segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pessimismos, não!



A educação através dos tempos vai sofrendo alterações consideráveis. Urge, por isso, estarmos atentos aos sinais de mudança para acompanharmos convenientemente o desenvolvimento e nos mantermos actualizados.
Quando eu era criança – há que tempo isso já vai - em vez de sermos educados para desenvolver capacidades levavam-nos a aprender a corrigir erros, o que nos levava a ver sempre tudo pelo lado negativo… que acabava (e acaba) por ser o maior de todos os erros… uma verdadeira aberração!...
Porém, o ditado popular “O que o berço dá, a tumba o tira”, nem sempre é verdadeiro. O decorrer da vida dá-nos muita experiência… e por acções continuadas de tentativas e erros acabamos por verificar que ver o mundo pela negativa não funciona de jeito nenhum: tira-nos as perspectivas de vida, estagna-nos, faz-nos olhar só para nós mesmos e julgarmo-nos melhores do que os outros… fazendo de nós uma de entre as poucas pessoas boas no mundo… e isso não é verdade!... Todas as pessoas têm a sua parte boa e a menos boa, se assim não fosse não seriam humanas!
Todas as pessoas, acontecimentos e comportamentos apresentam sempre duas visões opostas entre si. Se olharmos só o lado mau veremos tudo preto; se olharmos só o lado bom veremos tudo cor-de-rosa… mas se olharmos muito bem lá no fundo temos a certeza de que nem tudo é preto nem tudo é cor-de-rosa, há preto com manchas cor-de-rosa e cor-de-rosa com manchas pretas... mas ainda assim… em qualquer das situações, dependerá sempre da forma como eu vir as coisas que poderei ou não valorizá-las. Eu poderei sempre olhar as “lindas manchas cor-de-rosa”, no preto... ou o “lindo fundo cor-de-rosa”… que o preto manchou.
Neste contexto, podemos concluir que, de entre as muitas realidades horripilantes que nos rodeiam, sempre encontraremos comportamentos muito louváveis que é preciso descobrir e valorizar. E quanto a isso acho que já estamos a encontrar o bom caminho, porque por todo o lado encontramos comportamentos positivos de sobra, há que incentivá-los.
Ainda não compreendi porque não vemos nada de bom na sociedade actual… nos Governos… nos Tribunais… na Segurança Social… na Igreja… na Escola… nas Pensões Sociais… em tantas instituições… e em tantas pessoas!...
Não tenhamos ilusões! Não são as críticas que corrigem as pessoas… e muito menos as críticas destrutivas. Se temos a certeza que “O sonho comanda a vida”, sonhemos! Sonhar é ver o lado bom das coisas, é procurar em primeiro lugar, em todas as pessoas e em todos os acontecimentos o que têm de bom, e enaltecer, elogiar esse bom.
Um elogio cai sempre muito bem em quem o ouve e enobrece quem o faz. É uma forma de valorizarmos as pessoas e de as incentivarmos a ser melhores.
Se tratarmos muito bem as flores do jardim não gastaremos tempo a tirar as ervas ruins, porque elas morrerão por falta de espaço para crescer. Do mesmo modo, se enaltecermos as qualidades das pessoas ou das instituições (que são geridas por pessoas), as qualidades dessas pessoas fortalecer-se-ão de tal modo que acabarão com os defeitos, irremediavelmente.
E por que não… tentar a experiência? Pessimismos… ai isso é que não!...

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pequenos gestos


Ansiando algo que nos torne visíveis, corremos incessantemente, esfalfamo-nos, atropelamo-nos a nós mesmos e a quem connosco convive, esquecidos de que a vida é o desenrolar de pequenos gestos, grande parte deles repetitivos e rotineiros… e assim sendo, ao longo da vida, na busca das grandes façanhas corremos o risco de nos desviarmos das grandes linhas.
Todos os dias deitamos, levantamos, adormecemos, acordamos, vestimos, despimos, sujamos, lavamos, comemos, bebemos, vamos para o trabalho, regressamos, vemos televisão, lemos algumas revistas e jornais, tomamos café em casa ou num sítio qualquer onde nos habituamos a encontrar amigos… fazemos parte de pequenos ou grandes grupos de formação ou recreio… passamos uns fins de semana fora de vez em quando… visitámos familiares e amigos... e no meio de todos estes nadas, não importa o que temos mas a forma como o usamos, não importa o que fazemos mas a forma como fazemos, e podem não querer dizer nada as palavras que proferimos mas marcará profundamente a forma como as pronunciamos… e não importa o que parecemos ser, interessa o que realmente somos. Não podemos viver de aparências, mas de realidades… por isso não adianta colocar máscaras, porque vem o momento em que, irremediavelmente, as deixaremos cair. E não adianta querermo-nos comparar com os outros, pois cada pessoa, pelas mais diversas razões, é diferente, única e irrepetível!
E se sabemos que assim é, não vamos comparar-nos com ninguém, pois nunca seremos como esse alguém com quem nos queremos comparar. Em face disto, o máximo que poderemos fazer é avaliar as nossas capacidades e aptidões e ver em que situações concretas nos poderemos aproximar do modelo pretendido… mas tendo presentes duas coisas muito importantes: por maiores que sejam os nossos progressos na luta por nos tornarmos diferentes nunca deixaremos de ser nós; e depois, o modelo que queremos imitar também pode desviar-se do trilho… tornar-se, ele mesmo, diferente.
No desenrolar dos nossos dias, antes de mais, é connosco próprios que temos de aprender a viver. Muitas vezes não aceitamos os outros porque não conseguimos aceitar-nos a nós mesmos. Se não aprendermos a descobrir quem somos, a aceitarmo-nos como somos e a vivermos em paz connosco mesmos assim como somos… nunca conseguiremos descobrir, aceitar nem conviver com mais ninguém.
Um grande arranha-céus começa por um pequeno esboço no papel e é construído viga a via e tijolo a tijolo; as grandes façanhas dos homens e mulheres começam sempre por ser delineadas nos seus pequenos gestos; as grandes amizades começam muitas vezes em encontros fortuitos ou no cruzar de pequenos sorrisos. E quando, muitas vezes, gostamos muito duma pessoa sem sabermos bem porquê… se analisarmos a questão mais profundamente descobriremos nos mais pequenos gestos dessa pessoa algo que nos tocou ou toca o coração.
Então, se queremos ser crescidos e continuar a crescer, que os pequenos gestos do nosso dia a dia sejam repletos de todo o nosso cuidado, carinho e atenção!
Neste início de ano, mãos à obra, e muito bom trabalho para todos nós!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo… com Vida Nova!


Uma forte onda de frio vai cobrindo este recanto da Terra. As nuvens cinzentas escondem dos olhos o sorriso do Sol deixando-nos nostálgicos os sorrisos. Atrofiados pela extensão das noites, os dias aquietam a vida, e por mais que as lanternas dos homens queiram substituir a luz do Luar e o brilho das Estrelas, continuam a deixar-nos envoltos nas trevas.
Um pouco por toda a parte se ouvem cânticos evocando a “Luz de Belém” enquanto o “Deus Menino”, atento e sorrateiro, deixando pelo espaço desejos de encontro, foge ao ruído ensurdecedor do ambiente e vai refugiar-se bem no fundo de todos os corações que buscam desalmadamente a paz por que tanto anseiam. E lá bem no fundo vai lutando pelo desabrochar da Sua própria vida que irá mudar, irremediavelmente, a vida de todos esses corações onde agora habita. Não tenhamos ilusões: onde existir o bem, o “Menino” está lá… e todos os corações têm algo de bom, ainda que seja um pequenino nada. E é curioso como muitas vezes os homens que parecem mais ligados ao “Menino” são os mais egoístas e cegos que se nos apresentam… porque pensam que o “Menino” é só deles… e são incapazes de reconhecer que o “Menino” é de todos os homens... porque em todos os homens há espaço total para o “Menino”. E na maioria das vezes, aqueles que se dizem distantes por terem ideias diferentes… estão muito mais perto DELE do que o que se possa imaginar... pois enquanto muitos dos que se dizem amigos se deleitam em futilidades e de costas voltadas para quem com eles convive renegando mesmo as chamadas de atenção que lhes vão chegando a todo o momento… os que se julgam distantes, com todas as suas forças, vão tendo coragem de denunciar verdades intocáveis e procedem de tal modo que só eles mesmo é que não percebem que estão com o “Menino” ou muito perto DELE!... Isto é, realmente, Natal!
Aproveitando esta quadra festiva o 2010 abre as suas portas! Todos desejam um “Feliz Ano Novo”… alguns pedem “Vida Nova”… renovada por uma nova mentalidade.
Sabemos que as mesmas situações podem ser vistas de forma positiva ou negativa, e temos a certeza de que só a visão positivista levará ao crescimento pessoal e social do indivíduo, seja ele homem ou mulher. Então, como sugestão de mudança, aprendamos todos a ver que todas as pessoas são extraordinárias, mas como vivem com o mal e o bem lado a lado com elas, podem errar; mas mesmo sabendo-as erradas, não deveremos dizer que são más, porque ninguém é totalmente mau, e na grande maioria das vezes as más acções são provenientes da falta de conhecimento e compreensão, de dificuldades extremas ou de momentos de fraqueza. E como todos nós passamos por situações dessas mais ou menos acentuadas, temos razão suficiente para não nos julgarmos superiores a nada nem a ninguém, pelo que deveremos, sim, aceitar, compreender, ajudar!... Se tentarmos olhar a sério, nas pessoas mais reles podemos encontrar comportamentos muito bons, e um elogio apropriado, além de ser sempre bem aceite e não provocar desentendimentos, gera compreensão e paz.
É difícil mudar, mas não é impossível! Se todos queremos que o mundo seja melhor, tratemos de ser melhores nós mesmos. Feliz Ano Novo… com uma Vida Nova!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"