quarta-feira, 7 de julho de 2010

O que será o amor?


Num mundo em que a palavra amor anda mais que badalada na boca de toda a gente, será que sabemos, verdadeiramente, o que é o amor?
Muito sinceramente, eu… não sei se sei... mas que vou tentando descobrir, lá isso vou!
Para que o amor não seja considerado uma utopia, vamos tentar vê-lo tal qual como ele se nos apresenta.
O amor não é egoísmo; não é gostar de alguém por nos sentirmos bem com esse alguém; não é querer o nosso bem-estar provindo do ser amado, mas querer o bem do ser amado somente porque o amamos.
Ninguém ama o que não conhece. Para amar verdadeiramente é preciso tentar a todo o custo conhecer cada vez mais e melhor o ser amado, porque amar é confiar, é dar-se ao ser amado, é entregar-se a ele, é acreditar nele… ou nela… incondicionalmente… e não podemos entregar-nos, assim, a qualquer pessoa, e de qualquer maneira… porque é daí que advém inumeráveis desencontros!...
O amor não é um sentimento puramente humano, pois tem sempre algo de transcendente. O amor não prescinde do nosso ser e do nosso querer… supera-o… vai mais além.
O amor verdadeiro acredita profundamente no ser que ama, e por isso, não mede esforços para o fazer feliz. Sofre, quando o ser amado sofre, e é feliz quando o ser amado está feliz. Há como que uma fusão entre o ser que ama e o que é amado. Todavia, o ser que é amado pode não retribuir com amor a quem o ama… e ainda assim… se o amor de quem o ama é verdadeiro, vai continuar a amá-lo.
Diz-se que amar é sofrer, porque o amor não pede nada em troca, é gratuito. A pessoa ama… com todas as implicações que isso lhe trouxer, muitas vezes ultrapassando as maiores desilusões e desenganos.
Amar as pessoas não quer dizer concordar ou aceitar o que as pessoas fazem, dizem, pensam ou são. Devemos amar as pessoas, em si mesmas, independentemente das suas obras. Pessoas não são comportamentos. Devemos amar as pessoas, mesmo que sejamos obrigados a odiar o comportamento dessas mesmas pessoas.
A reciprocidade do amor o mais das vezes não existe… não podemos medir a intensidade do amor, pois só quem ama sabe a verdadeira intensidade do seu amor.
A gratuidade do amor verdadeiro liberta. Se quem ama não espera nada em troca, qualquer mimo, ou mesmo até a injúria ou indiferença, tudo satisfaz. O amor verdadeiro não se turba com nada, ama, simplesmente.
Amor e fé andam de mãos dadas, vivem juntos, unidos indefinidamente, porque o amor acredita… e ter fé também é acreditar.
Podemos não saber o que é ter fé, assim como podemos não saber o que é o amor! Contudo… a vida sempre nos obrigará a acreditar em algo ou alguém, a ter fé em alguma coisa!... E como nascemos para amar… então… amemos… pois só assim nos sentiremos, dentro das nossas limitações, mais realizados e felizes!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 30 de junho de 2010

FÁTIMA… ALTAR DO MUNDO!

Faz já algum tempo que Luciano Guerra, antigo Reitor do Santuário, numa entrevista a uma das nossas televisões, dizia que em Fátima há lugar para todas as pessoas, de todas as crenças, idades, raças, cores, estratos e condições sociais. E com a calma e porte que lhe são peculiares, como no desfiar das contas de um rosário, explicou pormenorizada e convictamente a razão das suas palavras com verdades irrevogáveis e convincentes.
A vida, esse dom admirável que nos foi dado e tem a espiritualidade como sua parte integrante, é tão abrangente, complexa e com tanto de transcendente que faz de Fátima um incomparável ponto de encontro para inúmeras e diversificadas pessoas.
Como católica assumida, não me ocorre qualquer alusão aos acontecimentos de Fátima antes do Anjo e Nossa Senhora lá terem aparecido e contactado com as três crianças. Os católicos convictos crêem na presença de Deus na vida pessoal e social dos indivíduos. Crêem no Deus Amor e Pai misericordioso paciente e compassivo que ama sem medida a todos e a cada um, e aceita cada qual como cada qual é, sem castigar ninguém. Tentam reconhecer que as leis irreversíveis da natureza criada por Deus são por Ele respeitadas, pois se o não fossem, Deus estaria contra Si próprio, o que nunca se compreenderia. Reconhecem o bem e o mal como duas forças antagónicas presentes no ser humano, acrescidas de uma espécie de censura que faz sentir felicidade com a prática do bem e frustração com a prática do mal, pelo qual o remorso é o maior dos castigos. A inquietação sofrida leva as pessoas a sentirem-se insatisfeitas e revoltadas consigo mesmas, chegando muitas vezes a castigarem-se a si próprias das mais diversas formas.
Os católicos que o são de verdade e vida, reconhecem os seus inumeráveis desvarios, mas tentam a todo o custo confiar totalmente em Deus por, ainda assim, se saberem muito amados e queridos por ELE. E por amor, evitam a todo o custo magoar ESSE Deus que os ama, bem assim como ao próximo, a “transparência” de Deus que partilha com eles a vida.
A confiança que depositam em Deus despreocupa-os em relação a qualquer acontecimento futuro. Conscientes de que cada crença tem seu jeito de ver e viver a mesma realidade, tentam, também, aceitar e conviver com outras formas de viver a espiritualidade nos diversos caminhos que os homens vão percorrendo para se puderem encontrar cada vez mais e melhor consigo mesmos, com Deus e com a sociedade.
“O Milagre do Sol” do dia 13 de Outubro de 1917, lembrado na passada edição e que todos mais ou menos conhecemos, não está, realmente, no verdadeiro rodopiar nem no abaixamento do sol, mas no facto de que as pessoas que olharam o Sol naquele momento o viram todas da mesma maneira, como demonstra, inclusive, as fotos tiradas na ocasião. O Sol não pode ter saído do seu lugar, por isso o milagre foi, sem sombra alguma para dúvidas, a alucinação colectiva de tantos milhares de pessoas. Esse foi um verdadeiro e enormíssimo milagre da MÃE de Deus, mãe de Jesus e nossa mãe!
O “tende fé e sede bons” do artigo já referenciado, está totalmente explícito nos pedidos formulados por Nossa Senhora aos pastorinhos.
Todos, sem excepção, devíamos esforçar-nos por ter fé e ser bons, descobrindo, interiorizando e vivendo profundamente de acordo com o que acreditamos, sem criticar nada nem ninguém. Os caminhos que levam a Deus são inúmeros. É preciso olharmo-nos profundamente para escolhermos trilhar o que nos parecer melhor… sendo quentes… ou então frios… porque os mornos serão sempre abomináveis!

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

Publicadono "Notícias de Cambra"

domingo, 27 de junho de 2010

Loucuras da vida


O mês dos Santos Populares, que traz saudades para os mais velhos e aventuras para os mais novos, para mim trouxe o desejo de partilhar uma das minhas loucuras… que pode parecer estupidez… mas é uma tentativa de evitar que outros façam o que eu fiz.
Impressionam-me por demais as pessoas queixinhas, sempre muito doentinhas e a caminhar para os médicos… e decidi para mim mesma que eu nunca seria assim.
Gosto imenso e tenho um carinho muito especial pelo meu médico e guardo bem no fundo do coração o quanto me tem ajudado e os cuidados que tem tido comigo, do que lhe estou imensamente grata, mas não gosto nada de andar atrás dele!
Faz tempo que vinha sentindo as minhas pernas muito esquisitas… algumas vezes inchadas… e cada vez mais escuras e endurecidas.
Os meus familiares e alguns amigos sugeriam-me que fosse ao médico, mas eu resistia dizendo que estava bem… e para mim estava, pois o mal estar que eu sentia ia-o atribuindo à idade que já vai sendo alguma… e ia-me deixando andar, de calças e saias compridas para ninguém me chatear por causa das pernas.
Num dia em que vesti saia mais curta, uma minha sobrinha não gostou nada das pernas e desinquietou a mãe e a tia que me encheram a cabeça tanto que eu acabei por mostrá-las a uma amiga enfermeira a quem prometi ir logo ao médico… e muito contrariada, mas lá fui.
Com a maior das calmas, o médico disse-me que eu estava muito mal… e foi-me alertando para o risco que corria. Receitou-me uns medicamentos… e senti de imediato melhoras consideráveis, que tive de lhe transmitir.
Depois de fazer os exames requeridos voltei lá a mostrá-los e a dizer-lhe muito firmemente: - Senhor Doutor, não há mortes repentinas, pois não? Eu andava a morrer e não sabia? Mediante as melhoras é que eu vejo como andava, Senhor Doutor!
Ao que ele, muito sério, respondeu: - Claro que há mortes repentinas, minha senhora… mas só nos acidentes, sabe… porque fora de acidentes… há pessoas que se deixam andar… assim… e são colhidas repentinamente pela morte.
Mediante o que observou atentamente, receitou ainda mais dois tipos de medicamentos… e eu continuo a sentir-me cada vez melhor!
Ora, com tudo isto… ser queixinhas, não devemos ser… mas descuidados ou descuidadas… também não!
Só dá valor à saúde quem a perde… e tem a ventura de a recuperar. É muito bom ser saudável! Cuidar da saúde, é um dos nossos maiores deveres, deveres que os médicos nos ajudarão a cumprir! O sistema de saúde, isso é uma outra coisa. Há quem diga que está muito bom… mas não sei se estará tanto assim! Que temos muito bons médicos, enfermeiros, especialistas, farmacêuticos… lá isso temos, bem-haja!
Que eles nos protejam, e que Deus os ajude, e a nós também!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Diz-me… com quem andas…


“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és!”
Esta frase era repetida inúmeras vezes pelos meus pais, tios e avós, de boa memória, principalmente na minha mocidade, quando eu mostrava vontade de acompanhar com alguém que não fosse de sua inteira confiança.
Fui interiorizando o que ouvia e fugindo, com as mais astuciosas desculpas, das pessoas que eles desaprovavam, atitudes que me marcaram de tal forma que ainda hoje, quando me surge uma nova amizade, esta frase, como por encanto, me aflora de imediato à mente e acaba por me desviar de muitas confusões.
A frase continua tão verdadeira no hoje como o foi no ontem. Na idade do crescimento e seguimento de ídolos em que é natural as pessoas deixarem-se arrastar facilmente, urge atender aos valores reais do grupo em que estivermos inseridos, pois na idade madura, uma vez adquirido um conhecimento capaz, um querer constante e uma vontade firme, torna-se mais difícil desviarem-nos da meta que tivermos definido.
Cada pessoa é senhora de si e deve ter a liberdade de escolher e enveredar pelo caminho que julgue mais conveniente… mas sem se isolar das demais, pois o isolamento não faz bem a ninguém.
A vida em grupo faz parte do nosso “ser” humanos que são “seres sociais” por excelência.
Somos parte integrante dos agrupamentos naturais em que nos movimentamos: família, lugar, freguesia, concelho, país; e formamos grupos de pessoas no ambiente de trabalho, de amizades, de aprendizagens, de distracções, de interesses socioculturais; somos grupo de… grupo com… grupo para…
Juntamo-nos a um qualquer grupo de pessoas pelos valores, interesses e objectivos que nos apresenta, e desse modo, o comportamento do grupo continuará a definir-nos. Numa comunhão recíproca, devemos fazer tudo para que o grupo seja bom e as pessoas responsáveis, amigas, fortes e coesas.
É no pequeno grupo que teremos a coragem e o à vontade para partilhar vida, haveres e opiniões, e para trocar a crítica pela correcção fraterna, condição indispensável para que todos os membros do grupo possam crescer, mediante as qualidades inerentes a cada pessoa e cada pessoa dentro das suas próprias possibilidades.
Os adultos maduros e responsáveis só poderão deixar-se orientar pelo grupo se o grupo onde se quiserem inserir, livremente, na corresponsabilidade e verdade, lhe oferecer maior possibilidade de crescimento.
Viver em grupo tem regras que têm de ser escrupulosamente cumpridas. Não adianta falar mal de nada nem de ninguém! É urgente, sim, olharmo-nos tal qual somos de modo a averiguar se estamos ou não a proceder da melhor forma dentro dos nossos grupos, porque os actos isolados serão sempre provenientes de vivências de grupo… e por sua vez, as vivências de grupo expressar-se-ão sempre nos pequenos actos isolados de cada um dos seus membros.
Então, sejamos muito cautelosos tanto dentro dos nossos grupos naturais como na escolha acertada dos grupos onde nos vamos inserir, pois o “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, muito embora não tenha o mesmo peso na adolescência ou idade adulta, pesará sempre muito no nosso comportamento, pois o exemplo arrasta.

Hermínia Nadais
publicada no "Notícias de Cambra"

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fátima, factos e reflexões



“Porto, 11 de Maio de 1917 Srs. Redactores:
Foi participado pelos Espíritos a diversos grupos espíritas, que no dia 13 do corrente há-de dar-se um facto, a respeito da guerra, que impressionará fortemente toda a gente.
Tenho a honra de me subscrever Espírita e dedicado propagandista da Verdade. ANTÓNIO.”
Esta notícia foi publicada em “O Primeiro de Janeiro” e uma outra, de teor semelhante, foi-o em “O Jornal do Comércio”, de Lisboa e entretanto desaparecido, em data também anterior ao acontecimento.
Tal como os jornais, também as comunicações psicografadas podem ser consultadas, tendo uma delas a particularidade de ter sido escrita da direita para a esquerda. Nesta, datada de 7 de Março, pode ler-se: “A data de 13 de Maio será de grande alegria para os bons espíritas de todo o mundo. Tende fé e sede bons.”
Portanto: os acontecimentos de 1917, em Fátima, são fenómenos mediúnicos já devidamente estudados e catalogados e pertença da humanidade.


Vidência e audiência
A mediunidade é uma faculdade orgânica comum a todos, variando apenas o grau de ostensividade. A vidência e a audiência são dois dos aspectos da mediunidade que, dada a quantidade com que se manifestam, sobretudo a vidência, nada têm de extraordinário. Em tese, todos os que estamos no corpo podemos ver e ouvir os espíritos e em tese também todos os espíritos podem ser vistos e ouvidos, embora saibamos que tal não acontece devido às díspares frequências vibratórias. Os estudos já efectuados sobre esta faculdade, notadamente os estudos sobre a pineal, dão validade científica a esta tese.

O “milagre” do Sol
Não oferecendo qualquer dúvida de que o movimento regular do Sol não é visto e de que, em absoluto, não podia ter tido aquele movimento irregular e estarmos aqui para o contar, outra explicação terá de haver. O conhecimento da psicologia de massas, nomeadamente aquela que a doutrina espírita oferece, explica-o de modo racional e torna entendíveis fenómenos como os de obsessões e alucinações colectivas. Poder-se-á levar em conta também para que tantos tenham visto o pretenso milagre do Sol a vertente da mediunidade que dá pelo nome de efeitos físicos.

A. Pinho da Silva
Licenciado em Filosofia
antoninusaugustus@hotmail.com

A trabalhar na rubrica em parceria com a Direcção/Redacção do jornal:
Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

segunda-feira, 24 de maio de 2010

UM POUQUINHO DE NÓS!


Falar de espiritualidade pode não ser compreensível para a maior parte das pessoas, uma vez que a maior parte das pessoas não vêem a espiritualidade como parte integrante de si mesmas, e por isso, de imediato, ligam o termo a algo de sobrenatural que, ou é favorável e ajuda, ou é desfavorável e estraga tudo, coloca a vida do avesso, de pernas para o ar.
Tendo em atenção estas e outras atitudes que estão muito vulgarizadas, vamos preparar-nos para podermos falar compreensivelmente sobre espiritualidade com uma pequena e muito rudimentar introdução em que vamos tentar analisar-nos a nós mesmos, assim, tal qual nos vemos, tendo em atenção a nossa realidade intrinsecamente temporal. Poderá até parecer uma brincadeira, mas com o tempo veremos que não é.
Então, quem somos nós? Somos… a Maria, o Manel, o Tono, o Quim… que nos apresentamos com um corpo… um corpo alto, baixo, magro, gordo, claro, escuro, com uns contornos muito bem alinhados ou trabalhados um pouco à pressa… com olhos castanhos, azuis, pretos… cabelos fortes, fracos, lisos, encaracolados, eriçados, encarapinhados e castanhos, louros, grisalhos… com pernas altas, baixas, gordas, esguias, mal chambradas ou esbeltas… dedos grossos, finos, compridos, curtos, com unhas muito bem ajeitadinhas ou mal cavacadas… queixo com covinha ou sem ela, orelhas pequeninas ou orelhudas, nariz bicudo ou achatado… pés de quarenta e quatro ou trinta e cinco… e é assim que nos vemos quando nos olhamos ao espelho e que as pessoas com quem convivemos nos vêem e nos conhecem, porque, de facto, somos assim. E cada um de nós é como é, e se não se assume, assim, tal como é, é porque em si algo não está bem.
Quer queiramos ou não, não podemos fugir desta realidade. O nosso corpo, com tudo quanto o compõe, quer gostemos e apreciemos, quer não, é o nosso bilhete de identidade social, é por ele que nos conhecemos e somos conhecidos e conhecidas.
E não dizemos vai ali o espírito da Maria… do Manel… do Tono… do Quim… mas vai ali a Maria, o Manel, o Tono ou o Quim, pois é o corpo que identifica a cada um de nós porque é com ele que marcamos a nossa estadia neste mundo.
E antes de começarmos a falar no algo mais que pertence intimamente a esse corpo, podemos ainda continuar a ver as inumeráveis formas como ele se poderá apresentar publicamente, ou melhor dizendo, como é que nós nos poderemos mostrar publicamente através desse corpo, pois ele, o nosso corpo, pode apresentar-se de muitas maneiras, esta é mais uma realidade que temos que aceitar.
Somos cidadãos do mundo, nascidos num qualquer país de um dos seus continentes… num determinado lugar, cidade ou aldeia… numa família pequena ou grande… rica ou pobre, bem ou mal formada… que é sempre uma ínfima parcela de uma sociedade!
E… por hoje… acho que é melhor ficarmos por aqui… a pensar na maravilha da nossa querida família e também da sociedade que a acolhe! E para que o nosso meio envolvente comece a ser bem melhor, vamos ser muito positivos olhando mais atenta e profundamente as coisas boas que dele podemos tirar.

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

(Publicado no "Notícias de Cambra")

domingo, 9 de maio de 2010

As voltas que o mundo dá!


Que o mundo anda às voltas toda a gente sabe, e ainda bem que anda às voltas, pois se não fossem as voltas do mundo a noite seria sempre noite e o dia sempre dia, o calor sempre calor e o frio sempre frio. O mundo anda às voltas… claro que anda, anda às voltas giratórias… porque além destas voltas sempre iguais… quem dá as voltas não é o mundo, somos nós! Nós é que damos voltas… e voltinhas... na vida deste mundo onde nada é definitivo e a única certeza que temos depois do nascimento é a morte, morte que, nos últimos tempos, não se tem cansado de retirar da nossa companhia um sem número de amigos que continuarão para sempre indelevelmente marcados e carinhosamente guardados bem no fundo do nosso coração.
Dói muito ver as pessoas partir tão precocemente, claro que dói… mas dói ainda muito mais ver os nossos amigos e amigas a sentirem a dor amarguíssima da separação e a profunda aridez da saudade, saudade a que as voltas que damos no mundo acabam por nos habituar… a viver com o que temos. E neste viver, damos voltas à cabeça para descobrirmos a melhor forma de organizarmos a vida de modo a que se desenrole dentro da normalidade com fé, esperança, amor, calma e moderação. Precisamos também de dar voltas à memória para recordar o legado que esses entes queridos nos deixaram: as palavras, os gestos, as atitudes… e daí concluiremos que o mundo, se por um lado fica sempre mais pobre quando alguém parte porque o trabalho e presença desse alguém não mais o vai ajudar a crescer, mas mais rico porque, na ausência da pessoa, vemos mais claramente e interiorizamos mais capazmente as suas qualidades, que nos podem servir de exemplo e de normas de vida o que, consequentemente, nos pode servir de enriquecimento e crescimento global.
Cada pessoa é única e irrepetível, pelo que, depois de passar pelas voltinhas deste mundo, o mundo nunca mais será como dantes, porque toda a sua vida o tornará diferente, se para pior ou para melhor… a escolha é pessoal e intransmissível, urge saber e ter coragem de a fazer.
Assim sendo, neste tempo conturbado, olhemo-nos interior e exteriormente para nos conhecermos tal qual somos e perguntarmos a nós mesmos se estamos a ser, na verdade, pessoas coerentes, realizadas e capazes.
É preciso aprender a dar voltas ao coração para que o nosso amor total seja mais sincero e abrangente; a dar voltas à carteira para que o dinheiro nos chegue para as despesas do dia a dia e não nos desampare nos imprevistos do mês; a dar voltas ao meio ambiente para cuidarmos melhor das plantas e dos animais e tornarmos o mundo mais belo; a dar voltas à nossa solidariedade para partilharmos o que nos sobra com quem pouco ou nada tem; a dar voltas à nossa sensibilidade para nos alegrarmos com quem está alegre e nos entristecermos com quem está triste; a dar voltas à nossa pacatez para nos inquietarmos em tentar melhorar tudo o que nos rodeia e não dá ao mundo uma mútua aceitação, compreensão, tranquilidade, serenidade, paz e amor. Sejamos corajosos e decididos, pois só assim seremos os verdadeiros homens e mulheres de que o mundo necessita.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de cambra"

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um resposta convincente!...

Desejo, antes de mais, felicitar a Hermínia pelo excelente texto “Começo… dos começos”. E é excelente não por estar bem escrito (mas também), sobretudo porque traduz o sentir de alguém que se encontra “livre de pressões exteriores” e “preconceitos internos”.
Seria desejável que esta postura, onde sem dúvida se ajusta a “coerência entre as palavras e atitudes” (peço-lhe, Hermínia, desculpa por a citar, mas é para que entenda o quanto subscrevo o que escreveu) se estendesse em generalidade; porém – e agora socorro-me da alegoria da caverna, de Platão – ainda não todos saíram da caverna para entender que a verdade não é as sombras que se projectam nas paredes, mas a luz que faz com que sombras sejam projectadas.
Quem habitualmente lê este jornal e está atento, poderá lembrar-se que uma vez estivemos, eu e a Hermínia, em contradita nestas páginas e agora estranhará. Saiba-se que nem eu virei católico nem a Hermínia virou espírita; sucede que quando se respeita o outro no que ele é e acredita, as diferenças são dirimidas com argumentos serenos e não com gritos e anátemas. Daí a possibilidade do diálogo, da ponte, da amizade.
O diálogo inter-religioso é realmente possível. Sendo Deus único, tem necessariamente de ser o mesmo para todos; e os seus atributos não permitem posse, logo, não é mais de uns do que de outros. Mais que pertencermos a uma determinada religião, que é algo que se estrutura no exterior do ser, importa sermos religiosos, que é aquele sentido íntimo de ligação a Deus (chame-se-lhe porventura um qualquer outro nome) e se traduz no amar o próximo como a si mesmo. Esta vivência aproxima-nos de todos e de cada um e, como diz e bem a Hermínia, faz com que nos sintamos bem entre diferentes, porque estamos de bem connosco mesmos. Acrescento que a ligação que se estabelece entre o mesmo e o diferente é tal qual a que pela alteridade se estabelece entre o próprio e o outro: esta a relação perfeita que se acha estabelecida entre Deus e Jesus, os quais não sendo embora o mesmo, estão efectivamente unados (tal como os demais e inúmeros Cristos estão).
Como bom seria também que estivéssemos unidos, não tanto nem prioritariamente na filosofia, mas principalmente na prática da caridade, como Paulo de Tarso a define, e fora da qual não há salvação.
Um abraço para si, Hermínia, e para todos quantos o aceitem de “carinho, compreensão, paz”.

A. Pinho da Silva


“Ama… e faz o que quiseres!”


Depois deste maravilhoso texto do António Augusto, o amigão que com a sua coragem, valentia e coerência me ajudou a ser muito do que hoje sou, tenho a dizer que, por mais que me custe pelos inúmeros adjectivos com que me qualifica, o subscrevo na íntegra, pois se o não subscrevesse seria mentirosa.
É um texto bem curto mas de uma dimensão tão grande que cada parágrafo é um livro.
Gostaria de chamar a atenção, sobremaneira, para algumas das suas frases. É preciso, de facto, com a maior urgência possível, que busquemos a verdade, não nas sombras que nos parece que os nossos olhos vêem, mas no verdadeiro sentir dos nossos corações a que, muitas vezes, as palavras e expressões não conseguem dar voz.
Que cada um de nós, viva como viver, tente, a todo o custo, ser, realmente, luz para os demais.
Nesta rubrica sobre espiritualidade, cuja realidade, por mais dissecada que seja, nunca se esgotará, eu queria que todos os que conseguíssemos ter a coragem de nela participar, e que espero sejam muitos e muitas, interiorizássemos nas nossas vivências, ininterruptamente, a célebre frase de Santo Agostinho que, sendo curtíssima, perfaz toda a liberdade e realização de qualquer Ser Humano: “Ama… e faz o que quiseres!”
Quem ama não magoa, muito pelo contrário, faz tudo pela pessoa amada!... Quantas atitudes menos boas seriam mudadas… na face desta bendita terra… se todos conseguíssemos, de facto, amar verdadeiramente!

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

Textos publicados no Notícias de Cambra, rubrica Espiritualidade

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Como vai o mundo!


Com o nosso jeitinho de chorões confessos, a maior parte de nós passa a vida a dizer que tudo está muito mal… mas, na realidade, como vai o mundo… não sei! Tudo dependerá do olhar com que o virmos. Se o olharmos com os olhos da maldade, vê-lo-emos tremendamente mau; se usarmos o olhar de quem procura ver só o bem, encontraremos muitas coisas boas; se, contudo, preferirmos encarar a realidade, veremos comportamentos e acontecimentos bons e menos bons e atitudes das mais variadas índoles.
A experiência pessoal e colectiva vai-nos alertando, em cada dia, de que nada poderá ser considerado totalmente mau quando o Homem quer crescer, pois os problemas no ontem resolvidos, no hoje deixarão de ser “problemas” para se virem a denominar de maravilhosas “conquistas”.
Todos desejamos sucessos tranquilos, e está muito certo, pois não podemos ser masoquistas. Mas se observarmos um pouco a nossa maneira de ser e estar, num curto espaço de tempo concluiremos que o bem-estar prolongado, que à partida é muito bom, nos instala no nosso cantinho e nos fecha de tal forma os horizontes que começamos a pensar apenas no prazer imediato com a inevitável sensação de vazio e cansaço interior, pois a felicidade provinda dessa forma será sempre efémera e passageira.
Temos de ter consciência de que os problemas em demasia nos arrasam, mas temos de convir que uma vida sem problemas também não ajuda em nada a nossa realização pessoal. A sabedoria popular diz que uma pessoa sem problemas tem o enorme problema de não ter problema nenhum – porque assim estagna, não cresce.
Os problemas a enfrentar serão tanto maiores quanto menor for a nossa preparação para a vida. Aliás, é a resolução de problemas que nos prepara para a vida, ou melhor dizendo, o desenrolar da vida é uma constante resolução de problemas, pelo que não podemos pedir a não existência de problemas, mas a capacidade para os resolvermos com sucesso.
O mundo é um jardim florido onde o espaço, comida e tecto para todos falha para muitos apenas pela intolerância, avareza e desamor de uns tantos.
É preciso dizer aos ricos que pensem nos pobres, mas urge dizer aos que se dizem pobres que têm de lutar pela vida, que não podem cruzar os braços para continuar a esperar por subsídios… que já são demais. A vida vale pelo que sofrermos por ela. É muito fácil aos que se dizem pobres criticar os ricos, mas a verdade é que o mundo nunca crescerá com parasitas da sociedade… que é o que são muitos dos que se dizem pobres… aliados aos “ricos vadios” que nada produzem e só gastam.
A sociedade tem o dever de olhar muito bem pelos doentes e velhinhos, mas tem de fazer tudo para levantar a moral dos mais desprotegidos, sejam eles ricos ou pobres, aqueles para quem a vida é sempre um drama… a maior parte das vezes… simplesmente… porque nunca tiveram quem os ajudasse a aprender a viver. Que quem de direito… seja generoso na ajuda!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O COMEÇO… dos começos!

Foto de Herculano Nadais

Quando se fala em espiritualidade vem-nos à mente a religião, e quando se fala em religião aflora-se-nos um sem número de crenças à volta das quais os homens e as mulheres se aglomeraram e vão aglomerando para dar vida às inúmeras religiões que, duma ou outra forma, tentam mostrar à humanidade razões de viver, caminhos para a vida, eternidade feliz para além da morte física ou então um faz tudo quanto puderes neste mundo porque quando morreres, acabas!
Por mais que queiramos fugir destas realidades elas fazem parte do ser humano que somos no mundo onde vivemos que é o mesmo que dizer, fazem parte de nós… aglomerados de células materiais ajustadas entre si e animadas por algo que não vemos mas sentimos e a que chamamos alma ou espírito. Daí que o Homem, Ser Humano, é um ser crente por natureza, que tem necessariamente de acreditar em alguma coisa, porque mesmo quando um homem ou mulher diz que não acredita em nada… é nesse nada que acredita… o que é também, sem sombra para dúvidas, uma crença. Como Seres Humanos que somos, irremediavelmente temos alimentar-nos de uma crença, não podemos fugir desta realidade.
Estamos numa época em que o mundo cada vez nos parece mais pequeno e global. As notícias correm tão velozmente que nos entram em casa quase no momento exacto em que acontecem. A informática está tão desenvolvida e as pessoas têm tantos saberes que descobrem os segredos melhor guardados e põem a descoberto os mais díspares comportamentos. A tendência terrivelmente negativa de quase virem a lume as atitudes mais perversas em detrimento de tantas outras dignas e dignificantes feitas no anonimato e que nunca serão notícia, é uma realidade.
Perante esta sociedade tão astuta e exigente começa de se sentir necessidade de um esforço muito grande para acabar com as máscaras, pois as pessoas, na generalidade, estão suficientemente formadas para, face a vivências ou afirmações de outrem distinguir com alguma facilidade as falsas das verdadeiras, pela ajustada coerência entre as palavras e atitudes que têm de condizer, irremediavelmente, para serem verdadeiras.
Não podemos querer que haja máscaras no mundo, mas que cada pessoa, livre de pressões exteriores ou preconceitos internos, seja igual a si mesma e se afirme tal qual é em qualquer tempo, lugar ou circunstância. Não basta sentirmo-nos bem entre iguais, ou seja, entre pessoas que pensam como nós, é urgente sentirmo-nos muito bem entre pessoas que pensam e vivem, assumidamente, de forma diferente, numa total compreensão e respeito mútuo pelas suas diferenças.
Imaginemos que o Mundo dos homens e mulheres é um imenso jardim onde as crenças e religiões são canteiros bem floridos cada qual com suas flores específicas, e onde podemos observar tanta diversidade de canteiros com flores que a maior parte das flores nos são desconhecidas, e que é toda essa imensa e harmoniosa diversidade e beleza que torna o jardim charmoso e atraente onde, as flores que se aventurem a sair dos seus canteiros não seja para agredir as demais as para as mimar com abraços de carinho, compreensão, aceitação
e paz.
O nosso jornal aceitou por bem criar um espaço sobre espiritualidade como possibilidade de expressão e partilha de opiniões, uma forma de podermos caminhar com unidade na diversidade de caminhos com que buscamos a FELICIDADE, meta comum de todos nós, numa cada vez maior realização pessoal e comunitária. A importância de cada um não está no “ser igual aos outros” mas no “saber viver e conviver harmoniosamente consigo mesmo e com os outros” respeitando todas as diferenças.

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

Rubrica "ESPIRITUALIDADE" no "NOTÍCIAS DE CAMBRA"