sexta-feira, 30 de março de 2012

NECESSIDADE DE SER ÚTIL



Há dias, numa qualquer estação de TV, pareceu-me ouvir dizer que todo o ser humano, invariavelmente, tem necessidade de ser útil! E fiquei algum tempo a sós, com aquela ideia a baralhar-me profundamente a cabeça.
Depois de muito pensar acabei por concluir que, de facto, a necessidade de ser útil, assumida ou não, persegue sistematicamente todo o ser humano… mas de forma muito antagónica, pois enquanto há pessoas que sentem necessidade de ser úteis a si mesmas outras há que fazem de tudo para puderem colocar as suas qualidades e possibilidades ao serviço de quem as rodeia. Neste mundo maravilhoso em que vivemos, o egoísmo e o altruísmo rodam por aí, sem cessar, de mãos dadas e na grande maioria das vezes baralhadas, misturadas e até confundidas!
Quando deparamos com pessoas muito interessadas em “serem úteis a si mesmas” temos graves problemas, pois essas pessoas, sem se darem conta, egoística e interesseiramente, acabam por levar as demais a fazerem somente o que elas querem e lhes agrada…  e o pior de tudo é que, na sua constante insatisfação, se tornam sedutoras e se acham sempre umas coitadinhas porque ninguém lhes faz a vontade ou as serve como elas acham que devem ser servidas. Quem procede de modo contrário, ou seja, quem vive com altruísmo, por um lado, acaba por estar sempre bem porque a satisfação dos outros é a sua própria satisfação; mas, como não há regra sem senão… lá vem uma época em que, sem jeito para fazer valer as suas opiniões e gostos nem de procurar os seus interesses pessoais que sempre deixam para segundo plano, caem num desânimo arrasador porque se sentem terrivelmente abusadas e desprezadas e sem prestígio ou valor para ninguém. 
Como é fácil de deduzir… qualquer destas situações é terrivelmente caricata e precisa de auto e hétero correção constante.
Há uns anos bastante largos fui ao médico, “stressada”, com essa doença de que ao tempo ninguém falava e agora está na moda…   e o médico recomendou-me de que eu teria de olhar muito bem por mim… primeiro eu, segundo eu, terceiro eu… décimo eu… e depois os outros se eu não precisasse – dizia ele - e reafirmou que, se eu não olhasse muito bem por mim, nunca poderia ter forças capazes de olhar bem pelos outros.
Fiquei pasmada com o que ouvi… mas como confiava no médico, segui o conselho de perto… e muito embora ainda tenha os meus momentos de desânimo e abatimento, dei-me muito bem com a observação quase constante do supracitado conselho.
Nós, seres humanos, somos o que for o nosso interior, pois o que se vê, o nosso ser corporal ou bilhete de identidade que nos diferencia dos demais não passará nunca de uma espécie de veículo pessoal onde estamos constantemente metidos e com que nos mostramos e deslocamos neste mundo em que vivemos. E porque “o mais importante é invisível aos olhos”, daqui nos vem a suprema importância de aprendermos a valorizar a nossa espiritualidade, pois é a que moralmente nos define e nos tornará para sempre felizes ou infelizes, conforme consigamos viver no amor verdadeiro ou num egoísmo exagerado!
Que nesta época de renovação pascal, à Luz clara e convincente de Jesus Cristo, a consciência superior de que fomos dotados nos ajude a encontrar o nosso verdadeiro caminho – o da compreensão, aceitação, doação e amor, de que Ele foi o mais maravilhoso exemplo a seguir!
Santa Páscoa para todos!

In "Notícias de Cambra"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UM POUQUINHO DE NÓS!



Falar de espiritualidade pode não ser compreensível para a maior parte das pessoas, uma vez que a maior parte das pessoas não vêem a espiritualidade como parte integrante de si mesmas, e por isso, de imediato, ligam o termo a algo de sobrenatural que, ou é favorável e ajuda, ou é desfavorável e estraga tudo, coloca a vida do avesso, de pernas para o ar.
Tendo em atenção estas e outras atitudes que estão muito vulgarizadas, vamos preparar-nos para podermos falar  compreensivelmente sobre espiritualidade com uma pequena e muito rudimentar introdução em que vamos tentar analisar-nos a nós mesmos, assim, tal qual nos vemos, tendo em atenção a nossa realidade intrinsecamente temporal. Poderá até parecer uma brincadeira, mas com o tempo veremos que não é.
Então, quem somos nós? Somos… a Maria, o Manel, o Tono, o Quim… que nos apresentamos com um corpo… um corpo alto, baixo, magro, gordo, claro, escuro, com uns contornos muito bem alinhados ou trabalhados um pouco à pressa… com olhos castanhos, azuis, pretos… cabelos fortes, fracos, lisos, encaracolados, eriçados, encarapinhados e castanhos, louros, grisalhos… com pernas altas, baixas, gordas, esguias, mal chambradas ou esbeltas… dedos grossos, finos, compridos, curtos, com unhas muito bem ajeitadinhas ou mal cavacadas… queixo com covinha ou sem ela, orelhas pequeninas ou orelhudas, nariz bicudo ou achatado… pés de quarenta e quatro ou trinta e cinco… e é assim que nos vemos quando nos olhamos ao espelho e que as pessoas com quem convivemos nos vêem e nos conhecem, porque, de facto, somos assim. E cada um de nós é como é, e se não se assume, assim, tal como é, é porque em si algo não está bem.
 Quer queiramos ou não, não podemos fugir desta realidade. O nosso corpo, com tudo quanto o compõe, quer gostemos e apreciemos, quer não, é o nosso bilhete de identidade social, é por ele que nos conhecemos e somos conhecidos e conhecidas.
E não dizemos vai ali o espírito da Maria… do Manel… do Tono… do Quim… mas vai ali a Maria, o Manel, o Tono ou o Quim, pois é o corpo que identifica a cada um de nós porque é com ele que marcamos a nossa estadia neste mundo.
E antes de começarmos a falar no algo mais que pertence intimamente a esse corpo, podemos ainda continuar a ver as inumeráveis formas como ele se poderá apresentar publicamente, ou melhor dizendo, como é que nós nos poderemos mostrar publicamente através desse corpo, pois ele, o nosso corpo, pode apresentar-se de muitas maneiras, esta é mais uma realidade que temos que aceitar.
Somos cidadãos do mundo, nascidos num qualquer país de um dos seus continentes… num determinado lugar, cidade ou aldeia… numa família pequena ou grande… rica ou pobre, bem ou mal formada… que é sempre uma ínfima parcela de uma sociedade!
E… por hoje… acho que é melhor ficarmos por aqui… a pensar na maravilha da nossa querida família e também da sociedade que a acolhe! E para que o nosso meio envolvente comece a ser bem  melhor, vamos ser muito positivos olhando mais atenta e profundamente as coisas boas que dele podemos tirar.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

(Des)Governo


 Sinceramente, ando cansada… de ouvir falar de euros, de troikas, de Governos e Oposições, de (des)governos e desorientações, de crises desordenadas onde as contas bancárias e riquezas não foram destruídas nem queimadas… mas em vez de alimentarem, vestirem e darem vida condigna a quem delas necessita para sobreviver, andam a vaguear nas carteiras de quem devia olhar por toda a gente mas não pensa em nada mais além de conseguir juntar cada vez maiores proventos… aos enormíssimos rendimentos que já tem. É este o nosso mundo! É esta a nossa Europa! É este o nosso País! Isto… não cabe na cabeça de ninguém!...
De facto,  “razão cada qual tem a sua” e “ a razão tem razões que a razão desconhece”. Quem pensa e vive para as riquezas, por mais riquezas que consiga usufruir, nunca ficará saciado, e mesmo tendo todas as benesses, não as reconhece como tais e tenta conservá-las e arranjar umas tantas mais… sem se lembrar de quem já quase não tem tecto para se cobrir, roupa para vestir, remédios para curar as doenças ou algo para comer, e apenas pede que lhe deixem o mínimo para poder sobreviver.
É inexplicável esta situação, onde não existe ética moral nem coração!
Os seres humanos nasceram para ser felizes fazendo os outros felizes. Pessoas de bem, em casos normais, quando vêem ou ouvem quem quer que seja, devem acreditar que tudo está muito bem ou muito mal, conforme a interpretação do que se veja ou escute. Mas, vivemos numa confusão tal que não há por onde se lhe pegue. As pessoas dizem e desdizem-se, até a si mesmas, com uma facilidade que dá dó! Inventam leis e tentam fazê-las cumprir com uma arrogância pavorosa! Tentam levar o grande público pela força… esquecidos de que as boas razões apresentadas com uma explicação carinhosa e assente numa boa coerência de vida, resolveria muito melhor as situações difíceis que urge ultrapassar.
As pessoas não conseguem aceitar as restrições da cabeça fria, se as restrições não forem para todos, sem excepção! E o que serve, serve todos os outros, não tem o direito de se servir somente a si mesmo e aos seus amigos ou aos senhores do dinheiro. Temos plena consciência de que o dinheiro vence tudo… mas não deveria ser assim. O “ser humano” vale muito mais do que o dinheiro… que um dia ficará… irremediavelmente… não irá connosco!
Temos de continuar a viver agarrados a uma esperança… da qual não vemos sequer a mais ínfima luz no fundo do túnel. E… por favor… não me falem de crise! Não há crise nenhuma! Há, sim, riquezas desmesuradamente desordenadas e dinheiros muito mal repartidos… ao lado de pessoas que se habituaram a sobreviver de subsídios, sem trabalharem nada, e agora não querem trabalhar… e pessoas que se habituaram a ter tudo muito facilmente, e agora querem tudo, não se contentam com nada, e gritam… porque não sabem viver sem gastos desnecessários!…
Portugal está um pandemónio! O Governo e Oposição revezam-se de vez em quando, e quando estão fora do Governo, em vez de se darem as mãos para se ajudarem mutuamente e resolverem os problemas conjunturais, criticam-se, a maior parte das vezes de forma destrutiva. E o pior, é que uns ficam no Governo mais tempo, outros menos, mas todos saem de lá com a vida feita… e em muito bom estado de conservação, por isso, em vez de ficarem em casa a tratar dos netos ou dos amigos que deles necessitem, metem-se noutros postos chaves para receberem mais uns milhares de euros no fim do mês… enquanto há milhões de desempregados!
Se cada um de nós se agarrasse à sua verdadeira verdade e desse ao País o seu melhor… não estaríamos como estamos! Valha-nos... quem nos possa valer… neste terrível e geral… (des)governo!

In "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O VERDADEIRO VALOR DA VIDA – O AMOR!...


A expressão “Quem não vive para amar… não serve para viver” - é um maravilhoso legado de alguém que possivelmente já estará na outra dimensão da vida e quer que caminhemos para ela com determinação e segurança, onde quer que estejamos e sejamos quem formos.
Nascemos por Deus e para Deus que é AMOR! Por isso, ninguém nasce para si mesmo, mas para se colocar ao serviço dos outros conforme o exemplo de Jesus Cristo, amando.
Antes de começar a vida púbica de serviço aos irmãos mostrando-lhes como viver segundo as Suas Palavras e o exemplo da Sua própria vida, Jesus gastou trinta anos da Sua curta existência na pequena cidade de Nazaré, nas mais seguras orientações do Pai, entre o povo humilde e mais humilde que o próprio povo.
Ali foi sorvendo todo o contexto da sociedade do Seu tempo, desde a pastorícia e vegetação à pesca e aos diferentes estados de vida civil e religiosa, organização política e cargos públicos.
De bebé a adulto, como qualquer outro ser, foi descobrindo aos poucos quem ELE próprio era, vivendo em plenitude todas as vertentes da dimensão humana para poder preenchê-las da mais completa dimensão divina  - o AMOR  misericordioso, incondicional e gratuito.
O Advento, tempo de espera que precede a Celebração Festiva do Natal de Jesus, não pode ser vivido somente como  nos habituamos na lembrança do Menino rechonchudinho e maravilhoso, mas no esforço de tudo fazer para que nasça em nós o desejo sincero de vivermos de acordo com as orientações DESSE Menino que, por amar a todos como irmãos, acabou morto numa cruz como o maior dos malfeitores.
Falamos demais em amor, mas volvidos mais de dois mil anos, o “AMAR” ao jeito de Jesus continua a ser um “Mundo Novo” a desbravar bem dentro de cada homem e de cada mulher.
Ninguém conseguirá amar se não se sentir amado nem conseguirá amar os irmãos se não se amar a si mesmo, não com um amor egoísta e pretensioso, mas sendo capaz de descobrir os defeitos a evitar e as qualidades a desenvolver, de modo a poder ofertar aos irmãos o melhor de si – tal como Jesus Cristo nos veio ensinar.
Um dia, quando formos chamados para a Casa do Pai”, não seremos questionados sobre em que local ou religião vivemos, mas sobre o valor dado e o tempo gasto na busca do verdadeiro AMOR a Deus e aos irmãos e a força e coragem necessárias para vivermos segundo ESSE AMOR.
Eu, nasci de pais católicos e fui baptizada na Igreja católica onde vou procurar o conhecimento e força do Amor de Deus, porque é ali que encontro a melhor forma de viver NESSE AMOR… mas convicta de que o verdadeiro Amor de Deus está no mais íntimo de cada ser - o coração - e é aí que o Homem tem de O encontrar, seja de que forma for, em que religião for, ou mesmo afirmando que não tem qualquer religião!
Que a lembrança das vivências profundas do tempo de Natal que ainda nos preenchem o coração seja o suporte das dificuldades que nos forem surgindo, para que, reconhecendo claramente a verdadeira finalidade da nossa vida, tenhamos a coragem de repetir ao mundo e a nós mesmos, a alta voz, as sábias palavras de Santo Agostinho: “Ama, e faz o que quiseres!” Que o Ano Novo que já iniciamos seja cheio das maiores venturas.
In Notícias de Cambra

domingo, 8 de janeiro de 2012

“Renascer”!



Renascer é uma palavra que encerra tudo quanto deverá ser a nossa vida – um eterno renascer!
A Natureza, com toda a sua sabedoria, vai-nos exemplificando a necessidade de renascer! O dia renasce a cada manhã e a noite a cada entardecer; a folhagem e floração renascem a cada Primavera; a cada Inverno os dias solares renascem o seu processo de alongamento até voltarem à sua diminuição gradual no início do Verão; os frutos amadurecem a cada Outono…
A globalização e intensificação dos meios de transportes e comunicações escondem-nos algumas destas realidades, pois levam a que haja os mesmos frutos nos mercados durante todo o ano, o que faz com que só as pessoas muito ligadas à agricultura conheçam realmente os inumeráveis ciclos da vida dos animais e plantas.
A vida humana, do nascimento à morte, também obedece a ciclos. A criança nasce, é um/uma bebé! Pouco depois torna-se numa criança! E logo é um/uma adolescente! Logo encontra um par, e, os dois, unem as suas vidas que vão dar vida a outros seres! E, assim, a vida humana renasce todos os dias.
Com este renascimento palpável aos nossos sentidos corporais quero lembrar um outro renascimento que devemos fazer em nós – sermos melhores em cada momento de cada dia!
O nascimento físico de cada pessoa é um só; a infância, adolescência, juventude e idade madura, também são uma só. Por isso, cada momento da nossa existência deve ser passado da melhor forma possível, pois é único e irrepetível, e uma vez passado não mais existirá. É neste viver cada momento da vida que temos a possibilidade de renascer todos os dias para uma vida nova, mais verdadeira e coerente, mais altruísta, mais amiga, mais presente, mais consciente, e, consequentemente, o mais humana possível.
Se em todos os momentos de todos os dias não houver um renascer constante para as novas realidades da vida, algo está mal.
A vida de cada pessoa é uma só, pelo que, durante toda a vida, as experiências são únicas e irrepetíveis. Todos os segundos têm de ser bem aproveitados e vividos com muita intensidade, a comer ou a beber, a trabalhar ou a brincar. Até o nosso sono terá de ser regulado, pois se o dormir demais é tempo mal gasto e que não leva a nada, o dormir de menos pode fazer mal à saúde. Temos de ser moderados em tudo numa aprendizagem permanente como preparação contínua para a nossa última aprendizagem, a morte.
Neste início de um Novo Ano, que reconsideremos a sério no que temos vindo a fazer no tempo de vida que nos foi ofertado.
Fala-se por demais em dificuldades… porque ninguém as quer! Mas temos que nos convencer que é nas dificuldades que mais crescemos, pessoalmente e em grupo. Faz muitos anos que não se via tanta solidariedade como a que se viu nesta época natalícia nem como a que se continua a ver. O passar por dificuldades leva-nos a sentir mais profundamente as dificuldades do outro e a sermos solidários com ele.
Os tempos que correm, materialmente, podem ser muito maus, e são mesmo maus, não temos dúvidas, mas podem trazer ao de cima a moral e os bons costumes que há muito têm vindo a ser desprezados.
Amai-vos… como Eu vos amei – repetiu inúmeras vezes o aniversariante da festa de Natal que há pouco comemoramos! Amar é pensar no outro e querer para ele o melhor, é ajudá-lo quando necessita, é estar ao seu lado quando precisa de falar e não tem para quem o fazer… sei lá… tantas coisas podemos fazer todos os dias para nos tornarmos melhores, pessoas renascidas, realizadas e felizes!
Que este Ano Novo que iniciamos traga para todos tudo quanto de bom a vida possa ofertar!


In: Notícias de Cambra    

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

“Reflexão… para quê”!



Se qualquer final, seja do que for, é sempre tempo de reflexão, muito mais o deverá ser o final de um ano. Mais do que participar em comemorações festivas e escolher formas de acariciar os familiares e amigos evitando os habituais gastos que este ano se apresentam bem mais difíceis, o mês Dezembro deverá ser de um pensar sério em tudo quanto se tem feito e de um olhar mais convincente para o mais fundo de nós mesmos, pois é aí, bem dentro de si mesma, que cada pessoa conseguirá encontrar a sabedoria e força necessárias para fazer do mundo a imensa e próspera família que todos desejamos!...
Nesta noite de domingo dispus-me um pouco aos “gracejos” das “originais” conversas público/privadas da denominada “Casa dos Segredos”.
Aprende-se com o positivo e com o negativo, pelo que estas ruidosas conversas poderiam até vir a produzir uma aprendizagem muito considerável! Mas pela reacção do público, sinceramente, não me parece que o “saber ouvir e ver” seja uma qualidade da enorme maioria dos portugueses que se prendem por demais neste tipo de programas por mera distracção, e por não saberem nem quererem pensar na resolução das tormentas da vida e da crise!
O dinheiro e sucesso fácil são uma tentação e cada pessoa merece e tem o direito de ser respeitada tal como é… mas penso inúmeras vezes no tipo de pessoas em que nós, povo português, nos tornámos e continuamos a tornar!
Gostava de gastar algum do meu tempo numa análise mais minuciosa aos momentos público/privados destes eventos tão apreciados para por em relevo algo de mais útil sobre cada um eles… mas confesso que não sou capaz!
Admiro todos os intervenientes pelo aceitar dispor-se à mercê do que queiram pensar ou possam ver neles, o que é deveras complicado para qualquer pessoa. Mas, a vida dos outros só deverá interessar-nos para os ajudar ou para aprendermos com eles, e ali, além de não haver nada em que possamos ajudar também não é a analisar vaga e friamente as acções levadas a cabo sob tanta pressão que conseguimos aprender a avaliar minimamente as nossas próprias acções nem as de quem connosco convive, e muito menos de arranjar coragem para uma auto-crítica ou crítica positiva! Muito pelo contrário! Divertir-nos tanto a observar situações “sofríveis” pode levar-nos a encarar com a mesma naturalidade as parvoíces que os nossos filhos e netos possam vir a fazer e a continuar a brincar ao faz-de-conta com tudo quanto nos surgir na vida, esquecendo valores e responsabilidades!
Para termos a coragem de assumir os nossos erros e a correcção das nossas atitudes de modo a fazer, na realidade, algo de bom pela prosperidade e paz do mundo maravilhoso onde vivemos, é urgente aprender a escolher o que se ouve e o que se vê!

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
In: "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

IMPRESSIONANTE!...


Consciente de que a “Eucaristia”, pelas mais variadas razões, é a maior e a mais excelente das orações, gosto muito de encontrar as igrejas cheias, principalmente nas vespertinas de Sábado ou no próprio Domingo!
A escassez de Sacerdotes e a falta de tempo útil dos fiéis leva a que as “Missas de 7º Dia” sejam muitas vezes incluídas nessas Eucaristias Dominicais. E nos dias em que isso acontece aparecem inúmeras pessoas que, na sua esmagadora maioria, não costumam sequer frequentar a igreja! Este seu comportamento deixa-nos perplexos, repletos de porquês e a pensar no que fazer ou dizer a essas pessoas que ainda guardam no coração, pelo menos, alguns reflexos de Fé! Por que irão à igreja nessas ocasiões? Será por saudade da pessoa que partiu… para que os familiares do defunto ou defunta sintam o calor da amizade… para convencer a sociedade da sua conduta cristã… ou para se convencerem a si mesmos de que são cristãos e cristãs a sério? Uma das razões pode ser o pensar que, na eminente partida da qual ninguém pode fugir, tenham também o devido acompanhamento! Pode ser ainda o receio da morte… ou o desejo de que, realmente, seja concedida por Deus a paz e felicidade à alma do amigo ou amiga que se foi!
Talvez um pouco de tudo… ou talvez nada! Não sei! Mas, de qualquer forma, a morte sempre foi e continua a ser a grande promotora dos encontros de vidas! Famílias quase totalmente desligadas encontram-se na hora da despedida dos seus entes queridos! Amigos que mal se cruzam, fazem-se presentes nessas horas!
Tenho um grande amigo e companheiro de trabalho e inquietações que partiu santamente faz quase dois anos! Pouco depois de se ver fatalmente acorrentado pelos cancros que o vitimaram num curtíssimo espaço de tempo, escrevia-me: “Sabe… tenho pensado muito e sinto uma imensa paz! E até queria falar da morte… mas como deve compreender, eu nunca morri!”
Talvez… quem sabe, todos nós, e muito especialmente as muitas pessoas das Missas de 7º dia, sentirão também necessidade de falar da morte… que é tão natural como o nascimento! Mas, falar da morte nos momentos de morte física não é a melhor altura, uma vez que a sensação irremediável de perda não nos deixará pensar correctamente. A morte, não obstante a imensa tortura da saudade, para quem tem Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, não é o fim, é o começo, o momento da grande libertação, uma passagem para a vida eterna, o princípio de uma nova vida! Mas para que a morte, o momento mais importante da nossa vida, não cause medo e seja, como todos desejamos, um encontro jubiloso com Deus, temos de nos preparar para ela, muito para além da participação nos funerais e Missas de defuntos! Temos de falar na morte, acima de tudo, noutras situações mais convenientes que nos ensinem a viver em fraternidade de modo a nunca fazer aos outros o que não queremos que os outros nos façam, e a viver com toda a garra no mundo onde nascemos, mas, seguindo os passos der Jesus Cristo, com o pensamento na eternidade! Sabemos que a igreja é uma casa onde os filhos de Deus se juntam para fazer comunidade, meditar e rezar e aprender a viver segundo Jesus. Mas a verdadeira Igreja somos todos nós, os baptizados unidos a Jesus Cristo, mas que de pouco valerá sermos baptizados se não vivermos segundo a Fé do nosso Baptismo!
A Igreja é santa porque Deus é Santo, mas encontramos inúmeros defeitos nos homens e nas mulheres que são Igreja e vão à igreja… certos de que fariam muito mais asneiras se lá não fossem. Deus conhece todas as fragilidades e ama cada pessoa como ela é, o importante é que a pessoa queira amar a Deus e se deixe amar por Ele. Aproveitemos a oportunidade da morte de familiares e amigos para começarmos a ir à igreja muito mais vezes! Só frequentando a igreja podemos saber o que lá se passa e sentir o quanto as idas a essas casas de Deus nos ajudam no decorrer da vida.
A Fé é um dom de Deus que temos de agarrar com toda a força de que formos capazes. Que o Espírito Santo nos ajude!
(A publicar no Notícias de Cambra - Rubrica "Espiritualidade")

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

“Canudo… não é sinónimo de sucesso”!


 Há dias esta frase soou nos meus ouvidos, e eu interiorizei-a como um enormíssimo palavrão! Mas acabei por verificar que não é!
Sucesso é sempre um acontecimento bem sucedido, é um êxito. Ora, para conseguirmos o  “Canudo”, ou seja, o Curso de que, com mais ou menos custo, conseguimos o Diploma/Canudo com maior ou menor valorização, é sempre um sinónimo de sucesso, não o podemos negar!
Mas… fora os “Canudos”, poderemos afirmar que vivemos num mundo de “Doutores”?! Talvez! E quem dera que o pudéssemos cada vez mais!
Quando se ouve a expressão “Doutor”, normalmente, estamos a falar nesses “Canudos” conseguidos por aqueles e aquelas que, numa série de anos seguidos ou interpolados, se embrenharam nas inúmeras páginas de livros, algures, nas mais diversas “Faculdades”, na busca do saber organizado e planeado por quem, tal como eles, se credenciou de forma a poder, assim, ser chamado de “Doutor” ou “Doutora”, designação vasta referida a médicos, engenheiros, professores, psicólogos, psiquiatras… um sem número de designações todas ligadas ao estudo especializado e apurado de algo.
O “Doutor” aparece, assim, especializado e apto a dominar uma determinada matéria.
Mas, no meio de tudo isto que muito nos confunde a cabeça, deixamos de parte o “Doutoramento” tirado a partir do quase nada, numa aprendizagem mecanizada, organizada e assente numa cuidada e aturada experiência de vida.
Há dias, ao presenciar uma cena de dois desses “Doutores” que a Universidade da Vida foi formando, fiquei perplexa.
No arranjo de uma casa, havia um montão de telhas para colocar no telhado. Por considerar a tarefa morosa e difícil… fiquei de olho neles!
Pouco tempo depois, ouvi os dois operários rir às gargalhadas, enquanto falavam no “tiro aos pratos”.  E apressei-me a ver do que se passava!
Então, o Leonel, sobre a relva do jardim, atirava com força, uma a uma, as telhas amontoadas… que o Luís, sobre a casa, apanhava com toda a perfeição e esmero. E em poucos minutos, o montão das telhas estava no local exacto, pronto a colocar no telhado!
Então perguntei onde arranjavam tanta força e certeza para não deixarem cair as telhas, ao que entre sorrisos, responderam à uma:
- É fácil, são os nossos exercícios de emagrecimento!
Fiquei um pouco sem palavras, depois do que continuei:
- Pois é! Realmente, sem sombra para dúvidas, cada um, na sua profissão, é “Doutor”!
E retirei-me a pensar que, perante tudo isto, poderemos concluir que, de facto, “Canudo”, quando se consegue, é sempre sinal de sucesso, mas poderá não o ser no desenrolar da vida, daí a expressão: “Canudo… não é sinónimo de sucesso”!
E quanto ao afirmar que vivemos num mundo de “Doutores”, na medida em que cada pessoa em particular e todas em geral tiverem uma boa formação profissional e forem responsáveis na execução dos seus trabalhos… vivemos num mundo de “Doutores”!
Então, como o saber não ocupa lugar, como aprender é uma necessidade do Ser Humano, e como a sociedade precisa tanto de “Canudos” como de “Doutores”… sejamos pródigos em ofertar-lhos!

(A publicar no Notícias de Cambra)

domingo, 13 de novembro de 2011

Época de mudanças!...




As pessoas são naturalmente maldizentes, com tendência de se julgarem importantes e amigas de evidenciar a sua bondade perante os desatinos dos outros. Mas… os dias que correm são tempos de mudança. As nossas atitudes de ontem não podem ser as de hoje… e muito menos poderão ser as de amanhã!...Temos de aprender que as únicas críticas que poderemos fazer com segurança são as feitas a nós mesmos, aos nossos comportamentos errados.
Desculpem-me se, de certo modo, me estou a repetir, mas há coisas que me preocupam por demais. Se conseguíssemos abandonar a cegueira do egoísmo, tudo seria muito deferente! O presente, elo de ligação entre o passado e o futuro, é feito com as nossas vivências de cada dia, em que temos de recordar o passado para aprendermos com ele a melhor forma de nos lançarmos na conquista de um futuro mais risonho.
Há dias recebi um email com alguns escritos de Eça de Queiroz que se adaptam maravilhosamente à época em que vivemos. Isto faz-nos lembrar que a vida social é cíclica! Embora com outras personagens, de tempos a tempos, as crises repetem-se. E para as resolver é preciso que cada um de nós faça tudo quanto for possível para todos sairmos beneficiados.
Nada acontece por acaso! A grande maioria das pessoas tem vivido do prazer e gozo imediatos! Na ânsia desregrada do “ter” têm sido praticadas as mais insuportáveis barbaridades, pois há pessoas que falam de solidariedade mas que foram e são capazes de encher desmedidamente os próprios bolsos sem olharem ao caos que as suas atitudes provocaram e provocam. Depois, como formas de reaver dinheiro… há quem se lembre de entrar nos bolsos dos pobres coitados que sempre sobreviveram dos seus salários trabalhando para o bem-estar da sociedade, sem luvas de ninguém e a pagar os seus impostos. E esses que encheram os bolsos e continuam a encher com a entrada de várias e chorudas tranches mensais com subvenções vitalícias provindas das mais diversas ocupações… sem olhar ao sofrimento alheio… esquecidos de que a crise a que o País chegou proveio, acima de tudo, desses comportamentos!
Os nossos legisladores deveriam apurar que o 13º mês ou acerto dos salários auferidos pelos trabalhadores ao longo do ano, e o subsídio de férias, juntos, nada são em comparação com um pequeno nada das benesses desses tais! Eu não posso acreditar que tenhamos portugueses assim!...
O ser ministro, deputado, presidente ou seja lá o que for, com todo o respeito que merecem, são cargos a ocupar na nomenclatura social que para nada serviriam sem as massas que os elegeram.
Neste tempo de mudança urge mudar mentalidades, urge interiorizar que todos nós, do que ocupa os mais altos cargos até ao simples varredor de ruas, temos de viver para servir, não os nossos próprios interesses… mas os interesses comuns de todos nós! 
“Quem não vive para servir… não serve para viver!” Se todos pensássemos uns nos outros, a justiça social seria evidente e não haveria crise nenhuma, tenho a certeza!

domingo, 30 de outubro de 2011

Existência(s)


A vivência da espiritualidade é uma busca quase infinita do transcendental. Dentro da espiritualidade consideramos ser de significativa importância a questão concernente à diferença entre a teoria da vida única e a teoria das vidas múltiplas, nas implicações que isso tem.
Importa antes de mais corrigir os termos, para bom entendimento: em vez de “vida única” e “vidas múltiplas”, deverá dizer-se “existência única” e “existências múltiplas”, porque em realidade há para cada indivíduo uma única vida, resuma-se ela a uma só existência corpórea, seja ela constituída por múltiplas existência corpóreas, pois que neste segundo caso a personalidade integral subjetiva e consciente é sempre a mesma, apesar de revestir-se de aspetos objetivos diferentes.
A importância prática resultante da diferença entre estas duas teorias está em que a existência única não explica satisfatoriamente as desigualdades de inteligência, de moralidade, de saúde, de oportunidades, (o que leva a pôr em causa a justiça, a sabedoria e a bondade divinas) ao passo que a teoria das existências múltiplas dá essa explicação com a lei de causa e efeito, lei que tem suporte evangélico e científico.
Sabermos o que significa “o espírito é como o vento: sopra onde quer, ninguém sabe de onde vem nem para onde vai” e “temos de nascer de novo” , não impede o livre-arbítrio, porque nada o impede, mas faz-nos pensar duas vezes antes de agir, na certeza de que o que fizermos nesta existência terá repercussão em nós próprios em existência futura. A sabedoria popular afirma-o com o ditado: “como fizeres, acharás”.
Sendo, portanto, quase infinita a busca do transcendental, que sendo ele próprio o infinito – Deus - não podemos chegar à sua posse, (por isso o “quase”) temos de convir que cem anos que sejam dão para muito pouco, carecendo de lógica o senso de que a beatitude, que é decorrente da aquisição do amor e do total conhecimento das coisas, se obtém  com mínimo, ou nulo, esforço. 


A.   Pinho da Silva


Se lermos com muita atenção, verificaremos que a teoria das “existências múltiplas”, base do Espiritismo, leva a agir com precaução e amor para não ser magoado em existências futuras; a existência única leva a agir com amor em busca da comunhão fraterna e eternidade feliz. O aperfeiçoamento espiritual e humano com uma vida de doação e amor está subjacente a ambas as teorias.
Sejamos sinceros connosco mesmo e com quem connosco convive, dando constante glória a Deus com as nossas vidas agraciadas pelo verdadeiro AMOR, qualquer que seja a nossa teoria! A seu tempo, quem sabe, poderemos entrar em mais pormenores sobre a suma importância destas questões!

H. N

Texto de António Augusto, publicado no Notícias de Cambra