quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lágrimas sentidas!

Eram os últimos minutos de mais um domingo… com suas vivências especiais… como tantos outros! O telefone tocou… e eu atendi! Do outro lado da linha… alguém… muito confusa e desajeitadamente, sem saber muito bem como dizer, me perguntava: Sabes se é verdade… que o “Rato” morreu? Minha irmã disse-me que a mãe dele o encontrou enforcado, algures, lá na casa!

Perplexa… boquiaberta… e não sei que mais… respondi: Não sei!... Não pode ser!... Ele amava a vida! E logo agora, que estava a tentar endireitar, que o via na Missa com a família, que saía da camioneta com as filhas, que já trabalhava por aí para os amigos... sempre limpo e arrumado… ele nem sequer tinha cara de drogado… não pode ser?!...

A conversa foi pouco prolongada e acabou com a dádiva de um número que serviu para nos confirmar o infausto acontecimento, poucos minutos depois.

Então recordei a Ambulância desesperada e precedida por um carro da Polícia que cruzou connosco no regresso de Santa Maria da Feira.

Tentei reprimir os sentimentos… pois o “Rato”… era o António… para mim uma espécie de “Filho Pródigo” que me procurava algumas vezes e a quem eu protegia como melhor entendia!

Agora… eu não terei mais o António a tocar-me a campainha, às vezes nas horas mais inconvenientes!... Não será mais preciso dizer-lhe palavras de incentivo e confiança… de admoestação e segurança… levá-lo algures… ouvir o marido desesperado porque foi ajudar o António que, afinal, dissera uma coisa e fizera outra!

O António, era assim! Nas boleias… falava dos tempos áureos da sua vida, em que o trabalho o levara ao sucesso e vivia atarefadamente feliz! E prometia, doce e humildemente, melhorar o comportamento.

Recordo os sonhos que levava na sua última ida à Suíça, de onde chegou, na época do frio em que o trabalho da Construção Civil escasseia… com prendas para as filhas e a pensar no regresso àquele País para lá continuar a governar a vida… o que nunca mais aconteceu… não o chamaram… não o aceitaram… nunca se soube porquê... tinham-lhe prometido apoio lá… eu confirmei-o, pessoalmente, em conversa telefónica, através de um número que o António me dispensou!...

É inacreditável a forma como o mundo trata as pessoas… na altura em que mais precisam de apoio! Uma drogada ou drogado… é sempre um “ser humano” que, ao contrário de críticas, merece todo o nosso carinho, respeito e atenção. Se soubéssemos ouvi-los sem criticar, quanto bem lhes poderíamos fazer!... A mãe do António, um dia, entre lágrimas, contou-me a causa da tremenda queda do filho!... As mágoas da vida, incontidas e mal aceites, lançam as pessoas no mais profundo desânimo, e o tentar afogá-las nas drogas, leva à maior das misérias!... Quando vejo essas “misérias humanas” a vaguear pelas ruas… penso logo no que lhes terá acontecido para ficarem assim… e lembro os meus filhos e netos… sobrinhos e sobrinhas… jovens que acalentei na Escola ou Catequese… a quem o mundo pode ferir do mesmo modo.

O coração sangra por todos os lados! Ninguém se afunda ou levanta sozinho!… Conscientes ou não… somos a causa do sucesso ou fracasso de quem connosco convive! Esta é uma realidade que não podemos esquecer!

O António… não mais pisará as ruas da nossa cidade… mas vão continuar a vaguear por ali muitos “Antónios” a quem não podemos ficar indiferentes! Estou certa de que, por eles, haverá sempre algo mais a fazer.

António! Ajudaste-me a crescer! Agora, que podes ver o mundo como ele realmente é, pede ao Senhor que se faça algo para que os teus companheiros de infortúnio encontrem o caminho do bem…e acolhe no teu regaço as orações e lágrimas sentidas que vertemos por ti! Descansa em Paz! Até sempre!



Hermínia Nadais
A Publicar no Notícias de Cambra

domingo, 12 de junho de 2011

A vida é uma festa!

O mês de Junho é pródigo em folias! Evocando as festas, será melhor pensar na vida… que terá de transformar-se na melhor das festas… para não ser tida como imensamente fastidiosa.

Para que a vida possa ser uma festa, tal como acontece com todas as festas que conhecemos, para correr bem, tem de ser bem preparada e acompanhada.

Somos seres sociais por excelência! Toda a nossa vida se desenrola numa comunidade! Conforme as pessoas que formam essa comunidade, pode haver um ambiente mais ou menos comunitário, onde cada pessoa tem uma função específica a realizar. Somos todos diferentes. As diferenças são a base de toda a nossa riqueza, por isso, temos de as por ao serviço de quem nos rodeia. A vida, impreterivelmente, tem de ser comunitária. Ou é comunitária, ou nunca poderá ser vida plena.

Lembrando o viver de uma comunidade… podemos comparar a vida a uma equipa de futebol. Se as pessoas aprendessem a actuar na vida como bons jogadores, colocando-se cada um no local onde conseguisse melhores resultados numa actuação plena e interacção constante entre todos os companheiros e companheiras de jornada … haveria maior fraternidade, união, amor e paz… e o mundo seria muito diferente daquilo que é!

Mas… a maior parte de nós não tem a coragem de ser equipa de futebol… porque isso exige muito desprendimento, atenção, esforço e dedicação!

Para uma boa exibição em campo, quantas aprendizagens bem treinadas efectuam os jogadores… sem olhar a tempo, situação ou sacrifícios!

Tal como eles, para sabermos colocar-nos bem no jogo da vida, teremos de ser fortes e perder o medo, de ser alegres e unidos, de nos sentirmos humildemente úteis e complementares, de perdermos os respeitos humanos no sentido de nos revelarmos tais quais somos, com os defeitos e qualidades que são inerentes a qualquer ser humano como nós.

A glória só será possível quando nos sentirmos parte de um todo onde podemos e devemos dar o nosso melhor… porque a sociedade será tanto melhor… quanto melhores nos tornarmos a nós mesmos.

Não podemos esquecer que a grandeza e impetuosidade do mar provem da infinidade de gotas por que ele é formado. Sejamos gotas desprendidas e atentas… no mar da vida!

Depois de uma tempestade, vem a bonança… mas na bonança devemos preparar-nos para enfrentar as tempestades.

Que a nossa força interior, cheia de novidade e originalidade apoiada na força da união acabe com os nossas fraquezas e extravios e faça de nós pessoas fortes e coesas, majestosas como o mar, para uma vida realizada e plena na alegria de uma permanente festa!


Hermínia Nadais
A Editar no "Notícias de Cambra!"

domingo, 29 de maio de 2011

Ah!... meu Portugal!...

O que te irá acontecer... eu não sei! E por mais que me proponha escutar os políticos, os críticos e os que se julgam entendidos… menos certezas tenho do que irá, de facto, acontecer-te.
Tenho pensado muito na sabedoria popular tantas vezes desprezada e que, a brincar, nos vai dizendo um sem número de verdades que, se atempadamente interiorizadas, certamente que tudo estaria bem melhor para o povo português.
A esta parte, vou partilhar a minha interacção com os provérbios, a começar por um que me parece deveras elucidativo: “Cada um tem o que merece!”
Partindo do princípio que isto é verdade… pelo que está a acontecer connosco… é muito urgente começarmos a pensar e agir de forma diferente daquilo a que estamos habituados… para merecemos, realmente, uma vida familiar, pessoal e social que nos dê um pouco mais de compreensão, harmonia, paz e bem-estar.
Há outro provérbio que também julgo de suprema importância: “ Cada um dá do que tem!”
Perante esta certeza… além de muitas outras situações em que me tenho visto embaraçada, quando me ponho a pensar onde vou deitar a cruzinha no dia 5 de Junho… depois de analisar profundamente muitas das maravilhosas qualidades que todos os nossos políticos têm, irremediavelmente, surgem-me também os defeitos… e no final da reflexão pergunto-me que raio de portugueses somos nós para darmos ao nosso País uns políticos tão radicais, desleixados, imprecisos, incoerentes, sonhadores, indecisos, faladores, críticos, cínicos, pessimistas, optimistas, preguiçosos… terrivelmente difíceis de aceitar… de compreender… e de escolher?!...
Sinceramente, ‘se cada um dá do que tem’, parece-me que temos muito pouco para dar.
Vou recordar ainda mais um provérbio: “O que fazemos é o espelho daquilo que somos!”
Para conseguir interiorizar a mensagem desta pequena frase… faz tempo… muito a custo… comecei a aprender a pôr-me muitas vezes frente ao espelho… aquele espelho em que muito claramente nos olhamos sem espelho nenhum!...
Custou-me muito…e ainda hoje me custa muito! Isto de termos que admitir que somos culpados quando somos culpados… e que ainda temos poucos conhecimentos, pouca experiência e maus feitios… dói demais! Mas é a única forma de nos modificarmos. Nunca iniciaremos sequer a luta contra os nossos defeitos e o aperfeiçoamento das nossas qualidades se não tivermos a coragem de nos olharmos tal qual somos, com qualidades e defeitos.
Se todos os portugueses conseguissem ver a sua própria actuação na situação do País à sombra deste provérbio… como tudo seria diferente!... Os cidadãos e cidadãs assumiriam os seus erros e deixariam de criticar os políticos, e cada político olharia mais para si mesmo no sentido de saber assumir as suas próprias culpas e deixaria de falar tanto dos defeitos e erros dos outros; e quando sentisse felicidade por ver as suas capacidades reconhecidas, ganharia coragem para enaltecer as qualidades dos outros.
Somos seres sociais por excelência, e no bem ou no mal da sociedade, acreditemos ou não, todos somos culpados, como políticos ou como simples cidadãos comuns. Ninguém pode ficar de fora! Por isso, mudemos, sem demora, a nossa forma de ver e de viver, para que possamos ter melhores perspectivas de vida.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estou cansada!...

Não sei como começar… nem o que dizer. Parece que vejo tudo escuro como a noite… e não consigo vislumbrar sequer um pequeno raio de luz. E não são efeitos da crise... são efeitos daquelas crises que às vezes nos batem à porta e das quais não conseguimos mais sair sem que o tempo nos cure das amarguras sentidas.
A vida tem inúmeros imprevistos… e quando pensamos cortar botõezinhos de lindas rosas… esquecemos de que as mais belas rosas também têm agudos espinhos com que temos de conviver.
Por falar de rosas, estamos em pleno mês de Maio com toda a beleza que o circunda… este ano manchada pela barafunda de uma desagradável campanha eleitoral.
A esta parte… confesso que estou cansada! Cansada de ouvir políticos aos berros, a criticar uns aos outros, a apontar defeitos e a prever situações ainda mais precárias do que aquelas em que inúmeros portugueses vivem; cansada de ouvir falar de crise… e de ver, ao lado de grandes dificuldades que poucos tentam ajudar a resolver, cafés e restaurantes a abarrotar e grandes superfícies cheias; estou cansada de dizer que é urgente, acima de tudo, mudar mentalidades criando hábitos mais salutares de trabalho e de contenção de gastos a todos os níveis; estou cansada de dizer que o mais importante é invisível aos olhos e por isso mesmo as pessoas devem interessar-se mais com o ser coerentes, amigas e honestas, do que com o ter muito dinheiro e haveres; estou cansada de dizer que, se todos fossemos capazes de colocar os interesses dos outros, se não acima, ao lado dos nossos… o mundo seria muito mais humano e acolhedor e os corpos nunca ficariam nus nem nas mesas faltaria pão.
Quando oiço falar em recessão… fico apavorada… pois a riqueza mundial não pode ter desaparecido! Está, com a maior de todas as certezas, na mão de meia dúzia de magnates que passam a vida esquecidos de que, quando os seus corpos cansados e deteriorados pelo tempo tiverem que baixar ao pó de onde todos os corpos saíram e para onde todos os corpos vão, não levam nada com eles e só não vão de mãos a abanar porque os ricos caixões onde vão metidos lhas aconchegam no seu seio.
Para quê… tanta ganância! Para quê… tanta preguiça! Para quê… tanta mentira e confusão! Para quê… tantas ocupações e ordenados sobrepostos ao lado de tantas pessoas desempregadas! Para quê… tanta alimentação estragada com tantas pessoas a passar fome! Para quê… tantas incompreensões e devaneios!...
Não sei! E não sei se quero saber… pois quanto mais sei mais me preocupo, e como as preocupações não levam a nada… de que me adianta saber???
Vivemos num país que se ufana de ser católico! Contudo… quando me chegam descrições de comportamentos de japoneses face à enorme catástrofe natural que abalou o Japão, pergunto-me a mim mesma por onde anda o catolicismo da esmagadora maioria dos portugueses!...
De nada adianta dizer que somos católicos… é preciso, sim, portarmo-nos como católicos que dizemos ser! Mas não de brincadeirinha, católicos verdadeiros, a viver segundo as regras que Jesus Cristo viveu e nos legou!
Que Ele, pela Sua infinita misericórdia, esteja presente na cabeça, no coração e na vida dos portugueses, para que destas eleições saia algo de bom para a felicidade de todos nós!

Hermínia Nadais


A Publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 8 de maio de 2011

HOMEM... admite-te tal como és!...

É voz corrente que o mundo está muito mau ou muito mal. As catástrofes naturais são cada vez mais uma constante, facto que muitas vezes se atribui ao comportamento humano no seu enorme desenvolvimento, mas o mundo não pode ser visto só pela instabilidade do clima. A instabilidade das razões e dos corações é muito mais forte.
Eu, muito sinceramente, diria que o Homem não está tão mal nem tão mau como é apresentado diante dos nossos olhos!
Todos temos qualidades que urge implementar e defeitos que urge erradicar. Mas, de uma maneira quase geral, temos a tendência natural de minorar as pessoas que nos rodeiam… uma forma camuflada de tentarmos evidenciar algumas das qualidades de que fomos dotados.
Este nosso comportamento é totalmente errado. Quem tem de reconhecer publicamente a existência das nossas qualidades são as pessoas com quem convivemos, e nunca nós. A nós cabe-nos somente pôr tudo o que somos e temos ao serviço dos outros, tendo como auto-reconhecimento das nossas boas acções apenas os profundos sentimentos do dever cumprido que nos encherão a consciência de paz e tranquilidade. São os acontecimentos com que nos deparamos na vida que nos dão esta certeza.
Hoje é o dia 1 de Maio, Dia Mundial do Trabalhador, que coincidiu com o segundo Domingo de Páscoa ou Domingo da Divina Misericórdia, assim proclamado pelo saudoso Papa João Paulo II na celebração do Ano Jubilar de 2000. Providencialmente, este Papa partiu para o Pai na tarde do dia 2 de Abril de 2005, vésperas de Domingo da Misericórdia. E mais uma vez, para lhe conceder a honra de Beato, foi escolhido o Domingo da Divina Misericórdia.
Quem teve a dita de poder estar atento à televisão pode ver inúmeras imagens do Vaticano, a abarrotar de gente provinda dos mais diversos cantos do Mundo… gente com os mais divergentes gostos e interesses… à volta daquele que passou a vida gritando aos corações que abrissem as portas, que escancarassem as portas a Cristo.
Não quero, de forma alguma, fazer sequer uma pequena apologia de tudo quanto esse GRANDE HOMEM fez, mas evidenciar a sua tão assumida Humanidade, Humildade, Fortaleza, Temperança, Determinação e AMOR, muito AMOR, AMOR a transbordar.
Diante do Beato João Paulo II podemos aplicar aquela célebre frase que identifica todos os grandes homens e mulheres do nosso mundo: “Dai-me HOMENS que vos darei cristãos”.
A caminhada de santidade de João Paulo II foi reconhecida por crentes e não crentes, que vêem nele um HOMEM excepcional, com um imenso amor à vontade de Deus e ao bem-estar dos homens, a quem se entrega sem peso nem medida. As suas acções, exercidas com o mais intenso sentido de bom humor e responsabilidade, marcarão para sempre a história da Igreja e do Mundo.
Que, de olhos postos nos pequenos e grandes gestos de sua vida, cada um de nós tenha a coragem de se assumir tal qual é de modo a lutar contra os defeitos e a desenvolver ao máximo as qualidades, para que o mundo possa ser, na realidade, mais humano e fraterno.
Beato João Paulo II, que tanto te esforçaste pela união e desenvolvimento de todos os povos, religiões e culturas, ora por nós!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

terça-feira, 19 de abril de 2011

Acordar inesquecível!...




O Sol sorria por entre a ternura dos dias abrilhantados pelas esplendorosas cores primaveris, onde a beleza da paisagem fazia esquecer todos os horrores que, a passos largos, iam esmagando a vida das pessoas, já bastante trémulas e titubeantes.
As incertezas do amanhã esmoreciam o alvorecer, enquanto o planeta continuava a rodar, na sua constante e inconfundível caminhada, disposto a acolher a firmeza de todos os passos mal andados… reanimados pela fortaleza de decisões firmes e inabaláveis que urgia implementar.
A Lua, atenta e vigilante, apercebera-se de todos os problemas da Humanidade e apressara-se a pedir ao Sol uma luz mais forte para lançar sobre a Terra. E foi assim que, com a noite mais iluminada, muitos homens tiveram que deixar de fazer as suas habituais traquinices – que ninguém via… mas toda a gente sentia profundamente nos corpos sofridos e cabeças desesperadas, com braços já sem forças e pernas sem ânimo para enfrentar novas aventuras.
Por escassos momentos… tudo pareceu inerte… um autêntico clima de morte desesperada e fria… o fim!
Inesperadamente, sentiu-se como que o ribombar de um trovão… e uma lufada de ar fresco e reconfortante pareceu encher o Universo e tornar mais vivo e charmoso o verde dos campos e o colorido das flores. Alguns animais, das mais variadas espécies, passeavam pelo vale, calmos e pachorrentos… sob o sobrevoar de bandos de inúmeros pássaros alegres e chilreantes.
Macambúzios e desconfiados… surgindo de todos os lados, foram aparecendo muitos homens e mulheres, bem vestidos/mal vestidos… nutridos/desnutridos… olhando para todos os lados, como que à espera que algo acontecesse. As crianças, descontraídas, saltitavam e brincavam com alegria, sem olhar a sexo, raça, condição ou cor.
Aos poucos… demoradamente… os homens e as mulheres, alternavam o olhar em redor com o olhar sobre si mesmas e o entreolharem-se entre si!... A perplexidade e amargura dos rostos, aos pouquinhos, ia-se tornando mais leve, enquanto os semblantes se iam enchendo de humildade, piedade, solidariedade… e se sentia que os corações começavam de bater mais compassada e ritmadamente, expressando gestos de ternura e carinho, de compreensão, de aceitação, de amor e de paz. Em voo rasante… um pequeno avião ia deixando cair brancas pétalas… de esperança.
Acordou-me… o despertador… e foi-me difícil perceber que toda aquela visão inesquecível, onde ninguém fez nada por ninguém mas todos (cada qual por si mesmo…) fizeram tanto... foi apenas um sonho!
Restou-me a confiança de que, se “o sonho comanda a vida”, é possível que cada pessoa se torne cada vez mais responsável por si mesma para bem de todas os outras.
Para todos, uma Páscoa muito Feliz!

Hermínia Nadais




Publicado no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Homem... humaniza-te!...


Todos temos a certeza de que os homens/mulheres são seres superiores dotados de faculdades muito diferentes de todos os seres criados, com capacidade de se auto-dirigir e de se orientar a si mesmos descobrindo a cada momento novas formas de ser e de viver.

Contudo, grande parte da Humanidade tem-se voltado muito mais para o “ter” do que para o “ser”, facto que deteriora as verdadeiras relações humanas e vai levando o mundo a um caos cada vez maior, com os ricos a querer ficar cada vez mais ricos em detrimento dos pobres que irão ficando cada vez mais pobres.

Em Espiritualidade, temos que ter em conta a grande diferença entre o ser pobre de espírito e o ser materialmente pobre, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Faz tempo… e ainda hoje, nos meios menos desenvolvidos espiritualmente… ser materialmente pobre significava ser amparado e protegido por Deus, o que veio a verificar-se que isso não é verdade, pois há muitos ricos pobres e muitos pobres ricos!

Deus não quer pessoas materialmente pobres, muito pelo contrário, ELE quer que todos tenham o indispensável para uma vida saudável e minimamente feliz.

Ser materialmente muito pobre… ou muito rico, é uma situação contrária à pobreza de espírito que Deus quer de nós e nos vai pedindo a cada momento.

A grande riqueza e a pobreza extrema, normalmente, são inimigas do verdadeiro amor! Quando as pessoas são muito pobres, a sua principal preocupação é a luta pela sobrevivência; quando as pessoas são materialmente muito ricas a sua principal preocupação é a luta pela conservação e aumento das riquezas. E nenhuma desta situações deixa a pessoa livre para amar pensando adequadamente na sua vida interior e na relação consigo mesma, com Deus e com os irmãos, na busca constante do bem-estar para todos.

A vida é uma caminhada… e o caminho faz-se caminhando! Nunca poderemos saber o dia de amanhã! Apenas somos senhores do presente, e é no presente que temos de procurar viver segundo a razão para que fomos criados – o AMOR, a FELICIDADE.

A verdadeira felicidade é o sentirmo-nos bem connosco próprios, com Deus e com o mundo! A verdadeira felicidade brota do nosso interior, da satisfação do dever cumprido, de termos a certeza de que somos amados e queridos por alguém.

Deus é AMOR! Deus ama… o bom e o mau, o justo e o injusto, o bonito e o feio, o orgulhoso e o humilde… ama quem O quer amar ou quem O odeia, porque “Deus é Amor”… não precisa de nós para nos amar… e onde houver amor/caridade, habita Deus, porque sem Deus não há amor.


Amigo/amiga, ainda que ninguém goste de ti, Jesus morreu por todos, também por mim e por ti. ELE, o mais humano de todos os homens, ama-me, ama-te, e a única coisa que nos pede, é que nos humanizes cada vez mais.

Então, homem!… humaniza-te!..

Nós podemos dizer que não conhecemos nem seguimos Deus… mas somos obra e pertença de Deus que nos ama infinitamente tal como somos, crentes ou descrentes, com defeitos e qualidades… mesmo que nós, decididamente, não O queiramos conhecer nem amar! E quem é feliz e dá felicidade, crente ou não, está com Deus e Deus está com ele. Não critiquemos uns aos outros! Aceitemo-nos mutuamente, no AMOR de DEUS!



Publicada no jornal "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 30 de março de 2011

Haja dignidade...



Estamos em pleno tempo de Quaresma. Num País que se diz católico, deveria ser um tempo de reflexão e de mudança, que talvez seja para alguns… mas pelo que me ocorre… talvez para muito poucos.
Pela parte que me cabe… em face de tudo quanto a Comunicação Social nos vem fazendo chegar a casa todos os dias… e pelos problemas que me consomem de tempos a tempos e para os quais não vejo grande solução… depois de muito pensar… cheguei à conclusão de que o dinheiro e as riquezas são o maior motivo de quase todas as desavenças sociais e até mesmo familiares.
Tanta ganância… para quê… se tudo deixamos ficar por aqui quando partirmos!... Eu não compreendo… eu não posso compreender… eu não consigo compreender!!!...
Passámos a vida na busca constante de felicidade… e acabámos, a maior parte de nós… a procurá-la nos bens materiais, que é onde ela não existe.
Que adianta ter muitas coisas… muito dinheiro e riqueza… se passámos a vida agarrados ao trabalho e às preocupações de manter e aumentar os proventos… esquecidos de nós mesmos e de quem nos rodeia… ou… o que é pior ainda… a complicar a nossa própria vida e a vida de quem nos rodeia? Não adianta nada… porque os bens materiais só nos são úteis na medida em que nos ajudam a ser felizes e a fazer os outros felizes… tudo o que vai além disto só cria complicação.
O que se está a viver não faz sentido! Por que havemos de ver sempre uma pequena parte da nossa sociedade a tentar enriquecer e esbanjar no gozo permanente de todos os prazeres da mesa, passeios, mordomias… enquanto a esmagadora maioria mal tem para sobreviver… e aos que têm pouco ainda lhes querem tirar o resto?!... Eu não compreendo, nem nunca irei compreender!
E não adianta falar mal dos governos… porque os governos portugueses, tal como os governos de todas as outras nações, são o fruto da mentalidade do povo que os elege. E assim sendo, falar mal dos governos é falar mal do povo, ou seja, de nós mesmos… mas cada um sabe como procede… talvez… quem sabe… a grande maioria de nós tenha mesmo razão para se criticar a si mesmo, só que ainda não encontrou sabedoria e coragem para o fazer.
Se nas pequenas coisas da vida diária, algumas pessoas lutam tanto para conseguirem enganar os outros e ficarem com um pouco mais… se essas mesmas pessoas chegassem ao poder aumentariam os salários e reformas chorudas sem se preocuparem com os demais… tenho a certeza!
É este o triste cenário do povo português que temos. Urge mudar mentalidades!
Se queremos que o País cresça… temos que crescer nós mesmos, não só em riqueza material que também é necessária para todos, mas em humanidade e moralidade, justiça e verdade, vontade de trabalhar e de repartir, ou seja, temos de aprender a viver em pleno a fraternidade humana, onde o trabalho e honradez sejam uma constante e o supérfluo de uns seja aproveitado para o bem dos outros de modo a que todos tenham uma vida mais digna e dignificante.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Bem e o Mal

A vida é feita de aprendizagens permanentes que só ajudarão ao crescimento se pensadas, interiorizadas e aceites. A princípio poderão parecer difíceis, mas com a prática tornar-se-ão cada vez mais fáceis e normais. Na aprendizagem há que conjugar a lei do menor esforço que o corpo ordena com a força espiritual que nos leve a praticar o que mais convém ao desenvolvimento harmonioso da humanidade que cada um possui.
Uma vida que se nos apresente realizada e feliz esconde um grande trabalho intelectual e espiritual e muitas renúncias e esforços para fugir da prática do mal.
O corpo é o bilhete de identidade de uma pessoa, é com o corpo que a pessoa se relaciona consigo mesmo e com todo o resto do mundo, pelo que deve merecer todo o cuidado e atenção. O corpo para uma vida será sempre como uma criança sedenta de aconchego e carinho, o que lhe é realmente devido, mas sem exageros ou caprichos.
Querer é poder. O querer e o poder estão na mente… que se não vê… mas o que nela idealizarmos levará a que tudo à nossa volta se desenvolva no sentido dos nossos desejos, daí o dizer-se que “o sonho comanda a vida”.
Nas lutas constantes travadas entre as nossas necessidades corporais e espirituais estão inseridas duas forças muito fortes e antagónicas, a força do bem e a força do mal, pelo que devemos respeitar todas as pessoas que nos rodeiam ainda que sejam as piores possíveis, pois quando uma vida surge num ambiente em que o mal predomina sobre o bem a pessoa terá muito mais dificuldade em encontrar as formas de praticar o bem… sem culpa própria… o que a desculpabiliza.
Todavia, o ambiente próximo pode não ser de todo determinante. A pessoa, ao crescer, começa a alargar os seus horizontes e a formar a sua consciência pessoal, onde tudo pesa: as características pessoais, a hereditariedade, o ambiente próximo e cada vez mais o ambiente alargado, de modo a que o discernimento entre o que é bem e o que é mal se vá tornando uma realidade cada vez Maios evidente. São as acções praticadas queque tornam visível a a realidade do ser e o identificam como bom ou mau, mas que não pode ser visto de forma determinante, pois a vida está numa constante transformação, e o que hoje nos parece mau, amanhã pode apresentar-se-nos muito bom.
O bem e o mal são como duas plantas que crescem lado a lado, bem perto uma da outra, mas com processos de alimentação diferentes. O bem será cada vez maior se cultivarmos em nós o desejo de sermos bons e praticarmos boas obras, mas se praticarmos obras más estarem9s a alimentar o mal.
A força do mal esconde as amarguras que causa em embrulhinhos muito bonitos de papel dourado e lacinhos cor-de-rosa, ou seja, em prazeres imediatos que uma vez vividos deles não resta nada, só ódio e desilusão.
De contrário, a força do bem, tem embrulhos maltratados, não é atraente à primeira vista porque custa a realizar, mas os seus frutos produzem serenidade e paz duradoira, porque é enraizada no amor.

sábado, 19 de março de 2011

Diferentes e iguais

Pelo menos uma coisa há em que todos somos iguais: na imperfeição. E porque imperfeitos, susceptíveis de errar. Uns mais do que outros mas, como é lógico, todos sofrerão as consequências dos seus erros, numa existência ou noutra. Garantido, porém, é que cada um paga a exacta dívida que contraiu perante as leis imutáveis que regem o universo, materiais e morais, que são, todas elas, criação de Deus.
(Deus: inteligência suprema, causa primeira, ou primária, de todas as coisas. Aristóteles chamou-lhe motor imóvel.)
Mas paga apenas a exacta medida da dívida (juros é com as instituições de crédito). Desse modo, desaparece essa concepção da Idade Média chamada de Inferno e ganhamos a liberdade de errar. Com a liberdade de errar podemos aprender com os erros, e de aquisição em aquisição acabamos por saber amar.
O medo não elimina a imperfeição, apenas a mascara, ao passo que o amor aperfeiçoa. Afinal, conhecemos Deus no amor. E o amor esbate diferenças e ao esbater diferenças une. Quando unidos, já não seremos iguais na imperfeição mas iguais no amor. E é aqui que entra aquela injunção de “não separe o homem o que Deus uniu”. Donde, o pacto estabelecido fora do amor é mero acordo de conveniência sem outro valor que não o da legislação humana. Por isso tão instáveis e efémeros no tempo.
Sermos iguais na imperfeição, a consciência disso, leva a que toleremos melhor o outro com os seus equívocos, porque também nós mesmos estamos sujeitos a equívocos. Combater ideias é bem diferente de combater pessoas e só combate pessoas quem não sabe combater ideias. Donde também, é possível apesar dar diferenças dar as mãos para em conjunto construir o reino de Deus no coração do homem.

a. pinho da silva
Texto de António Augusto, na rubrica ESPIRITUALIDADE, In "Notícias de Cambra"