quinta-feira, 16 de outubro de 2008

AMANHÃ PODERÁ SER TARDE!

Voltando ao assunto do tema anterior em que falávamos de "amigos", foi com esta frase que o terminamos.
"Amanhã poderá ser tarde"! Sim, poderá ser tarde para muita coisa. Há um ditado popular que diz: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". A Escola da vida diz-nos isto mesmo. Tantas vezes fazemos planos maravilhosos, e acabamos por não ter tempo para eles... É porque em alguns casos deixámo-nos levar pelo ditado oposto: "O que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se ao outro dia"!... Mas, este, nem sempre resulta.
Em matéria de amigos, de amizades, não há mesmo tempo a perder.
Todos nós, sem excepção, temos muito para fazer. Uns mais que outros, entenda-se, e pelas razões mais variadas.
Como seres sociais que somos, é um absurdo pensarmos algum dia viver isolados. Necessitamos de alguém que nos rodeie. Precisamos de sentir por perto alguma compreensão, algum carinho, algum calor humano... Eu digo "algum", para não dizer "muito", pois quanto mais rodeados estivermos destes bens essenciais a qualquer ser vivo, melhor. "Qualquer ser vivo..." sim, porque até os animais, pelos comportamentos apresentados por grande parte deles, gostam, sentem necessidade de outros animais para lhes fazer companhia. E mesmo as plantas... conheço muitas sementes que não nascem nem produzem fruto algum se estiverem sós. Se começasse a dar exemplos, era um nunca mais acabar.
Assim sendo, como é possível ouvir-se dizer: "Sozinho, ou sozinha... é que estou bem"!... É uma verdade, que temos necessidade de estar sós inúmeras vezes, mas um pouco, um pouco só... para pormos os pensamentos em ordem, para pensarmos no que deveremos fazer na própria vida, para nos concentrarmos melhor em algo que queiramos fazer. Mas, por incrível que pareça, mesmo nos momentos em que estamos sós, por nosso gosto e prazer, estamos sós só corporalmente. Reflectindo um pouco sobre esses pouquinhos de vida, verificamos que, mesmo neles, temos presentes os exemplos, os gestos, a voz, as palavras das pessoas queridas. Elas servem-nos de alento e são, muitas vezes, a base das nossas reflexões e da nossa mudança de vida.
Ao falar de "pessoas queridas" dá a impressão que estou a excluir aquelas que não vão muito com as nossas ideias e até nos magoam e contrariam, mas não. As pessoas são sempre queridas, podem crer. Ao pararmos para pensar, todas as atitudes que nos rodeiam servem para tema de reflexão. É natural e humano que se sinta um prazer muito maior ao lembrar aqueles que nos são muito queridos, que comungam das nossas ideias e nos servem sempre de alento e conforto. Mas, as pessoas que nos contrariam, temos de reconhecer que nem sempre estão erradas! Temos de tentar compreender as suas razões e não ver só mal no seu comportamento. Lembremo-nos de que o nosso amigo nem sempre é o que está só do nosso lado, mas sim aquele que nos leva a ver as coisas como são, mesmo que isso custe a aceitar. E se for o caso da pessoa que nos magoa ser mesmo maldosa, porque não tentar recuperá-la, desculpá-la, e arranjar maneiras de lhe mostrar que não tem razão?... Se somos seres sociais, porque não tentamos dialogar, aceitar, respeitar, mostrar as nossas convicções e arranjar formas de inverter as opiniões dos outros quando estamos certos do seu erro?
Se assim fizéssemos, como tudo seria diferente!...
Falar de amizade... de amigos, é bom, mas é tema difícil de esgotar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

sábado, 11 de outubro de 2008

SEJAMOS FELIZES!...

Quando somos jovens deixamo-nos embarcar no querer do coração e depois o remédio é ir encontrando no dia a dia as melhores formas de convivência.
Meu cara metade satisfaz-se a correr mundo... eu prefiro a pacatez da vida quotidiana junto da família e amigos. Não há remédio senão contornar a situação: ele fica e ficamos os dois... eu vou e vamos os dois... ou ele vai sozinho passear e eu fico em casa.
Assim, tem feito algumas viagens turísticas combinadas entre nós... e outras que inventa sozinho com os amigos e depois me dá a saber, a última das quais três semanas a Moçambique e África do Sul com um amigo.
Perante esta... não consegui conter-me e mostrei o meu desagrado.
Como era de prever... disse que não queria deixar o amigo sozinho, razão porque não desistia da viagem. No entanto, para mim, o renunciar à viagem estava fora de hipótese. Se quer ir, vai... e o melhor é fazermos poucos telefonemas porque temos tempo de falar depois.
Não há dúvida que a única forma de se conseguir alguma felicidade é procurar ser feliz sozinha... e foi assim que eu fiquei feliz sozinha porque para mim ele também ia feliz sozinho.
Os dias foram rodando com uma mensagem de vez em quando. Entretanto... estará bem... não estará... fazia isto... dizia aquilo... tenho que ir aqui... ali... acolá...
Nesta amálgama de pensamentos saem uns poemas que lhe são dedicados.
Ele chegou! Eu estava à espera!
A princípio olhamo-nos sem dizer palavra! E o inesperado aconteceu.
Afinal, na ausência, descobrimos mais pormenorizadamente as qualidades um do outro, e de tal modo que a partilha não se fez esperar.
Nunca pensei, nesta altura da minha vida, dizer o que disse nem ouvir o que ouvi!!!... Parecíamos dois jovens! E concluímos os dois que todos os casais deviam ter um tempo, assim, longe um do outro, para terem possibilidade de se encontrarem, depois, muito mais realmente!...
Não tenhamos ilusões! Quando estamos bem próximos, normalmente, temos aptidão para ver mais os defeitos; mas na ausência as qualidades ressaltam mais vivas ao nosso pensamento e nós conseguimos ver o que doutra forma nunca enxergaríamos.
Quantas críticas ele já recebeu por andar sozinho... e quantos e quantas me recriminaram por não o acompanhar. Não critico ninguém, pois cada um tem a sua razão.
Quero que estas minhas letras soem bem pertinho dos vossos ouvidos de modo que ninguém mais oiça... assim como um... segredinho mágico!
O verdadeiro amor não pode prender ninguém... pois nunca ninguém é feliz à custa dos sacrifícios de outra pessoa. Quando dizemos que amamos alguém... só amamos a sério se procuramos com todas as nossas forças dar à pessoa amada toda a felicidade possível, nos pequenos ou grandes gestos da vida.
Sejamos felizes... hoje... amanhã pode ser tarde!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

SERÁ QUE TEMOS AMIGOS?!...

Quando chegará a hora em que as pessoas, ao contrário de se magoarem umas às outras, começarão a ser, de todo, compreensivas e tolerantes?!...
Não sei, e penso que nunca poderei saber. Melhor: Será que algum dia isso irá acontecer? Temo bem que não.
Neste mundo de incertezas, o relacionamento inter-pessoal é cada vez mais complexo. O desenvolvimento económico não foi acompanhado pelo desenvolvimento socio-cultural e há muita falta de verdade na vida que levamos.
Por mais que se fale em que cada um deve ser quem é, e como é, em grande parte dos casos, a realidade é bem outra. Cada um procura mostrar uma boa imagem exterior de si mesmo. E, o seu cunho pessoal... ninguém o sabe. E só no decorrer de uma longa amizade poderá ser descoberto, se o chegar a ser.
E o que será possuir uma boa amizade? Será ter uma pessoa que louva e está ao nosso lado em tudo o que fazemos? Claro que não! Mas também não é uma pessoa que nos contraria constantemente, a toda a hora. É sim, aquele ou aquela que se esforça por conhecer-nos tal qual somos, que nos aceita e entende, que sabe a opinião a emitir em qualquer dos nossos actos e tem coragem de nos dizer o que pensa a nosso respeito.
"Um bom amigo é um tesouro!" - disse alguém!... Afirmação mais correcta, não conheço.
Mas... como quereremos ter amigos se talvez, quem sabe, não o saberemos ser?
Neste tempo que deverá ser de mudança para melhores atitudes a todos os níveis, questionemo-nos: - Será que temos amigos? Será que somos amigos?
Se os não temos e se os não somos, algo está errado। Há que remediar... aprendamos, enquanto é tempo. Não esqueçamos que "amanhã" poderá ser tarde.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ETERNAMENTE INSEPARÁVEIS

"Se a sociedade vive em constante mutação, é lógico que a escola, parte integrante da mesma, não possa permanecer sempre igual. Ela tem que evoluir, tem que acompanhar o progresso". Estas são afirmações constantes e realistas que se escutam no dia a dia, principalmente entre as pessoas mais cultas.
Agora, vejamos: A que se deve tanta evolução social? A que se deve o progresso? Donde saem tantos cientistas que, com as suas descobertas, nos tornam a vida cada vez mais cómoda e interessante?
Cada dia que passa se torna mais evidente que "cada um de nós" é um "eterno estudante" e um "eterno professor". Ser "professor" de profissão, não tem nada a ver com este ser "eterno professor"; ser "estudante" que estuda, não tem nada a ver com este ser "eterno estudante". É que o desenvolvimento integral de cada ser depende da sua aprendizagem durante a vida escolar fundida com a aprendizagem pessoal realizada através de toda a sua existência.
Nada melhor para realçar esta realidade como lembrar aqui o velho ditado popular: "O homem nasce a aprender e morre sem saber". Esta é a mais pura verdade.
A referida citação diz: "nasce a aprender"; eu, com tudo o que a vida me ensinou, diria: "aparece a aprender". E isto, porque, interligando a luz da ciência com a nossa experiência, verificamos que o bebé, quando nasce, já traz conhecimentos consigo.
Não vou repetir o que disse anteriormente. Quero fazer, sim, a distinção entre as duas formas de ser professor e as duas formas de ser aluno que, ao fim e ao cabo, estão directamente relacionadas.
Vejamos: O professor profissional, conforme o grau de ensino onde exerce funções ou a especialidade da sua formatura e grau académico, ajuda os cidadãos na concretização das suas aprendizagens específicas, cada um dentro do ramo de ensino onde se prepara para a vida; o estudante é o que, ali, aprende.
O eterno professor é todo aquele que, ao longo da vida, e de qualquer jeito, ajuda a aprender. Por incrível que pareça, um bêbado a cair na rua, leva-nos a aprender que não devemos abusar das bebidas alcoólicas; um amigo que nos falou mal humorado, leva-nos a aprender a ser carinhosos com todos; um bebé que tem uma determinada reacção menos boa, leva a aprender a evitar que tal aconteça; e por aí adiante, era um nunca mais acabar...
O eterno aluno é o que, antes e depois dos bancos da Escola, aproveita todas as ocasiões para interiorizar cada vez mais e melhores aprendizagens.
Neste campo integram-se todas as pessoas possíveis: o bebé que inicia a vida; o lavrador que desenvolve as técnicas agrícolas; o professor que aperfeiçoa os processos de ensino/aprendizagem; qualquer cientista, que vai até aos pormenores de qualquer estudo e experiência que deseje fazer; e, mais... não será necessário mencionar.
Posto isto, que resposta poderemos dar às questões iniciais?
A evolução e o progresso da ciência devem-se, na realidade à Escola. É nela que se faz uma aprendizagem sistemática e orientada, desde a entrada para a pré; faz-se a iniciação e aprendizagem das técnicas de leitura, escrita e cálculo; iniciam-se os estudos mais especializados para a vida, conforme os gostos, apetências e possibilidades de cada um. Mas, esses estudos têm que continuar em constante actualização depois de conseguidos os cursos, é um facto evidente.
Assim o homem é "eterno estudante" e "eterno professor", na medida em que fornece e aproveita, constantemente, as situações de ensino/aprendizagem que são proporcionadas pela vida da escola e pela escola da vida, eternamente inseparáveis।

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Multidões... MULTIDÕES!...

Não sei porquê... mas sinto vontade de partilhar!...
Como já se vem tornando habitual saímos com a auto-caravana para a “Romaria Centenária” do final das Festas da Torreira, à meia-noite do dia seis para sete de Setembro.
Noite do fogo de artifício no mar, era suposto que o trânsito estivesse compacto na saída, mas muito pelo contrário, chegamos por entre uma amálgama de carros e peões cerca das três da madrugada, com duas lindas horas passadas desde a chegada à ponte da Varela até ao estacionamento desfrutando o maravilhoso panorama daquela sociedade agitada onde as noites foram os dias para milhares de jovens que se espalhavam por ali e se apinhavam ao longo da praia entre o palmilhar nocturno das areias bem junto às ondas e as petiscadas nos bares bem despertos da zona, ao som das suas músicas favoritas atroando os ares a distâncias consideráveis até cerca das nove da manhã, hora em que tudo para eles adormecia.
Nada de desacatos... nada de confusões. Animação perfeita.
A “feira”, nas ruas principais, bem agradável à vista e à bolsa.
A noite seguinte trouxe o fogo de artifício na ria, espectáculo ímpar observado por centenas de milhar de pessoas de todas as idades, credos, cores e condições.
No final, tranquilamente, os veículos esperavam o brando movimento da multidão compacta desde bebés dormindo placidamente nos carrinhos aos mais idosos agarrados à pouca força da vida. Com o maior respeito mútuo que se possa imaginar, como corrente de água tranquila deslizando em terreno plano, encaminhavam-se para aplaudir a artista que os esperava e com quem foi estabelecida uma calorosa intercomunicação. A igreja, meigamente aberta, convidou alguns a entrar.
Espectáculo lindo de se ver... e melhor de se sentir!
No termo das festas foi chegada a hora de agraciar os patronos da localidade: a Natividade de Nossa Senhora ali invocada como Senhora do Bom Sucesso, e o jovem Mártir S. Paio. Foi junto à sua minúscula capela que D. António, Bispo de Aveiro, ladeado por nove Presbíteros e um Diácono, todos da região limítrofe da Torreira e conterrâneos do Pároco daquela comunidade, Padre Abílio Araújo, presidiu à Eucaristia. O Padre Abílio foi incansável na vigilância apertada de todos os momentos e intervenientes na celebração, deslocando-se rapidamente em todas as direcções tal como criança atenta e curiosa repleta de sorrisos amáveis e gestos encantadores.
Antes do início da procissão orientou as pessoas no cumprimento de promessas a se colocarem entre os onze andores que os restantes fiéis deviam ladear, pois atrás da música não deveria ir ninguém.
Um facto curioso é que duas senhoras de tronco bem descapado alternavam entre si a posse de um bebé vestido de anjo... que o Padre Abílio olhou inúmeras vezes... mas carinhosa e meigamente!...
D. António agradeceu o maravilhoso trabalho do Pároco e de todos os que com ele colaboravam; acarinhou o clero presente, as autoridades, o povo residente e os visitantes, lembrou os emigrantes, os falecidos, as comunidades vizinhas; chamou todos os padres presentes pelos seus nomes próprios; enumerou factos concretos da vida social da forma mais simples e elucidativa, sem restrições a nada nem a ninguém.
Na participação na Eucaristia aglomerou-se uma numerosa multidão... e uma multidão ainda maior fez cordão nas bermas das ruas na direcção da igreja.
Durante o trajecto da procissão, os comentários que inevitavelmente ouvi são de um povo que vagueia sedento de algo que não sabe como encontrar. Talvez... quando houver mais coerência nos que se dizem católicos e todos os nossos Bispos e Padres tiverem a linguagem e comportamento do D. António e do Padre Abílio, as pequenas “multidões” se possam tornar em grandes “MULTIDÕES”!...
Não podemos iludir-nos! As palavras só convencerão... quando provindas do coração da vida!...

Prof. Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PROFESSOR... SUPORTE DA ESCOLA

Uma escola de vida, de forma alguma pode prescindir da vida da escola, e vice-versa. Esta verdade já foi analisada o bastante para estar de todo compreendida e aceite. Mas, imaginar, investigar, perguntar o que será a vida da escola, é uma prática cada vez mais corrente. Por incrível que pareça, nestes casos, as respostas obtidas são omissas na quase totalidade das situações. E acontece assim porque os conceitos e as realidades da palavra "escola" confundem-se de tal forma que barram as respostas às mais múltiplas questões.
Vulgarmente chamamos "escola" a um edifício onde circulam todos os intervenientes num determinado processo educativo, ou seja, onde circula uma comunidade escolar. Pode ter boas ou más condições, albergar crianças, jovens ou adultos, facilitar ou dificultar a vida de quem ali trabalha, mas só. Porque, o edifício não é "escola"!... É, sim, um espaço escolar. A escola necessita desse espaço para ser implantada... mas não é esse espaço, é a vida que ali jorra com abundância, que ali respira com toda a força de seus pulmões. É uma vida muito activa e muito fugaz. Dentro dos espaços escolares vive-se com uma intensidade tão forte que nem dá para compreender.
Comecemos por interiorizar um pouco desta vida reflectindo nalguns modelos de professores, "suportes da escola", cujos comportamentos podem bem fazer parte do conhecimento imediato de muitos leitores.
Os professores, se o são por vocação e não pela troca de conhecimentos por dinheiro, são uns eternos estudantes, ávidos de aprender. Podem apresentar claramente expressões físicas do cansaço causado pelo rodar dos anos, mas continuam jovens de espírito, à procura de novas descobertas, de novos saberes, e prontos a partilhar tudo com todos, principalmente com os seus alunos com os quais se misturam e confundem com a mais relativa facilidade.
E confundem-se, porquê?
Porque o professor não ensina, o professor tem uma formação específica que o leva a descobrir formas cada vez mais práticas para ajudar a aprender. O professor que se preza, vive, no dia a dia da sua profissão, o seu tempo de estudante. Ele valoriza o trabalho e o esforço do aluno, porque vai sendo, indefinidamente, um aluno... entre alunos. E desce às suas cadeiras para, juntos, desfazerem as dificuldades que existirem e descobrirem novas aprendizagens. Admite que não é portentor de toda a sabedoria e deixa transparecer ao aluno a realidade de que a vida é uma aprendizagem constante que devemos aproveitar até ao fim da sua existência.
Será alguma vergonha um professor admitir que o seu processo de enriquecimento de saberes é constante e inesgotável, e que muitas vezes "cresce" com o próprio aluno? E quanto se aprende com esses jovens, com essas crianças?!...
Um professor que assim não for, que não conseguir ser esse "estudante permanente e atento", é um ser parado no tempo e que o tempo ultrapassará com rapidez. Deixa de ser professor para ser disco riscado, que de ano para ano, repete a mesma matéria sem alteração de métodos ou mudança de atitudes. E o pior é que nestes casos, normalmente, julga-se muito importante, não aceita sugestões. Sobe ao estrado para falar, e o insucesso escolar... é sempre culpa do aluno. A relação ensino/aprendizagem perde toda a sua beleza e interesse, e cria-se uma situação de cansaço para as duas partes: para o professor porque, desfasado e obsoleto, não consegue cativar e despertar a atenção do aluno para os objectivos propostos para o seu desenvolvimento; para o aluno, porque se torna incapaz de se interessar pela aprendizagem, de se integrar na vida escolar, de conseguir aprender.
Que há alunos muito difíceis e com culpa no fraco rendimento escolar... sempre os houve, e haverá!... Mas, sejamos sinceros... Na maioria dos insucessos normais, embora haja cada vez mais agentes a procurar sofregamente meios para os combater, ainda teremos que admitir, com muita mágoa, que há intervenientes no processo educativo muito mais culpados do que a grande maioria os alunos. Quem, e porquê, é caso para pensar, continuando a análise de muitas coisas curiosas... e pouco visíveis.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A ESCOLA... PILAR DA SOCIEDADE

Uma sociedade, é o que forem os seus cidadãos!
Uma escola, é o que forem as leis que a regem, os seus docentes, os seus auxiliares de acção educativa, os seus discentes, os seus encarregados de educação, o seu meio envolvente em geral!... Inserida numa sociedade, é uma parte integrante dessa mesma sociedade!... E não só é uma parte integrante, como é mais do que isso. A "Escola", mais do que nunca, é o alicerce, é o pilar da sociedade dos nossos dias. Em tempo algum esta verdade foi tão evidente, pois nunca como hoje a "Escola" se projectou tanto na vida das pessoas.
O tempo em que na escola se aprendia a ler, escrever e contar, está cada vez mais distante. Pode parecer descabida esta afirmação, mas se nos debruçarmos um pouco sobre a vida das nossas crianças e jovens estudantes, depressa nos apercebemos desta realidade. Essas actividades são apenas o mínimo que se pode aprender numa escola.
Pelas reflexões que temos vindo a fazer sobre o desenvolvimento económico e sociocultural das populações com todos os problemas sociais daí inerentes, e olhando um pouquinho à nossa volta, vemos claramente que grande parte das nossas crianças é tirada aos laços familiares com poucos meses de vida para ser entregue a amas ou instituições, e que a maior parte das crianças é lançada na "Escola" aos três anos de idade. Nas amas e na escola, passam muito do seu dia. A nossa vida é uma aprendizagem constante. Como não são excepção à regra, essas crianças, durante essa parte do dia, aprendem... e aprendem muito, pois é nessas idades que mais se aprende. Os lugares que frequentarem são uma parte integrante de suas vidas, e essas crianças serão, para sempre, muito do que essas amas ou escolas fizerem por elas. E não podemos esquecer os amigos que as rodeiam, pois esses também têm uma capital importância na sua aprendizagem, boa ou má.
É linguagem corrente que a família é a grande culpada dos problemas que afligem a nossa juventude. É verdade. Não podemos esquecer, de forma alguma, que a família é a grande responsável por toda a educação. Se os pais, deliberadamente, fazem vir ao mundo esses seres tão valiosos que são os seus filhos, devem fazer tudo para que sejam homens competentes e realizados. Mas se a família, só, não pode, e faz delegação dos seus deveres noutra pessoa ou instituição, a partir daí, tem que passar a haver uma cooperação constante entre as partes, pois há uma responsabilidade repartida mas que se conjuga no mesmo fim, o desenvolvimento integral das crianças ou jovens.
O Estado, que dá maior ou menor protecção às famílias e que orienta todos os estabelecimentos de ensino através do Ministério da Educação, tem parte integrante nesta tarefa. Assim sendo, poderemos dizer que o desenvolvimento harmonioso de qualquer ser humano, dependerá da sua família e meio envolvente, e da preocupação que o Estado tiver com esse problema.
As famílias, são o que são, e como são. O meio ambiente é o que forem as famílias.
E as escolas, o que são?
As escolas, nos diversos graus de ensino, serão sempre o que forem as leis que as regem, os seus professores, o seu pessoal.
E onde está o porquê de tanta educação precária, de tanta criança e jovem irrealizado e insatisfeito?
Se as tarefas estão repartidas, ao fim e ao cabo, as responsabilidades terão de estar repartidas também.
Perante isto, quem serão os responsáveis?
A Família? O Estado? A "Escola"? O meio? Ou serão todos juntos, cada qual com a sua quota parte de culpa? E que culpa poderá ter cada um?
Neste início de ano escolar, este tema, pode bem ser objecto de futuras reflexões।

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PALAVRAS, LEVA-AS O VENTO!...

"Palavras, leva-as o vento"!... Elas só têm valor quando ligadas a actos conscientes e responsáveis que ponham em evidência, nas realidades da vida, as afirmações e convicções de quem as pronuncia.
"Trabalhar para a construção de um mundo melhor" é frase corrente na linguagem de todos os cidadãos.
Falar é fácil!... Fazer da própria vida um meio de construir esse "mundo melhor" é difícil, delicado e controverso. Mas é o mais importante, urgente e necessário, não só para a integração social e realização pessoal de cada um, mas também, e mais ainda, para o desenvolvimento comunitário, para a paz e unidade entre os povos, as nações, o próprio Mundo. Discernindo o mais conveniente, caso a caso, entre o apelo à emoção ou à razão, cada um, em espírito e verdade, deve tentar descobrir a forma de conjugar estas duas forças em todas as situações ao longo da sua existência, de forma a obter cada vez maior respeito por si e pelo seu semelhante.
Ninguém pode dar o que não tem; ninguém pode desejar o que não conhece; ninguém pode usufruir do que para ele não existe...
Estas frases, assim soltas, parecem desprovidas de sentido; no entanto, estão directamente relacionadas com muitas realidades.
Os comportamentos sociais de qualquer comunidade são transmitidos de pais para filhos, de avôs para netos; assim sendo, passam a fazer parte integrante dos costumes e tradições dessa comunidade e de cada um dos seus membros.
Nos nossos dias, existem as comunidades mais díspares, algumas delas com costumes bem bizarros. É só prestar atenção a tantos documentários televisivos... E quanto mais primárias, mais difíceis de compreender e mais tenazes na defesa ou ataque. E todas lutam por valores que pensam ser os melhores.
Isto verifica-se desde os membros dos clãs às inúmeras religiões ou crenças, partidos políticos ou associações...
O reconhecimento do valor do ser humano em toda a sua plenitude e com todos os seus dons: carinho, amor, tolerância, compreensão... é apanágio dos seres mais cultos. Poderemos dizer que "cada povo tem a sua cultura", e é uma verdade; mas os valores atrás referidos não são pertença de uma cultura, são universais, devem caber "todos" em "todas" as culturas.
Mas, como podem ser transmitidos se não existem totalmente numa comunidade? Ninguém pode dar o que não tem.
E como pode uma comunidade querer melhorar os seus hábitos, se não sabe como é melhor, se não conhece outra forma de vida além da sua? Ninguém pode desejar o que não conhece.
Se as pessoas vivem em comunidade, e se essa comunidade é limitada nos seus costumes e tradições, como podem ter algo de melhor? Ninguém pode usufruir do que não está ao seu alcance, quando muito, apenas pode lutar por consegui-lo.
Podem parecer absurdas estas afirmações. Mas, se pudermos imaginar-nos nascidos, por exemplo, no meio da amazónia, como seriam as nossas atitudes? De índios, com certeza...
E aqui, dentro da comunidade portuguesa, com toda a riqueza da sua cultura... como seria o comportamento de um professor, o meu caso por exemplo se, ao invés de ter nascido dos pais que tive, viesse ao mundo numa comunidade cigana com todos os problemas que isso implica?
Quanto mais condições sócio-económicas, conhecimentos e capacidades tiverem as pessoas, mais responsabilidades têm na construção de um mundo melhor. Os bens usufruídos devem fazê-las mais compreensivas, carinhosas, pacientes e caritativas para com todos os outros a quem a sorte não concedeu tantas benesses. Usando as palavras, sim, mas não só... pois é preciso lutar contra as nossas más tendências e praticar boas acções.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A VIDA E OS SEUS MISTÉRIOS


Se tudo na vida é mistério até ser compreendido e integrado nos nossos saberes vivenciais, nós, HUMANIDADE, tendemos para o “Infinito” e seremos sempre um mistério até sermos definitivamente integrados “Nesse Infinito” a que vulgarmente chamamos de eternidade ou vida para além da morte física.
As descobertas científicas antes de serem experimentadas e vivenciadas pelos homens também eram um mistério que aos poucos se foi e vai desfazendo. Todavia, o “Ser Humano”, desvendando tantos mistérios, continuará sempre infinitamente misterioso, porque único ser criado semelhante ao seu misterioso Criador.
Assim sendo, as relações humanas, se não constantemente firmadas num íntimo relacionamento de cada homem ou mulher consigo mesmo no sentido melhorar constantemente as suas atitudes em colaboração constante e directa com o Supremo, seja essa colaboração feita como for e chamada à DIVINDADE o nome que chamar, essas relações não terão a mínima possibilidade de serem adequadas ao bem da própria pessoa ou da sociedade onde estiver inserida. O Homem é um ser social por excelência, mas o seu “SER” verdadeiramente “HOMEM” é muito complexo. Cada PESSOA terá de extrair, da sua própria essência, ou seja, dos genes recebidos dos seus progenitores que lhe conferem uma identidade própria única e irrepetível que a distingue de todos os outros seres, e ao mesmo tempo também da sociedade a partir sempre do seu meio ambiente natural (família e amigos), a aprendizagem que lhe convém para o seu melhor desenvolvimento integral que engloba tudo o referente ao seu corpo (visível) e mais ainda a tudo quanto os nossos sentidos não conseguem alcançar e que é sempre o mais importante... o mistério... (invisível e impalpável).
Ainda que gastemos a vida numa constante busca de nós mesmos e na maior ampliação possível de todas as nossas capacidades a todos os níveis ao ponto de chegarmos a pensar ter conseguido o máximo de paciência, compreensão, entendimento, fortaleza, espírito crítico, interioridade, aceitação... sei lá qual o número de qualidades que podemos enumerar... isso apenas poderá dar-nos a ideia, certa ou errada, de nos encontrarmos num maior ou menor nível de auto conhecimento e perfeição, mas não nos levará nunca a deixarmos de ser um mistério... para nós e para os outros. Quem nos rodeia nunca poderá ter acesso ao íntimo do nosso ser, pois por mais que lhes abramos todas as portas do coração e nos esforcemos por lhes mostrar claramente todas as razões das nossas atitudes de modo a poderem sorver o que realmente somos, nunca conseguirão descobrir devidamente a nossa realidade pessoal. A esta parte, teremos que lembrar que nós próprios somos um mais que gigante mistério para nós mesmos, pois mesmo com uma vida dignificada por um bom relacionamento social impregnado de boas acções ou imbuída de atitudes de oração, meditação, interiorização, autocrítica, doação e amor numa visão muito clara das nossas potencialidades e das realidades que nos circundam no desejo sincero de minorar o sofrimento alheio... num qualquer momento, inesperadamente, num abrir e fechar de olhos, sem saber como nem porquê, podemos voltar a cair em erros passados ou cometer outros ainda piores... situações que acabam por nos provocar humilhações e pedidos de desculpas diante dos homens e ao mesmo tempo necessidade premente de dobrar mais os joelhos perante a misericórdia de Deus, seja Ele chamado com o nome que for ou mesmo sob a afirmação categórica de que Ele não existe.
Nunca conseguiremos resistir à dor da queda nas nossas fraquezas e desvarios se não nos sentirmos acalentados por alguém que nos compreenda de onde sobressairá sempre, e acima de tudo, “ESSE SER ÍNTIMO E SUPERIOR”, tenha para nós que nome tiver.
Um bom ano de trabalho e possibilidades de emprego para quem ainda o não tem.

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Nem só de pão vive o Homem"

Dotado de sentimento e razão, o ser humano pode tomar decisões fortes, firmes e duradoiras, conjugando harmoniosamente e com sabedoria estas duas forças ao longo de toda a sua vida que tem acontecimentos marcantes, uns mais que outros.
Depois de uma integração sociocultural, há a considerar, sem dúvida, a escolha acertada de uma profissão para um emprego que satisfaça as necessidades vitais, que dê independência económica. Para isso fazem-se os maiores esforços: fazem-se consultas a especialistas e testes psicotécnicos para facilitar a escolha de entre os mais variados cursos, pagam-se estudos, pedem-se empregos... É lógico e necessário que assim seja, pois o contrário é que seria inaceitável e incompreensível.
Mas "Nem só de pão vive o Homem!" Não estaremos nós, pais e educadores, a preocupar-nos apenas com uma das partes da vida de uma pessoa? Vejamos:
Antes de ir para o emprego, o jovem sai de casa: primeiro, da dos pais; depois, da dele. E a sua vida, tal como a nossa, rodará entre a casa e o trabalho, com alguns momentos de lazer. E as maiores dificuldades que irá sentir serão, sabemo-lo por experiência própria, a adaptação ao trabalho, patrão e colegas, e a partilha de vida com alguém. Para ser feliz e se sentir realizado, o jovem terá de manter sob controle todas estas situações, ininterruptamente. Para que tal aconteça terá de se conhecer muito bem, interiormente, com os seus defeitos e as suas qualidades... terá de saber analisar capazmente o comportamento das pessoas que o rodeiam para poder compreendê-las e viver em paz com elas e consigo mesmo... terá de saber distinguir uma paixão sufocante e passageira baseada num momento de prazer ou conhecimento superficial, de um amor verdadeiro, profundo, reflectido, que aceita o outro como ele é, com defeitos e qualidades, e está disposto a seguir em frente, contra tudo e contra todos, num projecto de vida em comum.
Enfim: terá que conciliar a estabilidade económica, que é imprescindível, com a estabilidade familiar e emocional, que também o é. No entanto, de uma maneira geral, esquecemos esta realidade.
Que fazemos nós, pais e educadores, pela estabilidade emocional dos nossos educandos? Que conceito lhes damos da vida em sociedade? Que conceito lhes damos da vida em família? Como os olhamos no tempo de namoro? Que lhes dizemos acerca dessa fase tão importante no decorrer das suas vidas?
Meter-se na vida deles, escolher por eles, empurrá-los para onde se quer... não!...
Orientá-los, aconselhá-los, falar-lhes numa vida de respeito mútuo, na dignidade dos valores humanos, no respeito pela vida... dar-lhes liberdade consciente e responsável... sim!...
Temos tendência a preocupar-nos muito com os meios de sobrevivência e estamos certos, mas esquecermo-nos duma coisa muito importante: o trabalho e a família conjugam-se na vida dos seres inseridos na sociedade; o mau ambiente de trabalho ou o fazer o que se não gosta, causa problemas, mas a pessoa acaba por se adaptar e arranjar outras compensações sem prejudicar ninguém, enquanto que no mau ambiente familiar todas as compensações que se possam encontrar vão sempre prejudicar, de qualquer forma, aos dois, e mais ainda aos filhos que não tiveram culpa de nascer.
Educadores e educandos, empenhados em ajudar a construir um mundo melhor, tenhamos presente o quanto é importante, com sentimento e razão, cada um saber o que fazer da própria vida, em espírito e verdade, demonstrando o maior respeito por si e pelo seu semelhante.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra