes e Ministros distribuíram-se por todo o lado, espalhando afagos e sorrisos.
No final, o Presidente lembrou que a Eucaristia terminava só na Igreja, no final da Procissão, que logo devia começar a organizar-se, tal como o costume, com as entidades a ocupar os lugares determinados, bem assim como os andores e demais elementos.
Lentamente… marinheiros, barcos, redes, bandeiras, grupos folclóricos, bastantes andores… e entre eles… mães ou outros familiares e empurrar carrinhos de bebés vestidos não se sabe bem de quê, velhinhos e velhinhas a acompanhar netos “anjinhos” ou “santos”, tudo com uma imensa delicadeza e paz.
Para cada andor havia uma equipa de pessoas, que se reconhecia pela roupa, toda ela igual. 
A ladear a extensa via por onde passava, inúmeras pessoas olhavam a Procissão. A dona de uma barraquinha de doces levantava a corda presa no outro lado da estrada, para que os andores e bandeiras pudessem passar à vontade.
Furei por entre as pessoas, pois quis entrar na Igreja para sentir o delírio final daquela magnífica manifestação de fé! Estava mais que repleta!
Então, o Pároco, visivelmente feliz, agradeceu a presença e o trabalho e dedicação de todos para o sucesso da festa. E terminou, dizendo:
-“As cerimónias em honra do São Paio chegaram ao fim, mas as festas, não! Que continueis, até ao final, a comer e conviver com as vossas famílias, a fazer as vossas compras, a receber os vossos prémios… tal como tiverdes previsto, pois com tudo se louva a Deus! Que o São Paio vos proteja!”
Revi-me em muitas pessoas desta procissão!… Lembrei, por exemplo, a revolta da minha filha quando a vesti de anjo para participar numa procissão parecida! Hoje… não faria isso! Mas… com Deus… nada está mal! Aprende-se a viver, vivendo… e só se cresce na fé praticando actos de fé e sendo acolhido por quem tem o dever de nos instruir na fé.  
Quando as pessoas que andam pelas igrejas não se julgarem “tão importantes” e forem capazes de acolher aquelas que poucas vezes lá vão e louvam a Deus das mais diversas maneiras, como sabem ou podem… tudo será bem diferente!
Desculpem os meus desabafos, mas foi deveras surpreendente, não consegui ficar calada!

Hermínia Nadais