sábado, 26 de abril de 2008

Trevas e luz



Nesta enorme “aldeia” onde vivemos, ao lado de inúmeros acontecimentos bons e comportamentos exemplares que a maior parte das vezes são ignorados, desprezados, ultrajados, ultrapassados e esquecidos... ainda há inúmeras situações inaceitáveis.
Fala-se muito em tempo de mudança... eu diria, de controvérsia!
O desenvolvimento humano sempre teve e sempre terá fases positivas e negativas. É certo que tudo nos ajuda a aprender. Mas é horroroso, quem nasceu para a felicidade e crescimento constante nos caminhos da vida... ter de aprender com tanto sofrimento desnecessário.
Há quem fale muito em dinheiro... e quem omita conversar sobre ele. Diz-se que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. É apenas uma meia verdade pois refere-se simplesmente ao problema financeiro, e não há dúvidas de que isso é uma realidade. No entanto, se tentarmos ver as coisas dum outro modo, afirmaremos, sem qualquer receio que, de uma maneira quase geral, estamos cada vez mais pobres... pobres daquela riqueza que nem se palpa nem se vê... a verdadeira riqueza que nos faz crescer interiormente como nos convém.
Este tipo de riqueza não se compra com dinheiro, adquire-se num aturado estudo interior que nos leva a fazer das trevas da nossa ignorância luz verdadeira e fecunda.
A falta de conhecimento gera as maiores confusões e leva a que nunca se aceite a verdade tal como ela é por falta de compreensão. A visão que os nossos olhos alcançam engana-nos vezes sem conta.
Quando vejo a degradação em que se encontra o sistema educativo, não obstante o trabalho e bravura de grande parte dos professores, pergunto a mim mesma que caminho estamos a seguir. A ignorância destrói o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, e muito mais, nesta época em que a aprendizagem nos entra todos os dias pelas portas dentro.
Mais do que nunca, saibamos escolher o que vemos. Não desprezemos os bons filmes, os documentários, as boas leituras, as meditações, a procura constante de saber quem somos, o que pretendemos, qual será o verdadeiro caminho do sucesso na nossa vida sem interferir no sucesso da vida de quem nos rodeia.
O homem é insatisfeito por natureza. Quando se diz que foi criado para o infinito ou transcendente, parece-nos que para isso tem de sair fora de si... mas não.
Muito pelo contrário! O querer ir mais além é algo que habita constantemente o mais profundo do nosso coração, que está bem dentro de nós. Só na medida em que o homem se reconheça tal como é, com defeitos e qualidades, com fraquezas e forças... estará pronto para procurar algo mais do que ele... que o transcenda! Mas é trabalho a efectuar bem dentro de si... quando confia na capacidade de mudança para uma vida melhor, mais digna e dignificante.
Se aprendermos a olhar-nos interiormente a cada momento da vida, teremos oportunidade de nos sentirmos amparados pela presença constante de algo maior do que nós a guia-nos os passos e a levar-nos à prática das boas obras que nos lançam cada vez mais no caminho da transcendência.
Deixemos as trevas da ignorância para buscarmos constantemente a luz do saber... é a única forma de podermos, realmente, “ser” verdadeiramente homens e mulheres.

Prof. Hermínia Nadais


Publicado in "Notícias Cambra"


terça-feira, 15 de abril de 2008

A FAMÍLIA NA SOCIEDADE

Começo por recordar o triplo enquadramento educacional que qualquer Homem terá de fazer para uma plena realização pessoal: a sua hereditariedade, valores familiares e do meio ambiente circundante.
Depois de abordado o tema da genética e de ser referenciado o enquadramento da família na base dos costumes e tradições de qualquer sociedade, é o momento de pensar nos problemas actuais e angustiantes que a afligem no decorrer dos nossos dias em que atravessa uma das maiores crises de todos os tempos.
A implementação das novas tecnologias e a drástica mudança de condições socio-económicas e culturais levou a uma grande modificação de mentalidades que, lentamente, se tem vindo a efectuar; e as necessidades prementes da vida actual alteraram radicalmente a família tradicional onde o homem e a mulher tinham tarefas específicas e bem definidas. Já vai ficando para trás o tempo em que as mulheres eram apenas esposas submissas e trabalhadoras, boas donas de casa e boas mães enquanto os homens angariavam o sustento da família. A mulher cada vez mais é chamada a trabalhar, ao lado do homem, não só para uma realização pessoal mas também porque, os proventos do seu trabalho além do de "doméstica" são necessários para o equilíbrio orçamental do agregado familiar. No entanto, ainda são muito poucos os homens que compreendem a extenuante e dupla actividade da mulher actual e a ajudam nas lides caseiras e na educação dos filhos de igual para igual. Fazem-no por desleixo, por mero egoísmo ou pelo receio de serem chamados de "maricas", preconceito que ainda persiste e estraga o bom ambiente familiar e social. E é absurdo pensar numa mudança muito rápida e fácil, pois ela está a fazer-se, sim, mas muito lentamente e com sérios problemas de adaptação tanto masculina como feminina. Daí tantos divórcios, uniões de facto, vidas a sós...
E nenhuma pessoa ou família com instabilidade económica, emocional, social, erradicada de prestígio, pode proporcionar aos descendentes os valores imprescindíveis ao desenvolvimento global e harmonioso da cada ser e, consequentemente, à construção de uma sociedade mais compreensiva e justa.
Um casal onde falte o dinheiro para cobrir as despesas essenciais à subsistência passa a fazer da resolução dessa questão o fim primordial da sua vida; se há instabilidade afectiva, a luta pela compreensão, carinho e atenção a que cada um tem direito absorve toda a sua razão de viver e todas as forças e estratégias possíveis são postas em prática para que seja recuperado o sossego, o amor e a paz familiar; e o que não é bem aceite pela sociedade acaba por fazer todos os esforços a fim de apresentar uma mudança significativa do seu comportamento ou estrato social no sentido de modificar a opinião pública a seu respeito.
É humano que isto aconteça. Mas, como podem dedicar-se ao aperfeiçoamento moral e observação de valores éticos, membros de famílias que tentam sobreviver com tantas carências económicas, afectivas e sociais?!...
Ninguém pode dar o que não tem. Como podem tantos pais dar uma vida agradável aos filhos se vivem envoltos num mar de amargura e incompreensão? Como podemos pedir valores morais a estômagos vazios, a braços cansados e a cabeças prestes a estoirar pela procura da resolução de tantos problemas?
Para uma pessoa se reconhecer tal qual é, assumir os seus defeitos e lutar contra eles, reconhecer e desenvolver as suas qualidades, necessita, antes de mais, ter condições razoáveis de vida. Então, sim, poderá tentar ter uma vida interior intensa e activa: muita coragem, força de vontade e auto domínio. Isto só poderá conseguir-se com um sólido ambiente familiar onde reine a harmonia, a compreensão e aceitação mútua, e se faça uma auto e hétero-reflexão frequente evidenciando as características inatas ou adquiridas de cada um para que cada qual possa crescer em amor, solidariedade, espírito crítico e verdade.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 8 de abril de 2008

A Globalização


Ao pensar um pouco mais profundamente nas necessidades vitais do Homem, surge-nos a cultura e a transcendência. Se há anos me emparelhassem estas duas palavras, consideraria aberração. Hoje, sinto-o uma necessidade. Elas têm de ser assumidas, impreterivelmente, como parte integrante da vida humana.
Quando começaram a aumentar os anos de escolaridade, surgiram reacções diferentes: uns diziam que as crianças e jovens, agarrados aos livros, perdiam a infância e juventude... outros, gritavam com desespero porque, deste modo, deixariam de ser ajudados no sustento da família... tarefa que os pais aceitam nos tempos que correm, mas que era por eles incomportável num passado ainda recente.
O rodar do tempo foi mudando a forma de viver e encarar a vida. A bem de um bom crescimento harmonioso do Homem, já se vai reconhecendo que aprender é uma necessidade imperiosa... (necessidade que o sistema educativo vigente não satisfaz por não se adequar a todas os requisitos de realização pessoal e profissional das “pessoas concretas” a que chamamos população).
Todavia, a implementação dos Meios de Transporte e Comunicações, ao lado do aparecimento e projecção da Informática, desenvolveu, de forma irreversível e inigualável, a Comunicação Social, e fez com que, aos poucos, fosse eclodindo uma enormíssima interacção entre os povos, a “Globalização”.
Este fenómeno incomparável alterou definitivamente a situação socio-económica e cultural das populações, pois transformou cada povoação numa ínfima parte da enorme aldeia global onde habitamos - o planeta Terra – que vai sobrevivendo tremendamente devastado por uma onda gigante de egoísmo e superioridade, onde as pessoas cada vez se entre ajudam e conhecem menos e onde a privacidade é cada vez mais posta à prova, das formas mais divergentes, tantas vezes horrorosamente repletas de negatividade.
Actualmente... quase não precisamos de sair à busca do mundo, porque ele nos penetra as habitações pelos microscópicos orifícios das paredes e telhados, das portas e janelas... para viver connosco, discreta ou descaradamente... nos écrans e monitores.
Isso é um bem que nos leva a ter outras perspectivas de vida... a saber inúmeras coisas que outrora nunca havíamos sonhado existir... a usufruir de formas de ensino/aprendizagem nunca pensadas ou descritas. Podemos conhecer os modos de vida de povos sem fim... os seus hábitos mais rudimentares ou avançados... os seus sonhos e ambições... a maravilha do seu meio ambiente natural.
Todavia, precisamos ser muito diligentes e cuidadosos com tudo quanto nos envolve para não sermos arrastados para comportamentos indesejados. O facto do ser humano ter uma grande capacidade de adaptação é muito salutar; mas a tendência natural de ser um “imitador” nato, tipo papagaio, pode levá-lo a sair dos hábitos, costumes e tradições da terra onde nasceu, cresceu e viveu ou vive, o que, se não for bem orientado, pode ser-lhe muito prejudicial.
Temos consciência de que a vida humana não pode depender somente de tradições... mas não podemos negar o facto de que elas existem, protegem, projectam... ou mesmo condicionam as vidas.
O fenómeno abrangente da globalização tem que ser profundamente estudado e reconhecido para se poder tirar dele tudo quanto de bom trouxer de outras paragens, mas sem por em causa os bons costumes enraizados na vida de cada povo, tribo ou nação.
A Globalização é uma realidade que tem de ser dignificada através do aprofundamento estruturado de uma cultura específica e geral cada vez mais abrangente e cuidada, como fundamento de uma vida mais aberta ao bom acolhimento, compreensão e aceitação da comunidade restrita ou alargada em que estivermos inseridos, para que, em nós e nos outros, possamos distinguir cada vez com mais eficiência o bom do mau, o útil do inútil, o razoável do cauteloso, o certo do errado... possibilidade de maior certeza do que devemos ou não devemos fazer.
O desenvolvimento humano está muito longe das verdadeiras capacidades de cada homem e de cada mulher! Não tenhamos medo de aprender... pois só com um conhecimento mais exacto de tudo quanto é capaz, a Humanidade pode desejar algo disposto a superar as suas impossibilidades... que a transcenda... que esteja acima de si mesma!
Eu... continuarei à procura! Deixo à disposição o desafio do encontro.
Feliz tempo Pascal!

Prof. Hermínia Nadais
Publicado no Jornal Notícias de Cambra

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FAMÍLIA E SOCIEDADE


Para muitos de nós é sobejamente reconhecido que uma pessoa, para o ser em plenitude, com força de vontade e auto domínio, necessita de uma boa integração familiar e social.
"Família" e "sociedade", são dois conceitos distintos e complementares, mas de certo modo iguais e mutuamente dependentes.
Quando falamos de família queremos referir-nos expressamente à chamada família nuclear, isto é, o casal e seus descendentes. De facto, é essa a primeira comunidade social de um recém nascido, de uma pessoa. Segue-se-lhe a família alargada, ou seja, a comunidade formada pelo conjunto das várias famílias nucleares incluídas na árvore genealógica de que essa família nuclear faz parte. Muitas famílias formam uma aldeia, vila cidade... e há freguesias, concelhos, nação, nações... sociedades cada vez mais alargadas e dos mais divergentes hábitos, costumes, tradições... E, dentro dessas comunidades gerais, surgem muitas outras para a realização de cada um segundo as necessidades ou gosto pessoal: escolas, associações culturais, desportivas, religiosas, de caridade e assistência... E é um nunca mais acabar de instituições e associações da carácter social, colectividades que têm por fim a protecção, o desenvolvimento e a realização pessoal do indivíduo. À semelhança da família, cuja representação e gerência é efectuada pelo casal que a constituiu, as instituições também têm órgãos representativos e de gestão: numas esses órgãos, tal como nas famílias, são as próprias pessoas que as imaginaram e puseram a funcionar; noutras, é feita a escolha obedecendo a leis previamente estabelecidas.
Todas as instituições têm estatutos, regras de convivência social, são geridas e representadas por alguém. A família, a primeira de todas as instituições na nossa vida, tem leis de orientação e protecção bem definidas. Diferente de qualquer outra onde o elo de ligação dos associados pode apresentar múltiplos interesses, o conceito de família está assente no amor mútuo e ligado aos laços de sangue, à continuação da vida. Nenhuma outra instituição tem fim tão sublime, mas também nenhuma tem tanta responsabilidade na sociedade onde está inserida. Em qualquer outra instituição, entra quem quer ou necessita; na família, não é assim. A constituição de família, o viver em família, partilhar com alguém os desejos e ambições, faz parte de cada um de nós, é inato. È por esta necessidade de convívio e partilha de vida que há tantas famílias resultantes de ligações pouco aceites e menos habituais. Somos seres sociais, não fomos criados para viver sós. No entanto, numa família normal que é constituída livremente por duas pessoas complementares entre si, ligadas por amor, de cujo fruto nascem os filhos!... Filhos que não pedem para nascer... não têm culpa de nascer... mas, uma vez aparecidos, têm direito à vida, a uma vida digna, com amparo, protecção e orientação adequada.
Fala-se muito da protecção à família, mas quanto mais se fala em protecção, mais problemas familiares atingem a sociedade em geral. E o processo educativo das nossas crianças e jovens sofre as graves consequências dos problemas angustiantes dos pais. O caso é muito grave, gravíssimo mesmo. É caso para muita reflexão. Estou certa de que, se houvesse tempo e predisposição para pensar... muito ficaria diferente.
Queridos pais, aflitos com tantos problemas: Vamos parar um pouco para olhar profundamente as drásticas alterações da participação do homem e da mulher na vida familiar e social com as implicações que daí resultam; ver o que há de bom e mau; e, finalmente, tentar interiorizar e viver o que acharmos melhor para a felicidade de cada um de nós que será, sem dúvida, a felicidade de nós todos.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 1 de abril de 2008

Deslumbramento!



Para mim a vida foi sempre uma escola magnífica. E ainda hoje continuo a pensar que é no palco da vida que reside a maior e melhor de todas as escolas, porque liberta de teorias ocas e impregnada das práticas mais abrangentes. Aprende-se a fazer, fazendo... e aprende-se a viver, vivendo. Por mais que alguém se esforce por nos ensinar a viver, os resultados serão sempre pouco vantajosos. Não é possível acreditarmos plenamente na informação obtida, nos conselhos escutados, nos exemplos que nos entrarem por todos os poros do corpo e do espírito. Acabámos por desencadear em nós um sem número de experiências que nos levam a aprender, acima de tudo, com as nossas tentativas e os nossos erros. Consciente ou inconscientemente, aproveitando ou não as lições diárias da vida, cada um de nós será um autodidacta permanente.
Ao longo da vida, na maior ou menor inquietude, vaguearemos por um qualquer espaço sentindo que o rodar do tempo nos projectará cada vez mais para um incomensurável desconhecido. Nada nem ninguém conseguirá fugir desta realidade que, por ser tão profunda, acabará por ser inatingível a uma grande parte da humanidade. Quer acreditemos ou não, somos os principais agentes da nossa própria educação e do enraizamento da nossa estrutura socioeconómica e espiritual.
A vida poderá ser considerada assim como uma bicicleta, um automóvel, um autocarro, um barco ou um avião que, conforme a dificuldade inerente ao tipo de veículo que formos, teremos de saber conduzir... mas que tantas vezes não conseguimos aprender!...
A estrada por onde enveredamos no decorrer da nossa vida quase sempre se nos apresenta como caminhos sinuosos e cheios de lacunas. Na vida temos apenas duas certezas absolutas: que um dia nascemos... e que um dia morreremos.
Nascemos sem qualquer pedido ou escolha da nossa parte; irremediavelmente começamos a crescer; lentamente, vamos descobrindo o porquê... e continuaremos à descoberta de todo o para quê da nossa vida.
Quanta fé e trabalhos, lágrimas e torturas, esperanças e sonhos desfeitos, desilusões e aflições, amarguras e cansaços, atropelos e desembaraços... quantas vezes com o coração despedaçado e a cabeça desfeita da busca constante de um caminho que teima em se esconder!...
Olhando-nos na suavidade atenta do nosso nada, verificamos que somos corpo e espírito únicos e irrepetíveis, mas antagónicos nas necessidades, nos gostos, nas escolhas, nos desejos, nas maneiras de ser e formas de estar. O corpo, cartão de visitas pessoal, é tentado a exibir toda a beleza, esmero, aparato e presunção; o espírito, suporte de todas as acções individuais e colectivas, na obscuridade da sua essência, tenderá a ficar quase sempre sujeito às maiores carências afectivas e efectivas... sem os cuidados necessários para poder ter sempre a coragem de levar à prática de palavras meigas, de compreensão e entrega mútua, da solidariedade e do amor fraterno, da descoberta do transcendente para que todos fomos criados.
Só com muita dádiva e empenhamento as acções do espírito poderão dominar verdadeiramente o corpo tornando o todo que o Homem é igual a si mesmo... porque imbuído do sonhado deslumbramento que de outra forma nunca poderá alcançar... fascinação difícil de atingir, pois sendo apanágio do SER HUMANO, transcende o homem.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

O bailado das nuvens!




O tempo da Quaresma é especial para remodelarmos a nossa caminhada e ensinar-nos que na melodia do tempo se dançam as realidades da vida na mais densa escuridão ou na mais brilhante claridade.
Na valsa das trevas magoamos o peito, o coração baralha o seu ritmo, os pés não sabem por onde seguir e as mãos flutuam no espaço tentando encontrar onde prender os dedos. Quando tudo parece perdido surge uma luz ténue na estrada a percorrer... e, então, sentimo-nos mais libertos, seguros, despertos e atentos a quanto nos rodeia e mais flexíveis no baloiçar dos gestos e no balbuciar das palavras. Descobrimos que é nessa valsa da noite que desvendamos o fascínio dos bailes da vida, diurnos ou nocturnos, mas que sempre farão de nós estrelas... maiores ou menores, mais ou menos fascinantes.
Claro que, se vamos comparar-nos a estrelas... é natural que queiramos brilhar!
Mas, é urgente e necessário analisarmo-nos profunda e friamente e tentar ver dos outros tudo quanto nos for dado observar... para podermos verificar que a nossa importância não provém do tipo de estrela que somos mas sim do conseguir entrar na dança das estrelas com o nosso verdadeiro tamanho e condição... porque é sempre belo o brilho de qualquer estrela.
Uma destas noites, no meu quarto, depois de ter apagado a luz, abri os olhos. E ao contrário do escuro cerrado habitual eu vi, com as formas e tamanhos mais divergentes, um maravilhoso bailado de nuvens brancas, graciosas e leves que se deslocavam suavemente no espaço com tal delicadeza e brandura que fiquei estupefacta e a pensar se não estaria a passar para uma outra dimensão da vida... pois a visão transcendia o meu pensamento e levava-me ao inimaginável e irreconhecível a mentes humanas. E quanto mais fixava o meu olhar naquele panorama de sonho... mais rápidos, velozes e felizes se movimentavam aqueles seres tanto belos como estranhos! A dada altura, de entre eles, reconheci, numa nuvem bem maior, um “ROSTO” maravilhoso que logo desapareceu entre toda aquela esplendorosa movimentação alada... sem asas.
Diante daquele panorama que me confundia a verdade dos factos com a ilusão dos sentidos, cansada da aspereza do dia e do adiantado da noite, a sós comigo mesma, sentei-me nos muros da minha imaginação!... Olhei o preto e o verde dos meus campos e montes, as variadíssimas nuvens que sulcam o azul do meu céu, as ásperas ou escorregadias pedras da calçada onde me movo!...
Na análise exaustiva destes momentos tão fascinantes acho que tudo se foi clarificando! Bonitos ou não, sábios ou menos inteligentes, grandes ou pequenos... fazemos parte do enormíssimo conjunto dos filhos da LUZ... criados para a felicidade que ali ressaltava de igual forma em todas aquelas nuvens dançantes.
Que nunca queiramos parecer maiores do que aquilo que somos... e que esta Quaresma nos proporcione a graça de descobrirmos qual o nosso lugar na calçada da vida... para que possamos vir a ser bem integrados no bailado das nuvens brancas!

Hermínia Nadais
Publicada no Jornal “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 27 de março de 2008

Máscaras... não!


Várias vezes... frente ao espelho do meu quarto, quase não me consegui reconhecer. Com tão estupefacta alteração, apostaria mesmo a dizer que o “meu rosto”... não era o meu. Pensei muitas vezes no porquê das bruscas variações, mas sem resposta. Na calmaria de um final de tarde depois de um dia tranquilo e aquando a preparação do descanso nocturno, maquinalmente, olhei o espelho. De novo, fiquei surpreendida!... Embora num sentido inverso, “aquele rosto”... também não me parecia o meu. Aproveitei a jovialidade da noite para perder-me da televisão e interiorizar as várias imagens tão reais... e tão diferentes... observadas no silêncio mudo daquele espelho que parecia querer dizer-me alguma coisa. Quedei-me por instantes... não a rever a incompatibilidade incompreensível da leitura feita às imagens observadas... mas a descortinar umas outras imagens, bem mais profundas e reais do que aquelas que ali me representavam, muito embora com expressões tão diferentes... naquele que era... de facto... o meu retrato.
Passados momentos, a resposta foi-me clara.
Afinal... era sempre ali que eu me encontrava... sem nada que me perturbasse... no escuro da noite! Frente ao espelho, eu... somente eu... sem qualquer “máscara”... sem nada a esconder a minha verdade!
Sem sombra de dúvida, as variações do “meu retrato” demonstraram-me a sensação exacta da grande realidade do provérbio popular: “O rosto, é o espelho do coração!”
O coração triste e amargurado esconde o brilho do olhar e ensombra o rosto; o coração feliz, põe o rosto a irradiar felicidade!... E, qualquer destas situações que parecem diferenciar o rosto alterando por completo a sua expressividade, são a representação infalível da realidade ocasional de cada um no mais profundo do seu ser.
A época que atravessamos, para muitos, é ocasião propícia para disfarçar o rosto com as tradicionais máscaras de Carnaval... Máscaras... que tantos de nós... para esconder as amarguras da vida... decidimos colocar sobre o rosto nos trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano!... Até quando!?...
Que bom seria que pudéssemos reconhecer, sempre e em qualquer situação, em todos os rostos... não os aparatosos disfarces... mas os verdadeiros espelhos dos corações!...
Mas não podemos iludir-nos! O retrato de qualquer rosto... só poderá ser realmente visível para o seu dono e seus verdadeiros amigos.
Que bom ter amigos!!!...
Fala-se muito em amizade!... Será que algum dia conseguiremos ser, de facto, amigos... de nós mesmos... e de todas as pessoas com quem convivemos?!...
Esta é a tarefa mais difícil de todas as criaturas?!... Que a consigamos levar a bom termo! Máscaras... não!


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

domingo, 23 de março de 2008

A sociedade e a família





No desenvolvimento sociocultural do indívíduo é imperativo a existência da Escola, pois a Escola, "fruto das nossas vivências diárias", e a Escola, "Instituição", numa intercomunicação activa, completam as aprendizagens efectuadas por cada ser ao longo da sua existência.
O limiar da aprendizagem a efectuar é uma incógnita. O primeiro professor de uma criança, melhor, de um recém-nascido, ou de um ser que ainda nem sequer nasceu são os seus progenitores; depois, os restantes familiares e pessoas próximas. Se assim não fosse, como se justificaria a existência de tantos "sábios" analfabetos num passado ainda não muito remoto?
Na sociedade, quer queiramos ou não, todos, sem excepção, somos eternamente professores... e eternamente alunos... Naturalmente vamos construindo e solidificando a nossa aprendizagem com as atitudes dos outros e levando os outros a uma alteração comportamental assente na maior ou menor visualização e interiorização do exemplo a tirar das acções que vamos praticando.
Em face do exposto, surge a questão que, em uníssono, devemos proclamar:
-Como poderemos educar-nos, para podermos educar os que nos rodeiam?
De uma maneira geral, os problemas da Educação são colocados à Escola, onde trabalham os "professores profissionais" com a missão exclusiva de "Educar". A culpa das irreverências cometidas pelas crianças e jovens recai, acima de tudo, sobre o Sistema Educativo; depois, sobre a família, uma vez que grande parte dos nossos educandos provém de famílias com graves sequelas; o Meio Social também é lembrado, mas no final, e com muitas reticências. É que a "Sociedade", somos todos nós, e é difícil admitirmo-nos como culpados das infracções cometidas por essa "Sociedade" de que somos parte integrante.
Qualquer Homem é fruto da sua genética, ambiente familiar e meio socio-económico e cultural circundante; e para ser "Homem" em "plenitude", terá que viver de acordo com este triplo enquadramento extraindo dele todo o potencial necessário à sua realização pessoal e inserção social.
Não é tarefa fácil. Vamos desenvolver um pouco o primeiro ponto invocado.
A hereditariedade do ser, marca-o, para o bem, ou para o mal... Por mais que queiramos fugir desta realidade, ela persegue-nos indefinidamente.
A nível de Instituições Escolares ou outras Instituições Sociais, muito se tem feito para minorar o efeito nocivo da criação de semelhanças comportamentais entre pessoas oriundas das mesmas famílias; mas, mesmo assim, o filho de pais considerados "marginais" nem sempre é tido em parceria com o filho dos considerados "pessoas de bem". E, quando não, aparece "o certo" ou "o descalabro" de alguns provérbios populares:
-"Quem sai aos seus não degenera"; "a acha sai ao madeiro"; "filho de burro sai cavalo"; "filho de peixe sabe nadar"... que se aplicam muitas vezes para justificar a observação do bom ou mau procedimento das acções praticadas.
Quaisquer destas expressões são muito fáceis de admitir pelos sujeitos observados quando trazem consigo as boas qualidades que os seus progenitores possuíam; mas se se trata de algo de mau, normalmente, não são aceites pela pessoa a quem o provérbio se refere. E o mais grave é que, pedagogicamente falando, pode marcar o indivíduo pelo lado oposto, uma vez que o comportamento dos filhos nem sempre é como o dos pais, pois a sua educação não dependeu exclusivamente deles mas do triplo enquadramento supracitado que pode, de certo modo, mudar radicalmente as coisas.
Baseados nestes factos há outros provérbios que dizem:
-"Num bom pano cai uma nódoa"; "de uma boa geração sai uma (má) mulher ou um ladrão"...
Pela prática, sabemos que todos os provérbios apresentados descrevem puras e autenticas verdades em situações pontuais. A voz do povo é forte! A sabedoria popular é muito perspicaz e oportuna, tem sempre resposta para todas as situações.
E onde está a sabedoria popular? Quem é o povo?
O povo são as pessoas dispersas pelas mais díspares povoações. A sabedoria popular está nos seus conhecimentos empíricos, nos seus costumes cheios de sentido prático e ricos de experiência.
Onde está a génese desse povo? Onde é praticada e cultivada a sua sabedoria?
A génese de um povo está na sua constituição familiar que, sem dar por isso, transmite cabalmente a sua cultura e tradição até ao mais pequeno pormenor. Ao falar-se de um povo fala-se, indubitavelmente, das famílias por que esse povo é constituído, sejam essas famílias constituídas da forma que forem. As alterações de comportamentos sociais partem sempre da mudança de atitudes no seio familiar. E quando as famílias não têm as condições necessárias às mudanças desejadas, os atropelos surgem... o inesperado acontece!... E a sociedade, família alargada, passa a viver debaixo do jugo do provérbio popular que diz: "Casa onde não há pão todos ralham... e ninguém tem razão!"
Mas nada pode ser feito de um dia para o outro। A interiorização das novas atitudes a pôr em prática é lenta e tem de ser muito bem apresentada por alguns e muito bem compreendida e acatada por todos. Por todos, digo, porque os que apresentam soluções ou metas a seguir com segurança são os que mais têm que compreender as controvérsias que as suas palavras criam e de saber esperar, pacientemente, pelo fruto do seu árduo trabalho cujos resultados virão, sim, mas muito mais tarde...

Hermínia Nadais

Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 20 de março de 2008

No coração ninguém manda



No coração... ninguém man­da! Talvez sim... ou talvez não! Acredito muito sinceramente que esta afirmação seja verda­deira, num jovem adolescente à procura da sua “cara me­ta­de”.
Realmente, com estes...às vezes... geram-se tremendas confusões: parece que querem uma pessoa e acabam por vol­tar-se para outra; depois, há os que se ficam por ali, e os que voltam de novo para trás; e, ainda, os que se vão man­tendo indefinidamente à pro­cura de alguém que acabam por nunca encontrar. Mas... se­rá que realmente no coração ninguém manda? Esta frase cos­tuma aplicar-se quando os casais de namorados se zan­gam ou quando o homem ou a mulher casados se ignoram... ou se relacionam profunda­men­te com terceiras pessoas. Muito sinceramente... nestas circunstâncias... o dizer que no coração ninguém manda... salvo, “talvez” algumas raras excepções, é uma desculpa mui­to esfarrapada para quem quer fugir da sua missão no lar ou fazer da vida um antro de desacertos. Se o homem é Ho­mem e a mulher é Mulher, nun­­ca descuram o seu auto-co­mando, ou, pelo menos, vão tentando colocar ao seu ser­viço todas as suas capacidades numa luta constante e resoluta contra as intempéries de mo­mento, tudo fazendo para não se desviarem do caminho cer­to, confiantes de que Deus, que nunca desampara, lhes fará o resto.
Se tivermos um pouco de bom senso e compreensão, aca­bamos por verificar que a vida é muito simples, nós é que a vamos complicando con­tinuamente: umas vezes, des­con­fiamos ou confiamos de­ma­siado nas atitudes das pes­soas que nos cercam; outras, imaginamos que as vidas po­dem ter todas o mesmo fim; mas, não. Isto de se dizer que “fomos criados aos pares”... não é de todo verdade. De fac­to, se há os que foram cria­dos para viver aos pares, há também os que nasceram para viver sozinhos... e não creio, de forma alguma, que estes se­jam os mais infelizes, muito pelo contrário. O homem ou mulher, que vivem sós estão isentos de quaisquer submis­sões primárias, o que lhes dará maior oportunidade de se de­di­carem mais ao seu próprio cres­cimento interior e às cau­sas sociais, o que poderão fazer de “corpo inteiro”.
Estúpida - dirão। Pois posso ser estúpida... retrógrada... ou o mais que me quiserem cha­mar! Mas... como a maior parte das pessoas pensa que a feli­ci­dade se vai buscar ao casamen­­­to, que respondam os casados: Será que a tão sonhada feli­ci­dade se vai buscar ao casa­mento?!... Muito sinceramen­te!... De forma alguma. A feli­cidade... não se vai buscar a la­do nenhum!... Ou se conquis­ta e se tem, ou não se conquista e não se tem. A felicidade surge e é vivida e trabalhada bem no interior de cada um. O resto... é fachada. Quantas pessoas “muito bem casadas”, vestidas com belos fatos, cabelos e unhas bem alinhadas, com bo­­­nitos sorrisos nos lábios, en­feitadas com boas e requinta­das jóias e com as carteiras cheias a abarrotar... e que vi­vem com o seu interior (cora­ção) mais vazio que o nada e mais triste que a tristeza!... É que a verdadeira felicidade pro­cura-se e constrói-se no de­­correr da vida, ao som de su­cessos e fracassos, e sonhan­do apenas com o bom desem­penho da missão que temos de cumprir na terra. Assim sen­do, não procuremos a feli­cidade onde ela não está, pois, por nunca a conseguirmos al­­cançar, corremos o risco de não acreditar mais que ela al­guma vez possa existir. A fe­licidade humana, pode parecer uma utopia; no entanto, ela exis­­te, sim, mas apenas se a sou­bermos encontrar, ir des­cobrindo aos poucos e viver com ela e para ela, conjugando, com a maior força e perfeição possíveis, o uso da razão e o do­mínio do coração, para as­sim podermos dizer, com ver­dade, não que “no coração nin­guém manda”, mas que con­seguimos, realmente, do­mi­nar os “desastrosos” e “des­regrados” ímpetos do coração.


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 17 de março de 2008

O boneco do Edgar




No interior das beiras, onde o tempo de uma criança vagueia entre a escola e o lugar mais aprazível à pastagem dos caprinos e ovinos, vivia um casal com os seus filhos.
Decorria o gélido mês de Janeiro. Edgar, o mais novo dos três, saltitava de contente esfregando fortemente as pequeninas mãos. É que, por fim... depois de uma longa época de interrogações abafadas pela razão da persistente chuva outonal, a serra acabara por lhe matar a saudade cobrindo-se com um enorme e denso manto de alva neve, o fulgor da sua vida e o encanto para o seu olhar. Os rebanhos obrigados a permanecer nos estábulos pelo rigor da temperatura e a impossibilidade de ir às aulas pela intransitabilidade dos caminhos... forneciam-lhe o tempo necessário para calcorrear ligeira e livremente pela neve, rebolar-se nela com força ou nela deslizar suavemente... vindo a quedar-se, algures, em local propício. Na ânsia de conseguir surpreender os familiares com as suas habilidades, lançou-se com toda a criatividade e empenho na construção da tão querida e sonhada obra. Sem ponta de frio, as adestradas mãos depressa conseguiram levantar um forte e alto cone. Do bolso do kispo tirou a cenoura para o narizito e valeu-se do seu próprio boné e cachecol para realçar a forma da suposta cabeça, ajeitando de seguida muito habilmente o seu cajado de pastor conseguindo dar ao boneco um aparente e gracioso movimento. E... parou por momentos frente ao seu “ídolo”... a fim de lhe averiguar a perfeição, ou a necessidade de lhe dar mais alguns retoques. Entretanto, o Sol, que subira na espaço, espraiava pela ladeira os seus flamejantes raios que aumentavam ainda mais o fulgurante brilho daquele paraíso de fadas. Ao olhar atentamente em redor, verificou que não havia por ali alma viva que pudesse alterar a deslumbrante e encantadora obra de arte executada pelas suas frágeis mãozinhas. E num repente... correu alegre e veloz em direcção a casa.
Abafadamente aflita pelo inesperado e súbito desaparecimento do seu pequenino, a mãe, ao vê-lo, correu para ele transbordante de contentamento, abraçando-o com a maior ternura. Exultante de entusiasmo, o petiz, desembaraçando-se dos mimos da mãe e sem permitir que esta conseguisse pronunciar qualquer palavra, chama apressadamente todos os familiares para que o acompanhem. Perante tal comportamento, acorreram ligeiros e sem hesitações pensando nalgum acidente a socorrer, mas logo após, pararam, ofegantes e estupefactos! Na sua frente... um maravilhoso boneco de neve.
- Já?!... Boa descoberta, meu rapaz!... grita o pai entre o admirado e o satisfeito... pois a chamada urgente do miúdo não tivera nada de mal.
- Descoberta, não! É o meu trabalho, pai!... – replica Edgar muito senhor de si.
Seguiu-se entre a família uma minuciosa interrogação na troca dos olhares entrecortados pela cuidada observação do boneco, que, para espanto de todos... estava adereçado com o boné, o cachecol e o cajado de Edgar... do Edgar... que apresentava as mais fortes reprimendas a quem apenas tocasse em qualquer dos seus pertences!... É que, Edgar amava o seu boneco, e ao “Verdadeiro Amor” da vida, toda a gente se entrega sem contestações.
Tal como o Edgar, seja qual for a nossa idade ou condição, todos ambicionamos levar a cabo a realização de um qualquer sonho encantado.
Qual será o nosso sonho? Que ídolo estaremos a construir? Que material necessitaremos para levantar o boneco que ansiamos? Será que está bem configurado com o verdadeiro interesse do ser humano que todos somos?!...
Neste início de mais um ano, não sejamos apenas meros veraneantes pela estrada da vida... mas corajosos caminhantes na verdadeira estrada do amor que nos conduzirá ao Senhor Absoluto de tudo e de todos?!...
Que os nossos verdadeiros sonhos não se fiquem por lindos bonecos de neve... pois o sol logo os desfaz।


Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra