segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pessimismos, não!



A educação através dos tempos vai sofrendo alterações consideráveis. Urge, por isso, estarmos atentos aos sinais de mudança para acompanharmos convenientemente o desenvolvimento e nos mantermos actualizados.
Quando eu era criança – há que tempo isso já vai - em vez de sermos educados para desenvolver capacidades levavam-nos a aprender a corrigir erros, o que nos levava a ver sempre tudo pelo lado negativo… que acabava (e acaba) por ser o maior de todos os erros… uma verdadeira aberração!...
Porém, o ditado popular “O que o berço dá, a tumba o tira”, nem sempre é verdadeiro. O decorrer da vida dá-nos muita experiência… e por acções continuadas de tentativas e erros acabamos por verificar que ver o mundo pela negativa não funciona de jeito nenhum: tira-nos as perspectivas de vida, estagna-nos, faz-nos olhar só para nós mesmos e julgarmo-nos melhores do que os outros… fazendo de nós uma de entre as poucas pessoas boas no mundo… e isso não é verdade!... Todas as pessoas têm a sua parte boa e a menos boa, se assim não fosse não seriam humanas!
Todas as pessoas, acontecimentos e comportamentos apresentam sempre duas visões opostas entre si. Se olharmos só o lado mau veremos tudo preto; se olharmos só o lado bom veremos tudo cor-de-rosa… mas se olharmos muito bem lá no fundo temos a certeza de que nem tudo é preto nem tudo é cor-de-rosa, há preto com manchas cor-de-rosa e cor-de-rosa com manchas pretas... mas ainda assim… em qualquer das situações, dependerá sempre da forma como eu vir as coisas que poderei ou não valorizá-las. Eu poderei sempre olhar as “lindas manchas cor-de-rosa”, no preto... ou o “lindo fundo cor-de-rosa”… que o preto manchou.
Neste contexto, podemos concluir que, de entre as muitas realidades horripilantes que nos rodeiam, sempre encontraremos comportamentos muito louváveis que é preciso descobrir e valorizar. E quanto a isso acho que já estamos a encontrar o bom caminho, porque por todo o lado encontramos comportamentos positivos de sobra, há que incentivá-los.
Ainda não compreendi porque não vemos nada de bom na sociedade actual… nos Governos… nos Tribunais… na Segurança Social… na Igreja… na Escola… nas Pensões Sociais… em tantas instituições… e em tantas pessoas!...
Não tenhamos ilusões! Não são as críticas que corrigem as pessoas… e muito menos as críticas destrutivas. Se temos a certeza que “O sonho comanda a vida”, sonhemos! Sonhar é ver o lado bom das coisas, é procurar em primeiro lugar, em todas as pessoas e em todos os acontecimentos o que têm de bom, e enaltecer, elogiar esse bom.
Um elogio cai sempre muito bem em quem o ouve e enobrece quem o faz. É uma forma de valorizarmos as pessoas e de as incentivarmos a ser melhores.
Se tratarmos muito bem as flores do jardim não gastaremos tempo a tirar as ervas ruins, porque elas morrerão por falta de espaço para crescer. Do mesmo modo, se enaltecermos as qualidades das pessoas ou das instituições (que são geridas por pessoas), as qualidades dessas pessoas fortalecer-se-ão de tal modo que acabarão com os defeitos, irremediavelmente.
E por que não… tentar a experiência? Pessimismos… ai isso é que não!...

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pequenos gestos


Ansiando algo que nos torne visíveis, corremos incessantemente, esfalfamo-nos, atropelamo-nos a nós mesmos e a quem connosco convive, esquecidos de que a vida é o desenrolar de pequenos gestos, grande parte deles repetitivos e rotineiros… e assim sendo, ao longo da vida, na busca das grandes façanhas corremos o risco de nos desviarmos das grandes linhas.
Todos os dias deitamos, levantamos, adormecemos, acordamos, vestimos, despimos, sujamos, lavamos, comemos, bebemos, vamos para o trabalho, regressamos, vemos televisão, lemos algumas revistas e jornais, tomamos café em casa ou num sítio qualquer onde nos habituamos a encontrar amigos… fazemos parte de pequenos ou grandes grupos de formação ou recreio… passamos uns fins de semana fora de vez em quando… visitámos familiares e amigos... e no meio de todos estes nadas, não importa o que temos mas a forma como o usamos, não importa o que fazemos mas a forma como fazemos, e podem não querer dizer nada as palavras que proferimos mas marcará profundamente a forma como as pronunciamos… e não importa o que parecemos ser, interessa o que realmente somos. Não podemos viver de aparências, mas de realidades… por isso não adianta colocar máscaras, porque vem o momento em que, irremediavelmente, as deixaremos cair. E não adianta querermo-nos comparar com os outros, pois cada pessoa, pelas mais diversas razões, é diferente, única e irrepetível!
E se sabemos que assim é, não vamos comparar-nos com ninguém, pois nunca seremos como esse alguém com quem nos queremos comparar. Em face disto, o máximo que poderemos fazer é avaliar as nossas capacidades e aptidões e ver em que situações concretas nos poderemos aproximar do modelo pretendido… mas tendo presentes duas coisas muito importantes: por maiores que sejam os nossos progressos na luta por nos tornarmos diferentes nunca deixaremos de ser nós; e depois, o modelo que queremos imitar também pode desviar-se do trilho… tornar-se, ele mesmo, diferente.
No desenrolar dos nossos dias, antes de mais, é connosco próprios que temos de aprender a viver. Muitas vezes não aceitamos os outros porque não conseguimos aceitar-nos a nós mesmos. Se não aprendermos a descobrir quem somos, a aceitarmo-nos como somos e a vivermos em paz connosco mesmos assim como somos… nunca conseguiremos descobrir, aceitar nem conviver com mais ninguém.
Um grande arranha-céus começa por um pequeno esboço no papel e é construído viga a via e tijolo a tijolo; as grandes façanhas dos homens e mulheres começam sempre por ser delineadas nos seus pequenos gestos; as grandes amizades começam muitas vezes em encontros fortuitos ou no cruzar de pequenos sorrisos. E quando, muitas vezes, gostamos muito duma pessoa sem sabermos bem porquê… se analisarmos a questão mais profundamente descobriremos nos mais pequenos gestos dessa pessoa algo que nos tocou ou toca o coração.
Então, se queremos ser crescidos e continuar a crescer, que os pequenos gestos do nosso dia a dia sejam repletos de todo o nosso cuidado, carinho e atenção!
Neste início de ano, mãos à obra, e muito bom trabalho para todos nós!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo… com Vida Nova!


Uma forte onda de frio vai cobrindo este recanto da Terra. As nuvens cinzentas escondem dos olhos o sorriso do Sol deixando-nos nostálgicos os sorrisos. Atrofiados pela extensão das noites, os dias aquietam a vida, e por mais que as lanternas dos homens queiram substituir a luz do Luar e o brilho das Estrelas, continuam a deixar-nos envoltos nas trevas.
Um pouco por toda a parte se ouvem cânticos evocando a “Luz de Belém” enquanto o “Deus Menino”, atento e sorrateiro, deixando pelo espaço desejos de encontro, foge ao ruído ensurdecedor do ambiente e vai refugiar-se bem no fundo de todos os corações que buscam desalmadamente a paz por que tanto anseiam. E lá bem no fundo vai lutando pelo desabrochar da Sua própria vida que irá mudar, irremediavelmente, a vida de todos esses corações onde agora habita. Não tenhamos ilusões: onde existir o bem, o “Menino” está lá… e todos os corações têm algo de bom, ainda que seja um pequenino nada. E é curioso como muitas vezes os homens que parecem mais ligados ao “Menino” são os mais egoístas e cegos que se nos apresentam… porque pensam que o “Menino” é só deles… e são incapazes de reconhecer que o “Menino” é de todos os homens... porque em todos os homens há espaço total para o “Menino”. E na maioria das vezes, aqueles que se dizem distantes por terem ideias diferentes… estão muito mais perto DELE do que o que se possa imaginar... pois enquanto muitos dos que se dizem amigos se deleitam em futilidades e de costas voltadas para quem com eles convive renegando mesmo as chamadas de atenção que lhes vão chegando a todo o momento… os que se julgam distantes, com todas as suas forças, vão tendo coragem de denunciar verdades intocáveis e procedem de tal modo que só eles mesmo é que não percebem que estão com o “Menino” ou muito perto DELE!... Isto é, realmente, Natal!
Aproveitando esta quadra festiva o 2010 abre as suas portas! Todos desejam um “Feliz Ano Novo”… alguns pedem “Vida Nova”… renovada por uma nova mentalidade.
Sabemos que as mesmas situações podem ser vistas de forma positiva ou negativa, e temos a certeza de que só a visão positivista levará ao crescimento pessoal e social do indivíduo, seja ele homem ou mulher. Então, como sugestão de mudança, aprendamos todos a ver que todas as pessoas são extraordinárias, mas como vivem com o mal e o bem lado a lado com elas, podem errar; mas mesmo sabendo-as erradas, não deveremos dizer que são más, porque ninguém é totalmente mau, e na grande maioria das vezes as más acções são provenientes da falta de conhecimento e compreensão, de dificuldades extremas ou de momentos de fraqueza. E como todos nós passamos por situações dessas mais ou menos acentuadas, temos razão suficiente para não nos julgarmos superiores a nada nem a ninguém, pelo que deveremos, sim, aceitar, compreender, ajudar!... Se tentarmos olhar a sério, nas pessoas mais reles podemos encontrar comportamentos muito bons, e um elogio apropriado, além de ser sempre bem aceite e não provocar desentendimentos, gera compreensão e paz.
É difícil mudar, mas não é impossível! Se todos queremos que o mundo seja melhor, tratemos de ser melhores nós mesmos. Feliz Ano Novo… com uma Vida Nova!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

As luzes de Natal!...


Este é um tempo de luzes, de todas as cores, tamanhos e feitios! Luzes das que os olhos vêem… mas acima de tudo luzes que iluminam todos os corações, das formas mais diversas, pois ninguém fica indiferente à passagem da quadra de natalícia.
Cada pessoa tem o seu natal, mas o Natal de Jesus Cristo é um Natal tão diferente que mexe com todos nós. E mesmo quem teima em afirmar que não acredita numa vida em Jesus Cristo, ainda assim, na época Natalícia, diferencia, de algum modo, as suas vivências normais.
Como não se sabe ao certo o quando do nascimento de Jesus, o 25 de Dezembro, no solstício de Inverno, foi o dia escolhido para festejar o SEU aniversário devido à importância que tinha para os pagãos pela celebração da festa do deus sol, o Sol que iluminava o mundo e continua a iluminá-lo, agora já não com as atribuições de um deus, mas como obra do verdadeiro Deus que mandou o SEU filho Jesus Cristo ao mundo para mostrar aos homens a luz verdadeira – UMA VIDA PLENA DE AMOR - para que os homens e mulheres possam, a Seu exemplo, viver também em amor.
Num misto de profano e divino, cada pessoa tenta viver a época de Natal como melhor sabe e entende… e de tal modo que até o coração mais duro deixa transparecer caridade.
A época de Natal é aliciante e provocadora: aliciante porque torna as pessoas muito ternas, interessadas, solidárias; provocadora porque nos leva a pensar no verdadeiro porquê de tantos presentes trocados e sorrisos abertos, de tantos acontecimentos maravilhosos pelas consciências tocadas, de tantos corações iluminados, não pelas luzes multicores, mas pela “CHAMA DE AMOR” emanada do Menino de Belém! Menino que não é lendário, existiu! Menino que foi e continua a ser rei, não de povos, mas de corações! Menino que, por mais sépticos e incompreensíveis que os homens sejam, terá o SEU nascimento como um acontecimento real pelos séculos sem fim… não mais como um menino de carne e osso, mas como “vida agraciada” nos corações de todas as pessoas de todas as raças, credos, cores ou ideologias que, das formas mais divergentes, se forem abrindo a uma vida de amor pela prática das regras mais elementares da boa convivência humana e da solidariedade social.
Deus é um Pai tão Amoroso que, mesmo ofendido por desamores, não mete medo a ninguém, porque ama sem peso ou medida e perdoa sem condições. E não admira que o dia escolhido para a festa do aniversário de Jesus tenha coincidido com a data de uma festa pagã, pois ELE nasceu para ensinar a lei do amor a todos os homens, e por isso mesmo, também aos pagãos, pois também eles são obra de Deus e com promessa de verdadeira felicidade.
E quanto a nós, cristãos, por todas as graças recebidas, veremos as nossas más acções muito mais escandalosas diante do mundo e muito mais culpáveis perante Deus.
Então, com todas as nossas fraquezas e limitações, sejamos cristãos autênticos, não só de nome pelo Baptismo mas em espírito e verdade, à boa imitação de Cristo, bem certos da enorme responsabilidade de O mostrar a quem ainda O não conhece, com obras e com palavras, através de uma vida digna e dignificante.
Para todos desejo um Natal cheio de Bênçãos e um próspero 2010!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 5 de dezembro de 2009

Perdoai... assim como nós perdoamos!...

Há dias, encontrei uma poesia que me mereceu uma atenção muito especial. Dizia que numa velha lenda de cristãos se contava que, quando Jesus morreu crucificado, desceu de imediato ao inferno para de lá libertar os pecadores que ali padeciam tormentos indizíveis. E nessa tarefa, enquanto o diabo chorava amargamente convencido de que a partir daquele momento nunca mais teria ninguém a ir para o inferno, Deus ia-lhe dizendo que não chorasse mais, pois o inferno se encheria de novo, por muitas gerações, até que Ele voltasse... uma vez que teria de mandar-lhe para lá “muita gente convencida da própria santidade, consciente das bondades que pratica e sempre pronta a condenar os pecadores”. Quedei-me por largo tempo... a pensar na terrível verdade... reconhecendo em inúmeras acções humanas, com a mais viva mágoa, a sagacidade com que arranjamos formas de nos esquivarmos a tudo quanto é difícil e de nos escapulirmos de todas as culpas que podermos escurecer no silêncio, na mentira, ou muito simplesmente no chamado “sacudir de capote”, ou seja, no lançar as próprias culpas sobre outras pessoas. Todos estamos sujeitos a cair nas terríveis tentações de supremacia e altivez, mas, pelo menos, deveremos ter o máximo cuidado para ver se não resvalamos tão facilmente por tão asquerosos caminhos. Pelas vezes que inadvertidamente o tivermos feito ou por fraqueza o viermos a fazer, reserva-nos o dever e o direito de nos arrependermos, de pedir desculpas, de emendarmos e alterarmos as nossas atitudes no sentido de podermos começar a agir de acordo com um aperfeiçoamento capaz de nos levar, finalmente, à promoção e gozo de uma verdadeira paz. Na caminhada de cada vida, tal como nas caminhadas que vamos experimentando ao longo da mesma vida, encontramos caminhos largos e de fácil acesso alternados com vielas estreitas e de piso pedregoso e escorregadio. Caberá a cada um de nós descobrir se nos temos situado ou estamos a situar no caminho que deveremos percorrer para alcançarmos o fim desejado. Todos almejamos admirar a beleza da paisagem dos picos mais altos dos terrenos do mundo, mas as suas encostas são tão inclinadas, estreitas, pedregosas, perigosas e custosas de escalar que só os mais fortes e destemidos se aventuram a pegar a mochila, as sandálias e o cajado, para se aventurarem e palmilhar essas íngremes veredas. A escalada de uma vida interior conveniente, também é assim... difícil por demais.
Sem sombras de dúvidas, vivemos, ou temos vivido, numa sociedade de cristãos católicos, pois mesmo os que por qualquer circunstância se dizem agnósticos ou começam a professar uma outra fé, levam consigo, indelevelmente traçadas, se mais não for, as marcas do Santo Baptismo que a quase todos tem sido ministrado aquando crianças. Estes que se vão afastando do catolicismo, causam-nos dor... mas a dor maior vem da observação do comportamento daqueles que continuam a dizer-se católicos, mas cada vez estão mais distantes da verdadeira vivência do autêntico catolicismo. Grande parte deles procura a Igreja somente pela necessidade da prestação de alguns dos seus serviços... dos que vão achando convenientes a uma boa aceitação na sociedade ou que lhes possam dar, de algum modo, a enganosa sensação do dever cumprido e o direito a criticar, a torto e a direito, além dos pastores da Igreja que os serve, aqueles que vão vivendo a fé católica o melhor que podem, errando e reconhecendo e corrigindo os seus erros... comportamentos muito próprios dos seres humanos que são.
Não nos enganemos!... Não há ninguém tão bom que o seja na totalidade... nem ninguém tão mau que se lhe não encontre nada de bom. Aprendamos a ajuizar apenas a nossa realidade sem apontar os defeitos de outrem... a não ser, em casos de extrema necessidade pela defesa da verdade ou para a possível correcção da pessoa ou pessoas em causa. De nada vale o dizer Senhor, Senhor... se não se procurar minimamente fazer a Sua vontade! Por isso... não basta ter a Bíblia exposta ou bem guardada... é preciso estudá-la e meditá-la para se poder viver segundo o seu conteúdo; não basta parecer... é preciso ser; não basta querer... é preciso fazer; não basta rezar orações bonitas... é preciso viver as palavras que se vão pensando ou pronunciando na oração; não basta rezar o Pai nosso... é preciso que o “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,” seja proferido com o desejo sincero de perdoar a todo aquele já alguma vez nos ofendeu... para que não estejamos a pedir a Deus a nossa própria condenação.
Nunca nos convençamos de que somos nós os bons e os outros os maus... Ai de nós, se nos julgamos assim tão diferentes!... Não vivamos de ilusões... Os melhores serão sempre os que conseguirem reconhecer em si o maior número de defeitos... uma vez que todo o bem que por ventura seja desenvolvido é um dom gratuito de Deus, e ainda porque, humano... perfeito... não há nenhum. Então, por alguma perfeição dos humanos... mãos à obra!...

Prof. Hermínia Nadais – Publicado no NOtícias de Cambra

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A loucura dos “HOMENS”!...


A loucura dos homens, mulheres, crianças, da humanidade inteira, é a busca da felicidade… facto que só é possível no conhecimento da verdadeira razão da nossa existência, do nosso verdadeiro eu, do que queremos, do que temos e do que somos, pelo que a busca da felicidade será sempre inglória se a não procurarmos bem dentro de nós, pois se não brotar do nosso interior nunca poderá existir!
Cada “Ser Humano”, único e irrepetível, um mistério tremendamente complexo para quem com ele convive, é, antes e acima de tudo, um pavoroso e enormíssimo mistério para ele mesmo. Toda a pessoa nasce sem querer… mas a partir do nascimento, impreterivelmente, tem que aprender a viver… ou a sobreviver. E tal como esponja em água, começa por sorver tudo quanto se passe à sua volta: o bom, o razoável, o menos bom, ou mesmo o mau… de modo que, ao entrar na denominada pré-escola, pelo que adquiriu na família ou instituição onde a família a deu a guardar enquanto trabalhava… ou mesmo na casa de acolhimento total – instituição ou família - já leva a sua personalidade praticamente determinada e pronta, sim, mas só para ser aperfeiçoada nas suas mais diversas facetas. Deste modo, a escola não deveria ter nada a ver com educação, mas apenas com instrução, uma vez que a criança já lá chega transportando consigo tudo quanto a sociedade lhe deu até então, o que, salvo raras excepções, vai determinar todo o decorrer da sua vida, independentemente do que a escola lhe possa vir a dar.
É evidente que a escola e a família devem interagir em comum para o bem total do indivíduo, mas sem descarregar uma em cima da outra a sua quota parte no desenvolvimento total e harmonioso desse mesmo indivíduo. Uma vez que escola e família devem ser complementares, não se pode responsabilizar a escola pela educação que a família não dá… nem responsabilizar a família pela parte da socialização e “saber” que competem realmente à escola.
Ao afirmar-se que a felicidade parte de dentro de nós baseamo-nos em todos os princípios orientadores de uma verdadeira preparação humana, no campo dos afectos e da educação/instrução, o que perfaz os bons princípios de vida no reconhecimento e interiorização das boas normas de vivências individuais/sociais e da forma como vão sendo postos em prática todos os conhecimentos interiorizados, pois a felicidade parte sempre do profundo sentimento do dever cumprido, e isso é obra de cada um.
Cada pessoa, ao olhar para si mesma, terá que admitir que a sua felicidade só pode existir quando estiver contente com todas as acções praticadas, pois ainda que o comportamento dos outros para com ela a faça sofrer e chorar, nunca poderá roubar-lhe a sua satisfação interior.
A felicidade é muito exigente com quem a procura, pois o outro ou a outra onde buscamos a felicidade nunca no-la poderão dar se nós mesmos não a tivermos adquirido pelo reconhecimento e aperfeiçoamento de todas as nossas potencialidades e pelo cada vez melhor cumprimento de todos os nossos deveres e luta por quereres que perfazem a nossa realização pessoal.
A procura da felicidade passa pela verdadeira busca de nós mesmos, que é a tarefa mais difícil que se possa imaginar. Falar de felicidade é falar de vida plena, que por mais que nos esforcemos, nunca poderemos conseguir durante a nossa permanência neste maravilhoso planeta. Aqui, teremos apenas alguns momentos dispersos de maior ou menor felicidade… uma força urgente e necessária para podermos continuar a escalar corajosa e positivamente a montanha da vida, com todas as nossas capacidades e limitações, na busca constante de uma felicidade que não tenha mais fim.

PS: Na crónica passada gostei imenso de interpelações a que fui sujeita, ao que, mesmo com todas as minhas limitações de tempo e não só, sempre responderei com todo o prazer. Para as facilitar, o meu endereço: Maria Hermínia Nadais, Santa Cruz – Macieira de Cambra, 3730-309 Vale de Cambra
Telefones: 256402286; 917798785; 96382679
Blogue: http://textosdaescoladavida.blogspot.com
Há coisas que contamos ao amigo(a), mas não expomos à multidão. Se comentarem no blogue de forma anónima estarão certos de que a resposta será realmente imparcial, uma vez que eu nunca saberei a quem estou a responder. Da discussão nasce a luz! Por tudo quanto fizerem, um muito obrigada!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A vida… será sempre um sonho!...


Novembro! Se os que nos precederam nesta caminhada terrena são sempre recordados com imensa saudade, neste mês são-no mais intensamente. Talvez… pela chegada do Outono do tempo nos seja mais presente o Outono e mesmo o Inverno da vida. Até porque não se pode falar de vida sem lembrar a morte, assim como não se pode falar de morte sem evocar a vida, pois, consciente ou inconscientemente, temos, no rodar de todos os nossos dias, a morte e a vida a caminhar connosco de mãos dadas.
Logo ao nascer, frágeis e inseguros, ficamos de imediato à mercê dos progenitores e família, e ainda da sociedade, que nos acolhem ou nos rejeitam – nos deixam viver ou nos roubam a vida.
No traçado genético que nos perfaz vimos dotados de mais ou menos capacidades de desenvolvimento, onde crescerão as práticas do bem ou do mal de acordo com o proceder das pessoas que nos rodeiam e educam, pois ainda que sem o pensarem, vão-nos transmitindo os seus próprios valores – nos ajudam a crescer para o bem ou nos matam quando não somos desviados convenientemente dos caminhos do mal.
E assim, um pouco sem sabermos como e sem nos apercebermos muito bem das intempéries das bruscas mudanças destas etapas, crescemos, corporal, moral e intelectualmente, e acabamos por ficar entregues a nós mesmos – à vida se praticarmos o bem ou à morte se praticarmos o mal – uma vez que “faz o bem e evita o mal” é a grande regra primordial de qualquer vida.
Chegar à adultez, normalmente, traz alegria e bem estar por ser a ocasião exacta de deixarmos de aturar as “vigilâncias impertinentes” dos pais, dos tios, dos avós, dos professores, dos responsáveis pelas instituições… de um sem número de quês e porquês que nos parecem embaraçar a existência – baralhada com a tendência natural e extremista de nos julgarmos muito importantes, os melhores do mundo… ou então uma espécie de lixo sem qualquer importância, os piores do mundo.
Ser bom, ser agradável, ser bem aceite, crescer e ser feliz são os maravilhosos sonhos do ser humano... homem ou mulher… que pensada, ou impensadamente - ou vive de sonhos ou não vive, morre.
Quando se diz que o sonho comanda a vida é porque se tem a certeza de que a vida sem sonhos se torna impossível: a criança sonha passar rapidamente a adolescente e numa adolescência fugaz desenvolver a descoberta da vocação, preparar-se para exercer uma profissão, chegar rapidinho à juventude, encontrar um emprego e situação social estável para puder vir a ser, no mais curto espaço de tempo, pessoa adulta capaz, considerada, realizada e feliz; o doente sonha curar-se; o desempregado sonha com um emprego; o cientista sonha concluir velozmente os trabalhos da descoberta; o escritor sonha que seus textos sejam lidos e apreciados; o industrial, sonha vender… Tantos sonhos!!!... Sonhos generalizados, pessoais, possíveis… impossíveis…
Sem sonhos não vivemos, mas também não nos podemos ficar pelos sonhos… urge agarrá-los com toda a força da nossa vontade e trabalhá-los a preceito para que se vão transformando, ainda que da forma mais lenta e custosa, em realidades autênticas, sempre geradoras das maiores felicidades e alegrias!
Não tenhamos ilusões! O maior sonho de todo o homem ou mulher, é ser feliz! Assim, é pertinente perguntarmo-nos com insistência o que andaremos a fazer com a “nossa felicidade”, porque, não há margem para dúvidas: a felicidade, ou está enraizada bem dentro de nós, ou nunca poderá existir!
Porquê? Será que perguntam porque? A resposta ficará para depois.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Óculos cor-de-rosa!...


Quando afirmamos que o sonho comanda a vida estamos convictos de que encarar as situações de forma positiva é angariar razões para que do nosso meio ambiente se removam os obstáculos que nos impedem de atingirmos algo de bom, agradável, compensatório, frutuoso.
Contudo, por mais positivistas que formos, somos assaltados por momentos que nos parece que o mundo vai desabar sobre nós, sem termos por onde fugir. Nestas circunstâncias “(ir)regulares” o desenrolar do dia a dia, normalmente fácil de gerir e ultrapassar, apresenta-se-nos como um gigante avassalador e desalmado que nos afugenta, arrasa e domina.
Quando este estado de espírito é muito frequente, “regular”, quase que nem nos apercebemos… mas coitado de quem conviver connosco, pois se não nos leva ao psiquiatra vai lá parar com toda a certeza; quando é um acontecimento “irregular”, sentimo-nos completamente sós, desnorteados, perdidos, acabrunhados, inquietos e inseguros… sem capacidade de compreensão ou controle, mas apenas por algum tempo.
Em situações desta natureza apetece colocar uma espécie de óculos para que tudo nos pareça de novo cor-de-rosa… mas parando para pensar chega-se de imediato à conclusão de que nunca poderia ser assim.
Quando assaltados por estas irregularidades, urge verificarmos que nós… connosco… muito embora sejamos um único ser, uma única pessoa, somos muitas vezes como que várias figuras sobrepostas e contraditórias entre si, um todo em que o nosso querer, o saber, a vontade, a força, a sensibilidade… se cruzam e embaraçam de tal modo que nos afastam terminantemente da meta que nos propomos alcançar, fazem de nós tudo o que nunca pretendemos ser, levam-nos a realizar o que nunca pretendemos fazer e fazem-nos parecer o que intimamente não somos… factos que geram uma atitude de revolta interior muito difícil de aceitar e dolorosa de dominar.
Situações desta natureza, (mais frequentes do que possamos imaginar), são as ocasiões propícias para podermos afirmar com toda a certeza que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. Sentirmo-nos mal, desprezados e aniquilados, quando a razão do nosso mal estar se deve ao mau comportamento de alguém, é compreensível e aceitável; mas quando verificamos que a verdadeira causa dos nossos tumultos está nós, na dificuldade de aceitarmos e gerirmos as nossas emoções, quando descobrimos a certeza das nossas (in)culpabilidades que urge assumir, a situação torna-se muito mais penosa, difícil e constrangedora. E então temos que reunir todas as nossas forças para, numa batalha atroz, sangrenta e invisível, conseguirmos descobrir mais profundamente quem somos e como somos para podermos controlar, ainda que minimamente, os nossos distúrbios emocionais e podermos voltar à nossa normalidade.
Se nos olharmos assim, tal qual somos, tornaremos a vida mais fácil, para nós e para os outros… não com óculos cor-de-rosa, mas com o nosso “ser pessoas” com toda a verdadeira força que a expressão encerra.


Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 11 de outubro de 2009

No rescaldo de uma luta!


Durante uma época ainda muito presente na nossa memória a luta pelo poder preencheu o coração de alguns portugueses, a atenção do meio envolvente esteve na mente de alguns mais e os desinteressados ainda foram muitos.
Nos dias aprazados, os portugueses, supostamente de forma livre e espontânea, tiveram de escolher, não “o óptimo de entre o bom”… mas de entre o que há o que lhe possa ter parecido melhor.
A luta, se honesta e construtivamente sadia, terminou! Interessa, agora, mudar as mentalidades dos políticos e de todos os portugueses e portuguesas, para aceitarmos as nossas realidades e enveredarmos pelo caminho do crescimento.
Todos sabemos que a perfeição, nos seres humanos, não existe. O ser humano sempre foi e será susceptível de cair no erro, tanto a nível individual como institucional. Por isso mesmo… cada força política, em si mesma, sempre apresentará aspectos positivos e menos positivos ou negativos, é compreensível. Há que ter a abertura capaz de saber escolher e aceitar, mutuamente, de cada uma delas, o que tiver de melhor.
Vivemos numa democracia! Os Órgãos do Poder não são formados, verticalmente, por um só partido unitário, mas são órgãos colegiais, com a representação legal dos diferentes partidos ou forças políticas, forças expressas pelo número de candidatos eleitos pelos votos que cada partido usufruiu e que perfazem a real vontade do povo.
Assim, depois de cada acto eleitoral, é urgente que se aprenda a ganhar com humildade ou a perder com dignidade, pois em democracia, todos, pelos votos com que foram eleitos, ficam ao serviço do povo, um serviço que não deve, de forma alguma, ser defraudado.
O País ou localidade só poderão crescer quando cada eleito, de mãos dadas com os restantes eleitos, defendendo honesta e regradamente os princípios da sua eleição, for capaz de aceitar a partilha mútua das melhores ideias e dedicar todo o seu empenho à causa do desenvolvimento nacional ou local.
Nenhum eleito pode aproveitar a sua situação de eleito para servir os seus próprios interesses ou os interesses dos seus amigos, mas para servir os reais interesses da sociedade que o elegeu. Os fundos públicos são sempre da Sociedade em geral e nunca por nunca podem ser dos políticos que os gerem.
Por sua vez, o povo em geral, quando livre de situações desesperadas, que prefira o trabalho justo ao “Fundo de Desemprego”, “Rendimento Mínimo ou de Inserção social”; que das grandes às pequenas empresas ou comércios, trabalhadores por conta própria ou mesmo assalariados, haja o exacto pagamento dos impostos legais; que quem está “realmente doente”… procure o médico e seja bem tratado como tal, que a verdadeira invalidez seja bem interpretada e remunerada, que a experiência da velhice seja bem paga e vista como uma mais valia… mas que o bom senso e a verdade de vida acabe de vez com tantas “doenças ou incapacidades graves” que se nos apresentam sãs depois de conseguidas as respectivas aposentações; que o povo fale menos de crise e viva mais regradamente com o mínimo necessário… pois os que menos têm aguentam e não gritam; por fim, que cada membro do povo aprenda, antes e acima de tudo… a criticar-se a si mesmo e a corrigir os seus próprios defeitos… pois se o fizer pode estar certo de que os políticos, que são filhos do povo, serão realmente honestos, verdadeiros, desprendidos, compreensivos, (des)interessados, imparciais, trabalhadores, dedicados… promotores do desenvolvimento, do amor, da justiça e da paz.
Sem dúvida alguma! É urgentíssimo que, aos pouquinhos, cada um de nós se esforce por recompor a sua forma de ser e de estar… para que a nossa sociedade possa ser, na verdade, mais próspera e fraterna.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

domingo, 27 de setembro de 2009

Reconciliação, Tolerância e Paz!


Para que o mundo possa ser mais justo e fraterno não bastam palavras bonitas! É preciso deixar para trás o relacionamento deturpado em que vivemos para entrarmos realmente numa época de tranquilidade, harmonia e paz!
Trocar o ódio pela compreensão e amor é uma tarefa possível se nos dispusermos ao esforço contínuo de nos olharmos interiormente para nos reconhecermos cada vez melhor tal qual somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos reais… pois só na medida em que reconhecermos claramente as nossas capacidades atropeladas por inúmeras imperfeições e fraquezas estamos realmente preparados para compreender, contornar e remediar os comportamentos errados das pessoas que nos rodeiam, principalmente daquelas com quem convivemos mais de perto.
Se nos conhecermos verdadeira e profundamente, sabemos quanto nos é difícil corrigir um defeito… aceitar uma ofensa… obedecer a uma ordem… analisar um problema… ajudar alguém… tomar uma decisão acertada… e, acima de tudo, saberemos também quanto custa, muitas vezes, sermos mal interpretados nas atitudes que tomamos. Se assim procedermos, deixaremos de criticar quem quer que seja e iremos aceitando mais facilmente os erros dos outros, e mesmo os nossos próprios erros… que são sempre os mais difíceis de suportar.
Vivemos num mundo onde se fala muito de amor, mas onde temos que aprender a viver em amor, aprendendo a compreendermo-nos e a amarmo-nos a nós mesmos, tal qual somos, pois se não nos compreendermos e não gostarmos realmente de nós mesmos… não poderemos gostar de mais ninguém.
O amor leva à escuta atenta das nossas necessidades e das necessidades do outro… à compreensão e aceitação das nossas atitudes e das atitudes do outro… e muito concretamente, a uma cuidada, delicada e subtil auto-correcção… e correcção fraterna, assumida com frontalidade… pois falar mal na ausência da pessoa cria distância, não a ajuda a corrigir-se, e ainda lhe piora os comportamentos.
Se formos rígidos e sinceros connosco mesmos veremos quanto é urgente estarmos abertos a uma vida de mudança permanente, em que o hoje seja sempre melhor que o ontem para que o amanhã possa ser sempre melhor do que o hoje. E estaremos preparados para, quando necessário, corrigirmos com humildade, compreensão e carinho, pois só deste modo poderemos melhorar comportamentos.
Uma das mais maravilhosas regras de vida é o positivismo.
Todas as situações que se nos apresentam têm sempre o seu lado bom e o seu lado menos bom… ou mesmo mau, mas se aprendermos a ver sempre em primeiro lugar o lado positivo das pessoas ou dos acontecimentos, aprenderemos a pensar de forma positiva. E tal como o sonho comanda a vida, o pensar positivo leva a que à nossa volta os acontecimentos se tornem realmente benéficos e positivos.
O nosso “EU” e o “EU” dos outros estão muito atentos a tudo quanto nós pensamos! Se pensarmos no bem mais tarde ou mais cedo teremos o bem, mas se pensarmos no mal ele acabará por acontecer.
As nossas palavras, o vento leva-as com muita rapidez, e de qualquer de nós apenas restará o grito silencioso da linguagem da nossa vida! É imperioso cuidarmos bem a sério da nossa vida, dos nossos pensamentos e das nossas acções, pois só da reformulação cuidada dos nossos comportamentos dependerá o vivermos num mundo melhor, onde a tolerância gere a reconciliação e possamos gozar dias de mais paz.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”