quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

“ANO NOVO... VIDA NOVA!”


A época natalícia está em curso! Mas o Natal... para muitos... não passa da troca de muitos presentes e do saborear de muitas guloseimas. As luzes multicores que enfeitam as ruas das cidades, tentam cativar os olhares dos investidores à execução da compra, mas não chegam ao íntimo dos seus corações, que continuam, quase sempre, na mais densa escuridão. E o “Rei da Festa”, o Menino Jesus, não força a penetração nessa neblina espessa para encher da Sua Luz resplandecente esses ninhos desaconchegados onde o Verdadeiro Amor ainda não conseguiu entrar. Então... Os sinos tocam!... As Celebrações Litúrgicas sucedem-se... Nas Igrejas e Capelas o Terno Menino espera a visita de todos... E está ali, está aqui, está junto de todos e de cada um, batendo docemente à porta de cada coração, atento e inquieto... à espera que tudo se transforme, que tudo se modifique, que os “arco-íris” das ruas atravessem as artérias dos corações tornando-os coloridos de compreensão, amor, dedicação, carinho, atenção, ternura, doação total a tudo e a todos. E... não somente na época do Natal, mas no Natal da vida de todos os dias. Jesus espera que o romper da aurora, para cada homem, seja sempre uma nova etapa para abandonar os maus hábitos, aprender a praticar o bem, a pensar no mal que fez ou, mais ainda, no bem que deixou de fazer para, assim, o Natal ser permanente em cada um de nós, onde Jesus renascerá eternamente sempre que deixarmos actuar em nós a delícia do Seu Amor!...
Que neste ano que se inicia, cada homem entre nesta norma de vida, legado que a todos deixará a vivência deste Santo Ano Jubilar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A BELEZA, O ESFORÇO E O BEM-ESTAR


O rodar constante do tempo onde a inconstância alternada de nuvens cinzentas ou céu azul e mantos de alvura ou espessa geada que a chuva ou o sol vão desfazendo aos pouquinhos, tem-me levado a um sem número de questões que sempre considero pertinentes e muito mais na época que decorre.
Antes de todo este deslumbrante panorama houve uma grande e lenta preparação da Natureza: algumas árvores despiram suas folhas; a Terra, nos seus rodares habituais, foi-se afastando do Sol e tornou mais curtos os dias solares e mais longas e frias as noites; por entre o desmesurado vaivém das nuvens a luz da Lua continua a chegar à Terra.
Entretanto, para comemorar a vinda de UM Alguém tido como verdadeira luz, os Homens vão espalhando um pouco por toda a parte luzes brilhantes e multicores.
Perante tudo isto, as plantas e animais afirmam as suas resistências tentando sobreviver às intempéries do tempo; os Homens, tentam afirmar-se esforçando-se por tirar das intempéries sociais o bem-estar de cada um. Entretanto, vão-se regalando com toda a beleza que os circunda, na espera de novas folhas, flores, passarinhos... praias e campo.
É maravilhoso observar como a Natureza, periodicamente, entra de forma tão cuidada em todas estas mudanças para conseguir manter o seu próprio equilíbrio e atingir o máximo de toda a sua beleza, e como contra todas as asperezas causadas pela intervenção humana, na pureza contínua dos seus actos, consegue manter intacta a obediência exacta ao fim para que foi criada!
Cada Ser Humano, em si mesmo, vale muito mais que toda a restante Natureza não humana!
O que é que nós, “Homens”, que somos a obra mais perfeita da Natureza, dotados de inteligência, vontade, sensibilidade, livres e responsáveis pelo desenrolar de todos os nossos actos, vamos fazendo das nossas vidas?!... Senhores dos nossos próprios destinos... que caminhos percorremos?!... Tal como a restante Natureza, renovamo-nos periodicamente, aproveitando os melhores momentos para entrarmos dentro de nós mesmos (lazer, noites, fins de semana, férias...) no sentido de descobrirmos a melhor forma de darmos a nós e ao resto do Mundo o nosso melhor?!... Conscientes de que não há dois seres humanos iguais e da suma importância de cada um em si mesmo porque único e irrepetível, temos a coragem de escutar as ideias dos que connosco convivem com tanto respeito como escutamos as nossas para, depois de uma análise exaustiva e isenta, escolhermos a melhor, sem preconceitos?!... Esforçamo-nos por saber que os direitos e deveres, iguais para todos, têm de ser ajustados pelas condições congénitas, afectivas e sócio económicas de cada um, no respeito pela sua individualidade real e necessidades específicas?!... A cada um caberá responder.
Nunca poderíamos planificar um passeio aos locais de neve ou de praias aconchegantes se a Natureza fugisse à sua missão e baralhasse os seus ciclos... assim como nunca poderemos ter um mundo mais justo e fraterno se cada um de nós não se esforçar ao máximo por dar o melhor de si, o amor, à sociedade em que vive.
Não tenhamos ilusões! A beleza, o esforço e o bem-estar... sempre andarão de mãos dadas!
Boas Festas e um Feliz Ano Novo!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

UTOPIAS… OU TALVEZ NÃO!


“O homem sonha, a obra nasce!”
Se a Humanidade sonhasse também a obra nasceria. O grande problema é que a Humanidade é composta por milhares de milhares de homens e mulheres que quase na totalidade sonham apenas com a satisfação dos seus desejos pessoais!… E vamos lá nós imaginá-los!
Riqueza, bom nome, beleza, vestuário exuberante, moradias palacianas, carros luxuosos e de alta cilindrada, correr mundo em apetecíveis cruzeiros ou cruzar os ares nos maiores e mais modernos aviões, ocupar lugares de destaque na vida social, lautos banquetes, poder, mordomias diversas, sexo, ser sempre o primeiro, adulação… sei lá mais o quê!!!...
No meio de todo este emaranhado de sonhos pessoais e individualistas a Natureza fica baralhada e o caos instalado no planeta.
Contudo, no meio de todos estes seres humanos perdidos na confusão desmesurada do egoísmo mais exacerbado na ânsia de encontrar toda a ilusória satisfação dos seus desejos encontramos um pequeno grupo de pessoas que, esquecidas de si, se esfalfam pelo bem-estar alheio. Por incrível que pareça, é um grupo de pessoas a quem muito cresce e nada falta. Não falta nada porque para si mesmos não desejam nada mais que o mínimo necessário para viver; cresce-lhes muito porque do muito ou pouco que têm repartem quanto podem pelos que possuem menos do que eles e por isso precisam mais… e quanto mais repartem parece que as provisões aumentam!
Não há sombras para dúvidas! A Natureza é pródiga em satisfazer os verdadeiros interesses humanos, mas não tem formas de suportar tantas e tão grandes faltas de bom senso comum.
Se cada pessoa tivesse a coragem de não desejar mais que o necessário para satisfazer as suas necessidades… e os que nada têm se convencessem que têm direito a uma vida digna… os que já nascem “podres” de ricos deixariam de querer amontoar mais riquezas e distribuiriam pelo menos alguns bens pelos pobres. O supérfluo de muitos daria para todos (os que têm uma existência mais sofrida que muitos animais) viverem realmente como seres humanos.
Mas… por onde ando eu???!!!... embarcada em tantas utopias? E será que são utopias? Sonhar com fraternidade só é utopia porque nós queremos que seja. Não foi para vivermos em fraternidade que fomos criados? Claro que foi!
Todos temos a nossa quota parte de culpa em todo o mal que existe no nosso planeta. É urgente que nos assumamos e não deitemos as culpas só aos outros. Se cada um de nós pensasse a sério no que é viver e praticar a solidariedade fraterna… quão diferente seria o mundo!
A época é propícia! Está a chegar o Natal! Bom trabalho!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AMOR E JUSTIÇA... SÃO INSEPARÁVEIS

Fala-se muito em Justiça, mas vive-se muito pouco aquilo de que se fala. Ao falar em Justiça temos presente a Lei. É um facto que, humanamente falando, a Justiça depende da Lei; no entanto, e novamente, “humanamente” falando, só poderia entender-se deste modo, se o homem fosse simplesmente humano, sem ter no seu íntimo algo que transcendesse essa humanidade. Ora, acontece que o homem, na plenitude do seu ser, criado à semelhança do seu “Criador”, a exemplo “d’Este” expresso na vida de Seu Filho, terá forçosamente de ter obras de Justiça baseadas na bondade e misericórdia, obras estas que de forma alguma podem depender somente da Lei, mas do Coração, que muitas vezes é obrigado a contrariar a própria Lei. Se “a Justiça sem Amor é uma utopia, o Amor sem Justiça é uma mentira!”
Assim sendo, como poderá o “Homem” viver com Justiça?
Como é óbvio, não poderá crescer, realizar-se de modo algum, à custa da miséria e do mal dos outros; por isso, terá de optar por um projecto de vida que, sem desrespeitar a lei dos homens, procure o bem de todos e não só o de alguns, mesmo que nesses “alguns” esteja inserido ele próprio.
Viver com Justiça é comprometer-se com melhorar as vivências de todos os injustiçados, sejam de que natureza forem.
As situações de injustiça que mais nos impressionam são: a fome, enquanto se estraga comida; a guerra, enquanto se fala tanto de paz, mas de paz exterior, que não sai do coração; a falta de emprego, enquanto há tanta gente com empregos duplos; os salários muito baixos, enquanto há salários altíssimos; a falta de apoio a doentes e idosos, com consultas e medicamentos muito caros e reformas sociais muito baixas, enquanto há reformas enormes onde quem delas usufrui pode estragar dinheiro à vontade; as críticas aos drogados e outros marginais, que na quase generalidade dos casos tiveram berços muito maus, não só por falta de dinheiro mas também de carinho, afecto, compreensão, aceitação dos seus defeitos ou qualidades... e em grande parte, são provindos mesmo de famílias abastadas e bem conceituadas...
Fazer Justiça é impedir todas as situações que não deixem o homem ser “Homem” realizado e feliz.
Porque foram proclamados e aceites os DIREITOS DO HOMEM, com leis que não podem ser violadas e o são a toda a hora, muitas vezes, mesmo inconscientemente?
Denunciar desigualdades sociais e materiais que levam à escravidão, o máximo da injustiça, que além de retirar aos outros os bens, também os priva de liberdade e dignidade, é ser justo e lutar contra a injustiça no mundo.
Ao lutar pela Justiça Social devemos considerar que os bens materiais ou espirituais devem ser dados a quem deles necessitar para que todos possam sobreviver dignamente. E mais ainda: tudo o que cada homem possui, na realidade, não é pertença sua. Ninguém tem culpa de nascer onde nasceu, portanto, deve ter presente que tudo recebeu de Deus; e, assim sendo, tal como Jesus se entregou para defender toda a comunidade das mais diversas formas, deve entregar os dons de que foi dotado também a favor da comunidade, tomando um compromisso capaz na construção da felicidade de todos.
Para chegar à vivência da justiça, cada homem deve “amar os outros como a si próprio”, procurando incansavelmente o que é melhor para o bem comum, pensando nos que não têm dinheiro e bens materiais, ou nos que, de qualquer outro modo, sofrem às mãos dos outros homens.
O homem é um ser social, terá de procurar a Justiça e elevar-se, dando-se aos outros; ou, então, não terá Amor e para nada lhe servirá a vida. “Amor e Justiça... são inseparáveis”.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"AMOR... É LIBERDADE "

Na luta constante da vida, sem tempo para parar, nem sequer nos apercebemos da grande importância dessa mesma vida, para nós mesmos, e para o nosso semelhante. É por isso que chateamos tanto os outros e nos auto-destruímos constantemente com arrelias e nervosismos inconcebíveis a quem dá à vida o seu verdadeiro valor.
Para chegar a esta conclusão, como qualquer ser humano normal "do meu tempo", tive que percorrer um longo caminho e de me debruçar seriamente sobre o tempo passado e o tempo presente; este, que se pode considerar uma fase de transição, pois nota-se que a sociedade está a operar uma mudança de comportamento constante. Espero bem que a escola da vida, com a grande sabedoria que nos traz, sacuda duma forma especial o coração de cada um para que tudo possa ficar diferente com a maior rapidez. Então acontecerá que, o que dantes nos era muito difícil, fará parte de nós mesmos, e será tão natural como dormir e acordar. Esta linguagem pode ser descabida, mas com uma breve exemplificação, veremos que não é.
Na época em que fui criada, pregavam-se muitos valores humanos, mas, pelo que a vida me ensinou... havia muito poucos. Os ricaços, normalmente, possuíam muitas terras que, salvo raras e boas excepções, eram cultivadas por pobres mal pagos para quem a luta pela sobrevivência era deveras penosa. O rico e o pobre, na generalidade, não se consideravam "irmãos", mas um tinha supremacia sobre o outro: nuns criavam-se hábitos de mandar e ser arrogante para conseguir dominar os trabalhadores e ser respeitado; noutros, a obediência e submissão sem limites eram necessárias para angariar os meios de subsistência, eram mesmo a única forma de salvação pessoal e da família. E os que não tinham idade ou saúde para trabalhar, a viver da caridade alheia, sem instituição alguma nem nada que os protegesse... não é dificil imaginar o quanto sofrimento e dor. Socialmente, valia quem tinha... terras ou dinheiro. Os restantes, podiam ser "grandes cabeças" e "grandes homens", mas a falta de berço não os deixava chegar a lado nenhum, pois era difícil alguém reconhecer-lhe o valor. É de recordar que o regime de ditadura em que se vivia favorecia toda esta estratégia de vida.
A palavra liberdade estava banida do vocabulário e, mais ainda, da maneira de viver. Os "senhores", na sua maioria, eram escravos dos seus comportamentos desumanos; os trabalhadores, obedecendo por necessidade e quase sempre com muita revolta contra a sua precária situação, que poderiam pensar?!... Que triste forma de vida!... Onde estaria a liberdade deste povo?!...
Actualmente, não se pode dizer que tudo mudou, mas que tudo vai mudando, devagarinho. Continua a haver diferenças sociais, sempre as houve e sempre as haverá... mas, pelo menos, tenta-se que a verdadeira educação assente na compreensão e aceitação mútua de cada qual como é, com os seus defeitos e qualidades, com a sua abundância ou necessidade... e, muito embora precariamente, vão-se dando oportunidades de serem reconhecidos os dotes morais e intelectuais de cada um, venham de que estrato social vierem, promovendo entre todos um "amor sincero e duradoiro", base de toda a "Liberdade" humana.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sábado, 15 de novembro de 2008

ESTÁ MAU... NÃO! ESTÁ BOM!

As intempéries da vida actual levam-nos a dizer com a maior naturalidade: “Está mau”!... Sem sombra de dúvida que o que não faltam por aí são asneiras: algumas pessoas podres de ricas... e muitos milhões delas a morrer à fome; umas quantas já bem abastadas atarefadas em engendrar formas de enriquecer mais a qualquer custo... e muitos milhares desgastadas na procura de meios de sobrevivência condigna; umas sem vontade de trabalhar... outras sem ter o que fazer; meia dúzia empoleiradas nos seus gabinetes entretidas no fabrico de leis na maior parte das vezes alheias ao que verdadeiramente se passa no exterior... muitas outras a criticá-las... e quase toda a gente a cumpri-las porque não lhes é dada outra alternativa; os nossos filhos e amigos desterrados por esse mundo fora... e montes de desterrados que se metem por Portugal dentro muitos deles para andarem por aí desempregados e feitos pedintes; vândalos à solta... cidadãos e polícias amedrontados... tribunais a abarrotar; pessoas aposentadas e com um outro emprego... e aumento de desempregadas; as sortudas que conseguiram chegar a cargos de relevo a ganhar milhares de euros... ao lado de salários mínimos miseráveis e certas reformas que mais parecem esmolas!...
Ena!!!... E que estou eu para aqui a dizer?
Mas, a bem da verdade... se fossemos a enumerar tudo quanto nos aflige... cansaríamos as letras, não teríamos palavras, e gastaríamos todas as reservas de tinta! Basta olhar para o que se passa nas Escolas... na Segurança Social... na Saúde!...
Bem! Se olharmos o mundo pela negativa vamos constatar que está tudo numa verdadeira calamidade.
Mas... é melhor não ir por aí... negativismo, não! É melhor não entrar no jogo feio de quase toda a Comunicação Social que faz um alarido enorme à volta de um qualquer acontecimento menos bom... mas fala de raspão ou simplesmente ignora muitas das coisas boas que existem: inumeráveis Movimentos e Associações de Solidariedade Social com iniciativas mais que louváveis; pessoas que passam a maior parte da vida preocupadas em proteger todo o tipo de pobreza; encontros de formação e bem-fazer; festas feitas com muito amor para acariciar desprotegidos... sei lá quantas coisas mais!...
Ui!... Que horror! Afinal, ao recordar o mal eu vejo um montão de coisas erradas... mas quando tento descobrir coisas boas tenho dificuldade em encontrá-las!...
Há dias um amigo aconselhou-me a recordar e escrever todos os dias cinco coisas agradáveis. A princípio foi difícil, agora... já encontro mais de cinco coisas agradáveis por dia!... É que os pensamentos positivos procuram ver o lado bom dos acontecimentos e levam-nos a encontrar situações positivas em nós e nos outros, e, consequentemente, a dizer que “está tudo bom”!...
Preocupar-nos em sermos positivistas será um bom começo para ajudarmos a melhorar o nosso mundo... pois se o “homem sonha, a obra nasce”! Então, mãos à obra!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

domingo, 9 de novembro de 2008

TESOUROS NA NOSSA EXISTÊNCIA

"Um bom amigo é um tesouro!" Já tivemos oportunidade de aprofundar esta realidade e de ver como temos necessidade de, pelo menos, tentarmos possuir as qualidades de bons amigos, para a harmonia e felicidade de todos. Hoje vou tentar desvendar um pouco do que penso acerca dos tesouros que deve possuir a vida de cada um.
Dotada de corpo e espírito, cada pessoa humana é como que um duplo ser: um, o que se vê claramente e que constitui o seu retrato físico; outro, é o que cada um sente mas que está escondido aos olhos de quem observa, é o que se chama de retrato moral. Então, enquanto uns dão todo o valor ao seu aspecto físico, exterior, tratando-o com todas as implicações que isso acarreta, outros, ao contrário, valorizam mais o cultivo das qualidades interiores que só o sentimento de um coração atento pode desvendar e sentir. Assim sendo, cada um de nós, conforme seus gostos pessoais e as qualidades de que foi dotado pode enriquecer a sua existência com tesouros muito diferentes: uns, temporais, que o tempo desgasta e corrói; outros, morais, que o decorrer da vida torna cada vez mais eficientes e perduram para além da morte. Nos primeiros, podemos incluir a satisfação pessoal através dos bens terrenos que geram a opulência que, normalmente, trata muito bem do aspecto exterior, mas quase sempre leva ao desespero e à insatisfação; nos segundos, incluiremos os que valorizam mais as suas boas acções que, embora muitas vezes sejam ignorados e incompreendidos, fazem gozar de alegria perfeita porque esses valores da vida nada nem ninguém pode roubar, e, quando cultivados a preceito, tendem a ser cada vez maiores.
Agora, pergunto: Onde me situo eu? Onde se situa cada um... nesta vida dupla que, quer queiramos quer não, faz parte de todos nós?... Quais serão os tesouros que valorizamos nesta nossa curta existência sobre a terra? Os tesouros na vida de cada um, existem, embora possam ser tomados em conta de forma igual ou oposta, uma vez que todos os seres são diferentes uns dos outros.
Falando mais uma vez da verdadeira amizade nesta época tão propícia ao seu desabrochar, perante o atrás descrito, não podemos ter ilusões!... A verdadeira amizade, pode ter algum suporte nas nossas riquezas temporais, é um facto, necessitamos de bens para viver, ninguém pode viver sem eles. Mas, se o repartir dessas riquezas não partir da riqueza do coração, o verdadeiro amor que levará à união e paz do mundo nunca chegará a existir.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

COMBATE AO STRESS – “90 – 10”

Hoje, levantei à hora habitual... fiz os meus trabalhos habituais... e vim junto do computador para abrir o correio electrónico, o que, neste horário, não é habitual. Mas, nada acontece por acaso!... Há dois dias um amigo enviou-me uma mensagem com um anexo intitulado “90-10”, que me despertou a curiosidade, e como o tempo estava escasso, deixei-o para ocasião mais oportuna. Abri-o agora mesmo, e acho que o devo partilhar. É uma chamada de atenção para o auto-controle como forma de combate ao stress.
A necessidade urgente de treinar cada vez mais o auto-controle para evitar mal-entendidos, mágoas desnecessárias e confusões, já não é novidade para ninguém. Mas eu desconhecia... imaginem... que às coisas inevitáveis que nos acontecem normalmente, ou seja, a um café que um filho ou alguém entorna e nos obriga a ir a correr trocar de roupa na hora de sair ou a ficar sujo na rua, um semáforo que não sai do vermelho, uma fila de trânsito que não desenvolve, uma operação stop que nos obriga a parar, um pneu que fura, uma manobra perigosa que nos prega um susto, uma palavra gesto ou expressão inadequadas que se nos deparam a cada instante... enfim... a toda essa enormidade de situações que normalmente pensamos serem a causa de todos os nossos distúrbios do sistema nervoso... a elas todas juntas... todinhas mesmo... dão apenas somente o valor de “10 numa escala de 1 a 100”!... Assim sendo... ficam os restantes “90 por cento a serem culpa exclusiva da nossa falta de controle”!...
Contra factos, não há argumentos!...
Perante estas percentagens... onde ficam os nossos “egos”... sempre cheios de razões e prontos a despejar todas as culpas dos nossos nervosismos nos outros???...
Sim... nos outros... porque o dizermos aos outros e a nós mesmos que somos nós próprios os quase únicos culpados, não tem piadinha nenhuma... não tem!...
Pensei... e voltei a pensar... de olhos postos na explanação da mensagem recebida! Lembrei todas as minhas formas de actuar... que afinal são as únicas que eu posso reconhecer e ajuizar uma vez que não me é dado penetrar no interior das pessoas que me rodeiam e que são livres e responsáveis pelas suas próprias acções! Lembrei que já não recordo a data em que comecei a tentar a sério fazer um auto-controle das minhas indignações... e recordei ainda as diferenças de relacionamento que essa decisão que tomei implicou nas pessoas que comigo convivem... que me perecem cada vez mais tolerantes, mas na medida em que eu o for com elas... e concluí para mim aceitar as percentagens que, realmente, não devem estar muito erradas!...
Há coisas que acontecem porque acontecem... e muito embora haja sempre uma razão ou culpa para tudo quanto acontece... ao descarregarmos a culpa no presumível culpado ou culpada a única reacção que obteremos dele ou dela será sempre uma revolta desmedida... pois a asneira é sempre feita sem querer, por desconhecer a gravidade da situação ou uma outra coisa qualquer... (não há dúvida de que todos somos peritos em arranjar as mais variadas e convincentes desculpas).
Assim sendo, em vez de recriminarmos... talvez seja muito mais vantajoso para todos solicitarmos calmamente um maior cuidado... pois certamente obteremos resultados bem mais surpreendentes... e sem stress para ninguém!...
Mãos à obra... pelo nosso “90-10”... mas sem nunca desanimar dos avanços e recuos... pois é com eles que nos mantemos em constante aprendizagem nesta maravilhosa escola da vida onde a escalada é difícil! Que haja muito sucesso para todos nós!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

UM BOM AMIGO É UM TESOURO

"Um bom amigo é um tesouro!" Esta afirmação de alguém, é uma das mais belas frases que devemos ter presente para encontrar uma boa norma de vida. Uma amizade profunda e verdadeira é imprescindível para que cada ser tenha uma vida plenamente feliz e, consequentemente, plenamente realizada.
E, se "um bom amigo é um tesouro", quem não quererá ser, realmente, esse tesouro?!... Com certeza que todos nós.
Quando se fala de "tesouro" fala-se de um símbolo de riqueza; todavia, temos de lembrar que há diferentes maneiras de viver na riqueza.
A riqueza exterior pode ser muito grande, mas é exterior. Pertence a quem a tem e por vezes extravasa; mas, além de poder estar muito distante da felicidade, acaba com o tempo... e muitas vezes mais depressa do que o que se pensa!... A riqueza da amizade, não! Essa é muito especial, perdura para todo o sempre, eleva-nos até às alturas!... Se o bom amigo é o que está presente nas horas boas e más, o que aplaude quando se faz algo bem feito, o que censura humanamente quando se erra, o que ajuda a evitar esse erro, que quereremos de melhor na vida do que ter um amigo assim?!... No entanto... que direito temos a exigir amigos com todas estas qualidades, coerentes e verdadeiros, se não sabemos ou não queremos ser amigos assim?!... É caso para se pensar séria e friamente antes de tomar qualquer decisão, face aos que consideramos "maus amigos" encontrados na vida. Em vez de nos queixarmos de que temos "maus amigos", não seria mais lógico questionarmo-nos de "que tipo de amigos somos nós?" É muito fácil vermos os defeitos dos outros quando eles nos tocam, fraca ou fortemente; mas é difícil ver, admitir e corrigir os nossos próprios defeitos. Então, falamos em ter "maus amigos" ou "bons amigos", mas não falamos de nós.
Vamos pensar um pouco nestas realidades... e olhar, bem no fundo, dentro de nós próprios.
A época é propícia à reflexão! Saibamos aproveitá-la e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para termos, de facto, os atributos que desejamos encontrar nas pessoas que nos rodeiam, sejam elas mais ou menos amigas, não importa। "Nunca faças aos outros o que não queres que os outros te façam!" Esta frase tão conhecida, é uma afirmação muito correcta, maravilhosa, que implica muita compreensão, muito amor, muito carinho, muita dedicação. Vamos tentar pô-la em prática, ainda que seja em coisas pequeninas. E não esqueçamos que é na perfeição das mais pequenas acções que se pode observar a grandeza de cada ser humano. Aproveitando capazmente a aprendizagem constante da escola da vida, esforcemo-nos sempre por sermos cada vez melhores, para que toda a Humanidade o seja também.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

AMIGOS... SEMPRE, E CADA VEZ MAIS!

Penso ser pertinente continuar a falar deste tema inesgotável. Nesta época, mais do que nunca, a palavra "amigos" deve estar presente no nosso quotidiano, em toda a nossa vida e, mais do que tudo, bem no fundo do nosso coração.
Acabaram-se as folias das Férias. Entramos em mais uma caminhada para a verdadeira vida de trabalho e canseiras. É um ano muito especial, Ano Santo de graças e bênção, pois faz 2000 anos que S. Paulo nasceu, facto importantíssimo que este "Ano Jubilar" que se vive nos vai recordando dia após dia.
Se na nossa condição "Humana e Cristã" devemos ter presente, ininterruptamente, "O Grande Amigo" que S. Paulo pregou e vem pregando... agora, mais do que nunca!... Ele é um Amigo, que nunca falha!... Mesmo quando nos dá a sensação de ausência nos momentos difíceis, na hora exacta, quem estiver atento, sente profundamente a carícia da sua bondosa e afável ajuda. E porque não, seguindo o Seu exemplo, continuarmos a aprender a sermos amigos de verdade?
A escola da vida ensina-nos que o tempo passa veloz. E só o hoje, o agora, nos pertence!... Para qualquer coisa, como já referi anteriormente, "amanhã poderá ser tarde"! É caso para pensarmos em lançar mão, de imediato, às ocasiões que se nos apresentem e experimentar a alegria de uma mudança radical de vida, se tal for necessário.
Para quê tantas incompreensões, tantas chatices, tantos ódios... tantas divergências? Não podemos continuar a sentir mágoa para com quem não pensa como nós! Teremos, sim, de averiguar a razão das diferenças, tentar colocar-nos no lado oposto para analisar e interiorizar a situação friamente, e assim podermos ver qual será o lado certo... e se será, de facto, o nosso lado. A falta de conhecimento de causa e de humildade para aceitarmos as opiniões recebidas, leva-nos a que fiquemos sentidos e criemos um mau ambiente familiar, de trabalho, ou mesmo de âmbito mais social.
A vida é, toda ela, feita de pequenos nadas; e são todos esses pequenos nadas, bem aproveitados, que dão grande valor à vida. Saibamos viver plenamente os bons ou maus momentos, e tirar deles as ilações necessárias para nos tornamos cada vez melhores, mais dignos, mais humanos e, consequentemente, mais amigos!...

Hermínia Nadais
Extraído de uma crónica publicada no Notícias de Cambra