Na luta constante da vida, sem tempo para parar, nem sequer nos apercebemos da grande importância dessa mesma vida, para nós mesmos, e para o nosso semelhante. É por isso que chateamos tanto os outros e nos auto-destruímos constantemente com arrelias e nervosismos inconcebíveis a quem dá à vida o seu verdadeiro valor.
Para chegar a esta conclusão, como qualquer ser humano normal "do meu tempo", tive que percorrer um longo caminho e de me debruçar seriamente sobre o tempo passado e o tempo presente; este, que se pode considerar uma fase de transição, pois nota-se que a sociedade está a operar uma mudança de comportamento constante. Espero bem que a escola da vida, com a grande sabedoria que nos traz, sacuda duma forma especial o coração de cada um para que tudo possa ficar diferente com a maior rapidez. Então acontecerá que, o que dantes nos era muito difícil, fará parte de nós mesmos, e será tão natural como dormir e acordar. Esta linguagem pode ser descabida, mas com uma breve exemplificação, veremos que não é.
Na época em que fui criada, pregavam-se muitos valores humanos, mas, pelo que a vida me ensinou... havia muito poucos. Os ricaços, normalmente, possuíam muitas terras que, salvo raras e boas excepções, eram cultivadas por pobres mal pagos para quem a luta pela sobrevivência era deveras penosa. O rico e o pobre, na generalidade, não se consideravam "irmãos", mas um tinha supremacia sobre o outro: nuns criavam-se hábitos de mandar e ser arrogante para conseguir dominar os trabalhadores e ser respeitado; noutros, a obediência e submissão sem limites eram necessárias para angariar os meios de subsistência, eram mesmo a única forma de salvação pessoal e da família. E os que não tinham idade ou saúde para trabalhar, a viver da caridade alheia, sem instituição alguma nem nada que os protegesse... não é dificil imaginar o quanto sofrimento e dor. Socialmente, valia quem tinha... terras ou dinheiro. Os restantes, podiam ser "grandes cabeças" e "grandes homens", mas a falta de berço não os deixava chegar a lado nenhum, pois era difícil alguém reconhecer-lhe o valor. É de recordar que o regime de ditadura em que se vivia favorecia toda esta estratégia de vida.
A palavra liberdade estava banida do vocabulário e, mais ainda, da maneira de viver. Os "senhores", na sua maioria, eram escravos dos seus comportamentos desumanos; os trabalhadores, obedecendo por necessidade e quase sempre com muita revolta contra a sua precária situação, que poderiam pensar?!... Que triste forma de vida!... Onde estaria a liberdade deste povo?!...
Actualmente, não se pode dizer que tudo mudou, mas que tudo vai mudando, devagarinho. Continua a haver diferenças sociais, sempre as houve e sempre as haverá... mas, pelo menos, tenta-se que a verdadeira educação assente na compreensão e aceitação mútua de cada qual como é, com os seus defeitos e qualidades, com a sua abundância ou necessidade... e, muito embora precariamente, vão-se dando oportunidades de serem reconhecidos os dotes morais e intelectuais de cada um, venham de que estrato social vierem, promovendo entre todos um "amor sincero e duradoiro", base de toda a "Liberdade" humana.
Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
ESTÁ MAU... NÃO! ESTÁ BOM!
Ena!!!... E que estou eu para aqui a dizer?
Mas, a bem da verdade... se fossemos a enumerar tudo quanto nos aflige... cansaríamos as letras, não teríamos palavras, e gastaríamos todas as reservas de tinta! Basta olhar para o que se passa nas Escolas... na Segurança Social... na Saúde!...
Bem! Se olharmos o mundo pela negativa vamos constatar que está tudo numa verdadeira calamidade.
Mas... é melhor não ir por aí... negativismo, não! É melhor não entrar no jogo feio de quase toda a Comunicação Social que faz um alarido enorme à volta de um qualquer acontecimento menos bom... mas fala de raspão ou simplesmente ignora muitas das coisas boas que existem: inumeráveis Movimentos e Associações de Solidariedade Social com iniciativas mais que louváveis; pessoas que passam a maior parte da vida preocupadas em proteger todo o tipo de pobreza; encontros de formação e bem-fazer; festas feitas com muito amor para acariciar desprotegidos... sei lá quantas coisas mais!...
Ui!... Que horror! Afinal, ao recordar o mal eu vejo um montão de coisas erradas... mas quando tento descobrir coisas boas tenho dificuldade em encontrá-las!...
Há dias um amigo aconselhou-me a recordar e escrever todos os dias cinco coisas agradáveis. A princípio foi difícil, agora... já encontro mais de cinco coisas agradáveis por dia!... É que os pensamentos positivos procuram ver o lado bom dos acontecimentos e levam-nos a encontrar situações positivas em nós e nos outros, e, consequentemente, a dizer que “está tudo bom”!...
Preocupar-nos em sermos positivistas será um bom começo para ajudarmos a melhorar o nosso mundo... pois se o “homem sonha, a obra nasce”! Então, mãos à obra!...
Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra
domingo, 9 de novembro de 2008
TESOUROS NA NOSSA EXISTÊNCIA
"Um bom amigo é um tesouro!" Já tivemos oportunidade de aprofundar esta realidade e de ver como temos necessidade de, pelo menos, tentarmos possuir as qualidades de bons amigos, para a harmonia e felicidade de todos. Hoje vou tentar desvendar um pouco do que penso acerca dos tesouros que deve possuir a vida de cada um.Dotada de corpo e espírito, cada pessoa humana é como que um duplo ser: um, o que se vê claramente e que constitui o seu retrato físico; outro, é o que cada um sente mas que está escondido aos olhos de quem observa, é o que se chama de retrato moral. Então, enquanto uns dão todo o valor ao seu aspecto físico, exterior, tratando-o com todas as implicações que isso acarreta, outros, ao contrário, valorizam mais o cultivo das qualidades interiores que só o sentimento de um coração atento pode desvendar e sentir. Assim sendo, cada um de nós, conforme seus gostos pessoais e as qualidades de que foi dotado pode enriquecer a sua existência com tesouros muito diferentes: uns, temporais, que o tempo desgasta e corrói; outros, morais, que o decorrer da vida torna cada vez mais eficientes e perduram para além da morte. Nos primeiros, podemos incluir a satisfação pessoal através dos bens terrenos que geram a opulência que, normalmente, trata muito bem do aspecto exterior, mas quase sempre leva ao desespero e à insatisfação; nos segundos, incluiremos os que valorizam mais as suas boas acções que, embora muitas vezes sejam ignorados e incompreendidos, fazem gozar de alegria perfeita porque esses valores da vida nada nem ninguém pode roubar, e, quando cultivados a preceito, tendem a ser cada vez maiores.
Agora, pergunto: Onde me situo eu? Onde se situa cada um... nesta vida dupla que, quer queiramos quer não, faz parte de todos nós?... Quais serão os tesouros que valorizamos nesta nossa curta existência sobre a terra? Os tesouros na vida de cada um, existem, embora possam ser tomados em conta de forma igual ou oposta, uma vez que todos os seres são diferentes uns dos outros.
Falando mais uma vez da verdadeira amizade nesta época tão propícia ao seu desabrochar, perante o atrás descrito, não podemos ter ilusões!... A verdadeira amizade, pode ter algum suporte nas nossas riquezas temporais, é um facto, necessitamos de bens para viver, ninguém pode viver sem eles. Mas, se o repartir dessas riquezas não partir da riqueza do coração, o verdadeiro amor que levará à união e paz do mundo nunca chegará a existir.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
COMBATE AO STRESS – “90 – 10”
Hoje, levantei à hora habitual... fiz os meus trabalhos habituais... e vim junto do computador para abrir o correio electrónico, o que, neste horário, não é habitual. Mas, nada acontece por acaso!... Há dois dias um amigo enviou-me uma mensagem com um anexo intitulado “90-10”, que me despertou a curiosidade, e como o tempo estava escasso, deixei-o para ocasião mais oportuna. Abri-o agora mesmo, e acho que o devo partilhar. É uma chamada de atenção para o auto-controle como forma de combate ao stress.A necessidade urgente de treinar cada vez mais o auto-controle para evitar mal-entendidos, mágoas desnecessárias e confusões, já não é novidade para ninguém. Mas eu desconhecia... imaginem... que às coisas inevitáveis que nos acontecem normalmente, ou seja, a um café que um filho ou alguém entorna e nos obriga a ir a correr trocar de roupa na hora de sair ou a ficar sujo na rua, um semáforo que não sai do vermelho, uma fila de trânsito que não desenvolve, uma operação stop que nos obriga a parar, um pneu que fura, uma manobra perigosa que nos prega um susto, uma palavra gesto ou expressão inadequadas que se nos deparam a cada instante... enfim... a toda essa enormidade de situações que normalmente pensamos serem a causa de todos os nossos distúrbios do sistema nervoso... a elas todas juntas... todinhas mesmo... dão apenas somente o valor de “10 numa escala de 1 a 100”!... Assim sendo... ficam os restantes “90 por cento a serem culpa exclusiva da nossa falta de controle”!...
Contra factos, não há argumentos!...
Perante estas percentagens... onde ficam os nossos “egos”... sempre cheios de razões e prontos a despejar todas as culpas dos nossos nervosismos nos outros???...
Sim... nos outros... porque o dizermos aos outros e a nós mesmos que somos nós próprios os quase únicos culpados, não tem piadinha nenhuma... não tem!...
Pensei... e voltei a pensar... de olhos postos na explanação da mensagem recebida! Lembrei todas as minhas formas de actuar... que afinal são as únicas que eu posso reconhecer e ajuizar uma vez que não me é dado penetrar no interior das pessoas que me rodeiam e que são livres e responsáveis pelas suas próprias acções! Lembrei que já não recordo a data em que comecei a tentar a sério fazer um auto-controle das minhas indignações... e recordei ainda as diferenças de relacionamento que essa decisão que tomei implicou nas pessoas que comigo convivem... que me perecem cada vez mais tolerantes, mas na medida em que eu o for com elas... e concluí para mim aceitar as percentagens que, realmente, não devem estar muito erradas!...
Há coisas que acontecem porque acontecem... e muito embora haja sempre uma razão ou culpa para tudo quanto acontece... ao descarregarmos a culpa no presumível culpado ou culpada a única reacção que obteremos dele ou dela será sempre uma revolta desmedida... pois a asneira é sempre feita sem querer, por desconhecer a gravidade da situação ou uma outra coisa qualquer... (não há dúvida de que todos somos peritos em arranjar as mais variadas e convincentes desculpas).
Assim sendo, em vez de recriminarmos... talvez seja muito mais vantajoso para todos solicitarmos calmamente um maior cuidado... pois certamente obteremos resultados bem mais surpreendentes... e sem stress para ninguém!...
Mãos à obra... pelo nosso “90-10”... mas sem nunca desanimar dos avanços e recuos... pois é com eles que nos mantemos em constante aprendizagem nesta maravilhosa escola da vida onde a escalada é difícil! Que haja muito sucesso para todos nós!
Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
UM BOM AMIGO É UM TESOURO
"Um bom amigo é um tesouro!" Esta afirmação de alguém, é uma das mais belas frases que devemos ter presente para encontrar uma boa norma de vida. Uma amizade profunda e verdadeira é imprescindível para que cada ser tenha uma vida plenamente feliz e, consequentemente, plenamente realizada.E, se "um bom amigo é um tesouro", quem não quererá ser, realmente, esse tesouro?!... Com certeza que todos nós.
Quando se fala de "tesouro" fala-se de um símbolo de riqueza; todavia, temos de lembrar que há diferentes maneiras de viver na riqueza.
A riqueza exterior pode ser muito grande, mas é exterior. Pertence a quem a tem e por vezes extravasa; mas, além de poder estar muito distante da felicidade, acaba com o tempo... e muitas vezes mais depressa do que o que se pensa!... A riqueza da amizade, não! Essa é muito especial, perdura para todo o sempre, eleva-nos até às alturas!... Se o bom amigo é o que está presente nas horas boas e más, o que aplaude quando se faz algo bem feito, o que censura humanamente quando se erra, o que ajuda a evitar esse erro, que quereremos de melhor na vida do que ter um amigo assim?!... No entanto... que direito temos a exigir amigos com todas estas qualidades, coerentes e verdadeiros, se não sabemos ou não queremos ser amigos assim?!... É caso para se pensar séria e friamente antes de tomar qualquer decisão, face aos que consideramos "maus amigos" encontrados na vida. Em vez de nos queixarmos de que temos "maus amigos", não seria mais lógico questionarmo-nos de "que tipo de amigos somos nós?" É muito fácil vermos os defeitos dos outros quando eles nos tocam, fraca ou fortemente; mas é difícil ver, admitir e corrigir os nossos próprios defeitos. Então, falamos em ter "maus amigos" ou "bons amigos", mas não falamos de nós.
Vamos pensar um pouco nestas realidades... e olhar, bem no fundo, dentro de nós próprios.
A época é propícia à reflexão! Saibamos aproveitá-la e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para termos, de facto, os atributos que desejamos encontrar nas pessoas que nos rodeiam, sejam elas mais ou menos amigas, não importa। "Nunca faças aos outros o que não queres que os outros te façam!" Esta frase tão conhecida, é uma afirmação muito correcta, maravilhosa, que implica muita compreensão, muito amor, muito carinho, muita dedicação. Vamos tentar pô-la em prática, ainda que seja em coisas pequeninas. E não esqueçamos que é na perfeição das mais pequenas acções que se pode observar a grandeza de cada ser humano. Aproveitando capazmente a aprendizagem constante da escola da vida, esforcemo-nos sempre por sermos cada vez melhores, para que toda a Humanidade o seja também.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
AMIGOS... SEMPRE, E CADA VEZ MAIS!
Penso ser pertinente continuar a falar deste tema inesgotável. Nesta época, mais do que nunca, a palavra "amigos" deve estar presente no nosso quotidiano, em toda a nossa vida e, mais do que tudo, bem no fundo do nosso coração.Acabaram-se as folias das Férias. Entramos em mais uma caminhada para a verdadeira vida de trabalho e canseiras. É um ano muito especial, Ano Santo de graças e bênção, pois faz 2000 anos que S. Paulo nasceu, facto importantíssimo que este "Ano Jubilar" que se vive nos vai recordando dia após dia.
Se na nossa condição "Humana e Cristã" devemos ter presente, ininterruptamente, "O Grande Amigo" que S. Paulo pregou e vem pregando... agora, mais do que nunca!... Ele é um Amigo, que nunca falha!... Mesmo quando nos dá a sensação de ausência nos momentos difíceis, na hora exacta, quem estiver atento, sente profundamente a carícia da sua bondosa e afável ajuda. E porque não, seguindo o Seu exemplo, continuarmos a aprender a sermos amigos de verdade?
A escola da vida ensina-nos que o tempo passa veloz. E só o hoje, o agora, nos pertence!... Para qualquer coisa, como já referi anteriormente, "amanhã poderá ser tarde"! É caso para pensarmos em lançar mão, de imediato, às ocasiões que se nos apresentem e experimentar a alegria de uma mudança radical de vida, se tal for necessário.
Para quê tantas incompreensões, tantas chatices, tantos ódios... tantas divergências? Não podemos continuar a sentir mágoa para com quem não pensa como nós! Teremos, sim, de averiguar a razão das diferenças, tentar colocar-nos no lado oposto para analisar e interiorizar a situação friamente, e assim podermos ver qual será o lado certo... e se será, de facto, o nosso lado. A falta de conhecimento de causa e de humildade para aceitarmos as opiniões recebidas, leva-nos a que fiquemos sentidos e criemos um mau ambiente familiar, de trabalho, ou mesmo de âmbito mais social.
A vida é, toda ela, feita de pequenos nadas; e são todos esses pequenos nadas, bem aproveitados, que dão grande valor à vida. Saibamos viver plenamente os bons ou maus momentos, e tirar deles as ilações necessárias para nos tornamos cada vez melhores, mais dignos, mais humanos e, consequentemente, mais amigos!...
Hermínia Nadais
Extraído de uma crónica publicada no Notícias de Cambra
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
AMANHÃ PODERÁ SER TARDE!
Voltando ao assunto do tema anterior em que falávamos de "amigos", foi com esta frase que o terminamos."Amanhã poderá ser tarde"! Sim, poderá ser tarde para muita coisa. Há um ditado popular que diz: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". A Escola da vida diz-nos isto mesmo. Tantas vezes fazemos planos maravilhosos, e acabamos por não ter tempo para eles... É porque em alguns casos deixámo-nos levar pelo ditado oposto: "O que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se ao outro dia"!... Mas, este, nem sempre resulta.
Em matéria de amigos, de amizades, não há mesmo tempo a perder.
Todos nós, sem excepção, temos muito para fazer. Uns mais que outros, entenda-se, e pelas razões mais variadas.
Como seres sociais que somos, é um absurdo pensarmos algum dia viver isolados. Necessitamos de alguém que nos rodeie. Precisamos de sentir por perto alguma compreensão, algum carinho, algum calor humano... Eu digo "algum", para não dizer "muito", pois quanto mais rodeados estivermos destes bens essenciais a qualquer ser vivo, melhor. "Qualquer ser vivo..." sim, porque até os animais, pelos comportamentos apresentados por grande parte deles, gostam, sentem necessidade de outros animais para lhes fazer companhia. E mesmo as plantas... conheço muitas sementes que não nascem nem produzem fruto algum se estiverem sós. Se começasse a dar exemplos, era um nunca mais acabar.
Assim sendo, como é possível ouvir-se dizer: "Sozinho, ou sozinha... é que estou bem"!... É uma verdade, que temos necessidade de estar sós inúmeras vezes, mas um pouco, um pouco só... para pormos os pensamentos em ordem, para pensarmos no que deveremos fazer na própria vida, para nos concentrarmos melhor em algo que queiramos fazer. Mas, por incrível que pareça, mesmo nos momentos em que estamos sós, por nosso gosto e prazer, estamos sós só corporalmente. Reflectindo um pouco sobre esses pouquinhos de vida, verificamos que, mesmo neles, temos presentes os exemplos, os gestos, a voz, as palavras das pessoas queridas. Elas servem-nos de alento e são, muitas vezes, a base das nossas reflexões e da nossa mudança de vida.
Ao falar de "pessoas queridas" dá a impressão que estou a excluir aquelas que não vão muito com as nossas ideias e até nos magoam e contrariam, mas não. As pessoas são sempre queridas, podem crer. Ao pararmos para pensar, todas as atitudes que nos rodeiam servem para tema de reflexão. É natural e humano que se sinta um prazer muito maior ao lembrar aqueles que nos são muito queridos, que comungam das nossas ideias e nos servem sempre de alento e conforto. Mas, as pessoas que nos contrariam, temos de reconhecer que nem sempre estão erradas! Temos de tentar compreender as suas razões e não ver só mal no seu comportamento. Lembremo-nos de que o nosso amigo nem sempre é o que está só do nosso lado, mas sim aquele que nos leva a ver as coisas como são, mesmo que isso custe a aceitar. E se for o caso da pessoa que nos magoa ser mesmo maldosa, porque não tentar recuperá-la, desculpá-la, e arranjar maneiras de lhe mostrar que não tem razão?... Se somos seres sociais, porque não tentamos dialogar, aceitar, respeitar, mostrar as nossas convicções e arranjar formas de inverter as opiniões dos outros quando estamos certos do seu erro?
Se assim fizéssemos, como tudo seria diferente!...
Falar de amizade... de amigos, é bom, mas é tema difícil de esgotar.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra
sábado, 11 de outubro de 2008
SEJAMOS FELIZES!...
Quando somos jovens deixamo-nos embarcar no querer do coração e depois o remédio é ir encontrando no dia a dia as melhores formas de convivência.Meu cara metade satisfaz-se a correr mundo... eu prefiro a pacatez da vida quotidiana junto da família e amigos. Não há remédio senão contornar a situação: ele fica e ficamos os dois... eu vou e vamos os dois... ou ele vai sozinho passear e eu fico em casa.
Assim, tem feito algumas viagens turísticas combinadas entre nós... e outras que inventa sozinho com os amigos e depois me dá a saber, a última das quais três semanas a Moçambique e África do Sul com um amigo.
Perante esta... não consegui conter-me e mostrei o meu desagrado.
Como era de prever... disse que não queria deixar o amigo sozinho, razão porque não desistia da viagem. No entanto, para mim, o renunciar à viagem estava fora de hipótese. Se quer ir, vai... e o melhor é fazermos poucos telefonemas porque temos tempo de falar depois.
Não há dúvida que a única forma de se conseguir alguma felicidade é procurar ser feliz sozinha... e foi assim que eu fiquei feliz sozinha porque para mim ele também ia feliz sozinho.
Os dias foram rodando com uma mensagem de vez em quando. Entretanto... estará bem... não estará... fazia isto... dizia aquilo... tenho que ir aqui... ali... acolá...
Nesta amálgama de pensamentos saem uns poemas que lhe são dedicados.
Ele chegou! Eu estava à espera!
A princípio olhamo-nos sem dizer palavra! E o inesperado aconteceu.
Afinal, na ausência, descobrimos mais pormenorizadamente as qualidades um do outro, e de tal modo que a partilha não se fez esperar.
Nunca pensei, nesta altura da minha vida, dizer o que disse nem ouvir o que ouvi!!!... Parecíamos dois jovens! E concluímos os dois que todos os casais deviam ter um tempo, assim, longe um do outro, para terem possibilidade de se encontrarem, depois, muito mais realmente!...
Não tenhamos ilusões! Quando estamos bem próximos, normalmente, temos aptidão para ver mais os defeitos; mas na ausência as qualidades ressaltam mais vivas ao nosso pensamento e nós conseguimos ver o que doutra forma nunca enxergaríamos.
Quantas críticas ele já recebeu por andar sozinho... e quantos e quantas me recriminaram por não o acompanhar. Não critico ninguém, pois cada um tem a sua razão.
Quero que estas minhas letras soem bem pertinho dos vossos ouvidos de modo que ninguém mais oiça... assim como um... segredinho mágico!
O verdadeiro amor não pode prender ninguém... pois nunca ninguém é feliz à custa dos sacrifícios de outra pessoa. Quando dizemos que amamos alguém... só amamos a sério se procuramos com todas as nossas forças dar à pessoa amada toda a felicidade possível, nos pequenos ou grandes gestos da vida.
Sejamos felizes... hoje... amanhã pode ser tarde!...
Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
SERÁ QUE TEMOS AMIGOS?!...
Quando chegará a hora em que as pessoas, ao contrário de se magoarem umas às outras, começarão a ser, de todo, compreensivas e tolerantes?!...Não sei, e penso que nunca poderei saber. Melhor: Será que algum dia isso irá acontecer? Temo bem que não.
Neste mundo de incertezas, o relacionamento inter-pessoal é cada vez mais complexo. O desenvolvimento económico não foi acompanhado pelo desenvolvimento socio-cultural e há muita falta de verdade na vida que levamos.
Por mais que se fale em que cada um deve ser quem é, e como é, em grande parte dos casos, a realidade é bem outra. Cada um procura mostrar uma boa imagem exterior de si mesmo. E, o seu cunho pessoal... ninguém o sabe. E só no decorrer de uma longa amizade poderá ser descoberto, se o chegar a ser.
E o que será possuir uma boa amizade? Será ter uma pessoa que louva e está ao nosso lado em tudo o que fazemos? Claro que não! Mas também não é uma pessoa que nos contraria constantemente, a toda a hora. É sim, aquele ou aquela que se esforça por conhecer-nos tal qual somos, que nos aceita e entende, que sabe a opinião a emitir em qualquer dos nossos actos e tem coragem de nos dizer o que pensa a nosso respeito.
"Um bom amigo é um tesouro!" - disse alguém!... Afirmação mais correcta, não conheço.
Mas... como quereremos ter amigos se talvez, quem sabe, não o saberemos ser?
Neste tempo que deverá ser de mudança para melhores atitudes a todos os níveis, questionemo-nos: - Será que temos amigos? Será que somos amigos?
Se os não temos e se os não somos, algo está errado। Há que remediar... aprendamos, enquanto é tempo. Não esqueçamos que "amanhã" poderá ser tarde.
Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
ETERNAMENTE INSEPARÁVEIS
Agora, vejamos: A que se deve tanta evolução social? A que se deve o progresso? Donde saem tantos cientistas que, com as suas descobertas, nos tornam a vida cada vez mais cómoda e interessante?
Cada dia que passa se torna mais evidente que "cada um de nós" é um "eterno estudante" e um "eterno professor". Ser "professor" de profissão, não tem nada a ver com este ser "eterno professor"; ser "estudante" que estuda, não tem nada a ver com este ser "eterno estudante". É que o desenvolvimento integral de cada ser depende da sua aprendizagem durante a vida escolar fundida com a aprendizagem pessoal realizada através de toda a sua existência.
Nada melhor para realçar esta realidade como lembrar aqui o velho ditado popular: "O homem nasce a aprender e morre sem saber". Esta é a mais pura verdade.
A referida citação diz: "nasce a aprender"; eu, com tudo o que a vida me ensinou, diria: "aparece a aprender". E isto, porque, interligando a luz da ciência com a nossa experiência, verificamos que o bebé, quando nasce, já traz conhecimentos consigo.
Não vou repetir o que disse anteriormente. Quero fazer, sim, a distinção entre as duas formas de ser professor e as duas formas de ser aluno que, ao fim e ao cabo, estão directamente relacionadas.
Vejamos: O professor profissional, conforme o grau de ensino onde exerce funções ou a especialidade da sua formatura e grau académico, ajuda os cidadãos na concretização das suas aprendizagens específicas, cada um dentro do ramo de ensino onde se prepara para a vida; o estudante é o que, ali, aprende.
O eterno professor é todo aquele que, ao longo da vida, e de qualquer jeito, ajuda a aprender. Por incrível que pareça, um bêbado a cair na rua, leva-nos a aprender que não devemos abusar das bebidas alcoólicas; um amigo que nos falou mal humorado, leva-nos a aprender a ser carinhosos com todos; um bebé que tem uma determinada reacção menos boa, leva a aprender a evitar que tal aconteça; e por aí adiante, era um nunca mais acabar...
O eterno aluno é o que, antes e depois dos bancos da Escola, aproveita todas as ocasiões para interiorizar cada vez mais e melhores aprendizagens.
Neste campo integram-se todas as pessoas possíveis: o bebé que inicia a vida; o lavrador que desenvolve as técnicas agrícolas; o professor que aperfeiçoa os processos de ensino/aprendizagem; qualquer cientista, que vai até aos pormenores de qualquer estudo e experiência que deseje fazer; e, mais... não será necessário mencionar.
Posto isto, que resposta poderemos dar às questões iniciais?
A evolução e o progresso da ciência devem-se, na realidade à Escola. É nela que se faz uma aprendizagem sistemática e orientada, desde a entrada para a pré; faz-se a iniciação e aprendizagem das técnicas de leitura, escrita e cálculo; iniciam-se os estudos mais especializados para a vida, conforme os gostos, apetências e possibilidades de cada um. Mas, esses estudos têm que continuar em constante actualização depois de conseguidos os cursos, é um facto evidente.
Assim o homem é "eterno estudante" e "eterno professor", na medida em que fornece e aproveita, constantemente, as situações de ensino/aprendizagem que são proporcionadas pela vida da escola e pela escola da vida, eternamente inseparáveis।
Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”
