sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sonhos desfeitos!


A vida é sempre um sonho que se vai tornando realidade ao longo do seu decorrer. Quanto maiores forem os sonhos mais longe a pessoa poderá chegar, porque é o sonho que, realmente, comanda a vida! Se deixarmos de sonhar - não tenhamos ilusões - deixaremos de nos interessar pela vida e não chegaremos mais a lado nenhum.
Essa vida de que fomos dotados e dizemos nossa, é nossa para a vivermos na maior plenitude possível, para cuidarmos dela no seu todo material e espiritual o melhor que pudermos e soubermos, para a pormos ao serviço dos outros quanto mais totalmente melhor, mas alongá-la, um minuto que seja, não é mais obra nossa mas de Quem no-la concedeu.
Neste canto do mundo onde normalmente passo os meus dias fechados sobre si mesmos em trabalhos e canseiras das mais variadas índoles, chegam-me notícias de todo o mundo com relativa facilidade, mas o que se passa à minha volta num meio ambiente mais ou menos próximo, é difícil cá chegar. Esta foi a razão porque, somente hoje, num telefonema que fiz à redacção deste Jornal para tratar de assuntos pendentes, fui informada da última e definitiva partida do nosso muito querido Comendador Aníbal Araújo.
Homem arrojado que transformou sonhos em realidades, que soube correr mundo e conviver com as mais altas esferas unindo povos irmãos, que tão graciosamente repartiu haveres com quem deles necessitava, que suportou corajosamente as intempéries da vida sem nunca vacilar ou esconder o rosto, que foi íntegro até ao último momento negando tudo quanto pudesse manchar a sua alta dignidade de Ser Humano que não queria, sob que pretexto fosse, ultrapassar as regras do bom comportamento moral e cívico por que sempre se pautou.
Amigo, que escondia no seu porte seguro e semblante duro os cuidados mais desvelados e o maior carinho e atenção por toda a gente, em especial pelos familiares, amigos e colaboradores mais próximos.
A sua dedicação à Comunicação Social Regional e não só foi até ao extremo. Partiu cedo demais, e deixa entre nós um grande vazio, difícil de superar.
Que todos, mas principalmente os seus familiares, sejam repletos de todas as graças necessárias para que se possam recompor, o mais rápido possível, de tão desmedida e irreparável perda que acarretou consigo tantos sonhos, desfeitos!
Grande e incomensurável Senhor Comendador Aníbal Araújo: o Notícias de Cambra deve-lhe a vida! O povo cambrense ser-lhe-á eternamente grato e ficará eternamente presente nos nossos corações!
Que Quem tão cedo o levou de entre nós o faça imensamente feliz, na Pátria Eterna. Depois de tantos trabalhos e canseiras, GRANDE AMIGO, descanse em paz!


Hermínia Nadais
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domingo, 28 de março de 2010

Páscoa, felicidade e amor!


Estamos nos últimos dias que nos separam da vivência de mais uma Páscoa, festa universal que nos levará a todos, como o termo indica, a alguma passagem, que se de mais não for, será de alguns dias um tanto diferentes dos demais.
A festa da Páscoa, que data dos tempos mais remotos, é universal, muito embora vivida por cada povo bem à sua maneira.
Neste cantinho do mundo, nós, portugueses, que nos orgulhamos de ser um País de índole cristã acentuadamente católica, o como vivemos a Páscoa é um ponto a considerar. Longe vai o tempo dos longos sermões e sentimentais vias-sacras a preencher os domingos da Quaresma, e da Semana Santa cheia de representações com pessoas magoadas até ao choro, seguidas de domingos de Páscoa acordados pelo alegre repicar dos sinos com a Cruz levada em júbilo pelas ruas de visitas às habitações onde a miudagem se alegrava até ao fundo do coração com uma pequena fatia de pão-de-ló e algumas amêndoas que o Padre docemente lhe deitava nas mãos… e coma visita dos padrinhos que esperava ansiosa lhes adoçasse um pouco mais a boca com a oferta de mais algumas amêndoas.
O saudosismo abala muita gente que se amofina porque agora tudo está diferente, mas temos que convir que muitas dessas vivências eram puramente ritualistas, e quanto a lágrimas, não eram só de pena do sofrimento de Jesus mas também de pavor pelo castigo que iriam receber de Deus pelos desvarios cometidos. E foi neste tipo de educação cristã que a maior parte dos mais que cinquentões viventes cresceram.
Não quero que isto possa ser visto como crítica, que não é, pois pretendo apenas recordar o que foi a nossa realidade… realidade que teremos de ver como berço dos nossos filhos e netos para não nos revoltarmos tanto com a realidade dos nossos dias.
A maior parte dos nossos pais e avós não sabiam ler nem tinham quaisquer estudos, não tinham jornais, rádio, televisão nem internet e os transportes eram escassos, situações desfavoráveis ao conhecimento de outras culturas e desbravamento de outros horizontes, pelo que se mantiveram sempre debruçados sobre si mesmos.
A maior abertura ao estudo aliada à implementação da comunicação social e meios de transportes parece-nos ter colocado o mundo do avesso, mas não. O mundo é belo e bom, e a massa humana não está tão mal como parece, nós é que temos o péssimo hábito de ver primeiro o que está mal e acabamos por ver só o mal.
Se nesta Páscoa que atravessamos passarmos a ver primeiro o bem, descobriremos em nós e nas pessoas que nos rodeiam coisas muito boas e o mundo parecer-nos-á muito melhor.
Vivemos na busca constante da felicidade, uma utopia nesta etapa da vida que de felicidade nunca nos dará mais do que alguns momentos, que serão tanto maiores e melhores quanto mais, esquecidos de nós mesmos, nos dedicarmos a compreender, aceitar e conviver com quem nos rodeia com muito amor, carinho e dedicação.
Para todos, montanhas de felicidade numa Páscoa de amor!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 8 de março de 2010

Incoerências, não!...


Eclodindo dos germes da vida os seres humanos vão crescendo numa busca constante de todos os cuidados a fim de se tornarem capazes e saudáveis. Contudo, os maiores cuidados a ter não se prendem com questões corporais específicas visivelmente palpáveis, mas com curas a efectuar pelas próprias pessoas, no mais íntimo de si mesmas, naquele lugar sagrado a que chamamos coração, onde se encontra a verdadeira raiz de todo o nosso viver e donde brota toda a infelicidade ou felicidade no rumo da nossa vida
Não temos dúvidas de que o bem e o mal, a que fomos presos desde o primeiro momento, caminharão connosco lado a lado, por onde quer que andemos, de mãos dadas. Não há notícia de alguém que tenha necessitado de qualquer esforço para praticar o mal… mas temos inúmeros testemunhos de coragem e persistência na luta pela prática do bem, pelo que temos de convir que o mal é bem mais ágil e astuto do que o bem.
Para que haja um bom desenvolvimento global de cada pessoa urge termos em conta, a par da saúde física e de uma boa preparação psicológica, uma boa formação espiritual e moral, no sentido de que os seres humanos possam ir discernindo gradualmente as boas regras de comportamento pessoal determinantes de um comportamento social mais ou menos aceitável conforme a livre vivência dessas boas regras de vida que cada um tiver interiorizado.
Quando se diz que “a educação começa vinte anos antes da criança nascer” é porque, normalmente, o filho ou filha, são o reflexo da educação dos pais que, sem se aperceberem, lha vão transmitindo das mais diversas formas.
Quanto mais pequeno é o bebé, dada a sua inatividade e capacidades inatas, mais facilidade tem de apreender o que ouve, vê e sente, o que a grande maioria das pessoas continua a desvalorizar e, por isso, há sempre comportamentos menos bons que o pequenino ou pequenina acabam por absorver sofregamente qual esponja seca quando encontra água, o que posteriormente os poderá influenciar a cair, inadvertidamente, em erros comparados com os dos pais.
Não podemos exigir dos outros um comportamento que nós próprios não tivemos ou ainda não temos. Para compreender o comportamento alheio, o melhor é olharmo-nos interiormente de modo a verificar que também nós cometemos erros... e assumir de uma vez por todas, acima de tudo, a nossa falta de coragem de nos reconhecermos errados.
Que os pais vivam como pais… os filhos como filhos… os patrões como patrões… os padres como padres… as freiras como freiras… os empregados como empregados… os amigos como amigos… enfim: o mundo será muito mais humano se cada pessoa se esforçar ao máximo para ser coerente consigo mesma, vivendo cada vez mais de acordo com os princípios que livremente tiver escolhido e assumido… porque isto de parecer… e não ser… é uma mentira de tal tamanho que arrasa completamente tanto a quem a vive como a quem a sofre pelo mal-estar da mentira vivida!
Não sejamos mornos! Especificamente, há o quente… e há o frio! Incoerências… não!

Hermínia Nadais
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Há muita falta de espelhos!...


Nas últimas décadas temos assistido e um enorme desenvolvimento a todos os níveis, principalmente na tecnologia da comunicação e meios de transporte que vão acentuando a passos largos, no dia a dia do mundo, a ideia de uma aldeia cada vez mais global e globalizante.
Vivemos num pequeno país da imensa Europa que muitos dizem de valores perdidos, mas em que muitos outros põem toda a confiança de um futuro mais risonho e promissor para todos, pois todos têm o direito ao bem-estar e felicidade.
Como quando há uma tempestade se espera pela bonança… talvez os nossos inúmeros problemas estejam prestes a extinguir-se! Mas não podemos ficar à espera que sejam os outros a resolvê-los. Temos de por e render todas as nossas capacidades, físicas, intelectuais, culturais, morais… colocando-as ao serviço do bem comum… na atenção a dar a nós mesmos e a quem nos rodeia, no trabalho feito com amor, no descanso por necessidade, na solidariedade e partilha a quem precisa de uma palavra, um gesto, um carinho, um sorriso… mas conscientes de que nada disto veste corpos nem enche estômagos famintos… é preciso muito mais… muito mais do que o dinheiro ou bens que os remediados e pobres partilham com muito boa vontade, mas que não chega!
Admiro-me muito quando ouço criticar e prender certo tipo de ladrões… os que se aventuram a actuar nas ruas, nas casas, nos cafés ou até mesmo nas instituições bancárias, e pagam na cadeia e muitas vezes com a vida a malvadez dos seus actos… enquanto os desviadores de tantos milhões que deveriam ser utilizados para o bem-estar de todo o povo português… e chegavam bem para isso… continuam bem vivos e à solta… sem ninguém que os castigue ou lhes diga “basta”!
Conscientes de que o bem e o mal caminham connosco lado a lado, se não lutarmos por praticar o bem o mal toma logo conta das nossas acções e acaba por fazer de nós os maiores egoístas e malfeitores… e a maior parte das vezes cheios de sorrisos, de boas maneiras e falinhas mansas… numa hipocrisia inconcebível!...
É urgente termos o conhecimento exacto da honestidade que devemos ter nos cargos que ocupamos, sejam eles quais forem, onde deverá haver o mesmo peso e a mesma medida para todos os cidadãos, indiferentemente da sua condição social, ideologia, raça, credo ou cor! Todos somos gente, e toda a gente tem responsabilidades no lugar que ocupa na sociedade – pois somos seres sociais que dependemos uns dos outros!
Em vez de evidenciarmos o que vão fazendo de bem falamos mal de tudo: do Governo, das Autarquias, da Segurança Social, dos Tribunais, dos Advogados, dos Médicos, dos Enfermeiros, dos Professores, dos Alunos, dos Funcionários Públicos, dos Bancários, dos Comerciantes, dos Industriais, dos Patrões, dos Empregados… dos bêbados, dos drogados, dos malandros e dos “tarados”… que somos todos nós que passamos a vida a criticar os outros e sem um “espelho” que nos ajude a ver claramente o nosso comportamento real.
O aumento da compreensão, solidariedade e fraternidade humana devia acompanhar o desenvolvimento cultural e tecnológico. No mundo há bens materiais mais que suficientes para que todos vivam sem necessidades, mas enquanto houver, ricos ou pobres, orgulhosos… avarentos… presunçosos… preguiçosos… o mal-estar e a miséria continuarão a existir. E para quê tanta ganância… se nada no mundo é totalmente nosso! Se tivéssemos a coragem de olhar profundamente e “com olhos de ver” o que aconteceu na nossa Ilha da Madeira, no Haiti, e em tantos outros locais arrasados pelos distúrbios da Natureza… saberíamos muito bem como fazer o mundo feliz!

Hermínia Nadais
A Publicar no Notícias de Cambra

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A barca da perdição!


Hoje, numa situação muito especial, alguém afirmou que é preciso sair da barca da perdição. Esta frase serviu-me de tema para mais uma reflexão sobre algumas das particularidades do ser humano, perito em importâncias, daí ceder muitas vezes à tentação de olhar os seus congéneres de cima para baixo, comportamento que lhe concede a maior de toda a mesquinhez.
Estou careca de ouvir dizer que o mundo está muito mal, que as pessoas são muito más e que é preciso que encontrem o verdadeiro caminho… mas sinto que muito pouca gente mostra o caminho verdadeiro com obras em vez de palavras… e se com palavras… com palavras que sejam o reflexo de uma vida austera, íntegra, caridosa, cheia de compreensão, doação e amor, que seja um exemplo a seguir calma, segura e confiadamente.
Mais do que nunca é imperioso acabarmos com muitas das nossas ilusões. Não vale a pena passarmos a maior parte da vida a dizer aos outros que é preciso alterarem os seus comportamentos … mas é urgente fazermos uma análise profunda aos nossos… que são os únicos que podemos alterar.
Palavras leva-as o vento – é um ditado muito velho e que cada vez se torna mais evidente – pois as lições de moral, se não são dadas com a vida, nunca serão lições, antes, transformar-se-ão em perdições.
Se tivermos em conta o que acontece connosco quando somos criticados… se analisarmos a revolta sentida e o desencadear de sentimentos negativos e negativistas… e muitas vezes mesmo o enorme desânimo e agressividade… ficaremos certos de que as críticas pelas críticas, ainda que sejam feitas com muito boa vontade, não levam a lado nenhum. Se pelo contrário, enveredarmos pelo lado do elogio, o sucesso será evidente, pois toda a gente tem necessidade de ser reconhecido como capaz.
A mudança de comportamento das pessoas não está nas chamadas de atenção para os seus erros, mas para as suas boas acções.
Sabemos que umas mais que outras, mas todas as pessoas têm comportamentos mais ou menos salutares. Importa descobri-los, valorizá-los, mostrá-los, pois ainda que sejam coisas insignificantes, se as valorizarmos, podem ser melhoradas e multiplicadas no mais curto espaço de tempo! Uma pessoa valorizada faz tudo por transformar a sua vida, pois se por mais não for, será para continuar a ser elogiada e reconhecida no aperfeiçoamento das suas capacidades. O ser humano cria hábitos, e se a pessoa se habituar a sentir-se feliz ao praticar o bem, vai continuar a praticá-lo, não tenhamos dúvidas.
Como não pretendo iludir ninguém, quando faço afirmações… é porque já as tenho experimentadas!
Se formos sinceros e sinceras na análise cuidada de todos os nossos actos… verificaremos que a pior das barcas da perdição é a que se encontra bem dentro de cada um de nós… sejamos nós quem formos.
Se cada um de nós tivesse a sabedoria e a coragem de lutar contra os seus próprios defeitos e de amar todas as outras pessoas aceitando misericordiosamente todos os defeitos que elas possam ter… o mundo seria muito melhor. Então, não esperemos mais, sejamos valentes para podermos mudar as nossas atitudes de vida… e tornar o mundo mais realizado, humano e feliz!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pessimismos, não!



A educação através dos tempos vai sofrendo alterações consideráveis. Urge, por isso, estarmos atentos aos sinais de mudança para acompanharmos convenientemente o desenvolvimento e nos mantermos actualizados.
Quando eu era criança – há que tempo isso já vai - em vez de sermos educados para desenvolver capacidades levavam-nos a aprender a corrigir erros, o que nos levava a ver sempre tudo pelo lado negativo… que acabava (e acaba) por ser o maior de todos os erros… uma verdadeira aberração!...
Porém, o ditado popular “O que o berço dá, a tumba o tira”, nem sempre é verdadeiro. O decorrer da vida dá-nos muita experiência… e por acções continuadas de tentativas e erros acabamos por verificar que ver o mundo pela negativa não funciona de jeito nenhum: tira-nos as perspectivas de vida, estagna-nos, faz-nos olhar só para nós mesmos e julgarmo-nos melhores do que os outros… fazendo de nós uma de entre as poucas pessoas boas no mundo… e isso não é verdade!... Todas as pessoas têm a sua parte boa e a menos boa, se assim não fosse não seriam humanas!
Todas as pessoas, acontecimentos e comportamentos apresentam sempre duas visões opostas entre si. Se olharmos só o lado mau veremos tudo preto; se olharmos só o lado bom veremos tudo cor-de-rosa… mas se olharmos muito bem lá no fundo temos a certeza de que nem tudo é preto nem tudo é cor-de-rosa, há preto com manchas cor-de-rosa e cor-de-rosa com manchas pretas... mas ainda assim… em qualquer das situações, dependerá sempre da forma como eu vir as coisas que poderei ou não valorizá-las. Eu poderei sempre olhar as “lindas manchas cor-de-rosa”, no preto... ou o “lindo fundo cor-de-rosa”… que o preto manchou.
Neste contexto, podemos concluir que, de entre as muitas realidades horripilantes que nos rodeiam, sempre encontraremos comportamentos muito louváveis que é preciso descobrir e valorizar. E quanto a isso acho que já estamos a encontrar o bom caminho, porque por todo o lado encontramos comportamentos positivos de sobra, há que incentivá-los.
Ainda não compreendi porque não vemos nada de bom na sociedade actual… nos Governos… nos Tribunais… na Segurança Social… na Igreja… na Escola… nas Pensões Sociais… em tantas instituições… e em tantas pessoas!...
Não tenhamos ilusões! Não são as críticas que corrigem as pessoas… e muito menos as críticas destrutivas. Se temos a certeza que “O sonho comanda a vida”, sonhemos! Sonhar é ver o lado bom das coisas, é procurar em primeiro lugar, em todas as pessoas e em todos os acontecimentos o que têm de bom, e enaltecer, elogiar esse bom.
Um elogio cai sempre muito bem em quem o ouve e enobrece quem o faz. É uma forma de valorizarmos as pessoas e de as incentivarmos a ser melhores.
Se tratarmos muito bem as flores do jardim não gastaremos tempo a tirar as ervas ruins, porque elas morrerão por falta de espaço para crescer. Do mesmo modo, se enaltecermos as qualidades das pessoas ou das instituições (que são geridas por pessoas), as qualidades dessas pessoas fortalecer-se-ão de tal modo que acabarão com os defeitos, irremediavelmente.
E por que não… tentar a experiência? Pessimismos… ai isso é que não!...

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pequenos gestos


Ansiando algo que nos torne visíveis, corremos incessantemente, esfalfamo-nos, atropelamo-nos a nós mesmos e a quem connosco convive, esquecidos de que a vida é o desenrolar de pequenos gestos, grande parte deles repetitivos e rotineiros… e assim sendo, ao longo da vida, na busca das grandes façanhas corremos o risco de nos desviarmos das grandes linhas.
Todos os dias deitamos, levantamos, adormecemos, acordamos, vestimos, despimos, sujamos, lavamos, comemos, bebemos, vamos para o trabalho, regressamos, vemos televisão, lemos algumas revistas e jornais, tomamos café em casa ou num sítio qualquer onde nos habituamos a encontrar amigos… fazemos parte de pequenos ou grandes grupos de formação ou recreio… passamos uns fins de semana fora de vez em quando… visitámos familiares e amigos... e no meio de todos estes nadas, não importa o que temos mas a forma como o usamos, não importa o que fazemos mas a forma como fazemos, e podem não querer dizer nada as palavras que proferimos mas marcará profundamente a forma como as pronunciamos… e não importa o que parecemos ser, interessa o que realmente somos. Não podemos viver de aparências, mas de realidades… por isso não adianta colocar máscaras, porque vem o momento em que, irremediavelmente, as deixaremos cair. E não adianta querermo-nos comparar com os outros, pois cada pessoa, pelas mais diversas razões, é diferente, única e irrepetível!
E se sabemos que assim é, não vamos comparar-nos com ninguém, pois nunca seremos como esse alguém com quem nos queremos comparar. Em face disto, o máximo que poderemos fazer é avaliar as nossas capacidades e aptidões e ver em que situações concretas nos poderemos aproximar do modelo pretendido… mas tendo presentes duas coisas muito importantes: por maiores que sejam os nossos progressos na luta por nos tornarmos diferentes nunca deixaremos de ser nós; e depois, o modelo que queremos imitar também pode desviar-se do trilho… tornar-se, ele mesmo, diferente.
No desenrolar dos nossos dias, antes de mais, é connosco próprios que temos de aprender a viver. Muitas vezes não aceitamos os outros porque não conseguimos aceitar-nos a nós mesmos. Se não aprendermos a descobrir quem somos, a aceitarmo-nos como somos e a vivermos em paz connosco mesmos assim como somos… nunca conseguiremos descobrir, aceitar nem conviver com mais ninguém.
Um grande arranha-céus começa por um pequeno esboço no papel e é construído viga a via e tijolo a tijolo; as grandes façanhas dos homens e mulheres começam sempre por ser delineadas nos seus pequenos gestos; as grandes amizades começam muitas vezes em encontros fortuitos ou no cruzar de pequenos sorrisos. E quando, muitas vezes, gostamos muito duma pessoa sem sabermos bem porquê… se analisarmos a questão mais profundamente descobriremos nos mais pequenos gestos dessa pessoa algo que nos tocou ou toca o coração.
Então, se queremos ser crescidos e continuar a crescer, que os pequenos gestos do nosso dia a dia sejam repletos de todo o nosso cuidado, carinho e atenção!
Neste início de ano, mãos à obra, e muito bom trabalho para todos nós!

Hermínia Nadais
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sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo… com Vida Nova!


Uma forte onda de frio vai cobrindo este recanto da Terra. As nuvens cinzentas escondem dos olhos o sorriso do Sol deixando-nos nostálgicos os sorrisos. Atrofiados pela extensão das noites, os dias aquietam a vida, e por mais que as lanternas dos homens queiram substituir a luz do Luar e o brilho das Estrelas, continuam a deixar-nos envoltos nas trevas.
Um pouco por toda a parte se ouvem cânticos evocando a “Luz de Belém” enquanto o “Deus Menino”, atento e sorrateiro, deixando pelo espaço desejos de encontro, foge ao ruído ensurdecedor do ambiente e vai refugiar-se bem no fundo de todos os corações que buscam desalmadamente a paz por que tanto anseiam. E lá bem no fundo vai lutando pelo desabrochar da Sua própria vida que irá mudar, irremediavelmente, a vida de todos esses corações onde agora habita. Não tenhamos ilusões: onde existir o bem, o “Menino” está lá… e todos os corações têm algo de bom, ainda que seja um pequenino nada. E é curioso como muitas vezes os homens que parecem mais ligados ao “Menino” são os mais egoístas e cegos que se nos apresentam… porque pensam que o “Menino” é só deles… e são incapazes de reconhecer que o “Menino” é de todos os homens... porque em todos os homens há espaço total para o “Menino”. E na maioria das vezes, aqueles que se dizem distantes por terem ideias diferentes… estão muito mais perto DELE do que o que se possa imaginar... pois enquanto muitos dos que se dizem amigos se deleitam em futilidades e de costas voltadas para quem com eles convive renegando mesmo as chamadas de atenção que lhes vão chegando a todo o momento… os que se julgam distantes, com todas as suas forças, vão tendo coragem de denunciar verdades intocáveis e procedem de tal modo que só eles mesmo é que não percebem que estão com o “Menino” ou muito perto DELE!... Isto é, realmente, Natal!
Aproveitando esta quadra festiva o 2010 abre as suas portas! Todos desejam um “Feliz Ano Novo”… alguns pedem “Vida Nova”… renovada por uma nova mentalidade.
Sabemos que as mesmas situações podem ser vistas de forma positiva ou negativa, e temos a certeza de que só a visão positivista levará ao crescimento pessoal e social do indivíduo, seja ele homem ou mulher. Então, como sugestão de mudança, aprendamos todos a ver que todas as pessoas são extraordinárias, mas como vivem com o mal e o bem lado a lado com elas, podem errar; mas mesmo sabendo-as erradas, não deveremos dizer que são más, porque ninguém é totalmente mau, e na grande maioria das vezes as más acções são provenientes da falta de conhecimento e compreensão, de dificuldades extremas ou de momentos de fraqueza. E como todos nós passamos por situações dessas mais ou menos acentuadas, temos razão suficiente para não nos julgarmos superiores a nada nem a ninguém, pelo que deveremos, sim, aceitar, compreender, ajudar!... Se tentarmos olhar a sério, nas pessoas mais reles podemos encontrar comportamentos muito bons, e um elogio apropriado, além de ser sempre bem aceite e não provocar desentendimentos, gera compreensão e paz.
É difícil mudar, mas não é impossível! Se todos queremos que o mundo seja melhor, tratemos de ser melhores nós mesmos. Feliz Ano Novo… com uma Vida Nova!

Hermínia Nadais
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

As luzes de Natal!...


Este é um tempo de luzes, de todas as cores, tamanhos e feitios! Luzes das que os olhos vêem… mas acima de tudo luzes que iluminam todos os corações, das formas mais diversas, pois ninguém fica indiferente à passagem da quadra de natalícia.
Cada pessoa tem o seu natal, mas o Natal de Jesus Cristo é um Natal tão diferente que mexe com todos nós. E mesmo quem teima em afirmar que não acredita numa vida em Jesus Cristo, ainda assim, na época Natalícia, diferencia, de algum modo, as suas vivências normais.
Como não se sabe ao certo o quando do nascimento de Jesus, o 25 de Dezembro, no solstício de Inverno, foi o dia escolhido para festejar o SEU aniversário devido à importância que tinha para os pagãos pela celebração da festa do deus sol, o Sol que iluminava o mundo e continua a iluminá-lo, agora já não com as atribuições de um deus, mas como obra do verdadeiro Deus que mandou o SEU filho Jesus Cristo ao mundo para mostrar aos homens a luz verdadeira – UMA VIDA PLENA DE AMOR - para que os homens e mulheres possam, a Seu exemplo, viver também em amor.
Num misto de profano e divino, cada pessoa tenta viver a época de Natal como melhor sabe e entende… e de tal modo que até o coração mais duro deixa transparecer caridade.
A época de Natal é aliciante e provocadora: aliciante porque torna as pessoas muito ternas, interessadas, solidárias; provocadora porque nos leva a pensar no verdadeiro porquê de tantos presentes trocados e sorrisos abertos, de tantos acontecimentos maravilhosos pelas consciências tocadas, de tantos corações iluminados, não pelas luzes multicores, mas pela “CHAMA DE AMOR” emanada do Menino de Belém! Menino que não é lendário, existiu! Menino que foi e continua a ser rei, não de povos, mas de corações! Menino que, por mais sépticos e incompreensíveis que os homens sejam, terá o SEU nascimento como um acontecimento real pelos séculos sem fim… não mais como um menino de carne e osso, mas como “vida agraciada” nos corações de todas as pessoas de todas as raças, credos, cores ou ideologias que, das formas mais divergentes, se forem abrindo a uma vida de amor pela prática das regras mais elementares da boa convivência humana e da solidariedade social.
Deus é um Pai tão Amoroso que, mesmo ofendido por desamores, não mete medo a ninguém, porque ama sem peso ou medida e perdoa sem condições. E não admira que o dia escolhido para a festa do aniversário de Jesus tenha coincidido com a data de uma festa pagã, pois ELE nasceu para ensinar a lei do amor a todos os homens, e por isso mesmo, também aos pagãos, pois também eles são obra de Deus e com promessa de verdadeira felicidade.
E quanto a nós, cristãos, por todas as graças recebidas, veremos as nossas más acções muito mais escandalosas diante do mundo e muito mais culpáveis perante Deus.
Então, com todas as nossas fraquezas e limitações, sejamos cristãos autênticos, não só de nome pelo Baptismo mas em espírito e verdade, à boa imitação de Cristo, bem certos da enorme responsabilidade de O mostrar a quem ainda O não conhece, com obras e com palavras, através de uma vida digna e dignificante.
Para todos desejo um Natal cheio de Bênçãos e um próspero 2010!

Hermínia Nadais
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sábado, 5 de dezembro de 2009

Perdoai... assim como nós perdoamos!...

Há dias, encontrei uma poesia que me mereceu uma atenção muito especial. Dizia que numa velha lenda de cristãos se contava que, quando Jesus morreu crucificado, desceu de imediato ao inferno para de lá libertar os pecadores que ali padeciam tormentos indizíveis. E nessa tarefa, enquanto o diabo chorava amargamente convencido de que a partir daquele momento nunca mais teria ninguém a ir para o inferno, Deus ia-lhe dizendo que não chorasse mais, pois o inferno se encheria de novo, por muitas gerações, até que Ele voltasse... uma vez que teria de mandar-lhe para lá “muita gente convencida da própria santidade, consciente das bondades que pratica e sempre pronta a condenar os pecadores”. Quedei-me por largo tempo... a pensar na terrível verdade... reconhecendo em inúmeras acções humanas, com a mais viva mágoa, a sagacidade com que arranjamos formas de nos esquivarmos a tudo quanto é difícil e de nos escapulirmos de todas as culpas que podermos escurecer no silêncio, na mentira, ou muito simplesmente no chamado “sacudir de capote”, ou seja, no lançar as próprias culpas sobre outras pessoas. Todos estamos sujeitos a cair nas terríveis tentações de supremacia e altivez, mas, pelo menos, deveremos ter o máximo cuidado para ver se não resvalamos tão facilmente por tão asquerosos caminhos. Pelas vezes que inadvertidamente o tivermos feito ou por fraqueza o viermos a fazer, reserva-nos o dever e o direito de nos arrependermos, de pedir desculpas, de emendarmos e alterarmos as nossas atitudes no sentido de podermos começar a agir de acordo com um aperfeiçoamento capaz de nos levar, finalmente, à promoção e gozo de uma verdadeira paz. Na caminhada de cada vida, tal como nas caminhadas que vamos experimentando ao longo da mesma vida, encontramos caminhos largos e de fácil acesso alternados com vielas estreitas e de piso pedregoso e escorregadio. Caberá a cada um de nós descobrir se nos temos situado ou estamos a situar no caminho que deveremos percorrer para alcançarmos o fim desejado. Todos almejamos admirar a beleza da paisagem dos picos mais altos dos terrenos do mundo, mas as suas encostas são tão inclinadas, estreitas, pedregosas, perigosas e custosas de escalar que só os mais fortes e destemidos se aventuram a pegar a mochila, as sandálias e o cajado, para se aventurarem e palmilhar essas íngremes veredas. A escalada de uma vida interior conveniente, também é assim... difícil por demais.
Sem sombras de dúvidas, vivemos, ou temos vivido, numa sociedade de cristãos católicos, pois mesmo os que por qualquer circunstância se dizem agnósticos ou começam a professar uma outra fé, levam consigo, indelevelmente traçadas, se mais não for, as marcas do Santo Baptismo que a quase todos tem sido ministrado aquando crianças. Estes que se vão afastando do catolicismo, causam-nos dor... mas a dor maior vem da observação do comportamento daqueles que continuam a dizer-se católicos, mas cada vez estão mais distantes da verdadeira vivência do autêntico catolicismo. Grande parte deles procura a Igreja somente pela necessidade da prestação de alguns dos seus serviços... dos que vão achando convenientes a uma boa aceitação na sociedade ou que lhes possam dar, de algum modo, a enganosa sensação do dever cumprido e o direito a criticar, a torto e a direito, além dos pastores da Igreja que os serve, aqueles que vão vivendo a fé católica o melhor que podem, errando e reconhecendo e corrigindo os seus erros... comportamentos muito próprios dos seres humanos que são.
Não nos enganemos!... Não há ninguém tão bom que o seja na totalidade... nem ninguém tão mau que se lhe não encontre nada de bom. Aprendamos a ajuizar apenas a nossa realidade sem apontar os defeitos de outrem... a não ser, em casos de extrema necessidade pela defesa da verdade ou para a possível correcção da pessoa ou pessoas em causa. De nada vale o dizer Senhor, Senhor... se não se procurar minimamente fazer a Sua vontade! Por isso... não basta ter a Bíblia exposta ou bem guardada... é preciso estudá-la e meditá-la para se poder viver segundo o seu conteúdo; não basta parecer... é preciso ser; não basta querer... é preciso fazer; não basta rezar orações bonitas... é preciso viver as palavras que se vão pensando ou pronunciando na oração; não basta rezar o Pai nosso... é preciso que o “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,” seja proferido com o desejo sincero de perdoar a todo aquele já alguma vez nos ofendeu... para que não estejamos a pedir a Deus a nossa própria condenação.
Nunca nos convençamos de que somos nós os bons e os outros os maus... Ai de nós, se nos julgamos assim tão diferentes!... Não vivamos de ilusões... Os melhores serão sempre os que conseguirem reconhecer em si o maior número de defeitos... uma vez que todo o bem que por ventura seja desenvolvido é um dom gratuito de Deus, e ainda porque, humano... perfeito... não há nenhum. Então, por alguma perfeição dos humanos... mãos à obra!...

Prof. Hermínia Nadais – Publicado no NOtícias de Cambra