terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Natureza em festa!



A noite estava adiantada! O tempo fresco! E eu pronta para mais um dos meus encontros a que de forma alguma queria faltar! Sim, porque o desenrolar da vida é todo feito de encontros e desencontros, e este, sempre o imaginei belo, útil e necessário! 

O carro ficou distante! Depois de alguns largos metros, encontrei a porta da Assembleia aonde me dirigia aconchegada por jovens sorridentes e hospitaleiros que me olharam carinhosamente: “Vem para a Palestra? Faz favor de entrar!”

Entrei! Entrei num local onde antes não me lembra ter entrado alguma vez! Estava habitado por um ambiente muito familiar, no final de uma refeição entre familiares e amigos!

A avó do palestrante veio ao meu encontro levar-me até ao neto, e, na ausência de amizades mais íntimas para mim, a preocupação era que eu ficasse junto de alguém com quem eu me sentisse bem integrada. E foi o que aconteceu. 

Depois de algum tempo de amena e gostosa cavaqueira, foi preciso descer ao salão inferior para o início do trabalho, anteriormente preparado até ao ínfimo pormenor!

De casa bem recheada e num ambiente confortável e acolhedor, estava tudo pronto para começar! Como introdução foi apresentado um filme, curtíssimo mas belo e elucidativo!

 Depois, sucederam-se paisagens maravilhosas com animais atraentes e diversificados.

A acompanhar a exibição de cada animal uma explanação entusiasta e entusiasmante, científica e primorosa das características especiais de cada espécie e dos cuidados havidos com as que se encontram mais em vias de extinção, bem assim como do seu habitat natural que se dispersa em locais bem distintos ou indiferenciados de Sul a Norte do País, com acentuada predominância sobre os de Vale de Cambra e arredores, acrescido ainda de referência às mais variadas zonas do planeta por onde as mesmas espécies vagueiam em maior ou menos quantidade.

Para finalizar, uma primorosa, delicada, reflectida, e apaixonante chamada de atenção aos cuidados a ter com a preservação da Natureza, de modo a prevenir a extinção de todas as espécies que a tornam tão bela e atraente quanto útil e necessária.

No desenrolar de todos os acontecimentos desta Palestra intitulada “Labirintos da Fauna”, no rigor científico aprumado e eficiente em que esteve envolvida e na simplicidade e singeleza com que foi apresentada, pude encontrar-me com as belezas mais encantadoras que imaginar se possa! Belezas do reino animal, vegetal, e Humanas! No recatado espaço, vivi e senti, ao meu redor, muitas belezas Humanas, que não é possível nem sensato descrever!

Nestes momentos emotivos tive a sensação de estar, algures, numa maravilhosa Festa da Natureza! Sim, porque a Natureza, com todos estes encantadores e aconchegantes mimos, tinha mesmo de estar em festa! E esteve em festa, e está em festa, com toda a certeza! E eu, encontro-me cada vez mais na Festa da Natureza, como parte integrante dessa festa!

Pena… esta Palestra não poder chegar a um ainda maior número de pessoas… a todas as pessoas… pois só com muito amor de todas as pessoas poderá haver o devido respeito pela Natureza.

Desencontrada um pouco dos bons encontros da vida e de mim pelo amontoado exigente dos afazeres diários, preciso destes encontros para me poder reencontrar, recolocar e desejar de novo penetrar nos mais variados locais de encontro que tão úteis e precisos são para a felicidade de todos nós! Sei que é difícil acreditar no que digo, pois para crer… é preciso experimentar, ver e sentir!

Obrigada Pedro! Agora, depois de tudo o que vi, vivi e senti, compreendo melhor o seu dinamismo, dedicação, entusiasmo, interesse e determinação! Obrigada também a toda a equipa que o acompanhou na maravilhosa e extenuante tarefa!

E até outra ocasião… com mais… encontros e desencontros!

Hermínia Nadais

sábado, 8 de novembro de 2014

Num único dia!...



 
No desenrolar afável ou tortuoso dos dias, nós nem sequer pensamos, mas a vida é toda feita de encontros e desencontros, connosco mesmos e com tudo quanto nos rodeia!
A cada amanhecer podemos dar connosco satisfeitos e felizes por uma noite bem dormida ou com uma má disposição horrível do sonho que correu mal e nos deixou com vontade de partir tudo em pedaços!
O tomar do café pode acontecer a sós, desencontrados de nós mesmos pela má disposição  da noite… ou encontrados connosco pela calma harmoniosa do Sol a iluminar o dia que começa; também pode ser um momento de aguentar a esposa, marido, filhos, ensonados… a torcerem-se uns para cada lado porque é hora de ir para a escola ou trabalho que se faz por obrigação… ou alegrar-nos com as suas caras risonhas e satisfeitas por mais um dia de estudo ou trabalho a fazer com muito amor e dedicação, convivendo fraternal e harmoniosamente com colegas e amigos!
Ao abrir da janela ou sair da porta podemos encontrar sol risonho e céu azul ou o cinzento escurecido pelas nuvens carregadas de chuva num nevoeiro mais ou menos espesso que mal deixa respirar… ou desencontrar-nos de tudo isto não conseguindo sair das nossas rabugices e insatisfações doentias para prestar um pouco de atenção à natureza e a quanto nos rodeia!
Podemos ser parte de uma família satisfeita com o que tem, sossegada com a vida e feliz com tudo o que acontecer… ou tremendamente angustiada pela falta de emprego, alimentação, vestuário, ou o que é pior ainda, a pior de todas as pobrezas que é a falta de um pouco de carinho e ternura que o rodar veloz do tempo ou as impertinências das situações vão roubando a cada instante!
Na ida para o trabalho, escola ou simplesmente para o café ou mercado… podemos ir de cabeça erguida e olhar aberto ou carrancudos e acabrunhados por não conseguir aceitar com serenidade nada do que acontecer à nossa volta; e podemos encontrar pessoas ressabiadas e comprimidas até mais não, ou descontraídas e confiantes e a respirar lealdade e fraternidade por todos os poros!
Ao almoço e jantar, podemos desligar-nos da TV ou mesmo calá-la de vez para trocar impressões sobre os acontecimentos do dia… ou prestar a maior atenção aos noticiários… não para podermos maravilhar-nos com o bom que o mundo tem e o bem que os homens vão fazendo mas com toda a espécie de mal que atormenta a Sociedade e a Comunicação Social nos lembra todos os dias e a todos os momentos!...
Ao deitar-nos… podemos recordar calmamente o dia com tudo o que teve de bom… ou revoltar-nos com algo menos razoável que tenha acontecido!
Apenas num dia… que são vinte e quatro horas! Quanto tempo de vida podemos aproveitar em pleno… ou pela nossa pobreza de saberes, ideias, valores, ou pura distracção, quanto de belo e bom podemos desperdiçar… esquecidos de que este nosso procedimento é para nós a maior de todas as perdas… pois o tempo perdido é irrecuperável, nunca mais voltará!
A vida será mais rica e agradável se dela aproveitarmos todos os segundos, fazendo dos seus encontros e desencontros os melhores momentos de experiência e aprendizagem!
Tudo de bom! Até à próxima!

Hermínia Nadais

In "A Voz de Cambra"

sábado, 27 de setembro de 2014

Recomeçando!...



ENCONTROS E DESENCONTROS


Recomeçando!...


Incentivada e fortemente acariciada… não sei muito bem como… mas aqui vai um recomeço!

A vida é linda, maravilhosa, e se me dão esta oportunidade de voltar a sentir o carinho dos meus leitores, eu não posso desperdiçar! Obrigada!

Como estamos em Setembro, apetece-me falar das minhas maravilhosas férias em família, de casa cheia e corações ardentes de calor humano e muito amor!

Nada paga o aconchego familiar… o beijo afectuoso do marido, filhos, genro, nora, netos e sogra, irmãos, cunhados, sobrinhos… uma família bem recheada! Depois, o encontro com outros familiares mais afastados… e com amigos! Tudo é muito bom!

Falta ainda a saudade dos grupos habituais… no desejo do tão querido reencontro…

E também, ainda… de dar umas voltas por aí, na casa ambulante, a dois, para lembrar os tempos nunca antes vividos desta forma tão singela e peculiar! É muito bom, sabem? Pena que não seja acessível a todos, era o que eu mais desejava! Bem-estar e felicidade para toda a gente.

Agora, pensando no futuro, acho que iremos passar alguns momentos felizes a folhear as páginas deste querido jornal de que tanto gostamos e gosto, o jornal da nossa querida e estonteante terra que, com tudo quanto tem de bom e menos bom, nos vai acolhendo os dias e os cabelos nevados e dando asas e guarida aos nossos descendentes que tanto amamos!

Tinha um texto feito que perdi não sei por onde, e este foi feito à pressa, em pouquíssimos instantes… para não perder a coragem e determinação.

Até breve, amigos! Com algumas partilhas que talvez, quem sabe, nos poderão fazer crescer a todos, um pouquinho mais!

Beijinhos!




In "A VOZ DE CAMBRA"

domingo, 30 de dezembro de 2012

“A ‘Fé’... na vida do homem!”




A época é de festa, de convívio, de alegria, de lembranças! As grandes superfícies comerciais chamam até elas imensos visitantes, e o comércio tradicional aparece a dizer ao grande público que ainda existe para bem o servir. E por eles, e para nós, as ruas aparecem mais iluminadas a lembrar constantemente a quadra que passa. Embora a razão de todo este aparato se nos apresente meramente comercial, convidando à compra de alguns presentes para acariciar os que nos são queridos, o olhar a maravilha dessas luzes intermitentes e multicores, além de nos encher os olhos, atinge-nos verdadeiramente o coração. A mensagem que delas irradia convida-nos a um maior aprofundamento das nossas relações humanas e a um maior esforço no sentido de dar mais atenção à nossa vida interior. É que o homem é dotado de qualidades superiores a qualquer outra criatura carnal, é um ser a quem o Criador concedeu traços indeléveis e semelhantes à  Sua própria imagem, com uma vida imortal, projectada para o além. É por esta razão que a criatura humana não pode prescindir de uma crença que lhe mostre mais ou menos claramente a razão  do seu viver e o fim para que foi criada. Só neste contexto se pode compreender que o ter fé, o acreditar em alguma coisa, é algo que faz parte integrante das necessidades vitais do homem.

Ter fé, no verdadeiro sentido do termo, é acreditar em algo que se não vê. Ora, a parte do homem que está à vista, o seu retrato físico, que corresponde à cor do rosto, dos olhos ou do cabelo, ao aspecto franzino ou robusto, a toda a sua fisionomia, embora sejam parte integrante da identificação do homem perante o seu semelhante, não nos mostram, de forma alguma, o que esse homem é, na realidade. É que o mais importante do homem não é visível aos olhos, é palpável e sensível apenas ao coração. O homem só se conhece e se dá a conhecer, embora nunca totalmente, através de uma convivência recíproca onde haja a promoção de um diálogo aberto e franco, onde haja calma e serenidade, atenção e compreensão, dedicação e doação, carinho, entrega, amor... Assim sendo, mesmo só humanamente falando, a vida é um acto de fé contínua: logo em pequeninos, acreditamos cegamente no pai, na mãe, em quem nos aconchega nos primeiros passos; vamos crescendo, e sentimos necessidade de acreditar nos amigos; acreditamos que as pessoas são sinceras connosco, que não nos atraiçoam,  e que nos ajudam; acreditamos que, de entre os amigos, há alguém que gosta um pouco mais de nós, a quem poderemos fazer feliz e de quem poderemos receber felicidade; acreditamos nas coisas boas da vida; acreditamos que temos a força necessária para vencer o mal; acreditamos... acreditamos!... Não há ninguém que não tenha passado nem esteja a passar, constantemente, por situações semelhantes a estas. Os actos de fé do ser humano são constantes, fazem parte de todos os momentos da vida de todos os dias e tendem a nunca mais acabar!... Então, se tivermos a dita de acreditar nas belezas da vida olhando-a sempre pelo lado positivo, veremos os seus momentos menos bons como deslizes passageiros, e teremos mais possibilidades de virmos a ser pessoas realizadas e felizes; se, pelo contrário, somos pessimistas e valorizamos em demasia o mal que nos vai acontecendo, a vida deixa de ter sorrisos, a saúde e alegria vão-se dissipando, e a nossa existência passa a ser de uma infelicidade sem limites, de amarguras infindas!... E dizemos muito categoricamente: “Isto... só a mim é que acontece!...” Ou então: “Tudo me chateia!...” E, pensamos que estamos certos, e que somos uns azarados. Mas, no final de tudo resolvido, se pararmos um pouco para pensar, acabamos por ver que não era nada assim, que todos aqueles sentimentos desesperantes foram causados por tremendas revoltas interiores e enormes egocentrismos que, ao conseguir manter-nos  preocupados connosco próprios nos levaram a não ver nada de bom a acontecer-nos nem a aceitar admitir que muitas outras pessoas podem muito bem ter vidas piores que a nossa.  Quando isto nos acontece, urge rever a nossa humildade e renovar a nossa autoconfiança.

É muito difícil acreditar no que quer que seja. A primeira coisa em que temos de acreditar é em nós mesmos. Depois, temos que viver acreditando nas pessoas que se relacionam connosco, cujas relações visíveis e palpáveis partem de um interior sempre com algo desconhecido.

Assim sendo, as crenças religiosas, exteriorizadas conforme as vivências de cada um segundo a religião que professa, sentidas no mais íntimo do ser, são como que um corolário das situações normais de cada vida. Ter fé é uma necessidade vital do ser humano, pois mesmo os chamados ateus ou agnóstico, que se dizem sem crença alguma, acreditam que não acreditam em nada, o que acaba por ser uma outra forma de viver a fé.

Falar de fé, é um tema inesgotável. Quero apenas referir uma coisa que me parece importante. É que, qualquer crença que tenha por fim valorizar o todo da pessoa humana e fomentar a paz e unidade entre os povos, é querida e bem-vinda, porque, ao pôr em prática a lei do amor mútuo, leva-nos a viver segundo o fim para que fomos criados.

Que esta forma de encarar as diferentes situações seja uma breve realidade na vida de todos  nós.

Bom Natal e próspero Ano Novo!    
In "Notícias de Cambra"  antigo... mas atual