terça-feira, 2 de agosto de 2011

Festas e Romarias Populares


Sinceramente… eu não queria debruçar-me sobre este assunto… mas numa rubrica sobre espiritualidade isto encaixa-se mais que bem.
Nunca é demais lembrar: “espiritualidade” é um tema comum a todas as pessoas; espiritualidade cristã é a vivência de todos os que, de algum modo, acreditam em Jesus Cristo.
De entre estes últimos os cristãos católicos são muitas vezes criticados pelas suas vivência cristãs. Há um sem número de situações dúbias que teremos de aprender, e eu gostaria de começar a desfazer alguns mal-entendidos, a começar pelas Festas e Romarias Populares, quase que transformadas em enormes feiras e parques de diversões.
Os meses de Verão são os mais propícios a essas Festas e Romarias, sempre feitas em louvor do Senhor Jesus, da Virgem Maria ou de um Santo qualquer. Se nos debruçarmos a sério sobre as suas origens, veremos que cada uma delas tem a sua história muito própria e muito coerente com a razão da sua existência.
Normalmente, festas, são homenagens a alguém; romarias são agradecimento de algo!
Por norma, só homenageamos as pessoas que conhecemos. E agradecemos às pessoas que nos agraciaram com alguma benesse.
Tenho presente que os católicos se sentem muito lesados se os outros cristãos os criticam da prática das romarias, e às vezes chocam-se mesmo até com os Padres quando os encaminham para onde eles acham que não devem ir.
Sabemos que cada um é livre de viver como sabe e muito bem entende no respeito pela liberdade dos outros, por isso achamos que é urgente interiorizar a verdadeira vivência das Festas e Romarias, de modo a fazer delas aquela esplendorosa Manifestação de Fé que se quer mostrar quando se realizam as tradicionais Procissões.
Por coerência consigo mesmas e com a sociedade, as pessoas que vão às diferentes Romarias devem conhecer minimamente a vida do Santo que ali se venera e imitar as suas virtudes… pois se invocamos um Santo é porque, de algum modo, nos identificamos com ele.
Quanto ao pagamento de promessas, eu já passei por essa fase, e confesso que tive na minha vida autênticos milagres… mas agora verifico que tenho milagres bem maiores… sem fazer promessas!
O decurso da vida vai-nos mudando! Quando estamos perante amigos muito íntimos, como deve ser Deus, por QUEM viveram os Santos e por QUEM nós também tentamos viver, não sentimos necessidade de fazer promessas, pois sabemo-los presentes a todas as nossas dificuldades e anseios. Acabamos por aprender que Deus quer “misericórdia e não sacrifício” e que o sacrifício mais agradável a Deus e aos Santos é o que é feito pela misericórdia que devemos ter connosco mesmo e com os nossos irmãos.
Para seremos misericordiosos e compreensivos com os outros temos de o ser connosco próprios, porque é muito difícil… talvez seja mesmo a maior dificuldade humana… o olhar para nós mesmos e admitir os nossos defeitos… mas só quando conseguirmos admiti-los aceitaremos, sem revolta de maior, os defeitos dos outros, e haverá entendimento e crescimento comum, porque todos tentaremos ser pessoas melhores.  
Quando virmos uma pessoa muito revoltada… em vez de fugir ou criticar, tentemos por todos os meios ajudá-la a descobrir-se a si mesma e a aceitar-se tal qual é, que o resto virá por acréscimo.
Umas santas férias… um trabalho muito próspero… ou muita paciência na sua procura… no gozo perfeito das nossas muito queridas Festas e Romarias!

Hermínia Nadais - herminia.nadais@sapo.pt