sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

As luzes de Natal!...


Este é um tempo de luzes, de todas as cores, tamanhos e feitios! Luzes das que os olhos vêem… mas acima de tudo luzes que iluminam todos os corações, das formas mais diversas, pois ninguém fica indiferente à passagem da quadra de natalícia.
Cada pessoa tem o seu natal, mas o Natal de Jesus Cristo é um Natal tão diferente que mexe com todos nós. E mesmo quem teima em afirmar que não acredita numa vida em Jesus Cristo, ainda assim, na época Natalícia, diferencia, de algum modo, as suas vivências normais.
Como não se sabe ao certo o quando do nascimento de Jesus, o 25 de Dezembro, no solstício de Inverno, foi o dia escolhido para festejar o SEU aniversário devido à importância que tinha para os pagãos pela celebração da festa do deus sol, o Sol que iluminava o mundo e continua a iluminá-lo, agora já não com as atribuições de um deus, mas como obra do verdadeiro Deus que mandou o SEU filho Jesus Cristo ao mundo para mostrar aos homens a luz verdadeira – UMA VIDA PLENA DE AMOR - para que os homens e mulheres possam, a Seu exemplo, viver também em amor.
Num misto de profano e divino, cada pessoa tenta viver a época de Natal como melhor sabe e entende… e de tal modo que até o coração mais duro deixa transparecer caridade.
A época de Natal é aliciante e provocadora: aliciante porque torna as pessoas muito ternas, interessadas, solidárias; provocadora porque nos leva a pensar no verdadeiro porquê de tantos presentes trocados e sorrisos abertos, de tantos acontecimentos maravilhosos pelas consciências tocadas, de tantos corações iluminados, não pelas luzes multicores, mas pela “CHAMA DE AMOR” emanada do Menino de Belém! Menino que não é lendário, existiu! Menino que foi e continua a ser rei, não de povos, mas de corações! Menino que, por mais sépticos e incompreensíveis que os homens sejam, terá o SEU nascimento como um acontecimento real pelos séculos sem fim… não mais como um menino de carne e osso, mas como “vida agraciada” nos corações de todas as pessoas de todas as raças, credos, cores ou ideologias que, das formas mais divergentes, se forem abrindo a uma vida de amor pela prática das regras mais elementares da boa convivência humana e da solidariedade social.
Deus é um Pai tão Amoroso que, mesmo ofendido por desamores, não mete medo a ninguém, porque ama sem peso ou medida e perdoa sem condições. E não admira que o dia escolhido para a festa do aniversário de Jesus tenha coincidido com a data de uma festa pagã, pois ELE nasceu para ensinar a lei do amor a todos os homens, e por isso mesmo, também aos pagãos, pois também eles são obra de Deus e com promessa de verdadeira felicidade.
E quanto a nós, cristãos, por todas as graças recebidas, veremos as nossas más acções muito mais escandalosas diante do mundo e muito mais culpáveis perante Deus.
Então, com todas as nossas fraquezas e limitações, sejamos cristãos autênticos, não só de nome pelo Baptismo mas em espírito e verdade, à boa imitação de Cristo, bem certos da enorme responsabilidade de O mostrar a quem ainda O não conhece, com obras e com palavras, através de uma vida digna e dignificante.
Para todos desejo um Natal cheio de Bênçãos e um próspero 2010!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 5 de dezembro de 2009

Perdoai... assim como nós perdoamos!...

Há dias, encontrei uma poesia que me mereceu uma atenção muito especial. Dizia que numa velha lenda de cristãos se contava que, quando Jesus morreu crucificado, desceu de imediato ao inferno para de lá libertar os pecadores que ali padeciam tormentos indizíveis. E nessa tarefa, enquanto o diabo chorava amargamente convencido de que a partir daquele momento nunca mais teria ninguém a ir para o inferno, Deus ia-lhe dizendo que não chorasse mais, pois o inferno se encheria de novo, por muitas gerações, até que Ele voltasse... uma vez que teria de mandar-lhe para lá “muita gente convencida da própria santidade, consciente das bondades que pratica e sempre pronta a condenar os pecadores”. Quedei-me por largo tempo... a pensar na terrível verdade... reconhecendo em inúmeras acções humanas, com a mais viva mágoa, a sagacidade com que arranjamos formas de nos esquivarmos a tudo quanto é difícil e de nos escapulirmos de todas as culpas que podermos escurecer no silêncio, na mentira, ou muito simplesmente no chamado “sacudir de capote”, ou seja, no lançar as próprias culpas sobre outras pessoas. Todos estamos sujeitos a cair nas terríveis tentações de supremacia e altivez, mas, pelo menos, deveremos ter o máximo cuidado para ver se não resvalamos tão facilmente por tão asquerosos caminhos. Pelas vezes que inadvertidamente o tivermos feito ou por fraqueza o viermos a fazer, reserva-nos o dever e o direito de nos arrependermos, de pedir desculpas, de emendarmos e alterarmos as nossas atitudes no sentido de podermos começar a agir de acordo com um aperfeiçoamento capaz de nos levar, finalmente, à promoção e gozo de uma verdadeira paz. Na caminhada de cada vida, tal como nas caminhadas que vamos experimentando ao longo da mesma vida, encontramos caminhos largos e de fácil acesso alternados com vielas estreitas e de piso pedregoso e escorregadio. Caberá a cada um de nós descobrir se nos temos situado ou estamos a situar no caminho que deveremos percorrer para alcançarmos o fim desejado. Todos almejamos admirar a beleza da paisagem dos picos mais altos dos terrenos do mundo, mas as suas encostas são tão inclinadas, estreitas, pedregosas, perigosas e custosas de escalar que só os mais fortes e destemidos se aventuram a pegar a mochila, as sandálias e o cajado, para se aventurarem e palmilhar essas íngremes veredas. A escalada de uma vida interior conveniente, também é assim... difícil por demais.
Sem sombras de dúvidas, vivemos, ou temos vivido, numa sociedade de cristãos católicos, pois mesmo os que por qualquer circunstância se dizem agnósticos ou começam a professar uma outra fé, levam consigo, indelevelmente traçadas, se mais não for, as marcas do Santo Baptismo que a quase todos tem sido ministrado aquando crianças. Estes que se vão afastando do catolicismo, causam-nos dor... mas a dor maior vem da observação do comportamento daqueles que continuam a dizer-se católicos, mas cada vez estão mais distantes da verdadeira vivência do autêntico catolicismo. Grande parte deles procura a Igreja somente pela necessidade da prestação de alguns dos seus serviços... dos que vão achando convenientes a uma boa aceitação na sociedade ou que lhes possam dar, de algum modo, a enganosa sensação do dever cumprido e o direito a criticar, a torto e a direito, além dos pastores da Igreja que os serve, aqueles que vão vivendo a fé católica o melhor que podem, errando e reconhecendo e corrigindo os seus erros... comportamentos muito próprios dos seres humanos que são.
Não nos enganemos!... Não há ninguém tão bom que o seja na totalidade... nem ninguém tão mau que se lhe não encontre nada de bom. Aprendamos a ajuizar apenas a nossa realidade sem apontar os defeitos de outrem... a não ser, em casos de extrema necessidade pela defesa da verdade ou para a possível correcção da pessoa ou pessoas em causa. De nada vale o dizer Senhor, Senhor... se não se procurar minimamente fazer a Sua vontade! Por isso... não basta ter a Bíblia exposta ou bem guardada... é preciso estudá-la e meditá-la para se poder viver segundo o seu conteúdo; não basta parecer... é preciso ser; não basta querer... é preciso fazer; não basta rezar orações bonitas... é preciso viver as palavras que se vão pensando ou pronunciando na oração; não basta rezar o Pai nosso... é preciso que o “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,” seja proferido com o desejo sincero de perdoar a todo aquele já alguma vez nos ofendeu... para que não estejamos a pedir a Deus a nossa própria condenação.
Nunca nos convençamos de que somos nós os bons e os outros os maus... Ai de nós, se nos julgamos assim tão diferentes!... Não vivamos de ilusões... Os melhores serão sempre os que conseguirem reconhecer em si o maior número de defeitos... uma vez que todo o bem que por ventura seja desenvolvido é um dom gratuito de Deus, e ainda porque, humano... perfeito... não há nenhum. Então, por alguma perfeição dos humanos... mãos à obra!...

Prof. Hermínia Nadais – Publicado no NOtícias de Cambra

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A loucura dos “HOMENS”!...


A loucura dos homens, mulheres, crianças, da humanidade inteira, é a busca da felicidade… facto que só é possível no conhecimento da verdadeira razão da nossa existência, do nosso verdadeiro eu, do que queremos, do que temos e do que somos, pelo que a busca da felicidade será sempre inglória se a não procurarmos bem dentro de nós, pois se não brotar do nosso interior nunca poderá existir!
Cada “Ser Humano”, único e irrepetível, um mistério tremendamente complexo para quem com ele convive, é, antes e acima de tudo, um pavoroso e enormíssimo mistério para ele mesmo. Toda a pessoa nasce sem querer… mas a partir do nascimento, impreterivelmente, tem que aprender a viver… ou a sobreviver. E tal como esponja em água, começa por sorver tudo quanto se passe à sua volta: o bom, o razoável, o menos bom, ou mesmo o mau… de modo que, ao entrar na denominada pré-escola, pelo que adquiriu na família ou instituição onde a família a deu a guardar enquanto trabalhava… ou mesmo na casa de acolhimento total – instituição ou família - já leva a sua personalidade praticamente determinada e pronta, sim, mas só para ser aperfeiçoada nas suas mais diversas facetas. Deste modo, a escola não deveria ter nada a ver com educação, mas apenas com instrução, uma vez que a criança já lá chega transportando consigo tudo quanto a sociedade lhe deu até então, o que, salvo raras excepções, vai determinar todo o decorrer da sua vida, independentemente do que a escola lhe possa vir a dar.
É evidente que a escola e a família devem interagir em comum para o bem total do indivíduo, mas sem descarregar uma em cima da outra a sua quota parte no desenvolvimento total e harmonioso desse mesmo indivíduo. Uma vez que escola e família devem ser complementares, não se pode responsabilizar a escola pela educação que a família não dá… nem responsabilizar a família pela parte da socialização e “saber” que competem realmente à escola.
Ao afirmar-se que a felicidade parte de dentro de nós baseamo-nos em todos os princípios orientadores de uma verdadeira preparação humana, no campo dos afectos e da educação/instrução, o que perfaz os bons princípios de vida no reconhecimento e interiorização das boas normas de vivências individuais/sociais e da forma como vão sendo postos em prática todos os conhecimentos interiorizados, pois a felicidade parte sempre do profundo sentimento do dever cumprido, e isso é obra de cada um.
Cada pessoa, ao olhar para si mesma, terá que admitir que a sua felicidade só pode existir quando estiver contente com todas as acções praticadas, pois ainda que o comportamento dos outros para com ela a faça sofrer e chorar, nunca poderá roubar-lhe a sua satisfação interior.
A felicidade é muito exigente com quem a procura, pois o outro ou a outra onde buscamos a felicidade nunca no-la poderão dar se nós mesmos não a tivermos adquirido pelo reconhecimento e aperfeiçoamento de todas as nossas potencialidades e pelo cada vez melhor cumprimento de todos os nossos deveres e luta por quereres que perfazem a nossa realização pessoal.
A procura da felicidade passa pela verdadeira busca de nós mesmos, que é a tarefa mais difícil que se possa imaginar. Falar de felicidade é falar de vida plena, que por mais que nos esforcemos, nunca poderemos conseguir durante a nossa permanência neste maravilhoso planeta. Aqui, teremos apenas alguns momentos dispersos de maior ou menor felicidade… uma força urgente e necessária para podermos continuar a escalar corajosa e positivamente a montanha da vida, com todas as nossas capacidades e limitações, na busca constante de uma felicidade que não tenha mais fim.

PS: Na crónica passada gostei imenso de interpelações a que fui sujeita, ao que, mesmo com todas as minhas limitações de tempo e não só, sempre responderei com todo o prazer. Para as facilitar, o meu endereço: Maria Hermínia Nadais, Santa Cruz – Macieira de Cambra, 3730-309 Vale de Cambra
Telefones: 256402286; 917798785; 96382679
Blogue: http://textosdaescoladavida.blogspot.com
Há coisas que contamos ao amigo(a), mas não expomos à multidão. Se comentarem no blogue de forma anónima estarão certos de que a resposta será realmente imparcial, uma vez que eu nunca saberei a quem estou a responder. Da discussão nasce a luz! Por tudo quanto fizerem, um muito obrigada!

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A vida… será sempre um sonho!...


Novembro! Se os que nos precederam nesta caminhada terrena são sempre recordados com imensa saudade, neste mês são-no mais intensamente. Talvez… pela chegada do Outono do tempo nos seja mais presente o Outono e mesmo o Inverno da vida. Até porque não se pode falar de vida sem lembrar a morte, assim como não se pode falar de morte sem evocar a vida, pois, consciente ou inconscientemente, temos, no rodar de todos os nossos dias, a morte e a vida a caminhar connosco de mãos dadas.
Logo ao nascer, frágeis e inseguros, ficamos de imediato à mercê dos progenitores e família, e ainda da sociedade, que nos acolhem ou nos rejeitam – nos deixam viver ou nos roubam a vida.
No traçado genético que nos perfaz vimos dotados de mais ou menos capacidades de desenvolvimento, onde crescerão as práticas do bem ou do mal de acordo com o proceder das pessoas que nos rodeiam e educam, pois ainda que sem o pensarem, vão-nos transmitindo os seus próprios valores – nos ajudam a crescer para o bem ou nos matam quando não somos desviados convenientemente dos caminhos do mal.
E assim, um pouco sem sabermos como e sem nos apercebermos muito bem das intempéries das bruscas mudanças destas etapas, crescemos, corporal, moral e intelectualmente, e acabamos por ficar entregues a nós mesmos – à vida se praticarmos o bem ou à morte se praticarmos o mal – uma vez que “faz o bem e evita o mal” é a grande regra primordial de qualquer vida.
Chegar à adultez, normalmente, traz alegria e bem estar por ser a ocasião exacta de deixarmos de aturar as “vigilâncias impertinentes” dos pais, dos tios, dos avós, dos professores, dos responsáveis pelas instituições… de um sem número de quês e porquês que nos parecem embaraçar a existência – baralhada com a tendência natural e extremista de nos julgarmos muito importantes, os melhores do mundo… ou então uma espécie de lixo sem qualquer importância, os piores do mundo.
Ser bom, ser agradável, ser bem aceite, crescer e ser feliz são os maravilhosos sonhos do ser humano... homem ou mulher… que pensada, ou impensadamente - ou vive de sonhos ou não vive, morre.
Quando se diz que o sonho comanda a vida é porque se tem a certeza de que a vida sem sonhos se torna impossível: a criança sonha passar rapidamente a adolescente e numa adolescência fugaz desenvolver a descoberta da vocação, preparar-se para exercer uma profissão, chegar rapidinho à juventude, encontrar um emprego e situação social estável para puder vir a ser, no mais curto espaço de tempo, pessoa adulta capaz, considerada, realizada e feliz; o doente sonha curar-se; o desempregado sonha com um emprego; o cientista sonha concluir velozmente os trabalhos da descoberta; o escritor sonha que seus textos sejam lidos e apreciados; o industrial, sonha vender… Tantos sonhos!!!... Sonhos generalizados, pessoais, possíveis… impossíveis…
Sem sonhos não vivemos, mas também não nos podemos ficar pelos sonhos… urge agarrá-los com toda a força da nossa vontade e trabalhá-los a preceito para que se vão transformando, ainda que da forma mais lenta e custosa, em realidades autênticas, sempre geradoras das maiores felicidades e alegrias!
Não tenhamos ilusões! O maior sonho de todo o homem ou mulher, é ser feliz! Assim, é pertinente perguntarmo-nos com insistência o que andaremos a fazer com a “nossa felicidade”, porque, não há margem para dúvidas: a felicidade, ou está enraizada bem dentro de nós, ou nunca poderá existir!
Porquê? Será que perguntam porque? A resposta ficará para depois.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Óculos cor-de-rosa!...


Quando afirmamos que o sonho comanda a vida estamos convictos de que encarar as situações de forma positiva é angariar razões para que do nosso meio ambiente se removam os obstáculos que nos impedem de atingirmos algo de bom, agradável, compensatório, frutuoso.
Contudo, por mais positivistas que formos, somos assaltados por momentos que nos parece que o mundo vai desabar sobre nós, sem termos por onde fugir. Nestas circunstâncias “(ir)regulares” o desenrolar do dia a dia, normalmente fácil de gerir e ultrapassar, apresenta-se-nos como um gigante avassalador e desalmado que nos afugenta, arrasa e domina.
Quando este estado de espírito é muito frequente, “regular”, quase que nem nos apercebemos… mas coitado de quem conviver connosco, pois se não nos leva ao psiquiatra vai lá parar com toda a certeza; quando é um acontecimento “irregular”, sentimo-nos completamente sós, desnorteados, perdidos, acabrunhados, inquietos e inseguros… sem capacidade de compreensão ou controle, mas apenas por algum tempo.
Em situações desta natureza apetece colocar uma espécie de óculos para que tudo nos pareça de novo cor-de-rosa… mas parando para pensar chega-se de imediato à conclusão de que nunca poderia ser assim.
Quando assaltados por estas irregularidades, urge verificarmos que nós… connosco… muito embora sejamos um único ser, uma única pessoa, somos muitas vezes como que várias figuras sobrepostas e contraditórias entre si, um todo em que o nosso querer, o saber, a vontade, a força, a sensibilidade… se cruzam e embaraçam de tal modo que nos afastam terminantemente da meta que nos propomos alcançar, fazem de nós tudo o que nunca pretendemos ser, levam-nos a realizar o que nunca pretendemos fazer e fazem-nos parecer o que intimamente não somos… factos que geram uma atitude de revolta interior muito difícil de aceitar e dolorosa de dominar.
Situações desta natureza, (mais frequentes do que possamos imaginar), são as ocasiões propícias para podermos afirmar com toda a certeza que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. Sentirmo-nos mal, desprezados e aniquilados, quando a razão do nosso mal estar se deve ao mau comportamento de alguém, é compreensível e aceitável; mas quando verificamos que a verdadeira causa dos nossos tumultos está nós, na dificuldade de aceitarmos e gerirmos as nossas emoções, quando descobrimos a certeza das nossas (in)culpabilidades que urge assumir, a situação torna-se muito mais penosa, difícil e constrangedora. E então temos que reunir todas as nossas forças para, numa batalha atroz, sangrenta e invisível, conseguirmos descobrir mais profundamente quem somos e como somos para podermos controlar, ainda que minimamente, os nossos distúrbios emocionais e podermos voltar à nossa normalidade.
Se nos olharmos assim, tal qual somos, tornaremos a vida mais fácil, para nós e para os outros… não com óculos cor-de-rosa, mas com o nosso “ser pessoas” com toda a verdadeira força que a expressão encerra.


Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

domingo, 11 de outubro de 2009

No rescaldo de uma luta!


Durante uma época ainda muito presente na nossa memória a luta pelo poder preencheu o coração de alguns portugueses, a atenção do meio envolvente esteve na mente de alguns mais e os desinteressados ainda foram muitos.
Nos dias aprazados, os portugueses, supostamente de forma livre e espontânea, tiveram de escolher, não “o óptimo de entre o bom”… mas de entre o que há o que lhe possa ter parecido melhor.
A luta, se honesta e construtivamente sadia, terminou! Interessa, agora, mudar as mentalidades dos políticos e de todos os portugueses e portuguesas, para aceitarmos as nossas realidades e enveredarmos pelo caminho do crescimento.
Todos sabemos que a perfeição, nos seres humanos, não existe. O ser humano sempre foi e será susceptível de cair no erro, tanto a nível individual como institucional. Por isso mesmo… cada força política, em si mesma, sempre apresentará aspectos positivos e menos positivos ou negativos, é compreensível. Há que ter a abertura capaz de saber escolher e aceitar, mutuamente, de cada uma delas, o que tiver de melhor.
Vivemos numa democracia! Os Órgãos do Poder não são formados, verticalmente, por um só partido unitário, mas são órgãos colegiais, com a representação legal dos diferentes partidos ou forças políticas, forças expressas pelo número de candidatos eleitos pelos votos que cada partido usufruiu e que perfazem a real vontade do povo.
Assim, depois de cada acto eleitoral, é urgente que se aprenda a ganhar com humildade ou a perder com dignidade, pois em democracia, todos, pelos votos com que foram eleitos, ficam ao serviço do povo, um serviço que não deve, de forma alguma, ser defraudado.
O País ou localidade só poderão crescer quando cada eleito, de mãos dadas com os restantes eleitos, defendendo honesta e regradamente os princípios da sua eleição, for capaz de aceitar a partilha mútua das melhores ideias e dedicar todo o seu empenho à causa do desenvolvimento nacional ou local.
Nenhum eleito pode aproveitar a sua situação de eleito para servir os seus próprios interesses ou os interesses dos seus amigos, mas para servir os reais interesses da sociedade que o elegeu. Os fundos públicos são sempre da Sociedade em geral e nunca por nunca podem ser dos políticos que os gerem.
Por sua vez, o povo em geral, quando livre de situações desesperadas, que prefira o trabalho justo ao “Fundo de Desemprego”, “Rendimento Mínimo ou de Inserção social”; que das grandes às pequenas empresas ou comércios, trabalhadores por conta própria ou mesmo assalariados, haja o exacto pagamento dos impostos legais; que quem está “realmente doente”… procure o médico e seja bem tratado como tal, que a verdadeira invalidez seja bem interpretada e remunerada, que a experiência da velhice seja bem paga e vista como uma mais valia… mas que o bom senso e a verdade de vida acabe de vez com tantas “doenças ou incapacidades graves” que se nos apresentam sãs depois de conseguidas as respectivas aposentações; que o povo fale menos de crise e viva mais regradamente com o mínimo necessário… pois os que menos têm aguentam e não gritam; por fim, que cada membro do povo aprenda, antes e acima de tudo… a criticar-se a si mesmo e a corrigir os seus próprios defeitos… pois se o fizer pode estar certo de que os políticos, que são filhos do povo, serão realmente honestos, verdadeiros, desprendidos, compreensivos, (des)interessados, imparciais, trabalhadores, dedicados… promotores do desenvolvimento, do amor, da justiça e da paz.
Sem dúvida alguma! É urgentíssimo que, aos pouquinhos, cada um de nós se esforce por recompor a sua forma de ser e de estar… para que a nossa sociedade possa ser, na verdade, mais próspera e fraterna.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

domingo, 27 de setembro de 2009

Reconciliação, Tolerância e Paz!


Para que o mundo possa ser mais justo e fraterno não bastam palavras bonitas! É preciso deixar para trás o relacionamento deturpado em que vivemos para entrarmos realmente numa época de tranquilidade, harmonia e paz!
Trocar o ódio pela compreensão e amor é uma tarefa possível se nos dispusermos ao esforço contínuo de nos olharmos interiormente para nos reconhecermos cada vez melhor tal qual somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos reais… pois só na medida em que reconhecermos claramente as nossas capacidades atropeladas por inúmeras imperfeições e fraquezas estamos realmente preparados para compreender, contornar e remediar os comportamentos errados das pessoas que nos rodeiam, principalmente daquelas com quem convivemos mais de perto.
Se nos conhecermos verdadeira e profundamente, sabemos quanto nos é difícil corrigir um defeito… aceitar uma ofensa… obedecer a uma ordem… analisar um problema… ajudar alguém… tomar uma decisão acertada… e, acima de tudo, saberemos também quanto custa, muitas vezes, sermos mal interpretados nas atitudes que tomamos. Se assim procedermos, deixaremos de criticar quem quer que seja e iremos aceitando mais facilmente os erros dos outros, e mesmo os nossos próprios erros… que são sempre os mais difíceis de suportar.
Vivemos num mundo onde se fala muito de amor, mas onde temos que aprender a viver em amor, aprendendo a compreendermo-nos e a amarmo-nos a nós mesmos, tal qual somos, pois se não nos compreendermos e não gostarmos realmente de nós mesmos… não poderemos gostar de mais ninguém.
O amor leva à escuta atenta das nossas necessidades e das necessidades do outro… à compreensão e aceitação das nossas atitudes e das atitudes do outro… e muito concretamente, a uma cuidada, delicada e subtil auto-correcção… e correcção fraterna, assumida com frontalidade… pois falar mal na ausência da pessoa cria distância, não a ajuda a corrigir-se, e ainda lhe piora os comportamentos.
Se formos rígidos e sinceros connosco mesmos veremos quanto é urgente estarmos abertos a uma vida de mudança permanente, em que o hoje seja sempre melhor que o ontem para que o amanhã possa ser sempre melhor do que o hoje. E estaremos preparados para, quando necessário, corrigirmos com humildade, compreensão e carinho, pois só deste modo poderemos melhorar comportamentos.
Uma das mais maravilhosas regras de vida é o positivismo.
Todas as situações que se nos apresentam têm sempre o seu lado bom e o seu lado menos bom… ou mesmo mau, mas se aprendermos a ver sempre em primeiro lugar o lado positivo das pessoas ou dos acontecimentos, aprenderemos a pensar de forma positiva. E tal como o sonho comanda a vida, o pensar positivo leva a que à nossa volta os acontecimentos se tornem realmente benéficos e positivos.
O nosso “EU” e o “EU” dos outros estão muito atentos a tudo quanto nós pensamos! Se pensarmos no bem mais tarde ou mais cedo teremos o bem, mas se pensarmos no mal ele acabará por acontecer.
As nossas palavras, o vento leva-as com muita rapidez, e de qualquer de nós apenas restará o grito silencioso da linguagem da nossa vida! É imperioso cuidarmos bem a sério da nossa vida, dos nossos pensamentos e das nossas acções, pois só da reformulação cuidada dos nossos comportamentos dependerá o vivermos num mundo melhor, onde a tolerância gere a reconciliação e possamos gozar dias de mais paz.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Presente


Presente! Que “presente”?!...
Depois de um convite para um aniversário, uma festa, uma reunião, um passeio… faz-se tudo para estar “presente”. Na angústia, deve estar-se “presente” para ajudar; na alegria urge estar “presente” para comemorar.
“Presente”é também uma oferta, dádiva, brinde, prenda, algo que se vislumbra muito agradável para quem o recebe e muito querido para quem o dá… algo que demonstra carinho, ternura, dedicação, afeição, amor… oferecer um “presente” é uma forma de manter a ligação com alguém para agradecer, pedir ou muito simplesmente acariciar, dizer que amamos. Deste modo, quando falamos num “presente”, normalmente, lembramos de algo oferecido ou recebido no dia de um aniversário, pelo Natal, pela Páscoa, num qualquer momento importante do ano ou da vida.
Todos gostamos de oferecer um “presente”! E todos gostamos de ser presenteados! E muitas vezes chegamos a ficar tremendamente tristes porque em determinada altura ninguém se lembrou de nos oferecer um “presente”.
A vida distrai-nos, assim, com relativa facilidade. Estar “presente”, falar num “presente”, pensar num “presente”… sentir-se magoado ou magoada pela falta de um “presente”… é uma postura muito corrente entre nós, humanos insaciáveis!...
Ficamos agoniados pela falta de um “presente”, esquecidos de tantos presentes maravilhosos que recebemos diariamente e aos quais não damos a devida importância: o Sol que clareia o dia e convida ao trabalho; a escuridão que lenta e calmamente nos leva a descansar; o brilho das Estrelas e a doçura da Lua que nos inebriam o olhar; a chuva que refresca e faz reviver plantas e animais; o vento que acaricia, fornece energia e ajuda a renovar o ar que respiramos; a água das fontes que nos mata a sede e a das levadas e rios que, correndo velozmente pelas turbinas enche o mundo de força e luz ou deslizando suavemente sobre a terra sacia plantas e animais; a água do mar que, branda ou ferozmente, bate na costa, ameniza a temperatura, refresca a areia da praia, serve de estrada aos mais variados navios; uma infinidade de peixes de toda a espécie, inúmeros animais e plantas, os frescos legumes e hortaliças e os frutos deliciosos que nos alimentam; os carinhos de tantas pessoas com quem convivemos que nos alegram o coração e enlevam a alma; as chatices de muitas outras que, ao obrigarem-nos a pensar um pouco mais profundamente nas nossas atitudes nos ajudam a crescer… são uma inumerável multidão de presentes que ininterruptamente nos mimam e acariciam a vida.
Há ainda um outro “presente”, o último momento da vida que vamos vivendo, aquele momento em que realmente estamos no aqui e agora… pois se o ultrapassamos logo se chama passado e se o buscamos é porque ainda faz parte de um futuro a que poderemos chegar ou não. Este “presente”, elo de ligação entre o passado e o futuro, o único momento que no rodar do tempo nos vai preenchendo a vida, é a melhor das dádivas para cada um de nós.
Aproveitemos o momento presente no amor, na alegria, na paz e fraternidade, pois o passado é história e o futuro não nos pertence.

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tempo de ser fortes


Época de final de Verão! Praia, campo, digressões variadas, tempos bem vividos no sossego do lar… ou turbulentas aflições no desvairado dia pela busca do necessário para viver “sem vergonhas do mundo”!...
Nesta amálgama humana, há de tudo um pouco. E mesmo presumindo-se que cada qual tenha a sua rota bem definida, a experiência diz que as mais variadas razões nos desviam da rota e que razões há muitas, porque cada qual tem a sua razão. E o ter ou não ter razão é razão suficiente para nos embrenharmos em lutas descabidas e geradoras de muitas discórdias e contendas… o que não agrada nem convém a quem quer que seja.
A razão assenta na verdade, na lealdade, na solidariedade, na clareza e nobreza de atitudes, no colocar-se na situação do outro para o compreender, no doar-se ao outro para o ajudar, no dar as mãos ao outro para aproveitar o melhor dos dois de modo a poderem crescer juntos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna pela qual todos somos responsáveis quer queiramos quer não.
Mas ter razão é também confiar e ser fiável. A mentira e hipocrisia não levam a nada. Todavia, normalmente, são as pessoas mais mentirosas e hipócritas as que mais lutam pela defesa das suas razões usando palavras bonitas… muito embora despidas de atitudes dignas e responsáveis. Estejamos atentos! Palavras sem vida soam a oco, a vazio! Fujamos delas! A voz calorosa e meiga do silêncio fala sempre mais alto se a soubermos ouvir.
Muitas vezes dizemos que a vida é complicada, mas se pensarmos um pouco a vida não é complicada, nós é que passamos o escasso tempo que ainda temos para viver a complicar a nossa vida e a dos outros, apregoando as nossas razõezinhas e desprezando as razões dos outros, como crianças mimadas na época de crescimento.
Sejamos crescidos! Na vez de criticar, enalteçamos o melhor! De que vale lembrar uma asneira a quem faz tantas?... Não será mais importante, no meio de tanta asneira, dizer ao outro que ele fez uma boa acção… como incentivo a que muitas outras boas acções possam continuar a ser feitas?... A grandeza de uma pessoa não se mede pelas críticas que faz, mas pelas qualidades que consegue desenvolver em si e descobrir nos outros.
Isto não é utopia! Se estivermos habituados a perseguir o mal só teremos olhos para ver o mal… que paralisa e estagna! Se pelo contrário nos preocuparmos em descobrir e enveredar pelas boas obras e palavras, aprenderemos gradualmente a ver, antes de tudo, o que for bom em nós e nos outros, o que nos levará a uma energia positiva incalculável… a energia que o mundo precisa para sair do marasmo em que se encontra.
Se o positivismo atingisse os ricaços para os levar a descobrir que com menos dinheiro teriam menos preocupações e mais paz… já pensamos alguma vez no paraíso em que este pequeno mundo seria transformado???...
Nesta época que se avizinha, época de discursos, caras e cartazes… procuremos “ser” realmente “pessoas”… atentas, dignas, responsáveis… capazes de ver sem recriminar, ouvir sem replicar, compreender e aceitar sem criticar… de meditar profundamente para se conscientizar… e de aceitar a escolha unindo fortemente as mãos para que Portugal possa seguir em frente… com coesão e fortaleza.

Hermínia Nadais
A publicar no "Notícias de Cambra"

sábado, 25 de julho de 2009

A verdadeira felicidade!


Na vida tudo se movimenta em todos os segundos que passam! Nós somos o que vemos em nós… mas somos também tudo o que ainda não conseguimos ver; somos o que sentimos…mas acima de tudo o que ainda não sabemos sequer que iremos sentir. Quando quisermos olhar-nos, é assim que teremos de nos ver. De contrário, não se justificaria o dizermos que a vida é uma caminhada. A vida só será realmente uma caminhada se tirarmos sempre a maior aprendizagem de todos os momentos do dia a dia, sejam eles como forem, bons ou menos bons… para podermos crescer com as nossas próprias experiências.
É habitual inquietarmo-nos quando algo de muito aborrecido nos acontece, e com certa frequência entramos em situações de desânimo ou mesmo de desespero, o que é um grande mal. A felicidade possível a cada um de nós nunca vem do exterior. Ainda que causada por acontecimentos exteriores, virá sempre bem de dentro de nós mesmos... que só seremos felizes se nos determinarmos a ser felizes… e se nos determinarmos a ser felizes, nada nem ninguém nos poderá causar infelicidade. Poderão, sim, abalar um pouco o nosso comportamento, fazendo-nos sofrer, sem sombra de dúvida, mas quando sofremos conscientes de termos dado à vida, a nós mesmos e aos irmãos, o nosso melhor, o sofrimento será sempre feliz porque advindo da paz profunda proveniente do dever cumprido.
Temos a graça de sermos todos diferentes com a enorme bênção de termos todos ambições e direitos iguais. Nas mesmas situações, agiremos todos de formas diferentes conforme o saber, pensar e sentir de cada um no momento presente, mas o direito e a meta de cada um será sempre a mesma: procurar ser feliz. Não tenhamos ilusões… cada um de nós procura, avidamente, ser feliz. Na nossa diferença, a meta comum é a felicidade. Muitas vezes esquecemos que a nossa maior ou menor felicidade depende sempre da maior ou menor realização pessoal… que a nossa realização pessoal estará sempre directamente relacionada com o nosso desenvolvimento… que o nosso desenvolvimento deriva do nosso crescimento constante a todos os níveis, níveis pessoais e colectivos, pois como seres sociais por excelência temos de estar sempre em relação com as pessoas com quem convivemos. E muito embora conscientes de que a suprema perfeição não existe no ser humano deste mundo, temos de estar convictos de que todo o ser humano deste mundo deve caminhar para a máxima perfeição de que for capaz. Neste contexto, quando alguém nos disser que está muito bem o que fazemos… não é para estacionarmos ali… mas para pisarmos o mesmo trilho no maior aperfeiçoamento das nossas actividades.
Para que o bom não seja inimigo do óptimo… é urgente que, mesmo depois de fazemos tudo mais ou menos perfeito continuemos a aperfeiçoar-nos para chegarmos a ser óptimos, de verdade. O maior inimigo da nossa perfeição e felicidade será sempre quem nos afasta de trabalharmos sempre mais e melhor… até ao último instante da nossa vida!...
Conscientes de que parar é morrer… conservemo-nos vivos… na busca da maior perfeição humana… o verdadeiro caminho da felicidade!

Hermínia Nadais
A Publicar no "Notícias de Cambra"

terça-feira, 14 de julho de 2009

A festa da minha aldeia!


Depois de umas semanas de correria, é chegada a hora. Para os responsáveis pelo evento, a azáfama torna-se maior. O dia de sexta-feira é dedicado aos últimos preparativos. As empresas e comércio locais, que patrocinam a festa, entre músicas bem populares são apresentados à população bem assim como os serviços disponibilizados por cada um à comunidade envolvente.
Como já se vai tornando habitual, o porco no espeto abre a animação da noite. O porco, não, os porcos, que se tornaram curtos para tantos esfomeados! Graças ao bom Deus, pois por aqui ainda vai havendo emprego - não são esfomeados de carne e pão, mas de confraternização, partilha, alegria, animação, encontro, convívio, lazer, súplica, acção de graças, louvor... festa! São esfomeados da festa!
Neste momento da minha caminhada na vida, é assim que vejo as festinhas da pequena mas maravilhosa aldeia que adoptei como minha já lá vão muitos anos!...
Hoje é sábado! A meio da tarde, um atraente grupo de gente jovem e mais idosa, homens e mulheres, correram todas as vielas batendo certeiramente nos bombos afinados. Ao declinar do dia, a Eucaristia Vespertina e Procissão de Velas deram louvor a Deus, honraram os Santos e alimentaram o espírito. A exuberante alegria que fez estoirar os belos foguetes lacrimosos e coloridos deu fim a essas celebrações Litúrgicas.
Agora, à volta do aconchegante e charmoso Santuário da Padroeira, Santa Helena, sob os seus olhares protectores e os amorosos e ternurentos carinhos do Habitante do Sacrário, um espectáculo de luz e cor ilumina a escuridão da longa noite com a música a atroar os ares!
Todos podem divertir-se à vontade! Não há necessidade de acordar cedo, pois as Celebrações Litúrgicas da festa voltam só depois do meio da tarde! A manhã pode ser bem dormida e a refeição bem preparada e melhor saboreada... para mais uma vez se honrar a Padroeira e louvar o Deus vivo... e voltar novamente ao convívio e diversão!
Estas são as belezas da vida! Coisas bem simples, mas são as coisas simples que têm mais valor! O nosso dia a dia é feito de pequenos nadas, e são esses pequenos nadas que nos fazem crescer e ser grandes. E é assim, crescendo, que fazemos crescer o mundo.
Então... cresçamos!...

Hermínia Nadais
A publicar no Notícias de Cambra

segunda-feira, 6 de julho de 2009

No Bairro da Avó Leonor!


É a noite de S. João! Das povoações das redondezas todos os caminhos vão dar ao Porto! Mas ali, no Bairro da Avó Leonor, tal como ela, tudo é muito especial.
Todo o espaço está engalanado, enfeitado com rendilhados coloridos de papel de seda. Dispersas, junto das habitações, estão as tradicionais churrasqueiras, felizes por poderem sentir-se úteis mais uma vez!
Espalhadas pelo chão, aqui e além, as madeiras, recolhidas com carinho, esperam que as labaredas do fogo crepitante as transforme, lentamente, nas brasas prontas para preparar todas as iguarias do jantar, pois, como manda a tradição, não deve usar-se nessa preparação o carvão comercial.
As panelas do caldo verde que as donas de casa preparam com esmero e perfeição estão agora colocadas sobre o fogão, à espera dos últimos retoques de magia... ao lado da batata, a cozer normalmente ou a ser preparada para levar com um murro.
Cheira a pimento, a barriga, a sardinha assada! As mesas estão prontas, com saladas, boroa, vinho, sumos, azeitonas... e, recheado de frutas secas, o saborosíssimo Bolinho de S. João.
As famílias que optam por fazer a refeição em casa abrem as janelas de par em par para se unirem aos que jantam debaixo das varandas ou directamente sob o brilho das estrelas.
As crianças palram, brincam, chutam bolas, vagueiam por ali num saltitar constante... os bebés, esquecidos da hora do sono, regalam-se nos colinhos... os adultos trocam gracejos entre gargalhadas de descanso... os jovens namoram... os idosos, em minoria nestas circunstâncias, são representados pela Avó Leonor que não pára de rodar nem de falar com toda a sua imensa jovialidade, graça, alegria e boa disposição, que enche por si mesma todo aquele paraíso terrestre... de onde ressalta a doce harmonia e alegre confraternização.
Num dos cantinhos do Bairro, os residentes de etnia cigana, de forma mais estridente, dão largas ao seu contentamento com as suas músicas especiais que ecoam por todo o Bairro.
As fogueirinhas, espalhadas pelo espaço, em plena noite, parecem flores trémulas e brilhantes no meio de jardins.
Quando as pessoas se acercam mais umas das outras... preparam a largada de mais um balão... e outro... e mais outro balão... que sobem, sem parar, num bailado melodioso, até perder de vista!
De quando em vez estoira um foguete que deixa transparecer as suas lágrimas de solidão!
E por que não, intrometer-se, com um curto lance de vista, no aconchego vibrante dos ciganinhos? Todos cantam... todos dançam... todos riem! É realmente uma festa!
As horas desaparecem no avanço da noite! Os que podem ou querem deslocam-se um pouco para se deliciarem com o sumptuoso e maravilhoso fogo de artifício chorando desalmadamente as mágoas do presente sobre as águas mansas do Douro, para regressarem de imediato ao prazer incomparável do seu paraíso de sonho... até que, vencidos pela força do cansaço, se aconcheguem na espera do tranquilo amanhecer do dia de S. João!

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os mistérios da natureza


Quanto mais me preocupo com o rápido ou lento desenrolar da vida mais me surpreendo com tudo quanto dela vou colhendo.
Desde que me conheço foram tantas as modificações por que passou a sociedade que se não tivesse presente o esforço do homem pela permanente busca da plenitude humana me atreveria a dizer que a metamorfose humana estava completa e o fim do mundo iminente.
É voz corrente que tudo está muito mau. Claro que há coisas mais ou menos boas como em todos os tempos de que o tempo dá notícia.
O desenvolvimento cultural e tecnológico não se cansa de encurtar distâncias e dilatar segundos nos dias que parecem anos pelo amalgamado número de acontecimentos que nos chegam de todas as partes a bombardear-nos os sentidos e a apertar-nos o coração. Do passado, normalmente, tendemos a recordar só o melhor... ou seja... matamos os pesadelos lembrando apenas alguns sorrisos do céu nublado... como forma de negar do presente o calor dos raios ensolarados de um radioso Verão... que, só não existe para todos os homens... pela maldade de alguns... alguns que temos de chamar à realidade ou pelo menos temos obrigação de nos esforçarmos por o fazer.
Não vale a pena continuar a lembrar (valorizar) só o que está errado dizendo mal de tudo e de todos! Não vale a pena passar nos écrans da TV (valorizar) tantas atrocidades cometidas e deixar no esquecimento tantas coisas maravilhosas que se vão fazendo por aí! Não vale a pena nos nossos encontros normais entre amigos recordar (valorizar) acontecimentos ruins quando há tantos valores aos quais não sabemos dar atenção!
Não tenhamos ilusões! É através dos olhos e dos ouvidos e pela sensibilidade da pele que a educação se aloja no coração para transformar o ser humano. Há que esconder as barbaridades e mostrar exemplos dignificantes que falam muito mais alto do que todos os gritos das palavras.
Todos sabemos que sem meios, dinheiro e haveres, não podemos viver condignamente, mas também sabemos que o dinheiro e haveres não são tudo da vida, pois a vida é tudo o que somos... porque o que somos vale muito mais do que toda a riqueza material que possamos ter.
Há pessoas tão mergulhadas numa desenfreada busca de dinheiro e riquezas que avançam por cima de tudo e de todos para as conseguir... em tanta demasia... que uma pequena parte do que esses estagnam... ou estragam... posta ao serviço da comunidade, daria para acabar de vez com toda a miséria humana!...
A crise monetária que o mundo atravessa não é real, é fruto da mais vergonhosa mentira destes piratas da humanidade!
A riqueza mundial aumenta todos os dias! Não é justo que continue a concentrar-se nos cofres de meia dúzia... meia dúzia de tristes e desgraçados que vegetam num mundo de avareza que apenas lhes trará amargura e solidão, pois dessa forma nunca saberão o belo e verdadeiro sentido da vida... vida que nem sequer lhes pertence.
Da vida nenhum de nós é dono! Ainda que o queiramos negar, a Natureza continua a recordar-no-lo nos seus insondáveis mistérios – mistérios tão insondáveis que ultrapassam todo o potencial desmedido da ciência humana.
Tão bem formado cientificamente, porque é que o Homem não consegue responder de imediato a todas as questões da humanidade sobre o procedimento das obras provindas das suas próprias mãos?
A sabedoria e força da Natureza? Não há dúvida!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A mão em seara alheia


Estamos num ano de eleições... numa época dita de democracia... num país dito democrático!
Todos os políticos se dizem democratas; alguns cidadãos e cidadãs vociferam contra a crise de bolsos recheados sem saber que fazer à massa; muitíssimos contam tostões para comprar o mínimo indispensável sem aumentar as dívidas no final do mês (de boquinha bem fechada pela vergonha das suas verdadeiras necessidades); a maior parte da população brinca aos papagaios... reclama contra tudo e contra todos por tudo e por nada!... Situações normalíssimas numa sociedade normal. Contudo, podemos enumerar algumas atitudes adequadas e pertinentes.
Falar de democracia prevê políticos eleitos pela livre vontade do povo para defender os legítimos interesses dos eleitores - povo. Enquanto os cidadãos e cidadãs que querem ser eleitos se esfalfam a aprimorar a apresentação dos seus partidos e a mostrar as suas maiores virtudes nas suas mais maravilhosas qualidades de liderança, os eleitores não podem de forma alguma continuar a manter-se passivos à espera que os seus interesses apareçam resolvidos! Será muito mais lógico que todos se inteirem convenientemente das verdadeiras normas por que se regem os diversos partidos e prestem a maior atenção à idoneidade das pessoas que os representam como forma de averiguar a possibilidade de uma verdadeira eficácia no cumprimento dos princípios inerentes a cada um; que com perspicácia e dignidade cada cidadão ou cidadã pense no que mais interessa à prosperidade e conforto de toda a sua comunidade envolvente; que quando já consciente das suas convicções partilhe as suas opiniões com as pessoas ou grupos do seu relacionamento habitual no sentido de consolidar mais eficazmente a escolha a apresentar no “sagrado” momento de voto, pois não devemos votar de um modo qualquer, mas com consciência, liberdade e responsabilidade.
Os que procuram ser eleitos, com o desenvolvimento informático a minar cada vez de forma mais perfeita acelerada e eficaz tudo quanto se diz ou faz, se faz sem dizer ou se diz e fica por fazer, têm que ser pessoas realmente honestas e capazes, sem nada que lhes acuse a consciência, pois de contrário terão a sua missão cada vez mais complicada, e poderão até vir a ficar com as finanças remediadas mas com as caras tão envergonhadas que eu não lhes queria estar na pele!... Pessoalmente louvo a coragem de quem consegue sujeitar-se a assumir uma candidatura com todas as suas implicações, e no meio de tudo o que há por aí, menos bom e melhor, penso muito na grandeza de toda esta gente.
Há comportamentos capazes de afligir qualquer cidadão: o silêncio sepulcral e avassalador de uma boa tomada de posição e a crítica exagerada das situações erradas.
A opinião pública acaba por influenciar positiva ou negativamente. E se em vez de rebaixar e desmotivar pelo que está realmente mal descobríssemos formas possíveis de incentivar e apoiar o que consideramos certo?!... Criticar... é mais fácil! Mas para atenuar situações erradas nada melhor do que louvar boas atitude e lembrar soluções práticas propícias e viáveis, pois tratando-se do bem-estar social ninguém deve pensar em guardar “louros” para si próprio mas em proporcionar o bem comum.
Façamos o que devemos fazer... para mais tarde não nos virmos a arrepender!...

Hermínia Nadais
A publicar no “Notícias de Cambra”

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Não sei! Talvez... ninguém.


Fala-se muito na vida, mas parece que cada vez se compreende menos o que seja esse imenso mistério. Debruçando-nos um pouco sobre o seu raiar, acabamos por concluir que a razão da sua existência é o amor. O Alguém que um dia a extraiu do nada... fê-la num acto de amor tão infinitamente grande que se tornou incomensurável a qualquer peso ou medida humana. E é assim que o reaparecimento de qualquer vida vai surgindo através dos tempos, numa interligação e cooperação constantes entre os seres criados e o seu Criador.
Os seres vivos não aparecem ao acaso, pois a cada ser, naturalmente, foi dada a potencialidade de cooperar na conservação da sua espécie, transmitindo a vida. Ao falarmos de fecundidade, podemos não ter intenção, mas evocamos um relacionamento íntimo entre dois seres, (ou então, entre duas componentes de um mesmo ser, no caso da maior parte das plantas e dos animais hermafroditas). Um relacionamento íntimo fecundo só acontece num acto “chamado” de amor, embora nem sempre o seja. Sabemos que há relacionamentos de mero prazer para os dois intervenientes, o que, seja qual for a razão apontada, é prostituição; também os há onde um dos parceiros é impelido pela força, o que apelidamos de violações. Em qualquer destes casos, que não são actos de amor verdadeiro mas de corrupção do verdadeiro amor, podem surgir vidas, e embora os casos desta natureza sejam acontecimentos aceites com normalidade, são sempre acontecimentos anormais.
Agora, uma salvaguarda de muitas situações... talvez de todas as situações consideradas anormais, quem sabe?!...
Ao falarmos de vida, esquecemos instintivamente todos os outros seres vivos e quedamo-nos no ser humano, e isto porque o homem foi designado como o centro de toda a criação e é o único ser que reconhece (ou pode reconhecer) a verdadeira razão da sua vida e da vida de todos os outros seres que nele convergem e para ele existem. Mas, cada homem é um enorme e desconhecido mundo dentro do mundo que conhecemos.
Dizer que cada homem é um mundo desconhecido poderá parecer uma afirmação muito forte e descabida, mas não. Vivemos rodeados de gente, de família, de amigos, de conhecidos... e por mais que nos esforcemos para mostrar ou esconder o que somos e manter um bom relacionamento mútuo... o bom relacionamento pode realmente existir, mas o perfeito conhecimento do outro... nunca. Ouvem-se muitas vezes frases como esta: “Tal” ou “tal” pessoa... eu, conheço-a muito bem. Quando escutamos esta afirmação feita com tanta certeza, a única conclusão a que poderemos chegar é que há ali muita amizade, carinho, compreensão, entendimento, cumplicidade... sei lá o que mais!... Mas, mesmo que haja tudo isto na maior transparência possível, ninguém é capaz de penetrar no interior de ninguém, por muito querido que seja. Por muito que saibamos de cada uma das pessoas mais chegadas a nós, não tenhamos ilusões, porque o seu melhor ou pior estará para sempre mergulhado no infinito oceano de si mesmo, local que só estará permanentemente aberto ao Criador dessa obra prima, única no mundo. Cada vida humana é como que um poço encantado, infinitamente belo e profundo, de onde deveriam eclodir vulcões com larvas de amor incandescente pronto a incendiar os outros mundos por que é rodeado. Mas, como poderemos ter a sensação de conhecer o íntimo dos outros, se passamos a vida a explorar como somos, quem somos e para que vivemos, e andamos tantas vezes baralhados? Até as pessoas que pensam conhecerem-se muito bem a si próprias, apanham cada desilusão...
Tentemos descobrir os nossos defeitos, para os corrigir; as nossas qualidades, para lhe dar novas dimensões; acolhamos os outros tal como são, sem críticas ou desprezos, pois se nós, falhando tantas vezes aos compromissos que assumimos, não conseguimos ser senhores e donos de nós mesmos... como poderemos ter coragem para criticar quem quer que seja tentando fazer juízos de valor aos seus comportamentos? Quanto mais conhecimento tivermos das nossas fraquezas melhor aceitaremos as fraquezas dos outros e mais preparados estaremos para fazer correcção fraterna.
Que mistério é a nossa vida! Quem será capaz de compreender, em absoluto, o mistério e a grandeza da vida do homem? Não sei! Talvez... ninguém.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Na “Pérola” do Oceano!


Quando se chega a uma terra olhámo-la rápida e sofregamente de modo a abarcar de imediato tudo quanto é permeável aos sentidos… deixando os pormenores para depois! Tenho que admitir que, de cada vez que venho à Ilha da Madeira… lhe descubro mais encantos.
Por entre o aglomerado das habitações emersas do florido maravilhoso dos jardins povoados de árvores gigantescas e frondosas alternadas com arbustos encantadores, quando no lento desbravar da ladeira deixo de ouvir o marulhar das ondas e de sentir o cheiro a maresia já me encontro perdida, algures, imersa na esplêndida verdura dos matagais e extasiada com o odor provindo das florestas floridas.
Por todo o lado a beleza é estonteante: as piscinas naturais de Porto Moniz; o tão falado cabo Girão; a Calheta; Câmara de Lobos; o Curral das Freiras; S. Vicente; Santana e as suas casinhas; o Pico do Areeiro, ponto mais alto da Ilha, uma janela para o mar;
as pequenas ou maiores povoações dispersas como encantadores canteiros de jardim; e os barcos, no cais, que dão a ideia de um enorme circo ladeado por um gigantesco anfiteatro – a belíssima cidade do Funchal.
Por toda a parte, conduzidas por mãos sábias, experientes e certeiras, as viaturas aparecem e desaparecem velozes, ora nas vias rápidas e túneis que minam toda a Ilha encurtando distâncias, ora nas inúmeras pequenas vielas altamente íngremes e tortuosas cheias de inúmeros e esplendorosos mirantes e quase todas ladeadas de um florido harmonioso e cativante.
Homens e mulheres vagueiam por todo o lado tratando calma e habilmente do conforto e beleza do espaço: uns nos planaltos e montes onde as plantas e animais crescem livremente ofertando beleza e riqueza; outros alindando carinhosamente as ruas e jardins públicos que primam pelo requintado colorido, bom gosto e simplicidade; e ainda outros tornando os pequenos cantinhos de cultura agrícola ou ajardinada que ladeiam as moradias mais dóceis às plantas que ali orgulhosamente reproduzem e crescem frente aos olhos sedentos da sua beleza e às bocas ávidas dos sabores dos seus frutos.
Bem do meio das encostas sobranceiras a Machico e Santa Cruz… bem amiúde… um enorme alarido atroa os ares e convida a olhar o enorme campo onde as gigantescas aves transportadoras aterram e levantam, lá bem no fundo, onde a terra roubou espaço ao mar interligando-se mutuamente numa atraente cumplicidade que se deseja eterna.
A cidade e a aldeia, o mar e o monte, a montanha e o vale, o planalto e a encosta, as fajãs e a zona costeira tão irregular mas firmemente definida, o calmo bater dos ondas e o burburinho da cidade, tudo se encontra tão intimamente unido e intrínseca e calorosamente fundido na extraordinária encantadora e inigualável beleza deste paraíso celestial que é impossível distinguir algo que demarque o que quer que seja dos seus verdadeiros contornos!…
Aqui é fácil perdermo-nos das realidades da vida e lançarmo-nos num mundo de sonho permanente a partilhar aqui e além com os naturais da ilha que, cada qual do seu jeito, vão dando forma a toda esta pitoresca e acolhedora harmonia.
Não há dúvida quanto aos extremosos cuidados do Criador no fabuloso esmero de toda a Ilha, mas muito especialmente da zona de “Santa Cruz”… para mim… a menina dos seus olhos!

A publicar no “Notícias de Cambra”
Hermínia Nadais

terça-feira, 28 de abril de 2009

RECOMEÇAR... EM LIBERDADE!


Finalmente, chegou a hora de recomeçar! Parece que foi ontem, e já lá vão quatro longos meses sem o nosso jornal.
Como na maior parte das vezes em que manuseio as teclas sem nada manuscrito para registar, não sei por onde começar.
Dada a passagem do 25 de Abril, um dos Feriados Nacionais deste pequeno “Jardim à beira mar plantado”, apetece falar de liberdade, responsabilidade, lealdade, solidariedade, harmonia, compreensão, bondade, tranquilidade, partilha, amor, ternura, carinho, verdade, trabalho, pão, humanidade, paz... e prosperidade!...
Depois da Revolução dos Cravos, já muito tinta foi gasta e muita água dos rios se fez mar!... Tanta coisa mudou!... Os saudosistas, dizem que para pior; os amantes da verdade e da assertividade acham que entre espinhos ainda há rosas, o urgente é predispor-se a descobrir o lugar onde elas se escondem e como as utilizar na nossa vida.
O péssimo hábito de destacarmos nos acontecimentos os maus comportamentos, as misérias, as doenças, os acidentes e as crises... faz-nos esquecer que “o sonho comanda a vida” e que temos de sonhar com uma vida boa para conseguirmos ter a vida que sonhamos.
Uma verdade a não esquecer é que são as dificuldades que mais nos fazem crescer pela procura ousada de encontrar o caminho mais adequado para transformar as (des)graças em coisas engraçadas, pois é a melhor forma de sobreviver às intempéries.
A propósito, tenho uma amiga muito especial que tem um enormíssimo carinho por gatos. Trata e aconchega o melhor que pode toda a espécie de gatos abandonados, desde os velhinhos, estropiados e doentes aos recém-nascidos abandonados... mas ao encontrar um cãozinho pequenino... abandonado... também o tratou o melhor que pôde!
Questionada sobre este seu comportamento, respondeu-me com toda a naturalidade que quanto mais profundamente conhece os humanos mais gosta dos animais.
Não contestei, mas também não compreendi o bastante, e comecei a prestar mais atenção às várias mensagens que vagueiam por aí cujos protagonistas são animais... até que uma denominada de “Anjos de Quatro Patas” me elucidou por completo. Resumidamente, diz que “um cão é um anjo de quatro patas que vem ao mundo para ensinar a amar... pois ama incondicionalmente... acarinha, protege e é fiel... não se afasta vinte e quatro horas por dia... quando é repelido volta cabisbaixo a pedir desculpas (ainda que não tenha errado) lambendo as mãos a pedir perdão, aflito... e tudo isto sem pedir nada em troca a não ser o afago para as suas carências mais prementes”. E termina: “Que bom seria que todos os homens pudessem ver a humanidade perfeita de um cão!”
E esta?!...
Ainda bem que não há regras sem excepções... pois se assim não fosse, a bem da verdade, muito boa gente teria vergonha de ser um ser humano.

A publicar no “Notícias de Cambra”
Hermínia Nadais

segunda-feira, 20 de abril de 2009

NÃO RECUEM... NÃO DEIXEM CORRER... O PERIGO ESPREITA!

Estou sem jeito para o que quer que seja!... Não vou debruçar-me sobre nada que me faça pensar, apenas repartir convosco um pouco do que me vai no coração.
Durante a Quaresma, em que tentávamos tirar de nós tudo o que fosse escuridão e atropelos, os tempos estavam mais cinzentos. Agora, com menos chuvas e alguns raios de Sol brilhante a inundar a Terra de refulgente claridade, parecem indicar que as forças da Natureza estão sensibilizadas em acompanhar o nosso interior, de onde reflecte ainda a Luz resplendorosa que a Festa da Páscoa ofertou.
Isto pode parecer descabido para quem não entrou fundo nas vivências Quaresmais com todas as suas bençãos nem viveu plenamente as alegrias da Ressurreição. Foram momentos inesquecíveis. A quem os partilhou, tenho a certeza que marcaram indelevelmente. Sinto grande satisfação em os recordar. Nada sou! Nada critico! Somente vou lembrar uma chamada de atenção que me fizeram um dia... e resultou! ‘Cada um de nós é como é; vive o melhor que pode, sabe ou quer; é responsável pela sua própria vida. Falamos tanto em liberdade!... Parece absurdo, mas... temos a “desgraça” de nascermos livres e de podermos escolher o nosso caminho, quando temos opção de escolha, claro’.
Isto vem a propósito do comportamento de cada um de nós, nos tempos que correm. Na nossa terra, temos tudo ao nosso alcance! É só: procurar para participar... participar para querer... querer para sentir... sentir para crer... crer para ser feliz “vivendo a plenitude do Amor”!
Mas, há coisas que não se compreendem! Quase todos somos Católicos, porque Baptizados segundo o catolicismo; há a preocupação de fazer pomposos casamentos e baptizados; a grande maioria dos pais acompanha bem a educação religiosa dos filhos, pelo menos até à Profissão Solene de Fé; os funerais são acompanhadas pelos sacerdotes; pedem a celebração de missas pelos defuntos; há um sem número de movimentos orientados pela Igreja Católica, com alguns leigos a trabalhar neles... há leigos participantes nas celebrações litúrgicas... e, mesmo assim, muitas vezes as coisas não correm da melhor forma.
Se todos somos seres humanos sujeitos a errar, e nos foi ensinado pelo “Mestre” que devemos perdoar para sermos perdoados, é caso para perguntar: - Porque temos a língua tão afiada e os olhos tão abertos para estarmos sempre dispostos a ver, criticar, agredir tantos os “outros”? Outros... que são nossos irmãos em Cristo?!... Porque nos dizemos Católicos... se quase desconhecemos a Bíblia Sagrada e só procuramos a Mãe Igreja para os casamentos, comunhões, baptizados e funerais? É que, a viver assim, andamos para aí a brincar às escondidas sem saber o que queremos, como vivemos ou porque vivemos. Acabámos por ser uns mentirosos, afirmando uma coisa e fazendo outra, por não vivermos de acordo com a afirmação feita; não somos quentes nem frios, somos pessoas “mornas”, que só servimos para deitar fora. Se queremos ser Cristãos Católicos, sejamo-lo de alma e coração. O Baptismo não é uma brincadeira para dar nas vistas, é uma união a Jesus Cristo, união que se quer viva pelo Amor, pela Oração, pela prática dos Sacramentos, pela partilha, pelo doação e serviço aos que necessitarem. Que Deus nos ajude a encontrarmo-nos assim, uns com os outros e com Ele, o mais rápido possível. E, aos que já não se envergonham de se assumirem como Católicos no pleno sentido da palavra, com as qualidades e defeitos inerentes a qualquer ser humano, que lutam por uma mais perfeita identificação com o Senhor, que “não recuem”... por nada nem por ninguém! A Igreja Católica, mais do que nunca, para crescer, precisa de testemunhos vivos! Estamos numa época em que ou se é... ou se não é. “Não deixem correr” o tempo em vão, porque “o perigo espreita” a cada passo, podendo levar-nos à tentação de nos deixarmos seduzir mais facilmente pelo mal, como acontece a quaisquer outros. Que as nossas atitudes sejam sempre coerentes e capazes de mostrar claramente a nossa alegria e felicidade de vida, a fim de levar os que nos cercam ao desejo veemente de experimentar viver assim também.
Neste tempo de Páscoa que decorre, unidos no mais puro Amor a Deus e aos irmãos, vivamos de mãos bem apertadas nas mãos chagadas de Jesus, para ficarmos mais fortes e podermos quebrar, de uma vez por todas, as cadeias do amor próprio, da incompreenHermínia Nadais

Publicada no Notícias de Cambra
são e do egoísmo.

domingo, 12 de abril de 2009

“AS MELHORES COISAS DA VIDA!”


A vida é cheia de surpresas! E, por vezes, é um pouco parecida com o tempo: tanto está com sol radiante e estrelas reluzentes, como, de repente, as nuvens lhe escurecem o dia e lhe escondem a beleza da noite. No entanto, com sol claro ou nuvens escuras, o dia, é sempre o dia. Nele, a neve e a geada matam insectos e vermes daninhos; as grandes nuvens formam trovoadas ou somente deixam cair as suas águas; o vento é bem-vindo quando se apresenta como brisa suave e é mal aceite quando causa distúrbios nas suas correrias mais fortes, mas vai ajudando à conservação e reprodução de várias espécies de plantas; o Sol, aquece e dá luz ao dia, e a Lua, é a candeia da noite... É assim, no ciclo da vida do tempo. E, bem vistas as coisas, são as intempéries do mau tempo que nos podem levar a apreciar a maravilha do tempo bom. É a água dos dias feios e cinzentos que dá ao Sol a ocasião de utilizar o seu brilho incandescente para dar vida e crescimento às plantas e animais, alegrando-lhes e amenizando-lhes a existência.
Como é bela a natureza! Como é harmoniosa a ordem natural das coisas, que, no silêncio das suas acções, em tudo obedece às leis do Criador e O glorifica. Mas... como reage o ser humano, no meio de tudo isto?
Analisando fria e minuciosamente a atitude de cada homem face aos seus iguais e a todos os outros seres, é fácil concluir que, sendo a mais perfeita de todas as criaturas e que deveria ser a mais livre e responsável, tornou-se, realmente, num escravo da sua liberdade, o mais rebelde e anarquista de todos os seres, o que mais foge à razão para que foi criado.
Para que esta afirmação não leve os que se sentem mais bem comportados a fazerem mau juízo, aprofundemos um pouco o desenvolvimento do homem desde a sua génese.
Dotado de inteligência racional, superior a todos os animais, instituído dominador e senhor de toda a criação, é o único ser que, logo após o nascimento, não pode prescindir dos cuidados maternos ou de um seu substituto por incapacidade absoluta de cuidar de si; enquanto entre animais da mesma espécie, que são instintivos, em locais diferentes, se encontram comportamentos muito idênticos, as capacidades inatas do ser humano de pouco lhe poderão servir se o seu meio envolvente não for favorável a um desabrochar sereno da aprendizagem, pois o desenvolvimento gradual do homem tem mais a ver com o meio ambiente onde está inserido do que com os seus dotes congénitos. Dois homens supostamente com as mesmas aptidões, um nascido na Selva Amazónica outro na cidade de Lisboa, forçosamente que cada um será bem diferente do outro. Se superior ou inferior, não nos cabe fazer qualquer juízo, pois nada temos que nos possa dizer a tal respeito o que quer que seja.
A superioridade do homem perante o mundo que o rodeia, é nitidamente visível. Mas, a tentação de cada homem se julgar superior a outro homem, é muito pessoal, e, por tal, de difícil observação concreta, nunca se podendo afirmar com segurança que haja supremacia de alguém sobre outrem em qualquer caso pontual. Para compreender tudo isto, teremos que questionar-nos sobre onde estará, de facto, a superioridade do homem.
Para responder cabalmente a esta questão, teremos que admitir que as duas facetas em que se cimenta a constituição do homem, a corporal e a espiritual, têm interesses antagónicos entre si e complicam toda a percepção do conceito de superioridade. Se por o lado exclusivamente humano perdura a lei do mais forte, se tivermos em atenção a espiritualidade humana o homem será superior na medida em que se colocar ao serviço de todos os seus irmãos principalmente os mais desfavorecidos. Desta forma, a superioridade do homem não estará na sua força, prepotência ou arrogância, mas na sua paciência, doação, carinho, simplicidade, humildade, compreensão, atenção, coerência... não se medirá pela grandiosidade dos actos praticados, mas pelo amor com que se praticarem, valorizando, acima de tudo, as coisas mais pequeninas; não estará na crítica destrutiva e malfazeja, nos argumentos esquivos ou na procura de galanteios, mas no reconhecimento da fragilidade humana, na capacidade de aceitar o outro tal como ele é, na ajuda a quem precisa, no assumir das fraquezas próprias ou alheias, na coragem e força de conseguir sofrer em silêncio, perdoar e amar.
Todos fomos criados para conseguir grandes feitos através das nossas pequenas acções. Dependendo do como encaramos os acontecimentos, na quase generalidade dos casos, o que parece grande e bom não passa de uma mera aparência. Se para muitos o ser bom e o ser grande é calcar para crescer, não olhando a meios para atingir fins, para outros, o crescer mais e mais acaba por ser fruto de muitas pisadas. Custa muito, claro que custa, mas é o que dá mais felicidade, e felicidade duradoira. Procuremos não pisar nem ser pisados. Não corramos atrás de aparências fáceis nem nos deixemos iludir. Correndo no tempo pela estrada da vida, sigamos em frente, deixando para trás a cegueira da nossa ignorância e o vazio da nossa existência, certos de que buscamos, assim, as melhores coisas da vida.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

terça-feira, 7 de abril de 2009

SERÁ TEMPO DE TRISTEZA! NÃO, DE FORMA NENHUMA.


Diz-se que o passado é a base do futuro, mas acho que nem sempre as recordações das vivências de outrora poderão fazer eco na preparação de um futuro com sucesso, a não ser que o presente, elo de ligação entre esses dois pólos, seja muito bem moldado.
Era muito criança, mas as marcas dos sentimentos vividos na época quaresmal ficaram-me indelevelmente gravadas na memória. Além da música que não se podia ouvir e das canções abafadas na garganta, aos domingos, as pessoas deslocavam-se massivamente às Igrejas para ouvir os “longos” sermões, que seriam tanto melhores quantas mais fossem as pessoas a suspirar de dor com derrame de abundantes lágrimas ao ouvir as palavras proferidas pelo orador que, com voz forte e retumbante, intencionalmente levantava sentimentos de pavorosa culpa nos ouvintes, face aos sofrimentos do Senhor. E o seguir os passos da Sua via-sacra, entre cânticos de uma tão grande tristeza, arrasava quem quer que fosse. As confissões quaresmais, vulgarmente chamadas de podadas, eram vistas como uma obrigação de, como obediência a Deus e com medo dos Seus castigos, “pespejar” o saco das culpas frente a um dos Seus padres, homem entre os homens e como os outros homens, arrepiando o coração de muitos.
Porque será que está tudo tão mudado? Será que a Quaresma perdeu o sentido?
Não! De forma alguma! Acho que as vivências de uma verdadeira Quaresma nunca tiveram tanto sentido como agora. Oxalá que a ligação entre o que ela foi, o que é,e o que virá a ser, seja bem construída.
O rodar dos anos mudou mentalidades e levou as pessoas a encontrar outras ocupações e a desertificar as Igrejas, mesmo na época da Quaresma, é um facto. Mas, a consideração e reconhecimento dos direitos da criança e de todo o cidadão, foi alterando, progressivamente, o modo de viver. O conduzir à obediência pelo tradicional medo do castigo foi sendo substituído pelo respeito, carinho e amor que deve haver entre o educador e o educando. A compreensão mútua entre os homens, tendo em conta as responsabilidades inerentes às condições sócio-económicas de cada um vão sendo promovidas em cada dia. Há um reconhecimento cada vez mais profundo de que o verdadeiro valor da pessoa humana se encontra no desenvolvimento global e harmonioso das potencialidades inatas e adquiridas de cada um, da forma como as aproveita para a sua realização pessoal e de como as coloca ao serviço da comunidade. Ora, estes valores tendem a ser evidenciados em todos os homens em geral, independentemente da sua proveniência ou religião.
As vivências quaresmais têm por finalidade desenvolver nos cristãos todos estes valores, numa caminhada de fé enraizada nos passos de Cristo, a verdadeira perfeição e a mais completa das doações, pois colocou-se tão inteiramente ao serviço da comunidade que se deixou morrer por ela. A Quaresma, para os cristãos, é um caminhar mais ao encontro de Deus vendo-O e procurando-O em cada pessoa que os rodeia, seja agradável ou desagradável, mas principalmente nos que mais sofrem a fome, o frio, a nudez, a tristeza, a doença, o abandono, a falta de afecto e ternura... É, à imitação do Mestre, um aceitar com amor, carinho, e sem reclamações, tudo quanto a vida trouxer.
É difícil?! É, Ele sabe. Mas, é possível. E a quem o desejar, Ele está presente para transformar “essa” a que chamamos “nossa cruz”, numa verdadeira “árvore de vida”.
Que bom que houvesse a benesse de todos os cristãos (homens) assim entenderem!...

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A PRIMAVERA DA VIDA... NA PRIMAVERA DO TEMPO!


Como é belo o ciclo da vida que, incansavelmente, renova o mundo em todas as suas vertentes!
Nada mais gratificante para uma pessoa que vai gastando a vida do que encontrar no seu caminho um bom bando de jovens, pois são os rostos que enfrentarão as belezas ou agruras do mundo de amanhã, como nós tivemos de enfrentar os dias que já passamos e vamos passando as horas em que vivemos.
Todos os anos, depois de algum tempo de adormecimento hibernal, o ressurgir da vida por entre as nuas varas das florestas e bosques, nas bermas das estradas e caminhos, nas longas planícies dos campos e nos pequenos canteiros dos jardins, adorna a Natureza com as mais exuberantes vestes multicores enchendo-a do mais inebriante perfume. O canto dos passarinhos, fundido com o zumbido dos insectos, fornecem aos transeuntes as mais inebriantes melodias.
Então diz-se que são estas características raras que fazem o adorno ímpar da paisagem que nos circunda, tornando este pequeno canto do planeta o mais apetecido e desejado jardim da Europa, plantado amorosamente à beira mar.
Pensando um pouco na Primavera do tempo, há várias razões para considerar muito importante esta época do ano. Primeiro, porque é por demais agradável aos sentidos e penetrante até às mais recônditas profundezas do “ser” do coração do homem, com possibilidades de o elevar até às alturas; depois, porque é determinante para a produção agrícola dos que vivem do trabalho campestre, pois dependerá, naturalmente, no seu “quase” todo, das condições favoráveis ou desfavoráveis da Primavera.
Se no tempo, a vida da natureza, que renasce na Primavera, precisa de condições favoráveis para se desfazer, nas ocasiões oportunas, em abundantes flores e frutos, a vida do homem, que toma a sua forma mais decisiva durante a juventude, precisa, nessa primavera da vida, de ser acariciada com todas as oportunidades de desenvolvimento a fim de poder enveredar por um caminho favorável à produção dos apetecidos frutos do amor, carinho, serenidade, dedicação, ternura, honestidade, trabalho, competência...
É sabido que, na Natureza, as sementes não produzem fruto fora da terra preparada. E, como não se podem colher frutos de sementes caídas nas pedras, também não se podem colher uvas em espinheiros.
Transpondo para a vida humana, quantos disparates encontramos!...
Sabemos muito bem o que queremos nós que sejam os homens, mas... Quem somos nós, entre os homens? Porque somos assim? Que nos mostraram, na primavera da nossa vida? Que exemplos nos deram? Que figuras nos apresentaram para possível ídolo ou modelo de imitação? Ao olharmos para nós mesmos, talvez tenhamos necessidade de pensar um pouco em tudo isto, para não nos sentirmos tão culpados das irreverências cometidas.
Agora, quanto ao que queremos do nosso futuro, que virá a expressar-se na vida dos que nos precedem no tempo, os nossos jovens, que alegres ou tristes, interessados ou distraídos, pacientes ou agastados, são o espelho do nosso amanhã. Que damos nós às primaveras dessas vidas que vemos crescer? Que compreensão? Que ajuda? Que exemplo? Que amor e doação?... Sim, que amor e doação, acima de tudo?!...
Críticas, não! Não levam a lado nenhum. E para os criticarmos, teremos que nos criticarmos a nós próprios, e quantos de nós, talvez um pouco, todos nós, fomos e somos vítimas de educações deficiente, de valores mal apresentados e explorados... porque os nossos progenitores também assim foram, e, ainda... os progenitores dos nossos progenitores.
O mundo é assim, uma constante mudança. Aceitemo-la com compreensão. Sejamos francos e abertos, compreensivos e construtores de um mundo novo, seja qual for a nossa idade ou condição.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 18 de março de 2009

PORQUÊ... SÓ AGORA!


Há questões para as quais só o “tempo” poderá oferecer resposta convincente... mas... nem sempre o tempo tem o dom de trazer a resposta adequada para todas as questões?!...
Já tenho algumas boas primaveras de que muito me orgulho, mas esta está a ter, para mim, um sabor muito especial. Mesmo com o tempo invernoso, chuvoso e frio como não lembra, o Céu é muito mais azul e a Terra mais verde, as flores mais belas e o canto dos passarinhos mais suave e melodioso.
A Primavera é sempre o desabrochar de vida nova com o começo de novas vidas. Esse facto ressalta, claramente, a todos os olhares. Mas, na renovação do insondável mistério da vida, existem outros mistérios facilmente despercebidos, porque não palpáveis aos sentidos estritamente humanos.
Na Primavera decorre a maior parte do tempo da Quaresma; nela se renovam mais intensamente as Celebrações Pascais, com todas as suas doações. Estes acontecimentos, para muitos rotineiros e sem sentido, tornam-se, ininterruptamente, numa vivência única para todos e cada um. Prestando atenção às solicitações externas e internas que se nos vão proporcionando das formas mais diversas, poderemos constatar esta grande verdade.
Na estrada da vida, por onde caminhamos incessantemente, intercaladas com algumas pequenas rectas surgem as curvas mais sinuosas e inesperadas, cada uma com seu “quê” de especial. E é na passagem cuidada de todos os imprevistos dessa tortuosa via que a nossa vida se vai apresentando mais ou menos válida, mais ou menos segura de si perante tudo o que a rodeia, mais ou menos apta a conquistar outras paragens e transpor novos horizontes à procura de outros sabores da alegria de viver.
A Quaresma, sem dúvida, é o tempo ideal para nos abandonarmos loucamente nos braços carinhosos do “Pai” e aprendermos a manter-nos mais unidos a Ele, num diálogo permanente, forte e profundo; então, assim, já é um pouco mais fácil lançarmo-nos fortemente nesta aventura de vida, que nos traz o benefício de uma felicidade sem par. Não é preciso metermo-nos em façanhas de vulto, pois a vida será grande somente quando nos dedicarmos à perfeita execução das coisas mais pequeninas: é um amigo que necessita de consolo e a quem dirigimos uma boa palavra; é uma conversa que pede uma resposta brava e respondemos doce e carinhosamente; é a troca da comodidade e bem-estar pela alegria de um encontro; é a incompreensão que dá lugar à delicadeza de um carinho; é a indiferença substituída por uma mão aberta para dar; é o apagar da brusquidão por muito, muito amor... E nisto consistirá, realmente, a nossa “Páscoa”, a passagem de uma vida pouco útil à vivência da verdadeira utilidade de uma vida.
Trabalho difícil e moroso, mas não impossível! Para o conseguirmos, basta domar a nossa vontade à vontade do Pai seguindo as pisadas do Filho, o Verdadeiro Caminho, Verdade e Vida. Assumidos, sem receios ou preconceitos, comecemos a gozar a alegria deste modo de viver... já, neste momento... para que não venhamos a repetir os desabafos de muita gente: Porquê... só agora!

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra

segunda-feira, 9 de março de 2009

“As melhores coisas da vida!”

A vida é cheia de surpresas! E, por vezes, é um pouco parecida com o tempo: tanto está com sol radiante e estrelas reluzentes, como, de repente, as nuvens lhe escurecem o dia e lhe escondem a beleza da noite. No entanto, com sol claro ou nuvens escuras, o dia, é sempre o dia. Nele, a neve e a geada matam insectos e vermes daninhos; as grandes nuvens formam trovoadas ou somente deixam cair as suas águas; o vento é bem-vindo quando se apresenta como brisa suave e é mal aceite quando causa distúrbios nas suas correrias mais fortes, mas vai ajudando à conservação e reprodução de várias espécies de plantas; o Sol, aquece e dá luz ao dia, e a Lua, é a candeia da noite... É assim, no ciclo da vida do tempo. E, bem vistas as coisas, são as intempéries do mau tempo que nos podem levar a apreciar a maravilha do tempo bom. É a água dos dias feios e cinzentos que dá ao Sol a ocasião de utilizar o seu brilho incandescente para dar vida e crescimento às plantas e animais, alegrando-lhes e amenizando-lhes a existência.
Como é bela a natureza! Como é harmoniosa a ordem natural das coisas, que, no silêncio das suas acções, em tudo obedece às leis do Criador e O glorifica. Mas... como reage o ser humano, no meio de tudo isto?
Analisando fria e minuciosamente a atitude de cada homem face aos seus iguais e a todos os outros seres, é fácil concluir que, sendo a mais perfeita de todas as criaturas e que deveria ser a mais livre e responsável, tornou-se, realmente, num escravo da sua liberdade, o mais rebelde e anarquista de todos os seres, o que mais foge à razão para que foi criado.
Para que esta afirmação não leve os que se sentem mais bem comportados a fazerem mau juízo, aprofundemos um pouco o desenvolvimento do homem desde a sua génese.
Dotado de inteligência racional, superior a todos os animais, instituído dominador e senhor de toda a criação, é o único ser que, logo após o nascimento, não pode prescindir dos cuidados maternos ou de um seu substituto por incapacidade absoluta de cuidar de si; enquanto entre animais da mesma espécie, que são instintivos, em locais diferentes, se encontram comportamentos muito idênticos, as capacidades inatas do ser humano de pouco lhe poderão servir se o seu meio envolvente não for favorável a um desabrochar sereno da aprendizagem, pois o desenvolvimento gradual do homem tem mais a ver com o meio ambiente onde está inserido do que com os seus dotes congénitos. Dois homens supostamente com as mesmas aptidões, um nascido na Selva Amazónica outro na cidade de Lisboa, forçosamente que cada um será bem diferente do outro. Se superior ou inferior, não nos cabe fazer qualquer juízo, pois nada temos que nos possa dizer a tal respeito o que quer que seja.
A superioridade do homem perante o mundo que o rodeia, é nitidamente visível. Mas, a tentação de cada homem se julgar superior a outro homem, é muito pessoal, e, por tal, de difícil observação concreta, nunca se podendo afirmar com segurança que haja supremacia de alguém sobre outrem em qualquer caso pontual. Para compreender tudo isto, teremos que questionar-nos sobre onde estará, de facto, a superioridade do homem.
Para responder cabalmente a esta questão, teremos que admitir que as duas facetas em que se cimenta a constituição do homem, a corporal e a espiritual, têm interesses antagónicos entre si e complicam toda a percepção do conceito de superioridade. Se por o lado exclusivamente humano perdura a lei do mais forte, se tivermos em atenção a espiritualidade humana o homem será superior na medida em que se colocar ao serviço de todos os seus irmãos principalmente os mais desfavorecidos. Desta forma, a superioridade do homem não estará na sua força, prepotência ou arrogância, mas na sua paciência, doação, carinho, simplicidade, humildade, compreensão, atenção, coerência... não se medirá pela grandiosidade dos actos praticados, mas pelo amor com que se praticarem, valorizando, acima de tudo, as coisas mais pequeninas; não estará na crítica destrutiva e malfazeja, nos argumentos esquivos ou na procura de galanteios, mas no reconhecimento da fragilidade humana, na capacidade de aceitar o outro tal como ele é, na ajuda a quem precisa, no assumir das fraquezas próprias ou alheias, na coragem e força de conseguir sofrer em silêncio, perdoar e amar.
Todos fomos criados para conseguir grandes feitos através das nossas pequenas acções. Dependendo do como encaramos os acontecimentos, na quase generalidade dos casos, o que parece grande e bom não passa de uma mera aparência. Se para muitos o ser bom e o ser grande é calcar para crescer, não olhando a meios para atingir fins, para outros, o crescer mais e mais acaba por ser fruto de muitas pisadas. Custa muito, claro que custa, mas é o que dá mais felicidade, e felicidade duradoira. Procuremos não pisar nem ser pisados. Não corramos atrás de aparências fáceis nem nos deixemos iludir. Correndo no tempo pela estrada da vida, sigamos em frente, deixando para trás a cegueira da nossa ignorância e o vazio da nossa existência, certos de que buscamos, assim, as melhores coisas da vida.

Hermínia Nadais
Publicada no “Notícias de Cambra”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MOMENTOS INSUBSTITUÍVEIS


Se, à partida, é tão ambicionada e parece tão fácil a vida de aposentados, a realidade, às vezes, é um pouco diferente. Mesmo com as tarefas profissionais obrigatórias terminadas, ordenado no fim do mês, boa saúde e tempo livre, com tudo a andar, digamos, “sobre rodas”, há tantas surpresas!... Muito agradáveis, muito gratificantes, mas que exigem, por vezes, um pouco mais do que o que, de imediato, há para dar. Então, envidam-se esforços para que tudo seja possível. E consegue-se, não o que se quer, mas o que se pode depois de, como até ali, se tentar conciliar as coisas e escolher a tarefa mais urgente e precisa em determinada ocasião.
É muito bom sentir que somos úteis e necessários e que o tempo começa a escassear numa altura em que a todos parece que o temos de sobra. É que, ao chegar a esta fase da vida, o receio de uma inactividade passiva, da sensação de inutilidade e da pasmaceira de não se ter nada para fazer, leva à tentação de se partir à procura de novas aventuras, aliciantes e com oferta de enorme compensação. E encontram-se, é um facto. Trazem grande felicidade. Mas, bem cedo se fundem com tarefas que, sem que as procuremos, nos surgem, inerentes à nossa condição de filhos, pais e avós.
Situações novas, que nos propõem novas atitudes. Agora, que podemos, urge vivê-las, com toda a plenitude! São momentos insubstituíveis, tais como muitos outros que passaram... e dos quais, as urgentes actividades profissionais nos obrigaram a desviar a atenção que devíamos e queríamos e em que o contributo prestado, mesmo ficando muito aquém do desejo, foi superior a todas as forças possíveis naquela ocasião.
A vida tem várias fases, umas mais difíceis que outras, cada qual com sua característica própria. E quando chegamos a esta situação, ela já nos ensinou a aproveitar intensamente todos os seus momentos e a não perder nenhuma ocasião de realizar os nossos sonhos. É o que tentamos fazer.
Quando deparamos com amigos mais jovens, lá vem a frase habitual: “Agora é que estás bem! É passear e gozar! Quem me dera!”
É muito natural este modo de pensar. Mas, ainda bem que a vida é mais que gozo e passeio! Se fosse apenas isso, perderia o seu pleno sentido e cairíamos num vazio sem medida. A vida tem que ser algo mais, tem que ter outros objectivos, outras aspirações que nos mantenham vivos e activos. Se assim quisermos e pensarmos, por incrível que pareça, a vontade de levar a cabo todas as actividades de que gostamos e para que somos solicitados, é um facto; consegui-lo, grande parte das vezes, é uma enorme e complicada caminhada que, mesmo que não chegue sempre a bom termo, é um desejo que existe e nos conserva em plena juventude. Ainda que o peso dos anos nos entorpeça os músculos e faça fraquejar os ossos, a nossa mente sonha ininterruptamente e em cada dia aprendemos coisas novas. A vida é mais bela em todos os seus momentos.
Não percamos o Outono da nossa existência. Aproveitemos tudo o que tem de bom. Não joguemos tempo fora. Procuremos encontrar ou fazer amigos, nossos iguais, para quem a vida tenha um valor idêntico. Ajudemo-nos mutuamente. Tentemos ser mais abertos, francos, compreensivos, úteis, da melhor forma que pudermos. Dialoguemos com os mais jovens de modo a, com a nossa experiência, levá-los à descoberta do melhor aproveitamento de cada fase da vida, para melhor realização pessoal e felicidade de cada um. Demos à vida os horizontes deslumbrantes que ela tem, e que, à medida que o tempo avança, mais se abrem, diante dos nossos olhos.
Se a morte começa com o aparecimento da vida, a Vida começa com a morte. Vivamos esta realidade, e, ultrapassando as barreiras da alegria, que o Amor nos faça rejuvenescer e viver em Paz.
Sejamos felizes e espalhemos felicidade.

Hermínia Nadais
Publicada no "Notícias de Cambra"

sábado, 14 de fevereiro de 2009

“O SONHO... COMANDA A VIDA...”


Em qualquer etapa da vida deverá haver tempo para trabalhar, descansar, aprender, distrair-se, dedicar-se a alguma coisa de que se goste, muito embora esta última parte não passe, na grande maioria das vezes, de um simples sonho. No entanto, como “o sonho comanda a vida”, sonhar deveria ser tido, por cada pessoa, uma das mais importantes tarefas a realizar.
Sem pensarmos, de imediato, em nada que se relacione com “sonhar”, ao ouvirmos esta palavra lembramos logo as longas ou curtas noites de descanso que, com tantos sonhos à mistura, pelas recordações e sensações que nos trazem à memória, às vezes, mais nos parecem dias turbulentos. Mas, sonhar para comandar a vida pelo sonho, não fica por aqui. É que há dois modos distintos de sonhar: sonhar a dormir e sonhar acordado.
Diz-se que o sonhar a dormir é um escape do inconsciente. Há épocas em que nem sequer nos passa pela cabeça se sonhamos ou não; há outras em que, dependendo do que for lembrado do conteúdo dos sonhos, podem gerar-se situações de indiferença, momentos de felicidade, ou, até, de pavor. Os diversos sentimentos da pessoa em relação ao sonho nocturno parecem ter muito a ver com o seu estado de espírito ocasional e situações actuais da vida, com o autocontrole de cada um sobre as suas próprias emoções e sobre o exacto discernimento entre o sonho e a realidade que, não raras vezes, sem sequer disso nos apercebermos, mesmo sendo ideias de todo inconfundíveis, misturámo-las, quando adaptamos, de qualquer modo, o sonho à vida e a vida ao sonho. É um tremendo erro, porque, realmente, não são estes sonhos que comandam a vida.
O sonho que comanda a vida é aquele em que conseguimos sonhar acordados, enlevar-nos e enredar-nos nesse sonho de tal ordem que o sintamos parte integrante de nós, de modo a não conseguirmos viver sem ele. Enquanto sonho, é sempre uma situação muito agradável, pois, ainda que seja por breves momentos, sentimo-nos realizados e felizes, ou porque nos imaginamos como queremos, ou porque nos parece sentir ter o que pretendemos. Depois, o natural é adaptar o sonho à realidade, e neste caso, sim, devemos lutar acerrimamente por fazer do sonho uma realidade. Então, essa luta constante, passa a comandar e dirigir a vida, de forma positiva ou negativa, conforme o desejo da cada sonho.
Tenhamos muitos e bons sonhos destes que, de facto, comandam a vida: sonhos de felicidade, de alegria, de bem-estar, de prosperidade, de realização pessoal, de amor e de paz... Nesta época em que tanto se fala de falta de paz, que tenhamos muitos sonhos de paz, de paz e de amor, destas duas palavras que sempre andam juntas, destes dois sentimentos de todo inseparáveis, inconfundíveis, necessários e urgentes. Não há paz sem amor, não há amor sem paz. Não falemos de ausência de guerra, porque a paz vem depois da guerra, pressupõe a existência de guerra. Mas, uma guerra geradora de paz não se leva a cabo pela força das armas, move-se pela força do amor, da compreensão mútua, da doação de nós mesmos à causa do outro, do não fazer ao outro o que não queremos que nos façam a nós. Esta guerra não se vê a olho nú, sente-se no mais íntimo de cada ser e só o coração a sabe descobrir.
Até quando ficaremos à espera de que os sonhos comandem as vidas na procura da verdadeira paz?...
Não guardemos para amanhã o que pudermos fazer hoje. Amanhã poderá ser tarde.

Hermínia Nadais
Publicada no Notícias de Cambra