segunda-feira, 24 de maio de 2010

UM POUQUINHO DE NÓS!


Falar de espiritualidade pode não ser compreensível para a maior parte das pessoas, uma vez que a maior parte das pessoas não vêem a espiritualidade como parte integrante de si mesmas, e por isso, de imediato, ligam o termo a algo de sobrenatural que, ou é favorável e ajuda, ou é desfavorável e estraga tudo, coloca a vida do avesso, de pernas para o ar.
Tendo em atenção estas e outras atitudes que estão muito vulgarizadas, vamos preparar-nos para podermos falar compreensivelmente sobre espiritualidade com uma pequena e muito rudimentar introdução em que vamos tentar analisar-nos a nós mesmos, assim, tal qual nos vemos, tendo em atenção a nossa realidade intrinsecamente temporal. Poderá até parecer uma brincadeira, mas com o tempo veremos que não é.
Então, quem somos nós? Somos… a Maria, o Manel, o Tono, o Quim… que nos apresentamos com um corpo… um corpo alto, baixo, magro, gordo, claro, escuro, com uns contornos muito bem alinhados ou trabalhados um pouco à pressa… com olhos castanhos, azuis, pretos… cabelos fortes, fracos, lisos, encaracolados, eriçados, encarapinhados e castanhos, louros, grisalhos… com pernas altas, baixas, gordas, esguias, mal chambradas ou esbeltas… dedos grossos, finos, compridos, curtos, com unhas muito bem ajeitadinhas ou mal cavacadas… queixo com covinha ou sem ela, orelhas pequeninas ou orelhudas, nariz bicudo ou achatado… pés de quarenta e quatro ou trinta e cinco… e é assim que nos vemos quando nos olhamos ao espelho e que as pessoas com quem convivemos nos vêem e nos conhecem, porque, de facto, somos assim. E cada um de nós é como é, e se não se assume, assim, tal como é, é porque em si algo não está bem.
Quer queiramos ou não, não podemos fugir desta realidade. O nosso corpo, com tudo quanto o compõe, quer gostemos e apreciemos, quer não, é o nosso bilhete de identidade social, é por ele que nos conhecemos e somos conhecidos e conhecidas.
E não dizemos vai ali o espírito da Maria… do Manel… do Tono… do Quim… mas vai ali a Maria, o Manel, o Tono ou o Quim, pois é o corpo que identifica a cada um de nós porque é com ele que marcamos a nossa estadia neste mundo.
E antes de começarmos a falar no algo mais que pertence intimamente a esse corpo, podemos ainda continuar a ver as inumeráveis formas como ele se poderá apresentar publicamente, ou melhor dizendo, como é que nós nos poderemos mostrar publicamente através desse corpo, pois ele, o nosso corpo, pode apresentar-se de muitas maneiras, esta é mais uma realidade que temos que aceitar.
Somos cidadãos do mundo, nascidos num qualquer país de um dos seus continentes… num determinado lugar, cidade ou aldeia… numa família pequena ou grande… rica ou pobre, bem ou mal formada… que é sempre uma ínfima parcela de uma sociedade!
E… por hoje… acho que é melhor ficarmos por aqui… a pensar na maravilha da nossa querida família e também da sociedade que a acolhe! E para que o nosso meio envolvente comece a ser bem melhor, vamos ser muito positivos olhando mais atenta e profundamente as coisas boas que dele podemos tirar.

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

(Publicado no "Notícias de Cambra")

domingo, 9 de maio de 2010

As voltas que o mundo dá!


Que o mundo anda às voltas toda a gente sabe, e ainda bem que anda às voltas, pois se não fossem as voltas do mundo a noite seria sempre noite e o dia sempre dia, o calor sempre calor e o frio sempre frio. O mundo anda às voltas… claro que anda, anda às voltas giratórias… porque além destas voltas sempre iguais… quem dá as voltas não é o mundo, somos nós! Nós é que damos voltas… e voltinhas... na vida deste mundo onde nada é definitivo e a única certeza que temos depois do nascimento é a morte, morte que, nos últimos tempos, não se tem cansado de retirar da nossa companhia um sem número de amigos que continuarão para sempre indelevelmente marcados e carinhosamente guardados bem no fundo do nosso coração.
Dói muito ver as pessoas partir tão precocemente, claro que dói… mas dói ainda muito mais ver os nossos amigos e amigas a sentirem a dor amarguíssima da separação e a profunda aridez da saudade, saudade a que as voltas que damos no mundo acabam por nos habituar… a viver com o que temos. E neste viver, damos voltas à cabeça para descobrirmos a melhor forma de organizarmos a vida de modo a que se desenrole dentro da normalidade com fé, esperança, amor, calma e moderação. Precisamos também de dar voltas à memória para recordar o legado que esses entes queridos nos deixaram: as palavras, os gestos, as atitudes… e daí concluiremos que o mundo, se por um lado fica sempre mais pobre quando alguém parte porque o trabalho e presença desse alguém não mais o vai ajudar a crescer, mas mais rico porque, na ausência da pessoa, vemos mais claramente e interiorizamos mais capazmente as suas qualidades, que nos podem servir de exemplo e de normas de vida o que, consequentemente, nos pode servir de enriquecimento e crescimento global.
Cada pessoa é única e irrepetível, pelo que, depois de passar pelas voltinhas deste mundo, o mundo nunca mais será como dantes, porque toda a sua vida o tornará diferente, se para pior ou para melhor… a escolha é pessoal e intransmissível, urge saber e ter coragem de a fazer.
Assim sendo, neste tempo conturbado, olhemo-nos interior e exteriormente para nos conhecermos tal qual somos e perguntarmos a nós mesmos se estamos a ser, na verdade, pessoas coerentes, realizadas e capazes.
É preciso aprender a dar voltas ao coração para que o nosso amor total seja mais sincero e abrangente; a dar voltas à carteira para que o dinheiro nos chegue para as despesas do dia a dia e não nos desampare nos imprevistos do mês; a dar voltas ao meio ambiente para cuidarmos melhor das plantas e dos animais e tornarmos o mundo mais belo; a dar voltas à nossa solidariedade para partilharmos o que nos sobra com quem pouco ou nada tem; a dar voltas à nossa sensibilidade para nos alegrarmos com quem está alegre e nos entristecermos com quem está triste; a dar voltas à nossa pacatez para nos inquietarmos em tentar melhorar tudo o que nos rodeia e não dá ao mundo uma mútua aceitação, compreensão, tranquilidade, serenidade, paz e amor. Sejamos corajosos e decididos, pois só assim seremos os verdadeiros homens e mulheres de que o mundo necessita.

Hermínia Nadais

A publicar no "Notícias de cambra"

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um resposta convincente!...

Desejo, antes de mais, felicitar a Hermínia pelo excelente texto “Começo… dos começos”. E é excelente não por estar bem escrito (mas também), sobretudo porque traduz o sentir de alguém que se encontra “livre de pressões exteriores” e “preconceitos internos”.
Seria desejável que esta postura, onde sem dúvida se ajusta a “coerência entre as palavras e atitudes” (peço-lhe, Hermínia, desculpa por a citar, mas é para que entenda o quanto subscrevo o que escreveu) se estendesse em generalidade; porém – e agora socorro-me da alegoria da caverna, de Platão – ainda não todos saíram da caverna para entender que a verdade não é as sombras que se projectam nas paredes, mas a luz que faz com que sombras sejam projectadas.
Quem habitualmente lê este jornal e está atento, poderá lembrar-se que uma vez estivemos, eu e a Hermínia, em contradita nestas páginas e agora estranhará. Saiba-se que nem eu virei católico nem a Hermínia virou espírita; sucede que quando se respeita o outro no que ele é e acredita, as diferenças são dirimidas com argumentos serenos e não com gritos e anátemas. Daí a possibilidade do diálogo, da ponte, da amizade.
O diálogo inter-religioso é realmente possível. Sendo Deus único, tem necessariamente de ser o mesmo para todos; e os seus atributos não permitem posse, logo, não é mais de uns do que de outros. Mais que pertencermos a uma determinada religião, que é algo que se estrutura no exterior do ser, importa sermos religiosos, que é aquele sentido íntimo de ligação a Deus (chame-se-lhe porventura um qualquer outro nome) e se traduz no amar o próximo como a si mesmo. Esta vivência aproxima-nos de todos e de cada um e, como diz e bem a Hermínia, faz com que nos sintamos bem entre diferentes, porque estamos de bem connosco mesmos. Acrescento que a ligação que se estabelece entre o mesmo e o diferente é tal qual a que pela alteridade se estabelece entre o próprio e o outro: esta a relação perfeita que se acha estabelecida entre Deus e Jesus, os quais não sendo embora o mesmo, estão efectivamente unados (tal como os demais e inúmeros Cristos estão).
Como bom seria também que estivéssemos unidos, não tanto nem prioritariamente na filosofia, mas principalmente na prática da caridade, como Paulo de Tarso a define, e fora da qual não há salvação.
Um abraço para si, Hermínia, e para todos quantos o aceitem de “carinho, compreensão, paz”.

A. Pinho da Silva


“Ama… e faz o que quiseres!”


Depois deste maravilhoso texto do António Augusto, o amigão que com a sua coragem, valentia e coerência me ajudou a ser muito do que hoje sou, tenho a dizer que, por mais que me custe pelos inúmeros adjectivos com que me qualifica, o subscrevo na íntegra, pois se o não subscrevesse seria mentirosa.
É um texto bem curto mas de uma dimensão tão grande que cada parágrafo é um livro.
Gostaria de chamar a atenção, sobremaneira, para algumas das suas frases. É preciso, de facto, com a maior urgência possível, que busquemos a verdade, não nas sombras que nos parece que os nossos olhos vêem, mas no verdadeiro sentir dos nossos corações a que, muitas vezes, as palavras e expressões não conseguem dar voz.
Que cada um de nós, viva como viver, tente, a todo o custo, ser, realmente, luz para os demais.
Nesta rubrica sobre espiritualidade, cuja realidade, por mais dissecada que seja, nunca se esgotará, eu queria que todos os que conseguíssemos ter a coragem de nela participar, e que espero sejam muitos e muitas, interiorizássemos nas nossas vivências, ininterruptamente, a célebre frase de Santo Agostinho que, sendo curtíssima, perfaz toda a liberdade e realização de qualquer Ser Humano: “Ama… e faz o que quiseres!”
Quem ama não magoa, muito pelo contrário, faz tudo pela pessoa amada!... Quantas atitudes menos boas seriam mudadas… na face desta bendita terra… se todos conseguíssemos, de facto, amar verdadeiramente!

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

Textos publicados no Notícias de Cambra, rubrica Espiritualidade

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Como vai o mundo!


Com o nosso jeitinho de chorões confessos, a maior parte de nós passa a vida a dizer que tudo está muito mal… mas, na realidade, como vai o mundo… não sei! Tudo dependerá do olhar com que o virmos. Se o olharmos com os olhos da maldade, vê-lo-emos tremendamente mau; se usarmos o olhar de quem procura ver só o bem, encontraremos muitas coisas boas; se, contudo, preferirmos encarar a realidade, veremos comportamentos e acontecimentos bons e menos bons e atitudes das mais variadas índoles.
A experiência pessoal e colectiva vai-nos alertando, em cada dia, de que nada poderá ser considerado totalmente mau quando o Homem quer crescer, pois os problemas no ontem resolvidos, no hoje deixarão de ser “problemas” para se virem a denominar de maravilhosas “conquistas”.
Todos desejamos sucessos tranquilos, e está muito certo, pois não podemos ser masoquistas. Mas se observarmos um pouco a nossa maneira de ser e estar, num curto espaço de tempo concluiremos que o bem-estar prolongado, que à partida é muito bom, nos instala no nosso cantinho e nos fecha de tal forma os horizontes que começamos a pensar apenas no prazer imediato com a inevitável sensação de vazio e cansaço interior, pois a felicidade provinda dessa forma será sempre efémera e passageira.
Temos de ter consciência de que os problemas em demasia nos arrasam, mas temos de convir que uma vida sem problemas também não ajuda em nada a nossa realização pessoal. A sabedoria popular diz que uma pessoa sem problemas tem o enorme problema de não ter problema nenhum – porque assim estagna, não cresce.
Os problemas a enfrentar serão tanto maiores quanto menor for a nossa preparação para a vida. Aliás, é a resolução de problemas que nos prepara para a vida, ou melhor dizendo, o desenrolar da vida é uma constante resolução de problemas, pelo que não podemos pedir a não existência de problemas, mas a capacidade para os resolvermos com sucesso.
O mundo é um jardim florido onde o espaço, comida e tecto para todos falha para muitos apenas pela intolerância, avareza e desamor de uns tantos.
É preciso dizer aos ricos que pensem nos pobres, mas urge dizer aos que se dizem pobres que têm de lutar pela vida, que não podem cruzar os braços para continuar a esperar por subsídios… que já são demais. A vida vale pelo que sofrermos por ela. É muito fácil aos que se dizem pobres criticar os ricos, mas a verdade é que o mundo nunca crescerá com parasitas da sociedade… que é o que são muitos dos que se dizem pobres… aliados aos “ricos vadios” que nada produzem e só gastam.
A sociedade tem o dever de olhar muito bem pelos doentes e velhinhos, mas tem de fazer tudo para levantar a moral dos mais desprotegidos, sejam eles ricos ou pobres, aqueles para quem a vida é sempre um drama… a maior parte das vezes… simplesmente… porque nunca tiveram quem os ajudasse a aprender a viver. Que quem de direito… seja generoso na ajuda!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O COMEÇO… dos começos!

Foto de Herculano Nadais

Quando se fala em espiritualidade vem-nos à mente a religião, e quando se fala em religião aflora-se-nos um sem número de crenças à volta das quais os homens e as mulheres se aglomeraram e vão aglomerando para dar vida às inúmeras religiões que, duma ou outra forma, tentam mostrar à humanidade razões de viver, caminhos para a vida, eternidade feliz para além da morte física ou então um faz tudo quanto puderes neste mundo porque quando morreres, acabas!
Por mais que queiramos fugir destas realidades elas fazem parte do ser humano que somos no mundo onde vivemos que é o mesmo que dizer, fazem parte de nós… aglomerados de células materiais ajustadas entre si e animadas por algo que não vemos mas sentimos e a que chamamos alma ou espírito. Daí que o Homem, Ser Humano, é um ser crente por natureza, que tem necessariamente de acreditar em alguma coisa, porque mesmo quando um homem ou mulher diz que não acredita em nada… é nesse nada que acredita… o que é também, sem sombra para dúvidas, uma crença. Como Seres Humanos que somos, irremediavelmente temos alimentar-nos de uma crença, não podemos fugir desta realidade.
Estamos numa época em que o mundo cada vez nos parece mais pequeno e global. As notícias correm tão velozmente que nos entram em casa quase no momento exacto em que acontecem. A informática está tão desenvolvida e as pessoas têm tantos saberes que descobrem os segredos melhor guardados e põem a descoberto os mais díspares comportamentos. A tendência terrivelmente negativa de quase virem a lume as atitudes mais perversas em detrimento de tantas outras dignas e dignificantes feitas no anonimato e que nunca serão notícia, é uma realidade.
Perante esta sociedade tão astuta e exigente começa de se sentir necessidade de um esforço muito grande para acabar com as máscaras, pois as pessoas, na generalidade, estão suficientemente formadas para, face a vivências ou afirmações de outrem distinguir com alguma facilidade as falsas das verdadeiras, pela ajustada coerência entre as palavras e atitudes que têm de condizer, irremediavelmente, para serem verdadeiras.
Não podemos querer que haja máscaras no mundo, mas que cada pessoa, livre de pressões exteriores ou preconceitos internos, seja igual a si mesma e se afirme tal qual é em qualquer tempo, lugar ou circunstância. Não basta sentirmo-nos bem entre iguais, ou seja, entre pessoas que pensam como nós, é urgente sentirmo-nos muito bem entre pessoas que pensam e vivem, assumidamente, de forma diferente, numa total compreensão e respeito mútuo pelas suas diferenças.
Imaginemos que o Mundo dos homens e mulheres é um imenso jardim onde as crenças e religiões são canteiros bem floridos cada qual com suas flores específicas, e onde podemos observar tanta diversidade de canteiros com flores que a maior parte das flores nos são desconhecidas, e que é toda essa imensa e harmoniosa diversidade e beleza que torna o jardim charmoso e atraente onde, as flores que se aventurem a sair dos seus canteiros não seja para agredir as demais as para as mimar com abraços de carinho, compreensão, aceitação
e paz.
O nosso jornal aceitou por bem criar um espaço sobre espiritualidade como possibilidade de expressão e partilha de opiniões, uma forma de podermos caminhar com unidade na diversidade de caminhos com que buscamos a FELICIDADE, meta comum de todos nós, numa cada vez maior realização pessoal e comunitária. A importância de cada um não está no “ser igual aos outros” mas no “saber viver e conviver harmoniosamente consigo mesmo e com os outros” respeitando todas as diferenças.

Hermínia Nadais
http://textosdaescoladavida.blogspot.com

Rubrica "ESPIRITUALIDADE" no "NOTÍCIAS DE CAMBRA"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sonhos desfeitos!


A vida é sempre um sonho que se vai tornando realidade ao longo do seu decorrer. Quanto maiores forem os sonhos mais longe a pessoa poderá chegar, porque é o sonho que, realmente, comanda a vida! Se deixarmos de sonhar - não tenhamos ilusões - deixaremos de nos interessar pela vida e não chegaremos mais a lado nenhum.
Essa vida de que fomos dotados e dizemos nossa, é nossa para a vivermos na maior plenitude possível, para cuidarmos dela no seu todo material e espiritual o melhor que pudermos e soubermos, para a pormos ao serviço dos outros quanto mais totalmente melhor, mas alongá-la, um minuto que seja, não é mais obra nossa mas de Quem no-la concedeu.
Neste canto do mundo onde normalmente passo os meus dias fechados sobre si mesmos em trabalhos e canseiras das mais variadas índoles, chegam-me notícias de todo o mundo com relativa facilidade, mas o que se passa à minha volta num meio ambiente mais ou menos próximo, é difícil cá chegar. Esta foi a razão porque, somente hoje, num telefonema que fiz à redacção deste Jornal para tratar de assuntos pendentes, fui informada da última e definitiva partida do nosso muito querido Comendador Aníbal Araújo.
Homem arrojado que transformou sonhos em realidades, que soube correr mundo e conviver com as mais altas esferas unindo povos irmãos, que tão graciosamente repartiu haveres com quem deles necessitava, que suportou corajosamente as intempéries da vida sem nunca vacilar ou esconder o rosto, que foi íntegro até ao último momento negando tudo quanto pudesse manchar a sua alta dignidade de Ser Humano que não queria, sob que pretexto fosse, ultrapassar as regras do bom comportamento moral e cívico por que sempre se pautou.
Amigo, que escondia no seu porte seguro e semblante duro os cuidados mais desvelados e o maior carinho e atenção por toda a gente, em especial pelos familiares, amigos e colaboradores mais próximos.
A sua dedicação à Comunicação Social Regional e não só foi até ao extremo. Partiu cedo demais, e deixa entre nós um grande vazio, difícil de superar.
Que todos, mas principalmente os seus familiares, sejam repletos de todas as graças necessárias para que se possam recompor, o mais rápido possível, de tão desmedida e irreparável perda que acarretou consigo tantos sonhos, desfeitos!
Grande e incomensurável Senhor Comendador Aníbal Araújo: o Notícias de Cambra deve-lhe a vida! O povo cambrense ser-lhe-á eternamente grato e ficará eternamente presente nos nossos corações!
Que Quem tão cedo o levou de entre nós o faça imensamente feliz, na Pátria Eterna. Depois de tantos trabalhos e canseiras, GRANDE AMIGO, descanse em paz!


Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 28 de março de 2010

Páscoa, felicidade e amor!


Estamos nos últimos dias que nos separam da vivência de mais uma Páscoa, festa universal que nos levará a todos, como o termo indica, a alguma passagem, que se de mais não for, será de alguns dias um tanto diferentes dos demais.
A festa da Páscoa, que data dos tempos mais remotos, é universal, muito embora vivida por cada povo bem à sua maneira.
Neste cantinho do mundo, nós, portugueses, que nos orgulhamos de ser um País de índole cristã acentuadamente católica, o como vivemos a Páscoa é um ponto a considerar. Longe vai o tempo dos longos sermões e sentimentais vias-sacras a preencher os domingos da Quaresma, e da Semana Santa cheia de representações com pessoas magoadas até ao choro, seguidas de domingos de Páscoa acordados pelo alegre repicar dos sinos com a Cruz levada em júbilo pelas ruas de visitas às habitações onde a miudagem se alegrava até ao fundo do coração com uma pequena fatia de pão-de-ló e algumas amêndoas que o Padre docemente lhe deitava nas mãos… e coma visita dos padrinhos que esperava ansiosa lhes adoçasse um pouco mais a boca com a oferta de mais algumas amêndoas.
O saudosismo abala muita gente que se amofina porque agora tudo está diferente, mas temos que convir que muitas dessas vivências eram puramente ritualistas, e quanto a lágrimas, não eram só de pena do sofrimento de Jesus mas também de pavor pelo castigo que iriam receber de Deus pelos desvarios cometidos. E foi neste tipo de educação cristã que a maior parte dos mais que cinquentões viventes cresceram.
Não quero que isto possa ser visto como crítica, que não é, pois pretendo apenas recordar o que foi a nossa realidade… realidade que teremos de ver como berço dos nossos filhos e netos para não nos revoltarmos tanto com a realidade dos nossos dias.
A maior parte dos nossos pais e avós não sabiam ler nem tinham quaisquer estudos, não tinham jornais, rádio, televisão nem internet e os transportes eram escassos, situações desfavoráveis ao conhecimento de outras culturas e desbravamento de outros horizontes, pelo que se mantiveram sempre debruçados sobre si mesmos.
A maior abertura ao estudo aliada à implementação da comunicação social e meios de transportes parece-nos ter colocado o mundo do avesso, mas não. O mundo é belo e bom, e a massa humana não está tão mal como parece, nós é que temos o péssimo hábito de ver primeiro o que está mal e acabamos por ver só o mal.
Se nesta Páscoa que atravessamos passarmos a ver primeiro o bem, descobriremos em nós e nas pessoas que nos rodeiam coisas muito boas e o mundo parecer-nos-á muito melhor.
Vivemos na busca constante da felicidade, uma utopia nesta etapa da vida que de felicidade nunca nos dará mais do que alguns momentos, que serão tanto maiores e melhores quanto mais, esquecidos de nós mesmos, nos dedicarmos a compreender, aceitar e conviver com quem nos rodeia com muito amor, carinho e dedicação.
Para todos, montanhas de felicidade numa Páscoa de amor!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 8 de março de 2010

Incoerências, não!...


Eclodindo dos germes da vida os seres humanos vão crescendo numa busca constante de todos os cuidados a fim de se tornarem capazes e saudáveis. Contudo, os maiores cuidados a ter não se prendem com questões corporais específicas visivelmente palpáveis, mas com curas a efectuar pelas próprias pessoas, no mais íntimo de si mesmas, naquele lugar sagrado a que chamamos coração, onde se encontra a verdadeira raiz de todo o nosso viver e donde brota toda a infelicidade ou felicidade no rumo da nossa vida
Não temos dúvidas de que o bem e o mal, a que fomos presos desde o primeiro momento, caminharão connosco lado a lado, por onde quer que andemos, de mãos dadas. Não há notícia de alguém que tenha necessitado de qualquer esforço para praticar o mal… mas temos inúmeros testemunhos de coragem e persistência na luta pela prática do bem, pelo que temos de convir que o mal é bem mais ágil e astuto do que o bem.
Para que haja um bom desenvolvimento global de cada pessoa urge termos em conta, a par da saúde física e de uma boa preparação psicológica, uma boa formação espiritual e moral, no sentido de que os seres humanos possam ir discernindo gradualmente as boas regras de comportamento pessoal determinantes de um comportamento social mais ou menos aceitável conforme a livre vivência dessas boas regras de vida que cada um tiver interiorizado.
Quando se diz que “a educação começa vinte anos antes da criança nascer” é porque, normalmente, o filho ou filha, são o reflexo da educação dos pais que, sem se aperceberem, lha vão transmitindo das mais diversas formas.
Quanto mais pequeno é o bebé, dada a sua inatividade e capacidades inatas, mais facilidade tem de apreender o que ouve, vê e sente, o que a grande maioria das pessoas continua a desvalorizar e, por isso, há sempre comportamentos menos bons que o pequenino ou pequenina acabam por absorver sofregamente qual esponja seca quando encontra água, o que posteriormente os poderá influenciar a cair, inadvertidamente, em erros comparados com os dos pais.
Não podemos exigir dos outros um comportamento que nós próprios não tivemos ou ainda não temos. Para compreender o comportamento alheio, o melhor é olharmo-nos interiormente de modo a verificar que também nós cometemos erros... e assumir de uma vez por todas, acima de tudo, a nossa falta de coragem de nos reconhecermos errados.
Que os pais vivam como pais… os filhos como filhos… os patrões como patrões… os padres como padres… as freiras como freiras… os empregados como empregados… os amigos como amigos… enfim: o mundo será muito mais humano se cada pessoa se esforçar ao máximo para ser coerente consigo mesma, vivendo cada vez mais de acordo com os princípios que livremente tiver escolhido e assumido… porque isto de parecer… e não ser… é uma mentira de tal tamanho que arrasa completamente tanto a quem a vive como a quem a sofre pelo mal-estar da mentira vivida!
Não sejamos mornos! Especificamente, há o quente… e há o frio! Incoerências… não!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Há muita falta de espelhos!...


Nas últimas décadas temos assistido e um enorme desenvolvimento a todos os níveis, principalmente na tecnologia da comunicação e meios de transporte que vão acentuando a passos largos, no dia a dia do mundo, a ideia de uma aldeia cada vez mais global e globalizante.
Vivemos num pequeno país da imensa Europa que muitos dizem de valores perdidos, mas em que muitos outros põem toda a confiança de um futuro mais risonho e promissor para todos, pois todos têm o direito ao bem-estar e felicidade.
Como quando há uma tempestade se espera pela bonança… talvez os nossos inúmeros problemas estejam prestes a extinguir-se! Mas não podemos ficar à espera que sejam os outros a resolvê-los. Temos de por e render todas as nossas capacidades, físicas, intelectuais, culturais, morais… colocando-as ao serviço do bem comum… na atenção a dar a nós mesmos e a quem nos rodeia, no trabalho feito com amor, no descanso por necessidade, na solidariedade e partilha a quem precisa de uma palavra, um gesto, um carinho, um sorriso… mas conscientes de que nada disto veste corpos nem enche estômagos famintos… é preciso muito mais… muito mais do que o dinheiro ou bens que os remediados e pobres partilham com muito boa vontade, mas que não chega!
Admiro-me muito quando ouço criticar e prender certo tipo de ladrões… os que se aventuram a actuar nas ruas, nas casas, nos cafés ou até mesmo nas instituições bancárias, e pagam na cadeia e muitas vezes com a vida a malvadez dos seus actos… enquanto os desviadores de tantos milhões que deveriam ser utilizados para o bem-estar de todo o povo português… e chegavam bem para isso… continuam bem vivos e à solta… sem ninguém que os castigue ou lhes diga “basta”!
Conscientes de que o bem e o mal caminham connosco lado a lado, se não lutarmos por praticar o bem o mal toma logo conta das nossas acções e acaba por fazer de nós os maiores egoístas e malfeitores… e a maior parte das vezes cheios de sorrisos, de boas maneiras e falinhas mansas… numa hipocrisia inconcebível!...
É urgente termos o conhecimento exacto da honestidade que devemos ter nos cargos que ocupamos, sejam eles quais forem, onde deverá haver o mesmo peso e a mesma medida para todos os cidadãos, indiferentemente da sua condição social, ideologia, raça, credo ou cor! Todos somos gente, e toda a gente tem responsabilidades no lugar que ocupa na sociedade – pois somos seres sociais que dependemos uns dos outros!
Em vez de evidenciarmos o que vão fazendo de bem falamos mal de tudo: do Governo, das Autarquias, da Segurança Social, dos Tribunais, dos Advogados, dos Médicos, dos Enfermeiros, dos Professores, dos Alunos, dos Funcionários Públicos, dos Bancários, dos Comerciantes, dos Industriais, dos Patrões, dos Empregados… dos bêbados, dos drogados, dos malandros e dos “tarados”… que somos todos nós que passamos a vida a criticar os outros e sem um “espelho” que nos ajude a ver claramente o nosso comportamento real.
O aumento da compreensão, solidariedade e fraternidade humana devia acompanhar o desenvolvimento cultural e tecnológico. No mundo há bens materiais mais que suficientes para que todos vivam sem necessidades, mas enquanto houver, ricos ou pobres, orgulhosos… avarentos… presunçosos… preguiçosos… o mal-estar e a miséria continuarão a existir. E para quê tanta ganância… se nada no mundo é totalmente nosso! Se tivéssemos a coragem de olhar profundamente e “com olhos de ver” o que aconteceu na nossa Ilha da Madeira, no Haiti, e em tantos outros locais arrasados pelos distúrbios da Natureza… saberíamos muito bem como fazer o mundo feliz!

Hermínia Nadais
A Publicar no Notícias de Cambra

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A barca da perdição!


Hoje, numa situação muito especial, alguém afirmou que é preciso sair da barca da perdição. Esta frase serviu-me de tema para mais uma reflexão sobre algumas das particularidades do ser humano, perito em importâncias, daí ceder muitas vezes à tentação de olhar os seus congéneres de cima para baixo, comportamento que lhe concede a maior de toda a mesquinhez.
Estou careca de ouvir dizer que o mundo está muito mal, que as pessoas são muito más e que é preciso que encontrem o verdadeiro caminho… mas sinto que muito pouca gente mostra o caminho verdadeiro com obras em vez de palavras… e se com palavras… com palavras que sejam o reflexo de uma vida austera, íntegra, caridosa, cheia de compreensão, doação e amor, que seja um exemplo a seguir calma, segura e confiadamente.
Mais do que nunca é imperioso acabarmos com muitas das nossas ilusões. Não vale a pena passarmos a maior parte da vida a dizer aos outros que é preciso alterarem os seus comportamentos … mas é urgente fazermos uma análise profunda aos nossos… que são os únicos que podemos alterar.
Palavras leva-as o vento – é um ditado muito velho e que cada vez se torna mais evidente – pois as lições de moral, se não são dadas com a vida, nunca serão lições, antes, transformar-se-ão em perdições.
Se tivermos em conta o que acontece connosco quando somos criticados… se analisarmos a revolta sentida e o desencadear de sentimentos negativos e negativistas… e muitas vezes mesmo o enorme desânimo e agressividade… ficaremos certos de que as críticas pelas críticas, ainda que sejam feitas com muito boa vontade, não levam a lado nenhum. Se pelo contrário, enveredarmos pelo lado do elogio, o sucesso será evidente, pois toda a gente tem necessidade de ser reconhecido como capaz.
A mudança de comportamento das pessoas não está nas chamadas de atenção para os seus erros, mas para as suas boas acções.
Sabemos que umas mais que outras, mas todas as pessoas têm comportamentos mais ou menos salutares. Importa descobri-los, valorizá-los, mostrá-los, pois ainda que sejam coisas insignificantes, se as valorizarmos, podem ser melhoradas e multiplicadas no mais curto espaço de tempo! Uma pessoa valorizada faz tudo por transformar a sua vida, pois se por mais não for, será para continuar a ser elogiada e reconhecida no aperfeiçoamento das suas capacidades. O ser humano cria hábitos, e se a pessoa se habituar a sentir-se feliz ao praticar o bem, vai continuar a praticá-lo, não tenhamos dúvidas.
Como não pretendo iludir ninguém, quando faço afirmações… é porque já as tenho experimentadas!
Se formos sinceros e sinceras na análise cuidada de todos os nossos actos… verificaremos que a pior das barcas da perdição é a que se encontra bem dentro de cada um de nós… sejamos nós quem formos.
Se cada um de nós tivesse a sabedoria e a coragem de lutar contra os seus próprios defeitos e de amar todas as outras pessoas aceitando misericordiosamente todos os defeitos que elas possam ter… o mundo seria muito melhor. Então, não esperemos mais, sejamos valentes para podermos mudar as nossas atitudes de vida… e tornar o mundo mais realizado, humano e feliz!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra