sábado, 5 de fevereiro de 2011

Eu… enganei-me!...

Persistir no erro não é próprio de gente que se preza… e se eu não reconhecesse os meus erros, sentir-me-ia, realmente, muito mal.
Ler notícias de corrida e partilhar a televisão com lides domésticas, não é muito próprio de quem se quer inteirar um pouco mais a sério do que se vai passando por cá, pois aumenta por demais as probabilidades de nos enganarmos, foi o que me aconteceu. Eu enganei-me mesmo… e ainda bem!...
Penso que não haveria dúvidas para ninguém de que estas eleições iriam dar no que deram, ou seja, ficar tudo na mesma, como vem acontecendo em situações idênticas. O povo português acomoda-se e só muda quando é obrigado, ele lá sabe porquê, estamos em democracia!... Mas eu, sou eu, não sou os outros, e o ter colocado em todos os candidatos o mesmo rótulo foi um dos maiores erros da minha vida! A enormidade de dissimulação, hipocrisia e asneira que se vê na Política pode baralhar qualquer um ou uma…mas há diferenças abismais entre as pessoas… agora… não restam dúvidas!
Por tudo o que foi visto, ouvido, feito e dito, Portugal tem muitos portugueses importantes, que nunca se enganam, auto-suficientes, perfeitos e feridos pelas demais pessoas que vão atropelando as suas indesmentíveis razões… ao lado de muitos outros que, nas linhas e entrelinhas, já sabem descobrir homens que se nos mostram capazes de defender, na realidade, o bem-estar comunitário de Portugal, ou de estar ao lado de quem o defenda!
O dia 23 de Janeiro de 2011, não mais se me varrerá da memória, pelos gestos observados e palavras escutadas que nunca imaginei poderem ser pronunciadas por políticos portugueses frente aos écrans da televisão! Um bem-haja a todos! Sinto-me muito feliz com isso! Portugal é grande!
Eu também defendo que, até ao acto eleitoral, cada um deve, honradamente, apresentar as suas razões, defender as suas causas e mostrar as suas pretensões… mas uma vez conhecida a vontade do povo… há que dar as mãos, um por todos e todos por um, para bem do desenvolvimento socioeconómico e bem-estar das populações.
Há palavras ouvidas que foram algo de sensacional… uma chama de esperança aos portugueses que, ao que parece, começaram a desvendar o caminho que é provável que seja o mais certo… o tempo o dirá.
Espero que as palavras não tenham sido ocas e postas ao vento, mas se transformem na força necessária para o aparecimento de acções concretas, exemplares e sublimes, que dêem razão a tudo o que se viu e ouviu. Para o bem comum, temos, todos, de mudar mentalidades! As pessoas não valem pelos seus patrimónios ou dinheiro, mas pelo cuidar dos interesses alheios tal como dos próprios, pois as que só tratam de si e dos seus amigos, podem viver na grandeza material, mas não têm valor nenhum!
Ordenados e reformas enormes… “tachos” sobrepostos... para quê? Morrem como os outros… e deixam tudo… como os outros… quando, um só “tacho” daria para matar a fome a muitos dos já desprovidos do estritamente necessário e a recorrer às instituições de caridade para matarem a fome. A lei pode estar ao lado de quem ganha dinheiro a mais, mas a moral não está, com toda a certeza!
Na maioria das vezes as pessoas agem sem pensar… mas é tempo de tomarmos consciência das nossas atitudes! O povo português, grande pioneiro em muitas aventuras, continua a ter portugueses que são verdadeiros génios! Se os senhores e senhoras do poder e dos postos chave das instituições tivessem a coragem de abdicar de uma partezinha do dinheiro que recebem por mês, Portugal acabaria com a crise e voltaria a dar ao mundo o melhor dos exemplos! Que acham da ideia?

Hermínia Nadais

Publicada no "Notícias de Cambra!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E assim vamos

Com linhas destas também se faz um jornal e feliz do jornal que abre espaço a linhas sobre espiritualidade, porque a vida também se faz nessa dimensão.
Entenderão uns que é uma dimensão menor; todavia a crise que se sente e discute abate-se sobre a humanidade e vai de mal a pior, tendo já alguns analistas chegado à conclusão que a causa maior da crise relaciona-se com os valores. Sendo os valores de ordem moral, a crise é sobretudo espiritual; daí a importância do tema espiritualidade(s), como definidor de valores.
Lentamente embora, o homem espiritualiza-se: o interesse pela Arte é bem mais massivo agora do que há duzentos anos, por exemplo. Esta espiritualização promove a aquisição de valores mais elevados e enobrecedores. E a espiritualização abre-nos sobretudo ao outro, permitindo que toleremos os valores que esse outro cultiva, porventura menos elevados e nobres, mas aqueles de que é capaz no momento actual.
Nada obstante, só o conhecimento permite a aquisição duradoura de valores morais, porque conhecendo percebemos a sua razão de ser, e se o que procuramos é a felicidade facilmente lhes aderimos. Daí a necessidade de ouvirmos atentamente a verdade do outro, porque ninguém sabe tudo, nem ninguém sabe nada. Não há donos da verdade. A verdade é aquela estória do espelho quebrado em mil pedaços, em que cada um pegou num pedaço, maior ou menor, mas pedaço. A verdade é o conjunto de todos os pedaços.
Entendendo esta relatividade, seremos menos agressivos para com o outro; depois de juntarmos vários pedaços, pomos de lado a xenofobia, o racismo, a intolerância ideológica, preconceitos vários…
E depois percebemos que a vida é muito mais que uma questão económica e financeira, com um pouco de política e de religião à mistura. Acabamos por perceber que somos espíritos imortais com graves responsabilidades nas passagens pela terra. A consciência disto redimensiona os valores por que nos pautamos; não estando já, cada um, em crise de valores, todo o conjunto beneficia.
O que falta mesmo é esta consciência, porque se a houvesse a cupidez e o egoísmo seriam menores e não haveria famílias inteiras, em Portugal e neste momento, a passar fome.
A. Pinho da Silva
Texto de António Augusto Pinho da Silva, publicado no Jornal "Notícias de Cambra" na rubrica "Espiritualidade"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sinais dos tempos!…

A constante mudança do mundo é reconhecida desde os tempos mais remotos. É a ordem natural da vida que nos faz estarmos atentos aos sinais dos tempos, corrigindo o hoje com o ontem… se não… alguma coisa vai mal!
O desenrolar da vida humana é um encadeamento de atitudes que nos vão fornecendo a aprendizagem necessária a um verdadeiro e constante crescimento… pelo regozijo, satisfação, interiorização e prática do positivismo… ou tentando extrair da extensa e fastidiosa crítica demolidora e negativista o exacto conhecimento de tudo quanto se não deve fazer, o que se torna mais difícil!
Fico deveras apreensiva sempre que entramos em época de eleições… mas estas Presidenciais estão a transformar-se no maior de todos os desatinos.
A liberdade de expressão é um direito fundamental a respeitar, e ao usá-la sem constrangimentos aliado ao aperfeiçoamento dos sistemas informáticos com todas as práticas que lhe são inerentes são postas a descoberto muitas das atitudes de corrupção que devem ser reconhecidas por todos os portugueses.
Por tudo quanto me tem chegado… pela primeira vez na vida vejo que o povo português mostra, realmente, estar na maior das calamidades, pois em vez de descobrir caminhos e aproveitar as capacidades de mudança para encontrar uma melhor forma de estar e crescer como país independente que é, gasta todas as energias a desvendar as atitudes erradas com que possa denegrir imagens… o que é inadmissível!
Perante o que vemos e ouvimos todos os dias, insistentemente, é horripilante verificar o tipo de candidatos presidenciais em que somos convidados a votar… mas torna-se
mais horripilante ainda quando nos dispomos a pensar que esses candidatos são cidadãos portugueses… filhos e netos de cidadãos portugueses… pais e avós de cidadãos portugueses, retirados, um pouco arbitrariamente, do meio da sociedade portuguesa, situação em que a maioria da população não pensa.
Dizer mal dos candidatos portugueses… é dizer mal do povo português… de onde saem os candidatos. Se eles são maus… é porque o povo português os educou mal com maus exemplos tais que os levaram a ser como são. E se pensamos que é com críticas destrutivas e avassaladoras feitas ao Governo/cúpulas, avalizados por nós para nos orientar que vamos compor o nosso País, estamos terrivelmente enganados. Não é a evidenciar o mal que acabamos com ele!
Embora com formas de servir diferentes, o Chefe de Estado não pode confundir-se com o Varredor de Ruas… mas todos devemos ser, da mesma forma, servidores… tanto os que orientam (governantes) como os que são orientados (governados … que se devem ouvir, aceitar e respeitar mutuamente pensando sempre no melhor para os outros. Era o que deviam fazer, por exemplo, os que têm ordenados e reformas sobrepostas e enormes. Se as baixassem para o que bastasse seria o suficiente para melhorar o estado do País sem entrar nos bolsos dos que recebem tão pouco que não dá para viver condignamente. Mas também… os que recebem subsídios e afins… não deveriam, nunca por nunca, limitar-se a viver na dependência e preguiça.
É urgente fazermos tudo quanto pudermos para que seja mudada a mentalidade do povo português! Já conhecemos asneiras que bastem! Vamos empenhar-nos, sim, em confiar na capacidade de adaptação e mudança dos portugueses, enaltecendo as suas qualidades, para que Portugal venha a ser ainda melhor do que já foi!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O INÍCIO DE UM NOVO ANO

O mês de Janeiro é sempre muito importante, pois além da demarcação de dois anos consecutivos, festejamos a manifestação de Jesus a todos os povos e o Seu Baptismo e início da Vida Pública, ocasião propícia para revermos a nossa própria vida e procurar melhores formas de a valorizarmos.
À volta da Conversão de São Paulo, que se celebra no dia 25, final da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, podemos aprofundar o nosso próprio crescimento na unidade entre todos os homens a caminho do verdadeiro Ecumenismo.
Que ama vive com Deus, o verdadeiro amor e felicidade suprema, o fim último desejado por todo o ser humano, mesmo que, renitentemente, o não queira admitir.
“Onde há caridade – amor ao próximo – existe Deus!” Disso não podemos ter dúvidas. E quanto mais conscientes do imenso amor de Deus pelos homens, mais nos convenceremos de que é preciso respeitar as diferentes convicções religiosas, pois Deus ama, aceita e respeita todas as pessoas… tenham as convicções religiosas que tiverem ou mesmo não tendo convicção alguma. “Virão muitos do oriente e ocidente e se sentarão à mesa do Reino…”
Jesus veio ao mundo não somente pelo Povo Eleito, mas por todos os homens, indefinidamente!
Nos dias de hoje, quem será, verdadeiramente, o Povo Eleito? Muitos cristãos ainda se julgam sê-lo! Mas só o serão na medida em que têm mais possibilidades de conhecer, viver, seguir e mostrar o verdadeiro rosto de Cristo. E quanto a isto, é caso para questionar:
- Que seguidores e imitadores de Cristo terão sido os cristãos, ou seja, teremos sido nós? Será que nas nossas atitudes temos mostrado Jesus Cristo tal como ELE é, sendo, junto de quem nos rodeia, sinal de amor, união, misericórdia infinita, tal como ELE foi?
Cada um de nós terá de responder, porque a nossa única diferença que temos dos não cristãos, é a obrigação de sermos sinal de Cristo no mundo!
Chegou o ano 2011 com todas as suas perspectivas! Continua a falar-se em crise! Contudo, para festejar a entrada de ano, os aeroportos superlotaram com muito poucos portugueses a contentar-se com a viagem mais módica – a Ilha da Madeira! Continuam as queixas de falta de dinheiro… mas foi a época natalícia em que mais dinheiro foi retirado das caixas portuguesas de multibanco! Mesmo na noite de Natal, famílias inteiras trocaram os seus lares por luxuosos restaurantes! E há instituições criadas para partilha de roupas, calçados, brinquedos e afins, aonde muitos vão colocar… mas muito poucos vão buscar - não se compreende bem porquê!
Para levarmos o nosso País a este estado... nós, cristãos, fomos deixando de parte o essencial! Trocamos o olhar para nós mesmos, para o que somos e queremos, para as nossas qualidades e defeitos, para olhar a vida dos outros, não para encontrar qualidades a valorizar… mas defeitos para criticar! Buscamos riquezas e grandezas, felicidades momentâneas e passageiras, futilidades que não levam a nada!
É este tipo de comportamento que impera na vida laboral, familiar e política… e que se transpõe para a religião, desfavorecendo totalmente a espiritualidade e desarmonizando o entendimento básico para uma boa convivência social! E é assim que nos julgamos muito bonzinhos… os melhores do mundo! Como estamos enganados!
Errar… todas as pessoas erram! Saibamos compreender para sermos compreendidos… e aprendamos a não atirar pedras aos outros… mas… com toda a coragem e coerência , a voltá-las para nós mesmos!
Hermínia Nadais – herminia.nadais@sapo.pt

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se o homem quiser… sempre será NATAL!

Se desde sempre a época do Natal foi muito marcante para mim, agora mais do que nunca! O rodar dos anos ainda não me mostrou muito bem o que é o Natal do Menino Jesus, por isso sempre me apresso na busca da compreensão para partilhar melhor o encanto.
A época do Natal é importantíssima, pois sem Natal (nascimento) nunca poderia haver paixão (morte) nem Páscoa (passagem), acontecimentos que determinam a nossa própria vida, pois tal como Jesus, nascemos, vivemos e partimos. O Natal do Menino Jesus veio dar sentido à nossa existência, mostrar-nos o caminho a seguir e levantar uma pontinha do véu que sempre nos encobrirá a verdadeira meta a alcançar.
O Natal é um grande mistério. Antes de mais, é a celebração do aniversário do nascimento real de um HOMEM que fascinou o mundo e continua a fasciná-lo através da História como único caminho de realização pessoal e felicidade que uns seguem imitando os Seus passos, e outros seguem também na medida em que, ingloriamente, buscam a felicidade fora DELE, onde nunca a poderão encontrar.
Entre todos os povos há unanimidade de pensamento em relação ao Homem incomparável que Jesus realmente foi, o que faz DELE o centro da Humanidade. Os próprios muçulmanos, cuja crença avança no mundo a olhos vistos, reconhecem o Seu valor incomensurável. Mais do que nunca, a humanidade vive num permanente “Advento”, numa busca constante de ALGUÉM que a venha tirar das dificuldades em que se encontra, e ESSE ALGUÉM é JESUS CRISTO, caminho, verdade, e vida que se expressa através de um amor sem limites a todas as criaturas.
Viver Jesus Cristo mão é apanágio de cristãos católicos, é uma realidade de todos os homens que amam, porque Jesus é Amor, somente Amor.
O Homem/Humanidade, é um todo, formado por todas as criaturas humanas, indefinidamente. E assim sendo, os inimigos de qualquer homem nunca poderão ser os outros homens. Se qualquer homem é parte integrante da humanidade, não pode, de forma alguma, ser inimigo da humanidade, porque se o for, é inimigo de si mesmo.
Os inimigos do homem não são os homens, mas as más tendências, os defeitos e desamores dos homens. Esses, sim, são os verdadeiros inimigos do homem.
Quando todos os homens, mulheres e crianças, conseguirem compreender esta noção de inimizade, então, sim, todo o mundo renascerá de novo porque todos conseguirão amar-se mútua e incondicionalmente, e no mundo haverá a desejada harmonia e paz.
Eu não sei o que é o céu, nem sequer se existe algum local exacto a que Jesus Cristo tenha chamado realmente de céu… mas tenho a certeza que, se os homens conseguirem olhar-se íntima e profundamente à luz de Jesus Cristo e lutarem arduamente contra os seus defeitos interiores (o mais importante é invisível aos olhos) o mundo será “um céu”.
A mudança de mentalidade que o mundo necessita para viver na Paz de Jesus Cristo não acontece de uma só vez, terá de ir acontecendo aos pouquinhos. E enquanto houver pessoas que não vivam o amor autêntico que Jesus Cristo preconiza, sempre será Natal, porque Jesus Cristo irá nascendo sempre, das mais diversas formas, no coração de cada homem que ainda O não conheça.
Eu não sei o quê… mas cada um de nós, cristãos, teremos de fazer alguma coisa para que o verdadeiro Natal vá acontecendo todos os dias!
Para todos, um Feliz 2011, num constante e permanente Natal!

Hermínia Nadais

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal… mas o que é o Natal?


A época é linda! Advento… e Natal!
Eu não sei se compreendo a profundidade do Natal!... Muitas vezes me pergunto a mim mesma: - Como é que o Menino Jesus… nasceu há mais de dois mil anos… e continuamos a dizer que Ele vai nascer?
A resposta que encontro pode não estar bem certa… mas, minimamente, satisfaz.
O Advento é o tempo de preparação e espera do nascimento do Menino Jesus… que vai nascendo e renascendo mesmo! Estamos todos cansados de saber que “o mais importante é invisível aos olhos!” Por isso, temos de pensar no Nascimento de Jesus a partir de uma diferente forma de nascer e de renascer - a partir de uma mudança de vida ou conversão interior, pois é a este tipo de nascimento que está ligado o verdadeiro Natal de Jesus Cristo!
Como homem, Jesus nasceu uma só vez que celebramos todos os anos no dia 25 de Dezembro… mas como graça e dádiva de Deus nasce e renasce todos os dias e a todas as horas e momentos… no coração dos homens que se vão abrindo ao Seu Amor!
Jesus nasceu por amor – viver o Natal de Jesus é viver no amor de Jesus - que nos impele a amar, sem peso nem medida, todos os homens nossos irmãos.
Temos de aprender a ver a história de Jesus integrada no conceito social do Seu tempo para a transpor integralmente para os nossos dias, mas sem a desvirtuar.
O mais importante da vivência do Natal é a celebração festiva do aniversário do Nascimento de Jesus como o Messias prometido ao povo judeu e que não foi reconhecido pelos judeus, pois Herodes queria matá-lo… mas foi procurado pelos gentios uma vez que os “supostos Reis Magos” vieram visitá-Lo com presentes.
A época natalícia é, assim, muito misteriosa… e para a vivermos plenamente não podemos prender-nos na incompreensão do mistério, mas tirar dele o essencial ao bom viver da nossa existência humana.
Jesus nasceu… um dia! Agora… vai nascendo na vida de cada pessoa, quando essa pessoa, consciente das suas acções menos correctas, O reconhece como exemplo a seguir e como companheiro de viagem… presente nos momentos bons para incentivar à humildade… e nos momentos maus para ajudar a superar dificuldades! Esta forma de estar pressupõe uma conversão ou mudança constante de vida que é o Natal de todos os dias.
Ao tempo de Advento e Natal estão ligados, ao lado de comportamentos de solidariedade e partilha, sentimentos de harmonia que desencadeiam encontros mais profundos entre familiares, colegas de trabalho, amigos mais próximos… e a necessidade de um olhar mais demorado sobre todo o planeta que habitamos num desejo de que a compreensão gere a paz e prosperidade tão necessária nos nossos dias.
Neste Natal que temos a ventura de viver… nem os parcos recursos económicos conseguiram apagar as luzes… porque o Natal, de facto, é LUZ! Não a luz das lâmpadas multicores… mas a Luz de Jesus Cristo a iluminar o interior de cada pessoa no sentido de que vá encontrando, nas agruras da vida, o verdadeiro caminho da felicidade para que foi criada.
Para todos… um Santo e Feliz Natal!

Hermínia Nadais

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

CONVERSA INACABADA!


Na desmesurada sabedoria da minha juventude… eu não hesitaria em dizer quem é o “homem”… “ser humano”. Actualmente… depois de inúmeras reflexões e estudos e das mais variadas vivências… com muita humildade… tenho de resignar-me a dizer que não sei.
Eu não sei quem é o homem! Eu conheço e vivo Jesus Cristo mas não consigo compreender quem é Deus! Eu não conheço o Mundo!… E quanto mais tento aprofundar as minhas experiências e saberes… mais oportunidades encontro de testar a minha incomensurável ignorância.
Mas não sou única!... Há dias, encontrei a minha amiga Vanda que não via faz tempo. Depois de serenados os ânimos das manifestações alegres e entusiastas do encontro, resolvemos tomar um saboroso e tranquilizante chazinho para pormos a conversa em dia. E não sei como, talvez por termos gostos idênticos, demos connosco a falar sobre a melhor forma de viver a espiritualidade.
Neste contexto, dizia-me ela:
-“Eu cada vez percebo menos de tudo quanto vejo… o desconhecimento de Deus, da vida e das coisas, cada vez é maior. Mas também isso de pouco me interessa. Na minha forma de ser e estar, vou ultrapassando esta intempérie apostando viver lado a lado com o mistério… ou melhor dizendo… integrada no mistério… porque eu… embora infimíssima… também sou uma célula da humanidade.”
Depois da minha convicta concordância, continuou:
-“Pensar que ‘o mais importante é invisível aos olhos’ faz parte do meu dia a dia, em todos os seus momentos, e dá-me a oportunidade de, pelo menos, tentar olhar as pessoas que me rodeiam de forma amorosa e compreensiva, porque consigo vê-las com os olhos do meu coração ou sentimento.
No desenrolar da vida, há muitas situações em que não consigo fazer o que quero, e em vez de andar com a alegria e boa disposição desejada, sem saber como nem porquê, acabo por ser acometida por crises de insatisfação e mau humor que não consigo conter. E são estes meus comportamentos esquisitos de falta de auto-conhecimento e auto-controle que me levam a conviver melhor com as pessoas, mesmo sem as conhecer inteiramente, até porque já me convenci que não é possível… não posso ter a pretensão de conhecer os outros se não sou capaz de me conhecer a mim?
Depois… o ter de me desculpar das asneiras que vou fazendo… também me dá uma maior capacidade de desculpar os deslizes das pessoas com quem convivo. O reconhecimento e aceitação das minhas debilidades e fraquezas ajuda-me a compreender e aceitar as debilidades e fraquezas dos outros. É lógico!”
A importância do tema fez-me perder a noção de tempo… e tanta abertura… convidou-me a fazer silêncio… enquanto a explicação continuou:
-“As convicções religiosas têm que ser respeitadas. Cada um é como é! O caminho para chegar a Deus é diferente de pessoa para pessoa. E temos de respeitar o ritmo de cada um… ritmo que só Deus conhece. Quem se esforça por amar, aceitar e compreender… consciente ou inconscientemente, está com Deus que sempre será um mistério tão incompreensível quanto o homem! Eu… não consigo saber verdadeiramente quem é Deus… mas também não consigo viver sem ELE, porque ELE é parte integrante de mim e só o viver com ELE e para ELE me satisfaz.”
Olhamos o relógio… apreensivas… e… antes do beijo apressado de despedida, prometemo-nos, mutuamente, continuar a conversa… num outro qualquer dia!

Hermínia Nadais
herminia.nadais@sapo.pt

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

O meu amigo Pekka


Pekka [Olavi Kaarakainen] é o meu amigo finlandês. (Diria: mais do que amigos, sentimo-nos irmãos.) Como se não bastasse ser finlandês, Pekka ainda por cima é engenheiro. É, pois, de natureza fria e racional.
Até há poucos anos atrás era ele um típico espécime de ateu. Acontece que, por força da profissão, viaja bastante, o que lhe tem permitido conhecer lugares e pessoas muito diferentes entre si.
Numa dessas viagens, cuja estadia no lugar de destino se prolongou no tempo, conheceu uma senhora já de idade, pobre, muito pobre, que quando mais nova e menos pobre havia assumido um compromisso de ajuda a necessitados e que mesmo quando ela própria necessitada, mantinha essa tarefa cheia de entusiasmo e genuína alegria.
Intrigado, Pekka quis saber o que a movia. E a senhora confiou-lhe que era o amor, o amor que vindo de Deus chega aos irmãos. Esse exemplo de vida tocou o coração do Pekka e ele descobriu Deus no amor.
Isto não é uma parábola. Esta estória, que não acaba aqui, mas mais não conto, é real. Para dizer que Deus conhece-se no amor. Deus não se conhece no infinito, porque nós não somos capazes de entender o infinito, e Deus é ainda maior do que o infinito. Deus conhece-se sentindo o amor. Tempo virá, lá mais para diante no nosso caminho de progresso quase infinito, em que entenderemos Deus; por ora, sintamo-lo. Amemos. Amemos a Deus fazendo a Sua vontade, que consiste em amarmo-nos a nós mesmos para que possamos amar o próximo. Para tanto, corrijamo-nos antes de pensarmos em corrigir os outros, e assim estaremos a fazer a vontade de Deus.
Não esqueçamos que não é aquele que diz “Senhor, Senhor” que entra no reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade do Senhor que confessa.
O Pekka, que há ainda poucos anos era ateu, descobriu esta verdade e faz dela regra de vida. O meu irmão finlandês é agora ele um (bom) exemplo.

a. pinho da silva
antoninusaugustus@hotmail.com

O exemplo descrito é muito belo! Espiritualidade, parte integrante da vida, é algo que transcende a realidade actual da nossa própria vida e a leva muito além do palpável… leva-a ao sensível ao bater do coração de onde brotam todos os nossos pensamentos e atitudes. Que o AMOR de Deus nos habite para que, tal como aconteceu com o irmão finlandês Pekka, sejamos um bom exemplo de vida.

Hermínia Nadais
herminia.nadais@sapo.pt

domingo, 21 de novembro de 2010

Cansaços… não!!!...


Há dias… dei comigo a pensar na enorme força da psicologia humana… para o bem ou para o mal… e concluí que, actualmente, a maior parte do povo português parece ter perdido a sua identidade. Onde está a nossa mentalidade de guerreiros, descobridores, exploradores, escritores, cientistas!!!...
Isto não pode estar a acontecer! Falar em dificuldades e crises… está a ser uma conversa tão persuasiva que acaba por arrastar toda a gente para o pessimismo. Eu própria… que me reconheço optimista até à utopia… acabei também por entrar no jogo derrotista da maior parte dos portugueses! Eu… que até há uns anos era desconfiada e derrotista, passei a ser, naturalmente, confiante e optimista, mas ainda deveras distraída... pelo que gostei muito de receber um sem número de emails que me deram oportunidade de poder inteirar-me de muitas situações desonestíssimas que há no nosso país... e acho mesmo que foi de suma importância esses emails terem corrido mundo no sentido de alertar para a possível correcção dos infractores!
Contudo… temos de convir que há tempo para tudo: para nascer e morrer; para rir e chorar; para ser rico e ficar pobre; para ser pobre e ficar rico; para ser compreensivo e entrar em depressão; para desacreditar e acreditar… para errar e corrigir os erros… por isso… penso que já é tempo de parar!… Parar e ajudar o País a sair da situação de impasse em que se encontra, formulando pensamentos positivos a favor de todos os portugueses, para que uns tenham a sabedoria de governar com aprumo e justiça, outros se esforcem por trabalhar empenhadamente, e ainda outros, possam arrepender-se dos milhões já recebidos e consigam abster-se dos que têm a receber no sentido de os restituir a quem de direito para o bem comum… “o dinheiro chega para todos viverem bem… a culpa é da fraca distribuição que dele se faz.”
Está mais que provado que “o sonho comanda a vida”! Assim, as críticas destrutivas não levam a lado nenhum!… Não é possível comandar bem os destinos do nosso País sem sonhos positivos para o seu futuro – que é o nosso futuro e o dos nossos filhos e netos!
Certos de que não há ninguém totalmente bom nem totalmente mau… vamos aprender a ver em primeiro lugar o lado bom das pessoas, vamos aprender a ser optimistas! Todas as situações têm sempre dois pontos de vista! Vamos aprender a ver primeiro o lado positivo dos acontecimentos, pois ainda que não sirva para mais nada, pode ensinar-nos novas formas de viver.
A aprendizagem adquirida nos livros ao lado da minha experiência pessoal dizem-me que, se pensarmos que uma pessoa tem de ser boa, tudo à sua volta se desenrola no sentido de que o seja. O nosso querer, quando bem forte, pode dominar todo o nosso ser. Então… nada de desânimos! Nada de cansaços! Há que tentar modificar a nossa forma de ver, sentir, ser e agir, para podermos encontrar o caminho mais certo para a realização pessoal e felicidade de todos nós.

Hermínia Nadais
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Orçamentos…

Quando falamos em orçamentos… pelas interferências que pode ter nas nossas vidas… lembramos de imediato o Orçamento do Governo. Contudo, temos de admitir que todo o sucesso de uma vida depende de orçamentos.
Logo que nascemos, temos que orçamentar a melhor forma de chorar para que atendam convenientemente às nossas necessidades; de seguida há que compreender e interpretar (orçamentar) sorrisos e caras feias para sabermos como actuar com quem nos rodeia; segue-se o controle (orçamento) do stress perante a aquisição de brinquedos… bolos… roupinhas… diversões… que os pais e restantes educadores terão de permitir ou não, conforme os casos; e logo, logo… há que orçamentar o tempo necessário para a aquisição dos conhecimentos escolares… e aprender a liderar (orçamentar) o dinheirinho do pequeno mealheiro para verificar se poderemos ou não comprar um rebuçado ou um chocolate como guloseima depois do lanche ou do almoço!
Este é um comportamento orçamental razoável para o bom enraizamento da nossa vida de crianças e pré-adolescentes! Mas… a partir daqui… há que orçamentar realidades muito mais complexas em que temos de nos colocar todinhos na balança/orçamento! Urge conhecer (orçamentar) as nossas faculdades mentais no sentido de averiguarmos em que tipo de escola, profissional ou intelectual, nos poderemos integrar… as nossas forças e resistências emocionais e psicofísicas, onde estarão implícitas, inevitavelmente, as nossas aptidões, gostos pessoais, capacidades de partilha, compreensão, aceitação, encontro e reencontro, para uma escolha vocacional, matrimonial ou celibatária, conveniente ao nosso maior desenvolvimento pessoal e integração social. E… depois das escolhas assumidas… ainda há que implementar tantos inventários (orçamentos) que nem dá para imaginar! E é neste vaivém, com procedimentos melhores e menos bons, que as nossas vidas vão decorrendo.
Quando os orçamentos de todas as acções das nossas vidas tiverem em conta o nosso desenvolvimento integral e bem-estar social atendendo ao bem-estar das pessoas que connosco convivem de perto ou de longe… conseguiremos uma tão boa prática orçamental que não teremos mais dificuldade em elaborar os melhores orçamentos.
O mundo é dos homens… que tal como todas as restantes obras que extasiam os sentidos são criaturas de um “Ser Superior” que tudo cria e governa no qual reconhecemos Deus: uns pela negação e combate agnóstico; outros fazendo com ELE contratos de “Tu fazes-me isto e eu dou-Te aquilo”; outros misturando-O com as idas aos cartomantes e adivinhos; outros, servindo nas igrejas, às vezes com atitudes tão incoerentes que, em vez de ajudar, acabam por complicar a expansão da verdadeira vivência das virtudes evangélicas; e há os que tentam viver segundo o Evangelho de Jesus Cristo prestando atenção à Sua Palavra e exemplo de vida e, consequentemente, de caridade, estudo e acção - a base de todo o crescimento humano e cristão.
A vida é bela, se pensarmos nas suas belezas! Mas só quando conseguirmos sacrificar-nos pela nossa beleza interior como fazemos em prol da nossa boa aparência física… o mundo ficará recheado de muito bons orçamentos.
Se o tempo urge… e amanhã pode ser tarde… por que esperamos?

Hermínia Nadais
a publicar no "Notícias de Cambra"