terça-feira, 27 de outubro de 2009

Óculos cor-de-rosa!...


Quando afirmamos que o sonho comanda a vida estamos convictos de que encarar as situações de forma positiva é angariar razões para que do nosso meio ambiente se removam os obstáculos que nos impedem de atingirmos algo de bom, agradável, compensatório, frutuoso.
Contudo, por mais positivistas que formos, somos assaltados por momentos que nos parece que o mundo vai desabar sobre nós, sem termos por onde fugir. Nestas circunstâncias “(ir)regulares” o desenrolar do dia a dia, normalmente fácil de gerir e ultrapassar, apresenta-se-nos como um gigante avassalador e desalmado que nos afugenta, arrasa e domina.
Quando este estado de espírito é muito frequente, “regular”, quase que nem nos apercebemos… mas coitado de quem conviver connosco, pois se não nos leva ao psiquiatra vai lá parar com toda a certeza; quando é um acontecimento “irregular”, sentimo-nos completamente sós, desnorteados, perdidos, acabrunhados, inquietos e inseguros… sem capacidade de compreensão ou controle, mas apenas por algum tempo.
Em situações desta natureza apetece colocar uma espécie de óculos para que tudo nos pareça de novo cor-de-rosa… mas parando para pensar chega-se de imediato à conclusão de que nunca poderia ser assim.
Quando assaltados por estas irregularidades, urge verificarmos que nós… connosco… muito embora sejamos um único ser, uma única pessoa, somos muitas vezes como que várias figuras sobrepostas e contraditórias entre si, um todo em que o nosso querer, o saber, a vontade, a força, a sensibilidade… se cruzam e embaraçam de tal modo que nos afastam terminantemente da meta que nos propomos alcançar, fazem de nós tudo o que nunca pretendemos ser, levam-nos a realizar o que nunca pretendemos fazer e fazem-nos parecer o que intimamente não somos… factos que geram uma atitude de revolta interior muito difícil de aceitar e dolorosa de dominar.
Situações desta natureza, (mais frequentes do que possamos imaginar), são as ocasiões propícias para podermos afirmar com toda a certeza que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. Sentirmo-nos mal, desprezados e aniquilados, quando a razão do nosso mal estar se deve ao mau comportamento de alguém, é compreensível e aceitável; mas quando verificamos que a verdadeira causa dos nossos tumultos está nós, na dificuldade de aceitarmos e gerirmos as nossas emoções, quando descobrimos a certeza das nossas (in)culpabilidades que urge assumir, a situação torna-se muito mais penosa, difícil e constrangedora. E então temos que reunir todas as nossas forças para, numa batalha atroz, sangrenta e invisível, conseguirmos descobrir mais profundamente quem somos e como somos para podermos controlar, ainda que minimamente, os nossos distúrbios emocionais e podermos voltar à nossa normalidade.
Se nos olharmos assim, tal qual somos, tornaremos a vida mais fácil, para nós e para os outros… não com óculos cor-de-rosa, mas com o nosso “ser pessoas” com toda a verdadeira força que a expressão encerra.


Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 11 de outubro de 2009

No rescaldo de uma luta!


Durante uma época ainda muito presente na nossa memória a luta pelo poder preencheu o coração de alguns portugueses, a atenção do meio envolvente esteve na mente de alguns mais e os desinteressados ainda foram muitos.
Nos dias aprazados, os portugueses, supostamente de forma livre e espontânea, tiveram de escolher, não “o óptimo de entre o bom”… mas de entre o que há o que lhe possa ter parecido melhor.
A luta, se honesta e construtivamente sadia, terminou! Interessa, agora, mudar as mentalidades dos políticos e de todos os portugueses e portuguesas, para aceitarmos as nossas realidades e enveredarmos pelo caminho do crescimento.
Todos sabemos que a perfeição, nos seres humanos, não existe. O ser humano sempre foi e será susceptível de cair no erro, tanto a nível individual como institucional. Por isso mesmo… cada força política, em si mesma, sempre apresentará aspectos positivos e menos positivos ou negativos, é compreensível. Há que ter a abertura capaz de saber escolher e aceitar, mutuamente, de cada uma delas, o que tiver de melhor.
Vivemos numa democracia! Os Órgãos do Poder não são formados, verticalmente, por um só partido unitário, mas são órgãos colegiais, com a representação legal dos diferentes partidos ou forças políticas, forças expressas pelo número de candidatos eleitos pelos votos que cada partido usufruiu e que perfazem a real vontade do povo.
Assim, depois de cada acto eleitoral, é urgente que se aprenda a ganhar com humildade ou a perder com dignidade, pois em democracia, todos, pelos votos com que foram eleitos, ficam ao serviço do povo, um serviço que não deve, de forma alguma, ser defraudado.
O País ou localidade só poderão crescer quando cada eleito, de mãos dadas com os restantes eleitos, defendendo honesta e regradamente os princípios da sua eleição, for capaz de aceitar a partilha mútua das melhores ideias e dedicar todo o seu empenho à causa do desenvolvimento nacional ou local.
Nenhum eleito pode aproveitar a sua situação de eleito para servir os seus próprios interesses ou os interesses dos seus amigos, mas para servir os reais interesses da sociedade que o elegeu. Os fundos públicos são sempre da Sociedade em geral e nunca por nunca podem ser dos políticos que os gerem.
Por sua vez, o povo em geral, quando livre de situações desesperadas, que prefira o trabalho justo ao “Fundo de Desemprego”, “Rendimento Mínimo ou de Inserção social”; que das grandes às pequenas empresas ou comércios, trabalhadores por conta própria ou mesmo assalariados, haja o exacto pagamento dos impostos legais; que quem está “realmente doente”… procure o médico e seja bem tratado como tal, que a verdadeira invalidez seja bem interpretada e remunerada, que a experiência da velhice seja bem paga e vista como uma mais valia… mas que o bom senso e a verdade de vida acabe de vez com tantas “doenças ou incapacidades graves” que se nos apresentam sãs depois de conseguidas as respectivas aposentações; que o povo fale menos de crise e viva mais regradamente com o mínimo necessário… pois os que menos têm aguentam e não gritam; por fim, que cada membro do povo aprenda, antes e acima de tudo… a criticar-se a si mesmo e a corrigir os seus próprios defeitos… pois se o fizer pode estar certo de que os políticos, que são filhos do povo, serão realmente honestos, verdadeiros, desprendidos, compreensivos, (des)interessados, imparciais, trabalhadores, dedicados… promotores do desenvolvimento, do amor, da justiça e da paz.
Sem dúvida alguma! É urgentíssimo que, aos pouquinhos, cada um de nós se esforce por recompor a sua forma de ser e de estar… para que a nossa sociedade possa ser, na verdade, mais próspera e fraterna.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

domingo, 27 de setembro de 2009

Reconciliação, Tolerância e Paz!


Para que o mundo possa ser mais justo e fraterno não bastam palavras bonitas! É preciso deixar para trás o relacionamento deturpado em que vivemos para entrarmos realmente numa época de tranquilidade, harmonia e paz!
Trocar o ódio pela compreensão e amor é uma tarefa possível se nos dispusermos ao esforço contínuo de nos olharmos interiormente para nos reconhecermos cada vez melhor tal qual somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos reais… pois só na medida em que reconhecermos claramente as nossas capacidades atropeladas por inúmeras imperfeições e fraquezas estamos realmente preparados para compreender, contornar e remediar os comportamentos errados das pessoas que nos rodeiam, principalmente daquelas com quem convivemos mais de perto.
Se nos conhecermos verdadeira e profundamente, sabemos quanto nos é difícil corrigir um defeito… aceitar uma ofensa… obedecer a uma ordem… analisar um problema… ajudar alguém… tomar uma decisão acertada… e, acima de tudo, saberemos também quanto custa, muitas vezes, sermos mal interpretados nas atitudes que tomamos. Se assim procedermos, deixaremos de criticar quem quer que seja e iremos aceitando mais facilmente os erros dos outros, e mesmo os nossos próprios erros… que são sempre os mais difíceis de suportar.
Vivemos num mundo onde se fala muito de amor, mas onde temos que aprender a viver em amor, aprendendo a compreendermo-nos e a amarmo-nos a nós mesmos, tal qual somos, pois se não nos compreendermos e não gostarmos realmente de nós mesmos… não poderemos gostar de mais ninguém.
O amor leva à escuta atenta das nossas necessidades e das necessidades do outro… à compreensão e aceitação das nossas atitudes e das atitudes do outro… e muito concretamente, a uma cuidada, delicada e subtil auto-correcção… e correcção fraterna, assumida com frontalidade… pois falar mal na ausência da pessoa cria distância, não a ajuda a corrigir-se, e ainda lhe piora os comportamentos.
Se formos rígidos e sinceros connosco mesmos veremos quanto é urgente estarmos abertos a uma vida de mudança permanente, em que o hoje seja sempre melhor que o ontem para que o amanhã possa ser sempre melhor do que o hoje. E estaremos preparados para, quando necessário, corrigirmos com humildade, compreensão e carinho, pois só deste modo poderemos melhorar comportamentos.
Uma das mais maravilhosas regras de vida é o positivismo.
Todas as situações que se nos apresentam têm sempre o seu lado bom e o seu lado menos bom… ou mesmo mau, mas se aprendermos a ver sempre em primeiro lugar o lado positivo das pessoas ou dos acontecimentos, aprenderemos a pensar de forma positiva. E tal como o sonho comanda a vida, o pensar positivo leva a que à nossa volta os acontecimentos se tornem realmente benéficos e positivos.
O nosso “EU” e o “EU” dos outros estão muito atentos a tudo quanto nós pensamos! Se pensarmos no bem mais tarde ou mais cedo teremos o bem, mas se pensarmos no mal ele acabará por acontecer.
As nossas palavras, o vento leva-as com muita rapidez, e de qualquer de nós apenas restará o grito silencioso da linguagem da nossa vida! É imperioso cuidarmos bem a sério da nossa vida, dos nossos pensamentos e das nossas acções, pois só da reformulação cuidada dos nossos comportamentos dependerá o vivermos num mundo melhor, onde a tolerância gere a reconciliação e possamos gozar dias de mais paz.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Presente


Presente! Que “presente”?!...
Depois de um convite para um aniversário, uma festa, uma reunião, um passeio… faz-se tudo para estar “presente”. Na angústia, deve estar-se “presente” para ajudar; na alegria urge estar “presente” para comemorar.
“Presente”é também uma oferta, dádiva, brinde, prenda, algo que se vislumbra muito agradável para quem o recebe e muito querido para quem o dá… algo que demonstra carinho, ternura, dedicação, afeição, amor… oferecer um “presente” é uma forma de manter a ligação com alguém para agradecer, pedir ou muito simplesmente acariciar, dizer que amamos. Deste modo, quando falamos num “presente”, normalmente, lembramos de algo oferecido ou recebido no dia de um aniversário, pelo Natal, pela Páscoa, num qualquer momento importante do ano ou da vida.
Todos gostamos de oferecer um “presente”! E todos gostamos de ser presenteados! E muitas vezes chegamos a ficar tremendamente tristes porque em determinada altura ninguém se lembrou de nos oferecer um “presente”.
A vida distrai-nos, assim, com relativa facilidade. Estar “presente”, falar num “presente”, pensar num “presente”… sentir-se magoado ou magoada pela falta de um “presente”… é uma postura muito corrente entre nós, humanos insaciáveis!...
Ficamos agoniados pela falta de um “presente”, esquecidos de tantos presentes maravilhosos que recebemos diariamente e aos quais não damos a devida importância: o Sol que clareia o dia e convida ao trabalho; a escuridão que lenta e calmamente nos leva a descansar; o brilho das Estrelas e a doçura da Lua que nos inebriam o olhar; a chuva que refresca e faz reviver plantas e animais; o vento que acaricia, fornece energia e ajuda a renovar o ar que respiramos; a água das fontes que nos mata a sede e a das levadas e rios que, correndo velozmente pelas turbinas enche o mundo de força e luz ou deslizando suavemente sobre a terra sacia plantas e animais; a água do mar que, branda ou ferozmente, bate na costa, ameniza a temperatura, refresca a areia da praia, serve de estrada aos mais variados navios; uma infinidade de peixes de toda a espécie, inúmeros animais e plantas, os frescos legumes e hortaliças e os frutos deliciosos que nos alimentam; os carinhos de tantas pessoas com quem convivemos que nos alegram o coração e enlevam a alma; as chatices de muitas outras que, ao obrigarem-nos a pensar um pouco mais profundamente nas nossas atitudes nos ajudam a crescer… são uma inumerável multidão de presentes que ininterruptamente nos mimam e acariciam a vida.
Há ainda um outro “presente”, o último momento da vida que vamos vivendo, aquele momento em que realmente estamos no aqui e agora… pois se o ultrapassamos logo se chama passado e se o buscamos é porque ainda faz parte de um futuro a que poderemos chegar ou não. Este “presente”, elo de ligação entre o passado e o futuro, o único momento que no rodar do tempo nos vai preenchendo a vida, é a melhor das dádivas para cada um de nós.
Aproveitemos o momento presente no amor, na alegria, na paz e fraternidade, pois o passado é história e o futuro não nos pertence.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tempo de ser fortes


Época de final de Verão! Praia, campo, digressões variadas, tempos bem vividos no sossego do lar… ou turbulentas aflições no desvairado dia pela busca do necessário para viver “sem vergonhas do mundo”!...
Nesta amálgama humana, há de tudo um pouco. E mesmo presumindo-se que cada qual tenha a sua rota bem definida, a experiência diz que as mais variadas razões nos desviam da rota e que razões há muitas, porque cada qual tem a sua razão. E o ter ou não ter razão é razão suficiente para nos embrenharmos em lutas descabidas e geradoras de muitas discórdias e contendas… o que não agrada nem convém a quem quer que seja.
A razão assenta na verdade, na lealdade, na solidariedade, na clareza e nobreza de atitudes, no colocar-se na situação do outro para o compreender, no doar-se ao outro para o ajudar, no dar as mãos ao outro para aproveitar o melhor dos dois de modo a poderem crescer juntos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna pela qual todos somos responsáveis quer queiramos quer não.
Mas ter razão é também confiar e ser fiável. A mentira e hipocrisia não levam a nada. Todavia, normalmente, são as pessoas mais mentirosas e hipócritas as que mais lutam pela defesa das suas razões usando palavras bonitas… muito embora despidas de atitudes dignas e responsáveis. Estejamos atentos! Palavras sem vida soam a oco, a vazio! Fujamos delas! A voz calorosa e meiga do silêncio fala sempre mais alto se a soubermos ouvir.
Muitas vezes dizemos que a vida é complicada, mas se pensarmos um pouco a vida não é complicada, nós é que passamos o escasso tempo que ainda temos para viver a complicar a nossa vida e a dos outros, apregoando as nossas razõezinhas e desprezando as razões dos outros, como crianças mimadas na época de crescimento.
Sejamos crescidos! Na vez de criticar, enalteçamos o melhor! De que vale lembrar uma asneira a quem faz tantas?... Não será mais importante, no meio de tanta asneira, dizer ao outro que ele fez uma boa acção… como incentivo a que muitas outras boas acções possam continuar a ser feitas?... A grandeza de uma pessoa não se mede pelas críticas que faz, mas pelas qualidades que consegue desenvolver em si e descobrir nos outros.
Isto não é utopia! Se estivermos habituados a perseguir o mal só teremos olhos para ver o mal… que paralisa e estagna! Se pelo contrário nos preocuparmos em descobrir e enveredar pelas boas obras e palavras, aprenderemos gradualmente a ver, antes de tudo, o que for bom em nós e nos outros, o que nos levará a uma energia positiva incalculável… a energia que o mundo precisa para sair do marasmo em que se encontra.
Se o positivismo atingisse os ricaços para os levar a descobrir que com menos dinheiro teriam menos preocupações e mais paz… já pensamos alguma vez no paraíso em que este pequeno mundo seria transformado???...
Nesta época que se avizinha, época de discursos, caras e cartazes… procuremos “ser” realmente “pessoas”… atentas, dignas, responsáveis… capazes de ver sem recriminar, ouvir sem replicar, compreender e aceitar sem criticar… de meditar profundamente para se conscientizar… e de aceitar a escolha unindo fortemente as mãos para que Portugal possa seguir em frente… com coesão e fortaleza.

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 25 de julho de 2009

A verdadeira felicidade!


Na vida tudo se movimenta em todos os segundos que passam! Nós somos o que vemos em nós… mas somos também tudo o que ainda não conseguimos ver; somos o que sentimos…mas acima de tudo o que ainda não sabemos sequer que iremos sentir. Quando quisermos olhar-nos, é assim que teremos de nos ver. De contrário, não se justificaria o dizermos que a vida é uma caminhada. A vida só será realmente uma caminhada se tirarmos sempre a maior aprendizagem de todos os momentos do dia a dia, sejam eles como forem, bons ou menos bons… para podermos crescer com as nossas próprias experiências.
É habitual inquietarmo-nos quando algo de muito aborrecido nos acontece, e com certa frequência entramos em situações de desânimo ou mesmo de desespero, o que é um grande mal. A felicidade possível a cada um de nós nunca vem do exterior. Ainda que causada por acontecimentos exteriores, virá sempre bem de dentro de nós mesmos... que só seremos felizes se nos determinarmos a ser felizes… e se nos determinarmos a ser felizes, nada nem ninguém nos poderá causar infelicidade. Poderão, sim, abalar um pouco o nosso comportamento, fazendo-nos sofrer, sem sombra de dúvida, mas quando sofremos conscientes de termos dado à vida, a nós mesmos e aos irmãos, o nosso melhor, o sofrimento será sempre feliz porque advindo da paz profunda proveniente do dever cumprido.
Temos a graça de sermos todos diferentes com a enorme bênção de termos todos ambições e direitos iguais. Nas mesmas situações, agiremos todos de formas diferentes conforme o saber, pensar e sentir de cada um no momento presente, mas o direito e a meta de cada um será sempre a mesma: procurar ser feliz. Não tenhamos ilusões… cada um de nós procura, avidamente, ser feliz. Na nossa diferença, a meta comum é a felicidade. Muitas vezes esquecemos que a nossa maior ou menor felicidade depende sempre da maior ou menor realização pessoal… que a nossa realização pessoal estará sempre directamente relacionada com o nosso desenvolvimento… que o nosso desenvolvimento deriva do nosso crescimento constante a todos os níveis, níveis pessoais e colectivos, pois como seres sociais por excelência temos de estar sempre em relação com as pessoas com quem convivemos. E muito embora conscientes de que a suprema perfeição não existe no ser humano deste mundo, temos de estar convictos de que todo o ser humano deste mundo deve caminhar para a máxima perfeição de que for capaz. Neste contexto, quando alguém nos disser que está muito bem o que fazemos… não é para estacionarmos ali… mas para pisarmos o mesmo trilho no maior aperfeiçoamento das nossas actividades.
Para que o bom não seja inimigo do óptimo… é urgente que, mesmo depois de fazemos tudo mais ou menos perfeito continuemos a aperfeiçoar-nos para chegarmos a ser óptimos, de verdade. O maior inimigo da nossa perfeição e felicidade será sempre quem nos afasta de trabalharmos sempre mais e melhor… até ao último instante da nossa vida!...
Conscientes de que parar é morrer… conservemo-nos vivos… na busca da maior perfeição humana… o verdadeiro caminho da felicidade!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

terça-feira, 14 de julho de 2009

A festa da minha aldeia!


Depois de umas semanas de correria, é chegada a hora. Para os responsáveis pelo evento, a azáfama torna-se maior. O dia de sexta-feira é dedicado aos últimos preparativos. As empresas e comércio locais, que patrocinam a festa, entre músicas bem populares são apresentados à população bem assim como os serviços disponibilizados por cada um à comunidade envolvente.
Como já se vai tornando habitual, o porco no espeto abre a animação da noite. O porco, não, os porcos, que se tornaram curtos para tantos esfomeados! Graças ao bom Deus, pois por aqui ainda vai havendo emprego - não são esfomeados de carne e pão, mas de confraternização, partilha, alegria, animação, encontro, convívio, lazer, súplica, acção de graças, louvor... festa! São esfomeados da festa!
Neste momento da minha caminhada na vida, é assim que vejo as festinhas da pequena mas maravilhosa aldeia que adoptei como minha já lá vão muitos anos!...
Hoje é sábado! A meio da tarde, um atraente grupo de gente jovem e mais idosa, homens e mulheres, correram todas as vielas batendo certeiramente nos bombos afinados. Ao declinar do dia, a Eucaristia Vespertina e Procissão de Velas deram louvor a Deus, honraram os Santos e alimentaram o espírito. A exuberante alegria que fez estoirar os belos foguetes lacrimosos e coloridos deu fim a essas celebrações Litúrgicas.
Agora, à volta do aconchegante e charmoso Santuário da Padroeira, Santa Helena, sob os seus olhares protectores e os amorosos e ternurentos carinhos do Habitante do Sacrário, um espectáculo de luz e cor ilumina a escuridão da longa noite com a música a atroar os ares!
Todos podem divertir-se à vontade! Não há necessidade de acordar cedo, pois as Celebrações Litúrgicas da festa voltam só depois do meio da tarde! A manhã pode ser bem dormida e a refeição bem preparada e melhor saboreada... para mais uma vez se honrar a Padroeira e louvar o Deus vivo... e voltar novamente ao convívio e diversão!
Estas são as belezas da vida! Coisas bem simples, mas são as coisas simples que têm mais valor! O nosso dia a dia é feito de pequenos nadas, e são esses pequenos nadas que nos fazem crescer e ser grandes. E é assim, crescendo, que fazemos crescer o mundo.
Então... cresçamos!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 6 de julho de 2009

No Bairro da Avó Leonor!


É a noite de S. João! Das povoações das redondezas todos os caminhos vão dar ao Porto! Mas ali, no Bairro da Avó Leonor, tal como ela, tudo é muito especial.
Todo o espaço está engalanado, enfeitado com rendilhados coloridos de papel de seda. Dispersas, junto das habitações, estão as tradicionais churrasqueiras, felizes por poderem sentir-se úteis mais uma vez!
Espalhadas pelo chão, aqui e além, as madeiras, recolhidas com carinho, esperam que as labaredas do fogo crepitante as transforme, lentamente, nas brasas prontas para preparar todas as iguarias do jantar, pois, como manda a tradição, não deve usar-se nessa preparação o carvão comercial.
As panelas do caldo verde que as donas de casa preparam com esmero e perfeição estão agora colocadas sobre o fogão, à espera dos últimos retoques de magia... ao lado da batata, a cozer normalmente ou a ser preparada para levar com um murro.
Cheira a pimento, a barriga, a sardinha assada! As mesas estão prontas, com saladas, boroa, vinho, sumos, azeitonas... e, recheado de frutas secas, o saborosíssimo Bolinho de S. João.
As famílias que optam por fazer a refeição em casa abrem as janelas de par em par para se unirem aos que jantam debaixo das varandas ou directamente sob o brilho das estrelas.
As crianças palram, brincam, chutam bolas, vagueiam por ali num saltitar constante... os bebés, esquecidos da hora do sono, regalam-se nos colinhos... os adultos trocam gracejos entre gargalhadas de descanso... os jovens namoram... os idosos, em minoria nestas circunstâncias, são representados pela Avó Leonor que não pára de rodar nem de falar com toda a sua imensa jovialidade, graça, alegria e boa disposição, que enche por si mesma todo aquele paraíso terrestre... de onde ressalta a doce harmonia e alegre confraternização.
Num dos cantinhos do Bairro, os residentes de etnia cigana, de forma mais estridente, dão largas ao seu contentamento com as suas músicas especiais que ecoam por todo o Bairro.
As fogueirinhas, espalhadas pelo espaço, em plena noite, parecem flores trémulas e brilhantes no meio de jardins.
Quando as pessoas se acercam mais umas das outras... preparam a largada de mais um balão... e outro... e mais outro balão... que sobem, sem parar, num bailado melodioso, até perder de vista!
De quando em vez estoira um foguete que deixa transparecer as suas lágrimas de solidão!
E por que não, intrometer-se, com um curto lance de vista, no aconchego vibrante dos ciganinhos? Todos cantam... todos dançam... todos riem! É realmente uma festa!
As horas desaparecem no avanço da noite! Os que podem ou querem deslocam-se um pouco para se deliciarem com o sumptuoso e maravilhoso fogo de artifício chorando desalmadamente as mágoas do presente sobre as águas mansas do Douro, para regressarem de imediato ao prazer incomparável do seu paraíso de sonho... até que, vencidos pela força do cansaço, se aconcheguem na espera do tranquilo amanhecer do dia de S. João!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os mistérios da natureza


Quanto mais me preocupo com o rápido ou lento desenrolar da vida mais me surpreendo com tudo quanto dela vou colhendo.
Desde que me conheço foram tantas as modificações por que passou a sociedade que se não tivesse presente o esforço do homem pela permanente busca da plenitude humana me atreveria a dizer que a metamorfose humana estava completa e o fim do mundo iminente.
É voz corrente que tudo está muito mau. Claro que há coisas mais ou menos boas como em todos os tempos de que o tempo dá notícia.
O desenvolvimento cultural e tecnológico não se cansa de encurtar distâncias e dilatar segundos nos dias que parecem anos pelo amalgamado número de acontecimentos que nos chegam de todas as partes a bombardear-nos os sentidos e a apertar-nos o coração. Do passado, normalmente, tendemos a recordar só o melhor... ou seja... matamos os pesadelos lembrando apenas alguns sorrisos do céu nublado... como forma de negar do presente o calor dos raios ensolarados de um radioso Verão... que, só não existe para todos os homens... pela maldade de alguns... alguns que temos de chamar à realidade ou pelo menos temos obrigação de nos esforçarmos por o fazer.
Não vale a pena continuar a lembrar (valorizar) só o que está errado dizendo mal de tudo e de todos! Não vale a pena passar nos écrans da TV (valorizar) tantas atrocidades cometidas e deixar no esquecimento tantas coisas maravilhosas que se vão fazendo por aí! Não vale a pena nos nossos encontros normais entre amigos recordar (valorizar) acontecimentos ruins quando há tantos valores aos quais não sabemos dar atenção!
Não tenhamos ilusões! É através dos olhos e dos ouvidos e pela sensibilidade da pele que a educação se aloja no coração para transformar o ser humano. Há que esconder as barbaridades e mostrar exemplos dignificantes que falam muito mais alto do que todos os gritos das palavras.
Todos sabemos que sem meios, dinheiro e haveres, não podemos viver condignamente, mas também sabemos que o dinheiro e haveres não são tudo da vida, pois a vida é tudo o que somos... porque o que somos vale muito mais do que toda a riqueza material que possamos ter.
Há pessoas tão mergulhadas numa desenfreada busca de dinheiro e riquezas que avançam por cima de tudo e de todos para as conseguir... em tanta demasia... que uma pequena parte do que esses estagnam... ou estragam... posta ao serviço da comunidade, daria para acabar de vez com toda a miséria humana!...
A crise monetária que o mundo atravessa não é real, é fruto da mais vergonhosa mentira destes piratas da humanidade!
A riqueza mundial aumenta todos os dias! Não é justo que continue a concentrar-se nos cofres de meia dúzia... meia dúzia de tristes e desgraçados que vegetam num mundo de avareza que apenas lhes trará amargura e solidão, pois dessa forma nunca saberão o belo e verdadeiro sentido da vida... vida que nem sequer lhes pertence.
Da vida nenhum de nós é dono! Ainda que o queiramos negar, a Natureza continua a recordar-no-lo nos seus insondáveis mistérios – mistérios tão insondáveis que ultrapassam todo o potencial desmedido da ciência humana.
Tão bem formado cientificamente, porque é que o Homem não consegue responder de imediato a todas as questões da humanidade sobre o procedimento das obras provindas das suas próprias mãos?
A sabedoria e força da Natureza? Não há dúvida!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A mão em seara alheia


Estamos num ano de eleições... numa época dita de democracia... num país dito democrático!
Todos os políticos se dizem democratas; alguns cidadãos e cidadãs vociferam contra a crise de bolsos recheados sem saber que fazer à massa; muitíssimos contam tostões para comprar o mínimo indispensável sem aumentar as dívidas no final do mês (de boquinha bem fechada pela vergonha das suas verdadeiras necessidades); a maior parte da população brinca aos papagaios... reclama contra tudo e contra todos por tudo e por nada!... Situações normalíssimas numa sociedade normal. Contudo, podemos enumerar algumas atitudes adequadas e pertinentes.
Falar de democracia prevê políticos eleitos pela livre vontade do povo para defender os legítimos interesses dos eleitores - povo. Enquanto os cidadãos e cidadãs que querem ser eleitos se esfalfam a aprimorar a apresentação dos seus partidos e a mostrar as suas maiores virtudes nas suas mais maravilhosas qualidades de liderança, os eleitores não podem de forma alguma continuar a manter-se passivos à espera que os seus interesses apareçam resolvidos! Será muito mais lógico que todos se inteirem convenientemente das verdadeiras normas por que se regem os diversos partidos e prestem a maior atenção à idoneidade das pessoas que os representam como forma de averiguar a possibilidade de uma verdadeira eficácia no cumprimento dos princípios inerentes a cada um; que com perspicácia e dignidade cada cidadão ou cidadã pense no que mais interessa à prosperidade e conforto de toda a sua comunidade envolvente; que quando já consciente das suas convicções partilhe as suas opiniões com as pessoas ou grupos do seu relacionamento habitual no sentido de consolidar mais eficazmente a escolha a apresentar no “sagrado” momento de voto, pois não devemos votar de um modo qualquer, mas com consciência, liberdade e responsabilidade.
Os que procuram ser eleitos, com o desenvolvimento informático a minar cada vez de forma mais perfeita acelerada e eficaz tudo quanto se diz ou faz, se faz sem dizer ou se diz e fica por fazer, têm que ser pessoas realmente honestas e capazes, sem nada que lhes acuse a consciência, pois de contrário terão a sua missão cada vez mais complicada, e poderão até vir a ficar com as finanças remediadas mas com as caras tão envergonhadas que eu não lhes queria estar na pele!... Pessoalmente louvo a coragem de quem consegue sujeitar-se a assumir uma candidatura com todas as suas implicações, e no meio de tudo o que há por aí, menos bom e melhor, penso muito na grandeza de toda esta gente.
Há comportamentos capazes de afligir qualquer cidadão: o silêncio sepulcral e avassalador de uma boa tomada de posição e a crítica exagerada das situações erradas.
A opinião pública acaba por influenciar positiva ou negativamente. E se em vez de rebaixar e desmotivar pelo que está realmente mal descobríssemos formas possíveis de incentivar e apoiar o que consideramos certo?!... Criticar... é mais fácil! Mas para atenuar situações erradas nada melhor do que louvar boas atitude e lembrar soluções práticas propícias e viáveis, pois tratando-se do bem-estar social ninguém deve pensar em guardar “louros” para si próprio mas em proporcionar o bem comum.
Façamos o que devemos fazer... para mais tarde não nos virmos a arrepender!...

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”