quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

“ANO NOVO... VIDA NOVA!”


A época natalícia está em curso! Mas o Natal... para muitos... não passa da troca de muitos presentes e do saborear de muitas guloseimas. As luzes multicores que enfeitam as ruas das cidades, tentam cativar os olhares dos investidores à execução da compra, mas não chegam ao íntimo dos seus corações, que continuam, quase sempre, na mais densa escuridão. E o “Rei da Festa”, o Menino Jesus, não força a penetração nessa neblina espessa para encher da Sua Luz resplandecente esses ninhos desaconchegados onde o Verdadeiro Amor ainda não conseguiu entrar. Então... Os sinos tocam!... As Celebrações Litúrgicas sucedem-se... Nas Igrejas e Capelas o Terno Menino espera a visita de todos... E está ali, está aqui, está junto de todos e de cada um, batendo docemente à porta de cada coração, atento e inquieto... à espera que tudo se transforme, que tudo se modifique, que os “arco-íris” das ruas atravessem as artérias dos corações tornando-os coloridos de compreensão, amor, dedicação, carinho, atenção, ternura, doação total a tudo e a todos. E... não somente na época do Natal, mas no Natal da vida de todos os dias. Jesus espera que o romper da aurora, para cada homem, seja sempre uma nova etapa para abandonar os maus hábitos, aprender a praticar o bem, a pensar no mal que fez ou, mais ainda, no bem que deixou de fazer para, assim, o Natal ser permanente em cada um de nós, onde Jesus renascerá eternamente sempre que deixarmos actuar em nós a delícia do Seu Amor!...
Que neste ano que se inicia, cada homem entre nesta norma de vida, legado que a todos deixará a vivência deste Santo Ano Jubilar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A BELEZA, O ESFORÇO E O BEM-ESTAR


O rodar constante do tempo onde a inconstância alternada de nuvens cinzentas ou céu azul e mantos de alvura ou espessa geada que a chuva ou o sol vão desfazendo aos pouquinhos, tem-me levado a um sem número de questões que sempre considero pertinentes e muito mais na época que decorre.
Antes de todo este deslumbrante panorama houve uma grande e lenta preparação da Natureza: algumas árvores despiram suas folhas; a Terra, nos seus rodares habituais, foi-se afastando do Sol e tornou mais curtos os dias solares e mais longas e frias as noites; por entre o desmesurado vaivém das nuvens a luz da Lua continua a chegar à Terra.
Entretanto, para comemorar a vinda de UM Alguém tido como verdadeira luz, os Homens vão espalhando um pouco por toda a parte luzes brilhantes e multicores.
Perante tudo isto, as plantas e animais afirmam as suas resistências tentando sobreviver às intempéries do tempo; os Homens, tentam afirmar-se esforçando-se por tirar das intempéries sociais o bem-estar de cada um. Entretanto, vão-se regalando com toda a beleza que os circunda, na espera de novas folhas, flores, passarinhos... praias e campo.
É maravilhoso observar como a Natureza, periodicamente, entra de forma tão cuidada em todas estas mudanças para conseguir manter o seu próprio equilíbrio e atingir o máximo de toda a sua beleza, e como contra todas as asperezas causadas pela intervenção humana, na pureza contínua dos seus actos, consegue manter intacta a obediência exacta ao fim para que foi criada!
Cada Ser Humano, em si mesmo, vale muito mais que toda a restante Natureza não humana!
O que é que nós, “Homens”, que somos a obra mais perfeita da Natureza, dotados de inteligência, vontade, sensibilidade, livres e responsáveis pelo desenrolar de todos os nossos actos, vamos fazendo das nossas vidas?!... Senhores dos nossos próprios destinos... que caminhos percorremos?!... Tal como a restante Natureza, renovamo-nos periodicamente, aproveitando os melhores momentos para entrarmos dentro de nós mesmos (lazer, noites, fins de semana, férias...) no sentido de descobrirmos a melhor forma de darmos a nós e ao resto do Mundo o nosso melhor?!... Conscientes de que não há dois seres humanos iguais e da suma importância de cada um em si mesmo porque único e irrepetível, temos a coragem de escutar as ideias dos que connosco convivem com tanto respeito como escutamos as nossas para, depois de uma análise exaustiva e isenta, escolhermos a melhor, sem preconceitos?!... Esforçamo-nos por saber que os direitos e deveres, iguais para todos, têm de ser ajustados pelas condições congénitas, afectivas e sócio económicas de cada um, no respeito pela sua individualidade real e necessidades específicas?!... A cada um caberá responder.
Nunca poderíamos planificar um passeio aos locais de neve ou de praias aconchegantes se a Natureza fugisse à sua missão e baralhasse os seus ciclos... assim como nunca poderemos ter um mundo mais justo e fraterno se cada um de nós não se esforçar ao máximo por dar o melhor de si, o amor, à sociedade em que vive.
Não tenhamos ilusões! A beleza, o esforço e o bem-estar... sempre andarão de mãos dadas!
Boas Festas e um Feliz Ano Novo!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

UTOPIAS… OU TALVEZ NÃO!


“O homem sonha, a obra nasce!”
Se a Humanidade sonhasse também a obra nasceria. O grande problema é que a Humanidade é composta por milhares de milhares de homens e mulheres que quase na totalidade sonham apenas com a satisfação dos seus desejos pessoais!… E vamos lá nós imaginá-los!
Riqueza, bom nome, beleza, vestuário exuberante, moradias palacianas, carros luxuosos e de alta cilindrada, correr mundo em apetecíveis cruzeiros ou cruzar os ares nos maiores e mais modernos aviões, ocupar lugares de destaque na vida social, lautos banquetes, poder, mordomias diversas, sexo, ser sempre o primeiro, adulação… sei lá mais o quê!!!...
No meio de todo este emaranhado de sonhos pessoais e individualistas a Natureza fica baralhada e o caos instalado no planeta.
Contudo, no meio de todos estes seres humanos perdidos na confusão desmesurada do egoísmo mais exacerbado na ânsia de encontrar toda a ilusória satisfação dos seus desejos encontramos um pequeno grupo de pessoas que, esquecidas de si, se esfalfam pelo bem-estar alheio. Por incrível que pareça, é um grupo de pessoas a quem muito cresce e nada falta. Não falta nada porque para si mesmos não desejam nada mais que o mínimo necessário para viver; cresce-lhes muito porque do muito ou pouco que têm repartem quanto podem pelos que possuem menos do que eles e por isso precisam mais… e quanto mais repartem parece que as provisões aumentam!
Não há sombras para dúvidas! A Natureza é pródiga em satisfazer os verdadeiros interesses humanos, mas não tem formas de suportar tantas e tão grandes faltas de bom senso comum.
Se cada pessoa tivesse a coragem de não desejar mais que o necessário para satisfazer as suas necessidades… e os que nada têm se convencessem que têm direito a uma vida digna… os que já nascem “podres” de ricos deixariam de querer amontoar mais riquezas e distribuiriam pelo menos alguns bens pelos pobres. O supérfluo de muitos daria para todos (os que têm uma existência mais sofrida que muitos animais) viverem realmente como seres humanos.
Mas… por onde ando eu???!!!... embarcada em tantas utopias? E será que são utopias? Sonhar com fraternidade só é utopia porque nós queremos que seja. Não foi para vivermos em fraternidade que fomos criados? Claro que foi!
Todos temos a nossa quota parte de culpa em todo o mal que existe no nosso planeta. É urgente que nos assumamos e não deitemos as culpas só aos outros. Se cada um de nós pensasse a sério no que é viver e praticar a solidariedade fraterna… quão diferente seria o mundo!
A época é propícia! Está a chegar o Natal! Bom trabalho!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AMOR E JUSTIÇA... SÃO INSEPARÁVEIS

Fala-se muito em Justiça, mas vive-se muito pouco aquilo de que se fala. Ao falar em Justiça temos presente a Lei. É um facto que, humanamente falando, a Justiça depende da Lei; no entanto, e novamente, “humanamente” falando, só poderia entender-se deste modo, se o homem fosse simplesmente humano, sem ter no seu íntimo algo que transcendesse essa humanidade. Ora, acontece que o homem, na plenitude do seu ser, criado à semelhança do seu “Criador”, a exemplo “d’Este” expresso na vida de Seu Filho, terá forçosamente de ter obras de Justiça baseadas na bondade e misericórdia, obras estas que de forma alguma podem depender somente da Lei, mas do Coração, que muitas vezes é obrigado a contrariar a própria Lei. Se “a Justiça sem Amor é uma utopia, o Amor sem Justiça é uma mentira!”
Assim sendo, como poderá o “Homem” viver com Justiça?
Como é óbvio, não poderá crescer, realizar-se de modo algum, à custa da miséria e do mal dos outros; por isso, terá de optar por um projecto de vida que, sem desrespeitar a lei dos homens, procure o bem de todos e não só o de alguns, mesmo que nesses “alguns” esteja inserido ele próprio.
Viver com Justiça é comprometer-se com melhorar as vivências de todos os injustiçados, sejam de que natureza forem.
As situações de injustiça que mais nos impressionam são: a fome, enquanto se estraga comida; a guerra, enquanto se fala tanto de paz, mas de paz exterior, que não sai do coração; a falta de emprego, enquanto há tanta gente com empregos duplos; os salários muito baixos, enquanto há salários altíssimos; a falta de apoio a doentes e idosos, com consultas e medicamentos muito caros e reformas sociais muito baixas, enquanto há reformas enormes onde quem delas usufrui pode estragar dinheiro à vontade; as críticas aos drogados e outros marginais, que na quase generalidade dos casos tiveram berços muito maus, não só por falta de dinheiro mas também de carinho, afecto, compreensão, aceitação dos seus defeitos ou qualidades... e em grande parte, são provindos mesmo de famílias abastadas e bem conceituadas...
Fazer Justiça é impedir todas as situações que não deixem o homem ser “Homem” realizado e feliz.
Porque foram proclamados e aceites os DIREITOS DO HOMEM, com leis que não podem ser violadas e o são a toda a hora, muitas vezes, mesmo inconscientemente?
Denunciar desigualdades sociais e materiais que levam à escravidão, o máximo da injustiça, que além de retirar aos outros os bens, também os priva de liberdade e dignidade, é ser justo e lutar contra a injustiça no mundo.
Ao lutar pela Justiça Social devemos considerar que os bens materiais ou espirituais devem ser dados a quem deles necessitar para que todos possam sobreviver dignamente. E mais ainda: tudo o que cada homem possui, na realidade, não é pertença sua. Ninguém tem culpa de nascer onde nasceu, portanto, deve ter presente que tudo recebeu de Deus; e, assim sendo, tal como Jesus se entregou para defender toda a comunidade das mais diversas formas, deve entregar os dons de que foi dotado também a favor da comunidade, tomando um compromisso capaz na construção da felicidade de todos.
Para chegar à vivência da justiça, cada homem deve “amar os outros como a si próprio”, procurando incansavelmente o que é melhor para o bem comum, pensando nos que não têm dinheiro e bens materiais, ou nos que, de qualquer outro modo, sofrem às mãos dos outros homens.
O homem é um ser social, terá de procurar a Justiça e elevar-se, dando-se aos outros; ou, então, não terá Amor e para nada lhe servirá a vida. “Amor e Justiça... são inseparáveis”.
Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"AMOR... É LIBERDADE "

Na luta constante da vida, sem tempo para parar, nem sequer nos apercebemos da grande importância dessa mesma vida, para nós mesmos, e para o nosso semelhante. É por isso que chateamos tanto os outros e nos auto-destruímos constantemente com arrelias e nervosismos inconcebíveis a quem dá à vida o seu verdadeiro valor.
Para chegar a esta conclusão, como qualquer ser humano normal "do meu tempo", tive que percorrer um longo caminho e de me debruçar seriamente sobre o tempo passado e o tempo presente; este, que se pode considerar uma fase de transição, pois nota-se que a sociedade está a operar uma mudança de comportamento constante. Espero bem que a escola da vida, com a grande sabedoria que nos traz, sacuda duma forma especial o coração de cada um para que tudo possa ficar diferente com a maior rapidez. Então acontecerá que, o que dantes nos era muito difícil, fará parte de nós mesmos, e será tão natural como dormir e acordar. Esta linguagem pode ser descabida, mas com uma breve exemplificação, veremos que não é.
Na época em que fui criada, pregavam-se muitos valores humanos, mas, pelo que a vida me ensinou... havia muito poucos. Os ricaços, normalmente, possuíam muitas terras que, salvo raras e boas excepções, eram cultivadas por pobres mal pagos para quem a luta pela sobrevivência era deveras penosa. O rico e o pobre, na generalidade, não se consideravam "irmãos", mas um tinha supremacia sobre o outro: nuns criavam-se hábitos de mandar e ser arrogante para conseguir dominar os trabalhadores e ser respeitado; noutros, a obediência e submissão sem limites eram necessárias para angariar os meios de subsistência, eram mesmo a única forma de salvação pessoal e da família. E os que não tinham idade ou saúde para trabalhar, a viver da caridade alheia, sem instituição alguma nem nada que os protegesse... não é dificil imaginar o quanto sofrimento e dor. Socialmente, valia quem tinha... terras ou dinheiro. Os restantes, podiam ser "grandes cabeças" e "grandes homens", mas a falta de berço não os deixava chegar a lado nenhum, pois era difícil alguém reconhecer-lhe o valor. É de recordar que o regime de ditadura em que se vivia favorecia toda esta estratégia de vida.
A palavra liberdade estava banida do vocabulário e, mais ainda, da maneira de viver. Os "senhores", na sua maioria, eram escravos dos seus comportamentos desumanos; os trabalhadores, obedecendo por necessidade e quase sempre com muita revolta contra a sua precária situação, que poderiam pensar?!... Que triste forma de vida!... Onde estaria a liberdade deste povo?!...
Actualmente, não se pode dizer que tudo mudou, mas que tudo vai mudando, devagarinho. Continua a haver diferenças sociais, sempre as houve e sempre as haverá... mas, pelo menos, tenta-se que a verdadeira educação assente na compreensão e aceitação mútua de cada qual como é, com os seus defeitos e qualidades, com a sua abundância ou necessidade... e, muito embora precariamente, vão-se dando oportunidades de serem reconhecidos os dotes morais e intelectuais de cada um, venham de que estrato social vierem, promovendo entre todos um "amor sincero e duradoiro", base de toda a "Liberdade" humana.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sábado, 15 de novembro de 2008

ESTÁ MAU... NÃO! ESTÁ BOM!

As intempéries da vida actual levam-nos a dizer com a maior naturalidade: “Está mau”!... Sem sombra de dúvida que o que não faltam por aí são asneiras: algumas pessoas podres de ricas... e muitos milhões delas a morrer à fome; umas quantas já bem abastadas atarefadas em engendrar formas de enriquecer mais a qualquer custo... e muitos milhares desgastadas na procura de meios de sobrevivência condigna; umas sem vontade de trabalhar... outras sem ter o que fazer; meia dúzia empoleiradas nos seus gabinetes entretidas no fabrico de leis na maior parte das vezes alheias ao que verdadeiramente se passa no exterior... muitas outras a criticá-las... e quase toda a gente a cumpri-las porque não lhes é dada outra alternativa; os nossos filhos e amigos desterrados por esse mundo fora... e montes de desterrados que se metem por Portugal dentro muitos deles para andarem por aí desempregados e feitos pedintes; vândalos à solta... cidadãos e polícias amedrontados... tribunais a abarrotar; pessoas aposentadas e com um outro emprego... e aumento de desempregadas; as sortudas que conseguiram chegar a cargos de relevo a ganhar milhares de euros... ao lado de salários mínimos miseráveis e certas reformas que mais parecem esmolas!...
Ena!!!... E que estou eu para aqui a dizer?
Mas, a bem da verdade... se fossemos a enumerar tudo quanto nos aflige... cansaríamos as letras, não teríamos palavras, e gastaríamos todas as reservas de tinta! Basta olhar para o que se passa nas Escolas... na Segurança Social... na Saúde!...
Bem! Se olharmos o mundo pela negativa vamos constatar que está tudo numa verdadeira calamidade.
Mas... é melhor não ir por aí... negativismo, não! É melhor não entrar no jogo feio de quase toda a Comunicação Social que faz um alarido enorme à volta de um qualquer acontecimento menos bom... mas fala de raspão ou simplesmente ignora muitas das coisas boas que existem: inumeráveis Movimentos e Associações de Solidariedade Social com iniciativas mais que louváveis; pessoas que passam a maior parte da vida preocupadas em proteger todo o tipo de pobreza; encontros de formação e bem-fazer; festas feitas com muito amor para acariciar desprotegidos... sei lá quantas coisas mais!...
Ui!... Que horror! Afinal, ao recordar o mal eu vejo um montão de coisas erradas... mas quando tento descobrir coisas boas tenho dificuldade em encontrá-las!...
Há dias um amigo aconselhou-me a recordar e escrever todos os dias cinco coisas agradáveis. A princípio foi difícil, agora... já encontro mais de cinco coisas agradáveis por dia!... É que os pensamentos positivos procuram ver o lado bom dos acontecimentos e levam-nos a encontrar situações positivas em nós e nos outros, e, consequentemente, a dizer que “está tudo bom”!...
Preocupar-nos em sermos positivistas será um bom começo para ajudarmos a melhorar o nosso mundo... pois se o “homem sonha, a obra nasce”! Então, mãos à obra!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

domingo, 9 de novembro de 2008

TESOUROS NA NOSSA EXISTÊNCIA

"Um bom amigo é um tesouro!" Já tivemos oportunidade de aprofundar esta realidade e de ver como temos necessidade de, pelo menos, tentarmos possuir as qualidades de bons amigos, para a harmonia e felicidade de todos. Hoje vou tentar desvendar um pouco do que penso acerca dos tesouros que deve possuir a vida de cada um.
Dotada de corpo e espírito, cada pessoa humana é como que um duplo ser: um, o que se vê claramente e que constitui o seu retrato físico; outro, é o que cada um sente mas que está escondido aos olhos de quem observa, é o que se chama de retrato moral. Então, enquanto uns dão todo o valor ao seu aspecto físico, exterior, tratando-o com todas as implicações que isso acarreta, outros, ao contrário, valorizam mais o cultivo das qualidades interiores que só o sentimento de um coração atento pode desvendar e sentir. Assim sendo, cada um de nós, conforme seus gostos pessoais e as qualidades de que foi dotado pode enriquecer a sua existência com tesouros muito diferentes: uns, temporais, que o tempo desgasta e corrói; outros, morais, que o decorrer da vida torna cada vez mais eficientes e perduram para além da morte. Nos primeiros, podemos incluir a satisfação pessoal através dos bens terrenos que geram a opulência que, normalmente, trata muito bem do aspecto exterior, mas quase sempre leva ao desespero e à insatisfação; nos segundos, incluiremos os que valorizam mais as suas boas acções que, embora muitas vezes sejam ignorados e incompreendidos, fazem gozar de alegria perfeita porque esses valores da vida nada nem ninguém pode roubar, e, quando cultivados a preceito, tendem a ser cada vez maiores.
Agora, pergunto: Onde me situo eu? Onde se situa cada um... nesta vida dupla que, quer queiramos quer não, faz parte de todos nós?... Quais serão os tesouros que valorizamos nesta nossa curta existência sobre a terra? Os tesouros na vida de cada um, existem, embora possam ser tomados em conta de forma igual ou oposta, uma vez que todos os seres são diferentes uns dos outros.
Falando mais uma vez da verdadeira amizade nesta época tão propícia ao seu desabrochar, perante o atrás descrito, não podemos ter ilusões!... A verdadeira amizade, pode ter algum suporte nas nossas riquezas temporais, é um facto, necessitamos de bens para viver, ninguém pode viver sem eles. Mas, se o repartir dessas riquezas não partir da riqueza do coração, o verdadeiro amor que levará à união e paz do mundo nunca chegará a existir.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

COMBATE AO STRESS – “90 – 10”

Hoje, levantei à hora habitual... fiz os meus trabalhos habituais... e vim junto do computador para abrir o correio electrónico, o que, neste horário, não é habitual. Mas, nada acontece por acaso!... Há dois dias um amigo enviou-me uma mensagem com um anexo intitulado “90-10”, que me despertou a curiosidade, e como o tempo estava escasso, deixei-o para ocasião mais oportuna. Abri-o agora mesmo, e acho que o devo partilhar. É uma chamada de atenção para o auto-controle como forma de combate ao stress.
A necessidade urgente de treinar cada vez mais o auto-controle para evitar mal-entendidos, mágoas desnecessárias e confusões, já não é novidade para ninguém. Mas eu desconhecia... imaginem... que às coisas inevitáveis que nos acontecem normalmente, ou seja, a um café que um filho ou alguém entorna e nos obriga a ir a correr trocar de roupa na hora de sair ou a ficar sujo na rua, um semáforo que não sai do vermelho, uma fila de trânsito que não desenvolve, uma operação stop que nos obriga a parar, um pneu que fura, uma manobra perigosa que nos prega um susto, uma palavra gesto ou expressão inadequadas que se nos deparam a cada instante... enfim... a toda essa enormidade de situações que normalmente pensamos serem a causa de todos os nossos distúrbios do sistema nervoso... a elas todas juntas... todinhas mesmo... dão apenas somente o valor de “10 numa escala de 1 a 100”!... Assim sendo... ficam os restantes “90 por cento a serem culpa exclusiva da nossa falta de controle”!...
Contra factos, não há argumentos!...
Perante estas percentagens... onde ficam os nossos “egos”... sempre cheios de razões e prontos a despejar todas as culpas dos nossos nervosismos nos outros???...
Sim... nos outros... porque o dizermos aos outros e a nós mesmos que somos nós próprios os quase únicos culpados, não tem piadinha nenhuma... não tem!...
Pensei... e voltei a pensar... de olhos postos na explanação da mensagem recebida! Lembrei todas as minhas formas de actuar... que afinal são as únicas que eu posso reconhecer e ajuizar uma vez que não me é dado penetrar no interior das pessoas que me rodeiam e que são livres e responsáveis pelas suas próprias acções! Lembrei que já não recordo a data em que comecei a tentar a sério fazer um auto-controle das minhas indignações... e recordei ainda as diferenças de relacionamento que essa decisão que tomei implicou nas pessoas que comigo convivem... que me perecem cada vez mais tolerantes, mas na medida em que eu o for com elas... e concluí para mim aceitar as percentagens que, realmente, não devem estar muito erradas!...
Há coisas que acontecem porque acontecem... e muito embora haja sempre uma razão ou culpa para tudo quanto acontece... ao descarregarmos a culpa no presumível culpado ou culpada a única reacção que obteremos dele ou dela será sempre uma revolta desmedida... pois a asneira é sempre feita sem querer, por desconhecer a gravidade da situação ou uma outra coisa qualquer... (não há dúvida de que todos somos peritos em arranjar as mais variadas e convincentes desculpas).
Assim sendo, em vez de recriminarmos... talvez seja muito mais vantajoso para todos solicitarmos calmamente um maior cuidado... pois certamente obteremos resultados bem mais surpreendentes... e sem stress para ninguém!...
Mãos à obra... pelo nosso “90-10”... mas sem nunca desanimar dos avanços e recuos... pois é com eles que nos mantemos em constante aprendizagem nesta maravilhosa escola da vida onde a escalada é difícil! Que haja muito sucesso para todos nós!

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

UM BOM AMIGO É UM TESOURO

"Um bom amigo é um tesouro!" Esta afirmação de alguém, é uma das mais belas frases que devemos ter presente para encontrar uma boa norma de vida. Uma amizade profunda e verdadeira é imprescindível para que cada ser tenha uma vida plenamente feliz e, consequentemente, plenamente realizada.
E, se "um bom amigo é um tesouro", quem não quererá ser, realmente, esse tesouro?!... Com certeza que todos nós.
Quando se fala de "tesouro" fala-se de um símbolo de riqueza; todavia, temos de lembrar que há diferentes maneiras de viver na riqueza.
A riqueza exterior pode ser muito grande, mas é exterior. Pertence a quem a tem e por vezes extravasa; mas, além de poder estar muito distante da felicidade, acaba com o tempo... e muitas vezes mais depressa do que o que se pensa!... A riqueza da amizade, não! Essa é muito especial, perdura para todo o sempre, eleva-nos até às alturas!... Se o bom amigo é o que está presente nas horas boas e más, o que aplaude quando se faz algo bem feito, o que censura humanamente quando se erra, o que ajuda a evitar esse erro, que quereremos de melhor na vida do que ter um amigo assim?!... No entanto... que direito temos a exigir amigos com todas estas qualidades, coerentes e verdadeiros, se não sabemos ou não queremos ser amigos assim?!... É caso para se pensar séria e friamente antes de tomar qualquer decisão, face aos que consideramos "maus amigos" encontrados na vida. Em vez de nos queixarmos de que temos "maus amigos", não seria mais lógico questionarmo-nos de "que tipo de amigos somos nós?" É muito fácil vermos os defeitos dos outros quando eles nos tocam, fraca ou fortemente; mas é difícil ver, admitir e corrigir os nossos próprios defeitos. Então, falamos em ter "maus amigos" ou "bons amigos", mas não falamos de nós.
Vamos pensar um pouco nestas realidades... e olhar, bem no fundo, dentro de nós próprios.
A época é propícia à reflexão! Saibamos aproveitá-la e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para termos, de facto, os atributos que desejamos encontrar nas pessoas que nos rodeiam, sejam elas mais ou menos amigas, não importa। "Nunca faças aos outros o que não queres que os outros te façam!" Esta frase tão conhecida, é uma afirmação muito correcta, maravilhosa, que implica muita compreensão, muito amor, muito carinho, muita dedicação. Vamos tentar pô-la em prática, ainda que seja em coisas pequeninas. E não esqueçamos que é na perfeição das mais pequenas acções que se pode observar a grandeza de cada ser humano. Aproveitando capazmente a aprendizagem constante da escola da vida, esforcemo-nos sempre por sermos cada vez melhores, para que toda a Humanidade o seja também.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

AMIGOS... SEMPRE, E CADA VEZ MAIS!

Penso ser pertinente continuar a falar deste tema inesgotável. Nesta época, mais do que nunca, a palavra "amigos" deve estar presente no nosso quotidiano, em toda a nossa vida e, mais do que tudo, bem no fundo do nosso coração.
Acabaram-se as folias das Férias. Entramos em mais uma caminhada para a verdadeira vida de trabalho e canseiras. É um ano muito especial, Ano Santo de graças e bênção, pois faz 2000 anos que S. Paulo nasceu, facto importantíssimo que este "Ano Jubilar" que se vive nos vai recordando dia após dia.
Se na nossa condição "Humana e Cristã" devemos ter presente, ininterruptamente, "O Grande Amigo" que S. Paulo pregou e vem pregando... agora, mais do que nunca!... Ele é um Amigo, que nunca falha!... Mesmo quando nos dá a sensação de ausência nos momentos difíceis, na hora exacta, quem estiver atento, sente profundamente a carícia da sua bondosa e afável ajuda. E porque não, seguindo o Seu exemplo, continuarmos a aprender a sermos amigos de verdade?
A escola da vida ensina-nos que o tempo passa veloz. E só o hoje, o agora, nos pertence!... Para qualquer coisa, como já referi anteriormente, "amanhã poderá ser tarde"! É caso para pensarmos em lançar mão, de imediato, às ocasiões que se nos apresentem e experimentar a alegria de uma mudança radical de vida, se tal for necessário.
Para quê tantas incompreensões, tantas chatices, tantos ódios... tantas divergências? Não podemos continuar a sentir mágoa para com quem não pensa como nós! Teremos, sim, de averiguar a razão das diferenças, tentar colocar-nos no lado oposto para analisar e interiorizar a situação friamente, e assim podermos ver qual será o lado certo... e se será, de facto, o nosso lado. A falta de conhecimento de causa e de humildade para aceitarmos as opiniões recebidas, leva-nos a que fiquemos sentidos e criemos um mau ambiente familiar, de trabalho, ou mesmo de âmbito mais social.
A vida é, toda ela, feita de pequenos nadas; e são todos esses pequenos nadas, bem aproveitados, que dão grande valor à vida. Saibamos viver plenamente os bons ou maus momentos, e tirar deles as ilações necessárias para nos tornamos cada vez melhores, mais dignos, mais humanos e, consequentemente, mais amigos!...

Hermínia Nadais
Extraído de uma crónica publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

AMANHÃ PODERÁ SER TARDE!

Voltando ao assunto do tema anterior em que falávamos de "amigos", foi com esta frase que o terminamos.
"Amanhã poderá ser tarde"! Sim, poderá ser tarde para muita coisa. Há um ditado popular que diz: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". A Escola da vida diz-nos isto mesmo. Tantas vezes fazemos planos maravilhosos, e acabamos por não ter tempo para eles... É porque em alguns casos deixámo-nos levar pelo ditado oposto: "O que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se ao outro dia"!... Mas, este, nem sempre resulta.
Em matéria de amigos, de amizades, não há mesmo tempo a perder.
Todos nós, sem excepção, temos muito para fazer. Uns mais que outros, entenda-se, e pelas razões mais variadas.
Como seres sociais que somos, é um absurdo pensarmos algum dia viver isolados. Necessitamos de alguém que nos rodeie. Precisamos de sentir por perto alguma compreensão, algum carinho, algum calor humano... Eu digo "algum", para não dizer "muito", pois quanto mais rodeados estivermos destes bens essenciais a qualquer ser vivo, melhor. "Qualquer ser vivo..." sim, porque até os animais, pelos comportamentos apresentados por grande parte deles, gostam, sentem necessidade de outros animais para lhes fazer companhia. E mesmo as plantas... conheço muitas sementes que não nascem nem produzem fruto algum se estiverem sós. Se começasse a dar exemplos, era um nunca mais acabar.
Assim sendo, como é possível ouvir-se dizer: "Sozinho, ou sozinha... é que estou bem"!... É uma verdade, que temos necessidade de estar sós inúmeras vezes, mas um pouco, um pouco só... para pormos os pensamentos em ordem, para pensarmos no que deveremos fazer na própria vida, para nos concentrarmos melhor em algo que queiramos fazer. Mas, por incrível que pareça, mesmo nos momentos em que estamos sós, por nosso gosto e prazer, estamos sós só corporalmente. Reflectindo um pouco sobre esses pouquinhos de vida, verificamos que, mesmo neles, temos presentes os exemplos, os gestos, a voz, as palavras das pessoas queridas. Elas servem-nos de alento e são, muitas vezes, a base das nossas reflexões e da nossa mudança de vida.
Ao falar de "pessoas queridas" dá a impressão que estou a excluir aquelas que não vão muito com as nossas ideias e até nos magoam e contrariam, mas não. As pessoas são sempre queridas, podem crer. Ao pararmos para pensar, todas as atitudes que nos rodeiam servem para tema de reflexão. É natural e humano que se sinta um prazer muito maior ao lembrar aqueles que nos são muito queridos, que comungam das nossas ideias e nos servem sempre de alento e conforto. Mas, as pessoas que nos contrariam, temos de reconhecer que nem sempre estão erradas! Temos de tentar compreender as suas razões e não ver só mal no seu comportamento. Lembremo-nos de que o nosso amigo nem sempre é o que está só do nosso lado, mas sim aquele que nos leva a ver as coisas como são, mesmo que isso custe a aceitar. E se for o caso da pessoa que nos magoa ser mesmo maldosa, porque não tentar recuperá-la, desculpá-la, e arranjar maneiras de lhe mostrar que não tem razão?... Se somos seres sociais, porque não tentamos dialogar, aceitar, respeitar, mostrar as nossas convicções e arranjar formas de inverter as opiniões dos outros quando estamos certos do seu erro?
Se assim fizéssemos, como tudo seria diferente!...
Falar de amizade... de amigos, é bom, mas é tema difícil de esgotar.

Hermínia Nadais
Publicado no Notícias de Cambra

sábado, 11 de outubro de 2008

SEJAMOS FELIZES!...

Quando somos jovens deixamo-nos embarcar no querer do coração e depois o remédio é ir encontrando no dia a dia as melhores formas de convivência.
Meu cara metade satisfaz-se a correr mundo... eu prefiro a pacatez da vida quotidiana junto da família e amigos. Não há remédio senão contornar a situação: ele fica e ficamos os dois... eu vou e vamos os dois... ou ele vai sozinho passear e eu fico em casa.
Assim, tem feito algumas viagens turísticas combinadas entre nós... e outras que inventa sozinho com os amigos e depois me dá a saber, a última das quais três semanas a Moçambique e África do Sul com um amigo.
Perante esta... não consegui conter-me e mostrei o meu desagrado.
Como era de prever... disse que não queria deixar o amigo sozinho, razão porque não desistia da viagem. No entanto, para mim, o renunciar à viagem estava fora de hipótese. Se quer ir, vai... e o melhor é fazermos poucos telefonemas porque temos tempo de falar depois.
Não há dúvida que a única forma de se conseguir alguma felicidade é procurar ser feliz sozinha... e foi assim que eu fiquei feliz sozinha porque para mim ele também ia feliz sozinho.
Os dias foram rodando com uma mensagem de vez em quando. Entretanto... estará bem... não estará... fazia isto... dizia aquilo... tenho que ir aqui... ali... acolá...
Nesta amálgama de pensamentos saem uns poemas que lhe são dedicados.
Ele chegou! Eu estava à espera!
A princípio olhamo-nos sem dizer palavra! E o inesperado aconteceu.
Afinal, na ausência, descobrimos mais pormenorizadamente as qualidades um do outro, e de tal modo que a partilha não se fez esperar.
Nunca pensei, nesta altura da minha vida, dizer o que disse nem ouvir o que ouvi!!!... Parecíamos dois jovens! E concluímos os dois que todos os casais deviam ter um tempo, assim, longe um do outro, para terem possibilidade de se encontrarem, depois, muito mais realmente!...
Não tenhamos ilusões! Quando estamos bem próximos, normalmente, temos aptidão para ver mais os defeitos; mas na ausência as qualidades ressaltam mais vivas ao nosso pensamento e nós conseguimos ver o que doutra forma nunca enxergaríamos.
Quantas críticas ele já recebeu por andar sozinho... e quantos e quantas me recriminaram por não o acompanhar. Não critico ninguém, pois cada um tem a sua razão.
Quero que estas minhas letras soem bem pertinho dos vossos ouvidos de modo que ninguém mais oiça... assim como um... segredinho mágico!
O verdadeiro amor não pode prender ninguém... pois nunca ninguém é feliz à custa dos sacrifícios de outra pessoa. Quando dizemos que amamos alguém... só amamos a sério se procuramos com todas as nossas forças dar à pessoa amada toda a felicidade possível, nos pequenos ou grandes gestos da vida.
Sejamos felizes... hoje... amanhã pode ser tarde!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

SERÁ QUE TEMOS AMIGOS?!...

Quando chegará a hora em que as pessoas, ao contrário de se magoarem umas às outras, começarão a ser, de todo, compreensivas e tolerantes?!...
Não sei, e penso que nunca poderei saber. Melhor: Será que algum dia isso irá acontecer? Temo bem que não.
Neste mundo de incertezas, o relacionamento inter-pessoal é cada vez mais complexo. O desenvolvimento económico não foi acompanhado pelo desenvolvimento socio-cultural e há muita falta de verdade na vida que levamos.
Por mais que se fale em que cada um deve ser quem é, e como é, em grande parte dos casos, a realidade é bem outra. Cada um procura mostrar uma boa imagem exterior de si mesmo. E, o seu cunho pessoal... ninguém o sabe. E só no decorrer de uma longa amizade poderá ser descoberto, se o chegar a ser.
E o que será possuir uma boa amizade? Será ter uma pessoa que louva e está ao nosso lado em tudo o que fazemos? Claro que não! Mas também não é uma pessoa que nos contraria constantemente, a toda a hora. É sim, aquele ou aquela que se esforça por conhecer-nos tal qual somos, que nos aceita e entende, que sabe a opinião a emitir em qualquer dos nossos actos e tem coragem de nos dizer o que pensa a nosso respeito.
"Um bom amigo é um tesouro!" - disse alguém!... Afirmação mais correcta, não conheço.
Mas... como quereremos ter amigos se talvez, quem sabe, não o saberemos ser?
Neste tempo que deverá ser de mudança para melhores atitudes a todos os níveis, questionemo-nos: - Será que temos amigos? Será que somos amigos?
Se os não temos e se os não somos, algo está errado। Há que remediar... aprendamos, enquanto é tempo. Não esqueçamos que "amanhã" poderá ser tarde.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ETERNAMENTE INSEPARÁVEIS

"Se a sociedade vive em constante mutação, é lógico que a escola, parte integrante da mesma, não possa permanecer sempre igual. Ela tem que evoluir, tem que acompanhar o progresso". Estas são afirmações constantes e realistas que se escutam no dia a dia, principalmente entre as pessoas mais cultas.
Agora, vejamos: A que se deve tanta evolução social? A que se deve o progresso? Donde saem tantos cientistas que, com as suas descobertas, nos tornam a vida cada vez mais cómoda e interessante?
Cada dia que passa se torna mais evidente que "cada um de nós" é um "eterno estudante" e um "eterno professor". Ser "professor" de profissão, não tem nada a ver com este ser "eterno professor"; ser "estudante" que estuda, não tem nada a ver com este ser "eterno estudante". É que o desenvolvimento integral de cada ser depende da sua aprendizagem durante a vida escolar fundida com a aprendizagem pessoal realizada através de toda a sua existência.
Nada melhor para realçar esta realidade como lembrar aqui o velho ditado popular: "O homem nasce a aprender e morre sem saber". Esta é a mais pura verdade.
A referida citação diz: "nasce a aprender"; eu, com tudo o que a vida me ensinou, diria: "aparece a aprender". E isto, porque, interligando a luz da ciência com a nossa experiência, verificamos que o bebé, quando nasce, já traz conhecimentos consigo.
Não vou repetir o que disse anteriormente. Quero fazer, sim, a distinção entre as duas formas de ser professor e as duas formas de ser aluno que, ao fim e ao cabo, estão directamente relacionadas.
Vejamos: O professor profissional, conforme o grau de ensino onde exerce funções ou a especialidade da sua formatura e grau académico, ajuda os cidadãos na concretização das suas aprendizagens específicas, cada um dentro do ramo de ensino onde se prepara para a vida; o estudante é o que, ali, aprende.
O eterno professor é todo aquele que, ao longo da vida, e de qualquer jeito, ajuda a aprender. Por incrível que pareça, um bêbado a cair na rua, leva-nos a aprender que não devemos abusar das bebidas alcoólicas; um amigo que nos falou mal humorado, leva-nos a aprender a ser carinhosos com todos; um bebé que tem uma determinada reacção menos boa, leva a aprender a evitar que tal aconteça; e por aí adiante, era um nunca mais acabar...
O eterno aluno é o que, antes e depois dos bancos da Escola, aproveita todas as ocasiões para interiorizar cada vez mais e melhores aprendizagens.
Neste campo integram-se todas as pessoas possíveis: o bebé que inicia a vida; o lavrador que desenvolve as técnicas agrícolas; o professor que aperfeiçoa os processos de ensino/aprendizagem; qualquer cientista, que vai até aos pormenores de qualquer estudo e experiência que deseje fazer; e, mais... não será necessário mencionar.
Posto isto, que resposta poderemos dar às questões iniciais?
A evolução e o progresso da ciência devem-se, na realidade à Escola. É nela que se faz uma aprendizagem sistemática e orientada, desde a entrada para a pré; faz-se a iniciação e aprendizagem das técnicas de leitura, escrita e cálculo; iniciam-se os estudos mais especializados para a vida, conforme os gostos, apetências e possibilidades de cada um. Mas, esses estudos têm que continuar em constante actualização depois de conseguidos os cursos, é um facto evidente.
Assim o homem é "eterno estudante" e "eterno professor", na medida em que fornece e aproveita, constantemente, as situações de ensino/aprendizagem que são proporcionadas pela vida da escola e pela escola da vida, eternamente inseparáveis।

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Multidões... MULTIDÕES!...

Não sei porquê... mas sinto vontade de partilhar!...
Como já se vem tornando habitual saímos com a auto-caravana para a “Romaria Centenária” do final das Festas da Torreira, à meia-noite do dia seis para sete de Setembro.
Noite do fogo de artifício no mar, era suposto que o trânsito estivesse compacto na saída, mas muito pelo contrário, chegamos por entre uma amálgama de carros e peões cerca das três da madrugada, com duas lindas horas passadas desde a chegada à ponte da Varela até ao estacionamento desfrutando o maravilhoso panorama daquela sociedade agitada onde as noites foram os dias para milhares de jovens que se espalhavam por ali e se apinhavam ao longo da praia entre o palmilhar nocturno das areias bem junto às ondas e as petiscadas nos bares bem despertos da zona, ao som das suas músicas favoritas atroando os ares a distâncias consideráveis até cerca das nove da manhã, hora em que tudo para eles adormecia.
Nada de desacatos... nada de confusões. Animação perfeita.
A “feira”, nas ruas principais, bem agradável à vista e à bolsa.
A noite seguinte trouxe o fogo de artifício na ria, espectáculo ímpar observado por centenas de milhar de pessoas de todas as idades, credos, cores e condições.
No final, tranquilamente, os veículos esperavam o brando movimento da multidão compacta desde bebés dormindo placidamente nos carrinhos aos mais idosos agarrados à pouca força da vida. Com o maior respeito mútuo que se possa imaginar, como corrente de água tranquila deslizando em terreno plano, encaminhavam-se para aplaudir a artista que os esperava e com quem foi estabelecida uma calorosa intercomunicação. A igreja, meigamente aberta, convidou alguns a entrar.
Espectáculo lindo de se ver... e melhor de se sentir!
No termo das festas foi chegada a hora de agraciar os patronos da localidade: a Natividade de Nossa Senhora ali invocada como Senhora do Bom Sucesso, e o jovem Mártir S. Paio. Foi junto à sua minúscula capela que D. António, Bispo de Aveiro, ladeado por nove Presbíteros e um Diácono, todos da região limítrofe da Torreira e conterrâneos do Pároco daquela comunidade, Padre Abílio Araújo, presidiu à Eucaristia. O Padre Abílio foi incansável na vigilância apertada de todos os momentos e intervenientes na celebração, deslocando-se rapidamente em todas as direcções tal como criança atenta e curiosa repleta de sorrisos amáveis e gestos encantadores.
Antes do início da procissão orientou as pessoas no cumprimento de promessas a se colocarem entre os onze andores que os restantes fiéis deviam ladear, pois atrás da música não deveria ir ninguém.
Um facto curioso é que duas senhoras de tronco bem descapado alternavam entre si a posse de um bebé vestido de anjo... que o Padre Abílio olhou inúmeras vezes... mas carinhosa e meigamente!...
D. António agradeceu o maravilhoso trabalho do Pároco e de todos os que com ele colaboravam; acarinhou o clero presente, as autoridades, o povo residente e os visitantes, lembrou os emigrantes, os falecidos, as comunidades vizinhas; chamou todos os padres presentes pelos seus nomes próprios; enumerou factos concretos da vida social da forma mais simples e elucidativa, sem restrições a nada nem a ninguém.
Na participação na Eucaristia aglomerou-se uma numerosa multidão... e uma multidão ainda maior fez cordão nas bermas das ruas na direcção da igreja.
Durante o trajecto da procissão, os comentários que inevitavelmente ouvi são de um povo que vagueia sedento de algo que não sabe como encontrar. Talvez... quando houver mais coerência nos que se dizem católicos e todos os nossos Bispos e Padres tiverem a linguagem e comportamento do D. António e do Padre Abílio, as pequenas “multidões” se possam tornar em grandes “MULTIDÕES”!...
Não podemos iludir-nos! As palavras só convencerão... quando provindas do coração da vida!...

Prof. Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PROFESSOR... SUPORTE DA ESCOLA

Uma escola de vida, de forma alguma pode prescindir da vida da escola, e vice-versa. Esta verdade já foi analisada o bastante para estar de todo compreendida e aceite. Mas, imaginar, investigar, perguntar o que será a vida da escola, é uma prática cada vez mais corrente. Por incrível que pareça, nestes casos, as respostas obtidas são omissas na quase totalidade das situações. E acontece assim porque os conceitos e as realidades da palavra "escola" confundem-se de tal forma que barram as respostas às mais múltiplas questões.
Vulgarmente chamamos "escola" a um edifício onde circulam todos os intervenientes num determinado processo educativo, ou seja, onde circula uma comunidade escolar. Pode ter boas ou más condições, albergar crianças, jovens ou adultos, facilitar ou dificultar a vida de quem ali trabalha, mas só. Porque, o edifício não é "escola"!... É, sim, um espaço escolar. A escola necessita desse espaço para ser implantada... mas não é esse espaço, é a vida que ali jorra com abundância, que ali respira com toda a força de seus pulmões. É uma vida muito activa e muito fugaz. Dentro dos espaços escolares vive-se com uma intensidade tão forte que nem dá para compreender.
Comecemos por interiorizar um pouco desta vida reflectindo nalguns modelos de professores, "suportes da escola", cujos comportamentos podem bem fazer parte do conhecimento imediato de muitos leitores.
Os professores, se o são por vocação e não pela troca de conhecimentos por dinheiro, são uns eternos estudantes, ávidos de aprender. Podem apresentar claramente expressões físicas do cansaço causado pelo rodar dos anos, mas continuam jovens de espírito, à procura de novas descobertas, de novos saberes, e prontos a partilhar tudo com todos, principalmente com os seus alunos com os quais se misturam e confundem com a mais relativa facilidade.
E confundem-se, porquê?
Porque o professor não ensina, o professor tem uma formação específica que o leva a descobrir formas cada vez mais práticas para ajudar a aprender. O professor que se preza, vive, no dia a dia da sua profissão, o seu tempo de estudante. Ele valoriza o trabalho e o esforço do aluno, porque vai sendo, indefinidamente, um aluno... entre alunos. E desce às suas cadeiras para, juntos, desfazerem as dificuldades que existirem e descobrirem novas aprendizagens. Admite que não é portentor de toda a sabedoria e deixa transparecer ao aluno a realidade de que a vida é uma aprendizagem constante que devemos aproveitar até ao fim da sua existência.
Será alguma vergonha um professor admitir que o seu processo de enriquecimento de saberes é constante e inesgotável, e que muitas vezes "cresce" com o próprio aluno? E quanto se aprende com esses jovens, com essas crianças?!...
Um professor que assim não for, que não conseguir ser esse "estudante permanente e atento", é um ser parado no tempo e que o tempo ultrapassará com rapidez. Deixa de ser professor para ser disco riscado, que de ano para ano, repete a mesma matéria sem alteração de métodos ou mudança de atitudes. E o pior é que nestes casos, normalmente, julga-se muito importante, não aceita sugestões. Sobe ao estrado para falar, e o insucesso escolar... é sempre culpa do aluno. A relação ensino/aprendizagem perde toda a sua beleza e interesse, e cria-se uma situação de cansaço para as duas partes: para o professor porque, desfasado e obsoleto, não consegue cativar e despertar a atenção do aluno para os objectivos propostos para o seu desenvolvimento; para o aluno, porque se torna incapaz de se interessar pela aprendizagem, de se integrar na vida escolar, de conseguir aprender.
Que há alunos muito difíceis e com culpa no fraco rendimento escolar... sempre os houve, e haverá!... Mas, sejamos sinceros... Na maioria dos insucessos normais, embora haja cada vez mais agentes a procurar sofregamente meios para os combater, ainda teremos que admitir, com muita mágoa, que há intervenientes no processo educativo muito mais culpados do que a grande maioria os alunos. Quem, e porquê, é caso para pensar, continuando a análise de muitas coisas curiosas... e pouco visíveis.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A ESCOLA... PILAR DA SOCIEDADE

Uma sociedade, é o que forem os seus cidadãos!
Uma escola, é o que forem as leis que a regem, os seus docentes, os seus auxiliares de acção educativa, os seus discentes, os seus encarregados de educação, o seu meio envolvente em geral!... Inserida numa sociedade, é uma parte integrante dessa mesma sociedade!... E não só é uma parte integrante, como é mais do que isso. A "Escola", mais do que nunca, é o alicerce, é o pilar da sociedade dos nossos dias. Em tempo algum esta verdade foi tão evidente, pois nunca como hoje a "Escola" se projectou tanto na vida das pessoas.
O tempo em que na escola se aprendia a ler, escrever e contar, está cada vez mais distante. Pode parecer descabida esta afirmação, mas se nos debruçarmos um pouco sobre a vida das nossas crianças e jovens estudantes, depressa nos apercebemos desta realidade. Essas actividades são apenas o mínimo que se pode aprender numa escola.
Pelas reflexões que temos vindo a fazer sobre o desenvolvimento económico e sociocultural das populações com todos os problemas sociais daí inerentes, e olhando um pouquinho à nossa volta, vemos claramente que grande parte das nossas crianças é tirada aos laços familiares com poucos meses de vida para ser entregue a amas ou instituições, e que a maior parte das crianças é lançada na "Escola" aos três anos de idade. Nas amas e na escola, passam muito do seu dia. A nossa vida é uma aprendizagem constante. Como não são excepção à regra, essas crianças, durante essa parte do dia, aprendem... e aprendem muito, pois é nessas idades que mais se aprende. Os lugares que frequentarem são uma parte integrante de suas vidas, e essas crianças serão, para sempre, muito do que essas amas ou escolas fizerem por elas. E não podemos esquecer os amigos que as rodeiam, pois esses também têm uma capital importância na sua aprendizagem, boa ou má.
É linguagem corrente que a família é a grande culpada dos problemas que afligem a nossa juventude. É verdade. Não podemos esquecer, de forma alguma, que a família é a grande responsável por toda a educação. Se os pais, deliberadamente, fazem vir ao mundo esses seres tão valiosos que são os seus filhos, devem fazer tudo para que sejam homens competentes e realizados. Mas se a família, só, não pode, e faz delegação dos seus deveres noutra pessoa ou instituição, a partir daí, tem que passar a haver uma cooperação constante entre as partes, pois há uma responsabilidade repartida mas que se conjuga no mesmo fim, o desenvolvimento integral das crianças ou jovens.
O Estado, que dá maior ou menor protecção às famílias e que orienta todos os estabelecimentos de ensino através do Ministério da Educação, tem parte integrante nesta tarefa. Assim sendo, poderemos dizer que o desenvolvimento harmonioso de qualquer ser humano, dependerá da sua família e meio envolvente, e da preocupação que o Estado tiver com esse problema.
As famílias, são o que são, e como são. O meio ambiente é o que forem as famílias.
E as escolas, o que são?
As escolas, nos diversos graus de ensino, serão sempre o que forem as leis que as regem, os seus professores, o seu pessoal.
E onde está o porquê de tanta educação precária, de tanta criança e jovem irrealizado e insatisfeito?
Se as tarefas estão repartidas, ao fim e ao cabo, as responsabilidades terão de estar repartidas também.
Perante isto, quem serão os responsáveis?
A Família? O Estado? A "Escola"? O meio? Ou serão todos juntos, cada qual com a sua quota parte de culpa? E que culpa poderá ter cada um?
Neste início de ano escolar, este tema, pode bem ser objecto de futuras reflexões।

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PALAVRAS, LEVA-AS O VENTO!...

"Palavras, leva-as o vento"!... Elas só têm valor quando ligadas a actos conscientes e responsáveis que ponham em evidência, nas realidades da vida, as afirmações e convicções de quem as pronuncia.
"Trabalhar para a construção de um mundo melhor" é frase corrente na linguagem de todos os cidadãos.
Falar é fácil!... Fazer da própria vida um meio de construir esse "mundo melhor" é difícil, delicado e controverso. Mas é o mais importante, urgente e necessário, não só para a integração social e realização pessoal de cada um, mas também, e mais ainda, para o desenvolvimento comunitário, para a paz e unidade entre os povos, as nações, o próprio Mundo. Discernindo o mais conveniente, caso a caso, entre o apelo à emoção ou à razão, cada um, em espírito e verdade, deve tentar descobrir a forma de conjugar estas duas forças em todas as situações ao longo da sua existência, de forma a obter cada vez maior respeito por si e pelo seu semelhante.
Ninguém pode dar o que não tem; ninguém pode desejar o que não conhece; ninguém pode usufruir do que para ele não existe...
Estas frases, assim soltas, parecem desprovidas de sentido; no entanto, estão directamente relacionadas com muitas realidades.
Os comportamentos sociais de qualquer comunidade são transmitidos de pais para filhos, de avôs para netos; assim sendo, passam a fazer parte integrante dos costumes e tradições dessa comunidade e de cada um dos seus membros.
Nos nossos dias, existem as comunidades mais díspares, algumas delas com costumes bem bizarros. É só prestar atenção a tantos documentários televisivos... E quanto mais primárias, mais difíceis de compreender e mais tenazes na defesa ou ataque. E todas lutam por valores que pensam ser os melhores.
Isto verifica-se desde os membros dos clãs às inúmeras religiões ou crenças, partidos políticos ou associações...
O reconhecimento do valor do ser humano em toda a sua plenitude e com todos os seus dons: carinho, amor, tolerância, compreensão... é apanágio dos seres mais cultos. Poderemos dizer que "cada povo tem a sua cultura", e é uma verdade; mas os valores atrás referidos não são pertença de uma cultura, são universais, devem caber "todos" em "todas" as culturas.
Mas, como podem ser transmitidos se não existem totalmente numa comunidade? Ninguém pode dar o que não tem.
E como pode uma comunidade querer melhorar os seus hábitos, se não sabe como é melhor, se não conhece outra forma de vida além da sua? Ninguém pode desejar o que não conhece.
Se as pessoas vivem em comunidade, e se essa comunidade é limitada nos seus costumes e tradições, como podem ter algo de melhor? Ninguém pode usufruir do que não está ao seu alcance, quando muito, apenas pode lutar por consegui-lo.
Podem parecer absurdas estas afirmações. Mas, se pudermos imaginar-nos nascidos, por exemplo, no meio da amazónia, como seriam as nossas atitudes? De índios, com certeza...
E aqui, dentro da comunidade portuguesa, com toda a riqueza da sua cultura... como seria o comportamento de um professor, o meu caso por exemplo se, ao invés de ter nascido dos pais que tive, viesse ao mundo numa comunidade cigana com todos os problemas que isso implica?
Quanto mais condições sócio-económicas, conhecimentos e capacidades tiverem as pessoas, mais responsabilidades têm na construção de um mundo melhor. Os bens usufruídos devem fazê-las mais compreensivas, carinhosas, pacientes e caritativas para com todos os outros a quem a sorte não concedeu tantas benesses. Usando as palavras, sim, mas não só... pois é preciso lutar contra as nossas más tendências e praticar boas acções.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A VIDA E OS SEUS MISTÉRIOS


Se tudo na vida é mistério até ser compreendido e integrado nos nossos saberes vivenciais, nós, HUMANIDADE, tendemos para o “Infinito” e seremos sempre um mistério até sermos definitivamente integrados “Nesse Infinito” a que vulgarmente chamamos de eternidade ou vida para além da morte física.
As descobertas científicas antes de serem experimentadas e vivenciadas pelos homens também eram um mistério que aos poucos se foi e vai desfazendo. Todavia, o “Ser Humano”, desvendando tantos mistérios, continuará sempre infinitamente misterioso, porque único ser criado semelhante ao seu misterioso Criador.
Assim sendo, as relações humanas, se não constantemente firmadas num íntimo relacionamento de cada homem ou mulher consigo mesmo no sentido melhorar constantemente as suas atitudes em colaboração constante e directa com o Supremo, seja essa colaboração feita como for e chamada à DIVINDADE o nome que chamar, essas relações não terão a mínima possibilidade de serem adequadas ao bem da própria pessoa ou da sociedade onde estiver inserida. O Homem é um ser social por excelência, mas o seu “SER” verdadeiramente “HOMEM” é muito complexo. Cada PESSOA terá de extrair, da sua própria essência, ou seja, dos genes recebidos dos seus progenitores que lhe conferem uma identidade própria única e irrepetível que a distingue de todos os outros seres, e ao mesmo tempo também da sociedade a partir sempre do seu meio ambiente natural (família e amigos), a aprendizagem que lhe convém para o seu melhor desenvolvimento integral que engloba tudo o referente ao seu corpo (visível) e mais ainda a tudo quanto os nossos sentidos não conseguem alcançar e que é sempre o mais importante... o mistério... (invisível e impalpável).
Ainda que gastemos a vida numa constante busca de nós mesmos e na maior ampliação possível de todas as nossas capacidades a todos os níveis ao ponto de chegarmos a pensar ter conseguido o máximo de paciência, compreensão, entendimento, fortaleza, espírito crítico, interioridade, aceitação... sei lá qual o número de qualidades que podemos enumerar... isso apenas poderá dar-nos a ideia, certa ou errada, de nos encontrarmos num maior ou menor nível de auto conhecimento e perfeição, mas não nos levará nunca a deixarmos de ser um mistério... para nós e para os outros. Quem nos rodeia nunca poderá ter acesso ao íntimo do nosso ser, pois por mais que lhes abramos todas as portas do coração e nos esforcemos por lhes mostrar claramente todas as razões das nossas atitudes de modo a poderem sorver o que realmente somos, nunca conseguirão descobrir devidamente a nossa realidade pessoal. A esta parte, teremos que lembrar que nós próprios somos um mais que gigante mistério para nós mesmos, pois mesmo com uma vida dignificada por um bom relacionamento social impregnado de boas acções ou imbuída de atitudes de oração, meditação, interiorização, autocrítica, doação e amor numa visão muito clara das nossas potencialidades e das realidades que nos circundam no desejo sincero de minorar o sofrimento alheio... num qualquer momento, inesperadamente, num abrir e fechar de olhos, sem saber como nem porquê, podemos voltar a cair em erros passados ou cometer outros ainda piores... situações que acabam por nos provocar humilhações e pedidos de desculpas diante dos homens e ao mesmo tempo necessidade premente de dobrar mais os joelhos perante a misericórdia de Deus, seja Ele chamado com o nome que for ou mesmo sob a afirmação categórica de que Ele não existe.
Nunca conseguiremos resistir à dor da queda nas nossas fraquezas e desvarios se não nos sentirmos acalentados por alguém que nos compreenda de onde sobressairá sempre, e acima de tudo, “ESSE SER ÍNTIMO E SUPERIOR”, tenha para nós que nome tiver.
Um bom ano de trabalho e possibilidades de emprego para quem ainda o não tem.

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Nem só de pão vive o Homem"

Dotado de sentimento e razão, o ser humano pode tomar decisões fortes, firmes e duradoiras, conjugando harmoniosamente e com sabedoria estas duas forças ao longo de toda a sua vida que tem acontecimentos marcantes, uns mais que outros.
Depois de uma integração sociocultural, há a considerar, sem dúvida, a escolha acertada de uma profissão para um emprego que satisfaça as necessidades vitais, que dê independência económica. Para isso fazem-se os maiores esforços: fazem-se consultas a especialistas e testes psicotécnicos para facilitar a escolha de entre os mais variados cursos, pagam-se estudos, pedem-se empregos... É lógico e necessário que assim seja, pois o contrário é que seria inaceitável e incompreensível.
Mas "Nem só de pão vive o Homem!" Não estaremos nós, pais e educadores, a preocupar-nos apenas com uma das partes da vida de uma pessoa? Vejamos:
Antes de ir para o emprego, o jovem sai de casa: primeiro, da dos pais; depois, da dele. E a sua vida, tal como a nossa, rodará entre a casa e o trabalho, com alguns momentos de lazer. E as maiores dificuldades que irá sentir serão, sabemo-lo por experiência própria, a adaptação ao trabalho, patrão e colegas, e a partilha de vida com alguém. Para ser feliz e se sentir realizado, o jovem terá de manter sob controle todas estas situações, ininterruptamente. Para que tal aconteça terá de se conhecer muito bem, interiormente, com os seus defeitos e as suas qualidades... terá de saber analisar capazmente o comportamento das pessoas que o rodeiam para poder compreendê-las e viver em paz com elas e consigo mesmo... terá de saber distinguir uma paixão sufocante e passageira baseada num momento de prazer ou conhecimento superficial, de um amor verdadeiro, profundo, reflectido, que aceita o outro como ele é, com defeitos e qualidades, e está disposto a seguir em frente, contra tudo e contra todos, num projecto de vida em comum.
Enfim: terá que conciliar a estabilidade económica, que é imprescindível, com a estabilidade familiar e emocional, que também o é. No entanto, de uma maneira geral, esquecemos esta realidade.
Que fazemos nós, pais e educadores, pela estabilidade emocional dos nossos educandos? Que conceito lhes damos da vida em sociedade? Que conceito lhes damos da vida em família? Como os olhamos no tempo de namoro? Que lhes dizemos acerca dessa fase tão importante no decorrer das suas vidas?
Meter-se na vida deles, escolher por eles, empurrá-los para onde se quer... não!...
Orientá-los, aconselhá-los, falar-lhes numa vida de respeito mútuo, na dignidade dos valores humanos, no respeito pela vida... dar-lhes liberdade consciente e responsável... sim!...
Temos tendência a preocupar-nos muito com os meios de sobrevivência e estamos certos, mas esquecermo-nos duma coisa muito importante: o trabalho e a família conjugam-se na vida dos seres inseridos na sociedade; o mau ambiente de trabalho ou o fazer o que se não gosta, causa problemas, mas a pessoa acaba por se adaptar e arranjar outras compensações sem prejudicar ninguém, enquanto que no mau ambiente familiar todas as compensações que se possam encontrar vão sempre prejudicar, de qualquer forma, aos dois, e mais ainda aos filhos que não tiveram culpa de nascer.
Educadores e educandos, empenhados em ajudar a construir um mundo melhor, tenhamos presente o quanto é importante, com sentimento e razão, cada um saber o que fazer da própria vida, em espírito e verdade, demonstrando o maior respeito por si e pelo seu semelhante.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 29 de julho de 2008

RECORDAR... PARA VIVER!...

Eu sei que quando um sentimento abrasa o coração, por mais que o queiramos encobrir, ele fura todos os poros do nosso ser! Mas... há momentos em que se torna urgente ir mais além, ainda que para isso tenhamos de pedir perdão a todos quantos não comungam das nossas ideias... é o que eu estou a fazer, antecipadamente.
Há meses atrás, ao receber a revista bimensal “Mensagem” que faz tempo assino, deparei com o anúncio das “Jornadas de Verão para Catequistas e outros Educadores”, um tipo de formação específica da Diocese do Porto, precisa e abrangente, que costumo frequentar a todo o custo. Escolhi o tema que mais me agradou e apressei-me a entregar a inscrição, não fosse, de algum modo, acabar por não poder ir para o tipo de formação que pretendia.
Chegou o momento aprazado. Contra o habitual... nem uma só pessoa da minha terra!... Não me senti isolada! Havia pessoas dos mais variados recantos da Diocese (e não só) a exercer as mais díspares profissões e com diferentes responsabilidades dentro das suas Paróquias, todas irmanadas de um mesmo desejo: espalhar, de algum modo, a Boa Nova de uma Vida de Amor.
O desejo avassalador de querer beber levou-me a tentar conseguir sofregamente abarcar todo o potencial de vivências que me rodearam naqueles três inesquecíveis dias.
Foram já as (minhas) IV Jornadas! Pela novidade pareceram-me as primeiras! Pela qualidade... afiguraram-se-me as melhores. A perfeição exige treino empenho e saber... um bem-haja a todos.
Não vou de modo algum referir-me à maravilhosa formação conseguida, mas à visão harmoniosa do conjunto de tudo quanto pude ver e sentir dentro das minhas limitações.
Para começar, de entre os formandos da sala 205... a única pessoa que cometeu erros fui eu... uma vez que não consegui ver nada de errado em mais ninguém... e éramos um grupo grande.
No final, Domingo, os olhos de todos estavam voltados para a Conferência de D. Manuel Clemente e Eucaristia por ele presidida.
A Conferência foi simplicíssima e eloquente, mas as palavras que mais me tocaram não foram pronunciadas!...
Estava lado a lado com a Drª Isabel (Presidente do Secretariado Diocesano de Catequese), falavam, gesticulavam e sorriam tão naturalmente como dois bons amigos; ele retirou graciosa e amavelmente das mãos de Isabel as cadeiras excedentes da mesa onde se encontravam e dispô-las no auditório para serem usadas pelos presentes, convidando-os a acomodarem-se de qualquer modo; a Drª precisou usar da palavra e ele retirou-se mansamente do ambão e encostou-se calmamente à parede; durante a Conferência falou de coisas muito importantes ilustradas com a partilha das experiências das coisas mais significativas e simples de sua própria vida.
Começaram os preparativos imediatos para a Eucaristia. Foi brilhante e enternecedora a forma como tudo se passou: a encenação do início, durante e no final da Eucaristia; a interacção entre o Sr Bispo e a Equipa do Secretariado (e os demais), alegre, confiante, coordenada, precisa, coesa, coerente, abrangente, presente, activa, organizada e simples. Todos os participantes... tão activos... tão presentes... Muito honestamente repeti para mim mesmo vezes sem conta aquela conhecida frase que se aplicava ao relacionamento de intimidade que havia entre os primeiros cristãos: “ Vede como eles se amam!”
Se me perguntarem se há “Céu”... (mesmo que mais não seja...) só por isto... terei que dizer que sim, pois principalmente nesta Eucaristia vivida na Casa de Vilar... senti-me num “Céu”... limitado... que deveria passar a não ter limites.
Mais uma vez, as minhas desculpas aos desinteressados! Que quem tem ouvidos... me entenda।

Hermínia Nadais

A publicar no “ Notícias de Cambra”

sábado, 26 de julho de 2008

TANTA INSTABILIDADE FAMILIAR...


O desenvolvimento sócio-económico e cultural da humanidade foi ao longo dos tempos, e ainda hoje é, urgente e necessário, mas traz consigo situações inesperadas e de difícil resolução. Desde os primórdios o Homem evoluíu constantemente, e sem parar, vai desbravando os limites máximos da sua capacidade para fazer novas e importantes descobertas no sentido de tornar a vida cada vez mais agradável e acolhedora. No desenrolar de todos esses acontecimentos, tem lutado contra inúmeros problemas inerentes às mais variadas situações: religiosas, políticas, umas isoladas outras em simultâneo; no entanto, há sempre problemas que se sobrepõem a outros. Na actualidade, de entre tantos, um dos mais alarmantes parece ser, sem dúvida, a instabilidade familiar.
Em grande parte das famílias há um "casa" e "descasa" aflitivo.
Por troca de desmedido prazer e bem-estar material perdem-se valores. A aceitação mútua dos seres tal qual se apresentam está a ser cada vez mais difícil. A incerteza do dia de amanhã torna-se uma preocupação constante.
Ao tomar conhecimento de uma nova união de vidas, início de vida a dois, ouvindo o alegre repicar do sino ou vendo os risonhos nubentes saindo do Cartório do Registo Civil, instintivamente surge uma evocação que demonstra claramente a preocupação de cada um em face do bem-estar de todos: "Que sejam felizes!"
E, porquê tal pedido em ocasião tão especial que parece levar a vida a um verdadeiro mar de rosas?!... É que vemos tanto casal em crise, que não queremos de forma alguma que esse seja mais um.
E que dizer de quando há um nascimento?
À partida, é uma grande alegria!... A vida que se transmitiu, faz com que os pais se revejam nos filhos e os avôs nos netos. Mas... por quanto tempo durará essa felicidade?!... Para quantos pais ela será para sempre? Quantas crianças nascidas no meio de tanto amor e entusiasmo crescerão harmoniosa e normalmente no aconchego da sua família nuclear e rodeadas do apoio e carinho da família alargada, conforme o sonho doirado do dia do nascimento? Do nascimento, ou casamento, pois quantas crianças existem cujas concepções foram desejadas pelos pais e já nascem com eles separados... ou quase.
Vivemos o tempo presente da melhor forma, é um facto. E o depois!...
O depois dependerá de cada um dos intervenientes no filme que é cada vida.
Parecem descabidas estas observações, mas são pertinentes.
Somos seres sociais. Tudo o que cada um fizer, quer queira quer não, tem influência na vida do outro. O exemplo, mau ou bom, marca uma pessoa.
Pelo facto, temos que ver o lado bom e mau das coisas que vão acontecendo nas vidas que nos rodeiam para que nos sirvam de lição e chamem à atenção para muitas realidades. E, ao constituir família, ninguém deve ter o ânimo leve, mas parar para pensar em todas as consequências que daí possam aparecer.
O ser humano é muito completo. Ele não pode de forma alguma reagir instintivamente, pois quando o faz, surgem problemas incontroláveis.
O instinto é rápido e impreciso, não pensa. É próprio dos animais irracionais, mas muitas vezes ilude os seres humanos quando estes se deixam enganar pelos sentimentalismos do coração.
O ser humano é dotado de sentimento e razão, e só quando estas duas forças se conjugam com sabedoria e confiança, as suas acções têm possibilidade de serem profundas e doradoiras. Saber-se isto pode ser algo de fácil, mas o pôr-se esse saber em prática, é muito difícil, pois mexe com o íntimo de cada um e obriga a muitas privações e sacrifícios. É difícil, mas não impossível, basta querer e ter força de vontade. Com a experiência conseguida na vida e pela vida, porque a vida é uma escola e é com ela que mais se aprende, veremos como.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 14 de julho de 2008

FÉRIAS... COM DIGNIDADE!...

Os meses de Julho e Agosto são os que mais nos lembram as tão almejadas férias!
Para alguns... muito poucos... são realmente a ocasião de ir ao encontro das mais diversas paragens com o coração cheio da esperança de encontrar momentos férteis de encanto e lazer; para outros, são meses de trabalho ainda mais intenso na ânsia de aproveitar ao máximo proventos extraordinários para recompor ou prover o escasso orçamento familiar de modo a poderem viver mais desafogados o resto do ano; para outros, a maior parte, estes meses não passam de dias de rotina habitual acrescentada de um maior calor pelo menos diurno.
Perante uma panorâmica tão variada das pessoas que nos cercam, em que os ricos são cada vez em menor número mas com as carteiras bem mais recheadas... os pobres aumentam cada vez mais em número e em situações de extrema pobreza... em que já se fala escancaradamente em fome... em que se pode provar que há fome por doenças contraídas baseadas na miséria e pela ocorrência de pedidos de socorro às várias instituições que trabalham no campo sócio caritativo... em que cada vez mais as referidas instituições têm de estar despertas principalmente para a chamada “pobreza envergonhada”, a que esconde a todo o custo as dificuldades sentidas e sofre horrivelmente... é mais que urgente revermos a nossa forma de viver.
É inadmissível falar-se tanto na minimização de problemas sociais... e que estes se nos apresentem cada vez maiores. É preciso pelo menos arranjar pistas que nos levem a tentar acabar de vez com este drama que terá de passar, irremediavelmente, por uma mudança radical de mentalidades.
Para alguns analistas muito razoáveis, a agudização desta situação deve-se a vários factores: a ânsia desmedida do ter que leva as pessoas a quererem comprar tudo quanto vêem ou lhes apetece; a fuga ao sacrifício, necessário e urgente na aceitação do trabalho que se nos apresenta e na sábia contenção das despesas; a busca permanente... e a permanente aceitação de facilidades exageradas principalmente as apresentadas pelas instituições bancárias que já não sabem mais que fazer a tanto lucro e oferecem dinheiro em condições nada razoáveis... lançando na ruína as pessoas mais carentes e incautas; a luta acérrima e desleal pelo poder, que leva a não olhar a meios para atingir fins no sentido de conquistar um lugar de destaque na sociedade; em suma, quase tudo se resume a um “querer mostrar-se superior parecendo ser aquilo que se não é”.
Depois, critica-se o Governo, as Autarquias, a Escola, as Instituições, os Industriais, os Comerciantes, os Patrões, os Empregados, os Amigos e até se arranjam muito mais “Inimigos”... critica-se “tudo” e criticam-se “todos”... normalmente porque, desta forma, não precisamos entrar no verdadeiro campo da crítica... a crítica pessoal à nossa maneira de viver que, cegamente, achamos ser sempre a melhor... porque os culpados dos nossos deslizes, canseiras e preocupações... vistos assim... serão sempre os outros.
Há muitas famílias que se deveriam sentir carentes e que vivem razoavelmente; há outras que não lhes interessa trabalhar... ou então gastam todo o dinheiro nos primeiros dias do mês e passam o resto do tempo a reclamar; há ainda outras que por mais que se esforcem o poço já é tão fundo que não conseguirão sair dele sem alguém que lhes deite a mão.
É hora de começarmos a entrar bem dentro de nós mesmos para podermos avaliar qual é a nossa verdadeira situação... uma forma de podermos ir ao encontro dos outros para ajudá-los... quando mais não for... por um bom exemplo de vida... que é a melhor forma de ensinar a viver... pois de sermões está toda a gente farta!
Desejo a todos um bom período de férias gozado com sabedoria e dignidade!

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 9 de julho de 2008

OS PERIGOS DA SOCIEDADE

O tempo em que, genéricamente, a mulher andava, amargurada, atrás do marido, quase já faz parte do passado. Ainda há casos desses, mas os seus números vão diminuindo tão naturalmente que quase não se dá por isso.
O homem, mesmo sem perder os seus estatutos, reconhece o trabalho duplo da mulher e ajuda-a. O homem e a mulher, lado a lado, acabam por ter vida de trabalho dupla, pois ambos trabalham no emprego e em casa.
Analisando friamente estas novas situações, encontraremos, talvez, resposta para muitas perguntas que toda a gente pensa mas ninguém ousa fazer.
Depois de entregar os filhos a familiares, amas ou instituições, a mulher e o homem saem para os empregos. Sempre ou quase, estes, são em locais diferentes, e, por vezes, bem distanciados. Isto obriga a que, nas idas e regressos dos trabalhos, tenham de ser usados transportes diferentes: colectivos, boleias e veículos próprios que por vezes se multiplicam, há um para o homem e outro para a mulher.
O local de trabalho, conforme seja uma pequena ou grande empresa, é uma pequena ou maior sociedade, mas acaba por ser também uma família... uma segunda família, alargada, diferente, com regras de convivência diferentes, mas uma família. Criam-se muitas amizades: há interesses comuns que é preciso defender; situações em que há necessidade de ajuda e colaboração mútuas; tempos de entrada e saída... ida... e volta... em que se pode falar ou fazer muitas coisas, conviver... E por mais fortes e recatados que sejamos, há sempre um momento em que deixamos transparecer um pouquinho que seja do que nos anima ou aflige: gostos, desgostos, desejos, fraquezas, infelicidades ou alegrias... e começa de haver uma incontrolável partilha de vida que é necessária e útil, mas só quando orientada com sabedoria e precaução, o que na maior parte dos casos não acontece porque as pessoas não estão precavidas dos prejuízos irremediáveis que daí podem resultar.
Quer queiramos ou não, os nossos amigos e colegas de trabalho têm uma enorme influência em toda a nossa vida, para o bem ou para o mal. E ninguém foge a esta realidade. Mesmo nas pessoas que têm o apanágio de gozar de boa inteligência e primorosa educação a todos os níveis, aparecem com a maior facilidade inevitáves dramas. É que há muitas vivências comuns. As pessoas conhecem-se mutuamente... ou pensam que se conhecem, porque conhecer uma pessoa é muito difícil!... Depois, há a tentação de achar "os outros" e as "outras" melhores, mais atraentes e interessantes... E, quando menos pensam, e sem se darem conta, o erro acontece.
E que fazer? Ter vida sentimental dupla ou assumir a nova relação e deixar tudo para trás?
A meu ver, nestas circunstâncias, surgem duas maneiras distintas de agir e que estão directamente relacionadas com a psicologia genética de cada um, isto é, cada um age de forma diferente, porque é, defacto, diferente. O homem parece ter maior capacidade de se relacionar com mais de uma companheira, pelo menos durante algum tempo; a mulher, não, opta quase sempre só pela última relação por lhe parecer a melhor ou mais conveniente.
No final, para qualquer deles, a realidade da vida é bem outra... Na quase totalidade dos casos, as satisfações sentidas e o entendimento perfeito de quando se encontravam às fugidas, desaparece veloz como o vento quando se decidem a levar uma vida a dois, pois os problemas anteriores tendem a repetir-se... A desilusão é grande. Há quem volte atrás, há quem aguente. Mas, se o homem quiser recuar é quase sempre aceite pela mulher e recomeçam nova vida, o que raramente acontece quando o mau passo é dado pela mulher, pois nesse caso, costuma ser fatal.
Tudo se ajeita mais ou menos pelo melhor quando a descendência não existe, pois cada um assume os seus actos e o sofrimento de todos é menor; mas quando a há... paga por alto preço as desavenças e devaneios dos progenitores. Só quem não vive de perto com esses problemas pode passar indiferente.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A MULHER NA SOCIEDADE




A entrada da mulher no mercado do trabalho incutiu-lhe a auto-confiança, desenvolveu-lhe a auto-estima e todas as capacidades, enriqueceu-lhe os conhecimentos, conferiu-lhe um estatuto social aceitável, ao lado do homem, com igualdade de direitos e de deveres. Ora isto era tudo o que se pedia na luta pela libertação da mulher; portanto, tudo estava, agora, no caminho certo, poderíamos pensar, e com razão.
Mas, as coisas não são assim tão lineares. Em tudo o que se faz tem prós e contras, e este caso, de forma alguma podia ter sido uma excepção à regra. É que, quando se luta por alterar seja o que for, costuma ver-se antecipadamente ou de imediato todas as benesses que daí possam advir, mas as coisas menos boas ou difíceis de contornar para serem razoáveis ou melhores, ficam sempre para quando se está já no terreno... e com muitas asneiras feitas... pois só com o detectar dessas asneiras podemos tentar arranjar solução para elas, uma vez que, antes... é de todo impossível... por serem de todo desconhecidas e inimagináveis.
Esta maneira de falar parece descabida; no entanto, analisando bem, podemos averiguar as verdade que há nestas afirmações:
A mulher sai para trabalhar ao lado do homem; este, aceita, pois necessita de proventos para o seu lar. Com o aumento do custo de vida e decadência da agricultura de sobrevivência este é um mal necessário. Mas... chega a casa e fica descontrolado com os acontecimentos.
A educação que recebeu não foi adequada à época. A culpa não foi de ninguém, pois, ao tempo, não se previa que tal mudança fosse acontecer. O homem, não estava preparado para ajudar nas tarefas de casa. E o que é pior ainda é que, em grande parte dos casos não o queria fazer, porque os amigos, os próprios pais ou familiares, se se apercebessem de tal, chamavam-nos de maricas, o que magoava muito a quem se considerava superior para trabalhar numa actividade outrora específica da mulher. E, então, havia que sair até ao café, ler o jornal, jogar umas cartitas e beber uns copos... copos reforçados, pois, diga-se de verdade, só de pensar que a mulher estava ainda a trabalhar e ele a descansar... por não saber executar a tarefa, por má vontade, incapacidade ou fosse o que fosse... ela trabalhava... e ele descansava. Éra uma desumanidade masculina a toda a prova.
E depois?
A princípio, tudo foi bem, mas com o tempo, saturou. A mulher queixava-se, ralhava, barafustava, entrava em stress, ia ao médico... Ele, não aguentava a pressão; e, também, não queria dar o braço a torcer. Mas, acabava por ter de ir ao médico também.
A mulher, cansada e amargurada, não lhe dava as atenções a que ele estava habituado... e também não as recebia... Sentia-se mal, e começava a ter pensamentos esquisitos acerca do marido. E o pior é que, na maior parte dos casos, tinha razão. Ele começava a achá-la distante... e chata... E como ainda tinha tempo para as suas saídas e distracções... não conseguia dar valor ao seu cansaço e indisposição. E acabava por ir, então, procurar outra que o atendesse... mais livre... ajeitadinha, despreocupada, pois... quem sabe? Talvez fosse essa a sua única profissão. Mas ele não se ralava, ou fingia não ralar, o dinheiro chegava, a casa que esperasse. E não lhe fazia diferença nenhuma, era mais mulher... menos mulher. E despistava, ou tentava despistar a situação. E, enquanto que em casa a mulher aguentasse todas as torturas, tudo bem; de contrário, trocava-se pela outra... e pronto. Depois, se a outra não servisse... voltava-se para casa e estava feito.
A mulher, ao ver-se trocada, desfazia-se em lágrimas, e até ia atrás dele para não ficar sozinha... pensava nos filhos, na sua reputação...
Ia!... Esta minha descrição já está realmente ultrapassada. Apresentei-a, apenas, para contar todo o desenrolar da história. Isto acontecia no princípio da mudança, quando a mulher estava a iniciar o trabalho extra-lar. Agora, tudo é um tanto diferente, mas ainda muito mais perigoso e muito mais baralhado. Veremos porquê!...

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

domingo, 29 de junho de 2008

FÉRIAS REPOUSANTES!

Os dias continuam instáveis e motivadores de insegurança, mas a época é de férias! De uma ou outra forma devem ser bem aproveitadas! O ano é longo! O modo de viver cada vez mais difícil! É urgente recuperar forças! Forças físicas, morais, espirituais, todas as forças que nos comandam a vida no todo indivisível que cada um de nós é.
É imperativo que nos disponhamos a aprender a fazer férias repousantes.
As dificuldades sentidas nas bolsas das pessoas é grande! Enquanto se assiste a um aumento desmedido das fortunas já avultadas de meia dúzia de indivíduos em detrimento dos demais que estão cada vez mais pobres e com menos poder de compra, e muito menos do desejado encontro de alguns momentos aprazíveis de lazer, afigurasse-nos que esta época trará muito desencanto e desilusão. Temos que ser engenhosos para sairmos da crise o menos magoados possível.
Somos seres sociais por excelência, mas para aprimorar essa nossa faculdade não precisamos de procurar o ruído ensurdecedor de uma cidade engalanada! Bastar-nos-á o silêncio tranquilo de uma praia semi-deserta onde a frescura das ondas nos delicie o corpo e o canto do mar e das gaivotas nos enleve o espírito! Ou... por que não o desbravar dos montes maravilhosos que nos circundam, onde a brisa suave que balança as folhas enamoradas da doçura do sol nos acaricia o rosto, os passarinhos nos mimam com os seus chilreios e a mãe terra nos presenteia com tantas flores silvestres que nos deliciam o olfacto e preenchem o olhar?
Tanta beleza perdida... na busca de felicidades momentâneas que cansam em vez de dar repouso; nos atraem para fora de nós quando é urgentíssimo que olhemos bem dentro de nós mesmos onde geraremos ou não a felicidade; nos esvaziam bem as carteiras... e deixam ainda mais vazios os corações!...
Na ânsia desmedida de viver, acabámos por perder os melhores momentos da vida, porque não procuramos os lugares de silêncio acolhedor que promoverão o sossego, o descanso, a descoberta, a simplicidade, o sentido de estética, a imaginação, o amor à vida, a solidariedade, a partilha, a recuperação de energias, o verdadeiro encontro (connosco próprios, com o Infinito, com a família, com os amigos, com a natureza), a serenidade e a paz!
Não tenhamos ilusões! Os barulhos desnecessários baralham-nos! Temos que aprender a viver com o que temos, mas se tivermos possibilidade de escolher... que tenhamos a coragem de enveredar por algo que nos proteja e dignifique.
Santas férias!
A publicar no Notícias de Cambra
Hermínia Nadais

terça-feira, 24 de junho de 2008

A MULHER E O TRABALHO



Estávamos na época da decadência da agricultura de produção extensiva, único meio de subsistência da quase totalidade da população.
As actividades agrícolas começavam muitas vezes antes do romper da aurora e terminavam muito depois do pôr do sol. Árduas e pouco lucrativas, levadas a cabo num ambiente socializante, cheio de calma e alegria, perdidas na grandeza incomensurável das nossas aldeias, já não eram modo de satisfação para as necessidades da vida de ninguém.
A emigração, sempre presente na vida das gentes das nossas terras, e que as levava para "além do mar", começou agora a fazer-se, massivamente, mas para a Europa.
Para os que não enveredassem por esta louca aventura, estava chegada a hora da grande acorrência ao trabalho fabril, o outro recurso imediato a ser aproveitado pelos agricultores.
E então, os homens e mulheres que outrora trabalhavam lado a lado sob um brilhante Sol doirado e escutando os cantos suaves das avezinhas na estonteante beleza campestre, eram agora drasticamente separados pela distância assustadora de centenas e milhares de quilómetros, ou, então, pelo ruído ensurdecedor da maquinaria industrial, entre as paredes frias das fábricas que lhes garantiam os recursos de vida.
A mulher deixou de ser a "florzinha de estufa"; o "objecto de adorno ou prazer"; a "procriadora"; a "dona de casa"; a "protegida"... para não ser tocada por ninguém; ou... a "escarnecida" e "humilhada", que para nada mais servia do que para servir o homem e ser sua escrava e da família. Foi-lhe concedido o direito à instrução que até ali lhe havia sido negado, por ser julgado desnecessário. Agora, ela precisava de aprender como o homem, pois, tal como ele, tinha de enfrentar as rivalidades sociais e o mercado de trabalho.
Por força da tradicional distribuição de tarefas entre homem e mulher, esta, passou a ter uma vida profissional dupla, fazendo em casa toda a lide doméstica e exercendo ainda uma outra profissão. Ora, esta nova situação social alterou radicalmente a maneira de pensar e estar na vida tanto do homem como da mulher.
A meu ver, está aqui a génese de quase toda esta problemática sem limites com que a sociedade actual se defronta.
Até ali, o homem sempre teve mais ou menos possibilidades de ter grupos de amigos e ir além da localidade onde vivia, mas a socialização da mulher limitava-se à pequena comunidade do lugar, aldeia ou freguesia. A religião dava opiniões favoráveis para protecção à família e incitava à compreensão e aceitação das dificuldades que fossem criadas, principalmente à mulher. Na escola, o menino e a menina eram separados, por salas ou por carteiras, e nem nos recreios podiam brincar juntos. Os meios de Comunicação Social eram escassos e inseguros. As pessoas conheciam-se bem e tentavam respeitar-se mutuamente. Tudo era favorável a um ambiente de resignação no sofrimento, de aceitação de sacrifícios, de respeito... mas, neste caso, mais da mulher pelo homem... procedimento este que ainda hoje nos tenta perseguir e que com muita realidade podemos apelidar de aberração.
Ora, esta vidinha da mulher transformou-se por demais. Ela iniciou a sua actividade fora da comunidade de origem, familiares e vizinhos... Pode conhecer novos amigos, ouvir opiniões diferentes do habitual, alargar os seus conhecimentos... ver!... e ser vista!... observar!... e ser observada!...
Na escola ou na fábrica, em casa ou na sociedade, ao lado do homem, a mulher mostrou inúmeras capacidades de trabalho e resistência nas tribulações. Estas vivências foram favoráveis ao seu desenvolvimento pessoal e realização profissional em que lhe é concedido reconhecido mérito.
Agora, deixemos para a próxima uma análise mais profunda de todas estas situações, para ver o que poderemos aprender com elas... porque... a vida é uma escola!

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A “Feira” de Santo António!


Gosto muito da minha cidade, mas detesto confusões. Então, quando há confusões na minha cidade... tento a todo o custo desviar-me dela para não me meter nas suas confusões. Porém... como para quase tudo é preciso ir à cidade... às vezes não há como fugir. Assim, acabei mesmo por visitá-la na sua época mais turbulenta, as Festas de Santo António.
Já na preparação do evento achei graça ao desenrolar apressado de todas as obras com o tempo do avesso a não dar jeito nenhum aos trabalhadores que tiveram de se atarefar por demais para terem tudo pronto na hora aprazada. A esta parte, e graças às minhas fugas, acabei por não sentir muito na pele o terrível sufoco da falta de estacionamento... já habitual... agora acrescido da falta de espaço que as super-citadas obras, sem dó nem piedade, retiraram à cidade.
Ainda durante a referida preparação, numa passagem pelo Santuário do “Rei” das festas, o Santo António, como é óbvio, tive que atravessar a avenida principal. Acreditem que senti saudade do tempo em que as feiras dos nove e vinte e três eram feitas ali... pois os numerosos comerciantes apinhados no centro da via pareciam-me muito mais estarem numa feira do que numa festa. Claro que pagam bem a estadia... e toda a gente precisa de ganhar a vida... mas bugigangas e mais bugigangas... num período de tantas dificuldades financeiras... enfim!
Não sei bem como isto tudo irá terminar. Durante estas noites a cidade tem-se enchido de gente, umas noites mais, outras menos! Amanhã é a noite das marchas, espero que cantem as maravilhas do Santo e a devoção que lhe tem o nosso povo, como é habitual. Mas a verdade verdadinha... com toda a certeza... é que na tarde do dia 13... celebrar-se-á uma Eucaristia e realizar-se-á uma Procissão em honra do Santo... e o resto... será feira... muita feira... com as representações de muitos artistas, comes e bebes, distracções e brincadeira! E chamamos a isto Festas de Santo António!
Não tenho nada contra as festas. E penso mesmo que o Santo Antoninho deverá ficar muito feliz por ver toda esta gente assim, satisfeita, mas que para ele pouco vai sobrar... é uma certeza!
Um acto solene como este, a Festa do Padroeiro, deveria mexer profundamente no nosso interior, no sentido de aprendermos a viver com mais aprumo no nosso comportamento moral, espiritual e humano. Será que é o que vai acontecer? Dependerá de todos nós!
Aproveitemos toda esta alegria contagiante para nos tornarmos pelo menos um pouco mais parecidos com Santo António!
Certos de que um Santo triste é um triste Santo, sejamos “santos alegres”! É a única forma de tornarmos Vale de Cambra bem maior e mais próspera e do Santo António ficar muito mais feliz com todos nós!
Que Ele esteja sempre presente na nossa vida para nos ajudar a sermos o que realmente devemos ser em toda e qualquer circunstância!

A publicar no Notícias de Cambra
Hermínia Nadais